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terça-feira, fevereiro 25, 2014

Doctor Who: The Time of The Doctor (especial Natal 2013)



SPOILERS

Yes, I am dying. You've been trying to kill me for centuries, and here I am, dying of old age. If you want something done, do it yourself.
The Doctor


O Doctor já tinha avisado que não deveemos conhecer o nosso futuro, pois isso dificultará a sua alteração. Para salvar os seus amigos, na temporada passada, ele viajou até Trenzalore, o planeta que será o seu túmulo. Ele sabe onde irá morrer e fugir disso agora torna as coisas muito mais complicadas, mas se alguém o consegue, é o Doctor.

Com a introdução do War Doctor os números mudaram, Matt Smith poderá ser sempre o 11º Doctor, mas só no nome, pois na realidade ele é o 12º. Depois temos o caso extraordinário de David Tennant o único Doctor que conseguiu manter o corpo após uma regeneração (devia ter cortado novamente uma mão se queria continuar). somando isto tudo temos as 12 regenerações feitas. Não me recordo de nesta nova fase da série este assunto já ter sido mencionado, mas aqui Smith explica a Clara que um Time Lord só consegue regenerar-se 12 vezes e por isso ele chegou à sua última vida. Percebemos também porque no final da sétima temporada, na linha temporal do Doctor, só vimos versões passadas e não futuras. É suposto o Doctor morrer nesta vida e em Trenzalore. Claro que o especial anterior já nos mostrou um novo Doctor e por isso o seu salvamento nunca esteve em dúvida.

Em "The Time of The Doctor" Moffat fecha todas as linhas narrativas que tinha aberto desde o primeiro episódio da 5º temporada. As rachas no fabrico do espaço e do tempo continuam e contêm do outro lado Gallifrey que tem vindo a perguntar constantemente a grande questão que pairou sempre nestas temporadas: Doctor Who?

Várias espécies, incluindo praticamente todos os inimigos do Doctor, movem-se para Trenzalore a fim de destruirem o planeta e não deixarem os Time Lords regressarem. Felizmente a "Church of the Papal Mainframe" chegou primeiro e protegeu o planeta, deixando o Doctor ser o primeiro a visitá-lo. Tudo a partir daqui começa a encaixar. Esta ordem religiosa é a responsável pela ordem dos Silence e um grupo deles decidiu viajar ao passado para impedir o Doctor justificando tudo que aconteceu nas temporadas passadas. Melhor ainda, ao viajarem no passado e, por exemplo, rebentarem com a Tardis, acabaram por ser os responsáveis pela própria fenda que queriam impedir. Foi muito bom, mas por se tratar de tanta coisa talvez um episódio duplo tivesse dado mais tempo para desenvolvimentos mais amplos. Moffat encerra assim o ciclo de Matt Smith, uma decisão que faz todo o sentido e que coloca uma conclusão nesta enorme aventura, mas que também nos deixa as portas abertas para uma nova.

O Doctor permanece assim em Trenzalore protegendo o planeta e ameaçando fazer regressar os Time Lords caso o planeta seja atacado. Claro que não há coisa que este Time Lord mais queira do que ver o regresso do seu planeta natal, contudo se o fizer, não só traria os Time Lords de volta como a Time War também e uma que envolveria ainda mais forças destrutivas.

Enganando Clara, para a proteger, o Doctor fica centenas de anos em Trenzalore (também porque fica sem a Tardis), envelhecendo com aquela comunidade que jurou proteger. Quando Clara regressa, ele é um homem muito mais velho e ver Smith neste papel é mais um momento de puro encantamento. Este homem é sempre tão bom neste papel e o que eu me ri no início quando ele sacou da peruca. Nesta aventura além de Clara contou com uma cabeça de um Cyberman como Companion e não é que nos marca muito apesar de a sua aparição só ter a duração de um episódio? Handles vais deixar saudades também.

No final temos a guerra prometida, onde o Doctor luta lado a lado com os Silent. Quem diria que estes dois se uniriam no futuro? Tudo decorre da forma que esperamos, mas perto do fim Clara faz o impossível (ou quase), o que lhe fica muito bem, afinal de contas, ela É a "Impossible Girl". Clara consegue mudar o futuro do Doctor ao pedir ajuda aos Time Lords. Num acto de tremenda ajuda os Time Lords - através da fenda - concendem ao Doctor nova energia de regenração (no que parece ser um novo ciclo). 

