quinta-feira, Julho 24, 2014

F(r)icções



O mais recente livro de Nuno Duarte e João Sequeira já se encontra à venda há algum tempo. Mas como mais vale tarde do que nunca, aqui fica o meu texto sobre ele na "Rua de Baixo". É só clicar aqui.

quarta-feira, Julho 23, 2014

Only Lovers Left Alive (2013)


When you separate an entwined particle, and you move both parts away from the other, even on opposite ends of the universe if you alter or affect one, the other will be identically altered or affected.

Existe qualquer coisa de especial nos filmes de Jim Jarmusch. Uma qualquer aura (onde o som é tão importante quanto a imagem) que me inunda por dentro, a cada inspiração. Há algo de poético aqui que perdura na memória e me acompanha muito depois de ver o filme, um sentimento.

Hiddleston e Swinton encarnam na perfeição estes casal de vampiros cujo nome nos remete para o início dos tempos (apesar de o realizador ter escolhido os nomes por causa do livro Mark Twain, mesmo esse remete-nos para as figuras biblicas). De um lado temos Eve, a luz - se é que lhe podemos chamar isso - cheia de vida e do outro Adam, a escuridão, encarnada no artista melancólico, mas um que se apaixonou tanto pelas artes como pelas ciências, uma particularidade que gostei em especial, pois não é a ciência uma arte também?

Pelo meio de tanta cultura, um pormenor muito curioso, a menção à teoria de que o autor Christopher Marlow, após forjar a sua morte, continuou a escrever sob o nome de William Shkespeare.

Deixo-vos a música de tom fúnebre que acompanha o filme, qual batimento cardíaco. Agora vou continuar a sonhar.


75 anos de Batman


Quem diria que havia tantas datas para comemorar o aniversário do morcego (como podem ver aqui)?

Pois bem, parece que hoje é a oficial pela "DC Comics", uma escolha mais devida a razões comerciais do que outra coisa, mas ainda assim a data oficial. Afinal de contas é hoje que decorrem as festividades, seja em lojas de BD ou em outros locais, dos 75 anos de Batman.

Por cá não se verão grandes festividades mas prevejo uma bela exposição quando chegar o festival da Amadora.

Muitos parabéns Bruce Wayne Batman.

terça-feira, Julho 22, 2014

Lolita



She was Lo, plain Lo, in the morning, standing four feet ten in one sock. She was Lola in slacks. She was Dolly at school. She was Dolores on the dotted line. But in my arms she was always Lolita.


Tudo que escrevo por aqui é uma opinião de algo, num determinado momento da minha vida e tendo em conta o conhecimento que tenho sobre os assuntos. Nesse sentido, é desnecessário focar ao longo do texto frases como "na minha opinião", mesmo que já o tenha feito anteriormente. Além disso, se fosse reler hoje textos sobre determinadas obras, certamente que umas teriam crescido, outras diminuido no meu interesse e, quiçá, outras que se mantêm incólumes.

A minha área profissional não é nada a da literatura, tratando-se de uma paixão que tenho aprofundado a partir dos livros que vou escolhendo. Mesmo não sendo um especialista, considero-me um leitor interessado, e daquilo que conheço tenho de começar por dizer que "Lolita", de Vladimir Nabokov, é um portento literário. Um daqueles livros que mal o terminamos de ler, sabemos que entraram visceralmente na nossa lista de favoritos, qual tigre esfomeado a rasgar a carne de uma qualquer presa. Não é uma surpresa, verdade seja dita, este é um daqueles livros que tinha de ser obrigatoriamente muito bom para ser publicado nos anos 50, uma vez que aborda um dos assuntos mais controversos do mundo. O que me lembra que apesar de todos os problemas que se enfrentam no mundo, continuo a achar que caminhamos moralmente para a frente (lentamente mas para a frente). Que abolimos a escravatura e que, felizmente, já se percebeu há muitos anos que não é por uma mulher ter a menstruação que já tem maturidade para entrar na vida sexual adulta. Claro que me estou a focar na nossa realidade, ainda há países que sofrem muito com estas questões e outras.


