quarta-feira, março 25, 2015

Doctor Who - Temporada 8



Mais uma análise a uma temporada do Doctor. Desta vez no TVDependente.

terça-feira, março 24, 2015

Herberto Helder (1930-2015)

Ainda há poucos meses destacava o último livro de Heberto Helder, quando hoje de manhã me deparo com a notícia da sua morte. Trata-se de um dos mais recentes autores a quem me tenho dedicado descobrir e, apesar de não ser um grande conhecedor, não podia deixar de fazer uma homenagem a este grande poeta.

O facto de ter editado no final do ano passado um livro que reúne o seu corpo de poesia definitivo (segundo o próprio), não deixa de assumir uma certa simbologia,  como se se tratasse de um presságio por parte do próprio autor que aproveita para "arrumar a sua casa" antes de partir.

Porque a melhor maneira de recordar Herberto Helder, é lendo-o, deixo em seguida as seguintes palavras aqui publicadas:

"Triptico

I

Transforma-se o amador na coisa amada com seu
feroz sorriso, os dentes,
as mãos que relampejam no escuro. Traz ruído
e silêncio. Traz o barulho das ondas frias
e das ardentes pedras que tem dentro de si
 E cobre esse ruído rudimentar com o assombrado
silêncio da sua última vida.
O amador transforma-se de instante para instante,
e sente-se o espírito imortal do amor
criando a carne em extremas atmosferas, acima
de todas as coisas mortas. 

Transforma-se o amador. Corre pelas formas dentro.
E a coisa amada é uma baía estanque.
É o espaço de um castiçal,
a coluna vertebral e o espírito
das mulheres sentadas.
Transforma-se em noite extintora.
Porque o amador é tudo, e a coisa amada
é uma cortina
onde o vento do amador bate no alto da janela
aberta. O amador entra
por todas as janelas abertas. Ele bate, bate, bate.

O amador é um martelo que esmaga.
Que transforma a coisa amada. 

Ele entra pelos ouvidos, e depois a mulher
que escuta
fica com aquele grito para sempre na cabeça
a arder como o primeiro dia do verão. Ela ouve
e vai-se transformando, enquanto dorme, naquele grito
do amador.
Depois acorda, e vai, e dá-se ao amador,
dá-lhe o grito dele.
E o amador e a coisa amada são um único grito
anterior de amor. 

E gritam e batem. Ele bate-lhe com o seu espírito
de amador. E ela é batida, e bate-lhe
com o seu espírito de amada.
Então o mundo transforma-se neste ruído áspero
do amor. Enquanto em cima
o silêncio do amador e da amada alimentam
o imprevisto silêncio do mundo
                                                     e do amor."

Herberto Helder

terça-feira, março 10, 2015

O Espelho de Mogli


"O Espelho de Mogli", editado no ano passado pela MMMNNNRRRG, trata-se de uma das peças de BD mais notáveis a chegar ao nosso mercado nos últimos anos. O livro de  Olivier Schrauwen, consegue cativar-nos pelo seu conteúdo, pela sua sensibilidade gráfica e até pelo objecto em si (o formato é o de uma espécie de jornal). Estamos a falar de uma peça que tem tudo para se tornar de culto.

A ideia pode ter nascido do livro de Kipling, quando o autor pegou no conceito do menino criado na selva, mas rapidamente seguiu o seu próprio curso e um muito diferente do explorado em o "Livro da Selva". Em "O Espelho de Mogli" seguimos o protagonista na procura de companhia, um exercício que acaba por se provar infrutífero, porque por mais que a selva seja uma casa para Mogli, este continua a ser um estrangeiro no meio dos seus habitantes.  Olivier Schrauwen, sem nunca recorrer ao uso de uma palavra, traz-nos assim uma excelente reflexão sobre a identidade do Homem e a fronteira que se ergue entre ele e o animal.  Uma viagem de reflexos e reflexões, para o Homem que procura conhecer-se melhor. Tudo isto sempre pautado por emoções diversas, pois Schrauwen é um mestre a compôr este trabalho, conseguindo colocar-nos a rir de Mogli com a mesma facilidade e à vontade que nos faz sentir a sua dor e desespero.

Em relação a esta edição, difere da original no tamanho - é maior, com 25 x 30 cm - e na cor, previligiando o uso do laranja e azul, numa composição muito terrena, de um livro que, por vezes, tem um sabor bastante onírico.

Foi um livro que acabou por surgir numa altura em que não estava a escrever sobre nada. Mas pelo impacto que teve em mim e por considerá-lo, provavelmente, o lançamento mais relevante de 2014, não podia deixar passá-lo despercebido aqui no blog. Estou a falar de lançamentos de material novo, pois 2014 teve a edição de MAUS e da Mafalda que serão sempre peças fundamentais deste universo que é a BD.


terça-feira, março 03, 2015

Beladona


"Beladona" é o novo trabalho de terror de Ana Recalde e Denis Bello na BD. Editado pela AVEC, trata-se de mais um livro que nos chega do Brasil. Chega, salvo seja, "Beladona" pode não precisar de tradução, mas a sua compra terá de ser feita por correio, uma vez que dificilmente se encontrará nas nossas lojas. Por isso vale a pena espreitar o site da editora.

Falei sobre ele no "Deus me Livro".


segunda-feira, março 02, 2015

O Estrangeiro


Camus parece ter agrupado o seu trabalho em três grandes ciclos temáticos, o do absurdo, o da medida e o da rebelião. Quando li "A Peste" mencionei que apesar deste pertencer ao da rebelião, lhe reconhecia traços do absurdismo, corrente filosófica que comecei a conhecer na altura e que me interessava em particular por me identificar em vários aspectos com a mesma.

