quinta-feira, Abril 17, 2014

Noah


Como havia acontecido com "The Fountain", Darren Aronofsky volta a espalhar a sua nova história em dois meios distintos: o da BD e o Cinema. Desta vez o autor optou por editar o livro em França pela Le Lombard. Mais recentemente já saiu a edição em inglês pela Image Comics e por isso aqueles que como eu ainda não tinham lido isto por se safarem melhor no inglês do que no francês, já o podem fazer.

"The Fountain" havia sido editado originalmente pela Vertigo, no tempo em que Karen Berger ainda era editora. Foi ela quem juntou Aronofsky com Kent Williams, uma parceria que fez tanto sentido e prova quanta sensibilidade esta senhora tinha para a BD. Mas a Le Lombard não ficou atrás ao escolher Niko Henrichon (Pride of Bagdad) para trabalhar neste "Noah". Henrichon volta a brindar-nos com mais um trabalho excepcional da sua autoria e que é quanto a mim a componente mais interessante deste "Noah". Num pequeno aparte o facto de a Image estar a publicar isto em inglês, leva-me a reforçar o quanto esta editora tem dominado (dominado em termos de boas opções e ideias), prova disso são as nomeações aos Eisner Awards que mostram como esta editora está na vanguarda dos comics norte-americanos. Por outro lado é com alguma tristeza que vejo a Vertigo a perder tanto terreno, mas pelo menos parece estar a ter alguns títulos de interesse (além do novo Sandman).

Aronofsky volta também a trabalhar com o escritor e neurocientista Ari Handel, desta vez tanto na BD como no filme "Noah". Anteriormente já tinham trabalhado juntos no argumento do filme "The Fountain".

Em relação à história, é a parábola biblíca sobre Noé, o homem que juntamente com a sua família foi o único sobrevivente do grande dilúvio. A abordagem de Aronosky é uma distinta certamente, mas não deixa de ser a história de Noé, que, sinceramente, nunca foi das minhas predilectas. Em relação a esta abordagem em particular tem pontos interessantes, mas quase todos na segunda metade do livro, pois a primeira, apesar de visualmente impressionante, deixa mais a desejar. 

No início somos apresentados ao homem que é Noé, à sua família e a parte da civilização desta Terra, uma muito pequena que serve para nos mostrar o quanto o Homem seguiu um caminho negro e o quanto Noé se encontra no outro espectro. Aronofsky toma muitas liberdades ao criar esta sociedade que parece beber de uma qualquer atmosfera apocaliptica de ficção-científica. Acho que li algures uma evocação ao "Mad Max" e parece-me bem empregue a comparação.

 
O mais relevante vem na segunda metade do livro quando o dilúvio se inicia. Noé compreende que tanto a luz como as trevas vivem no coração do Homem e que a única forma de eliminar essa escuridão do planeta é eliminando o Homem. Isso leva-o a seguir um caminho tenebroso que o colocará em directo conflito com a família durante a viagem na arca. Aqui largamos o lado mais aventureiro e entramos no campo do drama que o autor domina melhor. 

Algo interessante é que apesar de estarmos no campo das parábolas biblícas, quando se menciona a origem da vida, temos uma clara alusão ao evolucionismo (mesmo que surjam os bíblicos Adão e Eva). Isso é claro quando se mostra uma célula que parece ser o LUCA (last universal common ancestor) e também na evolução das espécies.

É, como referi, uma abordagem muito particular à história da arca de Noé. Foi uma surpresa ver Aronofsky a pegar neste conto, não o sabia tão entusiasta de uma das histórias mais apocalipticas da Bíblia. Mesmo assim esperava mais desta BD. Se o filme for assim, arrisco-me a dizer que será o mais fraco na sua carreira até à data. Claro que visualmente acredito que deslumbre, pelos menos estas páginas, graças ao traço e cor de Henrichon, cativam.

Nisto tudo quem se safou muito bem foram os peixes (animais marinhos vá).


quarta-feira, Abril 16, 2014

Saga: Volume 3

Queria só deixar um pequeno apontamento, referir que o volume 3 de "Saga" já se encontra à venda e que estas aventuras continuam um mimo. Isto cai que nem gingas.

