quinta-feira, novembro 11, 2010

Shaman Warrior Vol. 1

Já há algum tempo que queria conhecer o estilo de Banda Desenhada que dá pelo nome de Manhwa, por isso quando me deparei com este “Shaman Warrior”, de Park Joong-Ki, não hesitei e trouxe para casa o 1º volume. Manhwa está para a Coreia como Manga para o Japão. Pelo que percebi, tanto Manhwa como Manga são termos gerais para designar BD nos seus países de origem, fora deles é que ficaram associados especificamente a BD coreana e japonesa respectivamente.
Manhwa apresenta um traço muito similar ao do Manga. Algo que notei ser diferente é por exemplo a forma de desenhar as faces. O nariz e os olhos são bastante distintos dos típicos desenhados em Manga. A leitura também é diferente, pois é feita como no Ocidente, ou seja, da esquerda para a direita. Isto acontece porque o hangul é tipicamente escrito nesse sentido. Curiosamente aqui, tal como acontece frequentemente em Manga, também se mantém a tradição de desenhar alguns personagens que há primeira vista não sabemos se são homens ou mulheres.
Neste primeiro volume seguimos os personagens, Yarong, um Shaman Warrior (guerreiro com poderes especiais), e Batou o seu discípulo, que se deslocaram até uma taverna na fronteira de Kugai. Logo a inicio são atacados por um vasto grupo de combatentes e a partir daqui o que nos espera é um festival de pancada que dura praticamente até ao final do livro tendo apenas um capítulo que consiste num flashback e onde se conta um pouco sobre quem são Yarong e Batu e qual a razão de estarem ali. Ficamos também a conhecer Yaki a filha de Yarong, ainda bebé, mas que no final do livro se percebe que será uma personagem central nesta trama.
Grande parte deste volume 1, como disse consiste em porrada, a história desenvolve-se muito pouco e não posso neste momento tecer grandes comentários sobre ela, posso apenas dizer que no final torna-se mais intrigante e deu-me vontade de a continuar a descobrir. A arte é muito boa e quanto às cenas de luta o autor consegue dotá-las de uma grande velocidade e dinamismo, que irão certamente agradar aos fãs do género. Pecam no entanto, na minha opinião, por alguma censura. Não digo que todas estas histórias devam seguir o caminho de um “Blade of the Immortal” onde as cenas de luta não têm problemas em mostrar membros esquartejados e grandes quantidades de sangue a borrifar as páginas, mas logo no início de “Shaman Warrior” temos uma cena de decapitação que é tapada por um balão a expressar o som. Pessoalmente se não queriam mostrar uma cabeça a ser cortada eu optaria por mudar a cena, mas nunca tapá-la. Claro que isto é apenas um pequeno pormenor que tem a ver com o meu gosto pessoal, nada que arruíne a leitura.
Nesta edição, da Dark Horse, gostei da ideia de colocarem no final de cada capítulo uma página que nos mostra os esboços iniciais de vários personagens de “Shaman Warrior”. É muito engraçado ver como evoluíram desde essa altura.

terça-feira, novembro 09, 2010

Scott Pilgrim em Portugal





















“Scott Pilgrim” de Bryan Lee O'Malley começou por ser editado em 2010 e rapidamente se tornou um fenómeno. O sucesso foi tal que uma adaptação ao grande ecrã era inevitável e foi feita ainda antes da BD estar terminada.

Felizmente surgiu em Portugal uma nova editora, a Booksmile, que decidiu apostar em “Scott Pilgrim” lançando os dois primeiros volumes: “Na Boa Vida” e “Contra o Mundo” em português e que já se encontram disponíveis desde 4 de Novembro.

É sempre bom ver editoras a apostar em BD por cá e penso que esta edição chega em muito boa hora uma vez que graças ao filme muitas pessoas estão a conhecer este personagem e, espero eu, talvez se venham a interessar por conhecê-lo no universo da BD.

Quanto ao filme a sua estreia está cada vez mais próxima, pois será no dia 8 de Dezembro. Porém para aqueles que sentem não poder esperar mais, aproveitem neste Sábado para ir à antestreia do filme no Estoril Film Festival.



Deixo-vos uma sinopse da obra retirada da press release do lançamento:
"Scott Pilgrim tem 23 anos e está feliz com a vida pacífica que leva. Divide os dias entre o ócio do desemprego voluntário e os ensaios da banda de rock, os Sex Bob-Omb.
Namora com Knives Chau, uma chinesa de apenas 17 anos, facto que preocupa do seus amigos sobretudo quanto às intenções futuras de Scott para com uma rapariga tão nova.
No entanto, a rotina diária dividida entre consolas, a banda e o tempo dedicado à preguiça, vai sofrer um abalo sísmico provocado. A culpada é Ramona Flowers, uma norte-americana recém-chegada ao Canadá, a única estafeta da Amazon na região.

Dois encontros breves foram o suficiente para Pilgrim se apaixonar. Um dia decide fazer uma encomenda pela internet e fica à espera da amada. Ramona gosta de Scott e os dois começam a sair. A história poderia acabar aqui e ter um final feliz. Mas não.
O passado de Ramona vai assombrar a relação. Scott vai ter de lutar contra sete ex-namorados maléficos caso queira continuar a sair com ela. Cada um irá desafiar o herói para uma luta.
É este o universo de Scott Pilgrim. Uma mistura de elementos de videojogos, manga, filmes de kung fu, música e cinema, que se une às questões do amor jovem e do início da vida adulta."
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...


Alberto Caeiro em "O Guardador de Rebanhos"

sexta-feira, novembro 05, 2010

The Social Network

A semana passada em conversa com um amigo o nome deste filme surgiu, o “Filme do Facebook” como se tem tornado mais conhecido. Ele não demonstrava grande interesse nele, mas quando atirei o nome de David Fincher para a mesa os seus olhos brilharam num pequeno instante, o interesse, tão rápido como o premir de um gatilho, tinha nascido.
Com isto não pretendo menosprezar o tema que tem muito valor, quero apenas salientar que Fincher conquistou tal reputação e admiração, que se quisesse filmar sobre a plantação de nabos o filme iria suscitar interesse na mesma.
Como todos sabem, esta é a história do nascimento daquela que é hoje em dia a rede social mais popular a nível mundial, o Facebook, seguindo o seu criador Mark Zuckerberg muito bem interpretado por Jesse Eisenberg que lhe providencia uma aura de “génio anti-social” nas medidas certas.
Saí do filme a questionar-me em que pé estaria a Humanidade se não existissem as mulheres. Sem contar obviamente com a questão biológica pois sem elas não havia humanidade e centrando-me apenas nas grandes invenções ou mesmo obras de arte criadas pelos homens. Será que existiriam, sem uma mulher para as incentivar? Não que a capacidade não esteja lá na mesma, mas sem uma mulher para as ver, porquê darmo-nos ao trabalho? O Facebook tal como muitas ideias acaba por nascer em parte, também, por causa de uma mulher, neste caso, da necessidade que Mark Zuckerberg tinha em vencer e impressioná-la. Aliado a isto está claro outra necessidade, a de que Zuckerberg tinha em ser aceite por clubes sociais e não falo dos digitais. Em Portugal a vida académica funciona de forma bastante diferente, mas graças aos filmes Americanos temos algumas ideias de como alguns destes clubes universitários funcionam.
É um regresso em grande deste realizador que se está a tornar um cronista dos nossos tempos, primeiro com “Fight Club” e agora, de uma forma mais realista, com “The Social Network”. A construção do argumento de Aaron Sorkin (que faz um curto cameo) adaptado do livro "The Accidental Billionaires" de Ben Mezrich e a edição a cargo de Kirk Baxter e Angus Wall são impecáveis que dotaram o filme de uma grande dinâmica alternando entre as relações pessoais de Zuckerberg durante a criação do Facebook e os processos de tribunal que sofreu anos mais tarde devido a essas mesmas relações. A música de Trent Reznor e Atticus Ross também está longe de passar despercebida, o som industrial que pauta o filme é de realçar, muito bom.
Acho que o elenco também foi muito bem escolhido, já elogiei acima Eisenberg e de resto nunca me pareceu que alguém tenha destoado do seu papel. Andrew Garfield que descobri em “The Imaginarium of Dr. Parnassus” está muito bem no papel do melhor amigo de Zuckerber, Eduardo Saverin o co-criador do Facebook e que é peça fulcral na carga mais dramática do filme a sua relação com a de Zuckerber (e vai ser o novo Homem-Aranha, espectáculo). Armie Hammer também tem grande presença a interpretar os gémeos Cameron e Tyler Winklevoss. Já agora Tyler foi interpretado por Josh Pence do pescoço para baixo durante todo o filme, no entanto Armie Hammer por ser o mais parecido nas feições teve a sua cara a substituir a de Pence digitalmente. Por fim temos Justin Timberlake na pele de Sean Parker o criador do Napster. Vi-o recentemente em “Alpha Dog” e também gostei bastante da sua prestação além do mais há que adorar ver um músico como é Timberlake a gozar com a indústria musical neste filme.
É curioso, ou talvez não, que os filmes deste género têm sempre algo em comum. Quando alguém começa a tornar-se muito famoso e a receber quantidades exorbitantes de dinheiro, as relações de amizade vão, infelizmente, para as urtigas e estou a falar de filmes baseados em histórias verídicas.
Como é que o Facebook se tornou a rede social mais popular na Internet? Mais importante como é que ainda consegue manter esse estatuto? E como modificou a vida dos seus criadores e a de uma geração inteira? Não me alongando mais, fica a sugestão para irem conhecer a história do bilionário mais jovem do planeta e descobrirem as respostas ou o mais próximo que estaremos delas. Na minha opinião um dos grandes deste ano.