Agora, após ler "O Estrangeiro", posso dizer que este sim é o verdadeiro tratado ao absurdismo em forma de livro ficcional. Toda a construção da história evoca o pensamento absurdista, inclusivé a forma como está escrito em termos narrativos. Camus afasta-se da poesia literária (mas não sempre) e torna-se - a partir do seu protagonista - num observador prático, recorrendo a frases curtas e simples para descrever a acção. Toda esta atenção na construção deste "Estrangeiro" tornam o livro de Camus, numa peça literária de enorme valor.

Muito sucintamente, esta é a história de Meursault, um argeliano, que por não seguir as normas da sua sociedade, se torna um estrangeiro na sua própria cidade (no mundo). Um estrangeiro, precisamente, por ser diferente, acaba por não pertencer e, por isso mesmo, o seu comportamento é mais depressa julgado e condenado. Como podem ver, o título nada tem a ver com nacionalidades ou etnias, aliás, todos nós, em determinados momentos da noosa vida já fomos ou somos estrangeiros.

A edição da "Livros do Brasil" traz uma soberba introdução de Sartre, a qual ainda enriquece mais a leitura. Tudo o que poderia escrever aqui sobre "O Estrangeiro" Sartre disse-o melhor, por isso a sua leitura é muito recomendada. Caso tenham uma edição que não a contenha, vale a pena procurá-la.

Mais uma leitura obrigatório deste grande autor francês.

domingo, fevereiro 22, 2015

Sleepwalk And Other Stories


 Já tinha mencionado aqui como descobri Adrian Tomine, um dos novos autores sensação da BD Norte-Americana. Desta vez, mais consciente, virei-me para o início, nomeadamente, este "Sleepwalk And Other Stories" que se trata da compilação dos primeiros números da revista de Tomine, a "Optic Nerve".

Aqui podemos comprovar que desde o início que o interesse no autor se prende com a vida das pessoas. Situações do quotidiano - algumas mais bizarras do que outras - formam o conjunto de episódios que se encontram aqui retratados. E são realmnente episódios, sem terem necessariamente um início ou um fim. Como se de repente abrissemos uma janela para espreitar o que se passa na vida de alguém que vimos passar na rua. Tudo, normalmente, aputado por uma aura de melancolia que impressiona e fica connosco.

As personagens de Tomine são tão bem escritas que podiam ser reais (se calhar até são) e é na partilha desses pequenos pedaços de vida, que o autor nos conquista.

Entretanto também me deparei no caminho com "Scenes of an impending marriage" que se trata de um pequeno livro em que Tomine brinca com a organização do seu próprio casamento. Menciono este divertido livro porque ao contrário do restante trabalho do autor, é mais leve e humorístico.

quinta-feira, fevereiro 19, 2015

What We Do in the Shadows (2014)


Realizado por Jemaine Clement e Taika Waititi, "What We Do in the Shadows" é um divertídissimo mockumentary sobre vampiros. Nesta  curta ficção seguimos o dia-a-dia de três vampiros (vá quatro) que vivem juntos há muitos anos. Pelo caminho, há espaço para outras criaturas do fantástico, tudo feito sempre com um humor muito bem disposto, divertido e por vezes bem sangrento. Adorei, venham mais.

Sendo muito diferente no estilo, fez-me lembrar outro belíssimo mockumentary que se aventura nos campos do fantástico. Falo do fabuloso "Trolljegeren" .

sábado, fevereiro 14, 2015

Os heróis também usam BI #7


Chegou a vez de recordarmos esse monstro, não só das bolachas, mas de, basicamente, tudo.
Cliquem aqui para o conhecer melhor.

sexta-feira, fevereiro 13, 2015

Whiplash (2014)


Sangue e suor são as duas primeiras palavras que me surgem para definir este filme. A perseguição da imortalidade, seja em que área for, é uma tarefa árdua. A relação entre discipulo e mestre, bem como a discussão sobre o alcance da grandeza trazem-nos um filme simples e de grande intensidade, sempre acompanhado por uma belíssima banda sonora.

Fantástica esta estreia de Damien Chazelle nestas lides. Porque não são precisos grandes fogos de artíficio para fazer bom cinema (estou a pensar no "Birdman", que com todas as suas qualidades na forma, não me interessou tanto no conteúdo).

E claro, J.K. Simmons, continua a provar porque é grande actor.

quinta-feira, fevereiro 12, 2015

10.000 Anos Depois Entre Vénus e Marte na Casa da Música



Hoje a passear deparo-me com isto numa parede. Não fazia ideia que este álbum mítico regressaria aos palcos um dia. O bilhete já cá canta.

segunda-feira, fevereiro 09, 2015

Romeo and Juliet


A glooming peace this morning with it brings. 
The sun, for sorrow, will not show his head. 
Go hence, to have more talk of these sad things.
 Some shall be pardoned, and some punishèd. 
For never was a story of more woe 
Than this of Juliet and her Romeo.

Existem obras cujo impacto foi tão grande no mundo, que a marca que deixaram é passada de geração em geração. "Romeu e Julieta" é uma dessas obras, uma história conhecida por qualquer um, mesmo que nunca tenha sido lida ou vislumbrada.

Claro que, nestes casos, apenas parte destas histórias é que são conhecidas e por isso a descoberta das mesmas, pode sempre conter enormes surpresas durante a sua leitura. Neste caso em particular, foi muito curioso descobrir que metade desta peça é uma comédia e que só a dada altura (mais especificamente após a morte de uma personagem) é que a mesma assume um tom mais trágico.

