segunda-feira, outubro 22, 2012

20th Century Boys - Ponto da Situação


Já devia saber que não dá para começar a ler um volume de "20th Century Boys" e parar. Cair uma vez neste erro tudo bem, agora mais? Já devia saber melhor. Urasawa é um mestre a criar tensão, a fazer-nos desejar por mais e mais, e parar a leitura antes do fim é algo quase impossível.

Este post é apenas uma forma de partilhar que de 22 volumes já li 12, ou seja, já vou a mais de meio. Por média compro 2 por mês, não pode ser mais, é pena, porque isto é mesmo muito viciante.

Outra coisa que queria partilhar é que acertei em quem era o "Amigo". A dada altura pensei que podia ser apenas uma personagem que ainda não havia sido apresentada. Eles acrescentam várias ao longo da trama, mas, não fazia sentido todo o mistério criado à volta deste "amigo", tinha de ser uma personagem que já apareceu e analisando todas só uma me fazia sentido, até porque desconfiei dela desde a primeira vez que apareceu.

E pronto, hoje cheguei a casa e recebi o 13 e o 14. É tempo de 20th Century boys. Até amanhã.

domingo, outubro 21, 2012

Bronenosets Potyomkin (O Couraçado Potemkin)


O nosso cinema é, antes de mais, uma ferramenta para o que é a sua actividade fundamental - exercer influência nas pessoas, e reeducar.

Sergei M. Eisenstein


Máxima do Cinema de Eisenstein que desde cedo explorou. Prova disso é este "O Couraçado Potemkin" de 1925 e o segundo filme do realizador.

O filme relata os acontecimentos resultantes do motim que ocorreu a bordo do navio Russo Potemkin em 1905. A baixa moral da tripulação e as más condições a que estavam sujeitos levaram os marinheiros a um estado de tensão demasiado grande que rebentou quando os oficiais ameaçaram matar alguns membros da tripulação por estes se recusarem a comer a carne enviada (já podre e infestada de vermes). Os verdadeiros factos sobre esta última parte não são totalmente claros, mas são a forma que Eisenstein escolheu para contar esta história.

Muitas vezes vemos um filme e ficamos impressionados com a forma como este nos influenciou em relação a determinadas personagens ou cenas. Eisenstein, juntamente com outros colegas, aprofundou isto muito bem já nos anos 20. Neste filme, por exemplo, o realizador estudou as potencialidades da montagem, editando o filme de forma a influenciar a emoção das pessoas, direccionando e aumentando-a. É fácil aperceber-nos que é suposto sentirmos simpatia pelos rebeldes e repulsa pelos oficiais durante todo o filme. Tudo isto acabaria por conquistar-lhe o título de um dos maiores filmes de propaganda da história do Cinema, e a fim de manter essa relevância Eisinstein manifestou o desejo de que a banda sonora fosse modernizada de 20 em 20 anos.


Na altura chegou a ser censurado em alguns países, pela violência nele contida. Ainda bem que o realizador não se conteve, a cena em questão é uma das mais poderosas que vi. Falo da célebre cena que retrata um massacre nas escadas de Odessa, quando o povo fugia desalmadamente dos soldados que os perseguiam.  A cena em que a mãe volta para trás em busca do filho é de uma intensidade esmagadora. E novamente a edição das cenas é sublime, e prova da importância que "O Couraçado Potemkin" viria a ter na sétima arte. Apesar de terem ocorrido distúrbios em Odessa esta cena em si é fabrico do realizador e teve um impacto tal que muitos ainda hoje consideram-na como verdadeira.

O final é um daqueles casos que ganha ainda mais peso e significado sabendo que se trata de uma história real. Mesmo tratando-se de uma situação diferente fez-me lembrar a moral em que se encontrava o povo Russo durante as invasões napoleónicas, tão bem descrita por Tolstói em "Guerra e Paz", e que foi um dos grandes factores, senão o maior, para a vitória dos Russos sobre os franceses.


Agora que muito se fala no "Plano Nacional de Cinema" dei por mim a pensar que este seria uma excelente escolha a ter incidido no mesmo. "O Couraçado Potemkin" é um filme que poderia ser aprofundando de diferentes formas nas escolas, seja pela via da importância da montagem, da influência no Cinema, ou até a nível da disciplina de História (ainda que esta matéria não esteja no programa dessa disciplina, não deixa de ser uma situação relevante e possível de encaixar), ou seja, as potencialidades são várias. Além disto tudo, o filme é excepcional. Fica a sugestão.

sexta-feira, outubro 19, 2012

quinta-feira, outubro 18, 2012

A Trilogia Nikopol


Conheci o trabalho de Enki Bilal com a obra, " A Tetralogia do Monstro". Quatro volumes que exploram um futuro distópico a partir de três personagens e que é uma das viagens mais alucinantes que tive em Banda Desenhada.


Neste "A Trilogia Nikopol" - editado anteriormente e que demorou uma década a finalizar - Bilal já mostrava o seu fascínio pelo género da ficção científica, mais especificamente pela exploração de sociedades em declínio, num futuro não tão distante assim. Conflitos provenientes da religião e da política - que iriam ser um tema recorrente no trabalho do autor jugoslavo (ou sérvio após a independência) - marcam aqui uma forte presença ao longo de toda a história. O pano de fundo em que esta decorre é sempre pautado por um terror fascista e terrorista; e onde a separação entre as classes do povo é-nos apresentada por um grau de extremismo atroz.

A trilogia é composta pelos três volumes: "A Feira dos Imortais", "A Mulher Armadilha" e "Frio Equador".

Bilal é um artista ímpar dentro da banda desenhada, penso que a maioria o reconhece como um dos grandes desenhadores dos nossos tempos. Traços de grande qualidade e com um cunho pessoal fortíssimo. Bilal é inconfundível.

Em termos de argumento, o autor não tem qualquer tipo de amarras, com ele tudo é possível. Este caos poderá não agradar a muitos, mas é um dos factores, a par com o desenho, que tornam o autor tão especial para mim. Não há regras, nem géneros a respeitar. Bilal não pensa nisso, apenas está preocupado em contar a sua história, em mostrar-nos a sua visão. "A Trilogia Nikopol" tem tanto de ficção científica, como de fantasia.


Ao longo da narrativa também vai incluindo páginas de jornais como complemento da história e aqui é de salientar o suplemento extra em "A Mulher Armadilha" (confirmem a sua existência antes de o comprar) onde temos uma história escrita no futuro e editada no passado pelo jornal "Libération!".

No terceiro tomo, "Frio Equador" uma das personagens, um realizador, encontra-se a filmar a história do capítulo anterior. Bilal usa isso para ir incluindo excertos de película ao longo das páginas, enquanto conta a conclusão desta aventura. Isto culmina numa cena final que é nada menos do que memorável.

O Cinema a começar a surgir na obra de Bilal, ele que posteriormente envergaria por esta arte também, ainda que sem obter o mesmo sucesso e reconhecimento que na BD. A título de curiosidade em 2004 Bilal realizou "Immortel" a adaptação cinematográfica desta trilogia.


"A imortalidade é uma forma de ditadura da vida sobre a morte. Sendo ditador e vivo, só me resta tornar-me imortal. E hei-de sê-lo! Nem que morra para isso!» J.F. Choublanc (Escritos diversos)"

Esta história tem como personagem central, Nikopol, que em 1993 havia sido enviado para o espaço em crio-hibernação, condenado a uma sentença de 20 anos. Acabariam por passar 30 até um acidente ter solto a cápsula em que se encontrava, devolvendo-lhe a liberdade. Perdido num tempo que não é o seu acaba por travar conhecimento com o deus Egípcio Horus. A partir daqui Horus usará o corpo de Nikopol para colocar em prática o seu plano de vingança contra os restantes deuses . Tudo isto a decorrer numa Paris governada por um forte regima fascista liderado por J.F. Choublanc.


