segunda-feira, janeiro 05, 2009

The Graveyard Book

Este é o mais recente livro de Neil Gaiman. Descobri-o durante a palestra de Dave Mckean durante o Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora (FIBDA) de 2008 e apesar de ser grande admirador de Neil Gaiman quando Mckean proferiu as palavras de que este era o melhor livro do autor, não hesitei em comprá-lo poucos dias depois.
Acredito que quem afirmou que esta era a maior obra de Gaiman, além de Mckean também Diana Wynne Jones o fez, estavam de facto falar apenas nas suas obras de prosa, nas suas novelas. Uma vez que nada que eu tenha lido até hoje superou (e duvido que superará) a genialidade que é “The Sandman”, na minha opinião, a maior obra-prima de Neil Gaiman.
Em relação às obras de prosa exclusivamente escritas por Gaiman apenas li “Stardust” e mesmo preferindo “The Graveyard Book” estou longe de poder afirmar que este é o seu melhor trabalho.
O título deste livro é uma clara homenagem ao “The Jungle Book” e por isso não é de estranhar que o primeiro agradecimento do autor seja precisamente a Rydyard Kipling pela sua influência consciente e inconsciente durante a sua escrita. Não tendo lido “The Jungle Book” acredito que há semelhança de “The Graveyard Book” seja uma história que faça maravilhas ao imaginário de uma criança, falo por mim quando digo que adoraria ter podido lê-lo quando era mais novo.
Este é um livro que irá tanto agradar e assustar os mais pequenos como deliciar os maiores fazendo-nos por breves instantes sentir e sonhar como se fossemos novamente crianças. Algo, penso eu, já explorado por Neil Gaiman em “Coraline”.
Existem duas edições do livro, a direccionada mais para adultos que contém ilustrações de Dave Mckean, o parceiro de longa data de Gaiman, e outra mais direccionada para as crianças, ilustrada por Chris Riddell. Comprei a versão ilustrada por Mckean que aconselho vivamente, os seus desenhos são sempre uma mais valia.
A história tem início com o assassinato da família Dorian por parte de um misterioso homem de nome Jack. Não sabemos qual a sua razão nem de quem se trata, apenas que tem como missão matar todos os membros desta família. Quando o autor começa o livro, descrevendo pormenorizadamente a arma do crime, uma faca, já Jack tinha morto o casal e a filha mais velha, faltando apenas um bebé. Quando este chega ao quarto do mesmo encontra-o vazio, a criança tinha fugido.
O assassino persegue-lhe o rasto que o conduz até um cemitério. Felizmente esta já tinha sido encontrada pelos seus residentes, mais especificamente pelo casal dos Owens. Os habitantes do cemitério são normalmente os espíritos das pessoas que lá foram enterradas, no entanto existem excepções, como é o caso de Silas um ser obscuro, que nem está morto, nem está vivo, a quem foi concedido a “Liberdade do Cemitério”. Silas trata rapidamente de proteger este bebé ao educadamente convidar o assassino Jack a abandonar o local. Após a sua expulsão, (quase) todos os membros do cemitério se reúnem para decidir o futuro desta criança. Se por um lado a maior parte não concorda que um cemitério seja o lugar adequado para uma criança viva crescer, por outro Mrs Owens já estava mais do que decidida em adoptá-lo, principalmente após o ter prometido ao espírito da falecida mãe. A discussão levou o seu tempo, mas graças à intervenção de uma enigmática mulher a cavalo (já conhecida por todos) a escolha foi finalmente tomada, Nobody Owens (como viria a ser chamado) possuiria também a “Liberdade do Cemitério” devendo ser protegido por todos os seus membros e tendo como pais os Owens e como guardião Silas, o único além de Bod (diminutivo de Nobody) que pode abandonar o cemitério para procurar comida entre outros bens que a criança pudesse precisar.
O livro encontra-se dividido em vários capítulos ao longo dos quais vamos assistindo ao crescimento de Bod. Durante cada um deles vamos acompanhando-o em diferentes aventuras, sendo a primeira, aquela em que conhece, Scarlett, uma jovem criança que costumava passear pelo cemitério e que rapidamente forma um laço de amizade com ele. Juntos partirão à descoberta do cemitério encontrando tesouros e perigos. Scarlett marca a primeira amizade criada por Bod com alguém que esteja vivo.
Silas é uma presença constante no livro, ele é o guardião e o seu melhor amigo. Quando todos evitam falar sobre um ou outro assunto Bod sabe sempre que pode contar com a sabedoria de Silas para o ajudar. No entanto existem alturas em que este guardião misterioso terá de se ausentar e para isso contará com a ajuda de Miss Lupescu para proteger, educar e alimentar Bod em seu lugar. Miss Lupescu poderá não cair nas boas graças do rapaz a inicio, mas cedo se revelará como um ser extraordinário ao ajudá-lo durante a sua aventura com os perigosos Ghouls.
Outra personagem interessante que se cruzará com Bod é sem dúvida Liza Hempstock. Uma jovem bruxa queimada na fogueira e enterrada na parte não sagrada do cemitério, não tendo nem direito a uma lápide com o seu nome. É para agradar a Liza que ele se aventurará pela primeira vez fora do cemitério.
Em tempos existiu uma história sobre um rapaz de nome Mogli que cresceu na Selva sendo criado por Lobos e educado por um Urso e uma Pantera. Agora chegou a vez de Bod um rapaz que cresceu num cemitério sendo criado por fantasmas e educado por…Bem estes dois últimos vou-vos deixar descobrir "o" que são.

