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terça-feira, abril 01, 2014

The Immigrant (2013)


James Gray não será dos nomes mais conhecidos, mas está a cada vez mais a tornar-se um dos grandes realizadores da actualidade.

"The Yards" e "We Own The Night" são os filmes que lhe conhecia (falta-me ainda o primeiro "Little Odessa") e com os quais fiquei muito impressionado. A forma como filmou ambas as histórias mostram-nos que estamos perante alguém com uma grande noção de estilo e conteúdo. Ainda não vi o seguinte "Tow Lovers", mas parece ser um filme que se marca pela mudança na carreira do realizador que aqui parece abandonar os polícias e os gangsters.

2013 foi ano de novo filme seu que teve estreia no Estoril Film Festival, com a presença do realizador. O filme é "The Immigrant" que com pena minha não vi nessa altura, mas vi agora.

"The Immigrant" mostra-nos que Gray continua em grande forma a querer contar-nos histórias trágicas entre pessoas. Aqui a relação é entre a imigrante polaca Ewa Cybulski (Marion Cotillard) que chega aos Estados Unidos e se vê envolvida nas teias de Bruno Weiss (Joaquin Phoenix) um homem que inicialmente parece preocupado em ajudá-la mas que na realidade sempre teve a intenção de se aproveitar da sua boa vontade. Tudo isto torna-se muito mais à medida que Gray desenvolve a relação entre estes dois, mostrando-nos que são personagens muito mais complexas do que inicialmente aparentavam. Fantástico. Um filme a não perder.

sexta-feira, março 28, 2014

Her (2013)

 
Quando fui ver "Her" imaginei um filme que se debruçasse sobre a relação entre o Homem e a Tecnologia,  um filme que nos mostrasse no que esta relação, cada vez mais próxima, poderia resultar num futuro próximo. Imaginei uma crítica social que mostrasse que o Homem cada vez mais se isola na frieza das máquinas, um isolamento que o remete para uma melancolia e depressão, pois não fomos feitos para estar sozinhos. Serviria "Her" como um aviso? De que não nos devemos afastar e esconder? De que é preciso ter cuidado com o caminho que o futuro está a seguir?

Bem, talvez sim, mas claramente não só. O filme que imaginei não foi o filme que vi. Claro que existe um enfâse nesse retrato social que nos mostra como estamos cada vez mais afastados uns dos outros. A dada altura Theodore observa pessoas a passar na Rua, todas juntas e todas afastadas, a conversar com os seus sistemas operativos ao invés de uns com os outros. Mas "Her" é mais que isso, diria até que a preocupação principal do filme é outra.

Neste ambiente mais futurista Spike Jonze desenvolveu as repercurssões da existência de inteligência artificial. Já muitos autores de ficção científica o fizeram, mas esta abordagem é bastante sóbria e não muito longe daquilo que um dia poderá acontecer e, por isso, talvez a identificação com este cenário seja mais imediata, mas não menos verdadeira que as outras. O que aconteceria se de facto a inteligência artificial existisse a este nível? Samantha torna-se uma entidade, não viva no sentido biológico da palavra, mas viva no sentido de uma consciência. Como tal, à semelhança de nós, Samantha vai crescendo e evoluindo, onde a única diferença é que o faz a uma velocidade muito superior.

É um filme muito interessante precisamente porque aborda esta possibilidade com honestidade, carinho e acima de tudo sem preconceitos. A preocupação social existe, mas não da forma que inicialmente imaginei. 
"Her" está mais interessado em desenvolver uma relação entre o Homem e a Tecnologia, mas uma enquanto duas entidades conscientes e neste filme isso resulta numa história de amor. "Her" pode ser sobre muita coisa, mas acima de todas as outras é uma história de amor genuína. Existe mesmo uma preocupação no facto de esta relação nunca poder ser carnal e as repercurssões que isso pode ter. Claro que isso também coloca questões constrangedoras. Que futuro há para a espécie humana numa relação destas? (num raciocínio mais preocupado com o futuro a longo prazo). "Her" aborda muita coisa, mas sem apontar o dedo, são questões que ficam no ar para serem reflectidas e valorizo-o muito por isso.

Não nos enganemos também de que a solidão é algo de novo, que a culpa é só das máquinas (criadas por nós). Mesmo aqui a personagem de Theodore mergulha nela devido a uma relação amorosa com a sua ex-mulher. É a dor e desilusão com o mundo que o afastam do mesmo e isso é algo muito humano. Phoenix está como é costume irrepreensível, mas também Scarlett Johansson. Apesar de a actriz nunca surgir fisicamente a sensualidade da sua voz tornam-na uma escolha óbvia e que resulta maravilhosamente bem.

segunda-feira, março 05, 2012

The Yards


Conheci o trabalho de James Gray com "We Own The Night", belíssimo filme cujo tema recai no mundo do crime organizado norte-americano. Descobri mais tarde que o realizador fecha com este filme, o seu terceiro, uma trilogia dedicada a este género. "Little Odessa" é o primeiro, e o que me falta, e este "The Yards" o segundo.

São dois filmes similares, na temática, na moral, na atmosfera tensa e pesada e até na dupla de protagonistas, Joaquin Phoenix e Mark Wahlberg. Gray consegue dotar ambos os filmes de um cunho pessoal, uma imagem de marca, que é provavelmente o melhor elogio que lhe posso tecer.

Como o "Boogie Nights" foi dos primeiros filmes que vi com Wahlberg sempre achei que ele tinha potencial para ser um bom actor. Se este era o meu papel favorito dele até à data, agora divide-se com o seu Leo, um ex-recluso que regressa a Queens, que regressa a casa. Uma das suas grandes personagens.


[pode conter ligeiros SPOILERS]


O regresso de Leo é o despoletador da acção. É a sua chegada que irá desequilibrar o estado em que a sua família se encontra. A sua relação de amizade com Willie é posta ao teste e aqui é de salientar o quão grande é Joaquin Phoenix, a sua cena final no carro depois de ter atingido o abismo é tão genuína que arrepia. Mas, todo o elenco é portentoso, desde James Caan até às mães, Ellen Burstyn e Faye Dunaway.

Por vezes uma má decisão conduz-nos por caminhos sombrios, se pensarmos na situação futuramente nem sequer conseguimos apontar o momento em que decidimos tal coisa, parece que o nosso corpo involuntariamente seguiu por um certo caminho, o da auto-preservação, e quando queremos voltar atrás já é tarde demais. Então tudo que nos resta é seguir em frente e com isso acabamos apenas por reforçar a imagem que, sem saber como, havíamos precisamente criado.

Pode não ser exactamente isto que acontece a Willie, há mais do que um momento em que a sua moral é posta em causa, mas a dada altura sentimos que já é tarde demais para voltar atrás. O vínculo que o unia a Leo é quebrado, no final das contas eles não são iguais. No passado, Leo foi preso sem o denunciar, arcou com as consequências sozinho, salvou o homem cuja namorada é a mulher que ama, a sua prima Erica (Charlize Theron), uma relação condenada pela consanguinidade aos olhos dos outros. Não se pode trair um homem assim.

Tudo isto decorre com os negócios dos caminhos de ferro como pano de fundo. Com James Caan a interpretar o Al Capone dos comboios, aquele que detém a maior percentagem de trabalho graças a subornos. Onde quer que haja dinheiro há crime organizado.

Uma curiosidade, "The Yards" é quase garantidamente o "Queens Boulevard" na série "Entourage". Série essa levemente baseada na vida de Wahlberg.