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quinta-feira, fevereiro 20, 2014

Doctor Who - Temporada 7 (Parte 1)



SPOILERS


Hello, old friend, and here we are, you and me, on the last page. By the time you read these words, Rory and I will be long gone. So know that we lived well and were very happy. And above all else, know that we will love you, always. Sometimes I do worry about you, though. I think once we're gone, you won't be coming back here for a while and you might be alone, which you should never be. Don't be alone, Doctor. And do one more thing for me. There's a little girl waiting in a garden. She's going to wait a long while, so she's going to need a lot of hope. Go to her. Tell her a story. Tell her that if she's patient, the days are coming that she'll never forget. Tell her she'll go to sea and fight pirates. She'll fall in love with a man who'll wait two-thousand years to keep her safe. Tell her she'll give hope to the greatest painter who ever lived and save a whale in outer space. Tell her this is the story of Amelia Pond. And this is how it ends.

Afterword, by Amelia Williams



A "iniciar" a temporada temos mais um especial de Natal, desta vez "The Doctor, the Widow and the Wardrobe". Estou ansioso para ver um destes episódios na altura mais apropriada, ou seja, no Natal. Todos carregam muito bem essa aura ternurenta da época festiva em questão.

O título remete-nos logo para o clássico infanto-juvenil de C.S. Lewis. É um episódio muito bonito com um final que é, em tudo, um belo milagre de Natal. Não sou é grande fã de ver corpos a circular no espaço sem protecção (já o tínhamos visto com River) e um avião do tempo da segunda guerra a viajar pelo Time Vortex, mas pronto, não espero que Doctor Who seja muito relevante em termos científicos e por vezes é preciso deixar a lógica na mesa de cabeceira. Além disto tudo temos um dos finais mais carinhosos da série quando o Doctor vai visitar os Pond pela primeira vez após a sua suposta morte. O momento em que ele se emociona ao saber que todos os dias de Natail eles contam com ele à mesa, é de partir o coração. Maravilhoso.

Antes de continuar para a sétima temporada vale a pena espreitar "Pond Life", são apenas 5 minutos de diversão (eles têm um Ood como mordomo), excepto no final que nos chocam ao mostrar o casal a romper.

Começo a ver "Asylum of the Daleks" e dou um salto na cadeira. Que valores de produção são estes? Já tinha dito que na era Moffat a série tinha melhorado os efeitos especiais, pois agora voltou a fazê-lo. A qualidade dos cenários e dos efeitos é qualquer coisa de fantástico. Eu continuo a gostar dos efeitos especiais à anos 80 da era Davies, mas há que reconhecer que isto está com bom aspecto. Quanto a esta introdução da sétima temporada posso começar por referir que se trata do segundo melhor episódio desta primeira parte. Os Daleks capturam o Doctor (nunca estiveram tão perto de o matar) para este os ajudar. Moffat costuma ter ideias de lhe tirar o chapéu, mas por vezes entala-se um pouco ao tentar justificar a razão para as mesmas acontecerem. Desta vez mergulhou na mitologia dos Daleks e criou um planeta usado como asilo daqueles que ficaram doidos e demasiado perigosos. Para justificar tal existência os Daleks tinham de nutrir algum sentimento por esses camaradas para não os exterminar logo. Ora os Daleks são conhecidos por se borrifarem para os sentimentos, lembram-se que na quinta temporada os novos Daleks mataram logo os antigos? Pois bem, porque não voltar a fazê-lo? Para a existência de este asilo fazer sentido Moffat teve de mostrar um lado destas criaturas nunca antes vistos. Eles vêem beleza na destruição e por isso os Daleks doidos são como peças de arte, ou seja, odes a esse caos violento. Foi uma opção arriscada, mas consigo ver isto a funcionar e mesmo quando Moffat falha, continuo a gostar do facto de ele ser arrojado. Mais vale arriscar que cair numa espiral de monotonia.

