sexta-feira, novembro 15, 2013

As Crónicas de Gelo e Fogo: A Feast For Crows



Jaime, sweetling, I have known you since you were a babe at Joanna's breast. You smile like Gerion and fight like Tyg and there's some of Kevan in you, else you would not wear that cloak...but Tyrion is Tywin's son, not you. I said so once to your father's face, and he would not speak to me for half a year.

Genna Lannister

Após ter terminado "A Storm of Swords" George R. R. Martin começou a trabalhar no volume seguinte, o 4º. Se há algo que é bem notório neste universo é a dedicação e tempo despendido na criação deste mundo e na caracterização das suas personagens. Mesmo em personagens que surgem apenas num capítulo, a forma como são descritas denota atenção e cuidado.

O problema de ter um universo tão amplo é que nos podemos começar a perder dentro dele. Por perder entenda-se nas inúmeras possibilidades narrativas. É o que me parece que esteja a acontecer ao autor, uma vez que o 4º volume estava a transformar-se num testamento tão grande que Martin viu-se obrigado a dividi-lo em dois: este "Feast of Crows" e o mais recente "A Dance With Dragons". Em vez de cortar a história ao meio, o autor optou por separar as várias personagens a partir das quais os capítulos são contados. Por isso as histórias em ambos os livros decorrem na sua maioria ao mesmo tempo e há personagens cuja falta é sentida neste, como é o caso de Jon Snow, Tyrion Lannister e Daenerys Targaryen cuja aparição ficou guardada para o 5º Volume.

"A Feast of Crows" é um livro com um sabor a interlúdio. Depois dos grandes acontecimentos em "A Storm of Swords", este tem um sabor diferemte focando-se mais na caracterização de determinadas personagens do que no desenvolvimento do enredo. Apesar de este autor ser impiedoso no que toca às suas personagens, a paixão que nutre por elas é bem explícita, mas talvez seja isso mesmo que o acabe por levar a prolongar-se demasiado na história de algumas. Gosto muito da Brienne, mas ao chegar ao final dos seus capítulos, não deixei de sentir um certo vazio, tanta coisa para tão pouco. O mesmo pode ser dito do Sam.

Como gosto destas personagens, não me incomoda lê-las, antes pelo contrário, mas se compararmos "A Feast of Crows" com os seus antecessores, este é um livro que fica claramente atrás deles. Independentepente da ordem de preferência dos três primeiros, este é o menos conseguido de Martin e depois da explosão que foi o 3º volume, isso ainda se nota mais. Mas há coisas fantásticas nele também e duas são os capítulos dos gémeos Lannister. Pela primeira vez conhecemos a história da perspectiva
de Cersei e isso foi um dos pontos mais positivos que este volume nos trouxe. Os seus capítulos são sempre terríficos e é um prazer vê-la tomar decisões que considera muito mais inteligentes do que realmente o são. Quanto a Jaime, já tinha surgido em "A Storm of Swords" e aqui continua a deslumbrar, mesmo quando acontece pouco na sua história, gosto muito de o ler. Neste seu regresso a King's Landing, qualquer ilusão que tinha de reatar a sua antiga relação com a irmã, vai-se desvanecendo com o tempo. Não porque ambos não se amem ainda, mas porque Jaime, mesmo que ainda não se tenha apercebido, regressou um homem diferente, daquele que nos foi apresentado no início.

Um aspecto diferente neste volume, foi também a opção de contar determinados enredos, não a partir de um, mas de várias personagens "ponto de vista", como foi o caso dos capítulos das ilhas de Ferro e de Dorne, uma boa oportunidade de conhecer melhor ambas as terras, em particular Dorne que ainda não tinha sido descrita. Outra característica relevante é que pela primeira vez Martin debruçou-se sobre os Septon's e a religião dos sete de forma mais profunda, dando-nos uma contextualização muito maior. Aliás houve também espaço para outras religiões como pudemos ver no percurso de Arya Stark, um precurso que soube a tão pouco, gosto muito desta personagem e gostava que tivéssemos tido mais sobre ela, é aguardar pelo próximo. Também continuamos a seguir a sua irmã desde os fantásticos acontecimentos de "A Storm of Swords". Algo que gosto muito nos seus capítulos é a presença de Littlefinger, ainda que curta, sempre de referência.

Como referi este é um livro mais focado nas personagens, uma espécie de interlúdio após o crescendo dos acontecimentos anteriores. Nesse sentido é mais contido, não conseguindo emocionar tanto como os anteriores, mas sem dúvida com algumas virtudes. Ainda assim temo que o autor perca demasiado tempo a desenvolver alguns enredos que acabam por acrescentar pouco a estas aventuras, ou que podiam ser narrados em muito menos páginas.

12 comentários:

Sofia Santos disse...

