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quarta-feira, junho 26, 2013

All-Star Superman



You're work is done.
You have shown them the face of the Man of Tomorrow.
You have given them an ideal to aspire to, embodied their highest aspirations.
They will race and stumble, and fall and crawl...
...And curse...and finally...
...They will join you in the sun Kal-El.
In time you will no longer be alone.

Jor-El.


Na véspera da estreia de "Man Of Steel" deixo aqui uma sugestão de leitura sobre o primeiro Super-Herói da BD, este "All-Star Superman" de Grant Morrison e Frank Quitely, publicado entre 2006 e 2008.

O universo "All-Star" (penso sempre nos ténis da Converse), foi criado para os autores poderem escrever sobre qualquer personagem sem estarem restringidos pelas amarras da continuidade, ou seja, nada de novo, não é a primeira vez que histórias fora da continuidade saem, talvez neste caso quisessem ter um universo alternativo mas todo ligado entre si como o "Ultimate" da Marvel, porém, as coisas, aparentemente, não correram assim tão bem, pois além deste só houve mais um título "All-Star", o do Batman.

De qualquer das formas "All-Star" Superman é uma das melhores, senão mesmo, a melhor história do Super neste novo século. Morrison em vez de pegar na origem desta personagem e voltar a contar a mesma história de inicial de sempre, optou antes por ir para o final e contar a última. Mantendo na mesma a premissa de criar histórias do Superman que fossem o mais acessíveis para todos, dentro do possível, no que toca a conhecimentos prévios da personagem.


Tudo começa quando o Super salva o Dr. Leo Quintum e a sua equipa do P.R.O.J.E.C.T., de irem contra o Sol. Ao fazê-lo a sua proximidade ao astro solar resultou numa acumulação massiva de energia que elevou o herói a um nível nunca antes visto. O Superman está mais poderoso do que nunca, contudo, pela mesma razão está a morrer também, uma vez que a energia é demasiada para ser contida pelas suas células. A cereja no topo do bolo é que nada disto foi acidental mas planeado ao milímetro por Lex Luthor. Assim enquanto seguimos o Super em despedidas e nas suas últimas missões - em reminiscência dos "12 trabalhos de Hércules" - seguimos também o julgamento de Luhtor e a sua condenação à morte.

Há algo de justiça poética em Luthor acabar condenado à morte quando consegue a sua maior proeza, e ele parece não se importar desde que veja o azulão ir à sua frente. Gosto muito da forma como Morrison interpreta e escreve o "homem de aço", mas é delicioso ler o seu Lex Luthor, há realmente algo de poético no confronto final entre estes dois, na última visão que Luthor tem no mundo e no último sacrifício do herói perfeito.

´"All-Star Superman" contém uma série de aventuras bem diversas e imaginativas, Morrison parece divertir-se muito a explorar o universo desta personagem e tudo resulta muito bem no traço do grande Frank Quitely um dos desenhadores mais estimulantes da actualidade.



Agora o porquê de "All-Star Superman" antes (ou depois) de "Man of Steel"? Porque apesar de crer que o enredo será completamente diferente, acredito que temos aqui uma forte influência no filme, talvez na forma em como abordar um herói desta magnitude e poder, algo que Morrison e Quitely souberam explorar muito bem. Claro que isto, por enquanto, é apenas especulativo. Mas acredito nisto até porque as frases saídas de Russel Crowe nos trailers são claramente retiradas de uma conversa entre pai e filho (Jor-El e Kal-El) que se encontra nesta história e isso prova pelo menos que não só esta BD foi lida como foi tida em conta na escrita do argumento, o que é muito bom sinal.

A título de curiosidade em 2011 foi feito um filme de animação desta história.

sexta-feira, novembro 16, 2007

WE3

Se vos disser que WE3, é sobre a vida de um cão, um gato e um coelho, talvez a maior parte de vocês, se lembre dos filmes de domingo à tarde da TVI e não se sinta cativado a ler, mas a verdade é que se trata de muito mais do que isso.
Escrito por Grant Morrison com arte de Frank Quitely, WE3 foi editado o ano passado na América e ainda está à espera do seu lugar cativo numa edição portuguesa. Pessoalmente acho que este livro deve ser lido sabendo o mínimo possível sobre ele, partam à aventura e confiem, porém se ainda não estão convencidos, continuem a ler.
O governo americano gastou milhões de dólares, para criar a arma perfeita. Esta arma não é nada mais do que um cão chamado Bandit, um gato chamado Tinker e um coelho chamado Pirate. Animais alterados ciberneticamente, colocados dentro de armaduras robóticas, fazem parte de um programa militar, com o fim de substituir soldados humanos.


Após completarem com sucesso mais uma missão ao assassinarem um ditador, o projecto WE3 é agendado para destruição, uma vez que se tornou obsoleto e necessita de ser substituído. Roseanne Berry, a nossa “Doctor Dolittle”, não concordando com esta decisão, liberta os animais, e assim começa esta estória, em que as forças militares procuram desesperadamente reaver a sua arma mais letal e mortífera, que se encontra algures em liberdade, em solo civil.
É incrível como WE3, com poucos diálogos, nos conta uma estória, tão terna e ao mesmo tempo tão apocalíptica. A ideia de transformar animais em máquinas assassinas, é desumana e no entanto quantos de nós duvidariam que isso acontecesse caso a tecnologia necessária fosse providenciada? Ao longo da estória acompanhamos os animais em fuga, e temos tempo de os conhecer melhor, de reparar que desenvolveram personalidades diferentes e distintas, que apesar de perseguidos e obrigados a lutar pelas suas vidas, ainda mantêm a prioridade de salvar a vida de inocentes.


Grant Morrison regressa mais uma vez com um trabalho excepcional, e como já é habitual, junta forças a um dos mais talentosos artistas do género. Frank Quitely já provou várias vezes que é um dos melhores e não só voltou a sublinhar essas palavras, como as suas novas experiências em termos de design, nos deixam boquiabertos, os pormenores, os close-up, tudo até ao mínimo detalhe é levado em consideração, proporcionando-nos até em algumas páginas uma viagem quase tridimensional.

Publicado originalmente em Rua de Baixo (Abril de 2006) por José Gabriel Martins (Loot)