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sexta-feira, maio 09, 2014

arròsnegre


O fanzine, se não estou em erro, é uma abreviação de fanatic magazine, ou seja, é um magazine feito por fãs. Por questões óbvias o fanzine tem muitas vezes um invólucro físico mais "pobre", uma vez que não tem nenhuma editora por trás a investir. Contudo, quem tem contacto com este universo sabe bem que isto não é uma regra, existem fanzines cuja edição pode ser equiparada a qualquer uma profissional. Tal é o caso deste arròsnegre cuja impressão e design são realmente estupendos. Mas sobre fanzines, muito mais especialista do que eu é o Geraldes Lino e certamente no seu blog encontrarão toda a informação disponível sobre os nossos.

Até agora existem 4 publicações desta revista, que conheci a partir das duas últimas edições. Todas elas são temáticas previligiando uma cor em particular. A terceira é amarela e sobre o povo Árabe - tendo como mote o provérbio: "só se atiram pedras em árvores carregadas de frutas". Já a quarta debruça-se sobre a república espanhola, previligiando o tom roxo.

No conteúdo podem contar com banda desenhada, ilustração e contos em prosa. São vários os colaboradores e mostram que há muito talento jovem por Espanha. Se quiserem saber mais sobre este projecto natural de Valência, consultem a página oficial aqui, lá encontrarão também informação sobre a aquisição destes livros. A distribuição destes prrojectos costuma ser sempre o "Calcanhar de Aquiles", mas graças à internet as coisas foram facilitadas, por isso é de aproveitar.

Quantoa  mim, gostei do que vi, acho que arròsnegre tem muito potencial para continuar a interessar e deixou-me bem curioso em conhecer os dois primeiros volumes.

quarta-feira, fevereiro 12, 2014

WC – Wonderful Choice


A iniciar o ano editorial a MMMNNNRRRG apresenta-nos “W.C. – Wonderful Choise”, o segundo livro de Marriette Tosel. Para conhecerem melhor este novo trabalho de Tosel, espreitem o texto que escrevi para a Rua de Baixo aqui.

As fotos foram retiradas do blog da "Chili com Carne".



quinta-feira, abril 04, 2013

Beating



Se não sou um especialista a falar de Banda Desenhada, muito menos serei a falar de ilustração. Sou apenas um apaixonados pelos trabalhos e como fã de Tommi Musturi não queria deixar passar despercebida a sua mais recente edição "Beating" da qual falei na "Rua de Baixo".

Trata-se de um livro de 128 páginas que compila vários trabalhos de ilustração do autor entre 2003 até 2013. A edição é da Huuda Huuda e da La 5e Couche, com o apoio da Bries e da MMMNNNRRRG.

Tudo isto encontra-se reunido numa bela edição em capa dura e laminada, de 243x336mm, mas fica o aviso de que houve uma tiragem de apenas 50 exemplares para Portugal e, o mais certo, é vir a esgotar bem depressa. Pode-se encomendar aqui (de salientar que quem for sócio - ou se fizer - da Chilli com Carne tem 50% de desconto).

Para lerem o meu texto sobre "Beating" cliquem aqui.

Claro que não há nada melhor do que ver algumas das ilustrações no site do autor ou da MMMNNNRRR algumas das quais coloco aqui. E já agora numa espécie de "Onde está o Wally", alguém encontra o Samuel?



 







terça-feira, janeiro 22, 2013

O Livro da Selva


Estou no final de 2008 a ler "The Graveyard Book" de Neil Gaiman, uma divertida história sobre um rapaz criado por fantasmas e educado por um vampiro e uma lobisomem. Trata-se de uma clara homenagem ao clássico de Rudyard Kipling, "The Jungle Book". Acho que é Gaiman que diz no posfácio do livro, que "O Livro da Selva" é um daqueles livros que todas as crianças deviam ler. Infelizmente, não foi o meu caso, em miúdo lia maioritariamente, ou quase exclusivamente BD, e a maioria destes clássicos passou-me ao lado. Decidi instantaneamente em corrigir isso, no que toca à obra de Kipling. Olho agora para a data do post que fiz na altura e vejo que já se passaram quatro anos, foi uma resolução que se foi atrasando, mas, felizmente, que não foi esquecida.

Li a edição da Tinta da China, pertencente a uma colecção que já tinha mencionado aqui. são edições bastante bonitas e cuidadas, que contam todas com ilustrações. Até à data penso já a ter completado.