Mais do que isso "Romeu e Julieta" é uma peça cheia de camadas que poderão ser interpretadas de diferentes formas, por diferentes pessoas. Podemos olhar para este retrato do amor jovem e reconhecer como o impulso característico da juventude o empurrou para o abismo, imortalizando-o na sua pureza, ou para o papel que as forças do destino poderão desempenhar na destruição deste amor puro (que por ser tão jovial ainda não foi manchado pela corrupção do mundo). Além do retrato deste casal, a sociedade é algo que é igualmente focado, nomeadamente o conflito entre as famílias dos amados, que tão bem exemplifica como a violência gera violência. Não sabemos a origem deste conflito porque nunca é importante, a própria ignorância em relação ao mesmo dá força ao rídiculo da situação. Uma situação que apenas é corrigida através do sacríficio deste amor, pois é na morte de Julieta e Romeu que ambas as famílias encontram a redenção, uma redenção que de outra forma não existiria.

Ainda gostava de salientar a personagem de Mercucío, o melhor amigo de Romeu e que logo nas primeiras cenas nos conquista, sendo, sem qualquer dúvida, uma das personagens mais memoráveis da peça. Mercúcio além dos seus delírios provocadores, é a personagem que se encontra mais afastada de Romeu no que toca à interpretação do amor. É um anti-romântico que não leva a sério os sentimentos do seu melhor amigo quando este, ainda por cima, parece trocar de paixões como de camisas.

Quanto à escrita é, claro, exímia. Fiz questão de a ler no inglês original, precisamente para não perder nenhuma musicalidade desta poesia (claro que ajudas e traduções em português foram usadas quando se trata de um inglês com mais de 400 anos).

Uma peça extraordinária que merece e deve ser conhecida por todos, muito mais além do que a mera informação que foi sobrevivendo de "boca em boca".

quarta-feira, fevereiro 04, 2015

Erzsébet


Na introdução descrevem Nunsky, o autor desta BD, como um cometa da BD Underground, culpa do papel passageiro (ainda que aparentemente marcante) que teve e por este seu regresso, um regresso que após a leitura de "Erzsébet" esperemos que, no futuro, seja mais rápido.

O autor nortenho - e vocalista da banda psychorock "The IDS" - regressou com mais uma temática de peso, peso e sangue. Erzsébet Bathory foi uma condenssa húngara (contemporãnea de Shakespeare) cujo nome esteve associado a uma série de crimes hediondos. A tortura e morte de uma imensidão de jovens mulheres, deram à condessa os cognomes de  "A condessa sangrenta" ou "A condessa Drácula", nome que são bastante auto-explicativos.

A tortura criada por Erzsébet é tanto usada para fins de bruxaria (a sua procura pela juventude eterna) como para o seu bel prazer, uma vez que os crimes cometidos pela condessa, encerram em si mesmo um brilho que a alimentam.

Para todos aqueles que apreciam uma viagem pelas profundezas negras do coração dos Homens, este é sem dúvida um livro a explorar, aliás, uma das publicações mais interessantes do ano passado (que me falhou das listas porque só a li agora).

Leiam e espalhem a palavra, pode ser que assim, o cometa Nuncky mude de alcunha, para uma  mais regular.

segunda-feira, janeiro 26, 2015

The Affair - 1º Temporada


Mais uma bela surpresa da Showtime. Depois de "Penny Dreadful" o canal traz-nos este drama/policial sobre o adultério. Falei da primeira temporada no sítio do costume.

quarta-feira, janeiro 14, 2015

Saga


Já tinha falado de "Saga" no blog, uma série que sigo assiduamente e com grande atenção. Como no final do ano passado, o primeiro volume foi editado por cá pela G. Floy, fazia sentido voltar a recordar a história de Brian K. Vaughan e Fiona Staples.


Desta vez voltei a escrever sobre ela no "Deus Me Livro", para lerem basta só clicar aqui.

quinta-feira, janeiro 08, 2015

sábado, janeiro 03, 2015

Sugestões de Leitura - 2014


Neste primeiro ano do seu funcionamento o "Deus Me Livro" acaba o ano com uma lista de várias sugestões de leitura, por todos os colaboradores. Da minha parte, como é costume, ficou a BD.

Como é costume, é de sublinhar que não li tudo, por isso mais que uma lista dos melhores é mesmo uma lista de sugestões, bastante variada como eu bem gosto.  Livros que já haviam sido editados como "MAUS" e "A Pior Banda do Mundo" foram preteridos por novidades em Portugal (salvou-se a aniversariante MAfalda). Também é de salientar que além dos que me devo ter esquecido, houve livros que por serem editados no final do ano ficaram de fora. Só agora li "Zombies" de Marco Mendes e estou neste momento a meio do "Livro dos Dias" do Diniz Conefrey.

Mas é tempo de menos palavras e de mais sugestões. Aqui fica a lista do site.

Além da BD, apenas tenho uma sugestão a acresentar que são os "Poemas Completos" de Herberto Hélder editados pela Porto Editora. O autor português mais eremita está de regresso com aquele que considera o seu corpus definitivo na poesia. Tendo em conta que Hélder é conhecido pelas suas tiragens limitadas, esta edição é não só um dos maiores acontecimentos literários do ano, como do século também (das mais caras também).

quinta-feira, janeiro 01, 2015

Balanço TV 2014


Um Feliz Natal atrasado e um excelente início de 2015, são os votos que desejo a todos os que passam por aqui e aos que não passam também.

Com muita ausência, vou tentar regressar com maior assíduidade ao blog. Para primeiro post de 2015, nada como reflectir sobre 2014.

Aqui vos deixo o meu top 10 de melhores episódios de TV, que pode ser lido aqui no sítio do costume.

Em adição fica também o top 10 de melhores séries, votado por todos os colaboradores do TVDependente. Pessoalmente elegeria Fargo como número um e tenho alguma pena em não ver Utopia algures. Mesmo com os defeitos que a segunda temporada tvee, continua a ser um produto de TV estonteante e que termina em 2014 culpa do seu cancelamento.

