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terça-feira, fevereiro 25, 2014

Doctor Who: The Time of The Doctor (especial Natal 2013)



SPOILERS

Yes, I am dying. You've been trying to kill me for centuries, and here I am, dying of old age. If you want something done, do it yourself.
The Doctor


O Doctor já tinha avisado que não deveemos conhecer o nosso futuro, pois isso dificultará a sua alteração. Para salvar os seus amigos, na temporada passada, ele viajou até Trenzalore, o planeta que será o seu túmulo. Ele sabe onde irá morrer e fugir disso agora torna as coisas muito mais complicadas, mas se alguém o consegue, é o Doctor.

Com a introdução do War Doctor os números mudaram, Matt Smith poderá ser sempre o 11º Doctor, mas só no nome, pois na realidade ele é o 12º. Depois temos o caso extraordinário de David Tennant o único Doctor que conseguiu manter o corpo após uma regeneração (devia ter cortado novamente uma mão se queria continuar). somando isto tudo temos as 12 regenerações feitas. Não me recordo de nesta nova fase da série este assunto já ter sido mencionado, mas aqui Smith explica a Clara que um Time Lord só consegue regenerar-se 12 vezes e por isso ele chegou à sua última vida. Percebemos também porque no final da sétima temporada, na linha temporal do Doctor, só vimos versões passadas e não futuras. É suposto o Doctor morrer nesta vida e em Trenzalore. Claro que o especial anterior já nos mostrou um novo Doctor e por isso o seu salvamento nunca esteve em dúvida.

Em "The Time of The Doctor" Moffat fecha todas as linhas narrativas que tinha aberto desde o primeiro episódio da 5º temporada. As rachas no fabrico do espaço e do tempo continuam e contêm do outro lado Gallifrey que tem vindo a perguntar constantemente a grande questão que pairou sempre nestas temporadas: Doctor Who?

Várias espécies, incluindo praticamente todos os inimigos do Doctor, movem-se para Trenzalore a fim de destruirem o planeta e não deixarem os Time Lords regressarem. Felizmente a "Church of the Papal Mainframe" chegou primeiro e protegeu o planeta, deixando o Doctor ser o primeiro a visitá-lo. Tudo a partir daqui começa a encaixar. Esta ordem religiosa é a responsável pela ordem dos Silence e um grupo deles decidiu viajar ao passado para impedir o Doctor justificando tudo que aconteceu nas temporadas passadas. Melhor ainda, ao viajarem no passado e, por exemplo, rebentarem com a Tardis, acabaram por ser os responsáveis pela própria fenda que queriam impedir. Foi muito bom, mas por se tratar de tanta coisa talvez um episódio duplo tivesse dado mais tempo para desenvolvimentos mais amplos. Moffat encerra assim o ciclo de Matt Smith, uma decisão que faz todo o sentido e que coloca uma conclusão nesta enorme aventura, mas que também nos deixa as portas abertas para uma nova.

O Doctor permanece assim em Trenzalore protegendo o planeta e ameaçando fazer regressar os Time Lords caso o planeta seja atacado. Claro que não há coisa que este Time Lord mais queira do que ver o regresso do seu planeta natal, contudo se o fizer, não só traria os Time Lords de volta como a Time War também e uma que envolveria ainda mais forças destrutivas.

Enganando Clara, para a proteger, o Doctor fica centenas de anos em Trenzalore (também porque fica sem a Tardis), envelhecendo com aquela comunidade que jurou proteger. Quando Clara regressa, ele é um homem muito mais velho e ver Smith neste papel é mais um momento de puro encantamento. Este homem é sempre tão bom neste papel e o que eu me ri no início quando ele sacou da peruca. Nesta aventura além de Clara contou com uma cabeça de um Cyberman como Companion e não é que nos marca muito apesar de a sua aparição só ter a duração de um episódio? Handles vais deixar saudades também.

No final temos a guerra prometida, onde o Doctor luta lado a lado com os Silent. Quem diria que estes dois se uniriam no futuro? Tudo decorre da forma que esperamos, mas perto do fim Clara faz o impossível (ou quase), o que lhe fica muito bem, afinal de contas, ela É a "Impossible Girl". Clara consegue mudar o futuro do Doctor ao pedir ajuda aos Time Lords. Num acto de tremenda ajuda os Time Lords - através da fenda - concendem ao Doctor nova energia de regenração (no que parece ser um novo ciclo). 

O 9º Doctor regenerou-se de forma algo pacífica. Já o 10º rebentou com a Tardis. Aqui notou-se que foi uma metáfora para toda aquela explosão de sentimento que tanto eles como nós sentíamos na despedida. Confesso que achei que não voltaria a ver uma explosão tão grande na regeneração, mas estava enganado. O 11º usa a energia da regeneração para rebentar com as naves dos Daleks. O fogo de artíficio ainda foi maior.

Claro que para termos um momento de despedida, o 11º não mudou logo aí, o corpo ainda ficou a trabalhar e assim, com Clara, seguimo-lo até à Tardis. Este homem fez quase o impossível. Ele conseguiu substituir Tennant e tornar instantaneamente a personagem sua. A despedida de Tennant tinha sido o momento mais emotivo para mim e quando Smith surgiu conseguiu enxugar-me as lágrimas e colocar-me um sorriso na cara logo a seguir. Agora, também a sua despedida me deixa novamente de rastos. O seu discurso é particularmente tocante porque acaba por ser tanto o da personagem como o seu, enquanto actor e é o melhor discurso de despedida que vi até agora. Após proferir a súltimas palavras surge a imagem de Amy Pond e é aqui que se torna impossível suster tanta emoção. Quem tem coração e seguiu as aventuras destes dois não conseguirá ver este momento sem sentir um qualquer aperto cá dentro. Que momento maravilhoso, que momento mágico.

