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sábado, abril 20, 2013
Hän Solo
Hän era um estudante Holandês de Erasmus que acabou por ficar por Portugal. Esta não é a sua história, apenas um pequeno fragmento da mesma, uma curta visão sobre uma determinada fase da sua vida. A escolha do nome Hän por parte de Lacas não é nada inocente como se comprova no título. Uma vez que Han é um solitário, quando passa por Madrid, ganha, automaticamente, a alcunha de Hän Solo.
O livro de Lacas consiste num exercício deambulatório e deve ser visto a essa luz. Seguimos esta personagem solitária pelas ruas de Lisboa e ficamos a conhecer as suas paixões (mulheres, desenho e fotografia), parte do seu passado e os seus medos - uma luta constante contra a bipolaridade. Neste sentido não é um livro que prime pelo seu argumento, contudo, considero que falha no final, num término algo abrupto e que podia ter sido contornado.
Em termos de desenho e, principalmente, storytelling, Lacas continua a provar que é um virtuoso, dá prazer passar as páginas e ver a naturalidade com que a história flui perante os nossos olhos. Em termos de cor optou-se apenas pelo uso de duas, num tom simples que se adequa muito bem à história. Lacas é também um excelente colorista.
Além da parte gráfica, o grande trunfo de "Hän Solo" é a sua autenticidade, é uma história com muito sentimento e isso passa para o leitor, não o deixando nunca indiferente. De salientar também a contextualização da narrativa onde se foca a situação actual em que vivemos, nomeadamente quando Hän fotografa a manifestação madrilena, perto do final do livro.
sexta-feira, novembro 16, 2012
A Filha do Caranguejo
Editado pela Polvo em 2001, trata-se de um curto conto a lembrar algumas das edições mais recentes do autor (Hän Solo, A Ermida).
A história segue as aventuras de um jovem viajante cuja fisionomia remete para a do próprio autor. Escolha que descubro não ter nada de acidental, uma vez que a "A Filha do Caranguejo" é inspirada num período da sua vida.
Tal como os navegadores que foram seduzidos pelos cantos das sereias, também o autor é seduzido por uma misteriosa mulher, cuja presença nos faz duvidar por vezes da sua própria existência, a filha do caranguejo. E de quem se trata este caranguejo? Aparentemente, um ex-combatente cuja vida é demasiado amarga para conter sem a ajuda constante de uma garrafa de vinho. Um homem com um destino que não seguiu o rumo desejado e que agora entra em directo conflito com as paixões do autor. Realidade ou um sonho? É nestes dois ambientes que a obra de Lacas joga, remetendo-nos também para as lendas e mitos características das zonas do interior.
A nível de desenho é a obra mais experimentalista que conheço do autor. Além do seu traço característico, Lacas usou fotografias, fez colagens e manteve até alguns traços a lápis que normalmente são eliminados. Claramente, uma obra que não está preocupada em apresentar um desenho limpo e cristalino, porque nem todas têm de o fazer, porque às vezes a "sujidade" é bem-vinda e neste caso em particular acho que funciona muito bem. "Obrigada, Patrão" pode ser o livro mais reconhecido do autor, mas este não lhe fica em nada atrás, sendo igualmente merecedor de atenção. Também prefiro o autor neste registo do que no recente "Asteroid Fighters" (do qual só li o 1º tomo), mas valorizo muito a diversidade que Lacas tem vindo a demonstrar e incentivo-a. Sem dúvida alguma, um autor a estar atento.
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