No capítulo de "A Mulher Armadilha", uma outra personagem de extrema relevância é adicionada à trama. Jill Bioskop, uma estranha mulher de cabelo azul e tez pálida que será justamente a jornalista responsável pela notícia a ser publicada no passado pelo "Libération!".
 
"Frio Equador" acabaria por ser de todos os capítulos aquele que deixaria a maior marca na história. Nesta aventura Bilal inventa um desporto híbrido chamado "Chess Boxing" onde os participantes têm de estar em excelentes condições físicas e mentais, alternando entre um combate de boxe e uma partida de Xadrez. A ideia é fantástica, mas o mais bizarro é que se tornou realidade. Em 2003,  Iepe Rubingh inspirado pela obra de Bilal criou as regras para o "Chess Boxing", desporto mais popular na Alemanha e Inglaterra. Quem sabe um dia se não chega até cá.

O preço do livro é um pouco intimidante, cerca de 34€. Mas, pensando que se trata da junção de três volumes, onde cada um fica a menos de 12€, não é assim tão escandaloso. Porém, como muitas vezes parece que custa mais quando se dá o dinheiro todo de uma vez, fica a minha sugestão em adquirir este belo objecto na "hora h" da feira do livro, onde fica a metade do preço, ou em segunda mão se preferirem. Eu tenho comprado os livros de Bilal todos desta forma, o ponto negativo é que não os posso ler mal são editados, tenho de esperar um ano e meio para entrarem na tal promoção. Este ano, por exemplo, comprei finalmente o "AnimalZ".

Quando passarem pelo livro, espreitem, vejam o aspecto, porque Bilal, vale a pena.

terça-feira, outubro 16, 2012

The return of The League


A 4º temporada de "The League" já começou e será comentada por mim no sítio do costume.

Cada temporada tem poucos episódios é rápida de apanhar e foi uma bela surpresa. Quando comecei a ver nunca pensei que fosse gostar tanto.

segunda-feira, outubro 15, 2012

Homem-Aranha: A Morte dos Stacy


Este era um dos volumes mais antecipados uma vez que contém duas histórias clássicas, daquela que é a personagem mais icónica da Marvel, o Homem-Aranha. Como o próprio título já o denuncia, posso dizer abertamente que as histórias em questão são a da morte do Capitão Stacy e da sua filha Gwen.

Não concordo nada com o título já agora, é demasiado revelador bem como a capa. Tal como Stan Lee menciona no prefácio da "Dark Phoenix Saga", não vá alguém desconhecer esta aventura, é melhor estar calado em relação ao seu final. Dito isto, é verdade que a maioria já conhece o destino trágico de Gwen Stacy e se não conhece depois da estreia do novo filme, deve ter ficado a saber pois foi informação que se espalhou, tal como o vírus da gripe. Ainda assim eu optaria por outra abordagem.

As duas histórias em questão são muito boas. O Capitão Stacy, já reformado, era um acérrimo defensor do Aranha e morre tragicamente como um dano colateral entre uma luta do Aranha com o Dr. Octupus. Felizmente morre como o herói que é, a salvar a vida de uma criança. A importância de Stacy na vida de Peter Parker era muito importante, ele havia assumido uma espécie de figura paternal a substituir o seu Tio Ben e este é mais um golpe devastador na vida do aracnídeo que, como já referi várias vezes, é um dos super-heróis que tem a vida mais manchada pela tragédia. Porque cada efeito tem uma causa, e andar a saltar de prédio em prédio a combater o mal tem as suas repercussões. As histórias do Aranha mostram desde cedo esse lado trágico, aliás a sua carreira tem início na tragédia, mas felizmente não se fica por aqui, revelando um lado mais negro desta vida que na altura simplesmente não era (tão) abordado.


Depois temos aquele que é ainda "o" momento da vida deste herói. A morte do seu grande amor, a morte de Gwen Stacy. É um dos momentos mais emblemáticos da BD de Super-Heróis, pela primeira vez o "príncipe" falha em salvar a donzela, um acontecimento que mudaria o género e que muitos apontam como o fim da "era prateada" da BD. Para todos os fãs da personagem, são histórias obrigatórias.

No meio colocaram ainda a, mais recente, "Death and Destiny" de 2000, onde desenvolvem o que Peter Parker passou após a morte do Capitão Stacy, bem como o seu sentimento de culpa. É uma boa história, preferia que se tivessem mantido no passado, colocando os números seguintes à morte do Capitão ou também os seguintes à morte de Gwen, nem que seja porque devem ser mais difíceis de arranjar. De histórias recentes e à volta deste assunto, também existe o Homem-Aranha Azul, que está no leque das minhas predilectas e ficava mesmo bem aqui. As opções são várias e todos teremos as nossas escolhas.

Resumindo, as histórias são boas e duas delas clássicas. Na minha opinião é um dos volumes mais importantes desta colecção.

Como ponto negativo, volto a sentir alguma estranheza em algumas falas do Aranha. Já o li há bastante tempo e não quero arriscar muito neste comentário, mas do que me lembro, ainda não foi desta que conseguiram traduzir na perfeição as suas falas.

sábado, outubro 13, 2012

Looper


"Looper" traz-nos uma interessante visão futurista do nosso mundo, ainda que algo insensata, na minha opinião.

Admitindo que, para as organizações criminosas, é difícil num determinado futuro, em 2074,  livrarem-se dos corpos das pessoas indesejadas - o que é de estranhar, com o aumento da tecnologia, formas de pulverizar organismos não hão-de faltar, mas admitindo que sim - porquê enviar os corpos para o passado, vivos? Porque não matar primeiro e ter um looper (assassino a cargo da máfia) que apenas tem de se livrar de um corpo que não existe no seu tempo ainda (2044)? Parece-me mais sensato, para não correr o risco de que ninguém fuja.

No entanto, o que me parece mais insensato ainda é o término de contrato de um looper. Tal ocorre quando enviam a sua versão do futuro para ser morta pelo seu "eu" do passado. Se querem que todos os loopers morram seria mais sensato enviarem-nos para outros assassinos, para assim garantir que ninguém hesita em matá-los. Qual de nós não hesitaria em matar-se a si próprio? É verdade que as vítimas são enviadas amordaçadas e encapuçadas, à partida tudo corre bem, mas eu sou assim, metódico e paranóico, e por isso começo o texto por aqui, para despachar estes pormenores "técnicos", até porque o filme é bastante bom e, no final de contas, isso é que interessa.

Rian Johnson e Joseph Gordon-Levitt voltam a unir forças após o excepcional neo-noir "Brick" (não sei se ele entrou no Brothers Bloom, mas se sim foi muito pouco). Desta vez Johnson aventura-se pelo campo da ficção científica, área em que Levitt também havia trabalhado recentemente em "Inception". Teremos nestes dois mais uma dupla realizador/actor de valor e a seguir? Parece-me que sim.

Se há coisa que o filme não me parece ser é surpreendente, depois de as regras do jogo nos serem apresentadas, há uma certa previsibilidade nas acções das personagens, no quem é quem, e como terá de terminar. Mas isso não me tirou o interesse em ver como as peças do jogo chegariam até à sua posição, gostei bastante da forma como as coisas se desenrolam.


