E parece que o ditado é mesmo verdade pois há terceira foi mesmo de vez.Finalmente após o terceiro bilhete que compro dos "Depeche Mode" os consegui ver pela primeira vez ao vivo e posso dizer que se no final do concerto começassem a vender bilhetes para um próximo eu tinha comprado num ápice, pois foi um espectáculo verdadeiramente grandioso, porra são os Depeche Mode!
Para tocar na primeira parte foi efectuada uma votação onde se encontravam nomeados os "Mundo cão", os "X-Wife", "Os Golpes" e os "Gomo", tendo estes últimos sido os vencedores. Foi uma boa abertura e das bandas nomeadas é a que possui o estilo mais próximo dos anfitriões. Os "Gomo" tocaram cerca de meia hora onde aproveitaram para apresentar canções do novo álbum revendo as mais populares do anterior.
Por esta altura era garantido que os "Depeche" não iam cancelar (não resisti). Quando a banda surge em palco é um sonho tornado realidade. Martin L. Gore sempre a sobressair na roupa que escolhe e claro Dave "bad boy"Gahan também sempre inconfundível. O espectáculo estava prestes a começar.
A banda começou por tocar três temas do novo álbum o que foi um pouco assustador para mim, pois confesso que ainda não o ouvi na sua totalidade. Claro que sabia que esta era a digressão "Tour of The Universe" a que tem por objectivo apresentar "Sounds of The universe" o último registo. Mas tratando-se de uma banda como os "Depeche Mode" que se quiser consegue tocar horas a fio usando apenas clássicos (sim são mesmo muitos) sempre achei que a maior parte da setlist recairia sobre o passado e não estava errado.
No fundo os "Depeche" tiveram uma óptima ideia ao despachar as novas músicas logo no início tocando "In Chains", "Wrong" e "Hole to Feed", voltando a tocar apenas mais uma faixa do disco em questão a meio do concerto "Miles Away / The Truth Is". Não me entendam mal são boas canções e funcionaram bastante bem ao vivo mas ao pé do resto do alinhamento são claramente as mais fracas e foi com a quarta canção "Walking in my Shoes" que o público se começou a render. Seguida de "A Question of Time", "Precious", "World In My Eyes", "Fly on the Windscreen" estava mais do que garantido que o concerto iria ser grandioso, a partir daqui foi praticamente sempre a subir.
Quando Martin L. Gore acompanhado apenas por teclas nos encantou com "Sister of Night" e principalmente "Home" onde a empatia banda-público atingiu aqui o seu primeiro grande momento.
Ouvir canções seguidas como "Policy of Truth", "It´s no Good", "In Your Room", "I Feel you", "Enjoy the Silence" e "Never Let Me Down Again" é qualquer coisa de monstruoso. Não há nunca um momento de descanso, um momento menor, e que bem que soam estas músicas ao vivo. O público estava mais que conquistado, as pazes feitas.
Como encore tivemos mais quatro momentos geniais "One Caress", "Stripped", "Behind the Wheel" e para o grande final (já se estava mesmo à espera) "Personal Jesus". Um final cheio de esplendor e glória.
Este concerto ficou marcado também por ter sido o primeiro que vi sentado no pavilhão atlântico e que longe está o palco. No balcão dois a olhar directo para o palco é realmente difícil distinguir os músicos. Porém a vista panorâmica de um pavilhão desta magnitude esgotado é qualquer coisa de majestoso. As diferentes cores provenientes do espectáculo a serem reflectidas em milhares de pessoas é uma imagem marcante.
Gostava muito que tocassem uma "Shake the Disease", "Black Celebration", "Just Can´t Get Enough", "Judas", "Master and Servant" entre muitas outras. Mas já se sabe que não há espaço para tudo e os "Depeche" têm mesmo tanta canção soberba que dificilmente sairíamos do Atlântico decepcionados.
Deixo um vídeo não do Atlântico mas que pertence à mesma digressão da "It´s No Good". Foi numa curta pesquisa a que encontrei com melhor qualidade.