O 9º Doctor regenerou-se de forma algo pacífica. Já o 10º rebentou com a Tardis. Aqui notou-se que foi uma metáfora para toda aquela explosão de sentimento que tanto eles como nós sentíamos na despedida. Confesso que achei que não voltaria a ver uma explosão tão grande na regeneração, mas estava enganado. O 11º usa a energia da regeneração para rebentar com as naves dos Daleks. O fogo de artíficio ainda foi maior.

Claro que para termos um momento de despedida, o 11º não mudou logo aí, o corpo ainda ficou a trabalhar e assim, com Clara, seguimo-lo até à Tardis. Este homem fez quase o impossível. Ele conseguiu substituir Tennant e tornar instantaneamente a personagem sua. A despedida de Tennant tinha sido o momento mais emotivo para mim e quando Smith surgiu conseguiu enxugar-me as lágrimas e colocar-me um sorriso na cara logo a seguir. Agora, também a sua despedida me deixa novamente de rastos. O seu discurso é particularmente tocante porque acaba por ser tanto o da personagem como o seu, enquanto actor e é o melhor discurso de despedida que vi até agora. Após proferir a súltimas palavras surge a imagem de Amy Pond e é aqui que se torna impossível suster tanta emoção. Quem tem coração e seguiu as aventuras destes dois não conseguirá ver este momento sem sentir um qualquer aperto cá dentro. Que momento maravilhoso, que momento mágico.

Entra - sem contarmos - Peter Capaldi como o 12º Doctor. Uma entra inesperada a mais que um nível. O Doctor parece ter-se esquecido de como pilotar a Tardis. Amnésia? A despedida é triste, mas o futuro com Capaldi e Gallifrey nos planos parece promissor. A 8º temporada que chegue e depressa.

Estes textos começaram por ser uma forma de ir registando o meu acompanhamento desta série. Com o tempo acabei por ir escrevendo cada vez mais sobre as temporadas, pois se por um lado a paixão pela série era cada vez maior, por outro, quanto mais conhecia da mitologia mais tinha algo a apontar. Também o facto de Moffat ter criado enredos mais complexos ao longo da temporada, me fizeram exigir mais das suas conclusões. Se ele nos deixa tão em êxtase com as suas premissas é normal que tal aconteça, ao contrário de Davies que era mais subtil nas pistas, não tendo um planeamento tão intrincado e a longo prazo, mesmo que as suas conclusões também fossem explosivas a todos os níveis e com enredos mirabolantes (faz parte). Com isto quero dizer que os dois showrunners são claramente diferentes, ambos têm fortes qualidades e os seus respectivos defeitos, como é natural. Uma coisa é certa, tanto com um como com outro, foi um privilégio ter acompanhado estas novas aventuras de “Doctor Who”. Que continuem por muitos mais anos.

All the Doctor's change. When you think about it, they all are differente people, all through their lives. And that's ok, that's good, they gotta keep moving. So long as you remember all the people that they used to be. I will not forget one line of the 11th. Not one single hat or bowtie (the coolest ever). I swear Raggedy Man that I will always remember, when the Doctor was you.

segunda-feira, fevereiro 24, 2014

Doctor Who: The Day of The Doctor (50th anniversary)



SPOILERS

Clara sometimes asks me if I dream. "Of course I dream," I tell her, "Everybody dreams". "But what do you dream about?" she'll ask. "The same thing everybody dreams about," I tell her, "I dream about where I'm going." She always laughs at that. "But you're not going anywhere, you're just wandering about". That's not true. Not anymore. I have a new destination. My journey is the same as yours, the same as anyone's. It's taken me so many years, so many lifetimes, but, at last, I know where I'm going, where I've always been going: Home, the long way 'round.
The Doctor


The Night of The Doctor

Neste mini-episódio temos uma surpresa maravilhosa. Paul McGann regressa como 8º Doctor para nos mostrar os seus últimos instantes, fazendo a passagem para o Doctor misterioso de John Hurt. Logo no início percebemos que o 8º Doctor tem estado afastado dos conflitos da "Time War" entre os Time Lords e os Daleks, continuando a ajudar aqueles que pode ao longo do Universo. Contudo, o facto de ser um Time Lord tem-lhe causado problemas, as pessoas já não confiam mais nele, temendo-o. Isto é importante para mostrar que neste momento os povos temem os Time Lords como temem os Daleks e que a grande Time War poderá destruir todo o Universo se não for terminada. Isto é muito importante para justificar as acções futuras do Doctor.