Já agora aquela página com a Sophie e o Lying Cat tem de ser das cenas mais carinhosas que o Brian K Vaughan  escreveu e a Fiona Staples desenhou.

Agora é que vai custar esperar até haver um volume 4...

terça-feira, Abril 15, 2014

Já Vi(vi) este Filme


A Inês Moreira Santos do blog Hoje Vi(vi) um filme lançou-me um desafio muito divertido. Falar de um qualquer filme no qual tenha revisto ou revivido algum momento da minha vida.

Porque a realidade e a ficção se cruzam constantemente, gostei muito da ideia de partilhar e conhecer, também, uma série de situações destas. Quantos de nós nunca viram um filme e se identificaram mais com determinada cena ou personagem?

Pois bem, a minha cena escolhida pode ser lida aqui. Se quiserem ver todas cliquem aqui.

True Detective (Temporada 1)


"True Detective" será certamente uma das séries mais faladas este ano e isso prende-se, maioritariamente, com dois grande factores (não, não estou a falar do segundo episódio). O primeiro tem a ver com a qualidade da série e o segundo com o facto de "True Detective" ter algo a dizer sobre a aproximação do cinema e da TV.

O cinema e a TV, apesar de serem produtos ditintos, devido às suas semelhanças acabam muitas vezes por serem, inevitavelmente, comparados. É uma discussão bastante interessante comparar estes dois meios de contar histórias a partir de imagens e por vezes torna-se até díficil separá-los. Por exemplo, quando a versão director's cut de "Florbela" ou "Mistérios de Lisboa" foi exibida em formato mini-série, estamos perante cinema ou TV?

Um dos grandes aspectos que distingue a TV e o cinema tem de ser o tempo. Uma série divide-se em vários episódios o que lhe permite ter muitas mais horas de narração. Também por causa deste sistema, acabam por ser várias as pessoas a realizarem os episódios o que afasta as séries de um cunho mais pessoal na realização, algo muito mais característico do Cinema. Quando "True Detective" chegou apresentou-nos 8 episódios, todos maravilhosamente realizados por Cary Joji Fukunaga e esse cunho pessoal, essa especificidade estética foi o que sobressaiu primeiro na série de Nic Pizzolatto. O plano sequência que fechou o quarto episódio será recordado em 2014 como um dos melhores momentos de TV de certeza.

Em relação à história é Pizzolatto quem assume a caneta a tempo inteiro. Um autor que começa a escrever de forma literária mas que já tinha experimentado o bichinho da TV ao escrever dois episódios de "The Killing". Com "True Detective" Pizzolatto conta-nos a história de dois homens, dois detectives que estiveram envolvidos na resolução de um crime monstruoso durante 17 anos. A narração é assim alternada entre o passado e o presente. Os crimes bebem inspiração de romances obscuros como "The Yellow King" e, claro, da própria realidade. Há uma carga de simbolismo muito forte em "True Detective" e estando a falar de uma área da qual estou longe de ser conhecedor, sei que para mergulhar a fundo em toda esta mitologia ainda me falta decifrar muita coisa.

Mas "True Detective" não está escrito de forma a interessar apenas aos fãs e conhecedores de determinados rituais pagãos. Foi com muito entusiasmo que segui as vidas de Rust e Marty, duas personagens extremamente bem construídas e interpretadas por Matthew McConaughey e Woody Harrelson, respectivamente. Todo o ambiente da série entra-nos na pele de uma maneira arrepiante e juntamente com as prsonagens mergulhamos naquilo que de mais assustador existe neste mundo, nas trevas que existem no coração do homem e no que pode acontecer quando essas trevas são libertadas.

domingo, Abril 13, 2014

Killer Joe (2011)


William Friedkin não é para os fracos de coração, é um daqueles realizadores cujo trabalho tem um impacto visual que fica connosco para sempre. E Cinema é isso mesmo, a utilização de imagens em movimento para contar uma história. Ora Friedkin é exímio na arte da realização, sendo um autor frontal, directo e sem rodeios.