Regressando ao livro e pasmem-se, ou não, "Lolita" é também um dos maiores romances que li. Porque chegados ao fim, não há dúvidas de que estamos perante uma história de amor. Uma que nunca devia ter existido, porque não há crime maior do que roubar uma criança da sua infância, mas ainda assim, uma história de amor. Em termos literários existe uma clara distinção na prosa que descreve os desejos proibidos do protagonista, Humbert Humbert e de outra personagem (que não posso revelar) que partilha dos mesmos pecados. Em Humbert Humbert há poesia e sensualidade nas suas descrições, enquanto que nas do segundo é a vulgaridade e deboche que imperam. Claro que é Humbert Humbert o narrador da história e estamos à sua mercê no que toca a descrição de factos. Porque no final há claras semelhanças entre ambas as personagens, mesmo que a segunda - o antagonista - seja, de facto, uma versão mais negra da primeira. Há humanidade nos monstros e é isso que torna tudo mais doloroso.

Além disto tudo, não contava que "Lolita" fosse também um policial, um daqueles que não se incomoda que a originalidade artística afaste leitores fiéis do género (brincando com palavras do autor). Toda a história é muito bem arquitectada, qual teia de aranha, em que pistas são espalhadas ao longo da trama para a grande tragédia final. É por isso mesmo um livro que pede obrigatoriamente uma segunda leitura (e certamente outras mais), para agora, com o conhecimento prévio de determinados aspectos, descobrirmos muitos mais pormenores maravilhosos que o autor foi semeando com tanta subtileza. A versão em inglês também ajudará, há uma tradução logo no prefácio que dificulta muito mais a sua segunda intenção. Já agora li a versão mais recente da "Relógio D'água" mas espreitei o inglês original, o qual será a próxima leitura quando voltar a pegar no livro.

A tradução de Margarida Vale de Gato, pareceu-me muito competente e, como a própria admite, há problemas cuja resolução ficará sempre aquém da obra inicial, a qual trabalha muito a lingua inglesa e francesa, bricando com as suas palavras. Se a segunda, por ser usada ocasionalmente, foi deixada no original, a outra só muito esporadicamente. Aqui confesso, em tom preguiçoso, que agradecia umas notas com o francês traduzido como acontece nos livros russos que tenho, mas pronto os diccionários existem para alguma coisa. Margarida Vale do Gato é também uma especialista em Edgar Allan Poe, algo que tinha de referir uma vez tratar-se de um autor tão importante na vida de Humbert Humbert.

Uma palavra ainda para um falso prefácio de um inventado John Ray Jr.'s, PhD.  A partir daqui Nabokov cria uma ilusão de que esta história foi verídica. Em adição é mais um momento em que o autor demonstra a sua postura crítica em relação à psicoanálise.


Seja desprezível ou arrogante, Humbert Humbert é uma personagem fascinante que terei muitas saudades de ler. E quanto a ti Lolita, o meu coração ainda chora por ti, merecias muito mais do que tiveste da vida. Merecias ser feliz.

sexta-feira, Julho 18, 2014

Gerador é a cultura Portuguesa com Certeza!


Hoje é o primeiro dia do resto da vida da revista Gerador. É hoje que ela se liga e começa a ser vendida nas bancas. Um projecto de Pedro Saavedra, Tiago Sigorelho e Miguel Bica.

Este primeiro volume tem por objectivo expressar o seu amor à cultura portuguesa e conta com um artigo da minha autoria, que se prende - claro - pelo meu amor à BD em geral e à nossa em particular. Espero que gostem e que o projecto continue em força por muitos anos, porque a cultura portuguesa merece com certeza!

Mais informações brevemente, mas pelo que sei, a revista já pode ser encontrada nas bancas.  Podem também espreitar a página no facebook, aqui.

Por fim, deixo o vídeo de apresentação:


Utopia está de volta

Um dos regressos televisivos mais aguardados regressou esta semana e logo com dois episódios.