Entra - sem contarmos - Peter Capaldi como o 12º Doctor. Uma entra inesperada a mais que um nível. O Doctor parece ter-se esquecido de como pilotar a Tardis. Amnésia? A despedida é triste, mas o futuro com Capaldi e Gallifrey nos planos parece promissor. A 8º temporada que chegue e depressa.

Estes textos começaram por ser uma forma de ir registando o meu acompanhamento desta série. Com o tempo acabei por ir escrevendo cada vez mais sobre as temporadas, pois se por um lado a paixão pela série era cada vez maior, por outro, quanto mais conhecia da mitologia mais tinha algo a apontar. Também o facto de Moffat ter criado enredos mais complexos ao longo da temporada, me fizeram exigir mais das suas conclusões. Se ele nos deixa tão em êxtase com as suas premissas é normal que tal aconteça, ao contrário de Davies que era mais subtil nas pistas, não tendo um planeamento tão intrincado e a longo prazo, mesmo que as suas conclusões também fossem explosivas a todos os níveis e com enredos mirabolantes (faz parte). Com isto quero dizer que os dois showrunners são claramente diferentes, ambos têm fortes qualidades e os seus respectivos defeitos, como é natural. Uma coisa é certa, tanto com um como com outro, foi um privilégio ter acompanhado estas novas aventuras de “Doctor Who”. Que continuem por muitos mais anos.

All the Doctor's change. When you think about it, they all are differente people, all through their lives. And that's ok, that's good, they gotta keep moving. So long as you remember all the people that they used to be. I will not forget one line of the 11th. Not one single hat or bowtie (the coolest ever). I swear Raggedy Man that I will always remember, when the Doctor was you.

quinta-feira, fevereiro 20, 2014

Doctor Who - Temporada 7 (Parte 1)



SPOILERS


Hello, old friend, and here we are, you and me, on the last page. By the time you read these words, Rory and I will be long gone. So know that we lived well and were very happy. And above all else, know that we will love you, always. Sometimes I do worry about you, though. I think once we're gone, you won't be coming back here for a while and you might be alone, which you should never be. Don't be alone, Doctor. And do one more thing for me. There's a little girl waiting in a garden. She's going to wait a long while, so she's going to need a lot of hope. Go to her. Tell her a story. Tell her that if she's patient, the days are coming that she'll never forget. Tell her she'll go to sea and fight pirates. She'll fall in love with a man who'll wait two-thousand years to keep her safe. Tell her she'll give hope to the greatest painter who ever lived and save a whale in outer space. Tell her this is the story of Amelia Pond. And this is how it ends.

Afterword, by Amelia Williams



A "iniciar" a temporada temos mais um especial de Natal, desta vez "The Doctor, the Widow and the Wardrobe". Estou ansioso para ver um destes episódios na altura mais apropriada, ou seja, no Natal. Todos carregam muito bem essa aura ternurenta da época festiva em questão.

O título remete-nos logo para o clássico infanto-juvenil de C.S. Lewis. É um episódio muito bonito com um final que é, em tudo, um belo milagre de Natal. Não sou é grande fã de ver corpos a circular no espaço sem protecção (já o tínhamos visto com River) e um avião do tempo da segunda guerra a viajar pelo Time Vortex, mas pronto, não espero que Doctor Who seja muito relevante em termos científicos e por vezes é preciso deixar a lógica na mesa de cabeceira. Além disto tudo temos um dos finais mais carinhosos da série quando o Doctor vai visitar os Pond pela primeira vez após a sua suposta morte. O momento em que ele se emociona ao saber que todos os dias de Natail eles contam com ele à mesa, é de partir o coração. Maravilhoso.

Antes de continuar para a sétima temporada vale a pena espreitar "Pond Life", são apenas 5 minutos de diversão (eles têm um Ood como mordomo), excepto no final que nos chocam ao mostrar o casal a romper.

Começo a ver "Asylum of the Daleks" e dou um salto na cadeira. Que valores de produção são estes? Já tinha dito que na era Moffat a série tinha melhorado os efeitos especiais, pois agora voltou a fazê-lo. A qualidade dos cenários e dos efeitos é qualquer coisa de fantástico. Eu continuo a gostar dos efeitos especiais à anos 80 da era Davies, mas há que reconhecer que isto está com bom aspecto. Quanto a esta introdução da sétima temporada posso começar por referir que se trata do segundo melhor episódio desta primeira parte. Os Daleks capturam o Doctor (nunca estiveram tão perto de o matar) para este os ajudar. Moffat costuma ter ideias de lhe tirar o chapéu, mas por vezes entala-se um pouco ao tentar justificar a razão para as mesmas acontecerem. Desta vez mergulhou na mitologia dos Daleks e criou um planeta usado como asilo daqueles que ficaram doidos e demasiado perigosos. Para justificar tal existência os Daleks tinham de nutrir algum sentimento por esses camaradas para não os exterminar logo. Ora os Daleks são conhecidos por se borrifarem para os sentimentos, lembram-se que na quinta temporada os novos Daleks mataram logo os antigos? Pois bem, porque não voltar a fazê-lo? Para a existência de este asilo fazer sentido Moffat teve de mostrar um lado destas criaturas nunca antes vistos. Eles vêem beleza na destruição e por isso os Daleks doidos são como peças de arte, ou seja, odes a esse caos violento. Foi uma opção arriscada, mas consigo ver isto a funcionar e mesmo quando Moffat falha, continuo a gostar do facto de ele ser arrojado. Mais vale arriscar que cair numa espiral de monotonia.