quinta-feira, novembro 04, 2010

O Estranho Caso do Dr. Jekyll e do Sr. Hyde


Existem livros que se tornam marcos na literatura mundial, aplaudidos ou pelo público ou pela crítica ou até pelos dois. Alguns destes tornam-se conhecidos em todo o mundo outros nem por isso, o que não quer dizer necessariamente que uns sejam melhores que outros, existem obras-primas nos dois campos. No entanto por alguma razão em particular há livros que são do conhecimento público, mesmo antes de serem lidos. Tal é o caso de obras como “Guerra e Paz” ou “Crime e Castigo”. Todos sabem da sua existência e muitos até quem são os autores, mas será do conhecimento geral as suas histórias? Os seus personagens? Conhecerá a maioria das pessoas que não os leu que o primeiro decorre nas guerras napoleónicas e qual é o crime e o castigo de Raskolnikov no segundo? No geral, penso que não.

Aqui há então uma clara divisão entre livros conhecidos e histórias ou personagens conhecidas. Mesmo quem não leu “Romeu e Julieta” sabe quem são estes dois e o triste fado que os espera, o mesmo para os “Três Mosqueteiros”. É verdade que muitos pensam que Frankenstein é o “monstro” sendo na verdade o cientista, mas ainda assim conhecem a história do homem que criou vida a partir de vários cadáveres. “Drácula” é outro caso e até não fazendo qualquer ideia de como se desenrola a história de “Dorian Gray” muitos saberão que um quadro envelhece no seu lugar, mas em menor escala que os acima referidos. É neste patamar que acredito que se encontra também o clássico de Robert Louis Stevenson, “O Estranho Caso de Dr. Jekyll e do Sr. Hyde” editado em 1886. Stevenson que é também o autor do não menos conhecido, “A Ilha do Tesouro”.
Considero que isto acontece porque os livros atrás mencionados sofreram inúmeras adaptações (nem sempre fiéis ao original). Desde adaptações ao teatro, ao cinema ou mesmo desenhos animados. Só deste livro em particular há 123 filmes. Com uma exposição em tantos meios diferentes é normal que o conhecimento delas seja vasto, são histórias que se tornaram parte do nosso meio cultural.

Este é um dos casos em que é uma pena sabermos tanto antes de ler o livro. Ao já conhecermos a ligação entre Jekyll e Hyde perdemos o mistério que lhe é inerente, ou seja, a tentativa de descobrir o que une o doutor respeitado Henry Jekyll a uma figura horripilante que dá pelo nome de Edward Hyde. Nisto tive pena, gostava de ter experienciado ler o livro sem este conhecimento, tentar descobrir por mim o que se passava, mas não foi nem será a última vez que tal acontece. Felizmente a história é sólida e muito boa, não vive apenas de uma descoberta, está muito bem desenvolvida e a sua temática é interessante, pois mais do que um mistério é um estudo sobre a dualidade do ser humano, em como uma pessoa é boa e má ao mesmo tempo.

Ao contrário da maior parte das adaptações a história não é contada do ponto de vista de Jekyll ou Hyde, nem assim deveria ser. A personagem que seguimos ao longo da história é Gabriel John Utterson (esquecido em várias adaptações), um advogado e velho amigo do Dr. Jekyll.
Tudo começa quando Utterson tem conhecimento, a partir do seu amigo Enfield, da descrição de um estranho homem que dá pelo nome de Edward Hyde. Baixo como um anão e de feições horrendas apesar de nunca ninguém as conseguir descrever muito bem, Hyde é tido em conta como uma pessoa sem escrúpulos e que liberta uma aura de incrível malevolência. O que desperta particular atenção ao advogado é a ligação que este Hyde tem ao seu grande amigo Dr. Jekyll, pois é o herdeiro de toda a fortuna do doutor e como é que duas criaturas tão díspares são agora tão próximas é um mistério que Utterson se sente compelido a desvendar, não vá o seu pobre amigo estar a ser vítima de chantagem.

Como referi acima o tema desta obra é o da dualidade entre o bem e o mal que existe dentro de todos nós. Este é o tema da pesquisa do Dr. Jekyll que se restringiu apenas a esta dualidade mas tendo consciência de como o ser humano tem várias camadas. O interesse do doutor neste assunto prende-se com o facto de mesmo sendo uma pessoa na sua maioria integra e respeitada, tem um lado negro que não consegue suprimir. O autor nunca nos revela quais são estas necessidades que tanto envergonham o personagem, quem sabe se trate da recorrência a prostitutas ou de relações homossexuais, afinal estamos em pelo séc XIX numa Londres Victoriana onde tais actos eram condenados (e nalguns locais, infelizmente, ainda são). Ou até algo realmente cruel, a verdade é que nunca saberemos.
O problema em negar e tentar esconder as nossas tentações debaixo de um tapete mental nem sempre resultam da melhor forma. Por vezes escondidos no inconsciente esses sentimentos ganham forças e um dia assaltam-nos de surpresa. Stevenson desenvolve esta ideia de uma forma mais drástica e irreal que é extremamente aliciante e assustadora.

terça-feira, novembro 02, 2010

Las Serpientes Ciegas

"Las Serpientes Ciegas" viria a nascer da vontade que Bartolomé Seguí (desenhador e ilustrador) tinha em desenhar uma história que se desenrolasse durante a guerra civil espanhola mas também numa Nova Iorque dos anos 30. Tendo dito isto a Felipe Hernández Cava (autor de BD, guionista para TV, crítico de arte e director editorial), este começou a orquestrar a trama que juntasse estes elementos. Inicialmente, Seguí, pediu a Gabi Beltrán para coloriar a BD, mas eventualmente acabaria por ser o próprio a fazê-lo.
A história começa em 1939 com a chegada de um adversário a Nova Iorque. Conta-nos que se encontra ali porque está em busca de um homem chamado Ben Koch. No entanto nunca nos revela o seu nome e qual a razão da sua perseguição. Encontra-se muito bem vestido, envergando um fato e um chapéu, vermelhos. Será este homem um detective da policia ou um investigador contratado por terceiros? Independentemente da resposta o que podemos concluir é que este misterioso homem não se preocupa em chamar a atenção, nem tem particular pressa em encontrar o seu alvo, instalando-se confortávelmente na pensão de um amigo de Koch e esperando que este venha até si enquanto conhece a cidade.
Em paralelo conhecemos a história do perseguido, Ben Koch, que curiosamente também se encontra em busca de alguém, Curtis Rusciano. A História de Ben vai alternando entre o presente e o passado, de modo a nos dar a conhecer qual a relação entre Ben e Curtis, como ambos se conheceram num grupo comunista em 1936 em Nova Iorque e como se voltaram a encontrar em Barcelona quando Ben foi combater na guerra civil espanhola.
Este foi o primeiro trabalho que conheci de ambos os autores e fiquei muito bem impressionado.
O argumento de Felipe Hernández Cava está muito bem construído, dividindo a história em 7 capitulos cada um com 8 páginas. A história surge-nos a início como um thriller policial e tal como um bom detective, há medida que a vamos descobrindo, cada vez mais mergulhamos numa outra temática, a das ideologias politicas de cada um e como podem ser perigosas quando levadas ao extremo.
A arte de Bartolomé Seguí também não fica nada atrás na qual reconheço influências de Miguelanxo Prado. Adorei o seu retrato de Nova Iorque para o qual usou como referência as fotografias de Berenice Abbott. Pelo que descobri sobre o autor costuma dedicar-se mais ao preto e branco aventurando-se aqui por um caminho menos comum ao ter decidido colori-la. Percebe-se perfeitamente o porquê da escolha pois é uma BD que ganha muito simbolismo na cor e ainda bem que o autor decidiu fazê-lo pois o resultado é espantoso.