Novamente, um bom ano.

terça-feira, dezembro 23, 2014

Os heróis também usam BI #6


Porque o Espírito-Que-Anda dispensa apresentações, cliquem aqui para lerem mais sobre ele.

Continua a ser uma referência e uma das personagens por quem nutro maior carinho. É por isso que não me surpreende nada que ainda hoje - passados quase 80 anos . ainda é publicado.

quarta-feira, dezembro 17, 2014

Boyhood (2014)


O Cinema é um mestre na arte da ilusão, engana-nos e faz-nos acreditar naquilo que momentaneamente estamos a ver. "Boyhood" de Richard Linklater eleva essa fasquia ainda mais alta, pois nunca antes vimos um filme sobre o crescimento de alguém que se aproximasse tanto da realidade. Não é que o filme de Linklater seja mais verdadeiro ou mentiroso que outros, mas o facto do realizador ter filmado esta história com os mesmos actores, durante 11 anos, confere-lhe uma aura de autenticidade muito maior, mesmo que essa autenticidade seja uma ilusão.

O tempo tem sido um elemento decisivo na carreira de Linklater. A passagem da nossa vida por esta Terra e as suas diferentes fases, já vinham a ser retratadas pelo realizador na saga que começou em "Before Sunrise". Nesta trilogia já podíamos confirmar o seu fascínio pela forma como o tempo afecta as nossas vidas. É nesta altura que Linklater começa a tentar conciliar duas coisas muito difíceis: a passagem do tempo no ecrã e na vida real. Atente-se que todos os filmes desta trilogia foram filmados passados vários anos, de forma a manter sempre os mesmos actores e com eles conferir esse tal grau de "autenticidade" aos filmes.

Em "Boyhood" o desafio foi ainda maior e, mais importante, cumprido com distinção. O crescimento de Mason resulta em um dos mais belos filmes do ano, um daqueles que é mesmo obrigatório ver, nem que seja pelo simples facto de estarmos perante História cinematográfica. "Boyhood" é único, mas mais importante ainda, é que também é um belíssimo pedaço de cinema.

sexta-feira, dezembro 05, 2014

Doctor Who: Uma Viagem Pelo Espaço e Tempo – Fim


Ao longo das últimas semanas andei a recordar alguns episódios mais icónicos da nova série de "Doctor Who", ao longo de todas as temporadas e de forma a culminar nesta última.

Como tudo tem um fim, aqui vos deixo o link para o último artigo (com ligações para os anteriores. É só clicar aqui.

quinta-feira, dezembro 04, 2014

Os heróis também usam BI #5



Elektra já foi um pouco de tudo ao longo da sua vida, onde lhe podemos incluir momentos tanto heróicos como vilões. Para agora, concentremos-nos no seu lado melhor, naquele que o Daredevil tanto tenta fazer sobressair.

É verdade que dificilmente Elektra passará a seguir sempre o caminho do herói, mas esse lado existe e está dentro dela.

Para lerem a rubrica cliquem aqui.

domingo, novembro 30, 2014

Logicomix


A Gradiva editou este ano, um tratado de BD sobre a lógica matemática. Um livro estimulante a vários níveis e sobre o qual falei no "Deus Me Livro". Para lerem, cliquem aqui.

sexta-feira, novembro 07, 2014

ohZona - Apresentação no Amadora BD

Capa de Yi Luo


Já tinha falado deste projecto aqui, o qual será apresentado no Domingo, pelas 17 horas no Festival Amadora BD.

Antes de mais convém realçar que todos os autores - com excepção do Rui Alex - vão estar presentes na apresentação. Quanto ao livro terá um custo de 5€ (são mais de 60 páginas A5 de BD), mas durante o festival estará a 4€.

Como prometido, venho agora divulgar algumas páginas (uma por desenhador).


 "Noite do Diabo" - desenho de Caroline Ring e argumento de Gabriel Martins

 "Noite do Diabo" - desenho de Rui Alex e argumento de Gabriel Martins


 "Noite do Diabo" - desenho de Lew Bridcoe e argumento de Gabriel Martins 


 "As long as we are alive" - desenho de Fil e argumento de Christoph Mathieu 


 "In our hood" - desenho de Asja Wiegand e argumento de Christoph Mathieu 

 "Everything is over on Ash Wednesday" -  desenho de Miguel Santos e argumento de Christoph Mathieu 

A primeira parte do livro é composta por uma história da minha autoria escrita em português com tradução em inglês. Enquanto que a segunda parte contém três histórias curtas escritas pelo Chris em alemão, também com tradução em inglês.

Foi uma grande experiência, como tinha dito é a minha maior BD até à data. Além da experiência recompensadora neste intercâmbio com a Alemanha (obrigado Lew e Caro), tive o prazer de me reunir novamente com o Rui Alex, o desenhador com quem mais trabalhei e cuja evolução de traço tem sido um previlégio seguir.

Espero poder contar com alguns de vós na apresentação. Se alguém estiver interessado em adquirir o livro também me pode contactar a partir do blog.

segunda-feira, novembro 03, 2014

TCN 2014: Nomeados e Votações


Com o final do ano a aproximar-se, é tempo de mais uns prémios TCN, os quais têm por objectivo premiar a blogoesfera nacional de Cinema e TV, salientado aquilo que de melhor tem feito.

É certo que não estarão cá todos, até porque nem todos concorrem, mas dentro dos interessados os TCN continuam a esforçar-se por dar destaque ao que se escreve nesta internet fora.

Mais uma vez conto-me entre os nomeados pelo trabalho que tenho desenvolvido no "TVDependente". Este ano, pela primeira vez, estou nomeado em melhor crítica de TV, com uma série que me é muito querida: "Utopia". Além desta, ainda estou nomeado com o "Séries aos Quadradinhos" uma rubrica que partilho com a Syrin e o Rafa Santos e que foi uma grande diversão de escrever (conseguimos meter BD nos TCN!!!).