No geral é um episódio muito bom que tem como ponto alto a introdução de Oswin Oswald. Como sei de antemão que esta personagem será a futura Companion do Doctor o facto de ter sido convertida em Dalek foi uma genuína surpresa no final do episódio. A resposta esteve sempre na constante pergunta do Doctor: "onde ela arranja leite para fazer suflês?" Como é costume todos subvalorizam esta questão, mas o Doctor sabe muito bem o que está a dizer. Ele é um mestre na arte de iludir os outros. Fica é a questão no ar de como é que a voz de Oswald surgiu normal ao longo do episódio? Lá está, mais uma ideia genial que precisava de uma justificação melhor para fazer sentido. Mas o bom supera o mau e continuamos. Sinceramente o que esperava mesmo mais deste episódio era em relação aos Daleks no asilo. Criei uma imagem deles muito mais demente e perigosa do que o que vimos. Isto foi sem dúvida a desilusão. Aproveita-se também para voltar a unir Amy e Rory cujo amor já foi mais que provado. Arranjou-se uma razão para se separarem, mas o que nós queremos é vê-los juntos e os dois continuam a ter uma química incrível. Valeu muito a pena ver ao longo destas temporadas o crescimento destes dois.

"Dinosaurs on a Spaceship" e a "A Town Called Mercy" têm algumas coisas a seu favor, o primeiro tem dinossauros e o pai do Rory e o segundo é um Western, algo que ainda não tínhamos visto na série. Não são episódios que se destacam, mas são divertidos e o segundo em particular é uma reflexão sobre o passado sangrento do Doctor, onde curiosamente existe um outro Doctor que torturou vidas inocentes para terminar uma guerra e salvar milhões. O paralelismo entre eles é claro e o Doctor sabe-o. Contudo, há uma coisa que me faz gostar menos destes dois episódios e é a caracterização do Doctor. Em "Dinosaurs on a Spaceship" o Doctor mata o vilão (não directamente, mas é como se o tivesse feito) e em "A Town Called Mercy" quase mata o outro Doctor. Lembram-se do que o 10º Doctor fazia quando lhe colocavam uma arma na mão? Sim o 11º é um Doctor diferente, mas há valores que se mantêm, estamos a falar sempre do mesmo Doctor e este par de decisões surgiu-me como algo que destoa da personagem, pelo menos nesta fase. Obviamente que Moffat tem um conhecimento muito maior desta personagem do que eu e mesmo não tendo escrito estes dois episódios imagino que os supervisiona. Mas do que conheço senti esta incoerência, principalmente no segundo em que ele deixa o vilão morrer a sangue frio. É que o Doctor vive segundo as palavras de que a violência apenas gera violência. No terceiro ainda podemos considerar que o sofrimento e a solidão do Doctor lhe tolda o juízo, mas já vi a fúria deste Time Lord no passado e era usada em situações bem diferentes. Como o Doctor é julgado morto estranhei que lhe tivessem pedido ajuda em "Dinosaurs on a Spaceship", ao menos no primeiro episódio justificaram no início como o encontram os Daleks.

Em "The Power of Three" temos a história da invasão lenta e que afinal não era invasão nenhuma. A Terra encontra-se misteriosamente cheia de cubos negros. A fim de descobrir o que se trata o Doctor passa alguns dias com Rory e Amy. Temos uma premissa misteriosa, voltamos a encontrar o pai de Rory e conhecemos a filha do Brigadier Lethbridge-Stewart, parece-me muito bem. O final é que é apressado, bem como a introdução aos vilões, mas por tudo o resto e principalmente pelo desenvolvimento da relação dos três protagonistas, valeu muito a pena. Já agora se bem me lembro atravessar uma wormhole era perigoso, mas esta que encontramos no episódio já não parece ser.

Por fim, temos "The Angels Take Manhattan" o episódio de despedida de Amy e Rory. Já não estava habituado a isto. Na era Davies tínhamos despedidas em todas as temporadas, mas desta vez tivemos dois Companions ao longo de duas temporadas inteiras e ainda metade de uma terceira. Não dizemos adeus há muito tempo e estamos demasiado apegados a estes dois para o momento ser fácil. Não o é, é das despedidas mais sofridas na série.

O melhor episódio desta primeira além de nos trazer a despedida de Amy e Rory, trouxe também o regresso dos melhores novos vilões da série. Os Weeping Angels após a sua primeira aparição tornaram-se instantaneamente vilões de culto. Hoje fazem tanto parte da mitologia de "Doctor Who" como os Daleks. A última vez que os vimos estes andavam a preferir partir pescoços em vez de atirar as pessoas para o passado (tinham a barriguinha cheia), mas, felizmente, desta vez voltámos à rotina clássica. Estes monstros apoderaram-se de um edifício onde mantêm presas várias pessoas, a partir das quais se alimentam ao enviá-las para o passado. Rory é uma dessas pessoas e o momento em que o vemos deitado na cama a morrer de velhice é muito doloroso. É claro desde muito cedo que estamos perante um episódio carregado de sentimentos fortes. O amor de Rory e Amy é elevado aos céus e nunca o Doctor gritou tanto pela amizade que nutre por Amy (ele só grita pelo nome dela e não pelo de Rory). Pelo meio ainda temos River Song que teve momentos fantásticos com o Doctor, os dois estão realmente a tornar-se um forte casal. Adoro quando ela parte o pulso e não conta lhe conta - ela conhece-o tão bem.