O seu mais recente filme "Killer Joe" passou algo despercebido e culpa disso é também da distribuição. Uma pena que o realizador de filmes como o "The Exorcist" e o "French Connection" não tenha tido o seu filme distribuido por cá. Uma pena, porque é mais um trabalho formidável e visceral do realizador que merece toda a nossa atenção.

Num dos papéis principais temos Matthew McConaughey, como Killer Joe. É muito possível que McConaughey seja melhor actor hoje do que há 10 anos atrás. Uma questão de ter mais prática. Mas sempre o achei muito competente e se a sua carreira parece estar agora no auge isso deve-se a uma cuidada atenção da sua parte (ou do agente) na escolha de papéis. "Killer Joe" é mais uma prova de como McConaughey se encontra na mó de cima. a fazer-lhe companhia temos um leque bem forte, com Emile Hirsch, Thomas Haden Church, Gina Gershon e Juno Temple.

"Killer Joe"é sobre uma conspiração familiar para matar um ente querido e receber o dinheiro do seguro. Uma história simples e muito bem contada. O nível de realização e edição são fantásticos e a prova de que Friedkin continua a ser um realizador extremamente estimulante de seguir.

E aquela sequência com a asa de frango? Nunca mais ninguém vai ao KFC sem se livrar dessa na cabeça.

quinta-feira, Abril 10, 2014

Living Will #2 - Lançamento


O segundo tomo de "Living Will" vai ser lançado já neste sábado no festival "Anicomics". Como prometido, depois do vermelho, segue-se o azul.

Segue o comunicado de imprensa:

 
APRESENTAÇÃO

Anicomics Lisboa 2014

Sábado, dia 12 de Abril, às 14h
Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro (Auditório) Telheiras, Lisboa

LIVING WILL #2

Chegar a um ponto em que já não restam muitos anos de vida é quase tão assustador como perder a companheira de sempre. O velho Will continua a fazer o seu melhor para lidar com isso, não porque se importa com o futuro mas porque aceitou como missão resolver todas as pontas soltas que foi deixando. Morrer sem peso na consciência terá de ser o seu testamento e a sua derradeira missão. Não tem muita gente a quem possa chamar amigo, honestamente nem sequer tem sido a mais agradável das pessoas nos últimos anos, mas está disposto a revisitar uma amizade muito antiga. Neste segundo número ficaremos também a conhecer Betty Bristow, uma apresentadora de TV que está à beira do precipício. Depois de uma vida de remorsos, tudo o que quer é remediar-se para trazer equilíbrio à sua existência. Se ao menos fosse tão simples…” “Living Will” é uma série de 7 mini-comics de 16 páginas publicados pela Ave Rara, integralmente em inglês, com argumento de André Oliveira e arte de Joana Afonso.

P.V.P: €2,95 

contactos:
http://averaracomics.tumblr.com/
averara.mail@gmail.com 






terça-feira, Abril 08, 2014

O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Mancha II


A segunda parte deste monumento literário foi publicada 10 anos após a primeira. O que me apanhou de surpresa foi o facto da primeira parte existir dentro do livro. Passo a explicar. Quando Dom Quixote regressa às suas lides cavaleirescas com Sancho, rapidamente descobre que tem andado a circular um livro com as suas aventuras. Ora esse livro é precisamente o mesmo que nós, leitores, lemos, ou seja, a primeira parte do "Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Mancha". Nada que seja estranhado por Dom Quixote uma vez que os Cavaleiros estão habituados a ter as suas façanhas impressas e imortalizadas em livros.

Cervantes vai ainda mais longe nesta mistura entre a ficção e a realidade. É após o tempo em que saiu o primeiro livro um outro escritor - sem consentimento e conhecimento de Cervantes - publicou uma suposta continuação destas aventura. Esta segunda parte falsa também existe nesta história e é muito mal vista pelos olhos dos seus protagonistas (espelhando os do autor também) que não se revêem nesses feitos que lhes são atribuidos. Perto do final Cervantes até une Quixote com uma das personagens desse outro livro, colocando-os frente a frente. Aqui está "Dom Quixote" a ser também um trabalho de meta-ficção.

