Mostrar mensagens com a etiqueta Primavera Sound. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Primavera Sound. Mostrar todas as mensagens
terça-feira, junho 19, 2012
Primavera Sound - Terceiro Round
Hoje caiu a chuva para complicar a vida dos festivaleiros. Notou-se uma adesão mais tardia por parte de muitos. Talvez não só a chuva tenha contribuído para isso, Portugal jogava com a Alemanha também. Quanto a mim, fiz questão em pelo menos estar no recinto as 19h para ver os Spiritualized e assim foi.
Um pequeno aparte, sempre achei que o Domingo (quarto dia do festival) não ia correr bem, uma vez que os concertos seriam na casa da música e no Hard Club, ou seja, espaços pequenos para tantas pessoas com pulseiras. Quando cheguei ao recinto, perto das nove, e a chover consideravelmente, observo um fila gigante. Assumimos logo e correctamente que era para reservar bilhetes para a casa da música. Aparentemente este tipo de notícias ia sendo colocada no facebook, mas avisar no recinto, está quieto. Todas estas mudanças, tal como a passagem do concerto dos Tennis para o dia anterior foram feitas via web, algo que eu nunca consultei durante o festival e portanto estive sempre a léguas do que se passava. Disto isto, não fiquei na fila porque preferia estar a molhar-me enquanto via Spiritualized.
Apesar daquela sensação estranha de ter um pé quente e outro molhado (porque rasguei um ténis no festival e só reparei nisso quando choveu), o concerto desta banda ganhou alguma magia precisamente com a chuva e teve momentos de especial beleza. Tinha-os perdido num Alive, agora corrigido isso avanço contente e ansioso pelo concerto dos Death Cab For Cutie.
Vinha agora o maior buraco do festival, devido a problemas técnicos relacionados com o tempo (aparentemente o meteorológico e o cronológico também) os Death Cab for Cutie cancelam. Estava ansioso por os ver, eles que regressaram com um último álbum fantástico. Infelizmente tal não aconteceu e nem se percebeu muito bem qual a razão. O palco estava realmente encharcado, mas será que um atraso de uma hora foi suficiente para a banda zarpar dali para fora por questões de horário? As pessoas não ficaram convencidas. Ao menos conheci o Winnie the pooh, porque de resto foram cerca de 40 minutos de vida perdidos.
Vamos então a correr para I Break Horses até porque faltava conhecer o Palco ATP. Como eu, foram muitos e rapidamente a adesão ao concerto aumentou exponencialmente, algo que a vocalista agradeceu. Boa descoberta, gostei do concerto e das canções, que navegam pela electrónica, desta banda. A descobrir mais certamente.
Seguimos novamente para o Palco Club para ver The Weeknd, aconselhado por uma amiga. O início energético conquistou-me rapidamente. Diz quem conhece que as suas divagações pelo R&B em álbum resultam melhor do que ao vivo. Não tendo termo de comparação posso apenas dizer que foi um concerto bem divertido.
O fim aproxima-se e é a vez dos Kings of Convenience tocarem. Surgem em palco apenas os dois membros com guitarras. Início bonito, mas arriscado em festival, algo que se faz notar bem quando os Dirty Three começam a tocar noutro palco e cujo som chega até este concerto. Erlend Øye faz referência a isso com algumas piadas, mas eventualmente chega a dizer que não se está a conseguir concentrar para a próxima canção. Depois do cancelamento dos Death Cab, começo a ver isto correr mal, felizmente Eirik Glambek Bøe deu a volta a isso e o concerto continuou. Mesmo não tendo as melhores condições o concerto prossegue muito bem, são dois grandes músicos e isso faz-se notar. A meio surgem mais músicos e como diz Erlend Øye, agora já são uma banda rock. No final até temos direito a uma visita do violinista dos The Afghan Whigs para adicionar violino a uma das últimas canções (I'd rather dance with you). Erlend Øye a dada altura ainda questiona a plateia do porquê de gostarmos tanto desta banda, respondendo que talvez como os noruegueses, nós também ficamos contentes quando estamos tristes.
No outro palco vão começar os Saint Etienne com a sua pop electrónica. Um concerto de espera para muitos, pelo menos para mim, mas que no espírito certo até foi divertido. A dada altura ainda se vai espreitar os Washed Out no Palco Club, as despedidas começam a ser feitas pois às 2:00 é hora de The XX e depois acabou.
Rapidamente depois do concerto dos XX começar alguém menciona o quanto eles cresceram em dois anos. É a primeira vez que os vejo (finalmente) e a banda não desilude. Boa coordenação, boa apresentação e acima de tudo boa música. Algumas das novas canções foram reveladas, ficou a sensação de quase todas serem no mesmo comprimento de onda que o álbum de estreia, algo a esperar para confirmar em Setembro. Algo que se fez logo notar, foram também os novos arranjos que a banda fez a algumas canções. No final fica a boa sensação de termos assistido a um grande concerto.