No final quando tudo parecia bem Rory volta a ser enviado para o passado e Amy parte atrás dele, entregando-se ao mesmo Weeping Angel. Apesar de ser uma partida sofrida, ao menos Amy e Rory conseguiram ficar juntos e continuar a construir a sua vida. Dentro de todo o mal, isto é aquilo que os dois mais desejavam na vida e para final dos dois poderia ter sido tão mais doloroso. O Doctor é que acaba por sofrer mais, ele que não gosta de finais, despede-se desta sua melhor amiga para sempre. No fundo sabemos que já era tempo de estes três se separarem. River até avisou a mãe para que ela nunca se deixe envelhecer ao lado do Doctor, pois essa é a sina dos imortais e aquela que mais o magoa. Mas mesmo sabendo que este momento teria de chegar, não foi menos fácil por isso. Termino esta parte salientando o quão fantásticas foram as prestações deste quarteto, que vai deixar tantas, mas tantas saudades.

Mexer com os Weeping Angels obriga a certas atenções. Acho que no passado já vi alguém pestanejar e não ser afectado pelos anjos, mas desta vez acho que River desviou o olhar do anjo que a agarrava demasiadas vezes. Está amarrado, mas ainda parecia poder fazer mais qualquer coisa. Também a aparição da estátua da liberdade levanta questões, mas foi tão giro que se desculpa. Antes não explicar do que arranjar uma justificação tosca. Por fim deixo uma das coisas que mais gostei. Os anjos bebés. Aquele segmento com o Rory na cave com apenas uma caixa de fósforos foi tenebroso.

Quanto ao Doctor cujo nome se havia tornado demasiado grande no Universo, continua a trabalhar no seu esquecimento, apagando registos da sua existência. Até os Daleks nãos e lembram dele, cortesia da sua futura e misteriosa Companion.

terça-feira, fevereiro 18, 2014

Doctor Who - Temporada 6



SPOILERS

Those reports of the sunspots and the solar flares, they're wrong. It's not the Sun, it's you. The sky is full of a million million voices saying, "Yes, of course we'll help." You've touched so many lives, saved so many people, did you think when your time came you'd really have to do more than just ask? You've decided that the universe is better off without you. But the universe doesn't agree.

River Song


O especial de Natal "A Christmas Carol" é por vezes citado como pertencendo ao final da quinta temporada, ou como sendo o episódio zero da sexta. Como, salvo excepção, tenho falado deles seguindo a segunda opção, aqui não será diferente. O importante é que "The Christmas Carol" foi surpreendente. O conto de Dickens tem sido adaptado até à exaustão, por isso não estava mesmo a contar que este fosse tão bom, mas Moffat volta a provar que a sua imaginação e escrita são ímpares. Ele faz a diferença e traz-nos um episódio mágico, clássico e carregado de espírito Natalício.

Antes de avançar na temporada vale a pena espreitar os curtos "Space" e "Time", nem que seja pela interacção de duas Amy's.

Começando a sexta temporada propriamente dita temos os soberbos "The Impossible Astronaut" e "Day of the Moon". Caramba Moffat sabe mesmo introduzir uma temporada. Temos de tudo aqui, um mistério em torno da morte do Doctor - que será seguido toda a temporada -, a introdução de novos vilões assustadores - Os Silence - e uma história em tudo épica. Como é que uma pessoa aguenta a esperar pelos episódios depois de uma introdução destas? Nós vemos uma versão futura do Doctor a convidar os seus amigos para assistir à sua morte e mesmo sabendo que ele não morrerá, passamos grande parte da temporada a imaginar como se irá safar. E aquela miúda no final a regenerar? Quantas unhas foram roídas até se descobrir que é River Song? Excelente. Curiosamente, desta vez foi o início que teve um episódio duplo e não o final. Outro aspecto que é preciso reconhecer no que toca ao talento de Moffat é a sua capacidade para criar vilões. O conceito dos Silence é assustador - que mais tarde se provariam ser uma ordem reiligosa - e a forma como o episódio se uniu à história daquele ano foi maravilhoso. Grande utilização de Nixon e grande Canton Everett Delaware III um ex-agente do FBI que se torna um parceiro muito importante do Doctor. Gostava de o rever no futuro.

O que vale toda a espera é que os episódios até chegarmos ás respostas foram muito bons. O seguinte "The Curse of The Black Spot", nem parece tanto, sofrendo de consideráveis erros narrativos. Literalmente há um marinheiro que é esquecido na história e há um segmento em que o Doctor parece usar o Sonic Screwdriver em madeira (mas talvez houvessem partes de metal no baú, enfim deixemos este pendente). O episódio até é divertido, mas este tipo de falhas deu um pequeno travo amargo ao mesmo.

Finalmente vi o primeiro episódio - "The Doctor's Wife" - escrito por Neil Gaiman para a série. Que a Tardis é uma personagem essencial desta série, sempre o soube, mas nunca antes tínhamos tido uma interacção tão grande entre os protagonistas como neste episódio. É Gaiman, por isso já se sabia que a fantasia e o romance iam imperar. Gostei muito e ainda tivemos a recordação da antiga versão desta nave extraordinária.