Outra surpresa é que o Doctor acaba por morrer ao tentar salvar uma mulher de nome Cass. Como ela recusou o salvamento acabaram os dois por se despenhar em Karn (o Doctor devia ter-se protegido na Tardis). Claro que tudo aqui parece ser obra do destino uma vez que se despenhou no planeta da Sisterhood of Karn, um grupo de mulheres que o reanimam temporariamente na esperança de que o Doctor aceite regenerar-se para terminar esta guerra. O nome Doctor é uma promessa e por isso é muito complicado para esta personagem entrar numa guerra, quando ele vive segundo o lema de que a violência gera violência. Mas tendo razão, será que se pode viver sempre sob o manto do pacifismo? Como se termina uma guerra como a Time War? Nesse momento de desespero o Doctor aceita regenerar-se de forma controlada, ou seja, a irmandade de Karn consegue criar poções que irão dar o corpo que ao Doctor mais convém. Colocando uma pausa no seu título o 8º escolhe o corpo de um guerreiro, aquele que participu na guerra, aquele que a terminou e por isso mesmo tem o seu nome esquecido da grande história desta personagem. O Doctor sem número, o War Doctor.

Existe ainda um outro mini-episódio - "The Last Day" - que nos mostra o início da batalha que levaria à queda de Arcadia.


The Day of The Doctor

Em "The Day of The Doctor" vemos o regresso de mais uns míticos vilões de Doctor Who, os Zygons (que antes apenas haviam aparecido num episódio). O mais interessante destas criaturas é a sua capacidade de assumirem a forma de outros seres vivos. Num ataque à Terra que envolve duas linhas temporais a história dos Zygons acaba por ligar o 10º e o 11º Doctor em termos narrativos. Mas a sua junção fisica ocorre por causa do War Doctor e do momento em que este decide terminar a guerra de uma vez por todas.O cerne do episódio é esse preciso momento em que o Doctor terminou a Time War.

Para terminar a guerra o War Doctor chega à conclusão que a única forma de o fazer é aniquilando Gallifrey juntamente com os Daleks. Para isso rouba "The Moment" uma arma de destruição massiva capaz de engolir galáxias. Mas devido aos seus poderes devastadores esta arma desenvolveu uma consciência que através de um interface comunica com o seu utilizador (tecnologia Time Lord). Desta forma "The Moment" assume uma figura do futuro do Doctor (achando ser do passado) para lhe mostrar o futuro após o momento em que destruiu o seu planeta de origem. Este interface é, nada mais nada menos, do que Rose Tyler quando absorve o Time Vortex, ou seja, Bad Wolf. Pensava mesmo que Rose iria aparecer no episódio, mas acho que esta foi a melhor forma de trazer Billie Piper. Rose teve um final feliz e está em outro Universo, os assuntos deste já não lhe dizem respeito. Como Donna não se pode lembrar ou Amy que já morreu, todos têm um fim, todos menos o Doctor.

Desta forma "The Moment", com uma facilidade necessária para a narrativa, junta os Doctors em vários momentos, nomeadamente no momento decisivo da Time War, evento que supostamente estava bloqueado. Mas antes de chegar aí vale a pena mencionar as aventuras que os três Doctors tiveram na Terra contra os Zygons. O episódio foi muito revivalista, algo que se notou logo com a introdução original. Este revivalismo foi muito bem desenvolvido, há uma série de referências ao passado da série que são muito bem introduzidas ao longo da aventura. E tivemos finalmente revelado mais sobre o passado entre o Doctor e a rainha Elizabeth I. A interacção entre os três Doctors é fabulosa e John Hurt assenta que nem uma luva no papel, não nos fazendo questionar a sua identidade.