Uma pena que as alterações emocionais e de valores que uma personagem sofre no passado, não se façam sentir na sua versão do futuro, com a mesma velocidade que as alterações físicas - magistralmente demonstradas numa ceda poderosíssima ao início do filme. Fosse isto assim e o final teria uma reviravolta mais inesperada, claro que é um jogo mais difícil de trabalhar, mais sujeito a erros, porque como a personagem de Bruce Willis explica há muitos caminhos possíveis a seguir e ainda não definidos, tanto pode ainda acontecer, mas... não consigo deixar de o imaginar.

Muito se tem falado da caracterização de Gordon-Levitt para ficar mais parecido com Bruce Willis. É algo que primeiro se estranha e depois se entranha. Não era necessário, se calhar nem era aconselhado, mas também não correu mal.

Os elementos são bem introduzidos ao longo do filme, para não surgirem destoados mais à frente arriscando-se a soar a falsos. A tensão é boa e o elenco fantástico (vale a pena estar atento ao jovem talento  Pierce Gagnon). É dos filmes de ficção científica modernos mais interessantes que vi nos últimos tempos (falta-me espreitar o "Moon"), esperemos que venham mais como este e melhores ainda.

sexta-feira, outubro 12, 2012

Roma


"Roma" é um filme totalmente diferente daquilo que imaginava de Fellini, é de 71 e de uma fase mais (chamemos-lhe) experimentalista. O argumento é mínimo e trata-se de um filme, no seu todo, bastante desconexo, sem uma linha argumentativa que o guie, onde os vários segmentos têm apenas como ponto em comum a capital italiana, e por vezes o próprio Fellini, "Roma" tem o seu quê de auto-biográfico.

A início custou-me entrar neste esquema, não havia uma história a prender-me a atenção, no entanto o filme foi crescendo e conquistando o seu espaço. É uma ode a Roma, antiga capital do mundo, tudo está aqui desde o povo, à guerra e à ditadura; passando pela religião e prostituição, tudo aquilo que fez e faz Roma, não é esquecido.


Goste-se ou não, há segmentos de inegável beleza, veja-se o final que alterna entre um desfile de prostitutas e de membros do Clero, é um dos momentos altos do filme e com uma estética divinal.

quinta-feira, outubro 11, 2012

Guess Who's Back?


No #1 do "Detective Comics" que havia falado aqui, aconteceu algo muito inesperado e terrífico ao mesmo tempo (como a imagem revela). As expectativas subiram em flecha para este título, mas o acontecimento em questão ficaria em banho-maria durante os restantes número. A história havia sido abandonada, ou melhor adiada.

Pensava que seria posteriormente desenvolvida no título em que começou, mas não, "A death of the Family" - nome desta nova saga e que promete trazer o Joker de volta como nunca antes o vimos - irá decorrer no título principal de "Batman" e ainda bem, porque Snyder e Capullo têm estado excepcionais a trabalhar com Batman.

Infelizmente isto vai ser um crossover (óbvio) e estender-se por outros títulos (que não tenho intenção de comprar), esperemos que não seja nada de relevante a sair nos outros títulos.

De qualquer das maneiras, o que queria salientar é que o Joker está de volta e promete um dos regressos mais assustadores de sempre. Isto tem tudo para dar pesadelos. O primeiro comic sai este mês, ou seja, vem-me parar às mãos no próximo. Está quase.

BD ao Forte


“BD ao Forte” é o nome de um novo festival que tem por objectivo desenvolver várias actividades relacionadas com a Banda Desenhada. A organização está a cargo de André Oliveira e irá decorrer, em parceria com a Liga do Combatente e durante dois meses (de 13 de Outubro a 15 de Dezembro), no Forte do Bom Sucesso (Belém, Lisboa).

O projecto surge no âmbito da primeira edição da Trienal Movimento Desenho DESENHA’12, um evento partilhado por dezenas de instituições que se debruça sobre as mais variadas vertentes e abordagens do desenho em Portugal.

Do festival fazem parte vários workshops sobre os mais variados temas dentro da BD:

  • Masterclass: Análise Formal da BD, por Pedro Moura;
  • Masterclass: BD Experimental, por Pedro Moura;
  • Animação à Leitura, por Pedro Leitão; 
  • BD: do esboço à arte-final, por Fil;
  • Masterclass: A legendagem na BD – Um importante instrumento narrativo, por Mário Freitas;
  • Masterclass: Escrita para BD – linguagem e forma, por Mário Freitas. 
Estarão também presentes várias exposições: “Combatentes – As várias faces do soldado português”, que conta com 10 ilustrações de soldados nacionais; “Antes da BD – Os primeiros passos nas pranchas de 24 autores”, onde são apresentados um conjunto de esboços, layouts, apontamentos e ideias de vários artistas nacionais; exposição sobre a ilustradora Susana Resende, que consiste numa série de ensaios rápidos e expressivos.

Há ainda apresentações, lançamentos de projectos e uma feira de BD, que contará com a presença de alguns autores no decorrer das sessões de abertura e encerramento.

 Texto publicado na Rua de Baixo.

quarta-feira, outubro 10, 2012

Cloudburst


Este ano só consegui ir à sessão de encerramento do Queer 2012. A escolha recaiu sobre "Cloudburst" uma simpática comédia sobre o amor de duas lésbicas idosas.

Quando Dot (Brenda Fricker) é internada, contra a sua vontade, pela neta num lar, a sua namorada Stella (Olympia Dukakis) vê-se obrigada a "raptá-la" de tal instituição iniciando assim a aventura deste filme. Stella e Dot vão conduzir até ao Canadá para se casarem e nunca mais poderem ser separadas. Pelo caminho dão boleia a Prentice (Ryan Doucette), um jovem rapaz que junto a elas forma um trio inesperado de aventureiros. No fundo é quase um "Thelma & Louise" da terceira idade.

Foi uma surpresa agradável, o amor nas pessoas mais velhas é já por si um tema pouco abordado e no caso de um amor homossexual, então ainda menos. Nesse sentido "Cloudburst" é um filme bastante competente com boas doses de humor, excelente Olympia Dukakis, e que nos traz mais um conto sobre o amor, mas um que interessa e deixa a sua marca.

Certamente não terá sido o melhor filme a passar no festival, mas parece ter sido uma boa escolha nesta despedida até 2013, pelo menos o público pareceu conquistado e com tanta ternura, como podia não ficar?

domingo, outubro 07, 2012

 Colecção do Público dos Monty Python - Checked

quarta-feira, outubro 03, 2012

Mientras Duermes



Em 2007, Jaume Balagueró e Paco Plaza trouxeram-nos do nosso país vizinho "Rec", uma obra de terror a ter em consideração. O filme explora conceitos já amplamente usados, mas soube juntá-los e criar uma peça com identidade. "[Rec]" tinha uma dose de claustrofobia e tensão que já não via há algum tempo, fiquei imediatamente fã desta dupla.

Seguiu-se em 2009 "[Rec]2" que por seguir as pisadas do anterior, perde a sensação de "novidade". É um filme bem executado, mas que acrescenta pouco, ainda assim uma proposta com interesse para os fãs do género. A partir daqui os dois realizadores espanhóis seguiram por caminhos diferentes.

Paco Plaza continuou a investir no mesmo filão e trouxe-nos este ano "[Rec]3". Não o vi ainda e apesar de não ter grande pressa para o fazer, gostei do facto de seguir um estilo diferente dos anteriores, afinal de contas, aquele prédio já merecia descanso.

Para mim muito mais apelativo foi o caminho seguido por Jaume Balagueró com este "Mientras Duermes" de 2011. Já agora, ambos os filmes tiveram exibição no "Motelx" deste ano.

