terça-feira, junho 14, 2011

X-Men: First Class


Matthew Vaughn, filme a filme tem vindo a construir uma carreira deveras agradável. Não vi Layer Cake, mas a adaptação de Stardust e Kick Ass foram muito bem conseguidas e proporcionaram-me excelentes momentos de diversão.
Por isto mesmo foi com muito agrado que recebi a notícia de que Vaughn realizaria este filme. Temi pelo curto espaço de tempo que teve para o fazer, mas mais uma vez o realizador deu um passo sólido na sua carreira. "X-Men: First Class" não é perfeito mas é um belo filme sobre o grupo de mutantes mais famosos do mundo e pessoalmente aposto que será o melhor do género este ano.
Inicialmente iria ser um filme centrado na personagem de Magneto, mas acabaram por pegar na sua história e inseri-la também no nascimento dos X-Men (pergunta um miúdo na sala porque se chamam X-Men. Pois bem, aqui terás a resposta).

Adoro quando o casting de personagens de BD é certeiro como um tiro de um snipper. Michael Fassbender É Eric Lensherr e James McAvoy é Charles Xavier. É graças a esta dupla que o filme é tão bom. Se em poucas palavras tivessemos de descrever a posição destes dois, bastaria pegar na conversa que têm enquanto jogam Xadrez:

Xavier: We have it in us to be the better man.
Eric: We already are.

A início o filme apresenta-nos a infância dos dois protagonistas que são completamente antagónicas uma da outra. De um lado o judeu alemão Eric Lensherr, vitima do holocausto, e do outro Charles Xavier, americano e filho de milionários que vive numa luxuosa mansão que espelha bem as dificuldades que não passou. A infãncia é crucial no moldar da personalidade e nota-se em ambas as personagens que são frutos das suas raízes.
Xavier torna-se um estudioso da evolução humana, já Magneto não consegue esquecer o seu doloroso passado e vive para a vingança perdendo pouco a pouco toda a sua fé na raça humana. É mais complicado acreditar na aceitação por parte dos outros quando já se assistiu na própria pele o quão dura e cruel pode ser a discriminação. E Eric não tem intenções de sofrer do mesmo mal duas vezes.


Dos mutantes mais jovens, recrutados por Xavier e Eric, saliento o grande Banshee interpretado por Caleb Landry Jones. A personagem é sem dúvida uma das mais divertidas do filme. Outro dos grandes e um dos meus favoritos na BD é Hank McCoy encarnado por Nicholas Hoult. Gostei muito da referência ao clássico de Robert Louis Stevenson, “O Estranho Caso de Dr. Jekyll e do Sr. Hyde” que tão bem se encaixa nesta personagem.
LinkInfelizmente nem todos tiveram o tempo de antena que eu desejaria, Darwin (Edi Gathegi) aparece pouco por exemplo e a Angel (Zoë Kravitz) pouco ou nada está lá a fazer.
Havoc (Lucas Till) substitui o irmão Cyclops. Não é daqueles que mais marca, mas também não faz nada para manchar o filme.
Por fim não me posso esquecer de Mystique (Jennifer Lawrence), um dos secundários mais importantes na história. Acaba por ficar ofuscada ao pé de Fassbender e Xavier, mas a sua mudança de posição em relação à forma como vê os mutantes é crucial neste filme.

Algo que um fã de BD gosta sempre são as várias referências geeks e aqui houve algumas muito boas. Desde as piadas sobre o cabelo de Xavier até aos cameos de velhos amigos e sem esquecer a aparição dos pais de Nightcrawler.
O filme infelizmente tenta é ser uma amálgama entre prequela e reboot, que é de estranhar. Pega em elementos dos filmes anteriores (visíveis até nos trailers) mas depois corta com a continuidade, sem qualquer tipo de preocupação. O próprio realizador fala do filme como um novo começo sem necessitar de se ligar aos outros. De qualquer das maneiras o importante é que o filme vale por si, siga ou não os outros e acreditem que vale (claro que eu sou suspeito o Magneto é a minha personagem predilecta deste universo).

Ainda bem que a qualidade do filme não é proporcional à qualidade dos posters e afins que neste caso foram muito fraquinhos.

8 comentários:

Bruno Cunha disse...

Eu quero ver este filme!

Abraço
Frank and Hall's Stuff

ArmPauloFer disse...

Eu também!
Sendo universo BD e ainda por cima com os X-Men sou sempre suspeito...

ψ Psimento ψ disse...