Foi uma obra que não passou despercebida em Espanha tendo arrecadado vários prémios em 2009 e tendo sido também considerada em França como uma das melhores 15 BD´s em 2008.
Comprei-o o ano passado quando passei por Madrid. Gosto sempre de procurar pela BD de um país quando o estou a visitar. Claro que em certos locais a língua dificulta ou impossibilita a leitura, mas felizmente o castelhano não é um problema.

domingo, outubro 31, 2010

sexta-feira, outubro 29, 2010

Bande À Parte


“Bande À Parte” consiste na adaptação cinematográfica da obra “Fools' Gold”, da autora Dolores Hitchens, pela visão de Jean Luc Godard. O filme é também uma homenagem do realizador aos policiais dos anos 40.
Esta é a história do trio Odile (Anna Karina), Arthur (Claude Brasseur) e Franz (Sami Frey). No início Franz fala a Arthur sobre uma bela mulher, Odile, que conheceu e que esta lhe contou sobre um tal Sr. Stolz, hópede da sua tia Victoria, e da enorme quantidade de dinheiro que esconde num armário sem qualquer tipo de protecção. Movidos pela ganância de um golpe fácil (e pela atracção à mulher) vão conhecê-la numa aula de inglês que ela e Franz costumam frequentar.
Apesar de contar tudo a estes dois sobre o dinheiro Odile teima em dizer que não concorda com o assalto, no entanto, mantém contacto com eles e acabar por ir alinhando nas suas intenções, facto que poderá ter a influência de esta se ter apaixonado por Arhur, o que incomoda gravemente Franz que é um grande apaixonado seu. Se juntarmos dois homens a uma bela mulher teremos quase sempre o clássico triângulo amoroso e aqui não é excepção.
O filme data de 1964 e faz parte do movimento Nouvelle Vague no Cinema, movimento este que assumiu grande importância na formação de Godard como cineasta.
Em qualquer lado que se fale deste filme há três cenas em particular que serão garantidamente mencionadas pois tornaram-se clássicas para a história deste género. Três cenas que têm vida para além do filme e que influenciaram e influenciam cineastas ao longo dos anos.
A primeira, talvez a minha predilecta, ocorre quando o trio se encontra num café. Franz discute como um minuto de silêncio pode durar uma eternidade e diz para experimentarem. Quando começam todo o som do filme é retirado e mergulhamos numa eternidade de silêncio que curiosamente acaba por ter só 36 segundos, pois Franz interrompe a situação farto.
Logo a seguir Odile pede a Arthur para dançar e rapidamente se lhes junta Franz. Apenas os três no centro de um café a dançar ao som de música. Uma cena lindíssima que influenciou Quentin Tarantino na cena de dança entre entre John Travolta e Uma Thurman em “Pulp Fiction” entre outras.
Por fim temos a cena do museu Louvre. A fim de quebrarem o recorde da visita mais rápida a este museu, os três correm desalmadamente pelos corredores do museu.
A química entre os três actores principais resulta muito bem, mas os maiores louros vão para Anna Karina. A doçura e inocência de Odile conquistam qualquer um. Um papel maravilhoso desta actriz que na altura era a mulher e musa de Godard.

quarta-feira, outubro 27, 2010

Despertar


"Despertar" consiste na minha primeira aventura pelos contos da Banda Desenhada. A história é da minha autoria e o desenho pertence ao Rui Alex, a quem eu muito agradeço por ter dado vida às minhas palavras, foi uma experiência que gostei muito.
A BD tem quatro páginas e pode ser encontrada na revista "Zona Negra 2", dedicada ao terror.
A revista terá lançamento neste Sábado às 17:00 no Amadora BD. Eu estarei por lá.

segunda-feira, outubro 25, 2010

As Crónicas de Gelo e Fogo: A Fúria dos Reis + O Despertar da Magia


















“A Fúria dos Reis” e “O Despertar da Magia” são respectivamente o 3º e 4º volume, nas edições da saída de emergência, das “Crónicas de Gelo e Fogo” do autor George R.R. Martin. Na edição original trata-se do 2º volume “A Clash of Kings”.

Quando falei dos outros dois volumes aqui, expliquei em que consiste a obra e por isso não me vou repetir sobre isso. Também vou falar de acontecimentos que ocorreram nos volumes anteriores, por isso não é aconselhado ler este post a quem os desconhece.

Este volume continua a desenvolver a guerra civil que está a ocorrer nos sete reinos de Westeros e que teve a sua origem nos volumes anteriores.
Quando antes havia apenas um Rei, agora são quatro os homens a proclamarem este título. Joffrey Barantheon o suposto primogénito do falecido Rei Robert Baratheon, que governa na fortaleza vermelha. Joffrey seria supostamente o herdeiro por direito, mas como Eddard descobriu antes da sua morte, é filho da união entre Cersei e o seu irmão gémeo, Jaime Lannister bem como todos os seus filhos. Assim sendo o herdeiro de direito é Stannis Barantheon o irmão mais velho a seguir a Robert. Stannis que sabe da verdade sobre a descendência de Robert auto-proclama-se Rei também e apesar de estar no seu direito praticamente toda a gente desconhece este segredo, o que dificulta o apoio de Stannis.
Para complicar o seu irmão mais novo, Renly Barantheon também se auto-proclama Rei. Uma grande diferença entre Renly e Stannis é que o primeiro é muito mais amado pelo povo e aliado ao poder da casa Tyrell consegue reunir um exército mais imponente que o do irmão.
Por fim temos Robb Stark. Começou por lutar pelo Pai, mas depois da sua morte foi convencido pelos seus senhores a assumir o papel de Rei do Norte e governar estas terras como os seus antepassados tinham feito antes da invasão de Aegon Targaryen.

Em poucas palavras os Sete Reinos encontram-se num enorme caos onde a guerra predomina por quase todo o continente.
No volume anterior estive à espera que Stannis surgisse a dada altura, seria o único a conhecer o temível segredo de Cersei além de Eddard e a sua ajuda bem falta fazia a Ned. Mas tal nunca chegou a ocorrer. Talvez seja por isso que para despachar as apresentações o prólogo de “A Fúria de Reis” seja sobre Stannis aquele que é descrito como justo mas severo, aquele que se fosse Rei acabaria com as casas de prostituição ao contrário do irmão que espalhou bastardos a torto e a direito por essas belas instituições. Neste prólogo ficamos a conhecer Melisandre uma sacerdotisa vermelha, crente no Deus da Luz. Diferentes povos têm diferentes deuses tais como os Stark que rezam a deuses mais antigos. No entanto a crença mais comum nos sete reinos é a dos 7 deuses, 7 expressões diferentes de um mesmo Deus. Esta era também a crença da casa de Stannis até este começar a aceitar os conselhos de Melisandre, convertendo-se assim ao Deus da Luz e destruindo os artefactos dos 7 deuses chocando assim o seu povo seguidor. Esta conversão tem mais de interesse do que de experiência religiosa. Os 7 nunca fizeram nada por Stannis, na sua opinião, pode ser que este Deus da Luz lhe dê finalmente o trono que merece.

A maior parte da história deste volume centra-se nos confrontos em Westeros. Várias batalhas e acima de tudo jogos de guerra atrás dos bastidores são aqui explorados.
Tyrion Lannister chega até à fortaleza vermelha para ser o novo Mão do Rei. Uma mudança muito bem vinda, pois Joffrey é uma desgraça e precisa de alguém com cabeça para parar com o seu reino de parvoíce. Aqui há que admirar Tyrion ele é um Lannister mas não vai pactuar com os erros crassos que a sua família cometeu. Vinga nas suas possibilidades a morte de Eddard Stark, castigando aqueles envolvidos e que o traíram (excepto a sua família claro), e retira a sua cabeça bem como as dos outros dos espigões do castelo. A partir daqui começa a esboçar um plano para se defender de eventuais ataques enquanto descobre em quem pode ou não confiar naquela terrífica fortaleza. O duende como é apelidado domina ao longo de quase todo o livro.
Sansa Stark continua captiva como noiva de Joffrey, sofrendo dos delírios do seu jovem noivo. A sua relação com o Cão da Caça continua a ser explorada aqui e cada vez capta mais o meu interesse.