Balagueró mantém-se no terror, mas num registo totalmente diferente dos seus filmes anteriores. Em "Mientras Duermes" o terror não é tão imediato nem visual, mas muito mais psicológico, onde a tensão volta a ser um dos pontos fortes deste realizador. Não provocando o mesmo número de sustos que "Rec", é outro tipo de filme, acaba por ser muito mais assustador - certamente muito mais macabro - simplesmente por lidar com monstros reais.

A história centra-se em César um porteiro com a incapacidade de ser feliz e onde a única coisa que o faz levantar de manhã é o seu árduo trabalho em ter todos os inquilinos infelizes. Se pensarmos que o perigo tem as chaves da nossa casa então todo o sentimento de conforto associado ao lar desaparece num segundo.


Adenda: Ao contrário do que pensava Jaume Balagueró continua envolvido nos filmes [REC] e será o responsável pelo quarto capítulo.

Marvel Goes Pink


Neste mês de Outubro a Marvel associa-se à fundação "Susan G. Komen for the Cure" numa acção de sensibilização para o rastreio do cancro da mama.

Ainda outro dia falava de uma das técnicas usadas para rastreio, a mamografia, e que infelizmente ainda tem uma percentagem alta de resultados falsos negativos. Contudo, continua a ser dos exames mais importantes, a descoberta prematura deste tipo de cancro pode fazer toda a diferença.

Descobri esta parceria com a Marvel no blog Leituras de BD, passem por lá para conhecer um pouco mais desta campanha.

Marvel is proud to partner with Susan G. Komen For the Cure to support their unparalleled efforts to raise awareness about the risk of breast cancer to both women and men,” said Dan Buckley, Publisher & President of the Print, Animation & Digital Divisions, Marvel Worldwide, Inc. “We’re in a unique position to educate all our fans worldwide and increase awareness of the ways to fight—and reduce-- this risk of this disease by utilizing our comics and online presence.

segunda-feira, outubro 01, 2012

Mês da Fotografia na Bedeteca de Beja - Outubro

Beja é já um nome que se tornou sinónimo de BD e isto vai além do seu Festival anual. A Bedeteca de Beja é, graças ao excelente trabalho de Paulo Monteiro e sua equipa, um dos locais onde a BD é mais estimulada no nosso país.

Não fossem as minhas constantes viagens Lisboa-Porto e certamente passaria por lá muitas mais vezes. Deixo-vos o programa de Outubro que promete ser, mais uma vez, de grande qualidade. Paulo Monteiro parece partilhar tal como eu, um gosto adicional pelo Cinema algo que se costuma reflectir no programa que vos deixo em seguida:



Entre os próximos dias 6 e 31 de Outubro a Casa da Cultura acolhe trabalhos de cerca de 60 fotógrafos (chamamos a atenção para as exposições colectivas "Prémio de Fotojornalismo 2011 Estação Imagem / Mora", "I Fotógrafos de Beja" e “O PREC já não mora aqui”. Mas há muito mais para ver: conversas, livros, documentários, etc. Várias janelas abertas sobre o Mundo…)

A Bedeteca de Beja não quis deixar de se associar a esta Festa da Fotografia e preparou algumas ofertas à volta desta temática.

Regressam também os ateliês permanentes (5 ateliês), o Clube de Manga, e as rubricas mensais sobre a relação entre a Banda Desenhada e o Cinema. Para os mais arrojados, a Maratona 24H MANGA…

Um bom Outubro a todos!



EXPOSIÇÕES




TERRITÓRIOS – ENTRE A BANDA DESENHADA E A FOTOGRAFIA
De 6 a 31 de Outubro
Exposição de Banda Desenhada de John Bolton.
Local: Cafetaria da Casa da Cultura.
Organização: CMB (Bedeteca de Beja).



LOBATO
De 6 de Outubro a 31 de Dezembro
Exposição / Mostra de Banda Desenhada e Fotografia de Lobato.
Local: Bedeteca de Beja (1º andar, ala esquerda).
Organização: CMB (Bedeteca de Beja) / Lobato.



LIVROS DO MÊS NA BEDETECA




CORAÇÃO DE ARLEQUIM, de John Bolton e Neil Gaiman.

A revisitação da lenda de Arlequim e Columbina, célebres personagens da commedia dell'arte (forma de teatro popular improvisado) transportada até aos nossos dias de uma forma surpreendente…


O MORRO DA FAVELA, de André Diniz.

A história de Maurício Hora, um fotógrafo do Morro da Providência (a primeira favela brasileira, no Rio de Janeiro), levada à banda desenhada por André Diniz, um dos mais interessantes autores da banda desenhada brasileira contemporânea.


THE PHOTOGRAPHER, de Didier Lefèvre, Emmanuel Guibert e Frédéric Lemercier.

Uma obra comovente que relata o percurso do fotógrafo Didier Lefèvre com um grupo dos Médicos Sem Fronteiras pelo Afeganistão, em 1986. Nota: disponível apenas em inglês.




ATELIÊS



De 2 de Outubro a 25 de Junho
ATELIÊ DE BANDA DESENHADA OURIÇO-DE-MAR (dos 8 aos 12 anos)
Com PAULO MONTEIRO
Horário: terças-feiras, das 18h30 às 20h00.
Frequência livre.
Local: Bedeteca de Beja (1º andar, ala esquerda).
Organização: CMB (Bedeteca de Beja).

De 4 de Outubro a 27 de Junho
ATELIÊ DE BANDA DESENHADA TOUPEIRA (a partir dos 13 anos).
Com PAULO MONTEIRO
Horário: quintas-feiras, das 18h30 às 20h00.
Frequência livre.
Local: Bedeteca de Beja (1º andar, ala esquerda).
Organização: CMB (Bedeteca de Beja).


Até 26 de Junho
ATELIÊ DE DESENHO E PINTURA
Com ANA LOPES
Horário: segundas e quartas-feiras, das 19h30 às 21h15.
Número limite de inscrições: 10. Mensalidade: 20 euros. Inscrição: 5 euros.
Local: Sala de Desenho.
Organização: Associação Pegada no Futuro. Parceria: CMB (Casa da Cultura).


Até 27 de Junho
ATELIÊ DE ILUSTRAÇÃO CIENTÍFICA I E II
Com ANA LOPES
Horário: terças e quintas-feiras, das 19h30 às 21h15.
Número limite de inscrições: 10. Mensalidade: 20 euros. Inscrição: 5 euros.
Local: Sala de Desenho. Organização: Associação Pegada no Futuro. Parceria: CMB (Casa da Cultura).


Até 26 de Junho
ATELIÊ DE ILUSTRAÇÃO (EDITORIAL / INFANTIL)
Com ANA LOPES
Horário: segundas e quartas-feiras, das 21h30 às 23h15.
Número limite de inscrições: 10. Mensalidade: 20 euros. Inscrição: 5 euros.
Local: Sala de Desenho. Organização: Associação Pegada no Futuro. Parceria: CMB (Casa da Cultura). 




CLUBES




LEMON STUDIO – CLUBE DE MANGÁ

Horário: sextas-feiras, das 16h00 às 18h30.
Frequência livre.
Local: Bedeteca de Beja (1º andar, ala esquerda)
Organização: Lemon Studio. Apoio: CMB (Bedeteca de Beja).



