segunda-feira, Setembro 22, 2014

Lançamento de "Primeiros Capítulos" e "Primeiros Contos" da Escrever Escrever


É já nesta quarta que este projecto da "Escrever Escrever" vai ver a luz do dia. Conto-me entre o leque de convidados que participaram, nomeadamente com um primeiro capítulo.

A todos os interessados fica aqui o convite. Estarei por lá.

quarta-feira, Setembro 17, 2014

Doctor Who: Uma Viagem Pelo Espaço e Tempo


Durante a exibição da sua 8º temporada, o “TVDependente” vai prestar uma atenção especial a “Doctor Who” com um conjunto de artigos que vão além das críticas semanais (o confronto entre os vilões ainda continua diariamente, não se esqueçam de votar).

A ideia desta “Viagem Pelo Espaço e Tempo” é a de recordarmos alguns dos momentos mais importantes da série, desde que esta regressou em 2005. Para este efeito, todas as semanas irá sair um artigo onde escolherei as três histórias com maior impacto em cada uma das suas temporadas, procedendo de igual modo em relação à 8º, após o seu término. Em relação aos episódios especiais, incluindo os de Natal, não serão contabilizados em nenhum temporada, criando-se posteriormente um artigo específico para eles. 

Apesar da dificuldade nas escolhas é bom constatar que ela existiu, mostrando que “Doctor Who” tem uma variedade de grandes e ecléticos episódios. Sem contar com as alterações que a série pode sofrer quando se regenera, cada temporada tem um leque de episódios de géneros distintos o que contribui ainda mais para a tornar única, algo que espero que também seja bem vincado nestes artigos. É claro que é complicado gerir 50 anos de viagens ao longo do tempo e do espaço (a série original começa em 1963), algo que por vezes se poderá notar na continuidade ou fraca coerência de alguns episódios, ainda assim é também essa liberdade que faz com que tudo seja possível aqui e onde a única limitação é a imaginação de cada argumentista.

Para verem o primeiro sobre a primeira temporada cliquem aqui.

Fahrenheit 451

 
"Fahrenheit 451" ou "Celsius 233" para os amigos, é a adaptação do livro de Ray Bradbury, por François Truffaut. A história de mais uma distopia, uma em que o governo proíbe a leitura de livros. Os bombeiros são quem assume o papel de perseguição e queima de livros, numa inversão do verdadeiro papel do bombeiro.

A governação de um povo menos culto ou emotivo é sempre mais fácil para as ditaduras e este tipo de abordagem é uma que continua a ser feita ainda hoje, como no "Equillibrium" de 2002.

Gostei muito do filme e queria só reforçar que seja em que género for, François Truffaut continua a fortalecer-se como um dos realizadores que mais aprecio. Talvez não seja à toa que, por enquanto, o meu filme favorito de Godard tem argumento seu, falo do "À bout de Souffle".

quarta-feira, Setembro 10, 2014

Os heróis também usam BI – #4

Giuda Ballerino!

O BI dos heróis na BD está de regresso ao "Deus Me Livro", debruçando-se desta vez sobre um dos grandes detectives do oculto, o inconfundível Dylan Dog.

Cliquem aqui para lerem mais sobre ele.

terça-feira, Setembro 09, 2014

Os Labirintos da Água


O mar rumoreja nos troncos de madeira que servem de pilares ao cais, arrasta-se pela praia e molha os pés escuros dos homens deitados. O sol cai sobre os campos onde as mulheres recolhem a bosta ressequida. As crianças matam, e as lagartixas morrem.

É uma ilha em forma de cão sentado.

Herberto Hélder 


"Os Labirintos da Água" de Diniz Conefrey é mais um livro de BD português que conta com apenas 500 exemplares de tiragem (devem ser quase todos nos dias de hoje). Foi editado o ano passado, mas tenho ideia que se trata de uma espécie de reedição, com mais material.

Encontra-se em poucas livrarias (só o encontrei em duas), mas pode ser sempre adquirido a partir do site da editora "Quarto de Jade".

Neste livro Conefrey adapta três textos de Herberto Hélder e adapta-os aos três de forma diferente. Não é que o autor invente a roda, mas para quem se interessa pelos caminhos diferentes que a BD explora, esta é uma proposta de bastante valor. A 1º é a adaptação do conto "Aquele que dá vida" e é a mais tradicional, transformando a linguagem narrativa de Hélder para a da Banda Desenhada. O segundo "(uma ilha em sketches)" já retrata uma história sem o uso a palavras, sendo literalmente "uma ilha em sketches". Para complementar ou ajudar na percepção desta história Conefrey disponibiliza o excerto do texto original, "Sonhos", no início. Por fim, temos a ilustração de excertos do poema "Última Ciência". Neste poema Conefrey mistura ilustração com fotografia, brincando com as imagens da mesma forma que Hélder brincou com as frases que escreveu, misturando-as vezes sem conta na ordem que criava a seu bel-prazer. Aqui assistimos à contemplação do mundo e do Homem, da Vida, pelas palavras do poeta, sempre apoiado nas fortes imagens de Conefrey.