Moffat gosta de mexer muito com a mitologia de Doctor Who. Ele criou um segundo Big Bang fazendo um enorme reset ao Universo; ele meteu os Silence a manipular os humanos (sabe Deus desde quando); ele criou o momento em que o Doctor morre, colocando um vilão e, posteriormente, uma companion a fazerem parte da linha temporal do Doctor. Ele gosta de grandes mudanças e desta vez trouxe-nos um novo Doctor que estraga os números, uma vez que Tennant será sempre o 10º e Smith o 11º. Para isso fazer sentido este Doctor teve um papel ingrato e por isso não é, supostamente, digno de usar o título do Doctor. Não sei se Eccleston tem aceitado regressar, se não seria ele próprio o War Doctor, não havendo necessidade para o resto. O 9º Doctor seria o único que eu vejo a encaixar neste papel, uma vez que é o que mais se assemelha a um soldado, um guerreiro. Talvez o argumento sofresse algumas alterações, o Eccleston não é de facto o War Doctor aqui descrito, ou talvez, a personagem do John Hurt sempre surgisse e Eclleston apenas seria mais um Doctor nesta grande mistela. De qualquer das formas, aqui acho que Moffat conseguiu criar algo inovador, interessante e estimulante. O War Doctor funciona. Já agora andava a imaginar um Sonic Screwdriver com a luz vermelha por isso quando vi o do War Doctor fiquei em extâse. Vermelho tinha de ser a sua cor.

Curioso que desde a fase de John Hurt que o Doctor tem vindo a ficar mais novo e, ao mesmo tempo, vindo a recuperar a vontade em viver. Talvez por esse conjunto de factores o 10º e o 11º sejam tão juvenis comparado com o War Doctor que apesar de mais novo parece bem mais velho. A guerra faz isto às pessoas. Seria era interessante ter o 9º Doctor a fazer a transição entre estes Doctor's.

No final, os três Doctors conseguem salvar a Terra (apesar de não sabermos como) e também Gallifrey. Em vez de destruirem o planeta dos Time Lords (com todos os seus inocentes) os Doctors decidem remover o planeta para um outro Universo, onde ficará perdido, mas vivo. Ao fazê-lo as hordas de Daleks irão destruir-se umas às outras (o que também justifica mais facilmente porque tantos Daleks sobreviveram). Afinal no momento mais negro da vida do Doctor ele conseguiu na mesma ir por outro caminho. Claro que para isso foram precisos todos os 13 Doctors. Sim! 13! O cameo de Peter Capaldi é mais um momento de puro fascínio neste episódio. Agora também o War Doctor faz parte deste panteão honroso, mesmo que não o venha a recordar. os Doctor's não são 11, mas sim 12 (isto vai ser caótico). A utilização de filmagens antigas para se sentir a presença de todos os Doctor's foi muito bem conseguida e conseguiu comemorar de uma forma única e especial estes 50 anos de "Doctor Who". A finalizar tivemos o cameo de Tom Baker o 4º Doctor que aqui parece regressar ao papel de Doctor, mas a qual? Talvez a um de um futuro muito distante. Um momento certamente ainda mais emocionante para os seguidores da série antiga.

Chega assim ao final o grande dia do Doctor e com ele a promessa de uma Gallifrey algures perdida. Temos aqui também o mote para a próxima temporada, a busca do Doctor pela sua casa e isso é muito aliciante.

