segunda-feira, outubro 18, 2010

Blade of the Immortal – Vol. 1: Blood of a Thousand

“Blade of the Immortal” é uma série de manga da autoria de Hiroaki Samura que começou por ser editada em 1994, contando até agora com 26 volumes e continuando a ser editada. O 1º volume editado em inglês pela Dark Horse tem o título de “Blood of a Thousand” e é deste que falo aqui.
A história desenrola-se no Japão em 1782-3, ou seja, durante o Shogunato Tokugawa, e conta a história do samurai imortal Manji.
Num curto início e através de flashbacks conhecemos um pouco do passado de Manji e ficamos a saber que se tornou conhecido como sendo responsável pela morte de cerca de 100 samurais. Muitas dessas mortes foram ordenadas a mando do Lorde Horii, Manji acreditava estar do lado correcto mas quando descobriu na monstruosidade dos seus actos e como tantos inocentes pereceram na sua espada, assassinou o próprio Lord Horii. Quando um policia samurai o confronta Manji tenta explicar-lhe as razões mas é obrigado a lutar. Apesar de o nome deste seu oponente lhe soar familiar, é só quando a sua irmã entra em cena, no exacto momento em que Manji o esquarteja, que se recorda que está a matar o marido da sua irmã.
Uma misteriosa mulher de nome, Yaobikuni, que afirma ter 800 anos infecta o corpo de Manji com kessen-chu um tipo de vermes capazes de regenerar qualquer tipo de feridas tornando o hospedeiro virtualmente imortal, facto que, independentemente das suas qualidades, o tornou mais descuidado enquanto lutador. Farto de não conseguir morrer, Manji tenta a todo o custo convencer Yaobikuni a livrá-lo destes vermes. Quando ela lhe pede para ele abdicar da espada e ele recusa após a sua irmã ter sido raptada, chegam a um outro acordo. A fim de purgar os seus pecados, Manji promete-lhe a morte de 1000 vilões e em troca Yaobikuni remover-lhe-à os “malditos” vermes.
Asano Rin assistiu quando criança ao assassinado dos seus pais às mãos de Kuroi Sabato, um samurai que pertence ao grupo de espadachins liderados por Anotsu Kagehisa. O objectivo de Anotsu é destruir todos os dojos para que só exista o dele, o Ittō-ryū. Após a morte dos pais só uma coisa assola a mente de Asano, vingança. Treinando arduamente o estilo que o pai ensinava durante alguns anos, decide que é altura de começar a sua vendetta pessoal, felizmente a velha Yaobikuni atravessasse-lhe no caminho e sugere que peça ajuda a Manji. E é assim que Manji e Asano se juntam para dar início a mais uma batalha sangrenta.
Uma das particularidades do personagem principal é que adoptou para seu nome e símbolo, a conhecida Crux Gammata (a swastica, que derivou do sancrito svastica que significa bem-estar. Infelizmente a swastica está condenada nos dias de hoje a ser imediatamente associado ao nazismo, mas a origem bem mais antiga deste símbolo nada tem a ver com valores anti-semitas, muito pelo contrário é um símbolo de prosperidade. A versão usada neste livro é a sauvastica cujos braços estão voltados na direcção contra-relógio, foi um símbolo muito usado por budistas no Japão e simboliza a noite e a prática de magia. Em japonês chama-se The Manji. Só por curiosidade a versão usada pelos Nazis é a hakenkreuz (cujos braços apontam na direcção dos ponteiros do relógio) que ao contrário da anterior é um símbolo solar. O facto desta história se desenrolar em 1782 devia já por si afastar quaisquer ligações ao nazismo, mas em todos os livros a explicação do uso deste símbolo está presente a fim de não criar qualquer tipo de confusão.
Ao contrário da maior parte dos mangas que são actualmente editados, “Blade of the Immortal” foi alterado para ser lido da forma ocidental, da esquerda para a direita (ainda bem que já não fazem isto). Normalmente as páginas são revertidas como se estivessem a ser vistas num espelho. Mas neste caso para preservar a arte o autor pediu para não o fazerem, usando antes a técnica do copy/paste, re-ordendando os painéis em todas as páginas excepto quando não era de todo possível (se por acaso tivessem usado a técnica do espelho a swastica de Manji passaria a ser a idêntica à usada pelos nazis). Isto por vezes gera alguns erros de continuidade, na balonagem e posição dos personagens, por exemplo, mas nada que não se perceba eventualmente. Trata-se é de algo completamente desnecessário até em termos de trabalho, se tivessem simplesmente editado na ordem japonesa.
Uma das coisas pelas quais este livro é conhecido é a linguagem usada. Samura mistura a linguagem mais tradicional da época com linguagem de rua de uma Tóquio actual. Na tradução em inglês teve-se isso em atenção, mas claro que nunca é a mesma coisa.
A história, neste primeiro volume, é simples, trata-se de um típico conto de vingança. Mas não surpreendendo em termos narrativos desenrola-se bastante bem e torna-se muito apelativa graças à qualidade dos personagens, como o samurai Kuroi Sabato que tem tanto de assassino como de poeta. A sua dedicação ao seu amor por mulheres vai deixar qualquer um de queixo caído. Depois dessa história vamos conhecer um ninja/pintor, amigo de Asuna, que está em busca de uma particular tonalidade de vermelho para um quadro em particular. A descoberta dessa tonalidade não sendo surpreendente não deixa de ser bem divertida.
A maior qualidade de “Blade of the Immortal” é sem dúvida alguma a arte. Este é dos mangas que mais me fascinou em termos de desenho. As sequências de lutas e os esquartejamentos são magistrais e aqui Samura não poupa nos detalhes nem na imaginação. Os painéis que enchem uma a duas páginas com a morte de alguém são fabulosos. Os conhecimentos que o autor tem de anatomia são muito bem empregues nesta saga.
Outra coisa que é um regalo para a vista são as inúmeras armas que Manji usa (muitas inventadas pelo autor), quase parece que tem uma por cada pessoa que já matou.
Venceu o prémio de excelência no Japan Media Arts Festival em 1997 e do Will Eisner Comic Industry Award em 2000 para a melhor edição de material estrangeiro.

