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quinta-feira, fevereiro 27, 2014

Doctor Who: Film (1996)



SPOILERS

 I love humans. Always seeing patterns in things that aren't there.
The Doctor

Após a série "Doctor Who" ter terminado em 1989 existiu uma tentativa em a revitalizar anterior à de Russel T. Davies que começou em 2005. Falo do filme de 1996 com Paul McGann como o 8º Doctor. Este filme foi uma co-produção entre a BBC Worldwide, a Universal Studios, a 20th Century Fox e a  American network Fox. O produtor Philip Segal tinha bastante interesse na possibilidade de fazer regressar esta personagem numa série que seria produzida pela Fox (a única a mostrar interesse), mas a produtora só aceitou, primeiro, na realização deste telefilme. Nesse sentido este filme serviria como uma espécie de piloto, que se obtivesse resultados favoráveis daria inicio a mais uma série e nova fase do Doctor. Como já se sabe, não teve o êxito desejado e acabou por não dar em nada. Mas, curiosamente, o 8º Doctor acabaria por ser um triunfo bastante grande.

Se não estou em erro este é o primeiro produto televisivo de "Doctor Who" a ser filmado fora do Reino Unido. E quase que era o primeiro a ter um Doctor cuja nacionalidade não fosse inglesa. Tom Hanks, Harrison Ford e Jim Carrey foram nomes que recusaram, por exemplo. Hanks recusou por ser grande fã da série original e achar que não devia ser um americano a interpretar este papel. Ford por sua vez não queria trabalhar em televisão e Carrey achou que seria odiado pelos fãs porque não conhecia a série. Foram mesmo muitos os nomes que poderiam ter preenchido este papel, mas a escolha recaiu sobre Paul McGann, a escolha mais feliz em todas as relacionadas com este projecto, diga-se de passagem. A título de curiosidade, Christopher Eccleston foi convidado para ser o 8º Doctor, mas recusou. Alguns anos mais tarde regressaria na pele do 9º.

Se o objectivo deste filme era conseguir o regresso da série, então há que dizer que as opções em torno da sua história foram más. Em 2005 quando Davies trouxe "Doctor Who" de volta, ele não nos inundou no piloto com a mitologia da série. Ele foi apresentando-a ao longo dos episódios de uma forma que entusiasmasse os fãs antigos mas que introduzisse os novos também. Ora no filme realizado por Geoffrey Sax, tal não acontece. Existem os óbvios piscares de olho ao passado que são muito bons e podem estar lá à vontade, contudo, quando falamos de referências que envolvem directamente a narrativa então o caso complica se estamos a ter em conta espectadores que estão a entrar neste universo pela primeira vez. Começar o episódio com a sentença do Master pelos Daleks e com uma regeneração é muito giro para quem via a série, mas para novos espectadores duvido. Mesmo eu que vi a série antiga considerei algumas opções estranhas, como o facto do Eye of Harmony só poder ser aberto por olhos humanos. Ora isso está relacionado com uma acção do 6º Doctor, ou seja, quem não sabe vai apenas achar uma opção tola. Como este existem outros exemplos, por exemplo, como é que o Master sobrevive naquele estado? Até acho que isto só foi explicado em noutros formatos posteriormente e não na série. Aliás como este filme foi mantido na mitologia em outras histórias do Doctor (noutros formatos) alguns dos seus acontecimentos foram explicados e de certa forma corrigidos.

Tendo em conta isto, não surge como surpresa que o filme tenha ficado aquém das expectativas quando estreou na América e que tenha obtido resultados bem melhores no Reino Unido. Mas talvez tenha sido pelo melhor, talvez uma produção americana de "Doctor Who" não tivesse corrido tão bem. É verdade que houve um grande esforço por parte de Philip Segal para manter o filme coerente dentro da mitologia. Até o 7º Doctor foi convidado para entrar no início do filme mostrando a sua regeneração no 8º. Mas mesmo assim alguém teve a ideia de inventar que o Doctor é meio-humano. Posteriormente isto foi desmentido numa história em BD, mas não deixa de se notar que foi uma daquelas situações em que tentaram arranjar a melhor desculpa possível para se esquecer esta opção - que na altura foi propositada.