"The Rebel Flesh" e "The Almost People" tem uma ideia incrível ao brincar com o conceito da clonagem. Este é mais um estudo sociológico da natureza humana, onde o Doctor tenta a todo o custo fazer prevalecer a razão. Também Rory tem um papel determinante no lado dos bons. Fantástica a ideia de criar também uma cópia do Doctor que acaba por responder da forma esperada, afinal tem a mesma personalidade. É pena que no final as coisas se simplifiquem, as cópias que morrem são dos humanos que sobrevivem e vice versa. Também a forma como o segundo Doctor parte é algo brusca. O final vale muito pelo twist nos Doctors, que não sendo surpreendente, foi importante e emotivo. Depois descobrirmos o porquê dos testes de Amy Pond darem positivos e negativos em relação à sua gravidez. Ela já não está connosco há uns bons episódios.

Algo bem vincado nesta série de 2005 é que o Doctor é um pacifista. O 10º ficou bem conhecido tanto pelo seu lado altruísta, como pelas suas mudanças de humor, principalmente, quando atacam os seus amigos. Há um lado incrivelmente negro nele que pode despertar. É discutível se o 11º é tão pacifista como o seu antecessor uma vez que já armou um planeta contra uma espécie alienígena (os Silence). É discutível porque não sei realmente se havia outra solução e o que os Silence fizeram é imperdoável.Contudo, uma coisa não questiono no 11º e é a sua fúria. Quem se mete com os seus amigos terá de responder também perante a fúria deste Time Lord. Apesar de o 10º já o ter feito por vezes, acho que o 11º Doctor utiliza mais a estratégia de se deixar subestimar agindo de forma descoordenada e infantil, ele é realmente o Rei neste departamento.

"A Good Man Goes to War" mostra-nos o salvamento de Amy Pond. Um episódio que tem uma construção absolutamente notável. O Doctor reúne uma série de amigos para juntar uma equipa de valor e também os seus companions nos mostram como já se tornaram parte desta mitologia. Rory sempre será "The Last Centurion" e Amy "The Girl Who Waited". Aqui também tivemos a introdução da ordem dos "Headless Monks", que, surpresa das surpresas, não têm mesmo cabeça! 

Este episódio marca também o dia em que descobrimos que River Song é a filha dos Pond e aqui só aponto um defeito. Compreende-se que o Doctor não deva ir procurar Melody Pond (nome original de River Song) enquanto bebé, uma vez que já se sabe que ela está envolvida em pontos fixos do tempo. Ela é demasiado importante no futuro, para se mexer no seu passado. Porém, Amy e Rory são os seus pais e esta questão devia ser colocada e discutida. Amy quando perde a filha fica destroçada, mas mal descobre que é River isso passa-lhe demasiado rápido. 

Isto volta a notar-se em "Let's Kill Hitler" outro daqueles episódios que me apanhou de surpresa. Pensava que ia ser focado na questão de matar ou não Hitler e que o Doctor teria de explicar novamente o que é um ponto fixo no tempo. Mas não, Hitler é muito secundário aqui e curiosamente ia sendo morto por engano não fosse o Doctor. O Doctor salvou - sem querer - Hitler, a expressão na sua cara é impagável. Num ritmo muito acelerado descobrimos mais sobre a história de River Song. Aproveito para referir que não estava nada à espera destes desenvolvimentos. Já sabia que Song não veria o Doctor sempre na direcção contrária à sua linha temporal, uma vez que este ainda tem que lhe dar um sonic screwdriver. Mas que os Pond teriam um filho com características de Time Lord, essa foi puxarem-me o tapete. Apesar de o ritmo frenético nos dar um episódio sempre a abrir - no bom sentido - por outro acho que faltou desenvolvimento na relação Doctor/River Song. Por fim vale muito a pena salientar a introdução do "Teselecta" um robô pilotado por humanos encolhidos e que pode assumir a forma de qualquer pessoa. Este robô oriundo do futuro e que exerce justiça aos criminosos do passado surge-nos como a resposta para o dilema da morte do Doctor. Esta é uma forma possível e credível de ele sobreviver. O futuro provaria que estava correcto, mas nada disso arruinou o final, muito também pelo espírito que Matt Smith traz a isto, ele construiu um Doctor absolutamente brilhante.

Seguem-se quatro episódios isolados até ao grande final. "Night Terrors" relembra-nos "Fear Her" (Temporada 2), mas com um desenvolvimento mais bem conseguido. A ideia por detrás de "Fear Her" era boa, mas tenho-o na memória como um dos episódios mais aborrecidos da série. "Night Terror" não ficando na lista dos melhores superou bastante o anterior. Em "The Girl Who Waited" voltamos, novamente, aos episódios de topo. Porque além da trama ser muito estimulante, existiu um grande foco nas personagens. Adoro os Pond e ver Rory a ter de escolher entre uma versão mais velha da sua mulher e aquela com quem esteve à uns minutos atrás foi de partir o coração. Só é pena que depois de terem acontecido, estes eventos pareçam não ter feito uma mossa tão grande, deviam ser mais abordados na vida dos Companions. Mas são importantes e têm uma função. O Doctor volta a reflectir sobre a sua existência e companhia. A prova é que mesmo que Rory não tenha desistido destas viagens, o Doctor acaba por deixar os Pond após "The God Complex".

"The God Complex" foi mais um evento claustrofóbico, que desta vez mexeu com os maiores receios de todos nós. Além disso a questão do complexo divino também foi bem trabalhada, se inicialmente parecia uma coisa, com o passar do tempo percebemos que o título remete-se mais para o nosso Doctor. Não ficámos a saber qual o maior receio do Doctor, mas algo me diz que era ele próprio.