8 comentários:

Hugo Teixeira disse...

Mete magistral nisso ;)

Loot disse...

lol e meti :P
Nos desenhos merece esse adjectivo :)

Hugo Teixeira disse...

Lol eu sei que meteste, mas eu repito bota Magistral com "M" grande :P

;)

Snow White disse...

Matava para ter o artbook de "Blade of the Immortal", está lindo, dá vontade de arrancar as folhas para depois as por em quadros.

refemdabd disse...

Este é um titulo que ainda não comecei a ler. Em parte devido a já ir no 22 volume (em Inglês), também devido ao que escreveste acerca de estar publicado na forma ocidental, embora não "espelhado", tem tido algumas critícas menos favoráveis exactamente quando não é possível executar o copy-past. Deverá ser apenas um promenor que não fará grande diferença. Está na minha lista de "a ler". Neste momento estou a ler muitos : 20th Century Boys; Moyasimon; Vagabond; Monster; the Kurosagi corps delivery service; Gantz (já farta, este! Pouco adianta sobre o mistério, ao fim de 12 volumes! As cenas de porrada são já fastidiosas e demasiado longas). Mas o que me está a arrebatar por completo é o fantástico "OoKu", do qual farei um post em "breve" hehehe! (escrevi sobre o 20th century boys, vê lá que achas e dá-me feedback sff)
Abraço e lá nos veremos no sábado.

Loot disse...

Snow: Ainda bem que não o tenho então :P
Tive com ele na Fnac é muito bom infelizmente era muito caro tb :S


Refem: Pois, esta série tem pinta de ser duracell e dura e dura e dura. Quando comecei pensei logo que se algum dia tiver os volumes todos será daqui a muito muito tempo. Mas se o nível de qualidade se mantiver não a esqueço.

Agora vamos ao elefante que está na sala lol. A edição foi um erro, sem dúvida. Se fosse editado hoje saía de certeza no formato original e todos ficávamos felizes.

Como eu disse a história percebe-se não há problema, mas para quem é picuinhas (e quase todos os leitores de BD são :P) é chato.

Outro dia estava a ler o vol.2 numa cena um tipo está à direita do Manji depois na outra página já está à esquerda. Por momentos pensei ele moveu-se mta rápido o outro nem viu, mas não era um erro na continuidade por causa do copy/paste bha.

De qualquer das maneiras a arte é magnífica e as mortes deliciosas, acho que vale a pena espreitar mas é uma pena a edição. Temos de aprender Japonês.


De Gantz comprei os 2 primeiros volumes e gostei, mas no final do 2º e tendo em conta o número de volumes que existe fiquei logo com a impressão que é série de encher chouriçoes pois dá para ver que podeme sticar infinitamente a história com missões então não comprei mais.
Mas ainda devo voltar a experimentar, no entanto, como tudo o que eu leio aponta o mesmo que tu acabo por optar por outras coisas.

Monster por exemplo :) mas também o que é que o Naoki Urasawa faz que não valha a pena? (em manga não na música ;)).

É verdade tamos quase no amadora BD, encontramos-nos por lá.

Abraço

Anónimo disse...

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