Em relação ao filme a sua história decorre durante a passagem de ano de 1999, capturando assim a atmosfera do novo milénio que se aproxima. Depois do Master ter esgotado as suas regenerações foi julgado e exterminado pelos Daleks. Como último pedido quis que os seus restos mortais fossem enviados para Gallifrey pelo Doctor. O 7º Doctor acede ao pedido, mas parece que as várias alterações que o Master fez ao seu corpo o alteraram (isto não é explicado no filme) e parte de si sobreviveu possuindo, posteriormente, um humano (Eric Roberts). Contudo, parece que o corpo humano não é capaz de manter o Master e começa a degradar-se, algo que foi muito pouco focado no filme porque o Roberts não quis usar a maquilhagem necessária por dar muito trabalho....pois... (que porcaria).

Quanto ao Doctor acaba por perder a vida devido a uma série de acidentes. O 7º Doctor é conhecido por ser um grande mestre de planos e aqui acabou por ser alvejado ao sair descontraídamente da Tardis, purodescuido e azar do destino. Há uma forte ironia nesta situação. Posteriormente, morre na mesa de operações porque o operam achando que é um humano e não sabendo que tinha dois corações fizeram asneira. Aqui temos outro momento muito estranho, o Doctor parece regenerar depois de ter morrido... Engraçado que depois o 8º também morreria sendo reanimado pela irmandade de Karn para se poder regenerar.

A história não é muito apelativa e dificilmente estimularia novos espectadores. O final também deixa bastante a desejar. Mas há uma coisa que o filme faz muito bem e que por isso a sua visualização vale bem a pena: a criação do 8º Doctor. Paul McGann entra muito bem no papel e facilmente se imagina uma série de aventuras televisivas lideradas por ele. Há carisma, diversão e até sedução. Tenho ideia que este é poderá ser o Doctor mais romântico de todos. Talvez isso tenha sido uma alteração vinda da América, pois este Doctor não perde tempo a fazer uma coisa que as suas versões anteriores não faziam, beijar as Companions. Claro que McGann teve pouco tempo de antena para desenvolver mais o seu Doctor, mas este deixa sem dúvida uma forte marca. Gosto particularmente da cena em que saca da arma a um polícia e para este fazer o que ele quer aponta a arma não a ele, mas a si próprio ameaçando alvejar-se. O pacifismo do Doctor em grande estilo.

Para quem só viu a nova série é uma oportunidade também de ver um Doctor que não tem o peso da Time War nos ombros - ainda. O 8º evoca partes de futuras versões, sendo bastante eléctrico e excêntrico, mas sem aquele peso, aquela aura que se fazia sentir muito quando Davies trouxe o Doctor de volta. Aqui é interessante ver o 8º Doctor no mini-episódio "The Night of The Doctor", onde este já viveu durante a Time War e as evolução da personagem é bem notória. Em livros e audios existem muitas histórias que mostram essas mudanças no Doctor causadas pela guerra (nunca li nem ouvi nenhuma).

Curiosamente, apesar de o 8º Doctor ser o que menos apareceu em TV, foi o que mais apareceu noutros formatos. Isto ocorre porque o 8º é a encarnação desde 1996 até  2005. O que também contribuiu muito para esta situação foi o facto de as produções Big Finish não poderem utilizar prévios Doctors, então todo o material que publicaram foi com o 8º. O próprio McGann teve um papel activo participando em vários audiobooks.

Contudo, em relação a este material o facto de ser canon ou não manteve-se em dúvida. Até porque houve decisões, pelo menos no filme, que não eram grande espingarda para a série. Em 2005 com o regresso de "Doctor Who" à TV, ficou claro que o 8º Doctor foi sempre considerado como oficial. Não sei se esta opção foi feita porque as várias aventuras do 8º eram boas demais para serem esquecidas, ou se foi pelo simples facto de McGann ter sido um Doctor merecedor de tal lembrança. Em 2013 quando Moffat o trouxe de volta a sua autenticidade perante a mitologia ainda ficou mais forte. É que o 8º é um Doctor muito interessante, não só porque foi das versões que viveu mais, mas porque apanha o início da Time War. No fundo são as suas acções que dão origem à criação do War Doctor e, posteriormente, ao seu envolvimento na guerra terminando-a.

