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sexta-feira, novembro 15, 2013

As Crónicas de Gelo e Fogo: A Feast For Crows



Jaime, sweetling, I have known you since you were a babe at Joanna's breast. You smile like Gerion and fight like Tyg and there's some of Kevan in you, else you would not wear that cloak...but Tyrion is Tywin's son, not you. I said so once to your father's face, and he would not speak to me for half a year.

Genna Lannister

Após ter terminado "A Storm of Swords" George R. R. Martin começou a trabalhar no volume seguinte, o 4º. Se há algo que é bem notório neste universo é a dedicação e tempo despendido na criação deste mundo e na caracterização das suas personagens. Mesmo em personagens que surgem apenas num capítulo, a forma como são descritas denota atenção e cuidado.

O problema de ter um universo tão amplo é que nos podemos começar a perder dentro dele. Por perder entenda-se nas inúmeras possibilidades narrativas. É o que me parece que esteja a acontecer ao autor, uma vez que o 4º volume estava a transformar-se num testamento tão grande que Martin viu-se obrigado a dividi-lo em dois: este "Feast of Crows" e o mais recente "A Dance With Dragons". Em vez de cortar a história ao meio, o autor optou por separar as várias personagens a partir das quais os capítulos são contados. Por isso as histórias em ambos os livros decorrem na sua maioria ao mesmo tempo e há personagens cuja falta é sentida neste, como é o caso de Jon Snow, Tyrion Lannister e Daenerys Targaryen cuja aparição ficou guardada para o 5º Volume.

"A Feast of Crows" é um livro com um sabor a interlúdio. Depois dos grandes acontecimentos em "A Storm of Swords", este tem um sabor diferemte focando-se mais na caracterização de determinadas personagens do que no desenvolvimento do enredo. Apesar de este autor ser impiedoso no que toca às suas personagens, a paixão que nutre por elas é bem explícita, mas talvez seja isso mesmo que o acabe por levar a prolongar-se demasiado na história de algumas. Gosto muito da Brienne, mas ao chegar ao final dos seus capítulos, não deixei de sentir um certo vazio, tanta coisa para tão pouco. O mesmo pode ser dito do Sam.

Como gosto destas personagens, não me incomoda lê-las, antes pelo contrário, mas se compararmos "A Feast of Crows" com os seus antecessores, este é um livro que fica claramente atrás deles. Independentepente da ordem de preferência dos três primeiros, este é o menos conseguido de Martin e depois da explosão que foi o 3º volume, isso ainda se nota mais. Mas há coisas fantásticas nele também e duas são os capítulos dos gémeos Lannister. Pela primeira vez conhecemos a história da perspectiva
de Cersei e isso foi um dos pontos mais positivos que este volume nos trouxe. Os seus capítulos são sempre terríficos e é um prazer vê-la tomar decisões que considera muito mais inteligentes do que realmente o são. Quanto a Jaime, já tinha surgido em "A Storm of Swords" e aqui continua a deslumbrar, mesmo quando acontece pouco na sua história, gosto muito de o ler. Neste seu regresso a King's Landing, qualquer ilusão que tinha de reatar a sua antiga relação com a irmã, vai-se desvanecendo com o tempo. Não porque ambos não se amem ainda, mas porque Jaime, mesmo que ainda não se tenha apercebido, regressou um homem diferente, daquele que nos foi apresentado no início.

Um aspecto diferente neste volume, foi também a opção de contar determinados enredos, não a partir de um, mas de várias personagens "ponto de vista", como foi o caso dos capítulos das ilhas de Ferro e de Dorne, uma boa oportunidade de conhecer melhor ambas as terras, em particular Dorne que ainda não tinha sido descrita. Outra característica relevante é que pela primeira vez Martin debruçou-se sobre os Septon's e a religião dos sete de forma mais profunda, dando-nos uma contextualização muito maior. Aliás houve também espaço para outras religiões como pudemos ver no percurso de Arya Stark, um precurso que soube a tão pouco, gosto muito desta personagem e gostava que tivéssemos tido mais sobre ela, é aguardar pelo próximo. Também continuamos a seguir a sua irmã desde os fantásticos acontecimentos de "A Storm of Swords". Algo que gosto muito nos seus capítulos é a presença de Littlefinger, ainda que curta, sempre de referência.

