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terça-feira, julho 16, 2013

quarta-feira, março 14, 2012

Shame


Steve McQueen estreou-se com "Hunger" protagonizado por Michael Fassbender. Filme após o qual ambos saltaram para a ribalta. Mesmo que Fassbender já tivesse chamado a atenção no cinema, lembro-me dele em "300", foi com "Hunger" que se apresentou ao mundo como um dos melhores actores da sua geração.
Três anos depois, entre os quais nos brindou com mais algumas grandes personagens, Fassbender volta a juntar forças com McQueen, dupla esta que volta a reforçar a fé depositada neles anteriormente.

Depois de "Shame" não haverá dúvidas (se é que alguma vez houve além dos membros da academia de Hollywood) de que Michael Fassbender é um portento de actor. A forma como se entrega ao seu Brandon, como se revela "nú" face à câmara, e não falo de tirar a roupa, será certamente um dos melhores momentos de representação do ano. Porque "Shame" nunca seria metade do filme que é sem um protagonista capaz de nos dar um Brandon como Fassbender deu.

Não é de admirar portanto que McQueen já tenha planos para um terceiro filme, novamente com Fassbender, porque sempre me ensinaram que em equipa vencedora não se mexe. É bom ver uma dupla destas com tamanha química em cinema surgir.


"Shame" debruça-se sobre a vida de Brandon, particularmente sobre o seu vício pelo sexo. Seja através de prostitutas, pornografia ou engates de uma noite, Brandon tem uma necessidade compulsiva em relação ao sexo, uma necessidade que, como qualquer outra, precisa de ser satisfeita. Quando a sua irmã Sissy (Carey Mulligan), que ele tem vindo a ignorar, lhe surge em casa para passar uns dias com ele, toda a sua rotina, organizada de forma tão metódica, é abalada. À superfície é um encontro entre caos e ordem. Pior, a irmã liga-o a uma vida que ele quer esquecer, esconder debaixo do tapete e que nunca nos é revelada.

O vício de Brandon é como um buraco sem fundo, uma fome à qual se entrega dia após dia sem nunca a conseguir saciar. A sua vida no âmago é vazia, mesmo no sexo, não existe qualquer tipo de intimidade além da óbvia. Na única relação que tem no filme, ao começar a sentir uma breve brisa da realidade, deixa automaticamente de funcionar. Brandon pode ter uma mulher todas as noites, mas, sente-se inevitavelmente condenado à solidão. A vergonha em relação à sua vida e tão explícita no título é a dele.

A cena em que termina a noite com duas mulheres, após o confronto com a irmã, é de uma intensidade aterradora. Aquele grande plano na sua face foi um dos momentos mais trágicos a que assisti e a ousadia de toda a cena para a mostrar só valoriza mais o trabalho de McQueen.


A carreira de Carey Mulligan está também em ascensão, ainda há pouco a vimos em "Drive" e o seu próximo projecto é já no promissor "The Great Gatsby" de Baz Luhrmann. Neste filme a sua presença não passa despercebida. Se a início a sua personagem parece tão distante da do irmão com o tempo vemos que ambos partilham sérios problemas emocionais. Também Sissy tem uma necessidade que nunca consegue saciar que se manifesta numa enorme dependência pelos outros, algo que nunca acaba bem. Como será ver a nosso própria irmã humilhar-se perante terceiros? Brandon sabe bem que se há coisa que não é sensual, é o desespero.

Há ainda duas personagens cruciais neste filme. Uma é a cidade de Nova Iorque, onde aparentemente as práticas sexuais nas grandes vitrinas desta metrópole são actualmente práticas de culto, a outra é a banda sonora. A composição principal de Harry Escott e que já podia ter sido ouvida no trailer é arrebatadora, simplesmente perfeita na forma como ajuda a criar a atmosfera do filme e se torna parte dela.

segunda-feira, novembro 07, 2011

Hunger


Já era tempo de riscar Hunger da lista, um dos filmes mais falados dos últimos tempos.

Trata-se do primeiro filme de Steve McQueen e conta com Michael Fassbender no papel principal.
Não é todos os dias que se assiste ao nascimento de uma dupla realizador/actor tão promissora. Sei que ainda é cedo para tal afirmação, mas após assistir a este filme e sabendo que além de terem terminado mais um (Shame, igualmente promissor) já se encontram a planear um terceiro, existe o sentimento no ar de que temos dupla.
Resta-me esperar que daqui a uns anos pensemos neles como num Wong Kar-Way/Tony Leung, Martin Scorsece/Robert de Niro e agora Leonardo di Caprio, Tim Burton/Johnny Depp, entre tantos outros. Seria um óptimo sinal se assim fosse.

O tema central do filme tal como o próprio título o indica é a fome, mais particularmente a greve de fome levada a cabo por vários presidiários membros do IRA e que foi iniciada por Bobby Sands (Michael Fassbender) a fim de todos recuperarem o seu status político, recuperando assim determinados previlégios que haviam perdido e aos quais têm direito segundo a convenção de Genebra.



Antes desta greve de fome existiram outros protestos levados a cabo pelos mesmos, inclusivé outra greve de fome, mas uma que acabaria por falhar. O filme introduz-nos a esta situação ao mesmo tempo que Davey Gillen (Brian Milligan) o mais recente membro do IRA chega à prisão, ou seja, enquanto está a decorrer o famoso protesto da sujidade, onde todos os presidiários desta causa sujam as paredes de fezes e deitam a sua urina pela porta para os corredores. Um protesto duro mas também condenado a falhar.

Apesar de a história se centrar nas acções de Sands, este só surge em cena vários minutos após o início do filme. Até lá é através de Gillen e do guarda Raymond Lohan (Stuart Graham) que conhecemos o funcionamento da prisão.
Salvo a excepção de algumas curtas cenas com Raymond Lohan todo o filme decorre sempre no mesmo espaço, o da prisão. Talvez a ideia disto seja a de nos sentirmos também presos àquele espaço sempre descrito através de imagens que não poupam na crueza daquele ambiente (ainda bem que este filme não é em 4-D).



O filme é dotado também de poucos e curtos diálogos, salvo a excepção da grande conversa entre Bobby Sands e o padre Dominic Moran (Liam Cunningham). Tal como os diálogos também a mudança de planos é curta. Veja-se precisamente esta cena, durante toda a conversa entre os dois a câmara mantêm-se imóvel mostrando-os sentados numa mesa a fumar enquanto discutem. No fim a câmara foca-se primeiro em Sands durante o seu monólogo final e termina focada no padre para nos mostrar o seu silêncio inconfortável, onde nem uma palavra é pronunciada, porque depois daquele monólogo já não há nada a dizer.

A última meia hora do filme, referente à greve de fome, é de uma intensidade enorme e mostra-nos mais uma vez que Fassbender é sem dúvida alguma um nome a reter.
Um filme cru, intenso e sem meias medidas para atingir o seu objectivo.

E agora depois da fome, anseio pela vergonha.

sábado, novembro 05, 2011

Shame - Trailer


Após a brutalidade de Hunger, Steve McQueen e Michael Fassbender voltam a unir forças neste Shame. Novamente o título a surgir de forma cru e sem piedade providenciando-nos o mote do filme.

Pelo trabalho da dupla em Hunger, aliado ao aspecto maravilhoso deste trailer, Shame entrou directamente para a minha lista de filmes mais aguardados do ano.