Logo ao abrir o livro, apercebo-me de duas coisas que desconhecia, a primeira é de que "O Livro da Selva" não se trata de uma história, mas antes de vários contos. Além disso, os contos não se prendem todos com as aventuras de Mogli, pois este só está presente em cerca de metade do livro, logo nos três primeiros contos.

A história de Mogli é amplamente conhecida, onde para isso muito contribuiu a versão animada de Walt Disney. As aventuras de um rapaz adoptado pela selva espalharam-se pelo mundo fazendo sonhar tanto miúdos como graúdos. Penso que será justo dizer que Mogli é uma clara fonte de inspiração para "Tarzan" de  Edgar Rice Burroughs, entre muitas outras obras.


Kipling começa por contar-nos a origem do bebé indiano que foi abandonado pelos pais após um ataque do terrível tigre coxo, Shere Khan. Graças à protecção de dois lobos e à intervenção do pantera Baguera e do urso Balu, Mogli seria salvo e posteriormente aceite pela alcateia Seeonee liderada por Akela. A fim de pertencer, ficaria a cargo da família de lobos que o encontrou e teria como mentores Balu e Baguera, que rapidamente se tornaram como irmãos.A sua entrada e posterior saída da alcateia são o foco deste primeiro conto que salta até aos 10 anos de idade de Mogli.

No segundo conto, volta-se atràs no tempo para contar o fatídico episódio em que Mogli foi raptado pelos lunáticos macacos e que contou com a introdução de mais um temível personagem, o cobra Kaa. Para a terceira e última a ventura, ficou guardado o iminente confronto entre Mogli e Shere Khan, que decorre após o final do primeiro conte. Nesta aventura o rapaz irá contar com a ajuda preciosa do seu irmão mais velho e de Akela. Neste último conto, o título foi retirado do famoso poema "The Tyger" de William Blake.


É claro ao chegarmos ao final desta narrativa, que existem mais aventuras de Mogli, é citado pelo próprio autor que a jovem criança irá casar no futuro, mas que essa é uma história para adultos. E de facto existe um "Livro da Selva 2" que traz mais peripécias de Mogli, outra descoberta, outra resolução. Espero que desta vez não passem mais quatro anos até lhe pôr a vista em cima.

É uma história especial a de Mogli, a aventura de um rapaz humano que encheu de amor os corações de uma família de lobos e dos seus dois protectores. Haverá animais mais fantásticos na ficção que Baguera, Balu e Akela?

Além de Mogli, seguem-se mais quatro contos. Começamos pela odisseia de Kotick, uma foca branca que procura por um paraíso para as focas, um local aonde nenhum Homem chegue. De seguida temos a célebre batalha numa casa-de-banho de Rikki-Tikki-Tavi, um mangusto irrequieto e corajoso, que protegerá um jardim e uma família dos terríveis ataques de duas cobras. Em "Toomai dos elefantes" o protagonismo regressa às crianças humanas, onde Toomai uma miúdo de 10 anos irá assistir a algo que poucos homens viram na sua vida, a lendária "dança dos elefantes". Por fim, temos ainda uma conversa animada entre vários animais pertencentes a um campo militar onde todos discutem sobre os seus respectivos papéis na batalha.

Em relação ao conto de Kotick, nota-se que o tradutor se trocou algumas vezes com o nome da mãe deste foca, ora chamando-lhe Matkah (o correcto), ora chamando-lhe Maktah. Com nomes destes, é fácil trocarmos-nos em algumas letras.


Todos os contos são precedidos e terminados por fantásticos versos, que mostram que os dotes do autor vão além da prosa. No final é impossível ficar indiferente a estes contos tão inspiradores e divertidos, onde a Índia - país em que o autor viveu os primeiros cinco anos de vida - teve um papel essencial para a sua existência. Há lições de moral a tirar de cada um, o que me faz reforçar a frase citada acima, "O Livro da Selva" devia ser lido por todas as crianças.

A título de curiosidade, foi um livro usado para inspirar o grupo de escuteiros dos Lobitos, onde o lobo Akela assumiu um papel preponderante, tornando-se o nome adoptado pelo líder do grupo.

Para as ilustrações, a editora foi buscar os trabalhos do alemão Kurt Wiese, um conhecido e aclamado ilustrador. Wiese chegou a ser prisoneiro dos ingleses durante cinco anos durante a 1º guerra mundial. Foi durante esse tempo que o contacto com a vida animal o voltaria a inspirar para desenhar. Além do "Livro da Selva", Wiese ilustrou também a história de "Bambi" e das "20.000 léguas submarinas", entre tantas outras.