Como referi este é um livro mais focado nas personagens, uma espécie de interlúdio após o crescendo dos acontecimentos anteriores. Nesse sentido é mais contido, não conseguindo emocionar tanto como os anteriores, mas sem dúvida com algumas virtudes. Ainda assim temo que o autor perca demasiado tempo a desenvolver alguns enredos que acabam por acrescentar pouco a estas aventuras, ou que podiam ser narrados em muito menos páginas.

terça-feira, abril 03, 2012

A Song of Ice and Fire: A Storm of Swords





















Por norma coloco sempre os títulos das obras que falo na língua em qual as vi. Digo isto para ficar claro porque coloquei o título deste livro em inglês quando no passado falei dos anteriores em português (volume 1 e volume 2). Gosto bastante das edições da Saída de Emergência, mas por questões económicas preferi começar a ler esta saga em inglês. A coincidência é que nas edições portuguesas os volumes são divididos em dois e logo quando salto para as edições inglesas calha ser no único livro em que tal também acontece uma vez que, até à data, "Storm of Swords" é o mais longo de todos.

Vou falar de acontecimentos que ocorreram nos volumes anteriores, por isso não é aconselhado ler este post a quem os desconhece. É apenas uma forma de avaliar na história o que até aqui se tem passado e os perigos que aguardam estas personagens. Uma boa altura já que a segunda temporada da série acabou de regressar.

São muitas as tramas que se desenvolvem neste mundo saído da mente de George R.R. Martin. Neste volume, por exemplo, perdemos Theon Greyjoy como uma das personagens a partir das quais a história é contada e com ele os Greyjoy ficam ausentes deste volume. Sabemos apenas que lutam entre si pelo trono após a morte do auto-intitulado Rei Balon, mas nada mais é explorado.

No entanto, em vez de Theon, há Jaime Lannister, que se torna, depois deste volume, automaticamente, uma das melhores personagens da saga. Sempre gostei do Jaime, nas poucas cenas em que aparecia tinha uma presença imponente, o diálogo com Catelyn Stark por exemplo foi prova disso. A única coisa que nos faz odiá-lo é sem dúvida alguma o que fez a Bran Stark. Neste volume ele é, secretamente, libertado por Catelyn que o envia juntamente com Brienne para Kingslanding a fim de o trocar pelas suas filhas reféns. Brienne após ter sido acusada injustamente de ter assassinado Renly Baratheon tem vindo a seguir religiosamente a viúva Stark e tudo fará para recuperar as suas filhas. Os laços que vão sendo criados entre Jaime e Brienne, que a início se odeiam, resultam num dos duetos mais fenomenais nesta história e dos mais improváveis. A partir deste enredo sabemos finalmente o que passou pela cabeça de Jaime em várias situações, conhecendo assim as razões das suas decisões nomeadamente aquela por qual é mais conhecido, a morte do Rei Aerys. Só por uma cena em particular em que estes dois estão envolvidos Jaime conquista o respeito de qualquer um, fantástico.

Para lá da muralha as coisas não estão nada fáceis também. A vida de Jon Snow tinha dado uma volta de 180º no final do volume anterior. Capturado pelos selvagens foi obrigado a lutar com Qhorin Halfhand que se deixou matar, ordenando-o que se juntasse aos selvagens para os espiar. Snow tenta assim convencer o rei para lá da muralha, Mance Rayder, de que é um desertor. É um percurso muito interessante o do bastardo mais popular de Winterfell. Envolve-se amorosamente com Ygritte, uma mulher beijada pelo fogo (ruiva), e trava até amizades com alguns dos selvagens. Talvez este povo não fosse exactamente aquilo de que ele estava à espera. No fundo, são tal como ele, simplesmente pessoas. Infelizmente pessoas que estão a montar-se como um exército para atravessar a muralha e atacar o sul. Para lá da muralha tudo é sul para este povo. Na sua mente Jon mantém-se fiél aos seus irmãos, a patrulha da noite, mas no futuro quando tiver de o mostrar, tais escolhas não serão tão fáceis de tomar, principalmente agora que está com Ygritte. Neste livro esta personagem está em grande, passa por muita coisa, é injustamente acusada e prova-se como um valente estratega e guerreiro. No final tudo isso será de certa forma recompensado. Uma coisa é certa, a vida de Snow nunca mais será a mesma.

