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segunda-feira, janeiro 23, 2012

Blacksad: O Inferno, o Silêncio


Cinco anos após o último volume, "Blacksad" regressou com este "O Inferno, o Silêncio" (2010), o quarto volume da aventura criada por Juan Diaz Canales e Juanjo Guarnido.

Já tinha falado do primeiro volume aqui. Para todos os fãs do género noir esta é uma BD a considerar. A acção decorre na América durante os anos 50 e as personagens são animais antropomorfizados.

A arte de Guarnido está sempre a um nível excepcional, o senhor leva o seu tempo mas quando temos o livro na mão é de bradar aos céus. Em relação ao argumento lembro-me de ter notado uma melhoria significativa em relação ao 2º volume (Arctic Nation), uma trama mais elaborada e com um humor mais certeiro. Mas de uma forma geral são cumpridores e nisso este não é excepção.


Depois de se envolver no mundo do espectáculo para descobrir o assassino de uma famosa actriz ("Algures entre as sombras"), de ter viajado até uma comunidade mais fechada e conservadora onde o racismo ainda impera ("Arctic Nation") e de se envolver numa trama política onde o comunismo é um alvo a abater ("Alma Vermelha"), chegou a vez de Blacksad visitar Nova Orleães, terra do jazz, para se envolver no mistério mais musical desta saga.

Enquanto escrevia isto comecei a recordar todos os volumes e se recordo a história do "Arctic Nation" como uma das minhas predilectas lembrei-me agora que o "Alma Vermelha" tem o final mais triste de todos, Blacksad não teve a vida nada fácil neste.

E pronto era isto, já queria ter falado deste livro há imenso tempo porque vale sempre a pena salientar o trabalho desta dupla.

quinta-feira, outubro 16, 2008

Blacksad: Algures Entre As Sombras

Blacksad foi criado pelo escritor Juan Díaz Canales e pelo artista Juanjo Guarnido. Apesar de os autores serem espanhóis o seu mercado alvo de Banda Desenhada era o Fraco-Belga e por isso todos os livros foram originalmente publicados em Francês.
Existem até à data três livros de Blacksad sendo o primeiro este "Algures Entre As Sombras" editado pela primeira vez pela editora Dargaud no ano 2000 em França e mais tarde em 2002 em Portugal pela editora Asa que recentemente voltou a lançar este e o segundo volume em parceria com o jornal Público.
A primeira coisa que salta à vista nesta obra é a de que os autores decidiram utilizar como personagens, para contar esta história, animais antropomórficos. Uma decisão que teve consequências deveras interessantes pois permitiu-lhes usar a natureza inerente de cada espécie animal ao definir a personalidade dos personagens e o resultado é fantástico.
Sendo assim temos canídeos a representar grande parte da força policial, animais de grande porte a interpretarem pugilistas ou guarda costas como é o caso do gorila, do rinoceronte e do urso, um rato que simboliza a traição e obviamente o detective solitário e herói desta história, o gato que dá pelo nome de John Blacksad. Mas isto são apenas alguns exemplos há vários pormenores a serem apreciados ao longo de todo o livro.
A história desenrola-se no final dos anos 50 e tem início com o assassinato de uma bela actriz de Cinema, Nathalia Willford. Blacksad torna-se o detective responsável por desvendar este mistério. Porém dizer que a morte de Nathalia é apenas mais um caso é um erro crasso, pois Blacksad e ela foram, algures no tempo, amantes.
Envolvendo-se pessoalmente na investigação, Blacksad vai subindo cada vez mais na "cadeia alimentar" há medida que vai descobrindo novas pistas. O problema é que no topo desta cadeia encontra-se alguém muito poderoso e que usará todos os meios que tem disponíveis para encerrar esta investigação. Resta-nos agora saber se quando chegar a derradeira hora Blacksad saberá tomar a decisão certa.
O ambiente de "policial noir" criado por Juanjo Guarnido em todo livro é simplesmente brilhante. O retrato sujo e corrupto da cidade é perfeito e os animais estão todos representados com uma enorme humanidade e com tudo o que isso traz de bom e de mau.
Infelizmente o argumento de Juan Díaz Canales não consegue atingir o mesmo nível de perfeição obtido pela arte. E com isto não pretendo dizer que a história de "Blacksad" é má, antes pelo contrário, apenas saliento que o desenrolar deste mistério fica um pouco aquém das expectativas, o que poderá ter ocorrido devido ao pouco tempo (ou número de páginas) que Canales teve para explorar a história em questão.
Mas devemos olhar para "Blacksad" como uma série de aventuras onde "Algures Entre As Sombras" serve perfeitamente como uma bela introdução ao personagem, apresentando-nos o seu mundo, quem ele é e aquilo de que é capaz.
Com isto tudo quero dizer que aconselho vivamente a leitura de "Blacksad" e garanto-vos que a partir daqui o mundo deste detective só tende a melhorar. Claro que se não concordarem não reembolso o dinheiro a ninguém.