"Utopia" volta a mostrar que continua em grande força, afirmando-se como uma das séries mais interessantes e importantes da actualidade. Mais sobre a mesma nos comentários semanais à mesma aqui, no TVDependente.

quinta-feira, Julho 17, 2014

Os heróis também usam BI – #2

A segunda edição da rubrica "Os heróis também usam BI" já se encontra disponível no "Deus me Livro".


Se o Batman é sempre uma figura incontornável numa lista deste género, este ano em particular, era mesmo obrigatório escolhê-lo. 2014 é o ano do morcego, aquele onde se comemoram 75 anos da sua publicação. Parabéns, companheiro de inúmeras aventuras.

Les yeux sans visage (1960)


A dada altua no final de "Holy Motors", Edith Scob coloca uma enigmática máscara na cara. O filme de Leos Carax é uma ode ao actor, seguindo-o ao longo dos seus inúmeros trabalhos. O filme é sempre interessante, mesmo que não se tenha a bagagem cinematográfica para reconhecer todos aqueles papéis. No entanto, será interessante, quando se possuir tal bagagem, ir espreitá-lo novamente.

A máscara que Scob coloca, sei hoje, é suposto remeter-nos para o papel que a actriz havia desempenhado em 60, neste "Les yeux sans visage". Um filme de ficção-científica/horror, sobre um cientista que está a tentar recuperar a cara da sua filha, a qual ficou terrivelmente desfigurada num acidente. O problema é que para isso, o cientista precisa de pele, mais especificamente, da cara de outras pessoas.

Tendo em conta que o filme é de 60 e os efeitos especiais datados, tenho de salientar que a sessão da operação que vemos completa é incrivelmente perturbadora, mostrando como com pouco se consegue fazer muito, se formos inventivos o suficiente. A aura obscura está muito bem conseguida com grandes momentos de tensão. Mais um que vale bem a pena conhecer.

segunda-feira, Julho 14, 2014

sexta-feira, Julho 11, 2014

quinta-feira, Julho 10, 2014

Do not go gentle into that good night

Sem irmos pelo campo técnico e formal, simplesmente, há frases que falam mais connosco do que outras. Podemos apreciar a beleza de várias, mas umas, por determinadas razões, apertam-nos mais o coração, falam directamente para a nossa alma. Quando as acabamos de ler apetece-nos praguejar a alto e bom som para a seguir adicionar a frase "é mesmo isto!".

É assim que me sinto sempre que leio este magnífico poema de Dylan Thomas, um dos meus predilectos. Porque quero dar murros no destino e espernear quando a escuridão me puxar. Eventualmente perco, mas por vezes, mais que o resultado final, é a viagem que conta.


Do not go gentle into that good night,
Old age should burn and rave at close of day;
Rage, rage against the dying of the light.

Though wise men at their end know dark is right,
Because their words had forked no lightning they
Do not go gentle into that good night.

Good men, the last wave by, crying how bright
Their frail deeds might have danced in a green bay,

Rage, rage against the dying of the light.

Wild men who caught and sang the sun in flight,
And learn, too late, they grieved it on its way,
Do not go gentle into that good night.

Grave men, near death, who see with blinding sight
Blind eyes could blaze like meteors and be gay,
Rage, rage against the dying of the light.

And you, my father, there on that sad height,
Curse, bless, me now with your fierce tears, I pray.
Do not go gentle into that good night.
Rage, rage against the dying of the light.
 
Dylan Thomas

quarta-feira, Julho 09, 2014

Penny Dreadful - Temporada 1


Uma série de John Logan, produzida por Sam Mendes e com um elenco desta envergadura iria sempre chamar a atenção. Felizmente "Penny Dreadful" não desilude e, pelo contrário, cumpre muito bem a tarefa a que se propõe.

Já espremi, quais limões ou laranjas, o máximo que consegui desta série no TVDependente, por isso não me vou alongar mais sobre ela. Contudo, queria voltar a mencioná-la por aqui porque terminou na semana passada a sua primeira temporada. Em tom de balanço final, acredito que esta vai ser das melhores do ano.