Com Lord Snow fora da patrulha da noite, é agora a partir de Samwell Tarly que vamos tendo um vislumbre do que acontece deste lado. São poucos os capítulos de Tarly mas muito relevantes. A vida não está fácil para os "corvos". Enquanto nos 7 reinos os lordes guerrilham pelo trono de ferro, perigos mais sombrios despertam a norte da muralha. Uma das razões pelas quais os próprios selvagens se decidiram mover agora, prende-se com os constantes ataques dos "The Others" criaturas do gelo, criaturas da morte e capazes de trazer os cadáveres de volta. Pela primeira vez saberemos como se pode matar um "The Other", algo que até fez bastante sentido. Serão estas as forças do outro deus cujo nome não pode ser pronunciado segundo Melisandre a sancerdotisa do deus do fogo, R'hllor? Que os sancerdotes vermelhos detêm poder disso não há dúvidas, como já tinhamos visto também em Jaqen H'ghar. Mas até o próprio nome da saga "A song of Ice and Fire" parece indicar que se caminha para um confronto entre fogo e gelo. E se os Others parecem criaturas das trevas a verdade é que Melisandre, apesar da beleza, também.

Por falar nela, Stannis Baratheon aparece menos neste volume, depois da valente derrota em Kinglanding, graças ao anão mais popular do mundo, Stannis regressou a Dragonstone para recuperar as suas forças. Felizmente Davos safou-se durante a batalha, terminei "A Clash of Kings" a pensar que ele tinha ido desta para melhor. Gosto de determinados pormenores aos quais Martin presta atenção, por exemplo em relação a Davos que apesar de ter perdido a bolsa que ostentava ao pescoço com os seus dedos cortados continua a tentar segurá-la com as mãos como antes fazia, apesar de esta já lá não estar. Um pouco há semelhança de Jon Snow que desde que feriu a mão continua a movimentá-la da forma que o Maester lhe aconselhou. Somos criaturas de hábitos e por isso estas cenas têm um sabor muito real quando as leio, é como se as personagens existissem de facto. Voltando ao cavaleiro das cebolas é uma grande personagem e aparentemente o único capaz de chamar à razão Stannis, mesmo que nem sempre consiga. Não pensem no entanto que Stannis está quebrado, o rei pode encontrar-se mais fragilizado, mas nenhum dos seus objectivos mudou, a abordagem a eles é que sofreu algumas alterações.

Noutro continente Daenerys Targaryen continua a sua jornada. Agora com navios à sua disposição tem a oportunidade de regressar a Westeros e iniciar os seus planos para reconquistar os 7 reinos. Claro que há um ligeiro problema... Dany não tem um exército. Esta mulher tem crescido crescido muito tornando-se cada vez mais uma verdadeira líder. Para isso decide dirigir-se até às cidades de escravos, especificamente Astapor onde os leais Unsullied são vendidos. Os Unsullied são um grupo de eunucos guerreiros treinados desde miúdos para serem os escravos lutadores perfeitos. Apesar de ter adorado a forma como Dany ganhou este exército, custa-me que os seus treinadores nunca tivessem antecipado tal situação uma vez que me parece tão óbvia. Vamos culpar a sua ganância para tal ter acontecido.
Uma coisa que gosto em Dany é que se está a preparar bem antes de seguir para Westeros. Conquistando outras cidades e libertando os seus escravos pelo caminho, mas mais importante a aprendizagem que é necessária para se saber governar. De que lhe vale ser rainha dos 7 reinos se não o souber fazer? É neste volume também que finalmente sabemos quem é Whitebeard e quem tem vendido os seus segredos a Varys aka The Spider.

Ainda voltando a Theon a forma como este foi manipulado pelo bastardo de Bolton, agora já legitimizado como Ramsay Bolton foi épica. Por sua culpa Bran e Rickon perderam Winterfell, mas graças a ele estão também dados como mortos o que é uma vantagem para se protegerem dos seus inimigos. Os irmãos haviam-se separado para terem uma melhor forma de prevalecer. Rickon partiu com Osha enquanto Bran foi, nas costas de Hodor, com os irmãos Reed. E claro cada um com o seu respectivo lobo. É por Bran que descobrimos que há wargs na família Stark. Wargs têm a capacidade de entrar na mente de animais e é Bran o primeiro a descobrir, no final do volume anterior, que os sonhos em que era Summer, afinal foram todos reais. Com a ajuda de Jojen tem treinado essa habilidade que graças à paralisia nas suas pernas lhe abriu um novo rumo de possibilidades. Também Arya, sem saber, é um warg, penso que isso é claro pela descrição dos seus sonhos em que deve entrar dentro da perdida Nymeria. Jon igualmente, apesar de dos três ser aquele que menos usou essa capacidade. Possivelmente todos os irmãos podem ser wargs, mas a Lady de Sansa morreu logo no primeiro volume e não lemos nunca a partir do ponto de vista de Robb e Rickon.

