sexta-feira, janeiro 04, 2008

A History Of Violence

Imagina que um dia entras no supermercado e te deparas com um homem que começa a disparar sobre toda a gente. Olhas para o chão e ao lado do cadáver de um polícia está uma arma de fogo. Tens agora uma janela de oportunidade, podes pegar na arma e terminar com tudo salvando o resto das pessoas, ou então podes ficar imóvel, deitado no chão à espera que tudo acabe. Falta pouco para seres visto, tens de decidir rápido! Enquanto pensas pessoas continuam a ser mortas, a pressão aumenta, ele está quase a descobrir-te, é agora ou nunca, tens de escolher! Quando dás por ti essa oportunidade passou e não conseguiste fazer nada, ou será que conseguiste?
É com este género de situações que John Wagner nos aborda no prefácio deste livro, questionando-nos sobre como pessoas comuns, pessoas como eu e tu reagiriam em situações extraordinárias. Nas suas próprias palavras, sempre detestou introduções que divulgassem metade da estória, preferindo que os eventos sejam uma surpresa tanto para as suas personagens como para o leitor. E por isso é óbvio que nenhuma destas situações extraordinárias fazem parte de “A History of Violence”.
A estória tem início em uma pequena cidade no Michigan. Tom McKenna é um cidadão local, gere um pequeno restaurante, é casado e tem dois filhos, aparentemente uma pessoa comum como outra qualquer. Num determinado dia, a monotonia do dia-a-dia é quebrada quando dois indivíduos decidem assaltar o seu restaurante. Com uma arma apontada à cabeça, ele sabe que tem apenas duas escolhas, matar ou morrer. Tom não hesita em escolher a primeira.
Após o sucedido a vida de Tom nunca mais será a mesma, passando de simples cidadão a herói local, é constantemente perseguido pela atenção da imprensa, atenção essa que acabará por despertar um passado há muito esquecido.
No dia seguinte, três estranhos aparecem no restaurante à procura de Tom. Três mafiosos de Nova Iorque que reconheceram a sua foto na televisão. O mais velho, Mr Torrino, veste um fato preto e usa óculos escuros para tapar um olho ferido, segundo ele, Tom não é o homem que afirma ser, mas antes um antigo conhecido seu de nome Joey. Apesar de este negar qualquer ligação a esse homem, Mr. Torrino está bastante convencido do contrário, pois podem ter passado 20 anos desde a última vez que o viu e até a sua visão não ser a mesma de antigamente, mas o facto de tanto Tom como Joey terem perdido um dedo, leva-o a pensar de outra forma. Extasiante a cena em que Torrino mostra o dedo de Joey guardado num frasco à volta do seu pescoço, quase que pensamos que vai ser uma cena como em Cinderela, só que em vez de provar sapatos, usamos dedos humanos.
Durante este primeiro capítulo do livro observamos a pressão exercida na vida de Tom por estes três mafiosos que procuram desesperadamente provar se ele e Joey são ou não a mesma pessoa.
Porém, ao contrário do que possa aparentar, o objectivo desta estória não é o de descobrir se Tom é ou não a pessoa mencionada, isso é bastante claro desde o princípio, não estamos perante esse tipo de mistério, nem dos jogos psicológicos que lhes estão associados. Mas Tom tem de facto um mistério e isso sim é o que se pretende desvendar ao longo da narrativa. Algo aconteceu há muito tempo atrás e Tom tem uma estória por contar, a sua “História de violência”.
Em 2004 “A History of Violence”, foi adaptado ao grande ecrã pelas mãos do genial David Cronenberg e com argumento de Josh Olson. Usando o livro de banda desenhada como influência, mas sabendo respirar e viver fora dele, “A History of Violence” resultou numa obra cinematográfica sublime e em uma das melhores adaptações de uma novela gráfica ao cinema.
John Wagner é conhecido pelo seu trabalho em “Judge Dredd”, que curiosamente também já foi adaptado ao cinema, num filme protagonizado por Sylvester Stallone, onde infelizmente o produto final não foi tão positivo.
O desenho está a cargo de Vince Locke, artista que trabalhou em “Sandman – Brief Lives”, e que opta aqui por usar um desenho cru, a preto e branco, não enveredando pelo caminho óbvio do vermelho sangue.


Publicado originalmente em Rua de Baixo (Fevereiro de 2007) por José Gabriel Martins (Loot)

6 comentários:

Menphis disse...

Nunca li esta BD, mas o filme foi dos melhores que já vi.

Mauro disse...

_loot_ já lá deixei a critica do Avp2, depois dá lá uma saltada.
Abraço

_Loot_ disse...

Menphis: A estória do filme segue um caminho diferente do da BD, vale a pena dar uma vista de olhos às duas obras. Gostei desse aspecto, mais do que simplesmente copiar literalmente o que se passa no livro, mas claro que para resultar temos de ter um realizador que saiba o que faz e Cronemberg é um desses realizadores.

Mauro: obrigado já lá fui ;)

Abraços

Anónimo disse...

eu acho que já vi esse filme. vi um filme no sbt com o virgo mortessen que tem um roteiro bem parecido com o que voçê descreveu sobre history of violence. eu achei esse filme muito bacana1 bem dirigido. e o virgo( o nome deve tá com a grafia errada me desculpem!) é um excelente ator!

Anónimo disse...

eu acho que vi esse filme no sbt. a historia do filme parece com o roeiro da revista que voçe descreveu. o virggo morthessen trabalhava no filme.

Loot disse...

Sim existe a adaptação desta BD para o cinema, pelas mãos do mestre David Cronemberg.

Adorei o filme e como dizes o viggo mortensen é excelente. As suas colaborações como Cronemberg têm-lhe dado grandes papéis, tais como em Eastern promisses.

Já agora o filme e a BD são bastante diferentes, a BD tem 3 capitulos e o filme só segue a linha do 1º capitulo depois muda de rumo. Vale a pena conhecer os dois.

Abraço e obrigado pelos comentários