
Quem nunca ouviu falar de Dorian Gray?
De certeza que já todos nem que seja por breves momentos ou a partir de outras obras já ouviram falar daquele que possuía um quadro que envelhecia no seu lugar. Mas a estória de Dorian Gray é muito mais bela e perigosa do que isso e este quadro torna-se no sentido mais literal possível, o espelho da sua alma.
Apesar da estória se centrar em Dorian Gray existem outros dois homens cuja influência na vida de Gray é fundamental e é com eles que esta obra se inicia. Falo de Basil Hallward, personagem por quem nutro um grande carinho, é um dos bem intencionados e o eterno apaixonado por Dorian, é ele o famoso pintor, do mais famoso ainda, quadro de Dorian Gray. O outro personagem, arrisco a dizer o meu preferido, é Lord Henry, um mestre com as palavras, concordemos ou não com o que ele diz é absolutamente maravilhoso ouvir os seus debates, com uma resposta sempre pronta na ponta da língua, foi ele o primeiro a captar a atenção de Dorian sobre a condição finita da sua juventude.
Se calhar antes de continuar é melhor realçar que Dorian Gray é um dos mais belos homens de Inglaterra dotado de uma juventude invejável por qualquer um.
Para Basil, Dorian é a sua maior inspiração nunca antes o seu trabalho foi tão bom até o conhecer e nunca o seu trabalho voltará a sê-lo depois de as suas vidas se separarem. No mítico dia em que Basil pinta aquele que viria a ser, sem ele saber, o último retrato de Dorian, é o mesmo dia em que Lord Henry discute com Dorian o terrível facto de que um dia a sua beleza terminará, rugas irão surgir, o brilho do seu cabelo irá lentamente desaparecer e as próprias acções da sua vida deixarão cicatrizes no seu corpo.
Quando Basil termina finalmente o quadro, é uma réplica perfeita do seu modelo, tão perfeita que é fruto de inveja por parte do mesmo. É neste momento que Dorian profere as palavras que para sempre mudarão a sua vida "Oh, se ao menos pudesse ser ao contrário! Se fosse o retrato que mudasse, e eu pudesse continuar sempre como sou agora!"
Durante uns tempos Dorian vai afastando-se de Basil e mantendo uma maior ligação com Lord Henry, fascinado com a sua pessoa.
Num futuro próximo, Dorian tem tempo de conhecer o seu primeiro grande amor, Sybil Vane. Inundado por uma enorme paixão, pensa que encontrou a mulher com quem quer casar, até chegar aquele fatídico dia em que de uma forma cruel e fria lhe quebra o coração. É após esta acção que ele se apercebe pela primeira vez em uma alteração no seu quadro. Devido ao seu acto cruel, que resultaria em uma terrível tragédia, a expressão da sua cara estava diferente, havia uma marca de crueldade nos seus lábios.
Vários sentimentos diferentes o assombraram nesse dia fatal, mas eventualmente Dorian decide usar o quadro como um espelho da sua alma, ele iria carregar em seu lugar não apenas o fardo da idade, mas também as marcas dos seus pecados, as marcas da sua vida.
Ao longo desta estória vamos então acompanhando a pecaminosa e tentadora vida de Dorian Gray, assistindo capítulo a capítulo à sua evolução como personagem.
Oscar Wilde escreve maravilhosamente bem, dotado de uma enorme sensualidade e sensibilidade este é sem dúvida um dos livros que mais gostei até hoje e durante a sua leitura desejava que este jamais terminasse, desejava poder acompanhar Dorian em muitas mais aventuras ao mesmo tempo em que eu iria vivendo as minhas.
Mas o final estava iminente e terminou majestosamente como outra coisa não seria de esperar, restam-me agora as memórias a ecoar na minha mente.
Alguém me disse para ter cuidado com "O Retrato de Dorian Gray" pois era um livro perigoso. Mas afinal de contas os livros perigosos não são os melhores?