Porém, houve uma parte em particular que me deixou com alguma pena. Falo dos acontecimentos de "End of Time". O concelho que decorre nesse episódio chefiado por Rassilon é mencionado neste especial para nos mostrar que não foi esquecido, contudo, não seria importante referir que os Time Lord esboçavam um plano para aniquilar toda a existência como foi mencionado em "End of Time"? Se nos basearmos apenas em "The Day of The Doctor" o sentimento de destruição do Universo é sentido, mas apenas como o resultado da continuada batalha entre dois povos. Em "End of Time" era claro que o presidente dos Time Lords se tinha passado ainda mais da cabeça e por esta altura o War Doctor já teria conhecimento destes planos uma vez que o 10º tinha (caso contrário nem mencionaria isto). Na altura até tinha ficado com a impressão que os Time Lords não tinham sido mortos mas presos no tempo, que o Doctor teria feito isso em vez de os matar, mas parece que fiz confusão com o facto de a gerra estar time locked. Também a profecia de que o Doctor os pararia poderia ser mencionada. Ou não era sabida por todos? De qualquer das formas esse lado negro dos Time Lords foi esquecido e reforçava a necessidade da acção do Doctor. Uma acção que afinal ele nunca tomou. Suponho que estes eventos decorram um pouco ao mesmo tempo que os "The End of Time", caso contrário esse ataque poderia nunca ocorrer e assim sendo o 10º Doctor não teria morrido. Com isto não quero deixar de salientar todo o trabalho que Moffat teve a escrever isto, a forma como interligou os acontecimentos e conseguiu construir uma peça monumental de História para esta série. Os meus sinceros parabéns Steven Moffat és um dos maiores.

Inicialmente (em 2005) o Doctor é-nos apresentado como um sobrevivente da guerra, um que teve de sacrificar o seu povo para salvar o Universo. Com o 10º Doctor essas razões foram mais aprofundadas, de certa forma, justificando-as ainda mais. Agora Moffat tirou-lhe esse peso da consciência. O Doctor conseguiu, mais uma vez, não derramar sangue (se não contarmos com os Daleks). É, novamente, uma decisão que mexe muito com a mitologia, afinal a destruição do seu povo fez parte do que era este novo Doctor. Mas acho que as coisas foram feitas com muita dedicação e cuidado (salvo o apontamento atrás) e a possibilidade de ter os Time Lords de volta é muito boa. O Doctor mais do que um herói é aquele que prometeu não ser cruel, não fazer sofrer e sempre ajudar. Não sei se será sempre possível, mas enquanto ele conseguir que seja esse herói, esse Doctor que cura o Universo vezes e vezes sem conta.

domingo, fevereiro 23, 2014

Doctor Who - Temporada 7 (Parte 2)



SPOILERS

I walked away from the Last Great Time War. I marked the passing of the Time Lords. I saw the birth of the universe, and I watched as time ran out, moment by moment, until nothing remained. No time, no space – just me. I've walked in universes where the laws of physics were devised by the mind of a madman. I've watched universes freeze and creations burn. I have seen things you wouldn't believe. I have lost things you will never understand. And I know things. Secrets that must never be told, knowledge that must never be spoken, knowledge that will make parasite gods blaze! So, come on, then! Take it! Take it all, baby! Have it! You have it all! 

The Doctor



No episódio de despedida de Amy e Rory - "The Angels Take Manhattan" - muitos como eu devem ter ficado curiosos em saber a reacção do pai de Rory a tudo isto. Pois bem, essa cena foi escrita, mas nunca filmada. Contudo é contada através de esboços no mini-episódio "P.S." que vale muito a pena ver. Foi pena a cena não ter sido introduzida, mas de certa forma também é muito similar à vista em "Blink" (porque é o que faz sentido).

Depois destes acontecimentos encontramos em "The Snowmen" um Doctor que decidiu parar de se envolver nos acontecimentos do Universo, ausentando-se numa Londres vitoriana do ano de 1842. Claro que tal só podia ser sol de pouca dura. O Doctor nunca conseguiria resistira um mistério, principalmente um que coloque a Terra em perigo. Nesta aventura acaba por conhecer, novamente, Clara Oswald, a mesma que nós já tínhamos visto em "Asylum of the Daleks". Como é possível que a mesma rapariga tenha estado em dois tempos diferentes desta forma? É que isto vai além de ser um caso de Doppelgänger's, estamos a falar literalmente da mesma pessoa e que em ambos os casos morreram. Este é, portanto, o grande mistério da segunda metade da sétima temporada. Clara é a impossible girl e isso deixa o Doctor fascinado.

"The Snowmen" foi um grande começo desta nova aventura, a química entre o Doctor e Clara é muito boa e aproveitaram para trazer de volta o gang constituído por Madame Vastra e a sua companheira Jenny e pelo divertidíssimo Drax. Este grupo já tinha provado na sexta temporada que funcionava muito bem em conjunto por isso não é de estranhar que o tenham voltado a usar - algo que voltaria a acontecer em "The Crimson Horror" e "The Name of The Doctor".