O facto de ser uma série impregnada de literatura, só a torna ainda mais especial e é na sua escrita, sensual e demoníaca, que encontra uma das suas maiores forças. Prevejo que as prestações do elenco, em especial de Eva Green, juntamente com os diálogos maravilhosos, vão acompanhar-me durante bastante tempo.

Se quiserem ler mais sobre ela, podem espreitar os textos que escrevi no TVDependente aqui.

Kilas, o mau da Fita (1980)


Este filme de José Fonseca e Costa foi um dos grandes êxitos de bilheteira nacional, tendo conquistado alguns prémios tanto cá dentro como lá fora (França e Alemanha). Tenho ideia que é um dos filmes mais icónicos deste realizador - um que surgiu de uma colaboração com o Brasil -, mas como o meu conhecimento sobre ele é reduzido fico-me por aqui nesse campo (este foi o meu primeiro filme de Fonseca e Costa).

Tudo começa com a Rita, diz Kilas logo ao início (o nome é uma variação de Killer), mas sejamos sinceros, o problema nunca foi da senhora. Kilas é um parasita da sociedade, um proxeneta lisboeta que passa a noite no jogo enquanto uma bonita senhora dá o litro - e outras coisas - para o sustentar. Um tipo com classe, portanto. O filme retrata assim uma fatia em específico da vida deste malandro, uma na qual ele conheceu Rita e acabou, sem saber bem como, envolvido numa teia de conspiradores anti-comunistas.

Mário viegas encarna este pilantra e encarna-o memoravelmente. A ajudar o filme temos uma banda sonora de Sérgio Godinho onde a sua "Balada da Rita" assenta como uma luva de seda. Já há muito que não me lembro de cantarolar tanto uma banda sonora num filme.

"Kilas" apesar do seu lado cruel é um filme realizado de uma forma muito divertida, cheio de personagens completamente alucinadas, como é o caso do inesquecível Tereno (Luís Lello).

Um filme a conhecer ou recordar.


terça-feira, Julho 08, 2014

Deus Me Livro

 Arrancou ontem um novo projecto literário, dedicado em exclusivo às palavras e imagens, cujo nome é este que dá título ao post: "Deus Me Livro".

Convido-vos a passarem por lá e a descobrir os contéudos, dos quais destaco para já a entrevista a Dulce Maria Cardoso, por um dos impulsionadores deste site, o Pedro Miguel Silva. O projecto conta com a minha colaboração, de momento, na rubrica "Os heróis também usam BI", que se irá debruçar sobre uma série de personagens distintas da Banda-Desenhada.

segunda-feira, Julho 07, 2014

Sex Criminals


Dentro das séries mensais norte-americanas, o destaque de Junho vai para o regresso de "Sex Criminals" que tinha entrado num hiato desde o número #5. Já queria ter falado deste projecto da Image, por isso aproveito este retorno para o fazer.

Esta nova série escrita por Matt Fraction e desenhada por Chip Zdarsky, tem sido uma das minhas predilectas de seguir mensalmente. Tendo em conta as nomeações aos Eisner, parece que não sou o único e basta ler o primeiro para se perceber porquê. "Sex Criminals" tem uma aura refrescante em termos de material a explorar e uma escrita muito divertida e bem-disposta que ganha vida em inúmeros painéis que Zdarsky constrói, como se fossem a coisa mais fácil do mundo. O primeiro número tinha tanta informação que logo na página por detrás da capa, a história já começava.


 Basicamente "Sex Criminals" começa por nos contar a história de Suzie uma pessoa que têm a capacidade de parar o tempo quando atinge um orgasmo. A seguir entra Jon que conquista logo o coração da rapariga numa cena genial onde o "Lolita" de Nabokov é citado. Como Jon trabalha num banco asqueroso e Suzie está a tentar salvar a biblioteca onde trabalha desse mesmo banco, decidem assaltá-lo - os poderes dela dão muito jeito. Tudo isto é contado previligiando sempre o desenvolvimento das personagens, algo que é um dos pontos mais fortes do livro.

Fica então o conselho, Fraction tem estado em grande na actualidade e este é mais um título que explica porquê. Já agora, vale a pena destacar o design dos livros, com umas capas nunca abaixo do estupendas.