Nesta nova saída da Mancha por parte de Dom Quixote, existe uma grande diferença em relação às duas anteriores. É que desta vez o cavaleiro é reconhecido por todos aqueles que leram ou ouviram falar do seu livro. Como é exactamente o mesmo que lemos todos sabem que ele é louco e são muitos os que se aproveitam disso para o enganar e rir-se às suas custas. São situações tremendamente engraçadas, mas elaboradas à custa de uma série de enganos que fazem aos dois protagonistas. A forma como as pessoas se aproveitam da locura de Dom Quixote para proveito próprio é um dos grandes temas desta segunda parte. Ainda assim as coisas parecem ser piores para Sancho cujo pêlo leva das boas por causa das falsidades que outros plantam na mente de Dom Quixote.

SPOILERS

Por falar em Sancho Pança, que maravilhosa personagem, quem o viu e quem o vê no final deste livro. Surpreendemente sempre conseguiu ser Governador de uma Ínsula (tecnicamente não era uma Ínsula). Sancho Governador surpreendeu muito com os seus bons juizos, mas passar fome como passava, não era vida para ele e poucos dias durou o seu governo.

No final os seus amigos sempre conseguem convencer Dom Quixote a regressar a casa. Claro que para isso tiveram de o vencer segundo as regras da cavalaria exigindo que durante um ano abdicasse das armas. Como o bom cavaleiro que é Dom Quixote cumpriu o que lhe era suposto, mas abdicar desta vida foi demasiado para si e ao regressar não demorou muito a perder as forças e a aproximar-se da sua morte. Nos seus últimos momentos recupera a sanidade, crítica severamente os romances de cavalaria e volta a responder pelo seu nome de baptismo Alonso Quijano.

No final temos uma bela despedida de Cide Hamete o suposto escritor destas aventuras, que não é nada mais nada menos do que Miguel de Cervantes: "Para mim somente nasceu Dom Quixote, e eu para ele".

 Gostava de fazer justiça a esta obra com as palavras que escrevo. Talvez numa outra altura com maior disponibilidade. Pelo menos deixo aqui algum testemunho, para não deixar de mencionar aqui um dos melhores trabalhos literários que acompanhei. Escolho este verbo porque Dom Quixote e Sancho Pança são personagens tais que me despeço deles agora como se me despedisse de dois amigos. Agora continuarei eu a seguir as pisadas desse cavaleiros, que por mais louco que fosse, também foi um dos melhores homens a pisar a terra.

Séries aos Quadradinhos #3


Na terceira semana de “Séries aos Quadradinhos” viajamos até ao velho Oeste para logo em seguida darmos um pulo a um futuro sombrio em que 15% da humanidade morreu infectada com um novo e mortal vírus. Depois disto era mesmo preciso juntarmos uma equipa de detectives bem humanos e uma super-equipa de personagens clássicas da literatura para conseguirem solucionar o caso de um amor separado pelo tempo e pelo espaço.

Cliquem aqui para espreitar.

quinta-feira, Abril 03, 2014

Veronica Mars (2014)


No TVDependente falo sobre o filme "Veronica Mars". Para quem via e gostava da série este é um acrescento obrigatório. Para todos os outros, não vale a pena verem isto.

Podem ler o texto aqui.

terça-feira, Abril 01, 2014

The Immigrant (2013)


James Gray não será dos nomes mais conhecidos, mas está a cada vez mais a tornar-se um dos grandes realizadores da actualidade.

"The Yards" e "We Own The Night" são os filmes que lhe conhecia (falta-me ainda o primeiro "Little Odessa") e com os quais fiquei muito impressionado. A forma como filmou ambas as histórias mostram-nos que estamos perante alguém com uma grande noção de estilo e conteúdo. Ainda não vi o seguinte "Tow Lovers", mas parece ser um filme que se marca pela mudança na carreira do realizador que aqui parece abandonar os polícias e os gangsters.