Com Robb a batalhar no Sul cabe a Bran Star ser o Senhor de Winterfell, recebendo inúmeros convidados que se vêm juntar à causa do irmão. Dos vários convidados surgem Jojen and Meera Reed dois irmão bastante misteriosos. Jojem afirma que tem o dom dos sonhos verdes, sonhos que lhe contam o futuro e parece muito interessado em Bran e nos seus sonhos. Pode ser que a vida ainda reserve uma grande surpresa a Bran que depois de perder a mobilidade nas pernas e o pai não tem estado na melhor fase da sua vida.
Robb aparece muito pouco, sabemos ao longo da história que vai vencendo algumas batalhas e mais nada além disso.

Renly vai avançando lentamente até à fortaleza vermelha angariando mais lutadores pelo caminho e Stannis prepara-se para sair de Pedra do Dragão para atacar.
A união de Stannis com Melisandre vai dar frutos. Não é à toa que o titulo “Despertar da Magia” surge no 2º volume. Para um homem tão conhecido pela sua justiça Stannis acaba por “vender a alma ao diabo” para concretizar os seus fins.

Perdida para muitos anda Arya Stark. Quando assistia à sentença do pai foi apanhada por Yoren, da patrulha da noite que a reconheceu. A fim de a ajudar fá-la passar por rapaz para esta fingir que se aliou a eles e caminha para a muralha. Como a muralha fica a norte de Winterfell Yoren deixá-la-ia em casa ao passarem por lá.
Mas com a guerra os caminhos são duros e muitos perigos esperam-nos. Arya cresce muito neste livro e irá interagir com muitas e diferentes pessoas, tais como, Jaqen H'ghar, um misterioso indivíduo que se destaca por ter metade do cabelo vermelho e outra metade branco.

Por fim ainda é de salientar Theon Greyjoy. Theon era protegido de Eddard Stark há já 10 anos. Na verdade era um refém que Ned trouxe das ilhas de Ferro após a revolta dos Greyjoy a fim de manter a casa Greyjoy nos eixos. Ned sempre tratou muito bem Theon. Nunca lhe faltou conforto, educação, nada. Creceu com os filhos de Ned e desenvolveu uma forte amizade com Robb. Robb e Jon eram aqueles com idade mais próxima de Theon, mas ao contrário de Robb, Jon sempre considerou Theon uma besta ambulante.
Não é de estranhar por isso que Theon tenha combatido a lado de Robb no livro anterior. Neste volume Robb escolhe-o para uma missão mais importante, regressar às Ilhas de Ferro e pedir apoio, em troca permite-lhes usar a coroa como haviam feito antigamente. Theon sendo o primogénito adora a ideia imaginando-se já Rei das ilhas de Ferro. Para sua surpresa o pai não tem intenções de ajudar ninguém e aproveitou esta guerra para reunir todos os seus vassalos a fim de conquistar e reclamar todo o Norte como seu. Deixando Theon com uma difícil decisão para tomar, recusar o pai ou trair Robb.


Na muralha Jon e companhia preparam-se para investigar a floresta assombrada, em busca de todos os patrulheiros desaparecidos. Depois do ataque dos cadáveres no livro anterior o perigo parece ser maior do que imaginavam e o medo cresce entre eles. Há medida que avançam por entre a floresta todos os acampamentos que encontram estão vazios o que agrava as suas preocupações. Esta história avança pouco nestes volumes, no entanto há medida que se desenrola vai-se tornando cada vez melhor. No fim Jon terá de tomar a decisão mais difícil da sua vida até agora.
Acredito que a mudança na história do personagem foi uma excelente escolha e que poderá fazê-lo crescer ainda mais.


Outra história que avança pouco é a de Daenerys Targaryen que se encontra no Este, no continente das chamadas cidades livres. Após a morte de Drogo o seu povo preparava-a para a abandonar, isto até que os dragões nasceram. Dany, agora Rainha dos Dragões, continua assim o seu caminho em busca de ajuda para reconquistar os Sete Reinos.
Com dificuldades segue um estranho cometa vermelho que surgiu no céu, acreditando ser um sinal.
Esse caminho acabará por levá-la a Qarth onde os seus dragões chamam a atenção de várias pessoas. Pode ainda não ser desta que Dany reuniu o seu exército mas as cenas em que aparece valem sempre a pena, de destacar a da casa dos Imorredouros, uma casa de feiticeiros em que Dany terá várias visões.


Concluindo, esta é mais uma grande aventura que sai da mente de George R.R. Martin. Sem dúvida uma das grande sagas da actualidade. Venham os próximos.

domingo, outubro 24, 2010

Parabéns Cebolinha



50 anos de bom humor e de muitas aventuras. Que nunca vá embora como promete acima. Muitos Parabéns Cebolinha.

quarta-feira, outubro 20, 2010

segunda-feira, outubro 18, 2010

Lançamento da Zona Negra 2 no Amadora BD - dia 30 de Outubro



A Zona Negra 2 será lançada dia 30 de Outubro pelas 17 horas, durante o Festival Amadora BD.

Este é o quinto número da Zona, contando com trabalhos de BD, ilustração, cartoon e prosa, incluindo ainda uma entrevista ao autor Manuel Alves, colaborador regular da Zona.

Tal como o nome sugere a temática deste livro está centrada na área do terror. É composto por 96 páginas a preto e branco, fortalecendo assim o ambiente negro do seu conteúdo. A capa é a cores da autoria de Ricardo Reis. Ao todo são 28 autores participantes.

Esta é uma edição mais especial para mim, pois sou um dos autores participantes, graças ao Rui Alex que aceitou desenhar a minha história. O nosso trabalho chama-se "Despertar" e é o meu primeiro conto de BD.

Esta edição marca também o primeiro projecto a ser editado pela "Associação Tentáculo". Para quem quiser saber mais sobre o que trata esta nova associação, consultem o blog aqui.