Por falar em Arya Stark, muitos caminhos tem percorrido esta jovem corajosa, infelizmente nenhum desses percursos a tem levado aonde deseja. Graças a ela encontramos finalmente a "Brotherhood Without Banners". Lembram-se do lorde  Beric Dondarrion, cujo falecido Ned Stark enviou para capturar a montanha que dá pelo nome de Gregor Clegane? Bem tudo indicava que Dondarrion tinha sido morto, mas graças aos "poderes" de Thoros de Myr, mais um dos que reza ao deus vermelho, foi ressuscitado e continua-o a ser vezes sem conta. Dondarrion é então o líder deste grupo de guerreiros que ainda luta pelo reino do falecido Robert Baratheon. Um grupo que dará ainda muito que falar certamente. Entre eles e Sandor Clegane, Arya terá muitos desafios para enfrentar e quiçá se decida finalmente a rever o misterioso  Jaqen H'ghar.

Em Kingslanding, tudo parece bem, o lorde Tywin, mão do Rei é acima de tudo um brilhante estratega tanto fora como dentro do campo de batalha. Planeando casamentos entre os Lannister's e os Tyrell e os Martell vai ganhando aliados poderosos e aparentemente tudo os favorece nesta grande guerra. Joffrey continua igual a si próprio, ou seja, um asno. E a pobre Sansa é obrigada a cumprir tudo que a sua "nova" familia lhe indica. Aqui custa ver a pouca gratidão que todos têm a Tyrion Lannister sem o qual a última grande batalha poderia ter um desfecho totalmente diferente. Este é também o livro em que Tyrion será mais posto à prova, os desafios que irá enfrentar poderão ser-lhes letais. Felizmente o "Imp" mantém-se firme nas qualidades que fazem dele uma das melhores personagens.

Por fim, falta mencionar Robb Stark, cuja história continua a ser seguida por nós a partir dos olhos da sua mãe. Depois de Catelyn ter libertado Jaime, Robb foi obrigado a castigá-la mantendo-a "prisioneira" nos aposentos do seu moribundo avô o lorde Hoster Tully. Tal acção não foi vista com bons olhos por alguns dos seus homens que ansiavam pela morte do regicida. Robb é um corajoso guerreiro, até à data invicto, nas batalhas que trava, mas ainda é um miúdo, um jovem sonhador que em aspectos do coração fraqueja. São as decisões baseadas nas suas emoções que o colocam em maior perigo.

"A Storm of Swords" é um banho de sangue e veneno. Traições e mortes são elevadas ao extremo. É um livro também de revelações, finalmente sabemos quem matou Jon Arryn e quem ordenou o ataque a Bran, entre outras coisas. Em relação ao ataque de Bran foi a revelação que menos apreciei, não lhe vi grande necessidade mesmo vindo de quem vem. Temos finalmente o regresso de Lord Baelish que tem estado desaparecido. Ainda que só mais para o final a presença de Littlefinger é muito bem recebida da minha parte, este homem é um senhor e um dos reis da conspiração.

Desde "Game of Thrones" que George R.R. Martin tem sido capaz de nos prender a atenção com estas aventuras. Faz-nos amar e odiar personagens como se de amigos se tratassem e pelo menos até este terceiro volume não me parece ter dado nenhum passo em falso, pois valem todos bem a pena o tempo que lhes é dispendido.

segunda-feira, outubro 25, 2010

As Crónicas de Gelo e Fogo: A Fúria dos Reis + O Despertar da Magia


















“A Fúria dos Reis” e “O Despertar da Magia” são respectivamente o 3º e 4º volume, nas edições da saída de emergência, das “Crónicas de Gelo e Fogo” do autor George R.R. Martin. Na edição original trata-se do 2º volume “A Clash of Kings”.