A Tardis está bem diferente da versão que a conheço. A sala de controlo está mobilada o que a faz parecer mais um lar e lhe dá um ambiente algo steampunk. Vemos também, tanto no ínicio, como no fim, o Doctor a ler "The Time Machine" de H.G. Wells. Gostei deste toque, se o Doctor conhece tanto do nosso mundo artísitco, teria de tirar algum tempo para ler os nossos livros, admirar os nossos quadros e por aí fora. Apesar de o Doctor que conheço ser por norma uma pulga eléctrica,a sua 7º versão (pelo menos) parece mais calma, talvez pelo peso da idade.

Antes de terminar queria só referir que neste filme vemos que a regeneração pode causar amnésia temporária o que me remete para o que acontece no final de "The Time of The Doctor" quando aparece Peter Capaldi.

segunda-feira, fevereiro 24, 2014

Doctor Who: The Day of The Doctor (50th anniversary)



SPOILERS

Clara sometimes asks me if I dream. "Of course I dream," I tell her, "Everybody dreams". "But what do you dream about?" she'll ask. "The same thing everybody dreams about," I tell her, "I dream about where I'm going." She always laughs at that. "But you're not going anywhere, you're just wandering about". That's not true. Not anymore. I have a new destination. My journey is the same as yours, the same as anyone's. It's taken me so many years, so many lifetimes, but, at last, I know where I'm going, where I've always been going: Home, the long way 'round.
The Doctor


The Night of The Doctor

Neste mini-episódio temos uma surpresa maravilhosa. Paul McGann regressa como 8º Doctor para nos mostrar os seus últimos instantes, fazendo a passagem para o Doctor misterioso de John Hurt. Logo no início percebemos que o 8º Doctor tem estado afastado dos conflitos da "Time War" entre os Time Lords e os Daleks, continuando a ajudar aqueles que pode ao longo do Universo. Contudo, o facto de ser um Time Lord tem-lhe causado problemas, as pessoas já não confiam mais nele, temendo-o. Isto é importante para mostrar que neste momento os povos temem os Time Lords como temem os Daleks e que a grande Time War poderá destruir todo o Universo se não for terminada. Isto é muito importante para justificar as acções futuras do Doctor.

Outra surpresa é que o Doctor acaba por morrer ao tentar salvar uma mulher de nome Cass. Como ela recusou o salvamento acabaram os dois por se despenhar em Karn (o Doctor devia ter-se protegido na Tardis). Claro que tudo aqui parece ser obra do destino uma vez que se despenhou no planeta da Sisterhood of Karn, um grupo de mulheres que o reanimam temporariamente na esperança de que o Doctor aceite regenerar-se para terminar esta guerra. O nome Doctor é uma promessa e por isso é muito complicado para esta personagem entrar numa guerra, quando ele vive segundo o lema de que a violência gera violência. Mas tendo razão, será que se pode viver sempre sob o manto do pacifismo? Como se termina uma guerra como a Time War? Nesse momento de desespero o Doctor aceita regenerar-se de forma controlada, ou seja, a irmandade de Karn consegue criar poções que irão dar o corpo que ao Doctor mais convém. Colocando uma pausa no seu título o 8º escolhe o corpo de um guerreiro, aquele que participu na guerra, aquele que a terminou e por isso mesmo tem o seu nome esquecido da grande história desta personagem. O Doctor sem número, o War Doctor.

Existe ainda um outro mini-episódio - "The Last Day" - que nos mostra o início da batalha que levaria à queda de Arcadia.