No geral é um episódio muito bom que tem como ponto alto a introdução de Oswin Oswald. Como sei de antemão que esta personagem será a futura Companion do Doctor o facto de ter sido convertida em Dalek foi uma genuína surpresa no final do episódio. A resposta esteve sempre na constante pergunta do Doctor: "onde ela arranja leite para fazer suflês?" Como é costume todos subvalorizam esta questão, mas o Doctor sabe muito bem o que está a dizer. Ele é um mestre na arte de iludir os outros. Fica é a questão no ar de como é que a voz de Oswald surgiu normal ao longo do episódio? Lá está, mais uma ideia genial que precisava de uma justificação melhor para fazer sentido. Mas o bom supera o mau e continuamos. Sinceramente o que esperava mesmo mais deste episódio era em relação aos Daleks no asilo. Criei uma imagem deles muito mais demente e perigosa do que o que vimos. Isto foi sem dúvida a desilusão. Aproveita-se também para voltar a unir Amy e Rory cujo amor já foi mais que provado. Arranjou-se uma razão para se separarem, mas o que nós queremos é vê-los juntos e os dois continuam a ter uma química incrível. Valeu muito a pena ver ao longo destas temporadas o crescimento destes dois.

"Dinosaurs on a Spaceship" e a "A Town Called Mercy" têm algumas coisas a seu favor, o primeiro tem dinossauros e o pai do Rory e o segundo é um Western, algo que ainda não tínhamos visto na série. Não são episódios que se destacam, mas são divertidos e o segundo em particular é uma reflexão sobre o passado sangrento do Doctor, onde curiosamente existe um outro Doctor que torturou vidas inocentes para terminar uma guerra e salvar milhões. O paralelismo entre eles é claro e o Doctor sabe-o. Contudo, há uma coisa que me faz gostar menos destes dois episódios e é a caracterização do Doctor. Em "Dinosaurs on a Spaceship" o Doctor mata o vilão (não directamente, mas é como se o tivesse feito) e em "A Town Called Mercy" quase mata o outro Doctor. Lembram-se do que o 10º Doctor fazia quando lhe colocavam uma arma na mão? Sim o 11º é um Doctor diferente, mas há valores que se mantêm, estamos a falar sempre do mesmo Doctor e este par de decisões surgiu-me como algo que destoa da personagem, pelo menos nesta fase. Obviamente que Moffat tem um conhecimento muito maior desta personagem do que eu e mesmo não tendo escrito estes dois episódios imagino que os supervisiona. Mas do que conheço senti esta incoerência, principalmente no segundo em que ele deixa o vilão morrer a sangue frio. É que o Doctor vive segundo as palavras de que a violência apenas gera violência. No terceiro ainda podemos considerar que o sofrimento e a solidão do Doctor lhe tolda o juízo, mas já vi a fúria deste Time Lord no passado e era usada em situações bem diferentes. Como o Doctor é julgado morto estranhei que lhe tivessem pedido ajuda em "Dinosaurs on a Spaceship", ao menos no primeiro episódio justificaram no início como o encontram os Daleks.

Em "The Power of Three" temos a história da invasão lenta e que afinal não era invasão nenhuma. A Terra encontra-se misteriosamente cheia de cubos negros. A fim de descobrir o que se trata o Doctor passa alguns dias com Rory e Amy. Temos uma premissa misteriosa, voltamos a encontrar o pai de Rory e conhecemos a filha do Brigadier Lethbridge-Stewart, parece-me muito bem. O final é que é apressado, bem como a introdução aos vilões, mas por tudo o resto e principalmente pelo desenvolvimento da relação dos três protagonistas, valeu muito a pena. Já agora se bem me lembro atravessar uma wormhole era perigoso, mas esta que encontramos no episódio já não parece ser.

Por fim, temos "The Angels Take Manhattan" o episódio de despedida de Amy e Rory. Já não estava habituado a isto. Na era Davies tínhamos despedidas em todas as temporadas, mas desta vez tivemos dois Companions ao longo de duas temporadas inteiras e ainda metade de uma terceira. Não dizemos adeus há muito tempo e estamos demasiado apegados a estes dois para o momento ser fácil. Não o é, é das despedidas mais sofridas na série.