Quando falei dos outros dois volumes aqui, expliquei em que consiste a obra e por isso não me vou repetir sobre isso. Também vou falar de acontecimentos que ocorreram nos volumes anteriores, por isso não é aconselhado ler este post a quem os desconhece.

Este volume continua a desenvolver a guerra civil que está a ocorrer nos sete reinos de Westeros e que teve a sua origem nos volumes anteriores.
Quando antes havia apenas um Rei, agora são quatro os homens a proclamarem este título. Joffrey Barantheon o suposto primogénito do falecido Rei Robert Baratheon, que governa na fortaleza vermelha. Joffrey seria supostamente o herdeiro por direito, mas como Eddard descobriu antes da sua morte, é filho da união entre Cersei e o seu irmão gémeo, Jaime Lannister bem como todos os seus filhos. Assim sendo o herdeiro de direito é Stannis Barantheon o irmão mais velho a seguir a Robert. Stannis que sabe da verdade sobre a descendência de Robert auto-proclama-se Rei também e apesar de estar no seu direito praticamente toda a gente desconhece este segredo, o que dificulta o apoio de Stannis.
Para complicar o seu irmão mais novo, Renly Barantheon também se auto-proclama Rei. Uma grande diferença entre Renly e Stannis é que o primeiro é muito mais amado pelo povo e aliado ao poder da casa Tyrell consegue reunir um exército mais imponente que o do irmão.
Por fim temos Robb Stark. Começou por lutar pelo Pai, mas depois da sua morte foi convencido pelos seus senhores a assumir o papel de Rei do Norte e governar estas terras como os seus antepassados tinham feito antes da invasão de Aegon Targaryen.

Em poucas palavras os Sete Reinos encontram-se num enorme caos onde a guerra predomina por quase todo o continente.
No volume anterior estive à espera que Stannis surgisse a dada altura, seria o único a conhecer o temível segredo de Cersei além de Eddard e a sua ajuda bem falta fazia a Ned. Mas tal nunca chegou a ocorrer. Talvez seja por isso que para despachar as apresentações o prólogo de “A Fúria de Reis” seja sobre Stannis aquele que é descrito como justo mas severo, aquele que se fosse Rei acabaria com as casas de prostituição ao contrário do irmão que espalhou bastardos a torto e a direito por essas belas instituições. Neste prólogo ficamos a conhecer Melisandre uma sacerdotisa vermelha, crente no Deus da Luz. Diferentes povos têm diferentes deuses tais como os Stark que rezam a deuses mais antigos. No entanto a crença mais comum nos sete reinos é a dos 7 deuses, 7 expressões diferentes de um mesmo Deus. Esta era também a crença da casa de Stannis até este começar a aceitar os conselhos de Melisandre, convertendo-se assim ao Deus da Luz e destruindo os artefactos dos 7 deuses chocando assim o seu povo seguidor. Esta conversão tem mais de interesse do que de experiência religiosa. Os 7 nunca fizeram nada por Stannis, na sua opinião, pode ser que este Deus da Luz lhe dê finalmente o trono que merece.

A maior parte da história deste volume centra-se nos confrontos em Westeros. Várias batalhas e acima de tudo jogos de guerra atrás dos bastidores são aqui explorados.
Tyrion Lannister chega até à fortaleza vermelha para ser o novo Mão do Rei. Uma mudança muito bem vinda, pois Joffrey é uma desgraça e precisa de alguém com cabeça para parar com o seu reino de parvoíce. Aqui há que admirar Tyrion ele é um Lannister mas não vai pactuar com os erros crassos que a sua família cometeu. Vinga nas suas possibilidades a morte de Eddard Stark, castigando aqueles envolvidos e que o traíram (excepto a sua família claro), e retira a sua cabeça bem como as dos outros dos espigões do castelo. A partir daqui começa a esboçar um plano para se defender de eventuais ataques enquanto descobre em quem pode ou não confiar naquela terrífica fortaleza. O duende como é apelidado domina ao longo de quase todo o livro.
Sansa Stark continua captiva como noiva de Joffrey, sofrendo dos delírios do seu jovem noivo. A sua relação com o Cão da Caça continua a ser explorada aqui e cada vez capta mais o meu interesse.

