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quinta-feira, julho 25, 2013

O Batman Senta-se?


 Espero que o título tenha captado a atenção, foi uma história que achei muito tola e curiosa - maioritariamente tola - e que ando para partilhar já à algumas semanas. Aliás é precisamente por ser tão disparatada que acredito que seja verdade.

Este tema de conversa sobre o Batman surge após uma carta aberta e, no seu seguimento, uma entrevista dada ao site Bleeding Cool por Paul Jenkins, relativamente à sua saída das grandes editoras de BD norte-americanas, a DC e a Marvel. Já aqui tinha falado do projecto mais recente do autor, "Fairy Quest", em que ele recorreu à plataforma do Kickstarter para o desenvolver e que está agora a ser editado pela "BOOM". Parece que o corte com as editoras mencionadas almeja ser permanente.

Nestes documentos Jenkins espelha bem o seu descontentamento com o modo de funcionamento destas editoras nomeadamente naquilo que chegam a apelidar de "bullying dos criadores".  A partir da entrevista Jenkins respondeu a algumas questões dos fãs e uma delas chamou a especial atenção de todos - que foi posteriormente salientada aqui - e que passo a transcrever:


I would like to relay an editorial comment that I received near the end of my time writing the Dark Knight New 52 series. In one scene, I had written that Batman is sitting on a rooftop during an intense conversation, close to a person who has been injured. The editorial comment: “We’re not sure you are “getting” the character because it’s common knowledge that Batman never sits down.” This, mind you, after I had made it clear I was not going to rewrite material for the umpteenth time after it had already been approved.

Now aside from the fact that Batman could just as easily sit on his haunches as anything, if writing the character sitting down shows a basic lack of understanding of the character then I guess Alan Moore didn’t understand the character in Killing Joke:



And obviously Frank Miller missed out on the point during his Dark Knight Strikes Again series:



And, of course, Batman never sits down when he is in the Bat Cave looking at all those monitors. I think, perhaps, that if editorial comments are focused around, say, a character’s penchant for standing up as opposed to, say, the interactions between characters or the flow and structure of the story then the people behind such comments are missing the point. The requisite qualification for being a good editor does not have to be a degree in English (though that might help) but neither should it be a ridiculous adherence to past continuity, especially not a haphazard and inaccurate one.


Sucintamente, na altura em que Jenkins escrevia o título "The Dark Knight" (dos Novos 52) foi acusado de não estar a "compreender" bem a personagem do Batman porque escreve uma cena em que ele se encontra sentado. Obviamente que com tom jocoso Jenkins relembra rapidamente uma série de cenas em que Batman já surgiu sentado (The Killing Joke, Dark Knight Strikes Again, etc). Actualmente uma das imagens de marca de Batman é, precisamente, a dele sentado a olhar para os vários ecrãs da Batcave, mas enfim... É verdade que em muitas reuniões da Justice League, Batman permanecia de pé, mas dizer que a personagem nunca se senta e, principalmente, criticar um autor por isso não abona nada a favor da imagem dos editores da DC Comics (ou pelo menos deste em questão) e Jenkins critica isso com razão no último parágrafo que coloquei. É que além dos editores não terem nada a comentar em relação à interacção das personagens, a única coisa que criticam prende-se com uma questão relacionada com a continuidade antiga (estamos num reboot) e - a cereja no topo do bolo - incorrecta. Porque fosse algo importante tem termos de continuidade e faria todo o sentido a chamada de atenção - não é o caso.

Como tudo isto é do mais tolo que pode haver na indústria da BD, rapidamente alguém criou um tumblr sobre o assunto onde todos enviam imagens de Batman sentado nas BDs. Hilariante logo na imagem de apresentação. Vale a pena lembrar que nos dias de hoje é preciso ter muito cuidado com o que dizemos, a internet não perdoa. Podem consultar o tumblr aqui.

quarta-feira, março 20, 2013

Fairy Quest: When 1984 meets Fabletown


"Fairy Quest: Outlaws" é a BD mais recente do argumentista Paul Jenkins e do desenhador Humberto Ramos. Há três coisas que quero salientar brevemente neste livro.

A primeira já mencionei no título. Qual a probabilidade de o livro que pegasse a seguir ao "1984" ser uma clara inspição vinda da história de Orwell? Pensei que não seria grande, mas para meu espanto aconteceu. Em "Fairy Quest: Outlaws" as fábulas vivem em comunidades e são forçadas todos os dias a reproduzirem as suas história sem nunca se poderem desviar das mesmas. Caso o façam serão severamente castigados por Grimm o ditador lá do sítio. Para manter as fábulas na linha Grimm conta com uma força policial chamada "Think Police" - numa clara alusão à "Tought Police" de "1984". Em casos mais drásticos as fábulas mais rebeldes sofrem lavagens cerebrais, esquecendo tudo porque passaram e retornando aos seus papéis, mais uma vez a influência da obra de Orwell é mais que notória, é a base de toda a história.