The Day of The Doctor

Em "The Day of The Doctor" vemos o regresso de mais uns míticos vilões de Doctor Who, os Zygons (que antes apenas haviam aparecido num episódio). O mais interessante destas criaturas é a sua capacidade de assumirem a forma de outros seres vivos. Num ataque à Terra que envolve duas linhas temporais a história dos Zygons acaba por ligar o 10º e o 11º Doctor em termos narrativos. Mas a sua junção fisica ocorre por causa do War Doctor e do momento em que este decide terminar a guerra de uma vez por todas.O cerne do episódio é esse preciso momento em que o Doctor terminou a Time War.

Para terminar a guerra o War Doctor chega à conclusão que a única forma de o fazer é aniquilando Gallifrey juntamente com os Daleks. Para isso rouba "The Moment" uma arma de destruição massiva capaz de engolir galáxias. Mas devido aos seus poderes devastadores esta arma desenvolveu uma consciência que através de um interface comunica com o seu utilizador (tecnologia Time Lord). Desta forma "The Moment" assume uma figura do futuro do Doctor (achando ser do passado) para lhe mostrar o futuro após o momento em que destruiu o seu planeta de origem. Este interface é, nada mais nada menos, do que Rose Tyler quando absorve o Time Vortex, ou seja, Bad Wolf. Pensava mesmo que Rose iria aparecer no episódio, mas acho que esta foi a melhor forma de trazer Billie Piper. Rose teve um final feliz e está em outro Universo, os assuntos deste já não lhe dizem respeito. Como Donna não se pode lembrar ou Amy que já morreu, todos têm um fim, todos menos o Doctor.

Desta forma "The Moment", com uma facilidade necessária para a narrativa, junta os Doctors em vários momentos, nomeadamente no momento decisivo da Time War, evento que supostamente estava bloqueado. Mas antes de chegar aí vale a pena mencionar as aventuras que os três Doctors tiveram na Terra contra os Zygons. O episódio foi muito revivalista, algo que se notou logo com a introdução original. Este revivalismo foi muito bem desenvolvido, há uma série de referências ao passado da série que são muito bem introduzidas ao longo da aventura. E tivemos finalmente revelado mais sobre o passado entre o Doctor e a rainha Elizabeth I. A interacção entre os três Doctors é fabulosa e John Hurt assenta que nem uma luva no papel, não nos fazendo questionar a sua identidade.

Moffat gosta de mexer muito com a mitologia de Doctor Who. Ele criou um segundo Big Bang fazendo um enorme reset ao Universo; ele meteu os Silence a manipular os humanos (sabe Deus desde quando); ele criou o momento em que o Doctor morre, colocando um vilão e, posteriormente, uma companion a fazerem parte da linha temporal do Doctor. Ele gosta de grandes mudanças e desta vez trouxe-nos um novo Doctor que estraga os números, uma vez que Tennant será sempre o 10º e Smith o 11º. Para isso fazer sentido este Doctor teve um papel ingrato e por isso não é, supostamente, digno de usar o título do Doctor. Não sei se Eccleston tem aceitado regressar, se não seria ele próprio o War Doctor, não havendo necessidade para o resto. O 9º Doctor seria o único que eu vejo a encaixar neste papel, uma vez que é o que mais se assemelha a um soldado, um guerreiro. Talvez o argumento sofresse algumas alterações, o Eccleston não é de facto o War Doctor aqui descrito, ou talvez, a personagem do John Hurt sempre surgisse e Eclleston apenas seria mais um Doctor nesta grande mistela. De qualquer das formas, aqui acho que Moffat conseguiu criar algo inovador, interessante e estimulante. O War Doctor funciona. Já agora andava a imaginar um Sonic Screwdriver com a luz vermelha por isso quando vi o do War Doctor fiquei em extâse. Vermelho tinha de ser a sua cor.

Curioso que desde a fase de John Hurt que o Doctor tem vindo a ficar mais novo e, ao mesmo tempo, vindo a recuperar a vontade em viver. Talvez por esse conjunto de factores o 10º e o 11º sejam tão juvenis comparado com o War Doctor que apesar de mais novo parece bem mais velho. A guerra faz isto às pessoas. Seria era interessante ter o 9º Doctor a fazer a transição entre estes Doctor's.