Nota: Fotos da autoria de Cube.
segunda-feira, junho 18, 2012
Primavera Sound - Segundo Round
Agora sim, começam as dificuldades no festival. Com os quatro palcos em funcionamento e concertos a funcionarem ao mesmo tempo é absolutamente impossível de assistir a tudo. Não vai custar assim tanto porque não conheço metade das bandas a tocar, porém, algo que também gosto muito e penso fazer parte do objectivo de festivais é a oportunidade de conhecer novos projectos.
Infelizmente não chego a tempo de ver Linda Martini, projecto pelo qual nutro grande gosto. Menos mal que são portugueses e a oportunidade de os ver é maior. Mas, já os vi pelo menos duas vezes e vale sempre a pena. Sigo então para o Palco Club, um dos que ainda não conhecia, para ver os Other Lies. Este é o palco mais pequeno, coberto em cima e com chão de cimento. Oriundos de Oklahoma, tocam um indie rock bastante agradável por vezes a fazer lembrar uns Fleet Foxes.
Em seguida, voltamos aos palcos conhecidos para assistir aos Yo La tengo. Li algures que a primeira canção teve a participação do vocalista dos Flaming Lips, mas não a apanhei, com muita pena minha. Mesmo que o meu conhecimento da banda seja fraco, os Yo La Tengo são um nome de referência no panorama indie e por isso era um concerto que não queria perder. Gostei particularmente dos momentos onde a distorção foi rainha e senhora com um Ira Kaplan em grande destaque.
Agora viria um dos concertos do dia para mim, o grande senhor Rufus Wainwright. O músico entra em palco a cantar à capela. Que magnífico início, Wainwright é possuidor de uma uma voz maravilhosa e que só por si é mais do que suficiente de nos emocionar a todos. Por entre várias canções, Rufus Wainwright esteve sempre muito empático com o público e gostei particularmente quando mencionou que gostaria de conhecer a língua portuguesa para assim poder ler os nossos autores. Qual bandeira em cima das costas qual quê, isto sim é de valor. Prestes a sair ainda volta atrás dizendo que "vocês merecem mais uma" e para despedida brinda-nos com a sua cover de Coen da hallelujah.
É altura de ir para o outro palco, os Flaming Lips vão começar a qualquer instante. Banda mítica do pop/rock, que marcou indubitavelmente o género. O concerto dos Flaming Lips é uma festa de cores e diversão. Explosões de confetis, balões, Wayne Coyne dentro de uma bola de plástico a mover-se por cima do público e muito mais, este foi sem dúvida o concertos mais "teatral" de todos. Tudo sempre com uma banda sonora a rigor, canções a esta banda não faltam. Diz quem já os viu que eles andam há alguns anos a reproduzir o mesmo concerto, mas, para quem como eu nunca os tinha visto, ficou certamente mais que satisfeito e deslumbrado. Over the top ou não, um dos vencedores da noite para mim. de destacar o público que esteve ao rubro e isso fez-se sentir muito bem na própria banda.
Depois de um concerto daqueles qualquer um que viesse a seguir teria um trabalho complicado. Seguiram-se os Wilco, num concerto mais contido mas muito profissional e onde a música (que é o mais importante) esteve sempre muito bem apresentada. Pelo meio o concerto perdeu algum do seu impacto tornando-se mais morno, pelo menos para mim que pouco conheço dos seus trabalho, pois pelo que percebi os fãs estavam mais que satisfeitos pelo final.
É tempo de regressar ao Palco Club para ver os Beach House. Aconteceu o que se previa a lembrar os Gossip no Alive, ou seja, a tenda onde os Beach House tocaram provou-se pequena para a grande adesão de fãs. Ainda assim o espaço era talvez o melhor para a banda tocar e o concerto foi maravilhoso e rapidamente escalou para o topo dos meus favoritos. O som, a voz bizarra de Victoria Legrand, tudo estava no seu lugar certo. Depois ao sair quase que dava para levantar os pés do chão e ser carregado na mesma, tamanha era a multidão a descolar-se para (penso eu) ir ver os M83.
O concerto dos M83 foi daqueles que mais passou a correr. No fim parece que estamos ali há meia-hora quando no fundo passou o dobro do tempo. Esta sensação agridoce acaba por ser o maior elogio que posso fazer ao projecto de Anthony Gonzalez. É que até conseguiram fazer desaparecer qualquer cansaço que se sentia. Soube a pouco, mas soube muito bem.
Nota: Fotos da autoria de Cube.