O melhor episódio desta primeira além de nos trazer a despedida de Amy e Rory, trouxe também o regresso dos melhores novos vilões da série. Os Weeping Angels após a sua primeira aparição tornaram-se instantaneamente vilões de culto. Hoje fazem tanto parte da mitologia de "Doctor Who" como os Daleks. A última vez que os vimos estes andavam a preferir partir pescoços em vez de atirar as pessoas para o passado (tinham a barriguinha cheia), mas, felizmente, desta vez voltámos à rotina clássica. Estes monstros apoderaram-se de um edifício onde mantêm presas várias pessoas, a partir das quais se alimentam ao enviá-las para o passado. Rory é uma dessas pessoas e o momento em que o vemos deitado na cama a morrer de velhice é muito doloroso. É claro desde muito cedo que estamos perante um episódio carregado de sentimentos fortes. O amor de Rory e Amy é elevado aos céus e nunca o Doctor gritou tanto pela amizade que nutre por Amy (ele só grita pelo nome dela e não pelo de Rory). Pelo meio ainda temos River Song que teve momentos fantásticos com o Doctor, os dois estão realmente a tornar-se um forte casal. Adoro quando ela parte o pulso e não conta lhe conta - ela conhece-o tão bem.

No final quando tudo parecia bem Rory volta a ser enviado para o passado e Amy parte atrás dele, entregando-se ao mesmo Weeping Angel. Apesar de ser uma partida sofrida, ao menos Amy e Rory conseguiram ficar juntos e continuar a construir a sua vida. Dentro de todo o mal, isto é aquilo que os dois mais desejavam na vida e para final dos dois poderia ter sido tão mais doloroso. O Doctor é que acaba por sofrer mais, ele que não gosta de finais, despede-se desta sua melhor amiga para sempre. No fundo sabemos que já era tempo de estes três se separarem. River até avisou a mãe para que ela nunca se deixe envelhecer ao lado do Doctor, pois essa é a sina dos imortais e aquela que mais o magoa. Mas mesmo sabendo que este momento teria de chegar, não foi menos fácil por isso. Termino esta parte salientando o quão fantásticas foram as prestações deste quarteto, que vai deixar tantas, mas tantas saudades.

Mexer com os Weeping Angels obriga a certas atenções. Acho que no passado já vi alguém pestanejar e não ser afectado pelos anjos, mas desta vez acho que River desviou o olhar do anjo que a agarrava demasiadas vezes. Está amarrado, mas ainda parecia poder fazer mais qualquer coisa. Também a aparição da estátua da liberdade levanta questões, mas foi tão giro que se desculpa. Antes não explicar do que arranjar uma justificação tosca. Por fim deixo uma das coisas que mais gostei. Os anjos bebés. Aquele segmento com o Rory na cave com apenas uma caixa de fósforos foi tenebroso.

Quanto ao Doctor cujo nome se havia tornado demasiado grande no Universo, continua a trabalhar no seu esquecimento, apagando registos da sua existência. Até os Daleks nãos e lembram dele, cortesia da sua futura e misteriosa Companion.

terça-feira, fevereiro 18, 2014

Doctor Who - Temporada 6



SPOILERS

Those reports of the sunspots and the solar flares, they're wrong. It's not the Sun, it's you. The sky is full of a million million voices saying, "Yes, of course we'll help." You've touched so many lives, saved so many people, did you think when your time came you'd really have to do more than just ask? You've decided that the universe is better off without you. But the universe doesn't agree.

River Song


O especial de Natal "A Christmas Carol" é por vezes citado como pertencendo ao final da quinta temporada, ou como sendo o episódio zero da sexta. Como, salvo excepção, tenho falado deles seguindo a segunda opção, aqui não será diferente. O importante é que "The Christmas Carol" foi surpreendente. O conto de Dickens tem sido adaptado até à exaustão, por isso não estava mesmo a contar que este fosse tão bom, mas Moffat volta a provar que a sua imaginação e escrita são ímpares. Ele faz a diferença e traz-nos um episódio mágico, clássico e carregado de espírito Natalício.