Fica a sensação que as fotografias poderiam ter ido mais longe na terceira história, porque de resto, não só o traço, mas as cores terrenas de Conefrey fazem deste livro um dos melhores do ano passado. É também uma excelente oportunidade de conhecer Herberto Hélder.


Guardians of the Galaxy (2014)


Tem sido elogiado como o grande Blockbuster do Verão, um título que parece ser merecido. Numa altura em que filmes deste género invadem cada vez mais as salas de cinema "Guardians of the Galaxy" consegue distinguir-se dos demais, o que é algo de muito valor.

É o "Avengers" dos anti-heróis, cheio de boa disposição e humor. Vale a pena ir ao cinema e deixarmo-nos levar por este grupo de bandidos tão heróico. O Bradley Cooper, pode não aparecer, mas tem aqui um dos seus melhores trabalhos. A forma como deu voz ao Rocket Racoon, conferiu uma grande tridimensionalidade à personagem. Fantástico. O elenco é liderado pelo carismático Chris Pratt, mais conhecido pelo papel em "Parks and Recreation" (se bem que agora já não). O seu Star-Lord é diferente daquele que me recordo ter lido (outras personagens também), mas funciona muito bem. Quem leu vai ter muitas "prendas" ao longo do filme.

Um dos melhores da Marvel.

sexta-feira, Setembro 05, 2014

The 12th Doctor journey has begun



Barney: What devilry is this, sir?
The Doctor: I don't know. But I probably blame the English.

The Doctor: This is your power source, feeble though it is. And I can use it to blow this whole room if I see one thing I don't like. And that includes karaoke and mimes, so take no chances.

The Doctor: This is Clara. She’s not my assistant; she’s some other word.
Clara: I’m his carer.
The Doctor: Yeah, my carer. She cares so I don’t have to.

The Doctor: he's the top layer if you want to say a few words.

A dois episódios da 8º temporada queria apenas dizer que o Peter Capaldi já merecia um livro com as suas one-liners editadas. Que grande entrada como 12th Doctor. Impressionante como cada actor tem dado uma faceta distinta, conseguindo conquistar-nos sempre até agora. O Doctor de Capaldi promete continuar a manter este legado não só vivo como fantástico.

Mesmo num segundo episódio com algumas falhas que o mancham, o Doctor esteve sempre em alta.

Além da intro oficial, baseada na criada por um fã, deixo-vos outra, bem interessante, também da autoria de um fã.

O Mandarim



E todavia, ao expirar, consola-me prodigiosamente esta ideia: que do norte ao sul e do oeste a leste, desde a Grande Muralha da Tartária até ás ondas do Mar Amarelo, em todo o vasto Império da China, nenhum Mandarim ficaria vivo, se tu, tão facilmente como eu, o pudesses suprimir e herdar-lhe os milhões, ó leitor, criatura improvisada por Deus, obra má de má argila, meu semelhante e meu irmão!

Ia pegar no "Primo Basílio", mas um golpe do destino, colocou-me "O Mandarim" no colo primeiro (um golpe do destino aqui equivale a: um é meu e o outro é emprestado, logo teve primazia).

"O Mandarim" trata-se de uma história, que a partir de uma acção fantasista nos envolve numa enorme lição de vida. Tudo começa quando Teodoro, homem de classe média, se vê confrontado com a possibilidade de se tornar milionário com o mero tocar de uma campaínha. Qual o problema? Ao tocar na campaínha, um Mandarim morre. É uma ideia que tem sido explorada em outros meios, tenho quase a certeza que existe um episódio da "Twilight Zone" sobre isto e, também, um recente filme do realizador de "Donnie Darko" (um que não vi).

A ideia é muito simples e pretende mostrar-nos até que ponto Teodoro consegue realmente ser feliz ao ter recebido o dinheiro nestas condições. Aqueles que sofrem desse mal chamado consciência, provavelmente têm esta noção mais vincada, sabem que determinadas acções nunca terão o mesmo sabor se vierem contaminadas com venenos deste género. Porque somos mais felizes quando temos o coração livre. De qualquer das formas acabo por tender para o parágrafo final desta obra, achando, com pena, que a maioria iria mesmo tocar na campaínha, mas quem sou eu para atirar pedras enquanto não confrontado com similar situação.

É uma histórias bastante curta, sempre centrada numa única personagem, Teodoro. O homem cuja tentação do Diabo irá dar mote as acções desta histórias que decorrerão tanto em Portugal como na China, dois países que Eça de Queiroz descreve com detalhe e emoção.