CINEMA E BANDA DESENHADA



Dia 18, quinta-feira, às 21h30

NOITE DE WESTERN

Conversa acerca do emblemático cowboy TEX, criado em 1948 pelos italianos Giovanni Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini, e exibição do filme POR UM PUNHADO DE DÓLARES (1964), de Sergio Leone, com Clint Eastwood (um dos expoentes do western spaghetti - e o filme que inaugurou o género - com a vantagem de ser falado… em italiano). Apresentação de Paulo Monteiro. Local: Bedeteca de Beja (1º andar, ala esquerda). Organização: CMB (Bedeteca de Beja).

Entrada livre.



MARATONA DE DESENHO



Das 15h00 de dia 20 de Outubro, sábado, às 15h00 de dia 21, domingo

24H MANGA

Beja, Lisboa e Maia - 24 horas / 24 pranchas.
Inscrições livres. Local: Bedeteca de Beja (1º andar, ala esquerda).
Organização: NCreatures. Participação: Lemon Studio. Apoio: CMB (Bedeteca de Beja).

Nota: das 14h00 às 20h00 de sábado a Bedeteca estará aberta ao público, em horário normal.


OUTROS SERVIÇOS CEDÊNCIA DE ESPAÇO PARA ATIVIDADES

Apoio e cedência de espaços, a escolas e outras instituições, para a realização de reuniões e eventos na área da banda desenhada ou da ilustração.

APOIO A ALUNOS E PROFESSORES

Apoio a alunos e professores para a realização de exposições ou outros projectos específicos na área da banda desenhada e ilustração.

CONTACTOS E HORÁRIOS BEDETECA DE BEJA

Edifício da Casa da Cultura Rua Luís de Camões 7800 – 508 Beja Telefone: 284 313 318 Telemóvel: 969 660 234 E-mail: bedetecadebeja@cm-beja.pt Horário: de terça a sexta-feira, das 14h00 às 23h00. Sábados das 14h00 às 20h00.

PARCEIROS APOIOS E PARCEIROS PARA A PROGRAMAÇÃO

Associação para a Defesa do Património Cultural da Região de Beja / Associação Pegada no Futuro / Lemon Studio / Museu Regional de Beja / NCreatures /

PARCEIROS PARA A DIVULGAÇÃO NA NET AS LEITURAS DO PEDRO, CENTRAL COMICS, DRMAKETE, KUENTRO, LEITURAS DE BD e NOTAS BEDÉFILAS

quarta-feira, setembro 26, 2012

Batman - The Court of Owls


Tal como prometido o texto sobre "Batman - The Court of Owls" já se encontra disponível na Rua de Baixo é só clicar aqui.

Entusiasmei-me um pouco enquanto o escrevia, pois não me canso de salientar que isto é do melhor que se tem feito no género.

Foi uma boa aposta ter comprado isto em comics, normalmente sou mais de compilações, saem muito mais barato, mas esta série é muito possivelmente a melhor coisa que tenho nesse formato, artigo de colecção sim senhor.

terça-feira, setembro 25, 2012

Batman Earth One


"Earth One" é um novo título da DC Comics que tem por objectivo modernizar a origem de determinados personagens da editora. O primeiro a ter este tratamento foi, obviamente, o Superman escrito por  J. Michael Straczynski e desenhado por Shane Davis. Agora, depois do filho da luz, chegou a vez de contar a história do filho das trevas, por Geoff Johns (argumento) e Gary Frank (desenho).

Quando vi o nome de Geoff Johns associado a este título, o meu primeiro sentimento foi de desconfiança. Gosto bastante do trabalho dele e o que fez nos últimos anos com os Lanternas Verdes tem sido uma enorme diversão. Porém, sempre que ele escrevia a personagem do Batman... não resultava tão bem. Actualmente Johns é responsável pela JLA e até me parece melhor no que toca ao Batman, no entanto, foram as fortes críticas positivas a este "Earth One" que me aguçaram o apetite, os elogios são muitos e o livro saltou logo para prioritário nas minhas leituras.

Antes de continuar é necessário referir que "Earth One" é uma novela gráfica à parte da continuidade oficial. Uma vez que a DC fez um reboot ao seu universo pensei que estas iam ser as novas origens oficiais das personagens, mas estava completamente enganado, até porque além do Alfred ser fisicamente diferente, o final do livro também não deixa margem para dúvidas. Acaba por ser melhor assim, pessoalmente não queria que esta fosse a origem oficial de Batman, prefiro-a muito mais como uma variante, como uma de muitas possibilidades, um de muitos universos paralelos.

A espinha dorsal da história continua a ser a morte dos pais de Bruce Wayne, nem de outra forma poderia ser. Contudo as grandes diferenças fazem-se logo notar e são a nível das personagens, inclusive o próprio Bruce Wayne. Em miúdo é retratado como um pirralho irritante e goste-se ou não, a verdade é que não é de todo surpreendente que uma criança nascida neste seio fosse exactamente assim. Enquanto Batman temos uma visão mais "realista" da personagem, afinal de contas ele não é, na génese da palavra, um Super-Herói, e isso é um aspecto que tem particular atenção por parte dos autores, atente-se por exemplo que conseguimos ver-lhe os olhos ao invés da película branca característica deste tipo de máscaras. Além do mais, este é o início da sua carreira, então além dos perigos que um humano normal teria de enfrentar ainda temos de contar com a sua, tão evidente, inexperiência.

De todos, Alfred será porventura a personagem mais modificada. Nesta versão nunca foi mordomo dos Wayne e apenas surge na história para com a sua experiência ajudar a proteger o seu velho amigo, Thomas Wayne. Nesta versão Thomas está em plena campanha eleitoral por Gotham City e a sua popularidade aliada à vontade em "limpar" as ruas de Gotham, fizeram-no conquistar inimigos perigosos nomeadamente o actual Mayor (um velho conhecido nosso).

Há personagens que também começam de uma forma bastante diferente da qual os conhecemos, como Jim Gordon e Harvey Bullock, mas que com os acontecimentos encontram o seu respectivo lugar, aquele que nos é muito mais familiar. Nesta versão é também Alfred, aqui muito mais soldado (literalmente, pertenceu aos Royal Marines) que treina Bruce, já não temos a viagem à volta do mundo para conhecer a mente criminosa, uma pena.


Quanto aos desenhos, Gary Frank, não desilude. O retrato das personagens é muito detalhado, algo que se nota particularmente nas suas expressões faciais, e realista tal como a história pretende.

"Batman Earth One" é uma boa história, uma outra visão sobre a origem do Morcego, mas que esteve longe de me conquistar, principalmente quando já existe um "Year One" por Frank Miller e David Mazzucchelli. Continuo a sentir que Johns não entende tão bem a personagem, não como Miller, Morrison ou Snyder. Mas, em contrapartida, também parece que é propositado que este Batman seja tão diferente. Está previsto seguirem-se mais dois volumes onde a evolução de Batman será um aspecto em constante desenvolvimento.

Como disse, é uma boa história, porém, se querem ler sobre a origem do herói aconselho muito mais o já mencionado "Year One" e para aqueles que procuram histórias da actualidade desta personagem acho que o dinheiro é muito mais bem gasto no recente "The Court of Owls" de Scott Snyder e Grag Capullo, sobre o qual falarei muito brevemente.

domingo, setembro 23, 2012

Death Note na Sic Radical e no TVDependente


No passado dia 18 de Setembro, a SIC Radical começou a transmitir a série “Death Note”, um dos animés de grande culto mundial. A série irá dar todas as semanas de segunda a quinta, às 20h00.

O TVDependente decidiu aproveitar esta estreia para seguir a série de perto e estarei por lá todas as semanas a comentar os episódios dados.

