sexta-feira, abril 29, 2016

Fatale (Volumes 1-4)

Falei dos volumes já editados pela G. Floy de "Fatale" série policial Lovecraftiana de Ed Brubaker e Sean Phillips. Podem ler sobre ela aqui no Deus me Livro.

A sua conclusão será feita no volume 5, a ser editado ainda este ano.

segunda-feira, abril 18, 2016

Nas Nalgas do Mandarim - O Império Contra-Ataca (ou só eu)


Novas participações no Nalgas no episódio 11 e 12.

Aproveito e aviso o que me faltou da primeira vez, de que existe página de facebook.

sábado, abril 09, 2016

Southern Bastards Vol. 1: Aqui Jaz Um Homem


 A nova série de Jason Aaron e Jason Latour pela Image Comics foi editada por cá pela G.Floy. Uma aposta que vale a pena conhecer e sobre a qual escrevi aqui no Deus Me Livro.

sexta-feira, abril 08, 2016

Os Contos Inéditos de Dog Mendonça e Pizzaboy - lançamento




É já este sábado, pelas 18h30 na Fnac Chiado que Filipe Melo irá lançar "Os Contos Inéditos de Dog Mendonça e Pizzaboy", com apresentação de Nuno Markl.

Mais aqui, na Rua de Baixo.

Escrevi sobre a edição da Dark Horse aqui há uns anos.

quarta-feira, abril 06, 2016

Shakespeare na RTP2 em Abril


Mil desculpas pelo atraso, pois esta iniciativa já começou no Sábado passado com a exebição de "Romeu e Julieta". 

Em tom de celebração dos 400 anos de morte de William Shakespeare, todos os Sábados deste mês, pelas 21:45 irão exibir - na RTP2 - uma peça de Shakespeare, todas elas produzidas pelo Shakespeare's Globe Theatre em Southwark, Londres. As peças em questão são: "Romeu e Julieta"; "A Tempestade"; "Tanto barulho para nada" e "Noite de Reis". No último sábado será exibido não uma peça mas o documentário "Shakespeare: Last Will and Testament" realizado por Laura e Lisa Wilson, com produção de Roland Emmerich (aparentemente o senhor que realizou isto... vá-se lá saber).

Para mais informações ver aqui.

quinta-feira, março 31, 2016

Crónicas: Os Monstros de Penny Dreadful



Com algumas mudanças na rubrica entrámos numa segunda temporada do "Crónicas". Para começar e porque "Penny Dreadful" está quase aí a regressar, aproveitei para recordar os seus monstros, os da fantasia e os do papel. Cliquem aqui para ver.

terça-feira, março 29, 2016

The Walking Dead Vol. 13: Longe Demais


Novo volume publicado pela Devir. Falei sobre ele no Deus Me Livro.

segunda-feira, março 28, 2016

Nas Nalgas do Mandarim



Para quem ainda não conhece "Nas Nalgas do Mandarim" é um podcast cinematográfico da autoria de Carlos Reis, Miguel Ferreira e Pedro Cinemaxunga. As regras são... não existir regras. A ideia é numa amena cavaqueira, estilo conversa de café, falar de filmes e colocar desafios uns aos outros.

A segunda temporada já está a decorrer e conta com alguns convidados. Neste episódio 6 um segredo obscuro foi revelado, por isso tinha de o colocar aqui.

segunda-feira, março 21, 2016

Kenshin, o Samurai Errante – 2: Dois Assassinos


O segundo volume de "Rurouni Kenshin", editado pela Devir, já se encontra disponível.
Volto a falar desta série que me é tão querida no Deus Me Livro.

sexta-feira, março 18, 2016

Here


Andava a adiar o texto, porque mal terminei de ler soube que "Here" de Richard McGuire é uma peça de BD que tem de ser partilhada e discutida.