Este ano de forma a espalhar ainda mais a divulgação dos blogs, as votações não estarão concentradas no "Cinema Notebook" , mas antes espalhadas por vários blogs. Os nomeados e locais de votação podem ser consultados aqui.

De resto é sempre bom continuar a ver o trabalho de "caras" conhecidas a ser salientado. Desta vez, por ter sido um ano em que estive mais ausente deste universo, deparo-me também com uma série de nomeados que me são completamente desconhecidos. Por isso também é bom ver que a blogoesfera continua viva e a trazer sangue novo.

E no fundo é isto, um muito obrigado pela nomeação e boa sorte a todos. Já agora o material promocional continua a ser da autoria dessa referência da blogoesfera que é o Brain-Mixer.


domingo, novembro 02, 2014

ohZona - Comic Transfer 2014



O "comic transfer" trata-se de um projecto do Goethe Institut que tem por objectivo promover o intercâmbio entre autores da Alemanha e de outros países.

Este ano o intercâmbio incidiu sobre as publicações independentes de BD e um dos convites para participar acabou por chegar até mim. De um lado temos a revista "Zona" - a representar Portugal - enquanto do outro a "oh Magazin" - publicação alemã. É a partir da fusão entre estas duas revistas que nasce a "ohZona".

O livro é inspirado nessa época de festejos e excessos que é o Carnaval, sendo dividido em duas partes. A primeira debruça-se sobre o Carnaval do Norte de Portugal, contando com o desenho de Caroline Ring, Lew Bridcoe e Rui Alex, com argumento da minha autoria. Na segunda parte visitaremos o lado do Carnaval de Colónia através da escrita de Christoph Mathieu e com desenhos de Asja Wiegand, Fil e Miguel Santos. É de salientar ainda a questão linguística. A "ohZona" terá a primeira parte escrita em portguês e a segunda em alemão, mas todas as histórias contarão com legendas em inglês.


Aproveito este texto para expressar o meu agradecimento a toda a equipa, porém, em particular ao Fil pelo voto de confiança ao me convidar a participar. Até à data a minha maior BD tinha 5 páginas e a partir de agora terá 32. Foi um grande desafio esta aventura e espero ter estado à sua altura. Pelo menos a participação é algo que nunca esquecerei.

Para já revelarei apenas esta fantástica capa que é da autoria de Yi Luo, mas aguardem mais novidades sobre o projecto, onde iremos disponibilizar algumas imagens do interior.

Quanto ao lançamento, está apontado para o dia 9 de Novembro no festival de BD da Amadora.

segunda-feira, outubro 20, 2014

domingo, outubro 12, 2014

Destruir - Diz ela


 - Interessam-se muito por ela, decididamente - diz Bernanrd Alione.
- Sim.
- Pode saber-se porquê? - a voz retomou força.
- Por razões literárias - diz Stein. Ri.
Stein ri. Alissa vê-o rir com deslumbramento.
- A minha melhor é uma personagem de romance? - Diz Bernand Alione.
Faz troça. Mas a sua voz continua inexpressiva apesar do esforço.
- Admirável - responde Max Thor.

quarta-feira, outubro 08, 2014

Palestine


What becomes of someone who thinks he has all the power... and what becomes of someone who believes he has none?

Joe Sacco é um daqueles nomes que normalmente está associado à frase "referências na BD". O seu trabalho jornalístico nesta área é um dos mais famosos e elogiados, por isso, não o ter lido era algo que precisava ser corrigido.

Numa altura em que a controvérsia entre Israel e Palestina voltou a inundar os nossos notíciários (voltou, salvo seja, infelizmente, ela nunca foi realmente embora), optei por ler "Palestine". É uma leitura extremamente logo pelo "simples" facto de nos apercebermos que este livro podia ter sido escrito ontem... O livro foi escrito entre 91 e 92 e a verdade é que também podia ter sido escrito antes. É um livro muito duro, pela forma honesta com que Sacco expressa as impressões e relatos que adquiriu durante o tempo que esteve na Palestina.


As ilustrações são espantosas, de um detalhe incrível, tanto na paisagem, como nos traços físicos das várias pessoas retratadas. Não sou um grande conhecedor deste género de BD, não consigo compará-lo com outros trabalhos, nem saber se foi particularmente inventivo, contudo, posso dizer que é um trabalho que impressiona muito, pela sua qualidade visual e pela sua força narrativa (a balonagem tem estratégias que nunca tinha visto). No fundo, trata-se de um diário gráfico, extremamente pormenorizado, onde o autor descreve vários relatos e situações de forma jornalística, mas também pessoal e intimista.

É mesmo uma daquelas leituras obrigatórias e digo isto não só por ser, de facto, uma referência na BD, mas mais por ser uma referência na História, onde se conta a tragédia da relação entre estes dois países, que, aparentemente, nunca vão conseguir alcançar a paz.

segunda-feira, setembro 29, 2014

50 anos de Mafalda


Não é todos os dias que se fazem 50 anos, felizmente, quem tem uma máquina do tempo pode viajar atrás e corrigir esse esquecimento.

Hoje a criança mais activista comemora 50 anos de publicação. Um grande obrigado a Quino, não só por Mafalda, mas por todos os seus trabalhos, tão divertidos, tão educativos e tão inspiradores.

Será sempre um dos maiores.


terça-feira, setembro 23, 2014

Alice no país das maravilhas



Would you tell me, please, which way I ought to go from here?
That depends a good deal on where you want to get to, said the Cat. 
I don't much care where – said Alice. 
Then it doesn't matter which way you go, said the Cat. 
– so long as I get somewhere, Alice added as an explanation. 
Oh, you're sure to do that, said the Cat, if you only walk long enough.