Outro dos grandes momentos desta saga, foi quando Fraction não teve os direitos de uma canção dos Queen para usar na história. Bem, a alternativa reforçam o quanto este senhor tem um humor apurado.

sexta-feira, Julho 04, 2014

Tiras do Baralho - Apresentação

Amanhã dia 5 de Junho o mais recente projecto de André Oliveira e Pedro Carvalho, "Tiras do Baralho", vai ser apresentado pelas 17h na El Pep Gallery & Store (Imaviz Underground em Picoas). Para mais informações cliquem aqui.

Como amostra deixo-vos uma das minhas favoritas, deste trabalho que prima pelo humor nonsense:


quinta-feira, Julho 03, 2014

Bedeteca de Lisboa: Um paraíso de BD


A bedeteca de Lisboa encontra-se hoje situada nas instalações da Biblioteca dos Olivais e tem um dos maiores espólios (se não for mesmo o maior) de BD no país.

Está também inserida na rede BLX, ou seja, uma rede que une todas as bibliotecas da zona de Lisboa. Isto é muito útil porque se quiserem usar os serviços da bedeteca, podem fazê-lo a partir da biblioteca mais perto da vossa residência. Isto claro, é uma informação útil para quem reside por aqui.

Claro que vale sempre a pena visitarem a bedeteca em si e consultarem ao vivo e a cores o espaço. Com este tipo de serviço já não há desculpas para não ler, uma vez que é inteiramente gratuito. Para os coleccionadores mais acérrimos custa sempre ler um livro e não o colocar na estante, mas é sempre mais importante ler do que ter.

Para terminar posso afirmar que tornar-me sócio da bedeteca foi uma das melhores coisas que fiz, pois não só tenho encontrado muita coisa que queria ler (principalmente BD nacional raríssima de encontrar), como tenho feito várias descobertas também.

Fica aqui então o aviso, que peca por tardio. Os que puderem, juntem-se a nós que não se vão arrepender. Antes de terminar, quero salientar que ao serem sócios da bedeteca, são-o também, obviamente, de todas as bibliotecas de Lisboa, tendo acesso a todo o tipo de serviços desta instituição. É de aproveitar que qualquer dia ainda acabam com o funcionamento em rede, o que seria uma grande perda.

terça-feira, Julho 01, 2014

Cidade Suspensa - Lançamento

"Cidade Suspensa" é o mais recente álbum de Penim Loureiro, um nome que tem afastado da BD e que marca, através deste novo livro, o seu regresso.

O livro teve um pré-lançamento no X Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, onde contou com uma exposição. Agora terá novo lançamento nesta quinta-feira (03 de Julho) nas instalações do Turismo de Portugal, Rua Ivone Silva, lote 6, em Lisboa (Campo Pequeno) e com a apresentação de Geraldes Lino. Uma novidade é que a editora Polvo, editou duas versões desta história, uma em português e outra em inglês.

Segue a nota de imprensa e algumas imagens:





sexta-feira, Junho 27, 2014

Mat


Por cá continua-se a conhecer Edmond Baudoin e em francês. Neste "Mat" a leitura foi significativamente mais fácil, não porque o meu fracês esteja a ter progressos estupendos, mas porque tinha menos para ler do que "Piero".

Baudoin volta a misturar a realidade e os sonhos ao nos contar a vida de Mat, um rapaz solitário que após ter perdido a mãe tem vindo a desenvolver uma relação tumultuosa com o seu pai. Mais um belo pedaço de uma vida retratada por este autor francês, com o mesmo traço a negro que me tem vindo a habituar.


quinta-feira, Junho 26, 2014

Sei donne per l'assassino (1964)

Dentro do terror italiano há um género muito citado e bem conhecido, o Giallo. Um registo que, do conhecimento que tenho, parece ter nascido com Mario Bava. "Sei donne per l'assassino" pode não ter sido o primeiro (esse foi "La ragazza che sapeva tropo"), mas foi um Giallo icónico e influente neste género.