Deixo-vos algumas linhas de reflexão sobre esta viagem de grande experimentalismo e que se tornou tão influente no universo da BD, aqui no site do Deus Me Livro.

quarta-feira, março 16, 2016

Daredevil Temporada 2 - Trailer Final


Sai já na próxima sexta-feira a segunda temporada de "Daredevil". Se for tão boa quanto a primeira já vai valer muito a pena, mas esperemos que seja ainda melhor e que o Wilson Fisk apareça mais à frente.

quarta-feira, março 02, 2016

Olivier Schrauwen e a expansão da BD belga



É já nesta sexta que pelas 21:30 na bedeteca da Amadora vai decorrer a mesa-redonda com Benoît Crucifix sobre Olivier Schrauwen e a expansão da BD belga. Também estarei presente neste mesa-redonda para tecer algumas palavras sobre o autor e encetar conversa com Crucifix. Apareçam se puderem.

Aproveito para relembrar os textos que dediquei a Olivier Schrauwen, nomeadamente sobre as suas edições portuguesas. Podem ler sobre o Espelho de Mogli e Cinzas.

terça-feira, março 01, 2016

Spotlight (2015)



Aproveitando a recente vitória de "Spotlight" nos Óscares, aproveito para lhe dedicar algumas linhas.

Neste regresso à realização, Tom McCarthy debruçou-se sobre a equipa de investigação jornalística do The Boston Globe, a famosa Spotlight, especificamente durante os anos em que investigaram e provaram uma série de casos de pedofilia associados a padres da Igreja Católica. Um escândalo muito recente, cuja denúncia ainda se encontra bem presente na nossa memória. Aquilo que desconhecemos é o trabalho feito nos bastidores e é nesse sentido que "Spotlight" é construído.

É um filme preocupado em mostrar um determinado tipo de jornalismo, aquele que realmente é capaz de mudar o mundo e cuja importância dificilmente será menor. Numa altura em que a comunicação social parece cada vez mais pender para um lado sensacionalista, sabe sempre bem frisar a importância que os jornalistas podem e devem ter no dia-a-dia. Nesse sentido, "Spotlight", poderá parecer um filme frio, mas é-o propositadamente. Há que gabar McCarthy por nunca cair na tentação de ir por uma via mais sensacionalista ou até exibicionista, afinal com um tema destes poderia existir essa tentação. Tal não acontece nunca e o realizador mantém-se fiel na sua demonstração do método jornalístico, sem descurar o tema em questão. Um filme nestes moldes até poderia ser sobre outro tema, mas isso não quer dizer que a pedofilia na Igreja seja descurada para um segundo plano, todo o processo de investigação nos vai desbravando o tema e mostrando a forma como afecta os diferentes jornalistas.

Mais do que protagonismos solitários é um filme que assenta na força do elenco e assenta muito bem. A personagem de Mark Ruffalo é uma das que mais sobressai pela sua relação estreita com o trabalho, podemos mesmo dizer que a sua vida pessoal e profissional são uma e a mesma, mas é em Michael Keaton que as minhas atenções mais ficaram. O actor mais veterano desta equipa mostra que continua em grande forma, ao representar não só o líder da Spotlight, mas também um membro de uma comunidade que viveu, consciente ou inconscientemente, durante anos a fio, a ignorar o que realmente se passava por detrás de algumas portas de Igreja. Estamos a falar de uma situação que não é nada casual, onde um estudo estatístico concluiu que cerca de 6% dos padres são pedófilos, ou seja, existe uma tendência, pior do que isso, é o ter conhecimento e compactuar com isso, mas isso é algo que o filme explicará muito melhor do que eu.

Este é um filme que segue na tradição de clássicos como "All The President's Men" onde o jornalismo é o grande protagonista. Antes de terminar, a título de curiosidade, vale a pena lembrar que McCarthy foi um dos actores da 5º temporada de "The Wire", ou seja, a temporada que se debruçou sobre o jornalismo.

segunda-feira, fevereiro 29, 2016

Crónic4s



Mais um Crónic4s no TVDependente. Desta vez falo muito sucintamente sobre duas séries de comédia do início de 2016 e que são já sérias candidatas a comédias do ano.

sexta-feira, fevereiro 26, 2016

Penny Dreadful - Poster



Não sou muito de estar atento a toda a publicidade que se vai fazendo, no entanto, este poster da terceira temporada de "Penny Dreadful" impressiona. Certamente vai ser um dos posters do ano.