Há quem diga que é um livro para crianças e há quem diga que é só aconselhado a adultos. Pois bem, e porque não, um livro para todos?

A magia do país das maravilhas é enorme e cabemos todos nela. Porque Lewis Carrol era um escritor imensamente talentoso, conseguiu criar o local perfeito para nos perdermos, cheio de mensagens, de símbolos, de magia.

Sempre um clássico (as ilustrações originais são de John Tenniel - ver imagem acima).

segunda-feira, setembro 22, 2014

Lançamento de "Primeiros Capítulos" e "Primeiros Contos" da Escrever Escrever


É já nesta quarta que este projecto da "Escrever Escrever" vai ver a luz do dia. Conto-me entre o leque de convidados que participaram, nomeadamente com um primeiro capítulo.

A todos os interessados fica aqui o convite. Estarei por lá.

quarta-feira, setembro 17, 2014

Doctor Who: Uma Viagem Pelo Espaço e Tempo


Durante a exibição da sua 8º temporada, o “TVDependente” vai prestar uma atenção especial a “Doctor Who” com um conjunto de artigos que vão além das críticas semanais (o confronto entre os vilões ainda continua diariamente, não se esqueçam de votar).

A ideia desta “Viagem Pelo Espaço e Tempo” é a de recordarmos alguns dos momentos mais importantes da série, desde que esta regressou em 2005. Para este efeito, todas as semanas irá sair um artigo onde escolherei as três histórias com maior impacto em cada uma das suas temporadas, procedendo de igual modo em relação à 8º, após o seu término. Em relação aos episódios especiais, incluindo os de Natal, não serão contabilizados em nenhum temporada, criando-se posteriormente um artigo específico para eles. 

Apesar da dificuldade nas escolhas é bom constatar que ela existiu, mostrando que “Doctor Who” tem uma variedade de grandes e ecléticos episódios. Sem contar com as alterações que a série pode sofrer quando se regenera, cada temporada tem um leque de episódios de géneros distintos o que contribui ainda mais para a tornar única, algo que espero que também seja bem vincado nestes artigos. É claro que é complicado gerir 50 anos de viagens ao longo do tempo e do espaço (a série original começa em 1963), algo que por vezes se poderá notar na continuidade ou fraca coerência de alguns episódios, ainda assim é também essa liberdade que faz com que tudo seja possível aqui e onde a única limitação é a imaginação de cada argumentista.

Para verem o primeiro sobre a primeira temporada cliquem aqui.

Fahrenheit 451

 
"Fahrenheit 451" ou "Celsius 233" para os amigos, é a adaptação do livro de Ray Bradbury, por François Truffaut. A história de mais uma distopia, uma em que o governo proíbe a leitura de livros. Os bombeiros são quem assume o papel de perseguição e queima de livros, numa inversão do verdadeiro papel do bombeiro.

A governação de um povo menos culto ou emotivo é sempre mais fácil para as ditaduras e este tipo de abordagem é uma que continua a ser feita ainda hoje, como no "Equillibrium" de 2002.

Gostei muito do filme e queria só reforçar que seja em que género for, François Truffaut continua a fortalecer-se como um dos realizadores que mais aprecio. Talvez não seja à toa que, por enquanto, o meu filme favorito de Godard tem argumento seu, falo do "À bout de Souffle".

quarta-feira, setembro 10, 2014

Os heróis também usam BI – #4

Giuda Ballerino!

O BI dos heróis na BD está de regresso ao "Deus Me Livro", debruçando-se desta vez sobre um dos grandes detectives do oculto, o inconfundível Dylan Dog.

Cliquem aqui para lerem mais sobre ele.

terça-feira, setembro 09, 2014

Os Labirintos da Água


O mar rumoreja nos troncos de madeira que servem de pilares ao cais, arrasta-se pela praia e molha os pés escuros dos homens deitados. O sol cai sobre os campos onde as mulheres recolhem a bosta ressequida. As crianças matam, e as lagartixas morrem.

É uma ilha em forma de cão sentado.

Herberto Hélder 


"Os Labirintos da Água" de Diniz Conefrey é mais um livro de BD português que conta com apenas 500 exemplares de tiragem (devem ser quase todos nos dias de hoje). Foi editado o ano passado, mas tenho ideia que se trata de uma espécie de reedição, com mais material.

Encontra-se em poucas livrarias (só o encontrei em duas), mas pode ser sempre adquirido a partir do site da editora "Quarto de Jade".

Neste livro Conefrey adapta três textos de Herberto Hélder e adapta-os aos três de forma diferente. Não é que o autor invente a roda, mas para quem se interessa pelos caminhos diferentes que a BD explora, esta é uma proposta de bastante valor. A 1º é a adaptação do conto "Aquele que dá vida" e é a mais tradicional, transformando a linguagem narrativa de Hélder para a da Banda Desenhada. O segundo "(uma ilha em sketches)" já retrata uma história sem o uso a palavras, sendo literalmente "uma ilha em sketches". Para complementar ou ajudar na percepção desta história Conefrey disponibiliza o excerto do texto original, "Sonhos", no início. Por fim, temos a ilustração de excertos do poema "Última Ciência". Neste poema Conefrey mistura ilustração com fotografia, brincando com as imagens da mesma forma que Hélder brincou com as frases que escreveu, misturando-as vezes sem conta na ordem que criava a seu bel-prazer. Aqui assistimos à contemplação do mundo e do Homem, da Vida, pelas palavras do poeta, sempre apoiado nas fortes imagens de Conefrey.

Fica a sensação que as fotografias poderiam ter ido mais longe na terceira história, porque de resto, não só o traço, mas as cores terrenas de Conefrey fazem deste livro um dos melhores do ano passado. É também uma excelente oportunidade de conhecer Herberto Hélder.