A química entre o Doctor e Craig já tinha sido bem provada em "The Lodger" (Temporada 5), por isso foi com bastante agrado que recebi novamente a reunião destes dois. A história em si dos Cybermen disse-me pouco. Apesar de clássicos não são dos vilões que mais têm marcado os episódios. Nunca voltaram a ser tão grandes como no épico final da segunda temporada. Mas pela interacção entre o Doctor e Craig o episódio valeu bem a pena. No final ficamos a saber de onde veio o tal chapéu de cowboy.

Por fim chegamos a "The Wedding of River Song" e tudo que Moffat planeou vai-se encaixando. O nome do Doctor tem vindo a tornar-se cada vez maior no Universo e por isso um nome cada vez mais temido. Para alguns povos até a palavra Doctor está associada a Mighty Warrior por sua causa e isso não é de estranhar. Assim ao longo da temporada o Doctor foi voltando àquele estado de dúvida sobre si próprio. Ele já tem demasiados fantasmas que o assombram e por isso não precisa de mais e larga os Pond enquanto é tempo. A companhia deste louco com uma caixa azul pode ser fatal. Por todo o desenvolvimento nesta direcção gostei muito do seu casamento com River Song, em especial aquele momento em que ela lhe mostra as várias respostas que obtiveram do Universo quando pediram para ajudar o Doctor. Ele pode estar a pensar que o Universo não precisa de si, mas o Universo discorda. Sim ele é o louco que viaja numa caixa azul, o louco que dedica a sua vida a salvar os outros, vezes e vezes, sem conta. Que Universo estaria melhor sem ele? Doctor é aquele que ajuda e esse significado ficou bem mais gravado no Universo do que guerreiro.

Tal como Davies, Moffat também gosta de reunir uma série de personagens que passaram pela vida do Doctor, claro que são as personagens das suas temporadas. Pode soar estranho que quando o Doctor se despede dos seus melhores amigos, apenas convide os Pond. Onde está, pelo menos, Martha Jones? Ora bem, deve estar a viver a sua vida. Este é um novo Doctor, que mesmo nunca esquecendo ninguém, acaba por ter de ir seguindo a sua vida, enquanto os outros também. Todos envelhecem e morrem, enquanto ele continua. É claro que isto não deixa de ser uma série e seria extremamente complicado manter sempre todas as personagens a aparecer, mas graças à regeneração do Doctor muita coisa consegue ser renovada na série e fazer sentido, que jogada de mestre. De qualquer das formas foi muito boa a menção a Brigadier Lethbridge-Stewart - um grande amigo do Doctor desde a segunda regeneração - e aos Companions da era Davies. Vale a pena mencionar também a forma como Amy deixou a Madame Kovarian morrer. Nada daquilo acabou por acontecer, mas finalmente vimos a fúria da mãe Amy Pond.

Na 5º temporada, pela primeira vez, não tivemos de nos despedir de ninguém. Nesta sexta o desenrolar dos acontecimentos também não surgiu como um adeus definitico (esta palavra é sempre relativa nesta série), por isso acho que a equipa vai continuar na 7º temporada por mais alguns episódios pelo menos.

Antes de parar de escrever queria ainda mencionar a forma como o 11º não queria morrer. Sendo bastante diferente do 10º são Doctors que se tocam em determinados pontos e outro é nesta vontade de viver. O 9º sempre proclamou o quão grandiosa é a vida, mas sempre teve uma aura mais melancólica em torno da sua pessoa. Uma aura que os outros também carregam, mas que conseguem não mostrar tanto pela razão apontada no início deste parágrafo.

Agora fica no ar a grande questão, aquela que traria o silêncio se fosse proclamada:

DOCTOR WHO?

quarta-feira, fevereiro 12, 2014

Doctor Who - Temporada 5


 
 SPOILERS


Amy Pond: I thought... Well, I started to think you were just a mad man with a box.
The Doctor: Amy Pond, there's something you better understand about me 'cause it's important and one day your life may depend on it: I am definitely a mad man with a box. 

A temporada 5 marca mais uma fase regenerativa, não só do Doctor, como da própria série. Depois de dizermos adeus a Russel T. Davies e a David Tennant, é tempo de abrir os braços para receber Steven Moffat e Matt Smith.

Apesar da tristeza natural de uma despedida, o sentimento de que "Doctor Who" ficaria em boas mãos tornava-nos, ao mesmo tempo, expectantes. Moffat já nos tinha dado alguns dos melhores episódios da série e Smith teve uma entrada triunfal quando surgiu pela primeira vez. São escassos minutos, mas minutos onde Smith nos faz enxugar as lágrimas e sorrir. Cuspindo numa Tardis em chamas e gritando "Geronimo" aí vai ele a cair e nós seguimo-lo.

A mudança no leme da série fez-se logo sentir no primeiro episódio, "The Eleventh Hour", o episódio introdutório ao novo Doctor, mas também à nova Companion, nova Tardis, nova roupa (e sim Laços são altamente), novo tema musical e até novo sonic screwdriver - já agora novos efeitos especiais também. Nesta história podemos encontrar, pelo menos, duas características que já haviam sido vincadas por Steven Moffat nesta série - durante a era de Davies. Ele gosta de explorar as potencialidades das linhas temporais e gosta de nos mostrar um Doctor com uma presença imponente. Em relação à primeira atente-se, por exemplo, às semelhanças entre a história do Doctor e da Amelia Pond com a do Doctor e da Reinette em "The Gir in the Fireplace" (Temporada 2). Em relação à segunda é claro que a forma como o Doctor se apresenta aos seus adversários do planeta Atraxi nos recorda a que havia feito aos Vashta Nerada em "Forest of the Dead" (Temporada 4).