Aproveito e deixo aqui o mais recente trailer da série. Ainda faltam alguns meses, mas pela amostra isto promete.

quinta-feira, fevereiro 25, 2016

Memória de Peixe



Dos vários projectos de música nacional que têm vindo a emergir nos últimos anos, "Memória de Peixe" foi um dos que memorizei logo. Já lá vai algum tempo desde que comprei o álbum homónimo, mas vale sempre a pena reforçar o quanto este trabalho de Miguel Nicolau e Marco Franco vale a pena conhecer.

Rock matemático como já vi ser apelidado por alguém, que vive da inspiração e da repetição em torno de loops de guitarra. Deixem-se seduzir também com este "7/4", um dos singles.

terça-feira, fevereiro 23, 2016

Creed (2015)


It ain't about how hard you hit. It's about how hard you can get hit and keep moving forward.

Em 1976 Sylvester Stallone escreve e John G. Avildsen realiza "Rocky", a história de um pugilista desconhecido que, graças à mão do destino, recebe a oportunidade de defrontar o campeão de pesos pesados, Apollo Creed. É um filme sobre o sonho americano que segue o seu protagonista - Rocky Balboa - ao longo da sua busca por auto-respeito. Este pugilista de ascendência italiana, sem estudos e com um coração do tamanho do mundo, conquista-nos naquele que será o maior filme de toda esta saga - não é à toa que venceu a estatueta dourada que dá pelo nome de Óscar, numa altura bem mais dourada no que toca ao prestígio destes prémios.

O sucesso do filme deu a possibilidade a Stallone de continuar a desenvolver Rocky Balboa e várias sequelas se seguiram, explorando diferentes facetas e desafios da vida do herói. Alguns são bons filmes, ainda que se note que a qualidade vá decrescendo com cada nova investida (se bem me recordo), atingindo o fundo do poço com o capítulo V e - supostamente - o último. Era tempo de Rocky descansar, mas o legado, esse, estava criado.

Em 2006, exactamente  30 anos depois da sua estreia, Rocky regressa para uma sexta investida. "Rocky Balboa" traz-nos um Rocky reformado que lida com as perdas na sua vida, uma relação cada vez mais distante com o seu filho e com o legado que construiu no passado, bem como a forma como afecta o seu presente. É um grande filme que volta a ter aquele coração que vimos no primeiro, encerrando lindamente o percurso deste atleta. Se dúvidas havia, "Rocky Balboa" vem-nos recordar que esta personagem fará sempre parte da História do cinema.

Após este sexto tomo era tempo de pendurar a toalha e despedirmos-nos de Balboa, o Itallion Stallion. Porém, o ano passado reservou-nos uma surpresa que nos trocou as voltas todas. "Creed" entra de cabeça firme ao nos querer contar a história de Adónis, o filho de Apollo Creed, que procura em Rocky o seu mentor, até certo ponto, o seu pai. É uma bela homenagem ao passado que os filmes criaram e à relação de amizade que nasceu entre Rocky Balboa e Apollo Creed. 

Ainda que não seja tão bom como "Rocky Balboa", "Creed" é um belo testamento do legado que esta saga criou, onde o respeito e consideração pela mesma se fazem sempre sentir - não se está aqui só por dinheiro. Michael B. Jordan é uma escolha certeira na pele do filho ilegítimo de Apollo e cria uma forte empatia com aquele que será sempre lembrado como o Italion Stallion. Ryan Coogler realiza este projecto e demonstra saber muito bem a história que está a contar, com todas as referências que evoca ao passado, incluindo um Rocky tal como o conhecemos no filme de 2006. Apesar das devidas diferenças, o percurso que Adónis traça em "Creed" é o mesmo que Rocky traçou em 1976.