Guardians of the Galaxy (2014)


Tem sido elogiado como o grande Blockbuster do Verão, um título que parece ser merecido. Numa altura em que filmes deste género invadem cada vez mais as salas de cinema "Guardians of the Galaxy" consegue distinguir-se dos demais, o que é algo de muito valor.

É o "Avengers" dos anti-heróis, cheio de boa disposição e humor. Vale a pena ir ao cinema e deixarmo-nos levar por este grupo de bandidos tão heróico. O Bradley Cooper, pode não aparecer, mas tem aqui um dos seus melhores trabalhos. A forma como deu voz ao Rocket Racoon, conferiu uma grande tridimensionalidade à personagem. Fantástico. O elenco é liderado pelo carismático Chris Pratt, mais conhecido pelo papel em "Parks and Recreation" (se bem que agora já não). O seu Star-Lord é diferente daquele que me recordo ter lido (outras personagens também), mas funciona muito bem. Quem leu vai ter muitas "prendas" ao longo do filme.

Um dos melhores da Marvel.

sexta-feira, setembro 05, 2014

The 12th Doctor journey has begun



Barney: What devilry is this, sir?
The Doctor: I don't know. But I probably blame the English.

The Doctor: This is your power source, feeble though it is. And I can use it to blow this whole room if I see one thing I don't like. And that includes karaoke and mimes, so take no chances.

The Doctor: This is Clara. She’s not my assistant; she’s some other word.
Clara: I’m his carer.
The Doctor: Yeah, my carer. She cares so I don’t have to.

The Doctor: he's the top layer if you want to say a few words.

A dois episódios da 8º temporada queria apenas dizer que o Peter Capaldi já merecia um livro com as suas one-liners editadas. Que grande entrada como 12th Doctor. Impressionante como cada actor tem dado uma faceta distinta, conseguindo conquistar-nos sempre até agora. O Doctor de Capaldi promete continuar a manter este legado não só vivo como fantástico.

Mesmo num segundo episódio com algumas falhas que o mancham, o Doctor esteve sempre em alta.

Além da intro oficial, baseada na criada por um fã, deixo-vos outra, bem interessante, também da autoria de um fã.

O Mandarim



E todavia, ao expirar, consola-me prodigiosamente esta ideia: que do norte ao sul e do oeste a leste, desde a Grande Muralha da Tartária até ás ondas do Mar Amarelo, em todo o vasto Império da China, nenhum Mandarim ficaria vivo, se tu, tão facilmente como eu, o pudesses suprimir e herdar-lhe os milhões, ó leitor, criatura improvisada por Deus, obra má de má argila, meu semelhante e meu irmão!

Ia pegar no "Primo Basílio", mas um golpe do destino, colocou-me "O Mandarim" no colo primeiro (um golpe do destino aqui equivale a: um é meu e o outro é emprestado, logo teve primazia).

"O Mandarim" trata-se de uma história, que a partir de uma acção fantasista nos envolve numa enorme lição de vida. Tudo começa quando Teodoro, homem de classe média, se vê confrontado com a possibilidade de se tornar milionário com o mero tocar de uma campaínha. Qual o problema? Ao tocar na campaínha, um Mandarim morre. É uma ideia que tem sido explorada em outros meios, tenho quase a certeza que existe um episódio da "Twilight Zone" sobre isto e, também, um recente filme do realizador de "Donnie Darko" (um que não vi).

A ideia é muito simples e pretende mostrar-nos até que ponto Teodoro consegue realmente ser feliz ao ter recebido o dinheiro nestas condições. Aqueles que sofrem desse mal chamado consciência, provavelmente têm esta noção mais vincada, sabem que determinadas acções nunca terão o mesmo sabor se vierem contaminadas com venenos deste género. Porque somos mais felizes quando temos o coração livre. De qualquer das formas acabo por tender para o parágrafo final desta obra, achando, com pena, que a maioria iria mesmo tocar na campaínha, mas quem sou eu para atirar pedras enquanto não confrontado com similar situação.

É uma histórias bastante curta, sempre centrada numa única personagem, Teodoro. O homem cuja tentação do Diabo irá dar mote as acções desta histórias que decorrerão tanto em Portugal como na China, dois países que Eça de Queiroz descreve com detalhe e emoção.

No final fica sempre a lição, uma que todos já devíamos saber. Caminhem nesta vida orgulhosos, de coração aberto e NUNCA toquem nas campaínhas (a não ser que seja para entrar em algum lado).

quinta-feira, setembro 04, 2014

Torchwood - Miracle Day (Temporada 4)




Stop being so nice. We left nice behind a hundred miles back. I'm trying to be honest, okay? Because do you know what the worst thing is of all? Out of all the shit we have seen, all the bloodshed, all the horror...You know what is worse than all that? I loved it. I bloody loved it.

Gwen Cooper

SPOILERS

Há semelhança de "Doctor Who" também "Torchwood" tem sofrido "regenerações" ao longo destas temporadas, onde a 3º e 4º seguem um estilo distinto das anteriores, previligiando um mistério com continuidade ao longo de todos os episódios. "Miracle Day" mantém o registo de "Childrens of the Earth", mas duplicando o número de episódios. Infelizmente essa não foi a única diferença, por alguma razão qualquer, "Miracle Day" é uma co-produção americana e essa influência do outro lado do Atlântico faz-se sentir, por vezes, de forma negativa. E eu que pensava que a terceira teria tido um sucesso comercial tão grande que "Torchwood" tinha a continuação garantida.