Blade of the Immortal – Vol. 1: Blood of a Thousand

“Blade of the Immortal” é uma série de manga da autoria de Hiroaki Samura que começou por ser editada em 1994, contando até agora com 26 volumes e continuando a ser editada. O 1º volume editado em inglês pela Dark Horse tem o título de “Blood of a Thousand” e é deste que falo aqui.
A história desenrola-se no Japão em 1782-3, ou seja, durante o Shogunato Tokugawa, e conta a história do samurai imortal Manji.
Num curto início e através de flashbacks conhecemos um pouco do passado de Manji e ficamos a saber que se tornou conhecido como sendo responsável pela morte de cerca de 100 samurais. Muitas dessas mortes foram ordenadas a mando do Lorde Horii, Manji acreditava estar do lado correcto mas quando descobriu na monstruosidade dos seus actos e como tantos inocentes pereceram na sua espada, assassinou o próprio Lord Horii. Quando um policia samurai o confronta Manji tenta explicar-lhe as razões mas é obrigado a lutar. Apesar de o nome deste seu oponente lhe soar familiar, é só quando a sua irmã entra em cena, no exacto momento em que Manji o esquarteja, que se recorda que está a matar o marido da sua irmã.
Uma misteriosa mulher de nome, Yaobikuni, que afirma ter 800 anos infecta o corpo de Manji com kessen-chu um tipo de vermes capazes de regenerar qualquer tipo de feridas tornando o hospedeiro virtualmente imortal, facto que, independentemente das suas qualidades, o tornou mais descuidado enquanto lutador. Farto de não conseguir morrer, Manji tenta a todo o custo convencer Yaobikuni a livrá-lo destes vermes. Quando ela lhe pede para ele abdicar da espada e ele recusa após a sua irmã ter sido raptada, chegam a um outro acordo. A fim de purgar os seus pecados, Manji promete-lhe a morte de 1000 vilões e em troca Yaobikuni remover-lhe-à os “malditos” vermes.
Asano Rin assistiu quando criança ao assassinado dos seus pais às mãos de Kuroi Sabato, um samurai que pertence ao grupo de espadachins liderados por Anotsu Kagehisa. O objectivo de Anotsu é destruir todos os dojos para que só exista o dele, o Ittō-ryū. Após a morte dos pais só uma coisa assola a mente de Asano, vingança. Treinando arduamente o estilo que o pai ensinava durante alguns anos, decide que é altura de começar a sua vendetta pessoal, felizmente a velha Yaobikuni atravessasse-lhe no caminho e sugere que peça ajuda a Manji. E é assim que Manji e Asano se juntam para dar início a mais uma batalha sangrenta.
Uma das particularidades do personagem principal é que adoptou para seu nome e símbolo, a conhecida Crux Gammata (a swastica, que derivou do sancrito svastica que significa bem-estar. Infelizmente a swastica está condenada nos dias de hoje a ser imediatamente associado ao nazismo, mas a origem bem mais antiga deste símbolo nada tem a ver com valores anti-semitas, muito pelo contrário é um símbolo de prosperidade. A versão usada neste livro é a sauvastica cujos braços estão voltados na direcção contra-relógio, foi um símbolo muito usado por budistas no Japão e simboliza a noite e a prática de magia. Em japonês chama-se The Manji. Só por curiosidade a versão usada pelos Nazis é a hakenkreuz (cujos braços apontam na direcção dos ponteiros do relógio) que ao contrário da anterior é um símbolo solar. O facto desta história se desenrolar em 1782 devia já por si afastar quaisquer ligações ao nazismo, mas em todos os livros a explicação do uso deste símbolo está presente a fim de não criar qualquer tipo de confusão.
Ao contrário da maior parte dos mangas que são actualmente editados, “Blade of the Immortal” foi alterado para ser lido da forma ocidental, da esquerda para a direita (ainda bem que já não fazem isto). Normalmente as páginas são revertidas como se estivessem a ser vistas num espelho. Mas neste caso para preservar a arte o autor pediu para não o fazerem, usando antes a técnica do copy/paste, re-ordendando os painéis em todas as páginas excepto quando não era de todo possível (se por acaso tivessem usado a técnica do espelho a swastica de Manji passaria a ser a idêntica à usada pelos nazis). Isto por vezes gera alguns erros de continuidade, na balonagem e posição dos personagens, por exemplo, mas nada que não se perceba eventualmente. Trata-se é de algo completamente desnecessário até em termos de trabalho, se tivessem simplesmente editado na ordem japonesa.
Uma das coisas pelas quais este livro é conhecido é a linguagem usada. Samura mistura a linguagem mais tradicional da época com linguagem de rua de uma Tóquio actual. Na tradução em inglês teve-se isso em atenção, mas claro que nunca é a mesma coisa.
A história, neste primeiro volume, é simples, trata-se de um típico conto de vingança. Mas não surpreendendo em termos narrativos desenrola-se bastante bem e torna-se muito apelativa graças à qualidade dos personagens, como o samurai Kuroi Sabato que tem tanto de assassino como de poeta. A sua dedicação ao seu amor por mulheres vai deixar qualquer um de queixo caído. Depois dessa história vamos conhecer um ninja/pintor, amigo de Asuna, que está em busca de uma particular tonalidade de vermelho para um quadro em particular. A descoberta dessa tonalidade não sendo surpreendente não deixa de ser bem divertida.
A maior qualidade de “Blade of the Immortal” é sem dúvida alguma a arte. Este é dos mangas que mais me fascinou em termos de desenho. As sequências de lutas e os esquartejamentos são magistrais e aqui Samura não poupa nos detalhes nem na imaginação. Os painéis que enchem uma a duas páginas com a morte de alguém são fabulosos. Os conhecimentos que o autor tem de anatomia são muito bem empregues nesta saga.
Outra coisa que é um regalo para a vista são as inúmeras armas que Manji usa (muitas inventadas pelo autor), quase parece que tem uma por cada pessoa que já matou.
Venceu o prémio de excelência no Japan Media Arts Festival em 1997 e do Will Eisner Comic Industry Award em 2000 para a melhor edição de material estrangeiro.

sexta-feira, outubro 08, 2010

Pulp - Like a Friend



"You are the last drink I never should have drunk
You are the body hidden in the trunk
You are the habit I can't seem to kick
You are my secrets on the front page every week
You are the car I never should have bought
You are the train I never should have caught
You are the cut that makes me hide my face
You are the party that makes me feel my age

You're like a car crash I can see but I just can't avoid
Like a plane I've been told I never should board
Like a film that's so bad, but I've just got to stay 'til the end

Let me tell you now - it's lucky for you that we're friends"

quarta-feira, outubro 06, 2010

O regresso às Crónicas de Gelo e Fogo


Um dos grandes prazeres em ler uma saga é sentimento de reencontrar velhos amigos. Ao pegar em "Fúrias dos Reis" o 2º volume de as "Crónicas de Gelo e Fogo" (3º pela Saída de Emergência) volto a constatar isso sem surpresas. Tem a parte triste em que relembramos as injustiças que aconteceram antes, damos as boas vindas a novos personagens e voltamos a beber um copo com os nossos predilectos que se mantêm, como é o caso de Tyrion Lannister. O "duende" tem duas particularidades que sempre gostei num personagem, é inteligente e gozão.


INÍCIO DE SPOILERS

A sua chegada a Porto Real é muito bem vinda por mim, mostrando o seu descontentamento com o que aconteceu, é bom ver um Lannister (ao menos um) ter repeito e consideração por Ned Stark. Esclarece logo que não teve nada a ver com o ataque a Bran e castiga aqueles envolvidos na traiçãod e Ned (os que pode castigar e os que sabe que o traíram), isto promete.

FIM DE SPOILERS


Aproveito isto para falar aqui da série de TV que irá começar no próximo ano. Esta série tem tudo para ser "O" acontecimento televisivo do próximo ano. Ora vejam, a história é excelente, a escolha de actores parece-me bastante boa, vai ser produzida pela HBO que nos tem habituado a séries de grande qualidade e que provávelmente não se vai acobardar nas cenas mais intensas, e o autor está envolvido no projecto. Tem tudo para ser uma vencedora.
Tyrion Lannister será interpretado por Peter Dinklage, é possível que aquela cor de cabelo não lhe assente muito bem, mas Peter Dinklage é um grande actor acho que foi uma grande escolha e não dúvido que nos trará um Tyrion perfeito para a TV. Saliento também Sean Bean no papel de Ned Stark e deixo-vos os trailers que já saíram.









domingo, outubro 03, 2010

Crime e Castigo


o "Crime e Castigo" é considerado o primeiro grande romance que Fyodor Mikhaylovich Dostoyevsky escreveu ao atingir o seu período de maior maturidade literária.
Curiosamente a ideia inicial para este livro seria a de explorar o consumo abusivo de álcool e as suas consequências, cujo título seria "The Drunkards". No entanto um homem veio mudar isso tudo, seu nome, Pierre François Lacenaire. Inspirado pelos crimes de Lacenaire, Dostoyevsky criou o crime de Raskolonikov (personagem principal da trama) e a partir daqui a história central lidaria com outras questões morais, no entanto o tema do álcool não foi esquecido e continuou a ser abordado, agora através de personagens secundárias, o que acontece com a família Marmeládov.

Esta não seria a única mudança radical a ocorrer durante a escrita deste romance. A versão inicial do livro foi escrita na 1º pessoa através da perspectiva de Raskolonikov. Com o tempo a história crescia cada vez mais na mente de Dostoyevsky, que apesar de já ter escrito grande parte da obra, decidiu alterá-la completamente ao reescreve-la do início mas agora na 3º pessoa, tendo até anunciado que teria queimado a versão anterior, facto que foi desmentido posteriormente por Joseph Frank.
A forma como o autor acabaria por escrever o livro, ligando o narrador à consciência das diferentes personagens, foi altamente revolucionária e original na época tendo até gerado alguma controvérsia. Hoje em dia é indiscutível a sua qualidade e importância.

A história começou por ser editada no jornal "The Russian Messenger" em 1866. A relação entre o autor e os editores correu bem salvo uma excepção e essa excepção prendeu-se com uma personagem em particular, Sónia. Não se sabe especificamente em relação ao quê, mas aparentemente Dostoyevsky teve de alterar algumas partes sobre ela, algo que não foi, comrpeensivelmente, fácil para o autor.