Antes de avançar na temporada vale a pena espreitar os curtos "Space" e "Time", nem que seja pela interacção de duas Amy's.

Começando a sexta temporada propriamente dita temos os soberbos "The Impossible Astronaut" e "Day of the Moon". Caramba Moffat sabe mesmo introduzir uma temporada. Temos de tudo aqui, um mistério em torno da morte do Doctor - que será seguido toda a temporada -, a introdução de novos vilões assustadores - Os Silence - e uma história em tudo épica. Como é que uma pessoa aguenta a esperar pelos episódios depois de uma introdução destas? Nós vemos uma versão futura do Doctor a convidar os seus amigos para assistir à sua morte e mesmo sabendo que ele não morrerá, passamos grande parte da temporada a imaginar como se irá safar. E aquela miúda no final a regenerar? Quantas unhas foram roídas até se descobrir que é River Song? Excelente. Curiosamente, desta vez foi o início que teve um episódio duplo e não o final. Outro aspecto que é preciso reconhecer no que toca ao talento de Moffat é a sua capacidade para criar vilões. O conceito dos Silence é assustador - que mais tarde se provariam ser uma ordem reiligosa - e a forma como o episódio se uniu à história daquele ano foi maravilhoso. Grande utilização de Nixon e grande Canton Everett Delaware III um ex-agente do FBI que se torna um parceiro muito importante do Doctor. Gostava de o rever no futuro.

O que vale toda a espera é que os episódios até chegarmos ás respostas foram muito bons. O seguinte "The Curse of The Black Spot", nem parece tanto, sofrendo de consideráveis erros narrativos. Literalmente há um marinheiro que é esquecido na história e há um segmento em que o Doctor parece usar o Sonic Screwdriver em madeira (mas talvez houvessem partes de metal no baú, enfim deixemos este pendente). O episódio até é divertido, mas este tipo de falhas deu um pequeno travo amargo ao mesmo.

Finalmente vi o primeiro episódio - "The Doctor's Wife" - escrito por Neil Gaiman para a série. Que a Tardis é uma personagem essencial desta série, sempre o soube, mas nunca antes tínhamos tido uma interacção tão grande entre os protagonistas como neste episódio. É Gaiman, por isso já se sabia que a fantasia e o romance iam imperar. Gostei muito e ainda tivemos a recordação da antiga versão desta nave extraordinária.

"The Rebel Flesh" e "The Almost People" tem uma ideia incrível ao brincar com o conceito da clonagem. Este é mais um estudo sociológico da natureza humana, onde o Doctor tenta a todo o custo fazer prevalecer a razão. Também Rory tem um papel determinante no lado dos bons. Fantástica a ideia de criar também uma cópia do Doctor que acaba por responder da forma esperada, afinal tem a mesma personalidade. É pena que no final as coisas se simplifiquem, as cópias que morrem são dos humanos que sobrevivem e vice versa. Também a forma como o segundo Doctor parte é algo brusca. O final vale muito pelo twist nos Doctors, que não sendo surpreendente, foi importante e emotivo. Depois descobrirmos o porquê dos testes de Amy Pond darem positivos e negativos em relação à sua gravidez. Ela já não está connosco há uns bons episódios.

Algo bem vincado nesta série de 2005 é que o Doctor é um pacifista. O 10º ficou bem conhecido tanto pelo seu lado altruísta, como pelas suas mudanças de humor, principalmente, quando atacam os seus amigos. Há um lado incrivelmente negro nele que pode despertar. É discutível se o 11º é tão pacifista como o seu antecessor uma vez que já armou um planeta contra uma espécie alienígena (os Silence). É discutível porque não sei realmente se havia outra solução e o que os Silence fizeram é imperdoável.Contudo, uma coisa não questiono no 11º e é a sua fúria. Quem se mete com os seus amigos terá de responder também perante a fúria deste Time Lord. Apesar de o 10º já o ter feito por vezes, acho que o 11º Doctor utiliza mais a estratégia de se deixar subestimar agindo de forma descoordenada e infantil, ele é realmente o Rei neste departamento.