10 comentários:

Menphis disse...

Tenho aqui o " Livro da Selva" e...ora bem agora, inconscientemente, puseste-me vontade de o ler. Quanto ao Gaiman ainda tenho aqui o " Orquídea Negra" para ler, o " Coraline" adorei e fiquei com curiosidade neste. um abraço.

Menphis disse...

Eu acho é que puseste aqui muitos spoilers do livro, mas como sou teu amigo perdoo-te.

Filipe Machado disse...

Gostaria de pedir autorização para colocar um link no meu blog de acesso ao teu artigo sobre o BD de The Fountain. Será possível? Obrigado!

looT disse...

Menphis: A sério? Epá isso é que é pior, eu sei que às vezes tenho vontade de falar sobre muita coisa mas até me contenho (eu bem que queria falar mais do Silas o meu personagem predilecto). Mas olha que tirando as rápidas menções a alguns personagens eu só falo do inicio da história e nada mais.
E já agora posso dizer-te que imprevisível é algo que este livro não é, claro que isso não é desculpa :P

Filipe: Claro que sim, sempre que quiseres estás à vontade :)
(Mesmo que seja para falar mal :P)

Abraço aos dois

Bongop disse...

Olá looT
Bom ano :)
Acho que fizeste uma boa review, embora eu pense que muito provavelmente nunca irei comprar uma livro de prosa em inglês... não tenho paciência!
O último livro que comprei dele (sem ser os insuperáveis Sandman), foi "The facts in the case of the departure of MISS FINCH", e é um livro que ainda não decidi se gosto ou não... isto é estranho mas é mesmo assim! terei de ler outra vez.

Abraço

Fifeco disse...

Não venho comentar o livro propriamente dito porque não o conheço.

Venho sim destacar que a banda desenhada do alan moore "League of extraordinary Gentlemen" é qualquer coisa de muito bom de facto. E ainda só vou no Vol. I.

Abraço

looT disse...

Bongop: Obrigado e para ti também :)
Este é de fácil leitura e qualquer palavra que não conhecia o dicionário ajudava, também é a sua função :)
Mas de certeza que irá existir uma edição em português, o livro é recente por isso é normal que ainda demore um pouco. Tenho receio é que a edição portuguesa não venha com ilustrações como é o caso da que li do "Stardust" da Via láctea se não estou em erro.
Não conheço "The facts in the case of the departure of MISS FINCH" mas se é do Gaiman interessa-me obrigado pelo aviso ;)

Fifeco: Ainda bem que estás a gostar e como te disse o Vol. 2 é ainda melhor :D
Já agora a edição portuguesa da devir dividiu o primeiro volume em dois livros, por isso quando digo Vol.2 estou a referir-me à edição original.
O Vol. 3 devo tê-lo no final deste mês mas parece ser da opinião geral que é o mais fraco. E o Vol. 4 está prometido sair este ano :P

Abraços

Nuno Cargaleiro disse...

Convite Red Carpet

Após as filhoses, bolo rei e champanhe, nada melhor do que uma nova edição da Red Carpet para entrar no ano em grande!

Começamos mais um ano que se mostra melhor ainda que o anterior. Bom cinema, e com certeza com algum menos bom, mas acima de tudo, grandes emoções a serem vividas nas salas portuguesas.

Com esta edição chegamos também a um ponto que, muito provavelmente, nem percebiamos que lá estávamos a chegar. Sendo esta a edição de Janeiro, muitos já perceberam que a próxima edição será comemorativa! Um ano de vida da Red Carpet! Mas deixemos as comemorações para a edição que vem… por agora, aproveitemos em pleno esta edição que está cheia de bons conteúdos! Vejam por vocês mesmos! E não tenham receio de opinar sobre a revista, ou qualquer outro conteúdo no nosso site!

http://revistaredcarpet.com/

Fifeco disse...

Por acaso desconhecia esse facto, mas o meu é a versão inglesa. Fica mais barato mandar vir da net :p sobretudo quando a libra está a tão bom preço.

Abraço

looT disse...

Nuno: Obrigado pelo convite :)

Fifeco: É bem verdade é de aproveitar agora eu também já fiz as minhas encomendas por Inglaterra :)
Depois quando leres o Vol.2 fico a aguardar pela tua opinião.

Abraço aos dois