No final fica sempre a lição, uma que todos já devíamos saber. Caminhem nesta vida orgulhosos, de coração aberto e NUNCA toquem nas campaínhas (a não ser que seja para entrar em algum lado).

quinta-feira, Setembro 04, 2014

Torchwood - Miracle Day (Temporada 4)




Stop being so nice. We left nice behind a hundred miles back. I'm trying to be honest, okay? Because do you know what the worst thing is of all? Out of all the shit we have seen, all the bloodshed, all the horror...You know what is worse than all that? I loved it. I bloody loved it.

Gwen Cooper

SPOILERS

Há semelhança de "Doctor Who" também "Torchwood" tem sofrido "regenerações" ao longo destas temporadas, onde a 3º e 4º seguem um estilo distinto das anteriores, previligiando um mistério com continuidade ao longo de todos os episódios. "Miracle Day" mantém o registo de "Childrens of the Earth", mas duplicando o número de episódios. Infelizmente essa não foi a única diferença, por alguma razão qualquer, "Miracle Day" é uma co-produção americana e essa influência do outro lado do Atlântico faz-se sentir, por vezes, de forma negativa. E eu que pensava que a terceira teria tido um sucesso comercial tão grande que "Torchwood" tinha a continuação garantida.

Logo para começar, é de valorizar que o enredo desta temporada tenha sido tão ambicioso, a ideia de impedir a morte em todo o mundo podia descarrilar como um comboio a alta velocidade, mas funcionou bastante bem. Como todo o mundo se tornou imortal, o Captain Jack ficou mortal, algo que já não víamos há muito tempo. Outro aspecto de bom gosto prende-se com o facto da equipa (agora só Jack e Gwen) se ter deslocado à América. Um toque que apreciei por vermos o regresso do Captain Jack à sua terra Natal. Infelizmente alguns clichés e cenas de sexo gratuito conseguiram esgueirar-se para dentro desta série, quando não faziam falta nenhuma, uma quase certa influência da co-produção... De qualquer das formas, e apesar de ter revirado os olhos nuns quantos momentos, "Miracle Day" viu-se bastante bem, não deixando de ser uma aventura entusiasmante (apenas bem afastada da qualidade de "Children of the Earth", algo que não a ajuda, uma vez que se trata da temporada seguinte a essa).

Se na temporada anterior a razão porque os Aliens queriam as crianças foi um toque tanto surpreendente como terrífico, aqui a exploração desta imortalidade também teve a sua graça. Mantermos-nos vivos não é necessariamente melhor em muitas situações e isso teve algumas abordagens de valor.

Além das  novas personagens que se aliam ao grupo, tivemos a participação do veterano Bill Pullman, no papel de um pedófilo que é impedido de morrer, devido ao "Milagre", no dia da sua setença. O desenvolvimento desta personagem começou por ser um dos aspectos que aparentava ter mais potencial na série e mesmo podendo ter sido mais explorado, teve um bom par de momentos. Para os fãs de "Six Feet Under" voltar a ver Lauren Ambrose é sempre digno de nota, quase irreconhecível tapada por tanto batom.

No campo humorístico gostei particularmente das interacções entre Jack e Rex, a forma como Rex o apelidava de "World War II" ou as várias oportunidades que Jack não perdia para assustar Rex com alusões homossexuais, foram bem divertidas. Esther é a analista da CIA que trabalha com Rex e acaba por ser obrigada a ter uma participação mais activa, cometendo algusn erros crassos no caminho. É a personagem amorosa da temporada, completamente distinta da Gwen. Ainda tivemos uma personagem nova que é preciso mencionar, a doutora Vera. Apesar desta médica se ter despedido mais cedo do que se antecipava, a marca que deixou foi forte, tratou-se das mortes mais tristes desta história, também por todo o momento em si.

Sendo picuinhas e pertencendo esta série ao universo "WHO", estranha-se que o Doctor nunca tenha mencionado o "The blessing" nem que não tenha reparado que houve uns tempos em que ninguém na Terra morria, uma vez que ele anda sempre por cá. Mas é um pormenor que se desculpa. Outro aspecto digno de nota é que "Torchwood" é uma organização que combate as ameaças alenígenas e que, pela primeira vez, se defrontou com uma ameaça 100% terráquea, uma divertida surpresa, quando se especulava que tudo tivesse origem "fora de portas".

Para final de série (uma vez que isto acabou por não ter continuação) é que tínhamos ficado melhor servidos com o final da temporada anterior.Independentemente disso, vou ter mesmo saudades disto.

quarta-feira, Setembro 03, 2014

Torchwood - Children of the Earth (Temporada 3)


SPOILERS


There's a saying here on Earth. A very old, very wise friend of mine taught me it; An injury to one is an injury to all. And when people act accordingly to the philosophy, the human race is the finest species in the universe.