Em segundo lugar venho salientar que este é mais um projecto nascido graças ao Kickstarter, uma forma que parece cada vez mais promissora para a realização de vários novos projectos. Quem contribuiu para o projecto teve direito a uma edição em capa dura da história completa. Os restantes podem adquirir em formato comic (2 comics), onde o primeiro já se encontra disponível nas lojas de BD e tendo sido editado pelo selo "BOOM". É possível que haja edições, ou venha a haver, em capa dura deste livro, mas para já desconheço-as.

Por fim, há que salientar que após um novo boom de vampiros e depois zombies, parece que os contos de fada vieram para ficar durante uns tempos, que o digam a série "Once Upon a Time" e os três filmes sobre a branca de neve: "Mirror Mirror", "Snow White and the huntsman" e, mais recentemente, "Biancanieves".
No que toca a reinventar fábulas o rei, para mim, continua a ser o senhor Bill Willingham que em 2002 publicou pela Vertigo essa mítica série - que ainda continua - que é "Fables".


segunda-feira, dezembro 17, 2007

Origem

Criado por Len Wein e John Romita Sr. teve a sua primeira aparição no número 180 do “Incrível Hulk”em Outubro de 1974. Surgiu como um super-agente Canadiano com a missão de travar a destruição provocada pelo Hulk e pelo monstro Wendigo. Este mutante baixo e arrogante, cedo ganhou reputação, não demorando muito a unir-se ao mais famoso grupo de mutantes da Marvel, os X-Men, e conquistando mais tarde o seu próprio título, algo nunca alcançado antes por um membro do grupo. Hoje em dia é um dos mutantes mais amados da banda desenhada, sendo reconhecido pelas suas famosas garras e esqueleto de adamantium, bem como os seus sentidos apurados e factor de cura. Os seus amigos conhecem-no por Logan, mas o resto do mundo pode tratá-lo por: Wolverine.
Devido à sua capacidade de regenerar tecidos a grande velocidade, foi raptado e escolhido para participar no projecto “Arma X”, uma experiência que tinha como objectivo cobrir os seus ossos com um metal indestrutível de nome adamantium, tornando-o inquebrável. Durante este processo as suas memórias foram manipuladas tornando o seu passado um completo mistério, inclusive para o próprio. Sabe-se porém, que é muito mais velho do que aparenta, fruto do seu factor de cura capaz de lhe retardar o envelhecimento e que combateu na Segunda Guerra Mundial ao lado do Capitão América.
Editado pela Devir em Portugal, este é o primeiro livro a retratar a verdadeira origem de Wolverine, respondendo a várias questões colocadas ao longo dos anos: Quem ele é? Onde nasceu? E qual o seu nome?
Paul Jenkins, Joe Quesada e Bill Jemas trazem-nos um argumento maduro e profundo que juntamente com a arte de Andy Kubert (desenho) e Richard Isanove (cor) nos proporcionam uma obra digna de qualquer colecção de banda desenhada, com pormenores sublimes, como a magnífica cena de caça entre Wolverine e uma matilha de lobos a decorrer ao “som” do poema “The Tiger” de William Blake.
A “Origem” remete-nos para o Canadá em finais do século XIX, na mansão de uma das famílias mais abonadas da época, os Howllet. Sempre mantidos numa aura de mistério em relação à verdadeira identidade de Wolverine, acompanhamos a estória de três crianças: Rose uma órfã acolhida pelos Howlett, James o herdeiro da família vítima de inúmeros problemas de saúde e Cão o filho do jardineiro Thomas Logan, cuja aparência não passa despercebida de tão similar que é com a de um Wolverine adulto.
Cão, vítima de maus-tratos por parte do seu pai alcoólico, vai tornando-se cada vez mais agressivo e violento, não demorando muito até entrar em conflito com James por causa da atenção de Rose. Com o tempo a sua expulsão da mansão torna-se iminente e o seu pai furioso com a decisão decide tomar vingança pelas próprias mãos. Nesta terrível noite manchada de ódio, nada mais voltará a ser como antes, com segredos a serem revelados e a morte de um ente querido, o “animal” conhecido por Wolverine irá finalmente “despertar”.
Uma das coisas positivas em a “Origem” é que não necessita ter qualquer tipo de conhecimento prévio sobre a personagem, para poder ser entendido e apreciado. É claro que existem sempre “prendas” ao longo da narrativa para os fãs, mas nunca são informações essenciais na compreensão da estória e passam despercebidas a todos os que desconhecem a sua fixação por ruivas ou o seu passado samurai, por exemplo.
Apesar de muita coisa ter sido deixada em entrelinhas para ser analisada e descoberta, a “Origem” não aborda a vida do personagem até aos dias de hoje, muitos anos permanecem por contar, mas isso fica para um próximo livro.

Publicado originalmente em Rua de Baixo (Dezembro de 2006) por José Gabriel Martins (Loot)