Mais um filme onde Bava nos mostra o quanto é um realizador obsessivo, tanto tecnicamente (a cor, a imagem e o som) como nos temas da história (sente-se muito uma forte carga sexual nos seus filmes). Como ele e Argento são os dois realizadores mais conhecidos do Giallo (pelo menos para mim), acabo sempre por tecer algumas comparações. A mais imediata é precisamente no argumento. Argento é fantástico na geometria das cenas que constrói, mas o argumento é sempre muito simples e por vezes pouco dado à lógica. Não é uma clara preocupação por parte do realizador. Já os argumentos de Bava são mais atentos, o mistério, inerente ao Giallo, é um que vale a pena seguir, mesmo que o tenhamos desvendado muito antes da sua conclusão (temos muitos anos de policiais em cima e ganha-se um certo calo para isto).

Seja com que realizador for, continuo um fã deste terror italiano que vou desbravando. Pena é que as dobrangens dos filmes italianos sejam tão pavorosas. Mesmo quando é feita pelos próprios actores, a dobragem nota-se sempre.

Para terminar, uma curiosidade em relação a este filme. O visual do assassino evoca muito duas personagens de BD, ambas de Steve Ditko. Falo de Mr. A e The Question. Tendo em conta as datas e a imagem de ambas, é muito possível que tenha existido aqui alguma influência do filme. Estas duas personagens viriam a ser os moldes de uma mais conhecida hoje em dia, o Rorschach de "Watchmen". Sobre este tópico, mais aqui.

quarta-feira, Junho 25, 2014

Boyhood - Trailer



Tinha de ser algo assim para me forçar a retirar da minha reclusão. Porque o trailer de "Boyhood" é um daqueles que apetece partilhar com todos.

O novo filme de Richard Linklater faria sempre História pela sua mera existência, mas, felizmente, o raio do filme tem mesmo bom aspecto. Se Linklater já provou várias vezes ter a sensibilidade certa para aprofundar o crescimento humano, mal posso esperar por esta estreia.

E claro agora é ouvir isto em repeat.

quinta-feira, Junho 12, 2014

MAUS


Se criar uma lista de BD's favoritas, essa lista vai ser diferente todos os dias, contudo, há títulos que mantenho sempre e MAUS é um deles.

Já devia ter falado deste livro no blog, mas por vezes fujo dos favoritos, com receio de que não lhes faça justiça. Agora com a reedição da Bertrand, tinha mesmo de ser, não podia deixar passálo despercebido.

Para lerem sobre MAUS passem pela Rua de Baixo aqui.

sexta-feira, Maio 30, 2014

North by Northwest (1959)



Haverá fotografia mais icónica na filmografia de Hitchcock do que esta em que vemos Roger Thornhill (Cary Grant) a tentar escapar a um ataque aéreo?

Mais icónica não sei, mas igualmente sim, sem dúvida, porque este é o tipo de realizador que Hitchcock era, um criador de filmes com tramas tão intrigantes, como planos memoráveis. Este já estava atrasado, não veio nos DVDs que comprei do senhor e acabou por ir sendo adiado, até me darem um merecido "calduço".

Como sempre, até agora, foi mais uma grande peça de cinema. Eu até acredito que Hitchcock tenha filmes que não são bons, eu é que nunca os vi.

Hannibal - Temporada 2


Estive quase para não a ver, até porque a TV norte-americana parece começar a padecer do vírus da falta de ideias, começando a atacar veemente os filmes, adaptando-os a este meio. Claro que isso não quer dizer que as séries não sejam boas, não quero é passar a vida a ver sempre as mesmas coisas.

O importante é estar atento às que realmente interessam e, neste caso, o nome de Fuller a liderar este projecto valeu-lhe uma merecida oportunidade. Depois de uma assombrosa primeira temporada as dúvidas que poderiam haver foram totalmente obliteradas. Ora esta segunda temporara parece-me ter sido ainda melhor. Um autêntico baptismo de sangue para Will (grande Hugh Dancy) e, também, um mergulhar mais fundo nas profundezas das trevas, ou seja, nesta temporada ficámos a conhecer melhor aquele que dá nome a isto tudo, Mr. Hannibal Lecter (grande Mads Mikkelsen).