O enredo centra-se na personagem de Rodion Romanovich Raskolnikov, um ex-estudante de direito a viver em São Petersburgo. A personagem é-nos apresentada como não estando nas melhores condições, as suas roupas são velhas e rotas, o seu quarto uma sala minúscula e não tem emprego. Desde o início do livro há uma ideia que apoquenta constantemente a sua mente, que a mantém em constante turbulência e agitação, uma ideia que a pouco e pouco tem vindo a ganhar mais relevância, a ideia de assassinar Alyona Ivanovna uma velha viúva a quem várias pessoas recorrem em tempos desesperados para penhorar os seus bens.
A início Raskolnikov nunca explica a razão por qual está a considerar efectuar este crime, revela-nos que a senhora é uma aproveitadora e que se ganharia muito mais com a sua morte uma vez que com o seu dinheiro ele poderia fazer mil acções que compensariam tal acto. Mas há muito mais por trás desta ideia que só nos será revelado mais à frente.

Enquanto considera se avança com este plano conhece Semyon Marmeladov um bêbado que lhe conta toda a sua vida e como a sua família sofre com o seu alcoolismo. Incapaz de segurar um trabalho a sua filha mais velha, Sónia, foi obrigada a prostituir-se para colocar comida na mesa do pai e da sua segunda mulher (que sofre de tísica) e mais três crianças. Ráskolnikov fica impressionado com este relato, em como o ser humano é um verdadeiro patife que se habitua a tudo, ou então, pelo contrário que não é um patife, que afinal "tudo o resto é superstição, falsos medos, e então não há barreiras, e tem de ser assim mesmo!...".
Raskolnikov é realmente uma pessoa de extremos ora sente uma enorme apatia e até repugnãncia pelas pessoas ora revela-se um grande altruísta capaz de dar o seu único dinheiro para ajudar os outros.
Rapidamente conhecemos também Razumikhin um antigo colega da faculdade e um dos seus poucos amigos que ao reencontrar Raskolnikov lhe oferece trabalho na tradução, mas este recusa.
A recusa de trabalho e as suas reflexões sobre a moral após o encontro com Marmeladov poderão ser indicadores de que a razão por qual Raskolnikov ocupa o pensamento com a ideia de um assassínio, não será baseada (ou pelo menos apenas) na sua actual pobreza. Para piorar as coisas recebe uma carta da sua mãe onde lhe revela que a sua irmã irá casar com Pyotr Petrovich Luzhin um advogado que se encontra numa boa situação financeira. Não me estendendo mais, Raskolnikov retira da carta que este casamento não é mais que um sacríficio que a sua irmã está a fazer pela família o que o incomoda profundamente.

(A partir daqui é possível que me tenha entusiasmado a falar desta obra, por isso para quem não quer saber mais sobre a história, não continue a ler).
Penso que não será surpresa, devido ao título da obra, que um crime ocorre e por consequência um castigo. O crime é revelado logo na primeira parte e é a partir daqui que começa o castigo quando Raskolnikov ao contrário do que pensava não aguenta o "peso" do mesmo que o afectam tanto psicológicamente como fisicamente. A mente quando está doente afecta o corpo e Raskolnikov começa a sofrer de febres e delírios preocupando-se obsessivamente com as repercursões do seu crime. As suas obsessões e paranoias não passam despercebidos às pessoas com quem virá a conviver e será apelidado em várias ocasiões como sendo um monomaníaco.
É em conversa com Porfiry Petrovich, o detective encarregue do assassinato de Alyona Ivanovna que descobrimos a teoria de Raskolnikov, uma teoria que consiste em dividir a sociedade em duas classes distintas: os ordinários e os extraordinários. A primeira classe é a mais comum naquela em que a maioria das pessoas se enquadra, são as "abelhas" trabalhadoras que vivem de acordo com as leis e morais, já a classe dos extraordinários que é muito mais reduzida, é constituida por pessoas excepcionais que não necessitam de seguir a lei, sendo-lhes permitido transgredi-la (o que inclui matar) se isso lhes for útil para o cumprimento dos seus objectivos (que no final serão benéficos para a humanidade), pois é esta classe de indíviduos que devem ser os líderes e ditar as regras da outra. Alguns exemplos de indíviduos extraordinários são dadas, mas é na figura de Napoleão que Raskolnikov mais se foca. Ele acreditava pertencer, há semelhança de Napoleão, na classe dos extraordinários e por isso o crime que cometeu, permitido. Efectivamente o facto de não ter conseguido lidar com as consequências do seu acto, levam-no a questionar as suas crenças e a desilusão de ter falhado espelha-se no seu corpo.

Um dos grandes temas que o autor aborda é o do niilismo Russo que naquela altura ganhava notoriedade, ideias ligadas ao utilitarianismo e racionalismo que aqui são fortemente criticados através da teoria de Raskolnikov. Dostoyevsky leva as ideologias destas filosofias, cuja ideia principal é serem altruistas, a uma espécie de "pior cenário possível", uma vez que a rejeição da autoridade (niilismo Russo) ou o facto de os fins justificarem os meios (utilitarianismo) podem criar uma série de situações altamente discutíveis ética e moralmente.
Outro aspecto literário muito interessante é a ligação que existe entre o estado do personagem e o estado da cidade, algo em que Dostoevsky também foi dos primeiros a explorar.

Quando esteve preso na Sibéria o autor tornou-se mais ligado ao cristianismo ortodoxo, experiência que se faz notar em "Crime e Castigo" pois contém vários simbolismos religiosos e onde Raskolnikov poderá através do amor e da fé renascer como um novo homem. Estamos também a falar de uma época em que a religião desempenhava um forte papel na sociedade Russa e independentemente das crenças do autor a forma como está retratada no livro faz-me todo o sentido.

"Crime e Castigo" foi um dos melhores livros que li, a forma como o autor escreve e explora a psique humana, tanto em acções conscientes como nas incoscientes, são excepcionais e tornam este livro numa peça absolutamente imperdível.
Li a edição da "Presença" uma vez que é traduzida directamente do russo, pois aparentemente existem várias edições traduzidas do inglês ou do francês. Claro que se perde sempre algo na tradução, como os nomes de algumas personagens conterem duplos sentidos. Este "jogo de palavras" existe também no título pois crime em russo, prestuplenie, significa uma transgressão, e neste caso o crime de Raskolnikov consiste na transgressão de uma barreira moral.


Fonte

quarta-feira, setembro 29, 2010

Anjo Exilado



Saiu um novo vídeo desta canção, que foi filmado durante este concerto.

No fundo isto é só mais uma desculpa para voltar a por aqui esta música excepcional e me gabar que estive lá.

segunda-feira, setembro 27, 2010

Receita para criar um detective memorável (um dos muito bons):

1: Colocar todas as características mentais necessárias a um profissional desta área, tais como:

- Excelente capacidade de observação;
- Inteligência acima da média;
- Raciocínio rápido;
- Capacidade de "think outside the box".


Nota: Um corpo treinado pode não ser essencial como uma mente treinada, mas é uma mais valia que irá compensar sempre nos momentos mais físicos que uma investigação pode vir a ter.


2: No ponto um cria-se a qualidade do detective e no ponto dois tornamo-lo inesquecível, pois é aqui que se molda a sua personalidade.
Para ter uma personalidade única, devemos adicionar determinadas particularidades na sua forma de pensar/viver ou determinados maneirismos, aspectos que não sejam partilhados pela maioria das pessoas e que de preferência tenham uma conotação negativa/bizarra/humorística.


3: Colocar um elemento na sua imagem que o torne facilmente reconhecível em relação a todos. Pode ser a roupa, o uso de um objecto ou algo na sua aparência como o penteado.


4: Um fiél parceiro, alguém com quem se possa contar em qualquer situação. Têm de ser espertos, pois as suas opiniões podem ajudar a desvendar o caso, mas nunca podem ser mais espertos que o detective.
Por norma estão mais perto do cidadão comum não partilhando das "pancas" do detective e por isso mesmo não se tornam tão particulares.

5: Algo que é necessário nas histórias de um bom detective é um criminoso à altura, alguém cujo intelecto rivalize com o do mesmo. Por vezes existe um que se eleva acima de todos os outros e se torne o Arqui-Inimigo.