"A Good Man Goes to War" mostra-nos o salvamento de Amy Pond. Um episódio que tem uma construção absolutamente notável. O Doctor reúne uma série de amigos para juntar uma equipa de valor e também os seus companions nos mostram como já se tornaram parte desta mitologia. Rory sempre será "The Last Centurion" e Amy "The Girl Who Waited". Aqui também tivemos a introdução da ordem dos "Headless Monks", que, surpresa das surpresas, não têm mesmo cabeça! 

Este episódio marca também o dia em que descobrimos que River Song é a filha dos Pond e aqui só aponto um defeito. Compreende-se que o Doctor não deva ir procurar Melody Pond (nome original de River Song) enquanto bebé, uma vez que já se sabe que ela está envolvida em pontos fixos do tempo. Ela é demasiado importante no futuro, para se mexer no seu passado. Porém, Amy e Rory são os seus pais e esta questão devia ser colocada e discutida. Amy quando perde a filha fica destroçada, mas mal descobre que é River isso passa-lhe demasiado rápido. 

Isto volta a notar-se em "Let's Kill Hitler" outro daqueles episódios que me apanhou de surpresa. Pensava que ia ser focado na questão de matar ou não Hitler e que o Doctor teria de explicar novamente o que é um ponto fixo no tempo. Mas não, Hitler é muito secundário aqui e curiosamente ia sendo morto por engano não fosse o Doctor. O Doctor salvou - sem querer - Hitler, a expressão na sua cara é impagável. Num ritmo muito acelerado descobrimos mais sobre a história de River Song. Aproveito para referir que não estava nada à espera destes desenvolvimentos. Já sabia que Song não veria o Doctor sempre na direcção contrária à sua linha temporal, uma vez que este ainda tem que lhe dar um sonic screwdriver. Mas que os Pond teriam um filho com características de Time Lord, essa foi puxarem-me o tapete. Apesar de o ritmo frenético nos dar um episódio sempre a abrir - no bom sentido - por outro acho que faltou desenvolvimento na relação Doctor/River Song. Por fim vale muito a pena salientar a introdução do "Teselecta" um robô pilotado por humanos encolhidos e que pode assumir a forma de qualquer pessoa. Este robô oriundo do futuro e que exerce justiça aos criminosos do passado surge-nos como a resposta para o dilema da morte do Doctor. Esta é uma forma possível e credível de ele sobreviver. O futuro provaria que estava correcto, mas nada disso arruinou o final, muito também pelo espírito que Matt Smith traz a isto, ele construiu um Doctor absolutamente brilhante.

Seguem-se quatro episódios isolados até ao grande final. "Night Terrors" relembra-nos "Fear Her" (Temporada 2), mas com um desenvolvimento mais bem conseguido. A ideia por detrás de "Fear Her" era boa, mas tenho-o na memória como um dos episódios mais aborrecidos da série. "Night Terror" não ficando na lista dos melhores superou bastante o anterior. Em "The Girl Who Waited" voltamos, novamente, aos episódios de topo. Porque além da trama ser muito estimulante, existiu um grande foco nas personagens. Adoro os Pond e ver Rory a ter de escolher entre uma versão mais velha da sua mulher e aquela com quem esteve à uns minutos atrás foi de partir o coração. Só é pena que depois de terem acontecido, estes eventos pareçam não ter feito uma mossa tão grande, deviam ser mais abordados na vida dos Companions. Mas são importantes e têm uma função. O Doctor volta a reflectir sobre a sua existência e companhia. A prova é que mesmo que Rory não tenha desistido destas viagens, o Doctor acaba por deixar os Pond após "The God Complex".