Se há uns anos me dissessem que "Creed" me ia emocionar mais do que um regresso de "Star Wars" ia dizer que estiveram a beber, mas foi verdade, aconteceu mesmo isso.

segunda-feira, fevereiro 22, 2016

Hamlet + Ricardo III

A escrita no blog pode ter diminuído, mas o interesse em conhecer Shakespeare não. Por isso desde que falei no "O Mercador de Veneza" e no "Romeu e Julieta", já acrescentei mais dois à lista de leituras concluídas. "Hamlet" e "Ricardo III" tiveram ainda a particularidade de serem complementados com a visualização das respectivas peças. É que, no final do ano passado - pelo menos -, peças de Shakespeare foi coisa que não faltou na zona de Lisboa: "The Tempest" na ZDB; "Hamlet" no Cornucópia, "Ricardo III" no Dona Maria e "Macbeth"no experimental de Cascais. Um final de ano em grande para quem gosta das peças do Bardo. Os textos que se seguem são apenas alguns apontamentos sobre estas experiências, uma vez que, falar de Shakespeare é matéria para longas conversas.

HAMLET


There is nothing either good or bad, but thinking makes it so.

Considerado por muitos como "a" peça de William Shakespeare, o meu primeiro contacto com ela foi através do filme de Laurence Olivier, uma adaptação muito fiel do texto. Hamlet, o príncipe da Dinamarca, foi uma das personagens mais complexas que li, constantemente em confronto consigo próprio, ao questionar todas as suas acções. Logo no início da peça vai ao encontro do espectro do seu pai para descobrir a maior das traições. Mas seria mesmo o espectro de seu pai? O coração de Hamlet acredita em tudo que lhe foi dito, enquanto a mente teme outro tipo de ilusões. Hamlet consegue reunir um temperamento tempestuoso e uma razão temperada como nunca vi, ele é astuto, perspicaz e até feudal, mas não se entrega à sua vingança tão rapidamente como se poderia esperar a início. A sua inacção está sempre ligada a fortes pensamentos sobre a via mais correcta de agir e por isso é uma das peças mais filosóficas de Shakespeare, com uma sensibilidade profunda sobre a vida humana. Ao contrário da ousada Julieta ("Romeu e Julieta") o interesse amoroso em "Hamlet" - Ophelia - é uma personagem muito mais passiva, cujas acções são sempre em função dos três homens da sua vida (pai, irmão e apaixonado). Muito se tem discutido sobre esta personagem e a sua submissão, no entanto, a dada altura da peça Ophelia rompe todas as suas ligações aos homens da sua vida, quando enlouquece, sendo a protagonista de uma das mais fortes e certeiras cenas da peça. 

A peça no teatro Cornucópia foi encenada por Luís Miguel Cintra e usou a tradução de Sophia de Mello Breyner Andresen. Uma das particularidades da peça que me captou logo a atenção é de que iria ter uma duração de cerca de quatro horas, ou seja, a peça seria exibida na íntegra. Cintra é da opinião que peças tão longas cada vez mais são encurtadas e poder assistir a um "Hamlet" desta duração é coisa para terminar. A peça seria uma adaptação muito fiel se Cintra não tivesse feito algumas alterações, na maioria das vezes, de cariz humorístico. A adição de um cão, ou de um comentador no combate final são adições que nada acrescentam à peça, sendo talvez uma tentativa de humor fácil numa peça longa e maçuda? De qualquer das formas resulta mal ou porque tem pouca graça ou porque há momentos em "Hamlet" que não são para rir. Além disso o humor nunca foi estranho a Shakespeare e "Hamlet" tem alguns momentos bem humorísticos tanto na personagem de Polónio, como no cinismo do próprio príncipe da Dinamarca ou no hilariante coveiro. De resto a peça segue o texto de forma fiel e numa linha muito clássica, com uma jovem promessa a vestir a pele de Hamlet de uma forma vigorosa. Um papel nada fácil que Guilherme Gomes consegue cumprir admiravelmente. A destacar também as prestações de Teresa Gafeira e Duarte Guimãres como Gertrudes e Polónio, respectivamente.


RICARDO III



Now is the winter of our discontent.