Alguns exemplos:






Sherlock Holmes





1: O detective mais famoso da literatura, com direito a um museu e um pub em seu nome. É o orgulho da Scotland Yard, conhecido por usar o método científico e a lógica dedutiva.
2: A presunção, Holmes é o melhor naquilo que faz e sabe-o. O consumo de opiáceos.
3: O sobretudo, o chapéu e o cachimbo.
4: Dr. John H. Watson.
5: Professor Moriarty




Hercule Poirot



1: A maior criação de Agata Christie, também um dos grandes detectives da literatura. Gaba-se de conseguir resolver os seus casos sentado na sua poltrona, utilizando a psicologia para isso. Não é um detective que gosta de acção física.
2: É obsessivo-compulsivo das limpezas, nas palavras de Hastings, um pouco de pó magoam-no mais do que uma bala. Detesta ser apelidado de francês, pois é Belga.
3: O bigode. Baixinho, gordinho, com uma cabeça que faz lembrar um ovo e não dispensa o laço no seu fato.
4: Arthur Hastings.
5: X





Batman

1: O detective mais conhecido do mundo dos super-heróis. Não tem poderes mas é famoso por ter uma das mentes mais brilhantes da DC comics e por ser um praticante exímio de artes marciais.
2: De noite veste-se de morcego para combater o crime.
3: Novamente, veste-se de morcego!
4: COF COF Robin COF COF.
5: The Joker.






L


1: O melhor detective em "Death Note". Em termos de QI um dos mais geniais de sempre.
2: consumo abusivo de doces e café e pensa melhor com os pés em cima da cadeira em vez do rabo.
3: As olheiras, a forma de sentar e andar descalço.
4: Watari.
5: Kira (Light Yagami).

quinta-feira, setembro 23, 2010

Dead Can Dance

Ela:





Ele:

Petzi


Quando falo sobre as primeiras BD's que li em criança, lembro-me sempre das idas à Biblioteca da escola para pegar no Spirou, no Astérix e no Lucky Luck, etc. Lembro-me que graças a um colega do meu pai tive a sorte de ter uma quantidade enorme de livros da Turma da Mônica e depois alguns do Zero, da Turma do Arrepio e o 1º volume da edição brasileira do AKIRA (que infelizmente só concluiria anos mais tarde pois não o encontrava à venda). Depois vieram os super-heróis e com eles a entrada no mercado Americano e passado uns tempos cheguei à adolescência.
Acabo sempre por me esquecer de referir que quando era miúdo uma das primeiras BD's que li (talvez até "A" primeira) foi o Petzi. Não me lembro quem mos comprava nem quem mos dava e mais triste ainda não sei onde os tenho guardados (caso ainda estejam lá em casa), tenho apenas a vaga ideia de que eu e o meu primo tinhamos uns quantos e adorávamos. Há uns tempos lembrei-me destes livros que contam a aventura do urso Petzi e dos seus amigos, um Pinguim de laço, um pelicano que tinha de tudo dentro do seu bico e o capitão do Navio, uma morsa sempre de cachimbo na boca. Não me conseguia era lembrar do nome disto, e um dia qualquer a vaguear pela net , já nem sei aonde, deparei-me com o nome: PETZI!!!.
Portanto lembrei-me aqui de partilhar isto e perguntar se mais alguém se lembra de ler isto? Já agora isto é BD mas não usava balões quando as personagens falavam.

terça-feira, setembro 21, 2010

David Bowie - Warszawa


Como se escolhe o melhor álbum de David Bowie? como se escolhe o melhor dentro de um leque tão grande e diversificado de álbuns? Uma pergunta mais fácil de responder se estivessemos a falar de apenas um género musical, mas Bowie é apelidade de "Camaleão" por alguma razão. É sem dúvida um dos artistas cuja carreira mais admiro, mas voltando à questão, como se escolhe? A resposta é muito fácil: não se escolhe, porque não é preciso.

Agora ando em volta de "Low" de 77 um dos grandes álbuns que Bowie lançou nesta década, considerada, penso eu, pela maioria como tendo sido a melhor década dele. Não discordo mas também não esqueço as suas fantásticas peças dos 90 e sim eu também adoro os seus 80 (o Scary monsters já conta nos 80) mesmo sendo muitas vezes postos de lado.

Agora deixo-vos com "Warszawa" uma das melhores canções de "Low" que foi "esquecida" no best of, mas que nunca será esquecida por mim. Bowie fez de tudo e bem!

Grip Inc. - Solidify


Outro dia fui vasculhar alguns dos meus CD's antigos que estavam a descansar há demasiado tempo. Quando vi "Solidify" dos Grip Inc. as suas memórias acometeram-me imediatamente. Podemos passar anos e anos sem ouvir uma música mas quando a voltamos a escutar a letra e melodia instalam-se imediatamente na nossa mente.
Grip Inc. foi uma banda que conheci na fase da minha vida em que ouvia mais Metal, nunca deixei de ouvir este género musical que adoro, mas a verdade é que já o ouvi mais. Na altura não tinha net, não dava para pesquisar sobre a banda e o CD foi copiado do original de um amigo meu, isto para dizer que até hoje não sabia nada da banda, mas isso também não interessava, o álbum era bom e isso é o que importa.
Hoje depois de pegar no álbum descubro em primeiro lugar que é uma banda formada por Dave Lombardo, talvez, o mais icónico baterista dos Slayer (e que já tocou ao vivo com Danny Carey, como eu adorava que tivessem repetido o feito quando Tool e Slayer passaram por cá no Ozzfest), e em segundo que o vocalista, Gus Chambers, morreu em 2008. O futuro da banda de momento é incerto.
"Solidify" é o 3º de quatro álbuns da banda. Foi lançado em 1999 e conta com Dave Lombardo na bateria, Guy chambers na voz, Stuart Carruthers no baixo e Waldemar Sorychta na guitarra e teclas.
Apesar de ter gostado do álbum acabei por nunca mais lhes seguir o rasto e com o tempo caíram um pouco no esquecimento, daí ter decidido que mereciam a recordação, pois "Solidify" é um álbum sólido do início ao fim onde não há canções para encher chouriços.
"Isolation" funciona muito bem para introduzir o álbum, ao ouvi-la sabemos logo se vamos gostar dele ou não. Seguida por "Amped" vem uma das melhores canções, "Lockdown". Canções estas que de uma forma geral estão todas ao mesmo nível, havendo ocasionalmente algumas que se elevam um pouco mais alto como volta a acontecer com "Foresight" ou "Vindicate". A voz de Chambers talvez seja mais próxima do hard rock do que propriamente do metal, mas, apesar de nunca sobressair, assenta bem neste género de metal mais harmonioso.
No entanto dizem que o melhor álbum desta banda é o último "Incorporated", vou ver se concordo.


Grip Inc. - Vindicate

segunda-feira, setembro 20, 2010

Queer Lisboa & MOTELx 2010











Após as férias de verão já começaram os ciclos dos festivais de Cinema, vou então relembrar aqui dois, um que já começou e outroa que se encontra à porta.
Na passada sexta-feira foi a abertura da 14º edição do Queer Lisboa que decorrerá até 25 de Setembro.
Depois do Queer sair é a vez de o MOTELx entrar em acção com a sua 4º edição, que decorrerá entre 29 de Setembro e 3 de Outubro.
Cliquem nas imagens para aceder aos sites oficiais.
Eu pelo menos um filme de cada um tenho de ir ver, são dois festivais que se tornaram obrigatórios.