Captain Jack Harkness


Depois de nos termos despedido de Owen e Tosh, mudanças seriam de esperar nesta terceira temporada de "Torchwood". Contudo, a série foi muito além da simples manobra de recrutar novos membros para esta equipa. A terceira temporada iniciou uma nova fase, onde os casos da semana foram subtituidos por temporadas mais temáticas e com continuidade entre os episódios. Com o sub-título de "Childrens of the Earth" a terceira temporada de "Torchwood" foi reduzida no número de episódios (são só 5, que correspondem a 5 dias), mas aumentada na sua qualidade.

“Childrens of Earth” resulta num dos maiores confrontos que a Terra já assistiu, quando vê as suas crianças serem ameaçadas de uma forma tão simples e eficaz. Mas além de todo o mistério, muito estimulante, que a série nos traz, esta temporada á acima de tudo um potentíssimo drama, que irá questionar algumas das decisões que o Captain Jack fez no passado, voltando-o a confrontar com as mesmas no presente. Será que os fins justificam os meios? Será que devemos sacrificar poucos para salvar muitos? Que Jack tem muitos pecados ninguém dúvida, mas será ele hoje, o mesmo homem que foi em tempos? Algo que sempre me apaixonou nesta série, prende-se nas diferenças entre o seu protagonista e o Doctor. São aventuras que decorrem no mesmo Universo, mas lideradas por dois homens muito diferentes, apesar de por vezes se tocarem. Será o Doctor assim tão diferente, quando ele próprio foi quem colocou um ponto final na Time War?

Gwen continua a crescer, é uma personagem que tem sofrido um percurso bem agitado nesta série, conseguindo criar tanto simpatia como antipatia pelas suas decisões. Ao menos as piadas sobre Rhys pararam e a personagem assumiu um papel bem definido e importante nesta equipa. Ianto é outro cujo percurso ascendente é bem notório, notou-se crescimento na personagem e no actor. O seu romance com o Captain Jack assume um tom ainda mais trágico, porque assistimos à sua despedida. Uma muito rápida que resulta do confronto entre Jack e o inimigo. Ianto deixará mesmo muitas saudades. A menção, por parte de Jack, a uma citação de Nelson Mandela (salientada no início do texto) foi outro toque sublime, numa temporada nada abaixo do fantástica.

E no fundo é isto, se “Torchwood” já era uma série com alguns momentos memoráveis, “Childrens of Earth” só contribuiu para aumentar ainda mais o seu estatuto. Uma pena que o futuro não tenha sido tão promissor e agradável como seria de esperar após este portento televisivo.

quarta-feira, Agosto 06, 2014

Os heróis também usam BI – #3


A terceira edição é dedicada a uma das crianças mais especiais da BD.

Calvin pois claro, podem ver aqui.

segunda-feira, Agosto 04, 2014

Torchwood - Temporada 2


Suddenly in an underground mortuary, on a wet night in Cardiff, I hear the sound of a nightengale. Miss Martha Jones.

Captain Jack Harkness


SPOILERS


Depois da season finale da primeira temporada ter sido um dos piores episódios da série, "Torchwood" parece recompor-se para um bombástico início com "Kiss Kiss, Bang Bang", um episódio que nos trouxe James Marsters no papel de Captain John Hart, um antigo colega (e mais) do Captain Jack. Este ínício além de resultar num episódio bem divertido pauta logo o tema que nos irá acompanhar ao longo da série, o passado de Jack.

A série continua em bom terreno com o misterioso "Sleeper" e o regresso às viagens no tempo em "To the last man". Podemos não estar em "Doctor Who" mas os episódios que se debruçam sobre o "timey wimey wibbly wobbly stuff" são sempre bem-vindos. "Meat" quase que podia ser usado como propaganda vegetariana e não sendo dos melhores episódios é "Torchwood" até ao osso, contendo bons momentos e dando mais protagonismo a  Rhys Williams, personagem que muito sofre ao longo da temporada sendo constantemente o bobo da corte. No início até tem graça, mas a dada altura já chega.

Em "Adam" temos a aparição de um novo membro de "Torchwood" que acaba por se revelar um alien capaz de alterar as memórias daqueles em que toca. Boa premissa que é aproveitada para mergulhar na infância de Jack, onde descobrimos que o seu irmão mais novo foi raptado por aliens, um momento que sempre o atormentou de culpa. Acaba por ser também um momento que denuncia, imediatamente, o que acontecerá no último episódio, ou seja, o regresso do irmão de Jack. Já agora foi bem divertido ver os papéis de Owen e Tosh trocados.

