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quarta-feira, março 20, 2013

Fairy Quest: When 1984 meets Fabletown


"Fairy Quest: Outlaws" é a BD mais recente do argumentista Paul Jenkins e do desenhador Humberto Ramos. Há três coisas que quero salientar brevemente neste livro.

A primeira já mencionei no título. Qual a probabilidade de o livro que pegasse a seguir ao "1984" ser uma clara inspição vinda da história de Orwell? Pensei que não seria grande, mas para meu espanto aconteceu. Em "Fairy Quest: Outlaws" as fábulas vivem em comunidades e são forçadas todos os dias a reproduzirem as suas história sem nunca se poderem desviar das mesmas. Caso o façam serão severamente castigados por Grimm o ditador lá do sítio. Para manter as fábulas na linha Grimm conta com uma força policial chamada "Think Police" - numa clara alusão à "Tought Police" de "1984". Em casos mais drásticos as fábulas mais rebeldes sofrem lavagens cerebrais, esquecendo tudo porque passaram e retornando aos seus papéis, mais uma vez a influência da obra de Orwell é mais que notória, é a base de toda a história.



Em segundo lugar venho salientar que este é mais um projecto nascido graças ao Kickstarter, uma forma que parece cada vez mais promissora para a realização de vários novos projectos. Quem contribuiu para o projecto teve direito a uma edição em capa dura da história completa. Os restantes podem adquirir em formato comic (2 comics), onde o primeiro já se encontra disponível nas lojas de BD e tendo sido editado pelo selo "BOOM". É possível que haja edições, ou venha a haver, em capa dura deste livro, mas para já desconheço-as.

Por fim, há que salientar que após um novo boom de vampiros e depois zombies, parece que os contos de fada vieram para ficar durante uns tempos, que o digam a série "Once Upon a Time" e os três filmes sobre a branca de neve: "Mirror Mirror", "Snow White and the huntsman" e, mais recentemente, "Biancanieves".
No que toca a reinventar fábulas o rei, para mim, continua a ser o senhor Bill Willingham que em 2002 publicou pela Vertigo essa mítica série - que ainda continua - que é "Fables".


sexta-feira, março 08, 2013

Nineteen Eighty-Four




O primeiro livro que me aventurei a falar aqui no blog foi “Animal Farm” de George Orwell. Foi também o primeiro livro (prosa) que experimentei ler em inglês. Trata-se de um livro especial por uma data de particularidades pessoais, mas acima de tudo porque é uma obra fascinante e uma lição de vida também.

Segue-se a leitura de “1984” um livro cuja importância a nível humano é tão ou maior que a nível literário. O livro de Orwell contém uma mensagem tão forte e tão educativa que devia ser uma leitura obrigatória para todos nós. A maior prova de que marcou a História é a de que hoje em dia todos – mesmo quem não leu – o conhecem, o seu impacto foi tão grande que ainda hoje determinadas nomenclaturas do livro continuam a ser usadas, veja-se o caso do termo “Big Brother”.  É também uma obra muito influente, onde rapidamente nos lembramos de “V For Vendetta” na banda desenhada, de “They Live” no cinema ou dos Rage Against The Machine na música (atente-se na letra de “Testify”).

A narrativa tem início com a chegada de Winston – o protagonista - a casa. Acompanhamo-lo enquanto sobe as escadas e passa pelos posters do líder – quase omnipresente - Big Brother. Ao entrar em casa Winston encosta-se imediatamente à janela de costas para uma espécie de televisão. Winston está de costas para a televisão porque ao contrário das nossas (quero crer) têm tanto a capacidade de emitir imagem como de a receber. Ele não pode manter as costas voltadas eternamente, seria um acto suspeito, porém, nem que seja por um minuto apenas, Winston consegue observar o mundo pela sua janela sem ter de se preocupar com os contornos que a sua face assume, deixando cair momentaneamente a sua "máscara".

War is peace.
Freedom is slavery.
Ignorance is strength

É um início sublime pois todos os pormenores das acções de Winston rapidamente nos situam na acção da história. Estamos em Airstrip One uma cidade que em tempos passados pertenceria a Inglaterra, mas que hoje faz parte dos domínios de Oceania uma das três grandes potências que dominam o mundo e que se encontram em permanente estado de guerra. O cenário é o de uma das distopias mais assustadoras que li, onde o ataque à liberdade humana é tanto físico, como mental.

Em “Animal Farm” o autor retratou a formação de uma sociedade e o seu posterior desenvolvimento numa ditadura. Fê-lo de forma alegórica usando os animais de uma quinta para representar as diferentes classes sociais. Desta vez em “1984” o regime totalitário já está implementado quando começamos a leitura, aqui o importante não é debruçarmos-mos na criação de uma ditadura, mas antes na sua manutenção no poder, indefinidamente – o objectivo do partido.

If you want a picture of the future, imagine a boot stamping on a human face—forever.

O desenvolvimento das ideologias políticas inerentes ao partido – apelidado de “The Party” – são muito bem desenvolvidas e fundamentadas pelo autor que tem um trabalho exemplar na criação desta sociedade futurista - futurista na altura (felizmente nada disto aconteceu) -, mas que poderia ter sido imaginada hoje. O autor chega até a construir uma nova linguagem - o newspeak - que pretende  tornar-se a língua oficial de Oceania e que consiste na destruição de uma série de palavras a fim de destruir uma série de conceitos. Desta forma mesmo aqueles que tiverem pensamentos rebeldes não conseguirão transmiti-los por palavras – é quase um voltar ao ponto de partida.