terça-feira, setembro 14, 2010

Pluto

Quando li o primeiro volume de Pluto fiquei logo conquistado. Partilhei aqui essa leitura confiante de que era uma obra em que se devia apostar. Hoje volto a falar dela após a ter terminado e volto a confirmar e sublinhar o quão fantástica e divertida esta viagem foi.
Alterei um pouco o texto pois assim em vez de dizer que o volume 1 é muito bom já posso dizer que todos 8 volumes são excelentes.
Naoki Urasawa é um nome bem conhecido do mundo da BD, mais especificamente do mangá. É o autor de "Monster" e "20th Century Boys" as suas duas séries mais premiadas até à data.
Em 2003 decidiu embarcar numa nova aventura, de nome "Pluto" (vencedor do grande prémio Tezuka Osamu Cultural Prize) ao reiventar a história clássica de Astro Boy, "The Greatest Robot on Earth", aproveitando assim para voltar a dar vida a uma das histórias que mais o marcou durante a infância e homenagear ao mesmo tempo o seu criador Osamu Tezuka.
A primeira grande surpresa do livro é que Astro Boy (Mighty Atom numa tradução mais literal do japonês) não começa por ser o seu personagem principal, mas antes Gesicht um robot detective alemão de aparência humana.
A história tem início precisamente com Gesicht a investigar a ocorrência de dois homicídios. O primeiro trata-se da morte de Mont-Blanc, um robot Suíço protector da natureza, que era não só um dos sete robots mais avançados tecnologicamente como também um dos mais amados pela população tendo estado envolvido em várias acções humanitárias sendo por exemplo um dos grandes responsáveis pela actual paz na Ásia após a 39º guerra central. A segunda vítima é Bernard Lanke um humano envolvido profundamente nos movimentos defensores dos direitos dos robots. Dois homícios, um robot e um humano, cometidos em locais diferentes e sem qualquer ligação aparente salvo a excepção de que ambos os corpos foram decorados com objectos na cabeça para terem a forma de cornos. Esta única semelhança é tão particular que é suficiente para Gesicht assumir que os casos estão ligados.
Os robots são construídos de forma a não serem capazes de matar humanos (apesar de uma excepção já ter ocorrido) e nenhum vestígio humano foi encontrado em ambos os locais do crime, o que dificulta a questão de "o quê ou quem cometeu estes crimes horrendos?".
Como tinha referido um robot já tinha sido capaz de matar um humano, seu nome Brau 1589, a sua localização, Bruxelas numa instituição correccional de alta segurança para robots. A cena em que Gesicht o questiona é uma das minhas predilectas evocando ambientes que relembram momentos clássicos do género, como o mítico encontro entre Hannibal Lecter e Clarice Starling em "Silence of the Lambs". Quando a cena termina só desejava que voltássemos a encontrar este mítico robot, felizmente o desejo concretizou-se, pois os encontros entre Gesicht e Brau 1589 irão continuar ao longo do livro e serão de grande importância..
"Pluto" é um mangá policial de ficção científica, com uma história extremamente bem desenvolvida e que se desenrola a um ritmo frenético mantendo-nos sempre presos à trama, a querer saber cada vez mais e mais sobre este mistério.
No primeiro volume a investigação de Gesicht alterna com outra história dedicada ao robot escocês North No. 2, também ele um dos sete magníficos (os mais poderosos robots) que combateu na 39º guerra central da Ásia e que começa agora uma nova forma de vida ao se tornar mordomo de um famoso pianista cego. Este pequeno momento dedicado a North No. 2 e que explora o desenvolvimento entre a sua relação e a deste pianista amargurado pelo tempo é de uma beleza notável e que mostra que os robots também podem sonhar ou ser atormentados pelo passado, fantástico.
Robots mais humanitários que um ser humano, um cientista que tentou criar a Inteligência artificial perfeita, um crime escondido e um urso de peluche que aparenta estar por detrás de toda a conspiração, são alguns dos ingredientes desta grande obra, absolutamente imperdível.
Um dos objectivos de Naoki Urasawa ao criar "Pluto" era também que leitores mais jovens tivessem curiosidade em ir descobrir o clássico dos anos 50, "Astro Boy". Por mim posso já dizer que funcionou, nunca li nem vi o animé, mas irei definitivamente procurar os livros desta obra de Osamu Tezuka.
Como não conheço a obra em que esta foi baseada não as posso comparar a qualquer nível, porém ao ler "Pluto" o nome de Isac Asimov surgiu mais do que uma vez na minha mente, pois também aqui os robots e a inteligência artificial são explorados de uma forma muito interessante.
Além de Urasawa, "Pluto" conta também com Takashi Nagasaki como co-autor e com a supervisão de Macoto Tezka (filho de Tezuka).

segunda-feira, setembro 13, 2010

They're Back


Finalmente regressaram os "Sons of Anarchy". Uma temporada que promete emoções intensas não fosse aquele final ao som do que me parecia um Nick Cave mas era afinal Richard Thompson.

sábado, setembro 04, 2010

Axis of Awesome - Four Chord Song



Para relaxar no fim-de-semana.

quinta-feira, setembro 02, 2010

The Expendables


Havia um sonho no ar, o sonho do regresso dos míticos heróis dos filmes de acção dos anos 80 (e também 90 vá). Um nome surgiu logo no ar para encabeçar a lista destes heróis. Um e apenas um, já estão obviamente a ver quem é: Chuck Fucking Norris!
Por questões comerciais quiseram contratar mais actores, ter uma equipa a assistir Mr. Norris o que era totalmente desnecessário, o que era precisamente... Dispensável... Daí o 1º nome com que este filme foi baptizado foi "Chuck Norris & The Expendables". As filmagens foram um sucesso, o problema é que o filme durava apenas 15 minutos, pois Mr. Norris foi demasiado rápido a resolver a missão. O estúdio não estando contente, mais uma vez por razões comerciais, decidiu cortar "Chuck Norris" do filme e posteriormente do título, passando a ser "The Expendables". Os membros do estúdio que tomaram esta decisão desapareceram misteriosamente no dia seguinte e ainda hoje as forças policiais fazem o seu melhor para os encontrar, e algumas partes já foram encontradas, mãos, pés e penso que uma orelha. Sem líder aparente Stallone decidiu pegar nas amarras deste projecto e pegando na equipa composta por Jason Statham, Jet Li, Dolph Lundgren, Terry Crews, Randy Couture e Mickey Rourke filmou tudo novamente e assim nos chega "The Expendables".
Agora a sério, Stallone realiza aqui o regresso dos grandes filmes de acção que mencionei acima. É esse o espírito e são essas as memórias que evoca. Quando miúdo devorava esses filmes todos e aqui prometia-se o regresso da velha guarda, que tão bem conheço, aliado aos heróis de acção dos tempos modernos. Claro que agora já não sou esse miúdo e no que toca a filmes de acção estou mais inclinado para um "Bourne" do que para um "Expendables" cujo argumento é coisa que não importa. Mas também se era para retratar estes filmes na perfeição, uma boa história ia mudar o registo do filme automaticamente.
Muito sucitamente temos uma equipa de mercenários liderada por Stallone a quem é apresentada uma nova missão, muito bem paga mas muito arriscada. A missão consiste em dar na boca ao General Garza (David Zayas) que usou o seu exército para controlar o seu país, uma pequena ilha na América do Sul, tornando-o numa ditadura. Com o revelar de certas informações a equipa decide que é um trabalho a não fazer, mas qual povo explorado qual quê, Stallone não consegue é tirar uma miúda, que conheceu quando esteve lá, da cabeça. Curioso que os heróis de acção que envelheceram estão aqui, mas as femme fatale continuam a ter vinte e poucos.
Como disse é um género que já não me entusiasma como há tempos, mas mesmo assim consegui divertir-me em vários momentos. A acção que é a única coisa que interessa aqui está bem conseguida, carregada de exageros como é suposto (agora ainda mais com a evolução dos efeitos especiais) e com várias cenas de luta que enchem o olho a qualquer fã do género. A arma que o personagem de Terry Crews carrega é sublime e porporciona um dos melhores momentos no filme, pois o que se quer aqui são membros do corpo a voar.
O problema é que o cinema está valentemente caro nos dias que correm e tendo isso em conta é um filme que se vê muito bem na TV pois é completamente dispensável. Mas penso que os fãs do género não vão ficar desiludidos.
Bruce Willis e Arnold Schwarzenegger dão os seus ares de graça num curto cameo. A conversa entre Stallone e Schwarzenegger brinca com a rivalidade entre estes dois, afinal foram os dois grandes heróis de acção nos seus tempos, o Terminator e o Rambo.
Faltam no entanto outros nomes clássicos, Jean Claude Van Damme sendo o mais óbvio dos que não aparecem. Aparentemente foi-lhe oferecido um papel mas Van Damme recusou pois o seu personagem não tinha produndidade suficiente para o seu gosto (mas algum destes tem?).
Steven Seagal também recusou um cameo mas poderá ser visto em "Machete" num futuro próximo. Wesley Snipes devido a problemas com o fisco não pôde entrar, o que é uma pena. Para terminar, não tenho dúvidas que se Bruce Lee estivesse vivo e aceitasse estaria no lugar de Jet Li garantidamente.
Para vilões foram buscar os lutadores Steve Austin e Gary Daniels. Eric Roberts também marca presença ele que entrou em vários filmes de porrada quando mais novo, apesar de não lutar desta vez.
Outra curiosidade é que o papel de Bruce Willis foi originalmente oferecido a outra lenda de acção, se bem que de outro estilo há semelhança de Willis, Kurt Russel, mas Snake Plissken não estava interessado naquele momento.