Independentemente disso tudo a relação que nasce entre o Doctor e Amelia Pond neste "The Eleventh Hour" é absolutamente deslumbrante e digna de figurar entre as mais belas histórias de encantar (se estas puderem ter sci-fi, monstros e afins). Como é que estas raparigas podem conseguir não ficar encantadas com esta personagem que surgiu nos seus momentos de maior aflição para as salvar? É impossível. Posso afirmar já que terminada a temporada este continua a ser o episódio que mais me marcou e um daqueles que merece figurar na lista dos melhores da série.

Todos os Doctors são diferentes e, principalmente, por isso faz sentido que todos tenham o seu predilecto, aquele por quem nutrem maior empatia. Mas independentemente disso há que dar o mérito à série de ter conseguido criar sempre Doctors fascinantes (restringindo-me à série de 2005) cujo actor foi tremendamente bem escolhido. Matt Smith logo no primeiro episódio dele prova-nos isto tudo que estou a dizer, ele é "o" Doctor e um dos melhores. Smith acaba por ser também o Doctor mais novo na história da série e isso vai além do físico. Estamos a falar de uma personagem com cerca de 900 anos, mas que neste corpo mais juvenil acaba por trazer um certo espírito infantil e destrambelhado aos episódios, mantendo, ao mesmo tempo toda aquela experiência de vida. Smith consegue captar todas estas nuances maravilhosamente. Obviamente que se nota também neste Doctor muita coisa de Moffat, para começar no humor. Estamos a falar do criador da hilariante "Coupling" e, de facto, há aqui falas divertídissimas. Outro aspecto que achei curioso é que como o Doctor é um génio - com uma mente que trabalha a mil à hora -, por vezes o Moffat retrata-o de uma forma que me faz lembrar o seu Sherlock na série da BBC, até a forma como determinados planos nos mostram uma qualquer dedução remetem para a série mencionada.

Aliado à ruiva, que esperou por ele desde criança, o Doctor continua assim as suas aventuras em "The Beast Below", episódio onde tivemos de tudo um pouco: o excelente humor, uma trama misteriosa e uma resolução cheia de bons sentimentos. Um episódio tão bom que peca por no final se esquecerem que aquela baleia parece alimentar-se de humanos e isso foi um problema que ficou por resolver. Tudo bem não é claro, mas a dada altura afirmam que deitam para a sua boca as pessoas menos produtivas ou os opositores. Vamos ainda a dois episódios e tanto o Doctor como a Companion parecem perfeitos um para o outro e para nós.

"Victory of the Daleks" é menos apelativo, apesar de nos mostrar que o Doctor é amigo de Winston Churchill. Mas mesmo tendo sido dos episódios mais fracos da temporada, há que reconhecer que estes têm sempre graça. Veja-se "The Vampires of Venice", já o vi em listas de piores episódios, mas tem frases tão, mas tão divertidas que não vejo como se pode não gostar dele.

Pelo meio dos dois anteriores ainda tivemos "The Time of Angels" e "Flesh and Stone", uma história que trouxe duas personagens de volta e que foram criadas por Moffat: River Song e os Weeping Angels. Sobre os Angels, não esperava um "Blink 2" e felizmente não o tivemos. Moffat deu a conhecer um pouco mais as criaturase teve a sufocante ideia de colocar um weeping angel escondido numa gruta rodeado de outras estátuas. Posteriormente saberíamos que não era bem assim, mas essa componente narrativa foi bem planificada e trouxe novamente um dos episódios mais sufocantes. Os Weeping Angels são exímios nisso.

Agora concentremo-nos em River Song. A ideia de ter uma personagem importante na vida do Doctor (estou cada vez mais convencido que é a sua mulher) a encontrar-se com ele em diferentes momentos do tempo (de cada um) é genial. Para ser ainda mais interessante seria engraçado ter diferentes versões do Doctor a encontra-la e não só uma. Por isso Moffat aproveitou para introduzir a personagem com o David Tennant, que acabaria por ser a primeira vez que o Doctor a conheceu e, consequentemente, a última. Agora a personagem volta a surgir e interagir com Matt Smith, mas espero que  não seja este o Doctor que ela conheceu primeiro, seria ainda mais giro se houvesse pelo menos mais uma versão, por exemplo, a 12º com Peter Capaldi. Mas isso o futuro o dirá.

Nestes episódios ficamos a saber que River está presa porque matou um dos melhores homens do Universo. Terá sido o Doctor? Será ela a causadora da sua próxima regeneração? O storytelling de Moffat é realmente empolgante, ele atira-nos uma série de possibilidades à face e é impossível não querer devorar os episódios. Infelizmente no final é que nem tudo é resolvido da melhor forma, mas já lá vamos. Outro aspecto a salientar é que Moffat parece mais interessado em criar novos vilões, ao invés de ir beber à mitologia antiga para os eventos principais.