Ao sermos apresentados a mais uma versão da Tardis temos um excelente momento por parte de Clara quando ela professa a frase "It's smaller on the outside", por esta nem o Doctor esperava. Quanto ao vilão - a grande inteligência - possui a voz do grande Sir Ian McKellen e gostei da criação dos monstros de neve. De resto houve momentos hilariantes graças a Strax e, como sempre, ao grande Matt Smith que desta vez tem mesmo um momento à "Sherlock Holmes". Ficou assim trilhado o início para mais aventuras e um prometedor.

Após a morte da Clara da era Vitoriana o Doctor ausenta-se novamente até a voltar a encontrar - desta vez a viver no ano de 2013 - em "The Bells of Saint John". O episódio começou muito bem, com mais uma introdução terrífica por Moffat. também adorei que The Bells of Saint John fosse o alarme da Tardis. Já foi referido anteriormente que o cérebro é como um computador, que tem impulsos eléctricos e por isso o nosso upload para um computador não surge como algo novo na série, mesmo que aqui tenham levado isso mais longe. Mais uma vez, Clara esteve muito bem na interacção com o Doctor e, no final, voltamos a encontrar a Grande inteligência. Estava-se mesmo a ver quando o Doctor disse que esta não tinha morrido no episódio anterior, que estávamos destinados encontrá-la novamente. 

Neil Cross, criador de "Luther", foi mais um nome de peso que foram buscar para escrever dois episódios de "Doctor Who". O primeiro foi "The Rings of Akhaten", o qual me fez lembrar que já há muito tempo que não visitávamos civilizações alienígenas nos seus planetas. Realmente Moffat mexe mais com o tempo do que Davies, mas por outro lado mexe menos com o espaço. Nesse sentido o episódio foi uma lufada de ar fresco, contudo, por outro lado a criação daquele sistema pareceu-me demasiado irrealista. Como já tinha acontecido no passado desta vez também tivemos um alienígena a falar numa língua não traduzida pela Tardis, o que talvez não faça muito sentido (fez foi no "The Impossible Planet/The Satan Pit"), mas se calhar é melhor ficarmo-nos pelo facto de a Tardis agir de forma misteriosa, pois se de facto traduz tudo, como é que não traduz o Allons-y do 10º Doctor para inglês? Talvez porque o Doctor fale inglês e não seja traduzido nessa língua (fiquemo-nos por aqui). Também se estranha que Clara não questione neste episódio que os ET's falam inglês e o faça apenas no episódio seguinte quando são os Russos a fazê-lo.

Mas voltando a Neil Cross, acho que se nota que o escritor tem mais qualidades em outras atmosferas e por isso o seu segundo episódio, "Hide", correu-lhe melhor. Esta pseudo-história de fantasmas tem a atmosfera certa e no final revela mais um enredo carregado de ficção-científica como é típico em "Doctor Who".

Antes tivemos então o "Cold War" onde a tripulação de um submarino Russo encontrou um Ice Warrior (um marciano" congelado desde há 5000 anos atrás, o qual sobreviveu ao processo (rói-te de inveja Capitão América). Depois de mais um flagrante mal entendido entre o alien e os humanos, cabe ao Doctor e Clara o tentarem manter a paz. Nota-se logo quando a série vai buscar uma criatura da sua mitologia antiga. Gostei de conhecer esta nova espécie e a única coisa que me deixa apreensivo nesta altura é que Clara parece receber pouca atenção no seu desenvolvimento. Acho que ela tem uma boa química com o Doctor e gosto do facto de não aceitar logo ir viajar com ele, de se impor de uma forma diferente dos outros Companions. Também estou verdadeiramente intrigado com o seu mistério, mas até ao final da temporada a personagem foi pouco desenvolvida e isso é uma pena. Mas nada disto tem a ver com a actriz à qual não tenho nada a apontar de mal.