2013 foi ano de novo filme seu que teve estreia no Estoril Film Festival, com a presença do realizador. O filme é "The Immigrant" que com pena minha não vi nessa altura, mas vi agora.

"The Immigrant" mostra-nos que Gray continua em grande forma a querer contar-nos histórias trágicas entre pessoas. Aqui a relação é entre a imigrante polaca Ewa Cybulski (Marion Cotillard) que chega aos Estados Unidos e se vê envolvida nas teias de Bruno Weiss (Joaquin Phoenix) um homem que inicialmente parece preocupado em ajudá-la mas que na realidade sempre teve a intenção de se aproveitar da sua boa vontade. Tudo isto torna-se muito mais à medida que Gray desenvolve a relação entre estes dois, mostrando-nos que são personagens muito mais complexas do que inicialmente aparentavam. Fantástico. Um filme a não perder.

segunda-feira, Março 31, 2014

O melhor regresso da MARVEL NOW


Depois do reboot da DC Comics que ficou apelidado de "New 52", a Marvel contra-atacou com algo similar a "Marvel NOW". Não tenho estado a par dos novos títulos da Marvel mas pelas opiniões que tenho ouvido as coisas parecem estar a correr bem para a casa das ideías. Melhor até que na DC que apesar de ter títulos muito interessantes parece estar a perder alguns dos seus melhores autores. Além de que dificilmente se perdoará a DC o homícidio de Hellblazer (se fosse mesmo um fim tudo bem, mas transferir a personagem da Vertigo para a DC não se faz).

Nos últimos tempos os títulos da Marvel não acusavam grande entusiasmo e nem os grandes eventos conseguiam estimular, ficando aquém das expectativas como o sensaboroso "Avengers VS X-Men" ou o "Age of Ultron" (não confundir com o filme). Por isso se este Marvel NOW servir para trazer a Marvel de volta para a glória fico contente.

O Superior Spider-man chocou muitos, mas ao menos foi uma manobra que fez mexer as coisas e o resultado, do que li, não foi mau. O Superior tem a sua graça, mas não conto seguir a série, não há tempo para ler tudo e é preciso seleccionar. Já o Hawkeye foi também uma lufada de ar fresco e este sim conto seguir com mais atenção, é um trabalho que se destaca na edtiora, mesmo que não se destaque tanto fora da mesma. De resto gostava de espreitar os Avengers porque gosto do trabalho do Hickman o qual tenho seguido com muita atenção em "East of West".

Isto tudo para referir que a Marvel parece bem encaminhada e este ano vai trazer dois títulos aos quais não vou resistir. Vamos ter o regresso de dois dos meus super-heróis predilectos. Um deles vai ser o Silver Surfer por Dan Simmons (o mesmo do Superior Spider-Man) numa série que parece previligiar a diversão ao aspecto mais filosófico da personagem. A conferir se vale a pena. Em relação à segunda quero apostar que vai ser a melhor série que a Marvel edita em 2014. Estamos a falar do Moon Knight escrito pelo Warren Ellis. Isto é ouro sobre azul. Que parelha, que união.

O Moon Knight é muitas vezes referido como o Batman da Marvel. São imensas as personagens que bebem inspiração do morcego e as influências no Moon Knight são deveras evidentes como já as esbocei aqui. Mesmo assim este cavaleiro tem vindo a destacar-se ao longo dos anos conquistando o seu lugar merecidamente. O primeiro número saiu este mês e conto que venha nas minhas encomendas. Quando o ler darei novidades.

Todas as obras que procuram desenvolver o conceito do super-herói mais a sério, mostram-nos que esta não é uma tarefa para os sãos. Ora o Moon Knight é uma personagem que espelha isso abertamente com as suas disfunsões de personalidade. É também a sua "loucura" que o tornam especial.Ao contrário do cavaleiro das trevas o da lua veste-se de branco porque ele não se esconde nas sombras, ele quer que as pessoas saibam que está a caminho. Ele é a luz da lua na noite. 