No final, os três Doctors conseguem salvar a Terra (apesar de não sabermos como) e também Gallifrey. Em vez de destruirem o planeta dos Time Lords (com todos os seus inocentes) os Doctors decidem remover o planeta para um outro Universo, onde ficará perdido, mas vivo. Ao fazê-lo as hordas de Daleks irão destruir-se umas às outras (o que também justifica mais facilmente porque tantos Daleks sobreviveram). Afinal no momento mais negro da vida do Doctor ele conseguiu na mesma ir por outro caminho. Claro que para isso foram precisos todos os 13 Doctors. Sim! 13! O cameo de Peter Capaldi é mais um momento de puro fascínio neste episódio. Agora também o War Doctor faz parte deste panteão honroso, mesmo que não o venha a recordar. os Doctor's não são 11, mas sim 12 (isto vai ser caótico). A utilização de filmagens antigas para se sentir a presença de todos os Doctor's foi muito bem conseguida e conseguiu comemorar de uma forma única e especial estes 50 anos de "Doctor Who". A finalizar tivemos o cameo de Tom Baker o 4º Doctor que aqui parece regressar ao papel de Doctor, mas a qual? Talvez a um de um futuro muito distante. Um momento certamente ainda mais emocionante para os seguidores da série antiga.

Chega assim ao final o grande dia do Doctor e com ele a promessa de uma Gallifrey algures perdida. Temos aqui também o mote para a próxima temporada, a busca do Doctor pela sua casa e isso é muito aliciante.

Porém, houve uma parte em particular que me deixou com alguma pena. Falo dos acontecimentos de "End of Time". O concelho que decorre nesse episódio chefiado por Rassilon é mencionado neste especial para nos mostrar que não foi esquecido, contudo, não seria importante referir que os Time Lord esboçavam um plano para aniquilar toda a existência como foi mencionado em "End of Time"? Se nos basearmos apenas em "The Day of The Doctor" o sentimento de destruição do Universo é sentido, mas apenas como o resultado da continuada batalha entre dois povos. Em "End of Time" era claro que o presidente dos Time Lords se tinha passado ainda mais da cabeça e por esta altura o War Doctor já teria conhecimento destes planos uma vez que o 10º tinha (caso contrário nem mencionaria isto). Na altura até tinha ficado com a impressão que os Time Lords não tinham sido mortos mas presos no tempo, que o Doctor teria feito isso em vez de os matar, mas parece que fiz confusão com o facto de a gerra estar time locked. Também a profecia de que o Doctor os pararia poderia ser mencionada. Ou não era sabida por todos? De qualquer das formas esse lado negro dos Time Lords foi esquecido e reforçava a necessidade da acção do Doctor. Uma acção que afinal ele nunca tomou. Suponho que estes eventos decorram um pouco ao mesmo tempo que os "The End of Time", caso contrário esse ataque poderia nunca ocorrer e assim sendo o 10º Doctor não teria morrido. Com isto não quero deixar de salientar todo o trabalho que Moffat teve a escrever isto, a forma como interligou os acontecimentos e conseguiu construir uma peça monumental de História para esta série. Os meus sinceros parabéns Steven Moffat és um dos maiores.

Inicialmente (em 2005) o Doctor é-nos apresentado como um sobrevivente da guerra, um que teve de sacrificar o seu povo para salvar o Universo. Com o 10º Doctor essas razões foram mais aprofundadas, de certa forma, justificando-as ainda mais. Agora Moffat tirou-lhe esse peso da consciência. O Doctor conseguiu, mais uma vez, não derramar sangue (se não contarmos com os Daleks). É, novamente, uma decisão que mexe muito com a mitologia, afinal a destruição do seu povo fez parte do que era este novo Doctor. Mas acho que as coisas foram feitas com muita dedicação e cuidado (salvo o apontamento atrás) e a possibilidade de ter os Time Lords de volta é muito boa. O Doctor mais do que um herói é aquele que prometeu não ser cruel, não fazer sofrer e sempre ajudar. Não sei se será sempre possível, mas enquanto ele conseguir que seja esse herói, esse Doctor que cura o Universo vezes e vezes sem conta.