"The God Complex" foi mais um evento claustrofóbico, que desta vez mexeu com os maiores receios de todos nós. Além disso a questão do complexo divino também foi bem trabalhada, se inicialmente parecia uma coisa, com o passar do tempo percebemos que o título remete-se mais para o nosso Doctor. Não ficámos a saber qual o maior receio do Doctor, mas algo me diz que era ele próprio.

A química entre o Doctor e Craig já tinha sido bem provada em "The Lodger" (Temporada 5), por isso foi com bastante agrado que recebi novamente a reunião destes dois. A história em si dos Cybermen disse-me pouco. Apesar de clássicos não são dos vilões que mais têm marcado os episódios. Nunca voltaram a ser tão grandes como no épico final da segunda temporada. Mas pela interacção entre o Doctor e Craig o episódio valeu bem a pena. No final ficamos a saber de onde veio o tal chapéu de cowboy.

Por fim chegamos a "The Wedding of River Song" e tudo que Moffat planeou vai-se encaixando. O nome do Doctor tem vindo a tornar-se cada vez maior no Universo e por isso um nome cada vez mais temido. Para alguns povos até a palavra Doctor está associada a Mighty Warrior por sua causa e isso não é de estranhar. Assim ao longo da temporada o Doctor foi voltando àquele estado de dúvida sobre si próprio. Ele já tem demasiados fantasmas que o assombram e por isso não precisa de mais e larga os Pond enquanto é tempo. A companhia deste louco com uma caixa azul pode ser fatal. Por todo o desenvolvimento nesta direcção gostei muito do seu casamento com River Song, em especial aquele momento em que ela lhe mostra as várias respostas que obtiveram do Universo quando pediram para ajudar o Doctor. Ele pode estar a pensar que o Universo não precisa de si, mas o Universo discorda. Sim ele é o louco que viaja numa caixa azul, o louco que dedica a sua vida a salvar os outros, vezes e vezes, sem conta. Que Universo estaria melhor sem ele? Doctor é aquele que ajuda e esse significado ficou bem mais gravado no Universo do que guerreiro.

Tal como Davies, Moffat também gosta de reunir uma série de personagens que passaram pela vida do Doctor, claro que são as personagens das suas temporadas. Pode soar estranho que quando o Doctor se despede dos seus melhores amigos, apenas convide os Pond. Onde está, pelo menos, Martha Jones? Ora bem, deve estar a viver a sua vida. Este é um novo Doctor, que mesmo nunca esquecendo ninguém, acaba por ter de ir seguindo a sua vida, enquanto os outros também. Todos envelhecem e morrem, enquanto ele continua. É claro que isto não deixa de ser uma série e seria extremamente complicado manter sempre todas as personagens a aparecer, mas graças à regeneração do Doctor muita coisa consegue ser renovada na série e fazer sentido, que jogada de mestre. De qualquer das formas foi muito boa a menção a Brigadier Lethbridge-Stewart - um grande amigo do Doctor desde a segunda regeneração - e aos Companions da era Davies. Vale a pena mencionar também a forma como Amy deixou a Madame Kovarian morrer. Nada daquilo acabou por acontecer, mas finalmente vimos a fúria da mãe Amy Pond.

Na 5º temporada, pela primeira vez, não tivemos de nos despedir de ninguém. Nesta sexta o desenrolar dos acontecimentos também não surgiu como um adeus definitico (esta palavra é sempre relativa nesta série), por isso acho que a equipa vai continuar na 7º temporada por mais alguns episódios pelo menos.

Antes de parar de escrever queria ainda mencionar a forma como o 11º não queria morrer. Sendo bastante diferente do 10º são Doctors que se tocam em determinados pontos e outro é nesta vontade de viver. O 9º sempre proclamou o quão grandiosa é a vida, mas sempre teve uma aura mais melancólica em torno da sua pessoa. Uma aura que os outros também carregam, mas que conseguem não mostrar tanto pela razão apontada no início deste parágrafo.

Agora fica no ar a grande questão, aquela que traria o silêncio se fosse proclamada:

DOCTOR WHO?