Aqui o esquema foi ao contrário. Quando tive conhecimento de que Ricardo III ia ser exibido no Dona Maria, não hesitei. Marcou-se desta forma o meu primeiro contacto com as peças históricas do Bardo, um contacto pungente graças a esta encenação contemporânea de Tónan Quito. Numa primeira impressão o palco chama logo a atenção pelo facto de estar tão despido de adereços e todo ele coberto de alcatrão. Alcatrão esse que é, ao longo da peça, constantemente remexido por pás (talvez a evocar o facto de o corpo do antigo Rei inglês ter sido descoberto há um par de anos). O maior destaque desta encenação, contudo, tem de ir para a representação de Ricardo III a quem todo o elenco dá corpo e alma, pelo menos uma vez. Para esta estratégia resultar faz-se uso da sua suposta corcunda e de uma bola vermelha que palpita por todo o palco. Aquele a quem a bola for colocada nas costas passa a ser automaticamente Ricardo III - todos são Ricardo e todos nós podemos vir a ser Ricardo! Uma prestação maravilhosa de um elenco fantástico no qual destaco os Ricardo's do bailarino Romeu Runa e de Tónan Quito. Para quem não tem grandes conhecimentos desta fase da História de Inglaterra é um pouco difícil entrar na peça ao início, até eventualmente tudo começar a fluir melhor. Uma palavra de apreço também para os músicos (que também representaram) e ao seu Jazz que tão bem encaixou no espírito da peça.

Quando peguei no livro já tinha um contacto mais próximo com a história - afinal isto foi escrito para o povo inglês - e sentia-me mais confortável a reconhecer todas as personagens que surgiam em cena. Pode parecer estranho querer ler a mesma história mal se sai da representação da mesma, mas "Ricardo III" é assim tão poderoso. A personagem é uma das grandes maquiavélicas da História e a sua sede de poder pelo trono não encontra nunca restrições. Não admira que tantas vezes o trabalho de George R.R. Martin seja acusado de beber influência das peças de Shakespeare. Seja na tragédia, na guerra pelo trono ou no enorme detalhe dado às personagens, as comparações fazem todo o sentido. Novamente, existem um sem número de cenas fortíssimas, tais como o sonho do duque de Clarence ou a previsão (de tudo o que vai acontecer) da antiga rainha Margarida. Mas a peça é de Ricardo e tanto o seu início - em que se auto-intitula como vilão - como o seu fim - aquela primeira vez em que se confronta com os seus próprios pecados - esboçam um circulo soberbo naquilo que foi a possível vida de Ricardo III (é importante lembrar que a linhagem Tudor também se esforçou por manchar ainda mais a imagem deste Rei, o único a morrer em batalha em terras inglesas). Não admira, por toda a intensidade que esta seja uma das peças mais encenadas de William Shakespeare.

sexta-feira, fevereiro 19, 2016

Ladri Di Biciclette (1948)


Neste "Ladrões de Bicicletas", Vittorio De Sica traz-nos uma história sobre um pai de família, situada numa Itália pós-segunda guerra. Os tempos são duros para o povo e quando Antonio Ricci recebe a tão esperada oportunidade de emprego, tenta de tudo, com a ajuda da sua família, para não a desperdiçar. O único senão é que Ricci precisa obrigatoriamente de ter uma bicicleta, algo que a dada altura, lhe é roubado.

É um filme que se foca nos valores morais e familiares, os quais são colocados à prova quando roubam a bicicleta de Ricci, a qual no filme, simboliza literalmente o sustento da sua família. Enquanto o protagonista procura pelo ladrão ao longo de toda a Roma, é sempre acompanhado do seu filho. Aqui De Sica explora muito bem a relação entre um e outro. Para um pai existe toda uma responsabilidade em cuidar dos filhos e um dos maiores temores está na possibilidade de se falhar para com eles, um receio ainda mais agravado quanto mais cruéis forem os tempos. Por outro lado também a imagem do pai enquanto herói aos olhos do filho, não é esquecida e a forma como a interacção entre estas duas personagens se vai desenvolvendo é um dos aspectos mais maravilhosos do filme. Na forma como os filhos olham para os seus pais este filme fez-me lembrar "Eu nasci, mas..." de Yasujirô Ozu, ainda que o filme do realizador japonês seja completamente distinto deste.

É um daqueles filmes cuja humanidade transborda do ecrã directamente para o nosso coração. Um daqueles casos em que sabemos instantaneamente que esta será uma história que nos acompanhará para o resto da vida. Não é nada surpreendente que seja citado por vários realizadores como sendo uma grande influência. O que De Sicca criou aqui, vai viver para sempre.