Nos episódios "Reset", "Dead Man Walking" e "A Day in The Dead", a série trouxe uma convidada bem amada dos fãs deste universo, a antiga companion e agora membro da UNIT: Doctor Martha Jones. Neste conjunto de episódios o destaque foi para a morte de Owen e o seu posterior regresso, por momentos ainda pensei que Jones o fosse substituir (médico por médico). Já tinha referido que "Torchwood" entra num campo mais espiritual e menos cientifico do que "Doctor Who" e nesta temporada isso voltou-se a sentir, não só neste conjunto de episódios mas principalmente no sofrível "From out of the Rain". Talvez seja um campo que David T. Russel goste de explorar, afinal foi ele o criador do arco mais divino de "Doctor Who", o "Bad Wolf" (apesar de nesta temporada não existir um episódio escrito por ele). Nesta fase a série começa a cair em relação ao início, o que é uma pena tendo em conta que estamos ao pé de Martha Jones. 

Este conjunto de episódios foram dos mais fracos, salvando-se o divertido "Something Borrowed" que decorre durante o casamento de Gwen quando ela descobre que está grávida de um... alien. Pena que logo a seguir tenhamos o já mencionado"From out of the Rain" onde nem a sua componente estética o salva.

Felizmente, "Adrift" e "Fragments" revitalizam a segunda temporada com novo fôlego. O primeiro centra-se em Gwen que contra as ordens de Jack persegue um antigo mistério que, como esperado, traz mais dor do que paz após ser revelado. Já "Fragments" é uma preparação para a season finale que se foca na reunião desta equipa no passado.

Por fim, "Exit Wounds" traz-nos o então o - mais do que esperado - regresso do irmão do Captain Jack. Um regresso muito pouco explorado e que sabe a pouco. Ainda assim um final mais satisfatório do que o anterior e que volta a trazer o Captain Jonh Hart, o que ajuda bastante.

No geral, tal como a primeira, é uma temporada desiquilibrada capaz de alternar entre episódios muito estimulantes e outros severamente aborrecidos. No entanto, continua a ter a sua misticidade, mantendo-nos interessados no futuro das suas personagens. O trio amoroso Jack/Ianto e Gwen continua a desenvolver-se, mais especificamente a relação entre Jack e Ianto (que tem crescido bastante), uma vez que Gwen acabou por casar, mesmo tendo focado o quanto se sente atraída pelo Captain. Do outro lado, Owen e Tosh aproximaram-se como nunca antes, uma clara preparação para o final mais dramático dos dois.

quinta-feira, Julho 24, 2014

F(r)icções



O mais recente livro de Nuno Duarte e João Sequeira já se encontra à venda há algum tempo. Mas como mais vale tarde do que nunca, aqui fica o meu texto sobre ele na "Rua de Baixo". É só clicar aqui.

quarta-feira, Julho 23, 2014

Only Lovers Left Alive (2013)


When you separate an entwined particle, and you move both parts away from the other, even on opposite ends of the universe if you alter or affect one, the other will be identically altered or affected.

Existe qualquer coisa de especial nos filmes de Jim Jarmusch. Uma qualquer aura (onde o som é tão importante quanto a imagem) que me inunda por dentro, a cada inspiração. Há algo de poético aqui que perdura na memória e me acompanha muito depois de ver o filme, um sentimento.

Hiddleston e Swinton encarnam na perfeição estes casal de vampiros cujo nome nos remete para o início dos tempos (apesar de o realizador ter escolhido os nomes por causa do livro Mark Twain, mesmo esse remete-nos para as figuras biblicas). De um lado temos Eve, a luz - se é que lhe podemos chamar isso - cheia de vida e do outro Adam, a escuridão, encarnada no artista melancólico, mas um que se apaixonou tanto pelas artes como pelas ciências, uma particularidade que gostei em especial, pois não é a ciência uma arte também?

Pelo meio de tanta cultura, um pormenor muito curioso, a menção à teoria de que o autor Christopher Marlow, após forjar a sua morte, continuou a escrever sob o nome de William Shakespeare.

Deixo-vos a música de tom fúnebre que acompanha o filme, qual batimento cardíaco. Agora vou continuar a sonhar.


75 anos de Batman


Quem diria que havia tantas datas para comemorar o aniversário do morcego (como podem ver aqui)?

Pois bem, parece que hoje é a oficial pela "DC Comics", uma escolha mais devida a razões comerciais do que outra coisa, mas ainda assim a data oficial. Afinal de contas é hoje que decorrem as festividades, seja em lojas de BD ou em outros locais, dos 75 anos de Batman.

Por cá não se verão grandes festividades mas prevejo uma bela exposição quando chegar o festival da Amadora.