Bem-vindo de volta.

sexta-feira, Março 28, 2014

Her (2013)

 
Quando fui ver "Her" imaginei um filme que se debruçasse sobre a relação entre o Homem e a Tecnologia,  um filme que nos mostrasse no que esta relação, cada vez mais próxima, poderia resultar num futuro próximo. Imaginei uma crítica social que mostrasse que o Homem cada vez mais se isola na frieza das máquinas, um isolamento que o remete para uma melancolia e depressão, pois não fomos feitos para estar sozinhos. Serviria "Her" como um aviso? De que não nos devemos afastar e esconder? De que é preciso ter cuidado com o caminho que o futuro está a seguir?

Bem, talvez sim, mas claramente não só. O filme que imaginei não foi o filme que vi. Claro que existe um enfâse nesse retrato social que nos mostra como estamos cada vez mais afastados uns dos outros. A dada altura Theodore observa pessoas a passar na Rua, todas juntas e todas afastadas, a conversar com os seus sistemas operativos ao invés de uns com os outros. Mas "Her" é mais que isso, diria até que a preocupação principal do filme é outra.

Neste ambiente mais futurista Spike Jonze desenvolveu as repercurssões da existência de inteligência artificial. Já muitos autores de ficção científica o fizeram, mas esta abordagem é bastante sóbria e não muito longe daquilo que um dia poderá acontecer e, por isso, talvez a identificação com este cenário seja mais imediata, mas não menos verdadeira que as outras. O que aconteceria se de facto a inteligência artificial existisse a este nível? Samantha torna-se uma entidade, não viva no sentido biológico da palavra, mas viva no sentido de uma consciência. Como tal, à semelhança de nós, Samantha vai crescendo e evoluindo, onde a única diferença é que o faz a uma velocidade muito superior.

É um filme muito interessante precisamente porque aborda esta possibilidade com honestidade, carinho e acima de tudo sem preconceitos. A preocupação social existe, mas não da forma que inicialmente imaginei. 
"Her" está mais interessado em desenvolver uma relação entre o Homem e a Tecnologia, mas uma enquanto duas entidades conscientes e neste filme isso resulta numa história de amor. "Her" pode ser sobre muita coisa, mas acima de todas as outras é uma história de amor genuína. Existe mesmo uma preocupação no facto de esta relação nunca poder ser carnal e as repercurssões que isso pode ter. Claro que isso também coloca questões constrangedoras. Que futuro há para a espécie humana numa relação destas? (num raciocínio mais preocupado com o futuro a longo prazo). "Her" aborda muita coisa, mas sem apontar o dedo, são questões que ficam no ar para serem reflectidas e valorizo-o muito por isso.

Não nos enganemos também de que a solidão é algo de novo, que a culpa é só das máquinas (criadas por nós). Mesmo aqui a personagem de Theodore mergulha nela devido a uma relação amorosa com a sua ex-mulher. É a dor e desilusão com o mundo que o afastam do mesmo e isso é algo muito humano. Phoenix está como é costume irrepreensível, mas também Scarlett Johansson. Apesar de a actriz nunca surgir fisicamente a sensualidade da sua voz tornam-na uma escolha óbvia e que resulta maravilhosamente bem.

quinta-feira, Março 27, 2014

Captain America: Ed Brubaker and The Winter Soldier


Os filmes de Super-Heróis poderão eventualmente sair de moda, mas por enquanto parece claro que este filão veio para ficar durante uns bons tempos. Pelo menos a Marvel assim está convencida, uma vez que já traçou planos que a vão manter bem ocupada nos próximos anos.

Já tivemos um pouco de tudo por estas andanças, obras refrescantes e inovadoras e peças completamente dispensáveis. Diria até que os últimos são os que devem imperar. Uma coisa é certa a Marvel com a máquina da Disney por trás parece ter o que é necessário para criar filmes minimamente respeitáveis. De todos os seus planos fiquei particularmente entusiasmado com esta sequela do Captain America. Se me dissessem isto há uns anos não acreditava.

O primeiro filme realizado por Joe Johnston foi uma boa surpresa. Apesar de achar que na segunda parte acaba por acusar cansaço, já a primeira é muito boa, onde se soube desenvolver o lado humano deste herói e onde nos souberam trazer também um dos vilões mais icónicos da editora, o Red Skull.

