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sábado, setembro 08, 2007

El Espinazo del Diablo

Como já tinha referido neste blog, fiquei encantado com "El Laberinto del Fauno" de Guillermo Del Toro e após ter vislumbrado esta obra fiquei muito curioso em procurar mais filmes deste senhor.
Já tinha visto o "Blade 2", mas para mim a cinematografia de Del Toro encontra-se dividida em dois grandes blocos, de um lado os filmes espectáculo de Hollywood como "Hellboy" ou "Blade2" e do outro o seu mundo de fantasia mais intimista como "El laberinto del Fauno" e este "El Espinazo del Diablo. Isto é a ideia que tenho porque como já disse apenas tinha visto dois dos seus filmes (descobri hoje que afinal também já vi um incompleto mimic há muitos anos atrás).
Dito isto os filmes que procurava deste senhor encontram-se no segundo grupo, (apesar de não me importar de um dia destes ver o "Hellboy", simplesmente porque vem da Banda Desenhada de Mike Mignola).
Quando vi que o Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa, o MOTELx, iria apresentar um especial Guillermo del Toro passando todos os seus filmes decidi aproveitar e pelo menos este "El Espinazo del Diablo" não iria perder. Tudo bem que estes filmes não são de terror e sim fantasias obscuras, mas na oportunidade de os ver em cinema, quem sou eu para me queixar.


"O que é um fantasma? Uma tragédia condenada a repetir-se vezes sem conta? Um instante de dor? Algo morto que parece ainda estar vivo? Uma emoção suspensa no tempo? Como uma fotografia desfocada ou um insecto preso em Ambar?"
São estas as palavras que iniciam o filme, que nos fazem reflectir durante as primeiras imagens e nos levam a pensar não no fantasma como um espectro, mas como um sentimento de dor, como uma tragédia imóvel no tempo que não deveria nunca ter ocorrido, mas que por ser tão cruel está condenada a repetir-se eternamente.
Há semelhança de "El laberinto del Fauno", este filme também nos apresenta uma visão da vida durante a Guerra Civil de Espanha, através dos olhos de uma criança, desta vez de um rapaz de nome Carlos.


Órfão de pai e mãe, Carlos é deixado numa espécie de Orfanato que é dirigido por dois apoiantes Republicanos, são eles Carmen, viúva de um idealista Republicano e o professor Casares eterno apaixonado por Carmen.
Um dos aspectos mais peculiares deste "Orfanato" é que num certo dia caiu uma bomba no seu recinto que miraculosamente não explodiu. Mais tarde peritos desactivaram-na e permaneceu desde então neste mesmo local como uma espécie de símbolo, mas para algumas das crianças a bomba continua viva por dentro.
Desde o primeiro dia em que chegou que Carlos arranja problemas com alguns dos miúdos, nomeadamente Jaime que insiste em lhe infernizar a vida. No entanto a sua estadia começa a ser mais bizarra quando Carlos começa a ouvir suspiros e ver pegadas surgirem na água quando não está ninguém à frente dos seus olhos.
Diferente mas dentro do mesmo género que "El Laberinto del Fauno", "El espinazo del Diablo" é um filme poderoso que através da visão mágica de uma criança nos transporta para uma época sangrenta.

Guillermo del Toro traz-nos mais uma vez uma fábula para adultos.

quarta-feira, março 07, 2007

El Laberinto del Fauno


O meu conhecimento da filmografia de Guillermo del Toro é minúscula. Ia começar por dizer que nunca tinha visto nenhum dos seus filmes, mas lembrei-me à pouco que o "Blade 2" foi realizado por ele.
Claro que ver o "Blade 2" não chega para ter uma pequena noção do que este senhor é capaz de conquistar em cinema. Mesmo assim "Blade 2" pode não ser um grande filme, mas até tem alguns pormenores engraçados que associo ao sentido de humor de del Toro, como a cena em que muito descontraídamente Blade dá a entender que fuma erva.
Enfim, por falta de oferta ou porque simplesmente não comprei nenhum dos seus filmes (a tv não ajuda, nem os clubes de video), a verdade é que ansiava por conhecer alguns dos seus projectos, e quando "El Laberinto del Fauno" estreou em Portugal, sabia que não podia deixar passar esta oportunidade.
Depois de ter visto este filme, senti que agora sim, pela primeira vez e finalmente fui apresentado ao verdadeiro trabalho de Guillhermo del Toro, e senti-me honrado.
A estória de "El Laberinto del Fauno" ocorre após a guerra civil de Espanha em 1944.
Ofélia juntamente com sua mãe encontra-se a caminho de uma aldeia no norte de Espanha, para lá viverem junto com o seu padastro, o Capitão Vidal. Alguém escreveu "Franco não foi fascista, foi pior", penso que será uma frase também muito bem aplicada à personagem de Vidal, um homem excessivamente severo e ameaçador.
São tempos duros e cada pessoa sobrevive da melhor forma que conhece. A mãe de Ofélia procura segurança num marido, enquanto outros se arriscam a ajudar os rebeldes, ou porque acreditam que Espanha poderá ser livre de novo, ou porque simplesmente não podemos voltar as costas áqueles que mais amamos. E Ofélia sobrevive através da fantasia.

Há muitos anos atrás a princesa do reino subterrâneo ansiava por conhecer o mundo dos Humanos, um dia conseguiu fugir até à superficíe nunca mais regressando. Diz a lenda que a alma da princesa voltará um dia, e quando esse dia chegar ela voltará para junto de seus pais para governar o seu reino por muitos e muitos séculos.
Certo dia Ofélia decide seguir uma fada através de um labirinto, lá ela encontra uma das muitas criaturas mágicas da Natureza, um Fauno. Segundo a profecia ela terá de cumprir três tarefas antes que a lua fique cheia, para assim poder regressar ao reino subterrâneo.
Guillermo del Toro faz um trabalho excepcional, alternando a estória entre dois mundos tão distantes e tão próximos ao mesmo tempo. Pois também este mundo de fantasia consegue ser negro e assustador por vezes.
Queria também elogiar a representação de Ivana Baquero, a jovem rapariga que interpreta Ofélia e Doug Jones (Silver Surfer em fantastic four 2) numa interpretação fabulosa de Fauno e assustadora como o homem que tem os olhos na mão. Tenho ideia que ele não sabia falar nada de espanhol e cumpriu o papel muito bem. A produção está também ela fabulosa, os meus parabéns a todos.
Quando o filme terminou, recordei-me de "A vida é bela" de Roberto Benigni, pois também nele uma criança sobrevive num mundo de fantasia, neste caso um mundo criado pelo seu pai. São tipos de fantasia completamente diferentes eu sei, mas muito interessantes estas duas abordagens distintas, sobre a vida de duas crianças em tempos que deveriam ter sido melhores.
Dotado de uma enorme sensibilidade e beleza. "El Laberinto del Fauno" é triste, meigo, e acima de tudo, mágico.