Muitos parabéns Bruce Wayne Batman.

terça-feira, Julho 22, 2014

Lolita



She was Lo, plain Lo, in the morning, standing four feet ten in one sock. She was Lola in slacks. She was Dolly at school. She was Dolores on the dotted line. But in my arms she was always Lolita.


Tudo que escrevo por aqui é uma opinião de algo, num determinado momento da minha vida e tendo em conta o conhecimento que tenho sobre os assuntos. Nesse sentido, é desnecessário focar ao longo do texto frases como "na minha opinião", mesmo que já o tenha feito anteriormente. Além disso, se fosse reler hoje textos sobre determinadas obras, certamente que umas teriam crescido, outras diminuido no meu interesse e, quiçá, outras que se mantêm incólumes.

A minha área profissional não é nada a da literatura, tratando-se de uma paixão que tenho aprofundado a partir dos livros que vou escolhendo. Mesmo não sendo um especialista, considero-me um leitor interessado, e daquilo que conheço tenho de começar por dizer que "Lolita", de Vladimir Nabokov, é um portento literário. Um daqueles livros que mal o terminamos de ler, sabemos que entraram visceralmente na nossa lista de favoritos, qual tigre esfomeado a rasgar a carne de uma qualquer presa. Não é uma surpresa, verdade seja dita, este é um daqueles livros que tinha de ser obrigatoriamente muito bom para ser publicado nos anos 50, uma vez que aborda um dos assuntos mais controversos do mundo. O que me lembra que apesar de todos os problemas que se enfrentam no mundo, continuo a achar que caminhamos moralmente para a frente (lentamente mas para a frente). Que abolimos a escravatura e que, felizmente, já se percebeu há muitos anos que não é por uma mulher ter a menstruação que já tem maturidade para entrar na vida sexual adulta. Claro que me estou a focar na nossa realidade, ainda há países que sofrem muito com estas questões e outras.


Regressando ao livro e pasmem-se, ou não, "Lolita" é também um dos maiores romances que li. Porque chegados ao fim, não há dúvidas de que estamos perante uma história de amor. Uma que nunca devia ter existido, porque não há crime maior do que roubar uma criança da sua infância, mas ainda assim, uma história de amor. Em termos literários existe uma clara distinção na prosa que descreve os desejos proibidos do protagonista, Humbert Humbert e de outra personagem (que não posso revelar) que partilha dos mesmos pecados. Em Humbert Humbert há poesia e sensualidade nas suas descrições, enquanto que nas do segundo é a vulgaridade e deboche que imperam. Claro que é Humbert Humbert o narrador da história e estamos à sua mercê no que toca a descrição de factos. Porque no final há claras semelhanças entre ambas as personagens, mesmo que a segunda - o antagonista - seja, de facto, uma versão mais negra da primeira. Há humanidade nos monstros e é isso que torna tudo mais doloroso.

Além disto tudo, não contava que "Lolita" fosse também um policial, um daqueles que não se incomoda que a originalidade artística afaste leitores fiéis do género (brincando com palavras do autor). Toda a história é muito bem arquitectada, qual teia de aranha, em que pistas são espalhadas ao longo da trama para a grande tragédia final. É por isso mesmo um livro que pede obrigatoriamente uma segunda leitura (e certamente outras mais), para agora, com o conhecimento prévio de determinados aspectos, descobrirmos muitos mais pormenores maravilhosos que o autor foi semeando com tanta subtileza. A versão em inglês também ajudará, há uma tradução logo no prefácio que dificulta muito mais a sua segunda intenção. Já agora li a versão mais recente da "Relógio D'água" mas espreitei o inglês original, o qual será a próxima leitura quando voltar a pegar no livro.

A tradução de Margarida Vale de Gato, pareceu-me muito competente e, como a própria admite, há problemas cuja resolução ficará sempre aquém da obra inicial, a qual trabalha muito a lingua inglesa e francesa, bricando com as suas palavras. Se a segunda, por ser usada ocasionalmente, foi deixada no original, a outra só muito esporadicamente. Aqui confesso, em tom preguiçoso, que agradecia umas notas com o francês traduzido como acontece nos livros russos que tenho, mas pronto os diccionários existem para alguma coisa. Margarida Vale do Gato é também uma especialista em Edgar Allan Poe, algo que tinha de referir uma vez tratar-se de um autor tão importante na vida de Humbert Humbert.

Uma palavra ainda para um falso prefácio de um inventado John Ray Jr.'s, PhD.  A partir daqui Nabokov cria uma ilusão de que esta história foi verídica. Em adição é mais um momento em que o autor demonstra a sua postura crítica em relação à psicoanálise.