No final dos anjos quando Pond e o Doctor se encontram no quarto dela, na véspera do seu casamento com Rory, temos um daqueles momentos que nos provam o quanto ele não é humano. Como é que ele conseguiu resistir aos encantos de Miss Amy Pond? Só mesmo sendo um ser extraterrestre. É a partir daqui que Rory se junta ao gang, uma adição que tem especial ênfase em "Amy's Choice" que se trata de mais uma peça exemplar de um episódio de "Doctor Who". Repleto de mistério é um episódio que nos coloca a distinguir entre sonho e realidade, aproveitando para desenvolver melhor estes novos companions e também este novo Doctor. O final foi soberbo e até tivemos direito a vislumbrar o lado negro do Doctor de uma forma que nunca tínhamos visto antes. Este é um ponto que a série parece não querer esquecer, ou seja, o facto de que há um lado perigoso dentro do salvador do Universo e que isso pode ser o seu pior inimigo.

"The Hungry Earth" e "Cold Blood" trouxeram-nos os Homo Reptilia, criaturas que evoluiram a partir dos répteis e se encontram a viver debaixo da Terra. Um episódio que podia ter marcado a diferença no Tempo, criando um tratado entre os Homo Sapiens e os Homo Reptilia mais cedo, mas que acabou por ser involuntariamente sabotado por uma humana. Foi um episíódio que se aventurou muito no lado da fantasia, mas que me parece ter resultado. Ainda que não se destaque entre os melhores, valeria sempre a pena pela forte componente sociológica. No final tivemos a morte de Rory que se sacrifica pelo Doctor. Aqui como já sabia que ele iria aparecer no futuro, não temi pelo rapaz, cuja quimica é cada vez maior na série.

Depois, antes do grande final, tivemos "Vincent and The Doctor" e "The Lodger", que se destacam também entre os favoritos da temporada (não, da série toda). Existem vários géneros de episódios nesta série e a interacção com personalidades históricas é um clássico. Vincent Van Gogh ficará registado como uma das personalidades que mais marcou o universo de Who, aquele final com ele a vislumbrar admirado o sucesso que terá no futuro foi mesmo muito poderoso. Como não gostar deste trio de aventureiros?

"The Lodger" deixou Amy um pouco de lado (e em perigo) e focou-se mais no Doctor cujas aventuras foram dignas de uma sitcom ao estilo de "Terceiro Calhau a Contar do Sol". Divertídissimo episódio e o mistério em questão, do qual esperava pouco, até foi bem engraçado.

Por fim chegamos à conclusão daquilo que começou a ser revelado em "The Eleventh Hour". Ao longo de toda a temporada a racha que vislumbramos no quarto de Amy foi ficando cada vez mais vísivel. Por vezes o seu poder até eliminava pessoas da existência, era como se estas nunca tivessem nascido sendo esquecidas por todos. Este tenebroso poder foi crescendo, bem como referências à caixa de Pandorica e à destruição da Tardis. Tudo planeado para despoletar no episódio duplo: "The Pandorica Opens" e "The Big Bang".

Russel T. Davies era conhecido por criar finais de temporada épicos. Em cada temporada ele elevava mais a fasquia acabando por colocar os heróis num canto. A única forma de estes se salvarem e ao Universo, por norma, envolvia um acontecimento quase divino. Apesar de o estilo ser tão diferente entre Davies e Moffat, o segundo acabou por se aproximar do primeiro na parte do "colocar os heróis num canto". Também Moffat criou uma situação estimulante mas muito dificil de o Doctor superar. De forma a dar a vitória aos heróis, ele não introduziu compenentes divinas, mas mexeu com aquilo de que mais gosta, o Tempo. Infelizmente isso não me convenceu. Já sabemos que aqui o tempo não é linear, que acontecimentos como os que ocorreram em "Blink" podem acontecer. Contundo, quando o Doctor é salvo da prisão porque uma versão sua do futuro o ajuda, parece batota por parte de Moffat. Ele não pode recorrer sempre a este mecanismo, soa a repetitivo e, neste caso, tirou poder ao episódio. Foi um golpe fácil e não esperava isso dele, até porque Moffat sabe trabalhar bem os seus enredos, aquele momento em que vemos o Doctor ir ter com Amy no episódio dos Weeping Angels foi um dos momentos mais formidáveis do episódio. Também adorei que os vilões do Doctor formassem uma aliança, algo nunca visto até aqui, mas que se compreende tendo em conta que toda a existência está em jogo. Ainda assim porque não matar o Doctor em vez de o prender?

Quantoa o resto, é normal que os acontecimentos sejam grandiosos, que seja necessário um Big Bang 2 para salvar o mundo e que Amy não esqueça o Doctor para ele não ficar fora desta nova criação. Tudo isto é "Doctor Who" e faz parte deste majestoso épico de fantasia. Quem diria que a vida de Pond estavam tão ligada a toda a temporada? E como não adorar o Rory de plástico que vestido de centurião romano vigiou Amy durante 2000 anos?

A ameaça nesta season finale foi digna de ser equiparada com qualquer uma das de Davies. Contudo, Moffat gosta de complicar mais as coisas e isso pode ser muito interessante. Claro que para complicar é preciso trazer resoluções à altura e apesar de a história fluir muito depressa, de uma forma geral acho que o espectador preenche aquilo que lhe falta. O meu maior problema foi mesmo aquele já mencionado. Moffat não pode recorrer sempre ao mesmo truque. De resto nem tudo foi resolvido, ainda há mistérios por decifrar, mas isso agora é para a próxima temporada.

No geral, adorei a temporada, contudo se já contava com as qualidades de Moffat, agora enquanto showrunner, também lhe começo a detectar os defeitos, que todos temos - Davies também tinha os seus. Estamos claramente perante uma direcção diferente, mas uma igualmente estimulante. Venha a 6º temporada e:

GERONIMO!!!!!