Para a sequela o realizador é substituído pelos irmãos Russo e o argumento irá beber inspiração à fase em que Ed Brubaker escreveu Captain America. Brubaker é um dos argumentistas mais talentosos a trabalhar no mercado norte-americano e quando pegou na série do Captain America conseguiu revitalizar a personagem e dar-lhe um lugar de destaque nestes tempos modernos. Fantástico. Este post serve precisamente para chamar a atenção a isto. A todos os que queriam saber mais sobre o Winter Soldier, peguem na revista do Captain America desta altura que não vão ficar desiludidos.

Quanto ao filme, o trailer tem bastante bom aspecto, mas depois do "Man of Steel" já não digo nada. De qualquer das formas acho que há material aqui para termos um filme bem interessante. Oxalá que "Captain America: The Winter Soldier" se sobressaia como um dos melhores filmes da Marvel. Era de valor.

Também vamos ter a primeira aparição de Falcon o primeiro herói afro-americano a surgir nos comics (pelo menos das grandes editoras) e está com bom aspecto.


quarta-feira, Março 26, 2014

O Menino e o Mundo


Falei dele ainda à pouco. Aqui fica o meu texto sobre "O Menino e o Mundo" na Rua de Baixo.

Aos olhos de uma criança



"Aos olhos de uma criança" é uma canção composta pelo rapper Emicida para o filme de animação "O Menino e o Mundo"  o grande vencedor da edição deste ano do festival MONSTRA.

Este filme brasileiro de Alê Abreu é realmente uma obra bastante especial e com uma banda sonora portentíssima que se torna imediatamente parte do DNA de todo o filme. A cargo da música além de Emicida temos Naná Vasconcelos, os Barbatuques e os GEM-Grupo Experimental de Música.

Tendo encontrado este vídeo de  "Aos olhos de uma criança" que contém imagens do filme, achei que era uma boa forma de dar a conhecer tanto a sua música como o filme em si. Disfrutem é bem bonito.

terça-feira, Março 25, 2014

Séries aos quadradinhos #2


Na segunda semana de “Séries aos Quadradinhos” aceitamos uma proposta irrecusável, documentamos a guerra civil, visitamos uma parte da juventude nacional muito peculiar e tarada e entramos no mundo dos sonhos… apenas para terminarmos numa espiral de terror.

Para verem cliquem aqui.

segunda-feira, Março 24, 2014

terça-feira, Março 18, 2014

A Coragem no Cinema


O blog "Caminho Largo" voltou à carga para mais uma rubrica conjunta de cinema. Desta vez o desafio recaiu sobre o tema da coragem. Como é costume no blog dos irmãos Teixeira o leque de convidados é extenso tornando díficil encontrar melhor amostra da blogoesfera nacional sobre este tema.

Aproveito para agradecer o convite e por poder estar incluído nesta estimulante comunidade. Quanto às minhas escolhas, já podem ser consultadas aqui.

segunda-feira, Março 17, 2014

MONSTRA 2014 – Sessão de Abertura


Na passada Sexta-Feira abriram-se oficialmente as portas do festival com uma sessão apresentada pelo entusiástico Fernando Galrito (director do festival) e que primou por nos apresentar uma breve, mas estimulante, amostra daquilo que nos espera durante a próxima semana no festival.

Mais sobre a sessão de abertura aqui na Rua de Baixo.

sexta-feira, Março 14, 2014

MONSTRA 2014


A animação volta a ser rainha durante uma semana.

Continuo a achar que este é o festival que mais procura discutir outras expressões artísticas de forma a misturá-las com a linguagem da animação. Faz sentido se nos recordarmos que esta é uma arte que nasce do experimentalisto.

Mais sobre o festival aqui.

segunda-feira, Março 10, 2014

Séries aos Quadradinhos #1


Cada vez mais a invasão da banda desenhada se faz sentir também no mundo televisivo. Com o aumento de interesse no número de adaptações para o pequeno ecrã, decidimos elaborar no TVDependente uma lista com as nossas propostas, na esperança que alguma estação de TV leia isto e siga os nossos desejos… ou então foi só porque precisávamos de uma desculpa para falar de BD por aquelas bandas.