Seja desprezível ou arrogante, Humbert Humbert é uma personagem fascinante que terei muitas saudades de ler. E quanto a ti Lolita, o meu coração ainda chora por ti, merecias muito mais do que tiveste da vida. Merecias ser feliz.

sexta-feira, Julho 18, 2014

Gerador é a cultura Portuguesa com Certeza!


Hoje é o primeiro dia do resto da vida da revista Gerador. É hoje que ela se liga e começa a ser vendida nas bancas. Um projecto de Pedro Saavedra, Tiago Sigorelho e Miguel Bica.

Este primeiro volume tem por objectivo expressar o seu amor à cultura portuguesa e conta com um artigo da minha autoria, que se prende - claro - pelo meu amor à BD em geral e à nossa em particular. Espero que gostem e que o projecto continue em força por muitos anos, porque a cultura portuguesa merece com certeza!

Mais informações brevemente, mas pelo que sei, a revista já pode ser encontrada nas bancas.  Podem também espreitar a página no facebook, aqui.

Por fim, deixo o vídeo de apresentação:


Utopia está de volta

Um dos regressos televisivos mais aguardados regressou esta semana e logo com dois episódios.

"Utopia" volta a mostrar que continua em grande força, afirmando-se como uma das séries mais interessantes e importantes da actualidade. Mais sobre a mesma nos comentários semanais à mesma aqui, no TVDependente.

quinta-feira, Julho 17, 2014

Os heróis também usam BI – #2

A segunda edição da rubrica "Os heróis também usam BI" já se encontra disponível no "Deus me Livro".


Se o Batman é sempre uma figura incontornável numa lista deste género, este ano em particular, era mesmo obrigatório escolhê-lo. 2014 é o ano do morcego, aquele onde se comemoram 75 anos da sua publicação. Parabéns, companheiro de inúmeras aventuras.

Les yeux sans visage (1960)


A dada altua no final de "Holy Motors", Edith Scob coloca uma enigmática máscara na cara. O filme de Leos Carax é uma ode ao actor, seguindo-o ao longo dos seus inúmeros trabalhos. O filme é sempre interessante, mesmo que não se tenha a bagagem cinematográfica para reconhecer todos aqueles papéis. No entanto, será interessante, quando se possuir tal bagagem, ir espreitá-lo novamente.

A máscara que Scob coloca, sei hoje, é suposto remeter-nos para o papel que a actriz havia desempenhado em 60, neste "Les yeux sans visage". Um filme de ficção-científica/horror, sobre um cientista que está a tentar recuperar a cara da sua filha, a qual ficou terrivelmente desfigurada num acidente. O problema é que para isso, o cientista precisa de pele, mais especificamente, da cara de outras pessoas.

Tendo em conta que o filme é de 60 e os efeitos especiais datados, tenho de salientar que a sessão da operação que vemos completa é incrivelmente perturbadora, mostrando como com pouco se consegue fazer muito, se formos inventivos o suficiente. A aura obscura está muito bem conseguida com grandes momentos de tensão. Mais um que vale bem a pena conhecer.

segunda-feira, Julho 14, 2014

sexta-feira, Julho 11, 2014

quinta-feira, Julho 10, 2014

Do not go gentle into that good night

Sem irmos pelo campo técnico e formal, simplesmente, há frases que falam mais connosco do que outras. Podemos apreciar a beleza de várias, mas umas, por determinadas razões, apertam-nos mais o coração, falam directamente para a nossa alma. Quando as acabamos de ler apetece-nos praguejar a alto e bom som para a seguir adicionar a frase "é mesmo isto!".

É assim que me sinto sempre que leio este magnífico poema de Dylan Thomas, um dos meus predilectos. Porque quero dar murros no destino e espernear quando a escuridão me puxar. Eventualmente perco, mas por vezes, mais que o resultado final, é a viagem que conta.


Do not go gentle into that good night,
Old age should burn and rave at close of day;
Rage, rage against the dying of the light.

Though wise men at their end know dark is right,
Because their words had forked no lightning they
Do not go gentle into that good night.

Good men, the last wave by, crying how bright
Their frail deeds might have danced in a green bay,

Rage, rage against the dying of the light.

Wild men who caught and sang the sun in flight,
And learn, too late, they grieved it on its way,
Do not go gentle into that good night.

Grave men, near death, who see with blinding sight
Blind eyes could blaze like meteors and be gay,
Rage, rage against the dying of the light.

And you, my father, there on that sad height,
Curse, bless, me now with your fierce tears, I pray.
Do not go gentle into that good night.
Rage, rage against the dying of the light.
 
Dylan Thomas

quarta-feira, Julho 09, 2014

Penny Dreadful - Temporada 1


Uma série de John Logan, produzida por Sam Mendes e com um elenco desta envergadura iria sempre chamar a atenção. Felizmente "Penny Dreadful" não desilude e, pelo contrário, cumpre muito bem a tarefa a que se propõe.