Prepara um lote de lenços de papel ;)

Loot disse...

Caramba, agora é que me tramaste que estava a pensar guardar o 5º para mais tarde :P

Jessie disse...

Prepara-te, que o 5º livro não pára de surpreender. Há uma cena em especifico perto do final que te vai deixar de boca aberta!

Valar Morghulis disse...

Sou da mesma opinião, o livro "A Feast of Crows" dos quatro é o mais fraquito, nem imaginas como me o custou ler, mas acho que isso deve-se ao facto de se seguir ao terceiro livro, que foi muito bom.
Mas com "A Dance With Dragons" a coisa é diferente.. prepara-te que vais ter muitas surpresas... havia partes que nem queria acreditar que Martin estava a fazer aquilo..hehe :) e só de pensar o que fez com a minha personagem preferida.. aquilo não se faz :P
Bem.. boa leitura com "A Dance With Dragons" :)

Loot disse...

Jessie: E eu a pensar que ia conseguir adiar a leitura deste, já me estão a tramar :P

Valar: É verdade que é uma tarefa árdua ser o livro seguinte ao terceiro. Mas acho que é mais do que isso, e realmente um livro com um ritmo diferente. Até porque acaba por ser metade de um livro, falta o "A dance with dragons".

Quando mencionas personagem favorita as primeiras que me vêem à mente é o Jon e o Tyrion. Caramba tenho mesmo de ler isso.

Apesar de ele ser impiedoso, há uma série de personagens que sempre achei que iriam durar pelo menos até ao fim, por exemplo:

- Dany Targaryen;
- Jon Snow;
- Tyrion Lannister;
- Bran Stark;
- Arya Stark;
- e ainda atiro a Sansa Stark

Abraços aos dois

Anónimo disse...

Valar Morghulis, se estás a falar de quem eu penso que estás a falar, então concordo. Aquilo foi cruel de mais!

Valar Morghulis disse...

@"Loot" como deves imaginar não te vou dizer qual a minha personagem preferida, assim estragava a surpresa, mas também nem tu o querias. :) O que também gostei muito em "A Dance With Dragons" foi as personagens que aparecerem, que começaram a ter mais destaque.. e há uma delas, de uma casa do norte, que fiquei fã :)
@Anónimo, de certeza que falamos do mesmo :P

Loot disse...

Claro :P

quis só partilhar o pressentimento. Acho mesmo que é o Jon. O Tyrion já perdeu o nariz e o Martins tem uma queda pela tragédia na vida dos Stark :S

abraço

Sara disse...

Não há nada mais belo do que relaxar um pouco durante a semana, porque você está sempre pressionado no trabalho, mas talvez sentar e ler um bom livro leva-nos a relaxar um pouco, espero fazer-lhe algum tempo, talvez vá para alimentar o restaurantes em sao paulo e então eu começo a ler para me distrair.

João Campos disse...

Devo ser caso raro: acho que "A Feast for Crows", não sendo melhor que "A Storm of Swords", é o único seguimento possível aos acontecimentos do terceiro livro. A guerra acabou; é tempo de apanhar os despojos e começar a preparação para a borrasca que se seguir. Os "travelogues" da Brienne, tão vilipendiados na Internet, mostram com uma lucidez impressionante o resultado da guerra nas Riverlands.

Pessoalmente, o ritmo mais brando deste e da primeira metade de "A Dance with Dragons" agradou-me bastante. Claro que "The Winds of Winter" vai regressar à forma do terceiro, mas até lá...

João Campos disse...

Ah. E o diálogo entre Jaime Lannister e Brynden "Blackfish" Tully durante o cerco de Riverrun compensa largamente todos os aspectos menos conseguidos do livro (os tipos das Iron Islands, credo...)

Loot disse...

Caramba esqueci-me completamente de falar de uma coisa. É o que dá adiar estes textos. Em Feast of Crows o Martin desenvolve muito mais o clero e isto foi interessante. Vou ver se acrescento isso :P

Eu não acho o Feast of Crows mau, gosto do livro, e sobre a Brienne tens toda a razão no que dizes, mas acho que já fomos melhor envolvidos na narrativa e depois de tantas andanças termina assim... na realidade não é um final surpreendente para este autor, já estava mesmo a ver que ele me ia lixar assim. Os capítulos dela até tiveram mais utilidade que os do Sam - apesar de gostar muito do Maester da night's watch - mas cujo futuro promete

O que acho é que dos 4 é o menos conseguido. Não me importa que o ritmo seja menos intenso, faz sentido como dizes. As ilhas de ferro, dorne, quer dizer já vimos melhor do Martin e os capítulos do Jaime e da Cersei são a prova viva disso.

ah e senti falta de algumas personagens. Lá está faltam coisas neste livro, mas ele separou-as e virão no próximo :)