Etiquetas:
Festival,
Música,
Primavera Sound
sábado, junho 16, 2012
Primavera Sound - Primeiro Round
O tão aguardado festival Primavera Sound tinha chegado finalmente. Houve percalços pelo caminho sendo os dois maiores, o cancelamento de Bjork e Explosions in the Sky. Nada que nos faça duvidar da compra, o cartaz deste festival era demasiado prolífico para isso. Porém, quando à entrada do recinto nos dão um papel a anunciar um concerto de Bjork em Santiago de Compostela no dia 20 de junho (ou próximo) há um certo sentimento de raiva reprimida que começa a subir à tona. Para piorar descobrimos logo a seguir que a entrada de comida é proibida. A malta paga bilhete, vem de fora do Porto, alguns ainda pagam estadia e agora querem obrigar a comprar comida lá dentro. Felizmente, no meu caso, tive 90% de sorte e 10% de perspicácia nesse aspecto, mas tenho de manifestar o meu desagrado, até porque houve comida a ir para o lixo. No terceiro dia, pelo menos, já se podia guardar no bengaleiro e recolher à saída, menos mal.
Começo pelos pontos negativos logo para despachar, pois não fiquem a pensar que não apreciei esta pequena aventura musical. Foram três dias fantásticos e que colocam o Primavera como um dos festivais mais interessantes da actualidade no nosso país. A começar pelo espaço, os jardins do parque da cidade. Que belíssima escolha, a relva, as inclinações que nos deixaram ver muitos concertos ou em pé ou sentados, ou até mesmo deitados. Neste aspecto a organização acertou em cheio.
Neste primeiro dia, o mais calmo, só dois dos quatro palcos estavam a funcionar. Dois palcos lado a lado que funcionavam alternadamente, hoje era pacífico pois dava para assistir a todos os concertos. E assim foi, salvo a excepção dos primeiros, os portugueses StopEstra! que se auto intitulam como a maior banda o mundo. Quando chegámos já estavam a concluir o seu concerto e realmente o palco parecia estar cheio de pessoas.
Segue-se o concerto de Bigott. Uma banda que me era desconhecida e já aqui do nosso país vizinho. Concerto vitorioso para os Bigott que nos receberam tão bem no festival. Um misto de várias sonoridades e um vocalista, Borja Laud, que nunca passou despercebido ou indiferente a quem chegava ao recinto. No final ficámos todos a entoar o hino "Cannibal Dinner", canto esse que se prolongou por todos os dias (e cá em casa ainda continua). Uma banda a conhecer melhor.
De seguida, dirigimos-nos para o outro palco para assistir a Atlas Sound outro projecto novo para mim, mas do qual ouvi falar muito bem. Para minha surpresa a banda consiste apenas numa pessoa, Bradford Cox. Sozinho com a sua viola leva-nos a pensar que Cox ganharia muito mais numa Aula Magna, ainda assim correu bastante bem, havia muitos interessados e a adesão foi boa. O recinto começava agora a ficar mais composto.
Yann Tiersen era para mim um dos nomes mais aguardados do dia e, felizmente, não desiludiu. Pelo menos não a mim, pois fiquei com a sensação que houve alguma pelo recinto, talvez porque esperassem ver um Tiersen mais "Amélie Poulain" coisa que já se sabia que não iria acontecer. O francês dedicou-se mais ao seu último trabalho, onde deambula pela electrónica, e arrepiou a plateia no seu solo de violino possivelmente o ponto alto do concerto.
Fiquei com a sensação que The Drums era das bandas mais aguardadas do dia. É uma banda nova e penso que isso se notou no palco. Não foi um mau concerto, mas muito longe de memorável. Faltam quilómetros aos rapazes de Brooklyn, certamente daqui a uns anos quando voltarem, estarão melhores.
Agora é a vez dos velhos dizem alguns. É verdade Suede já teve o seu tempo, mas caramba se são bons, por alguma razão ainda hoje são recordados. Eu adoro a banda que na sua altura surgiu com uma sonoridade bem distinta. Brett Andersen continua em forma e juntamente com a banda deram um espectáculo que para os fãs foi muito bom. Foi talvez o meu concerto preferido da noite, afinal de contas era das bandas que conhecia melhor e mais apreciava. Foi também o único concerto, salvo erro, que contou com encore. Nem estava à espera, não me pareceu que o público estivesse ao rubro, mas eu fiquei bem agradecido, não queria ir para casa sem ouvir a "Beautiful Ones".
Os substitutos de Explosions in the Sky foram os Mercury Rev. Lembro-me de ter ouvido qualquer coisa deles há uns valentes anos, mas nunca cheguei a explorar. Vi o concerto de longe e fiquei com boa impressão. Nalgumas que reconheci ainda fui lá para a frente ( se calhar só numa agora que penso melhor).
Para terminar a noite, The Rapture. Dos melhores da noite, grandes canções rock, muito bem tocadas. Sem artifícios foi um concerto de puro rock e nisso a banda não desiludiu. No final ficou um sabor amargo porque contava que os últimos a tocar, o fariam por mais que uma hora. Mas estava enganado, de uma forma geral os concertos eram de uma hora apenas, inclusive as bandas que terminavam a noite. Se nesse dia estranhei não terem feito um encore, isso acabaria por mudar, afinal nenhuma das bandas que encerrou os fez também.
Nota: Fotos por Cube
Subscrever:
Mensagens (Atom)