Logo para começar, é de valorizar que o enredo desta temporada tenha sido tão ambicioso, a ideia de impedir a morte em todo o mundo podia descarrilar como um comboio a alta velocidade, mas funcionou bastante bem. Como todo o mundo se tornou imortal, o Captain Jack ficou mortal, algo que já não víamos há muito tempo. Outro aspecto de bom gosto prende-se com o facto da equipa (agora só Jack e Gwen) se ter deslocado à América. Um toque que apreciei por vermos o regresso do Captain Jack à sua terra Natal. Infelizmente alguns clichés e cenas de sexo gratuito conseguiram esgueirar-se para dentro desta série, quando não faziam falta nenhuma, uma quase certa influência da co-produção... De qualquer das formas, e apesar de ter revirado os olhos nuns quantos momentos, "Miracle Day" viu-se bastante bem, não deixando de ser uma aventura entusiasmante (apenas bem afastada da qualidade de "Children of the Earth", algo que não a ajuda, uma vez que se trata da temporada seguinte a essa).

Se na temporada anterior a razão porque os Aliens queriam as crianças foi um toque tanto surpreendente como terrífico, aqui a exploração desta imortalidade também teve a sua graça. Mantermos-nos vivos não é necessariamente melhor em muitas situações e isso teve algumas abordagens de valor.

Além das  novas personagens que se aliam ao grupo, tivemos a participação do veterano Bill Pullman, no papel de um pedófilo que é impedido de morrer, devido ao "Milagre", no dia da sua setença. O desenvolvimento desta personagem começou por ser um dos aspectos que aparentava ter mais potencial na série e mesmo podendo ter sido mais explorado, teve um bom par de momentos. Para os fãs de "Six Feet Under" voltar a ver Lauren Ambrose é sempre digno de nota, quase irreconhecível tapada por tanto batom.

No campo humorístico gostei particularmente das interacções entre Jack e Rex, a forma como Rex o apelidava de "World War II" ou as várias oportunidades que Jack não perdia para assustar Rex com alusões homossexuais, foram bem divertidas. Esther é a analista da CIA que trabalha com Rex e acaba por ser obrigada a ter uma participação mais activa, cometendo algusn erros crassos no caminho. É a personagem amorosa da temporada, completamente distinta da Gwen. Ainda tivemos uma personagem nova que é preciso mencionar, a doutora Vera. Apesar desta médica se ter despedido mais cedo do que se antecipava, a marca que deixou foi forte, tratou-se das mortes mais tristes desta história, também por todo o momento em si.

Sendo picuinhas e pertencendo esta série ao universo "WHO", estranha-se que o Doctor nunca tenha mencionado o "The blessing" nem que não tenha reparado que houve uns tempos em que ninguém na Terra morria, uma vez que ele anda sempre por cá. Mas é um pormenor que se desculpa. Outro aspecto digno de nota é que "Torchwood" é uma organização que combate as ameaças alenígenas e que, pela primeira vez, se defrontou com uma ameaça 100% terráquea, uma divertida surpresa, quando se especulava que tudo tivesse origem "fora de portas".

Para final de série (uma vez que isto acabou por não ter continuação) é que tínhamos ficado melhor servidos com o final da temporada anterior.Independentemente disso, vou ter mesmo saudades disto.

quarta-feira, setembro 03, 2014

Torchwood - Children of the Earth (Temporada 3)


SPOILERS


There's a saying here on Earth. A very old, very wise friend of mine taught me it; An injury to one is an injury to all. And when people act accordingly to the philosophy, the human race is the finest species in the universe.

Captain Jack Harkness


Depois de nos termos despedido de Owen e Tosh, mudanças seriam de esperar nesta terceira temporada de "Torchwood". Contudo, a série foi muito além da simples manobra de recrutar novos membros para esta equipa. A terceira temporada iniciou uma nova fase, onde os casos da semana foram subtituidos por temporadas mais temáticas e com continuidade entre os episódios. Com o sub-título de "Childrens of the Earth" a terceira temporada de "Torchwood" foi reduzida no número de episódios (são só 5, que correspondem a 5 dias), mas aumentada na sua qualidade.

“Childrens of Earth” resulta num dos maiores confrontos que a Terra já assistiu, quando vê as suas crianças serem ameaçadas de uma forma tão simples e eficaz. Mas além de todo o mistério, muito estimulante, que a série nos traz, esta temporada á acima de tudo um potentíssimo drama, que irá questionar algumas das decisões que o Captain Jack fez no passado, voltando-o a confrontar com as mesmas no presente. Será que os fins justificam os meios? Será que devemos sacrificar poucos para salvar muitos? Que Jack tem muitos pecados ninguém dúvida, mas será ele hoje, o mesmo homem que foi em tempos? Algo que sempre me apaixonou nesta série, prende-se nas diferenças entre o seu protagonista e o Doctor. São aventuras que decorrem no mesmo Universo, mas lideradas por dois homens muito diferentes, apesar de por vezes se tocarem. Será o Doctor assim tão diferente, quando ele próprio foi quem colocou um ponto final na Time War?

Gwen continua a crescer, é uma personagem que tem sofrido um percurso bem agitado nesta série, conseguindo criar tanto simpatia como antipatia pelas suas decisões. Ao menos as piadas sobre Rhys pararam e a personagem assumiu um papel bem definido e importante nesta equipa. Ianto é outro cujo percurso ascendente é bem notório, notou-se crescimento na personagem e no actor. O seu romance com o Captain Jack assume um tom ainda mais trágico, porque assistimos à sua despedida. Uma muito rápida que resulta do confronto entre Jack e o inimigo. Ianto deixará mesmo muitas saudades. A menção, por parte de Jack, a uma citação de Nelson Mandela (salientada no início do texto) foi outro toque sublime, numa temporada nada abaixo do fantástica.

E no fundo é isto, se “Torchwood” já era uma série com alguns momentos memoráveis, “Childrens of Earth” só contribuiu para aumentar ainda mais o seu estatuto. Uma pena que o futuro não tenha sido tão promissor e agradável como seria de esperar após este portento televisivo.