Já sabemos que a Tardis é gigante, mas normalmente nunca saímos da sala principal. Ora "Journey to the Centre of the TARDIS" veio mudar isso. Uma aventura que nos levou pelos confins desta nave onde o Doctor e um grupo de ladrões (os irmãos Baalen) partem em busca da perdida Clara. Gostei de ver a nave actuar sob as personagens, afinal é uma entidade viva e a verdade sob os "monstros" que atacaram as personagens também resultou bem. Quando se mexe com várias linhas temporais é sempre estranho vermos a mesma pessoa várias vezes. Tal como em "Amy's Choice" parece que se matou uma das Amy's quando eram a mesma. Aqui o Doctor também acaba por morrer para salvar todas as personagens. Apesar de o Doctor apagar os acontecimentos deste episódio parece que algo ficou com as personagens pela forma como se vê pela interacção dos irmãos Baalen no final.

"The Crimson Horror" de Mark Gatiss teve tanto um vilão como uma aura excelentes. Peca a meu ver no mistério em si que podia ter sido melhor explorado. Mas, não deixa de ser um belo episódio.

Depois do maravilhoso "The Doctor's Wife" confesso que fiquei desapontado com o segundo episódio de Neil Gaiman: "Nightmare in Silver". Para começar trouxe duas crianças que me fizeram pensar que isto não são as aventuras da Sara Jane-Smith, mas pronto, também foi só neste episódio. Nota-se logo o dedo de Gaiman na ideia de um planeta inteiro ser uma feira popular, mas no final acho que ficou aquém do que prometia. Valeu muito pelo Matt Smith e pela evolução dos Cybermen, principalmente as versões insecto.

Por fim "The Name of The Doctor". Acho que posso dizer que os finais de temporada têm vindo a decrescer. Apesar de não ter gostado de um pormenor em "The Big Bang", o raio do final foi majestoso. "The Wedding of River Phonix" também foi muito bom, mas a sua introdução havia sido superior. Agora "The Name of The Doctor" foi bom, mas também deixou alguns travos mais azedos. Para começar o vilão foi pouco desenvolvido ao longo de toda a temporada. Se começou bem nesta fase, depois não me deu grande inspiração. Quanto a Clara, tivemos finalmente revelado o seu mistério, que me surpreendeu pela forma que arranjaram para que este fizesse sentido. Mesmo assim Moffat foi capaz de ter sido demasiado ambicioso, mas já lá voltarei. Outra coisa que gostei muito foi de ver as versões antigas das vidas do Doctor. 

Algo com que não contava nesta parte da temporada foi o quase esquecimento de River Song. A Clara é um mulherão, compreendo e  adoro isso, mas o Doctor casou ainda há pouco tempo. Não terminou a temporada anterior a falar das noites que passaria com River? Já terminaram? Já lhe disse o nome? Há muito tempo que passa e nós não vemos na série. Percebo também que ele não goste de finais, mas até tendo em conta o final da primeira parte, estava mesmo a contar ver mais de River, que apareceu apenas no último episódio e logo para se despedir. 

Boa surpresa foi descobrir que esta River é a versão após "Forest of the Dead", não estava nada a contar. Já agora a Mrs Doctor se calhar não devia ter dito o nome do seu amado para abrir o seu túmulo. Não sei se este o faria eventualmente, mas as consequências podiam ter sido catastróficas. E pronto, o vilão entra na vida do Doctor para lha estragar e Clara entra para lha salvar. No final Doctor entra também na sua para a ir buscar e já não sei a quantas anda a sua linha temporal. Demasiado rebuscado (como é que ele a tirá de lá?) e contado de uma forma apressada. Mas rebuscado é o nome do meio desta série e ao menos o episódio nunca foi aborrecido tendo alguns momentos bem especiais. O túmulo com uma Tardis gigante, o encontro das personagens nos sonhos e a despedida de River Song que foi emotiva e engraçada. Mas como referi acho que a personagem merecia mais nesta temporada.

Pensava é que o nome do Doctor seria revelado, mas já percebi que é coisa que dificilmente acontecerá. No final temos a introdução de John Hurt como Doctor. Algo que infelizmente apanhei como SPOILER. Como é possível que haja outra encarnação prévia do Doctor? O que aconteceu? Um mistério a resolver no especial "The Day of The Doctor". Será que o Hurt está aqui porque o Eccleston não quis participar no especial? É pena se assim for. Caramba Eccleston a malta gosta muito de ti, gostava mesmo de te ver no aniversário.