É neste tipo de pormenores que a obra de Orwell se eleva à excelência. Veja-se por exemplo a importância da profissão de Winston. Segundo o partido quem controla a mente do Homem controla a realidade. Sendo assim, aquilo em que o Homem acreditar aconteceu e é aqui que entra um factor crucial na governação do partido, que é o controlo do passado. Se o futuro é escrito pelos vencedores podemo-nos questionar da veracidade daquilo que nos foi ensinado, porém, em Oceania este mote é levado ao extremo. O Partido está constantemente a alterar a documentação referente aos acontecimentos que ocorreram, de forma a estarem sempre de acordo com as medidas e acções do mesmo, afinal de contas, o grande líder “Big Brother nunca poderia estar errado. O passado tornou-se assim maleável e obsoleto.

He who controls the past controls the future. He who controls the present controls the past.

Claro que é preciso ter sempre em mente que todas estas acções funcionam porque são utilizadas em conjunto e não separadamente. A alteração do passado é possível porque ninguém o questiona e aqueles que têm bases para o fazer rapidamente são excluídos da sociedade. Aqui também exerce um papel determinante o conceito de doublethink*, termo criado por Orwell e escrito em newspeak que consiste, por parte do individuo, na aceitação de dois conceitos contraditórios como estando correctos. Parece complicado de exercer, porque é complicado de exercer, pelo menos para nós enquanto livres-pensadores. 

Neste sentido nunca é demais reforçar a qualidade da construção desta sociedade por parte do autor que delineou tão bem o papel das três classes imutáveis na História – a alta, média e baixa - bem como da interminável guerra entre as três potências mundiais para a manutenção deste regime.

Neste ambiente temos a história de Winston (classe média) um homem que teima em manter o seu espírito livre, insistindo que deve haver mais na vida do que aquilo que lhe é ensinado. Um homem que tem noção das consequências das acções do partido e que está disposto a abdicar de tudo para as impedir. Winston sabe que uma revolução não nascerá da noite para o dia, que é trabalho de gerações e gerações, contudo, é a própria humanidade, tal como a conhecemos, que está em perigo de extinção, e esta é uma luta que para ele vale qualquer sacrifício.

If you can feel that staying human is worthwhile, even when it can't have any result whatever, you've beaten them.

As personagens secundárias com que Winston interage, ainda que poucas – não é suposto haver muita interacção –, são fundamentais para nos darem diferentes visões das várias pessoas que povoam esta distopia. Atente-se por exemplo no conceito de família, cada vez mais erradicado pelo partido, mas que ironicamente usa a expressão "Big Brother" para apelidar o seu líder.

1984 é um livro que tem tanto de excepcional como de sufocante, é uma história que mexe com os nossos sentimentos mais primários e que nos continua a marcar por muito tempo após a sua leitura (são estes os melhores livros).1984 em uma palavra? Imprescindível.



* para uma definição mais ampla do conceito doublethink coloco um excerto do livro:

To know and not to know, to be conscious of complete truthfulness while telling carefully constructed lies, to hold simultaneously two opinions which cancelled out, knowing them to be contradictory and believing in both of them, to use logic against logic, to repudiate morality while laying claim to it, to believe that democracy was impossible and that the Party was the guardian of democracy, to forget, whatever it was necessary to forget, then to draw it back into memory again at the moment when it was needed, and then promptly to forget it again, and above all, to apply the same process to the process itself – that was the ultimate subtlety; consciously to induce unconsciousness, and then, once again, to become unconscious of the act of hypnosis you had just performed. Even to understand the word 'doublethink' involved the use of doublethink.

quinta-feira, setembro 21, 2006

Animal Farm


Este livro ("O Triunfo dos Porcos" no seu título português) é um romance alegórico escrito por George Orwell ("1984"), e é sobre a vida numa quinta e a interacção entre animais e humanos. A estória tem ínicio quando o "velho Major" (o porco mais velho da quinta) convoca uma reunião com os animais, onde lhes fala do sonho que teve, um sonho em que todos os animais viveriam livres e sem estar sob o domínio dos humanos, o sonho sobre uma revolução.
Passado três dias o "velho major" morre, mas o mesmo não se pode dizer sobre o seu sonho. Os animais pensavam sobre as palavras proferidas naquela reunião e os preparativos para a revolução começavam a ter ínicio. Dá-se vida ao "Animalismo" uma filosofia de vida criada pelos animais, e no dia em que o Sr. Jones (dono da quinta que dá pelo nome de Manor) se esquece de alimentar os animais a batalha começa, de onde os animais saiem vitoriosos expulsando os humanos.
A quinta é baptizada com outro nome: "Animal Farm", e começam os planos para uma melhor vida segundo os príncipios do "animalismo". Os porcos são considerados os animais mais espertos e por isso começam a tratar mais dos problemas de fórum mental, enquanto os outros animais trabalham no campo. Dois porcos surgem com caractetrísticas de lider: "Snowball" (baseado em Leon Trotsky) e "Napoleão" (baseado em Joseph Estaline), cujos egos irão entrar em colisão durante grande parte da estória. E durante algum tempo os animais conseguem viver felizes, sentindo-se livres e satisfeitos, uma vez que já não tinham de dividir os frutos do seu trabalho com os humanos. Os problemas começam a surgir quando alguns dos animais começam a ser mais bem tratados do que outros e o que começou por ser uma revolução sobre a liberdade acaba numa ditadura, é sublime as últimas linhas do livro em que os porcos são descritos com traços humanos, feições da cara ou mesmo quando caminham sobre duas patas, os porcos mudaram.
"O Triunfo dos Porcos" é um clássico!!! Consiste em uma sátira genial ao autoritarismo e totalitarismo, que crítica os regimes ditatoriais de uma forma exemplar, nomeadamente o da União Soviética.
O livro foi escrito durante a 2º guerra mundial e publicado em 1945 apesar dos problemas inerentes, uma vez que nesta altura a União Soviética era aliada da Inglaterra.