Com Robb a batalhar no Sul cabe a Bran Star ser o Senhor de Winterfell, recebendo inúmeros convidados que se vêm juntar à causa do irmão. Dos vários convidados surgem Jojen and Meera Reed dois irmão bastante misteriosos. Jojem afirma que tem o dom dos sonhos verdes, sonhos que lhe contam o futuro e parece muito interessado em Bran e nos seus sonhos. Pode ser que a vida ainda reserve uma grande surpresa a Bran que depois de perder a mobilidade nas pernas e o pai não tem estado na melhor fase da sua vida.
Robb aparece muito pouco, sabemos ao longo da história que vai vencendo algumas batalhas e mais nada além disso.

Renly vai avançando lentamente até à fortaleza vermelha angariando mais lutadores pelo caminho e Stannis prepara-se para sair de Pedra do Dragão para atacar.
A união de Stannis com Melisandre vai dar frutos. Não é à toa que o titulo “Despertar da Magia” surge no 2º volume. Para um homem tão conhecido pela sua justiça Stannis acaba por “vender a alma ao diabo” para concretizar os seus fins.

Perdida para muitos anda Arya Stark. Quando assistia à sentença do pai foi apanhada por Yoren, da patrulha da noite que a reconheceu. A fim de a ajudar fá-la passar por rapaz para esta fingir que se aliou a eles e caminha para a muralha. Como a muralha fica a norte de Winterfell Yoren deixá-la-ia em casa ao passarem por lá.
Mas com a guerra os caminhos são duros e muitos perigos esperam-nos. Arya cresce muito neste livro e irá interagir com muitas e diferentes pessoas, tais como, Jaqen H'ghar, um misterioso indivíduo que se destaca por ter metade do cabelo vermelho e outra metade branco.

Por fim ainda é de salientar Theon Greyjoy. Theon era protegido de Eddard Stark há já 10 anos. Na verdade era um refém que Ned trouxe das ilhas de Ferro após a revolta dos Greyjoy a fim de manter a casa Greyjoy nos eixos. Ned sempre tratou muito bem Theon. Nunca lhe faltou conforto, educação, nada. Creceu com os filhos de Ned e desenvolveu uma forte amizade com Robb. Robb e Jon eram aqueles com idade mais próxima de Theon, mas ao contrário de Robb, Jon sempre considerou Theon uma besta ambulante.
Não é de estranhar por isso que Theon tenha combatido a lado de Robb no livro anterior. Neste volume Robb escolhe-o para uma missão mais importante, regressar às Ilhas de Ferro e pedir apoio, em troca permite-lhes usar a coroa como haviam feito antigamente. Theon sendo o primogénito adora a ideia imaginando-se já Rei das ilhas de Ferro. Para sua surpresa o pai não tem intenções de ajudar ninguém e aproveitou esta guerra para reunir todos os seus vassalos a fim de conquistar e reclamar todo o Norte como seu. Deixando Theon com uma difícil decisão para tomar, recusar o pai ou trair Robb.


Na muralha Jon e companhia preparam-se para investigar a floresta assombrada, em busca de todos os patrulheiros desaparecidos. Depois do ataque dos cadáveres no livro anterior o perigo parece ser maior do que imaginavam e o medo cresce entre eles. Há medida que avançam por entre a floresta todos os acampamentos que encontram estão vazios o que agrava as suas preocupações. Esta história avança pouco nestes volumes, no entanto há medida que se desenrola vai-se tornando cada vez melhor. No fim Jon terá de tomar a decisão mais difícil da sua vida até agora.
Acredito que a mudança na história do personagem foi uma excelente escolha e que poderá fazê-lo crescer ainda mais.


Outra história que avança pouco é a de Daenerys Targaryen que se encontra no Este, no continente das chamadas cidades livres. Após a morte de Drogo o seu povo preparava-a para a abandonar, isto até que os dragões nasceram. Dany, agora Rainha dos Dragões, continua assim o seu caminho em busca de ajuda para reconquistar os Sete Reinos.
Com dificuldades segue um estranho cometa vermelho que surgiu no céu, acreditando ser um sinal.
Esse caminho acabará por levá-la a Qarth onde os seus dragões chamam a atenção de várias pessoas. Pode ainda não ser desta que Dany reuniu o seu exército mas as cenas em que aparece valem sempre a pena, de destacar a da casa dos Imorredouros, uma casa de feiticeiros em que Dany terá várias visões.