Cliquem aqui para aceder aos textos sobre os três primeiros.

quinta-feira, setembro 20, 2012

Fun Home – Uma Tragicomédia Familiar


Já foi surpreendente, mas ainda assim não deixa de ser sempre curioso quando revejo o meu comportamento nos outros. Alison Bechdel teve uma infância completamente diferente da minha, não lhe encontro nada que nos una e, no entanto, partilhámos algumas das mesmas paranóias. Quando ela começa a escrever "acho eu" em todas as frases do diário, fez-me viajar no tempo, também eu com idade similar me apercebi de como a memória pode ser falível e que tudo o que dizíamos podia não ser uma descrição exacta dos factos. Não tinha diários, mas esse "acho eu" acompanhou-me muito nessa fase. Existem outras além desta, mas foi a que me chamou mais a atenção. Certamente que não somos os únicos, a unicidade é algo realmente raro se é que existe. Ainda assim, suscipta-me sempre algum fascínio descobrir isto, é que à primeira vista o meio não desempenhou o papel aqui.

Escrevi este parágrafo aqui por ser de tom mais pessoal, quanto ao livro em si, que é muito bom, podem ler mais sobre ele, no sítio do costume. Cliquem aqui.

quarta-feira, setembro 19, 2012

12 - A Doce (Lançamento)


Saiu hoje "12 - A Doce" primeiro projecto a solo de François Schuiten, artista consagrado dos livros "As Cidades Obscuras".

Há muita coisa interessante neste livro e a reter ainda antes da sua aquisição:

- Schuiten é um mestre do desenho, só aí o livro valerá certamente a pena, resta saber como se comporta na escrita também;

- É a primeira obra de BD que utiliza a técnica "realidade aumentada", ou seja, usando uma webcam é possível visualizar em 3-D algumas das ilustrações contidas;

- Existe uma capa exclusiva para Portugal limitada a 500 exemplares.


Se BD fosse uma coisa que desse dinheiro por cá, nem imagino todas as potencialidades da ASA. Excelente aquisição, ver se passo por uma loja hoje mesmo.


Adenda: Ainda não estava à venda na FNAC, provavelmente hoje (20/09/12) já está disponível.

Adenda 2: Comprado.

Autumn Leaves

"Autumn Leaves" é o novo projecto cinematográfico de Filipe Coutinho.



Para conhecerem melhor do que se trata podem consultar o site de angariação de fundos e a página no facebook. Qualquer questão que tenham certamente que o Filipe estará mais que disponível para esclarecer.

Para o conhecer melhor também aconselho a leitura da sua entrevista na revista Sombra.

segunda-feira, setembro 17, 2012

Sessões no Motelx 2012

Este ano foram só dois e em sessão dupla:



Suspiria

Uma das obras incontornáveis do género Giallo, "Suspiria" é um filme com um ambiente e uma Mise en scène maravilhosos. Desde os lindíssimos cenários cheios de cor e geometria passando pelos jogos de luzes e claro, pela música. A união de tudo isto contribuiu para uma peça notável de Cinema e que visto numa grande sala ganha a dimensão que merece, a dimensão para o qual sempre foi planeado.

O argumento e personagens são relegados para um plano secundário, são simples e directos, o que interessa aqui é a ambiência, o poder da imagem e do som e como mexe com os nossos sentidos. Eu que ligo sempre tanto à história fiquei rendido pelo poder visual deste filme, Cinema é, afinal de contas, imagem em movimento.

Voltando à música é da banda "Goblin" com que Argento já havia previamente trabalhado, veja-se "Profondo Rosso" outro grande exemplo de como a parceria entre realizador e banda resulta tão bem. "Profondo Rosso" também esteve em exibição este ano no festival, não fosse Dario Argento o convidado de honra.

Por falar em convidado de honra, não assisti à sua palestra, mas Argento brindou-nos com a sua presença antes da exibição de "Suspiria". Foi muito bem recebido por uma sala cheia e ainda falou um pouco das suas influências e motivações, aparentemente esteve também na manifestação que decorreu no mesmo dia.






Inbred



De seguida era suposto ser o já esgotado "VHS", por isso optou-se por ficar na mesma sala e ver o seguinte "Inbred" que também contou com a presença do realizador Alex Chandon que se disponibilizou para responder a algumas questões após a visualização do filme.

Eu gosto de gore, gosto da brutalidade e do humor que lhe está associado, não gostei, no entanto, de "Inbred". Faltou-lhe o prometido "humor inglês" não chega ter essa nacionalidade para usar essa expressão na sinopse. Na realidade existe essa intenção, o tom do humor negro está lá e por vezes até funciona, porém, nesse aspecto, soube-me a pouco.

No filme um grupo de adolescentes e os seus tutores decidem viajar até a aldeia Mortlake em Yorkshire. Uma aldeia que não tem em boa conta forasteiros e que pelo próprio título do filme nos revela um pouco do seu estilo de vida. A caracterização do ambiente rural deixa a desejar é demasiado simplista, claro que essa provavelmente nunca foi uma preocupação.

Mais que sangue e partes de corpos desmembradas, é um filme grotesco e de mau gosto. Ainda que queira ser tudo isso (tudo é intencional) não me convenceu, consegue-se melhor dentro do género. É que assistir a filmes como "Inbred" já é uma experiência que mexe com as tripas, por isso é melhor que valha pena. E um piromaníaco que não reconhece o fraco cheiro a álcool é simplesmente triste.




Curtas-Metragens 

Antes de cada filme foi exibida uma curta portuguesa a concurso. A primeira foi "Mutter" inspirada na série de BD "Y: The Last Man". Pelo que percebi é um projecto que pretende ter continuidade, onde todos podem participar num concurso de BD e vídeo. Saibam mais aqui. A curta em si é o início de algo, uma intro, que isaolada disse-me pouco.

A segunda curta foi "O Reino". Pode-se estranhar a inserção desta num festival de terror, ainda que se possa considerar alguma tensão psicológica do protagonista. Gostei da curta, a fotografia era boa e desenvolveu a ideia de uma forma engraçada, contudo, teria beneficiado mais se a tivessem passado a uma hora mais cedo.

Antes do "Reino" ainda foram divulgados alguns spots publicitários feitos para o festival, um dos quais censurado e que pela descrição dos criadores elevou a fasquia do moralmente incorrecto. Sabem aqueles momentos em que elevam a fasquia de algo e depois quando vemos ficamos a pensar "afinal era só isto?". Pois bem, este não foi um dos casos, o spot é, tal como prometido, completamente doentio, há que gabar a ousadia.

sexta-feira, setembro 14, 2012

Lincoln - Trailer



Não sei quem é o melhor actor do mundo, mas sei quem iria se rum dos fortes considerados, vejam o trailer do seu novo filme.

quarta-feira, setembro 12, 2012

Motelx 2012


Começa hoje, mais informações aqui.

quinta-feira, setembro 06, 2012

quarta-feira, setembro 05, 2012

Bush no Coliseu dos Recreios (02-09-12)

Ah o saudosismo musical, tema muito abordado hoje em dia, uma vez que de momento os regressos das bandas estão para os concertos como as adaptações de BD para o cinema. Para uns há coisas que já passaram, que tiveram a sua altura e hoje em dia não fazem sentido a não ser para estimular aquela zona do cérebro onde se encontra a memória (e que bem sabe por vezes), aqui o caminho, portanto, é o de seguir para à frente. Isto tem o seu quê de verdade, há músicas que envelheceram mal, são fruto de um tempo e fora dele não sobrevivem, no entanto, há músicos que conseguem quebrar essa barreira e o trabalho deles é além de brilhante, intemporal e por isso ainda hoje se ouvem os Pink Floyd e os The Beatles entre tantos outros.