Já espremi, quais limões ou laranjas, o máximo que consegui desta série no TVDependente, por isso não me vou alongar mais sobre ela. Contudo, queria voltar a mencioná-la por aqui porque terminou na semana passada a sua primeira temporada. Em tom de balanço final, acredito que esta vai ser das melhores do ano.

O facto de ser uma série impregnada de literatura, só a torna ainda mais especial e é na sua escrita, sensual e demoníaca, que encontra uma das suas maiores forças. Prevejo que as prestações do elenco, em especial de Eva Green, juntamente com os diálogos maravilhosos, vão acompanhar-me durante bastante tempo.

Se quiserem ler mais sobre ela, podem espreitar os textos que escrevi no TVDependente aqui.

Kilas, o mau da Fita (1980)


Este filme de José Fonseca e Costa foi um dos grandes êxitos de bilheteira nacional, tendo conquistado alguns prémios tanto cá dentro como lá fora (França e Alemanha). Tenho ideia que é um dos filmes mais icónicos deste realizador - um que surgiu de uma colaboração com o Brasil -, mas como o meu conhecimento sobre ele é reduzido fico-me por aqui nesse campo (este foi o meu primeiro filme de Fonseca e Costa).

Tudo começa com a Rita, diz Kilas logo ao início (o nome é uma variação de Killer), mas sejamos sinceros, o problema nunca foi da senhora. Kilas é um parasita da sociedade, um proxeneta lisboeta que passa a noite no jogo enquanto uma bonita senhora dá o litro - e outras coisas - para o sustentar. Um tipo com classe, portanto. O filme retrata assim uma fatia em específico da vida deste malandro, uma na qual ele conheceu Rita e acabou, sem saber bem como, envolvido numa teia de conspiradores anti-comunistas.

Mário viegas encarna este pilantra e encarna-o memoravelmente. A ajudar o filme temos uma banda sonora de Sérgio Godinho onde a sua "Balada da Rita" assenta como uma luva de seda. Já há muito que não me lembro de cantarolar tanto uma banda sonora num filme.

"Kilas" apesar do seu lado cruel é um filme realizado de uma forma muito divertida, cheio de personagens completamente alucinadas, como é o caso do inesquecível Tereno (Luís Lello).

Um filme a conhecer ou recordar.


terça-feira, Julho 08, 2014

Deus Me Livro

 Arrancou ontem um novo projecto literário, dedicado em exclusivo às palavras e imagens, cujo nome é este que dá título ao post: "Deus Me Livro".

Convido-vos a passarem por lá e a descobrir os contéudos, dos quais destaco para já a entrevista a Dulce Maria Cardoso, por um dos impulsionadores deste site, o Pedro Miguel Silva. O projecto conta com a minha colaboração, de momento, na rubrica "Os heróis também usam BI", que se irá debruçar sobre uma série de personagens distintas da Banda-Desenhada.

segunda-feira, Julho 07, 2014

Sex Criminals


Dentro das séries mensais norte-americanas, o destaque de Junho vai para o regresso de "Sex Criminals" que tinha entrado num hiato desde o número #5. Já queria ter falado deste projecto da Image, por isso aproveito este retorno para o fazer.

Esta nova série escrita por Matt Fraction e desenhada por Chip Zdarsky, tem sido uma das minhas predilectas de seguir mensalmente. Tendo em conta as nomeações aos Eisner, parece que não sou o único e basta ler o primeiro para se perceber porquê. "Sex Criminals" tem uma aura refrescante em termos de material a explorar e uma escrita muito divertida e bem-disposta que ganha vida em inúmeros painéis que Zdarsky constrói, como se fossem a coisa mais fácil do mundo. O primeiro número tinha tanta informação que logo na página por detrás da capa, a história já começava.


 Basicamente "Sex Criminals" começa por nos contar a história de Suzie uma pessoa que têm a capacidade de parar o tempo quando atinge um orgasmo. A seguir entra Jon que conquista logo o coração da rapariga numa cena genial onde o "Lolita" de Nabokov é citado. Como Jon trabalha num banco asqueroso e Suzie está a tentar salvar a biblioteca onde trabalha desse mesmo banco, decidem assaltá-lo - os poderes dela dão muito jeito. Tudo isto é contado previligiando sempre o desenvolvimento das personagens, algo que é um dos pontos mais fortes do livro.

Fica então o conselho, Fraction tem estado em grande na actualidade e este é mais um título que explica porquê. Já agora, vale a pena destacar o design dos livros, com umas capas nunca abaixo do estupendas.

Outro dos grandes momentos desta saga, foi quando Fraction não teve os direitos de uma canção dos Queen para usar na história. Bem, a alternativa reforçam o quanto este senhor tem um humor apurado.