Concluindo, esta é mais uma grande aventura que sai da mente de George R.R. Martin. Sem dúvida uma das grande sagas da actualidade. Venham os próximos.

domingo, junho 13, 2010

As Crónicas de Gelo e Fogo: A Guerra dos Tronos + A Muralha de Gelo



















As Crónicas de Gelo e Fogo são uma saga de fantasia da autoria de George R.R. Martin. Pensadas para sete livros, três dos quais ainda não foram publicados.
O primeiro volume, no original, "A Game Of Thrones" foi dividido em dois livros na edição Portuguesa, a cargo da Saída de Emergência. O primeiro volume chama-se "A Guerra dos Tronos" e o segundo "A Muralha de Gelo". Aproveito para avisar que todas as edições destes livros se encontram divididos em dois volumes nas da Saída de Emergência.
A acção desenrola-se num mundo fictício similar ao nosso durante os tempos medievais europeus. A história é contada através do ponto de vista de diferentes personagens, oito ao todo, neste volume em particular.

Podemos dividir esta aventura em três narrativas distintas.
Duas delas desenrolam-se em Westeros um dos três continentes deste mundo. Aqui residem os chamados "Sete Reinos" que actualmente são governados pelo Rei Robert da casa Baratheon. Antigamente cada um dos sete reinos era governado pelo seu rei, mas tudo mudou quando Aegon I da casa Targaryen decidiu conquistá-los, tomando em seu poder seis dos reinos e estabelecendo uma parceria com o que faltava. A partir daqui começou o reinado Targaryen que duraria muitos anos até a revolta de Robert (o actual rei), a chamada "Guerra do Ursurpador" e que aconteceu quinze anos antes do início deste "A Guerra dos Tronos".

Eddard Stark, Lorde de Winterfell é o governante do reino do Norte (apesar de haver apenas um rei, existe um lorde a governar cada reino). Stark Encontra-se a caminho de cumprir uma execução. No Norte ainda se mantém a tradição de que é o Lorde quem deve tirar a vida do criminoso e não um carrasco, a fim de nunca se esquecer de como é difícil tirar uma vida. A grande novidade é que pela primeira vez Ned leva Bran o seu filho de sete anos. Já está na idade de assistir e começar a compreender como funcionam as coisas. Bran acompanha assim entusiasmado o pai e os irmãos Robb (o primogénito) e Jon (o bastardo) ambos com 14 anos. Quando partem encontram na floresta cinco crias de lobos gigantes uma para cada um dos filhos de Ned. Será um presságio? Afinal o lobo gigante é o símbolo da casa Stark.
No entanto a vida de Ned está prestes a dar uma volta de 180º, quando recebe a visita do seu maior amigo e grande companheiro de batalha, o rei Robert, que vem convidar pessoalmente Ned a assumir o cargo de "Mão do Rei" após o triste falecimento de Jon Arryn. não só o antigo "Mão" como também o antigo tutor de Robert e Ned.
Ned é talvez o personagem mais honrado deste livro, é justo, sábio e corajoso, não imagino melhor homem para o serviço. Mas ser "Mão" implica mudar-se para o Sul e Ned ama demasiado a sua família e o Norte e pretende declinar a oferta do seu amigo, não fosse a súbita mensagem que ele e sua mulher, Catelyn, recebem de Lisa Arryn a recente viúva e irmã de Catelyn. Segundo Lysa, Jon Arryn foi assassinado e a mando, nada mais nada menos, do que de Cersei Lannister...a rainha. Após esta acusação Ned é forçado a aceitar o cargo e tentar desvendar este possível crime.
Esta é a narrativa maior das três que mencionei e seguimo-la através de seis dos oito personagens mencionados acima, são eles: Eddard, Catelyn, Bran, Sansa e Arya (as duas filhas de Eddard, a primeira uma donzela e a segunda uma maria-rapaz) e Tyrion Lannister um dos irmãos da rainha que é apelidado de duende por ser anão.