De qualquer das formas, passem por lá e espreitem. É só clicar na imagem.

terça-feira, Março 04, 2014

Preacher: Gone To Texas


Comecei a ler "Preacher" há uma série de anos atrás. Depois com o tempo e as longas pausas (quero ler isto em papel) cheguei a um ponto em que para continuar a ler tinha de voltar ao início. Não queria continuar a história não me recordando de certos pormenores. Ora isso atrasou ainda mais a leitura.

Agora voltei à carga e comecei a reler a série. Posso já afirmar que a saga de Garth Ennis e Steve Dillon envelheceu muito bem. O impacto mantém-se e passar o teste do tempo será talvez o maior desafio de todos. "Preacher" passou com distinção. É um daqueles casos maravilhosos em que o argumento e o desenho estão em perfeita sintonia.

"Preacher" é um trabalho provocador, inteligente e negro, muito negro. Mas mesmo na mais escura das noites é possível encontrar luz e aqui não é diferente. Temos de ser Homens bons porque já há muitos maus no mundo.

 Ennis como é bem conhecido não tem problemas em discutir seja que assunto for. É um homem sem preconceitos ou vergonhas. Portanto a forma como pega no ópio do povo - a religião - poderá chocar muitos (ainda bem que aceitaram publicar isto) mas é uma abordagem muito interessante, educativa e completamente distinta de tudo o que já vi.

 Neste primeiro livro as regras são-nos apresentadas logo ao início (basicamente podemos esperar tudo) onde nos contam a história de Génesis uma entidade que nasceu do amor proibido entre um Serafim e uma diaba. Um ser tão poderoso que poderá rivalizar com o próprio todo poderoso. Devido a uma série de acontecimentos perturbadores Jesse (que contém dentro de si Génesis), Tulip e Cassidy partem numa demanda em busca de Deus para lhe pedirem satisfações (parece que ele se foi embora do céu).

 Durante essa pesquisa o trio envolve-se numa história de um perturbador serial killer. O resultado é mesmo muito bom.

Grandes personagens, grande atmosfera e uma escrita em que cada diálogo pode ser um soco no estômago. Quanto a Jesse, graças a Génesis, possui "a palavra do Senhor", ou seja, tudo que disser com essa entoação será cumprido. Jesse terá de aprender o quão perigosa podem ser as palavras... literalmente.

Já agora a todos aqueles que viram o "Twilight" e disseram que era impossível um vampiro ser espectacular sem ter os dentes afiados, só vos quero dizer que estavam enganados.

sexta-feira, Fevereiro 28, 2014

Viridiana (1961)



Esta será talvez a maior imagem de marca de "Viridiana" de Luis Buñuel, onde o realizador recriou a cena da última ceia a partir de um grupo de sem abrigos que abusa da hospitalidade oferecida. 10 anos depois de "Susana" o realizador espanhol surge-nos com um filme cuja crítica social não se encontra tão escondida, tão subtil.

Após a sua visualização - que já decorreu há muito tempo perdoem qualquer falta de memória - entrou logo para o leque de favoritos do realizador, que tendo em conta a qualidade do mesmo é dizer muito. A crítica social e religiosa em "Viridiana" - carregada de simbologia - é fortíssima e mostra-nos o quanto este realizador consegue ser ácido e severo, mas nunca descurando o humor ainda que seja negro.

Uma das cenas que mais me marcou foi a do cão que se encontra preso a uma carroça. A personagem Jorge, para o salvar tem de o comprar, mas ao fazê-lo surge-lhe novamente a mesma situação com outro cão. Pessoalmente considero esta uma metáfora muito rigorosa do nosso mundo. É aquela sensação de que a solução para o problema não está numa qualquer ajuda individual, ainda que esta seja relevante. Uma boa acção é melhor que nenhuma. Mesmo assim sentimos-nos esmagados com o peso do mundo onde mudá-lo é como remar contra a maré.