Mas uma coisa é em álbum e outra é ao vivo, coloca-se a questão se as coisas funcionam? Pessoalmente sim, a experiência é algo que se faz notar e quem tem muitos anos disto sabe o que faz, não é à toa que alguns dos melhores concertos que vi este ano foram os de Bruce Springsteen & The E Street Band, dos The Flaming Lips e dos Radiohead, apesar destes últimos serem mais recentes. OK é verdade que nenhum destes é um "regresso" todos se mantêm mais ou menos no activo e continuam com a pedalada toda, mas acima de tudo são todos grandes músicos e no caso dos Radiohead ainda hoje lançam alguns dos álbuns mais interessantes do mercado mesmo que já não gozem da popularidade dos tempos do "OK Computer" e do "Kid A". E não falem no Peter Gabriel ou nos Dead Can Dance que ainda choro esses concertos por os ter falhado.

Também não sou daqueles saudosistas que acha que antigamente é que era, continuam a surgir bandas extraordinárias todos os anos e para não sair deste, posso acrescentar aos concertos acima, os de Jack White que falei ainda ontem e o de Beach House cuja atmosfera criada por este duo é de uma beleza emocionalmente esmagadora. No fundo música é música e o resto é conversa.

Nisto os Bush lançam um novo álbum e passam pelo coliseu no dia 2 de Setembro. Porque há dois tipos de regressos, com ou sem material novo. Este "The Sea of Memories" o 5º de originais da banda é melhor do que esperava, foi crescendo e ganhando o seu espaço, não é do melhor que a banda já fez, acho que ninguém contava com isso, mas não deixa de ser bom. Esta é uma das bandas que mais ouvi na adolescência e ainda hoje revisito com frequência o "Sixteen Stone", o primeiro e que quanto a mim é um dos melhores discos do género dos anos 90. Comecei a partir deste regresso a revisitar os restantes álbuns com o bichinho de os ver ao vivo a crescer cada vez mais, porque Bush, goste-se ou não dos álbuns, tem, indiscutivelmente, grandes canções rock que têm tudo para funcionar ao vivo, logo não lhes é muito complicado criar uma set list poderosa.

Claro que depois surgem concertos mais cedo, o dinheiro gasta-se, fazem-se planos para viagens no futuro e é preciso amealhar, com isto Bush foi caindo no esquecimento. Só que ver Jack White acordou o monstro adormecido dos concertos e no dia seguinte correu-se para comprar Ornatos Violeta, não deixar passar a nova data como aconteceu com as anteriores, e também Bush. Porque por muito irresponsável que nos parecesse naquele momento era certo que íamos ficar arrependidos se deixássemos passar esta oportunidade. Claro que ir ver com a namorada um concerto do "homem da sua vida" pode ser estranho, o que me lembra que um amigo disse uma vez que "a música é o maior chicks magnet do mundo" e... é por aí. Neste caso Gavin Rossdale já nasceu com vantagens genéticas no campo, por isso até devia ter sido proibido de ter uma banda porque juntar a beleza natural à força da música é extremamente injusto para a concorrência.


Perto das 22h os Bush surgem no palco, da guitarra de Rossdale começa a sair o fortíssimo Riff de "Machine Head" e a acompanhá-lo um jogo de luzes verdes, quanto a mim esta é uma das melhores canções da banda. Não vejo melhor abertura para isto, tirou logo as dúvidas, se alguém as tinha, de que isto ia ser memorável. Durante a música reparo que estes Bush não são os mesmo que eu conhecia, Rossdale é inconfundível e o baterista, Robin Goodridge,  parece-me o mesmo, apenas mais velho e de cabelo cortado, mas os outros dois certamente não são os membros fundadores, Nigel Pulsford e Dave Parsons. Após uma curta pesquisa em casa já sei os nomes dos dois substitutos Corey Britz no baixo e Chris Traynor na guitarra, ele que deu um grande espectáculo e que tem uma grande química com o vocalista (afinal já trabalham juntos desde 2002).

Esta é a digressão do "The Sea of Memories" por isso seria certamente um dos álbuns mais focados, com cinco canções na set list, mesmo assim o primeiro acabou por ganhar com mais uma e ainda bem. A inserção das novas canções foi feita com cuidado sempre alternando entre elas e clássicos antigos, assim nunca havia perigo de o concerto morrer. Por exemplo, depois da abertura tocam a recente "All My Life" para logo de seguida tirarem mais um coelho da cartola com "The Chemical Between Us", era claro que isto nunca ia falhar com esta receita. Já agora esta "The Chemical Between Us" é uma grande canção que talvez na altura não lhe tenha dado o devido valor, bem como ao "The Sciense of Things" onde os Bush procuraram uma nova sonoridade e prova disso é esta poderosa canção que mantendo os riffs característicos da banda mas incorporando elementos da electrónica afastando-se assim dos meandros do grunge que tantas comparações aos Nirvana lhe valeram.


Mas, voltando às novas, acho que estas canções até foram muito bem recebidas, como a seguinte "The Sound of Winter" e mais à frente a "Stand Up" que foram dois grandes momentos. Depois do último single, Rossdale afirma que vai tocar uma nova canção e o tom irónico percebe-se logo, vem aí depois do último, o primeiro single que a banda lançou, o clássico "Everything Zen". Depois é tempo de visitar "Razorblade Suitcase" com "Swallowed", caramba a canção envelheceu melhor do que pensava, grande coro do público, grande química entre nós e eles, onde a alegria era visível tanto dentro do palco como fora e ainda vamos a meio. Após a nova "The Heart of The Matter" que volta a reforçar a ideia de que são muitos os que conhecem as letras do novo álbum, vem "Prizefighter" dedicada a Cristiano Ronaldo e que foi a segunda e última canção de "The Science of Things", estranhei não tocarem a sensual "Letting The Cables Sleep" e tive muita pena que deixassem a "Warm Machine" de fora, não se pode ter tudo.

Após a já mencionada "Stand Up" ouvimos o som de uma mosca a voar, quem não sabe a música que vem a seguir é porque está só a acompanhar alguém, é tempo de "Greedy Fly", que vem também fechar as canções de "Razorblade Suitcase", ficando de fora a belíssima "Bonedriven". Voltamos ao primeiro para uma das grandes baladas de Bush, "Alien" seguida por "Afterlife" onde o vocalista decide percorrer o Coliseu inteiro. Já por várias vezes Rossdale se tinha dirigido até ao público, mas desta vez foi até às bancadas, cantou ao pé dos fãs, bebeu do copo de alguém e, se era possível, conquistou ainda mais o público.


Para finalizar mais um dos hinos da banda, Rossdale em destaque em cima de uma coluna começa a tocar "Little Things", este homem está imparável, dança, atira-se para o chão, com quase 50 anos numa forma invejável e como já referi sempre em grande sintonia com o outro guitarrista. Em "Little Things" ainda foi tocar na bateria junto ao companheiro de longa data. A banda abandona assim o palco, claro que ainda vem o encore, mas já se sente que está, infelizmente, quase a terminar.

Quando regressam trazem duas covers que tocam seguidas, "Breath" de Pink Floyd e "Come Together" dos "The Beatles" (a menção acima não foi nada inocente). Que grandes escolhas, que grandes versões às quais o público respondeu com igual euforia. Todos cantaram a alto e bom som o refrão dos Beatles,

Na recta final, Rossdale menciona algumas palavras sobre o passado e o presente, sobre como gosta de tocar aqui e que promete voltar para o ano. Mesmo que tal não aconteça, ainda falta tanto, as palavras soam a sinceras, quem no seu perfeito juizo não ia querer  repetir a emoção que se viveu nesta noite? Assim sozinho com a sua guitarra começa a tocar a balada de eleição "Glycerine" alternando com momentos à capela para no fim terminar com a banda no seu todo, foi excepcional. Para terminar "Comedown" numa versão ainda maior, porque ninguém queria dizer adeus.