Outra parte da história decorre também em Westeros mas mais a norte, na muralha guardada pela Patrulha da Noite. A norte da muralha as terras não estão colonizadas e contam-se lendas de que gigantes e outros monstros vivem para lá delas. Os homens que se juntam a esta patrulha comprometem-se a proteger o continente, não podendo criar família ou abandonar o cargo até ao fim das suas vidas, vestindo-se para sempre de negro. Esta parte é contada a partir de Jon Snow o bastardo de Ned Stark. Quando Ned se muda para o Sul, pouco futuro vê para o seu filho bastardo. Ouvindo que ele mostrou interesse em seguir as pisadas de Benjen, seu irmão, na patrulha da noite decide deixar o filho partir, pois na patrulha não há bastardos, criminosos, ou nobres. Todos os que vestem o negro são iguais entre si, irmãos para a vida e um homem como Jon pode subir muito por lá, algo que nunca aconteceria em Winterfell, pois apenas os filhos legítimos de Ned têm direitos. Todos os bastardos têm um apelido característico da região a que pertencem, o de Jon é Snow.

Por fim temos a história de Daenerys Targaryen uma jovem de 13 anos que juntamente com o irmão Viserys é a última da linhagem Targaryen, a linhagem do Dragão. O último rei Dragão foi Aerys II "o rei louco", que perdeu a vida durante a rebelião de Robert. Foi morto por Jaime Lannister (irmão da actual rainha e de Tryrion o duende) o que lhe valeu a alcunha de Regicida.
Aerys II tinha três filhos, Rhaegar que foi morto por Robert em batalha e Viserys e Daenerys. Rhaegar tinha dois filhos, mas foram assassinados pelos Lannister, um deles, o rapaz, ainda dentro da barriga da sua mãe. Viserys e Daenerys foram os únicos dos dragões a escapar para Essos, um outro continente que contém as chamadas cidades livres. Viserys tem vindo assim a viver a sua vida planeando a vingança e reconquista dos sete reinos que na sua mente lhe pertencem por direito. Manipulado por outros e cego pelo poder decide vender a sua irmã a Khal Drogo, um poderoso guerreiro Dothraki, em troca de um exército com o qual pudesse reivindicar o seu reino.

A "Guerra dos Tronos" é uma aventura excepcional, com uma história muito bem pensada e orquestrada. Há tanta coisa a acontecer e digna de referência que é fácil perder-me a falar dela aqui. A crítica e o público não lhe poupam elogios, sendo vista como o novo "Senhor dos Anéis". E os elogios são merecidos, este é um livro que aconselho a todos, vale realmente muito a pena descobrir estas histórias de fogo e gelo.

Dentro dos personagens tenho de destacar Jon Snow e Tyrion Lannister. Sempre adorei personagens inteligentes e marginalizados. Snow é bastardo e Tyrion por ser anão é posto de lado pelo seu pai e maioria da familia (salvo Jaime). Jon é mais heróico mas Tyrion tem um sentido de humor perverso que é do melhor. Eddard é também um dos grandes, é como todos os Lordes deviam ser, um verdadeiro exemplo.
Mas todos os personagens estão muito bem construídos, e aqui está também uma das grandes forças do livro. Além dos "principais" tenho de referir também o Lorde Baelish (o mindinho) e Varys (a Aranha) que são manipuladores exímios e cujos planos queremos seguir com toda a atenção.
Há ainda outro personagem que gostaria de salientar, apesar de não aparecer na história, sendo apenas mencionado por outros, que é Rhaegar. Primeiro é-nos apresentado como tendo sido o raptor e violador de Lyanna Stark (irmã de Ned e prometida de Robert), o acto que acabou por despoletar a rebelião. Mas ao longo da história vamos nos apercebendo que talvez as coisas não tenham acontecido bem assim e até Ned parece ter Rhaegar em boa impressão. Isto não invalida claro que o seu pai tenha sido um rei louco. Tenho a certeza que ouviremos falar mais dele e da sua história com Lyanna que promete.

Em relação a esta edição em particular, tenho pena que ainda não tenham corrigido alguns erros (não sendo já a 1º edição) pois deparei-me com os nomes de alguns personagens trocados pelo menos duas vezes, mas nada que suscite confusão. Quanto à tradução temos uma nota a explicar o porquê de algumas decisões tomadas. Concordo em relação ao não terem traduzido alguns nomes de terras pois o subtexto perder-se-ia como em "Winterfell", mas eu ao contrário do que foi feito teria deixado todos os nomes em original, para não estar tudo misturado e não termos Winterfell e Correrrio como acontece. Mas é apenas uma opinião pessoal, os nomes traduzidos para português têm uma boa fluência.

De momento está a ser gravada a adaptação televisiva deste livro que deverá estar disponível no próximo ano. A ideia é adaptar um livro por temporada.