E depois de um crescendo de episódio chegámos ao 13º e ficamos sem palavras para todo o maravilhoso espectáculo orquestrado por Fuller. Que grande final, que grandes personagens e, claro, que grande série.

Existe uma certa suspensa de descrença, sem dúvida. Hannibal é capaz de tudo e a empatia de Will por vezes assemelha-se a um super-poder. Mas a aceitar é deixarmos-nos levar por uma das séries do ano.

quinta-feira, Maio 29, 2014

ComiX4= (Comics for Equality)


O projecto ComiX4= tem como objectivo promover o desenvolvimento de uma sociedade europeia que privilegie o respeito e os direitos humanos fundamentais. É um projecto que através da BD pretende lutar contra a qualquer forma de intolerância, seja ela o racismo, a xenofobia ou a homofobia. Apesar de acreditar que temos vindo a melhorar enquanto sociedade, a verdade é que estes vírus não foram extintos e os mais recentes resultados das eleições europeias são a prova disso.

Este colectivo contará com exposição no Festival de BD de Beja e disponibiliza o seu trabalho gratuitamente aqui.

A edição é da responsabilidade da associação Africa e Mediterraneo (Itália) em parceria com NGO Mondo (Estónia), Workshop for Civic Initiatives Foundation (Bulgária), ARCA (Roménia) e Grafiskie stasti (Letónia).

It's a Good Life, If You Don't Weaken


This business of 'kidding yourself' worries me. I don't even know how much self-deception I'm involved in. It's hard to get down to the truth about yourself. Any time I feel like I'm finally being honest with myself I wonder if there's some deeper truth I'm shying away from. It amazes me how I can know something and avoid it at the same time.

Seth

Com este It's a Good Life, If You Don't Weaken regresso aos cartunistas canadianos. O que é engraçado é que Seth, o autor deste livro, e Chester Brown, já falado aqui, são bons amigos e como esta se trata de mais uma história autobiográfica, vamos contar com a presença desse autor enquanto personagem. Aliás a força que Brown deu a Seth não é esquecida nos agradecimentos.

Seth não é uma daquelas pessoas alegres, passando grande parte do seu tema a deambular pelos seus dilemas existenciais. É um saudosista consciente, digo consciente porque apesar de Seth ser um aficcionado pelo passado, tem perfeita noção da falácia que é dizer "como eu seria mais feliz se tivesse vivido numa época passada". Esta paixão pelo antigo tornou-o um ávido coleccionador de antigos cartunes e é durante uma dessas visitas a livrarias e/ou antiquários, que descobre Kalo, um cartunista com quem imediatamente se identifica (aparentemente o traço de ambos é próxima). A partir daqui Seth inicia a sua investigação em torno de Kalo um autor que se revela também de origem canadiana e cuja carreira parece ter sido demasiado curta, para um homem que aparentava ter tanto talento.

Um livro que acaba por nos contar não só a vida de Seth e as suas preocupações, como nos faz mergulhar na sua investigação também conhecendo o percurso de vida do cartunista Kalo, tentando juntar peças de um puzzle para descobrir a vida que levou e como o cartune a influenciou. It's a Good Life, If You Don't Weaken acaba por ser assim sobre a vida de dois autores. Será que Seth persegue Kalo na esperança de descortinar respostas para a sua própria vida? Respostas que, da maneira que as idealizamos, talvez não existam.


Gostei muito da escrita de Seth, muito literária e corajosa. Este nível de exposição deve ser assustador para um escritor como ele e agradeço-lhe por ter tido a vontade em escrever este livro. É um livro profundo e que merecia uma análise bem mais detalhada do que esta. Mas fica a sugestão, pelo menos.

Uma vez que Seth foi um ávido consumidor de BD, são várias as referências que inundam este livro. como o próprio autor diz, há determinados acontecimentos na vida que ele associa imediatamente a uma determinada tira. Não posso dizer que não me identifique, seja BD ou outra coisa qualquer, são muitos os paralelismos que cosntruo entre realidade e ficção.