Ficou de fora o 4º álbum "Golden State", é verdade que na altura foi um regresso ao passado e o que se encontra lá já se tinha ouvido no primeiro, mas tem boas canções, não merecia ficar de fora, pelo menos uma passagem era de valor.

Termina assim um concerto que superou as minhas expectativas, que já por si eram bem compostas. Muitos não vão acreditar, mas foi mesmo um dos concertos do ano.


Nota: Como as fotos que encontrei já estavam devidamente identificadas não acrescentei nada. Qualquer inconveniente é só comunicar.

terça-feira, setembro 04, 2012

Jack White no Coliseu dos Recreios (31-08-12)


Jack White é um dos nomes maiores do Rock da actualidade, conta com inúmeros projectos, onde todos merecem destaque e lançou este ano o seu primeiro álbum a solo "blunderbuss" onde o blues, o rock e até o folk se misturam em perfeita comunhão. Não estava a contar com a sua vinda cá tão rápida, o concerto foi anunciado com cerca de mês e meio de antecedência (?) e para 31 de Agosto. O Senhor White já não vinha cá há 5 anos e eu nem sequer o tinha visto na altura com os White Strip, s. Era de aproveitar e, felizmente, sem qualquer esforço, a oportunidade surgiu rapidamente.

Já não vinha ao Coliseu há uns bons anos, já não me lembrava que era tão quente. Este fim-de-semana, acabaria por matar bem as saudades, apesar de por esta altura ainda não saber disso. A primeira parte esteve a cargo dos The Poppers, banda portuguesa que me era desconhecida, se bem que o nome realmente dizia-me qualquer coisa, talvez por causa de um anúncio na MEO cuçja música é da banda. Canções de puro rock n roll, que tentaram aguçar o apetite para o que aí vinha, o prato principal. Não tendo sido nada de extraordinário, foi um momento animado que quanto a mim cumpriu ao que se pretendia, saliento ainda o momento em que foram buscar alguém ao público para tocar guitarra numa das canções, naquele que foi o momento mais animado desta primeira parte. De salientar também o entusiasmo vísivel do vocalista por estar a abrir para Jack White, o que lhe parece ter dado uma força extra para continuar a acreditar.


Antes do concerto começar surge alguém no palco a avisar que o público pode deixar de se preocupar com as fotos e simplesmente desfrutar do concerto em 3D ao contrário do 2D dos aparelhos. White trouxe um fotógrafo e irá disponibilizar fotos do concerto, excelente ideia. Claro que há ainda a questão dos vídeos e por isso as máquinas marcaram, na mesma, uma forte presença.

Entra a banda em palco e começam os acordes de "I'm Shakin´", no entanto, a canção rapidamente se transforma numa jam session enquanto White entra em palco para logo de seguida se ouvir "Dead Leaves and Dirty Ground" dos White Stripes. Este início promete logo uma grande viagem não só por "blunderbuss" mas por toda a carreira do autor, ou seja, excelente. Pena foi a cover de Little Willie John  ter acabado por não ser tocada, pois é uma belíssima cover, como só Jack White sabe fazer, veja-se a recente "Love is blindness" dos U2.



Seguem-se duas do álbum a solo, "Sixteen Saltines" e "Missing Pieces". Se havia dúvidas em como o novo álbum seria recebido ao vivo, tais foram desfeitas logo em "Sixteen Saltines". Os temos funcionam muito bem ao vivo e o público responde positivamente sempre num enorme entusiasmo. Os Stripes voltam a ser lembrados em "Hotel Yorba" e se há canções do duo que ganham muita força com uma banda por trás, outras privilegiam o minimalismo que lhes é característico. Por falar em banda, White veio muito bem acompanhado, além dele os músicos eram muito bons e juntos deram aqui um grande concerto.

Depois de "Love Interruption" surgem pela primeira vez os The Racounters com "Top Yourself", seguidos por "I Cut like a Buffalo" dos The Dead Weather. Desconhecia estes últimos, mas rapidamente me conquistaram com esta canção, parece que White não é mesmo capaz de falhar.



Mais um grande tema do seu álbum é o seguinte "Weep themselves to Sleep" seguido por dois momentos mais intimistas "Blunderbuss" e "I Guess I should go to sleep" com White ao piano. Regressamos ao passado com "Cannon" e "Ball and Biscuit" dos White Stripes, isto está realmente a ser um grande espectáculo de Rock N' Roll que continua com "Trash Tongue  Talker", "Where Going to be Friends" (White Stripes) e talvez a surpresa da noite, "Two Against One" dos projecto Danger Mouse. A terminar Stripes a dobrar com "The same boy you've always known" e o clássico que já marcou presença nos Simpsons, "the hardest button to button", que "final" glorioso este.

O encore já era esperado, como sempre, e foi brilhante. A banda regressa e entra logo a matar com "Steady as she Goes" dos Racounters, que bem soou o primeiro single da banda ao vivo. "Freedom at 21" ao vivo ainda é melhor, White trara os instrumentos por tu e brinca à vontade com todas as canções que quiser. Estamos num momento imparável. Segue-se "Hypocritical Kiss", "Nitro" (cover de Hank Williams), "Blue Blood Blues" (The Dead Weather) finalizando-se com a cereja no topo do bolo "Seven Nation Army" (White Stripes), hino já entoado pelo público quando pediam este encore. Absolutamente maravilhoso esa sequência final.


O som no entanto, não foi dos melhores, tinha várias dificuldades em entendê-lo a falar por exemplo. Desta vez estive nas bancadas o que me fez ter noção de que há mesmo muitas pessoas a abandonar o concerto para comprar cerveja e abandoná-lo por cerca de 2 ou 3 canções, baseando-me nos que estavam atrás de mim. Isto para mim é um bocado como nos filmes, não gosto de perder nada, por muito que seja a sede, sem falar que estamos a falar de 30€.

Não me lembro em qual canção White tocou guitarra durante algum tempo só com uma mão, aquele pose durante aqueles segundos dizem tudo, estamos perante um dos novos ícones do género. o rock não está nada morto e como se costuma dizer nestas frases, recomenda-se.


Nota: Todas as fotos são de Jo McCaughey, foram tiradas do site de Jack White e podem ser vistas na sua totalidade aqui.

sábado, setembro 01, 2012

Diário Rasgado


A “Mundo Fantasma” em parceria com a “Associação Turbina” e o colectivo “A Mula” editaram em Maio aquele que promete vir a ser um dos melhores lançamentos editoriais do ano no que toca a banda desenhada.

Este “Diário Rasgado” trata-se, como está explícito no título, dos apontamentos de vida do autor Marco Mendes onde a realidade e a ficção se misturam. Este é um projecto que tem vindo a ser revelado desde 2005 no blog do autor e que já conta também com algumas pranchas editadas em fanzines, nomeadamente no “Tomorrow the chinese will delivery the pandas” e, obviamente, nos fanzines do colectivo “A Mula”, entre outros. Digo obviamente no que toca ao colectivo “A Mula”, uma vez que este foi formado em 2004 pelo próprio autor em parceria com Miguel Carneiro.

Mais sobre o livro de Marco Mendes na Rua de Baixo aqui.