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terça-feira, novembro 19, 2013

2001: A Space Odyssey (1968) - O Regresso aos Cinemas



Cada vez mais se sente que as sessões clássicas no "UCI El Corte Inglês" vieram para ficar. Uma iniciativa que abriu as hostes com "Taxi Driver" e que continuou com "Lawrence of Arabia" e "From Here to Eternity". A preocupação na escolha dos títulos continua a mostrar-se cuidada, a encerrar o ano temos agora a estreia desse filme tão grande como a vida que é "2001 A Space Odyssey" e mais perto do Natal podem já marcar nas agendas o regresso de "Casablanca".

Vi este filme pela primeira vez em casa em DVD, tal como a maioria da minha geração. Posteriormente, vi-o na "Casa da Música" com a banda sonora tocada ao vivo pela orquestra do Porto, sem dúvida alguma uma visualização muito especial. Kubrick era um perfeccionista em todas as vertentes do processo de realizar um filme e a banda sonora não era excepção. Quem conhece o filme, sabe bem o quanto estas composições musicais fazem parte da estrutura do mesmo, da sua alma. Haverá início cinematográfico mais épico que este ao som de "Also Sprach Zarathustra" de Richard Strauss? Existe outro filme que conseguiu captar um bailado no espaço como o que vislumbramos aqui ao som de "An der schönen blauen Donau" de Johann Strauss? E o que dizer da perturbante "Requiem" de Ligeti que nos assombra ao longo da narrativa?

Se em termos musicais dificilmente voltarei a ter uma melhor experiência do que esta, em termos visuais não era o caso. Por isso desta vez não ia perder a oportunidade de ver "2001" numa sala de cinema (trata-se de uma versão restaurada digitalmente). Agora sim a imersão no espaço foi muito mais profunda, há determinadas cenas em que ganham um poder inegavelmente maior. "2001" é um filme para ser vivido numa sala de cinema, caso haja oportunidade, por isso esta é uma experiência imperdível para todos os apaixonados por Cinema.

São várias as virtudes de "2001", estamos a falar de um filme que marcou e até mudou o Cinema. Segundo João Lopes "2001" e "The Birds" de Hitchcock foram os filmes da década de 60 mais importantes no que toca aos avanços dos efeitos especiais. Nuno Galopim, outro dos apresentadores desta sessão de ante-estreia, também chamou muito bem a atenção para o facto de nunca antes, nem nunca depois, o cinema e a literatura de ficção-científica terem estado tão próximos como neste momento. Uma vez que estamos a falar de um filme escrito por Kubrick e Arthur C. Clark e que viria a dar origem num livro também.

(Spoilers)

Apesar de estarmos perante um filme que explora temáticas como a da existência humana, não deixo de achar curioso que a personagem mais bem desenvolvida em todo o filme seja um robô. "2001" pode ser tudo, mas não é um filme de actores, onde determinada interpretação nos tenha impressionado em particular. De facto este é talvez o ponto mais criticado do filme, a falta de uma maior caracterização de personagens e que levam a acusações de o realizador ser demasiado frio e cerebral. Há verdade nestas afirmações, "2001" não é esse tipo de filme, nem tem de ser. Contudo, considero mesmo que existe uma personagem muito bem construida e interpretada (pela voz de Douglas Rain) que é o Hal 9000. Curiosamente acaba por ser a personagem mais humana do filme, aquele momento final em que Dave está a desligar Hal é dos momentos que mais me arrepia a ver o filme, aquele "I'm afraid Dave" diz tudo.

(Fim de Spoilers)

No final acabei por conversar com amigos sobre a resposta Russa ao "2001", o "Solyaris" de Andrei Tarkovsky. Quis salientar este filme no texto porque não deixa de ser interessante reparar que a grande virtude do filme Russo reside precisamente no foco dado às personagens, estando longe da imponência visual de "2001". Apesar de um filme lembrar sempre o outro, estamos perante duas obras ímpares e muito distintas do Cinema em geral e da ficção-científica em particular.

A quem tiver a oportunidade, não a perca, certamente não dará o tempo por perdido. Não há nada como ver um filme destes no formato para o qual foi pensado e criado.

terça-feira, fevereiro 08, 2011

2001 A Space Odyssey - Na Casa da Música


E porque um blog também serve para meter nojo aos outros, não podia deixar passar despercebido o concerto que decorreu na casa da música no passado Sábado dia 30 de Janeiro.

A ideia parte do maestro Enrico Marconi, que após a visualização de uma cópia restaurada do filme, achou que seria uma excelente ideiatocar a sua banda sonora ao vivo enquanto o filme é projectado. E que belíssima ideia.

A qualidade do som era maior do que a da imagem obviamente, afinal estamos na casa da música. Mas viu-se bem sem falhas e é sempre uma oportunidade de ver o filme projectado numa tela maior que a TV lá de casa.

Quanto à orquestra do Porto sob a batuta de Marconi, estive deslumbrante. Todos os músicos estão de parabéns. Ouvir as sinfonias que compõem 2001 ao vivo e enquanto o filme passa é um privilégio que nunca esquecerei.
A magnífica "Assim Falou Zaratustra" de Richard Strauss (que compôs esta sinfonia e o álbum em questão, inspirando-se na obra de Nietzsche com o mesmo nome) foi a 2º vez que ouvi ao vivo, também na casa da música. O ano passado houve um concerto dedicado a cinema com excertos de filmes, todos musicais, como o "Singing in the Rain", salvo a excepção deste tema de Strauss escolhido para abrir o espectáculo.

As sinfonias tocadas foram:

- Atmosphères de György Ligeti;
- Assim Falou Zaratustra de Richard Strauss;
- No belo danúbio Azul de Johann Strauss II;
- Adagio de Gayaneh de Aram Khatchaturian.

Estou a ficar viciado neste tipo de iniciativas, já o "Star Wars in Concert" tinha sido algo de bestial.
Mas estejam atentos à programação da casa da música, costuma haver umas belas surpresas e aquela acústica é invejável.