Cheira-me a testamento.
Nunca o tinha feito, mas já fui ver este filme duas vezes. Fui com os amigos e cheguei a casa a dizer maravilhas ao meu irmão sobre o filme e como ele quis ir ver, não resisti a ir também.
Achei honestamente o melhor de todos os filmes que já se focaram nos X-Men (mesmo sem a Storm que é a minha personagem preferida e só apareceu dois segundos neste).
O filme rompe como sempre com a historia original mas apesar de muita gente criticar isso, eu acho importante para manter o elemento surpresa, porque não se pode condensar 45 anos de historia num filme e porque muitas coisas das bds ficariam ridículas em filmes.
O filme não é perfeito porque não existe nada perfeito mas está francamente muito bom e com vários pormenores deliciosos e espantosas metáforas que até abordei no meu ultimo post. Aquilo que menos gostei foi de facto esta ambiguidade entre existir ou não uma relação com os outros filmes, o shaw também estava francamente exagerado a nível de poder, e o que aconteceu com o Darwin foi ridículo... Esta Emma Frost foi sem duvida a melhor que a anterior mas ainda lhe faltava aquele toque bitchy e altivo que só a Emma das bds tem, alem disso, rachar diamante com uns ferrinhos da cama?? Really??
Adorei o Banshee e o Magneto já a Angel é como tu dizes, parece-me só ter existido para equilibrar as batalhas...
De resto está excelente concordo que é sem duvida o Dark Night da Marvel e gostei de ver o filme neste tom mais Dark e mature... Venham mais que se forem melhores eu até vejo duas vezes eheh.
Abraço.

PS: No filme falou-se inglês, Francês, Espanhol, Alemão e Russo, fiquei também um pouco desiludido por não ouvir o nosso português eheheh.

Loot disse...

Há vários personagens que são pouco explorados ou de uma forma diferente como a Emma e o Sebastian, não são aqueles que estamos habituados a ler.

A Emma é fantástica na BD e aqui podemos concluir que a sua forma de diamante é falsa e não a do carbono puro :D

Se bem que numa luta o Magneto destruiria sempre a Emma. Pelo menos na BD, o Mags é muito mais poderoso lá que nos filmes.

Eu gostei bastante do filme, disse que não é perfeito porque acredito que ainda podia ter sido melhor. Mas estou muito satisfeito com o resultado.

refemdabd disse...

Não vi, ainda. Mas, pelos comentários, mesmo sem spoilers (obrigado), acho que vou preparando o selo "rejeitado".
O Magneto menos poderoso que a Emma?! Pfff, ridículo. É aqui que eu me atiro ao ar. Eu sei que é o filme, não é o comic book, blá, blá, blá. São os X-Men. Da-se...Para o próximo filme do Superman façam o casting de um actor negro e de bigodão para o papel do homem de aço; ou o Spiderman afinal é chinês; ou o Batman é gay e metam-no na cama com o mordomo...CHEGA! Deixem-se de merdas. O que fez os personagens durarem e serem apreciados por décadas foram os comics e qualquer reinvenção, para "agradar àqueles que não lêem comics" é simplesmente mentecapta.
Embora a actriz que encarna a Emma Frost seja "poderosa", ainda está para nascer uma que lhe faça verdadeira justiça. Por muito bons que sejam os actores, se não tiverem um argumento bom, congruente, bem podem penar.

O contrário também sucede: não acredito no Ryan Reynolds enquanto Green Lantern. O lamentável menino de Boston Afleck como DareDevil foi uma desgraça. O toque pessoal do Edward Norton (como é seu hábito em todos os filmes que protogoniza) também desgraçou o Hulk.

Loot disse...

Nunca há um combate entre a Emma e o Magneto no filme. Em forma diamante o magneto venceu-a, há é a telepatia...

O mag da BD controla campos electromagnéticos e tem resistência a telepatia, aqui não. Mas isso já sabíamos dos primeiros filmes dos X-men.

Tens de ver Refém é um bom filme independentemente destes pormenores.

Já o Green Lantern tem tudo para ser fiasco, infelizmente.

ψ Psimento ψ disse...

Refemdabd, o filme está bastante bom comparando com muitos outros, temos de lhe dar crédito. Só não é perfeito como nada pode ser, e se és um leitor assíduo como eu que ja li x-men desde as suas origens em 1964 terás e concordar que algumas historias que por vezes surgem são completamente estapafúrdias!!
De resto tenho de concordar contigo a Emma nunca terá ninguém capaz de a incorporar.
Na verdade existe uma batalha entre a Emma e o Magneto no filme e a Emma Vence-o de imediato com um ataque psíquico, ela só não conseguiu fazer o mesmo depois porque da segunda vez também lá estava o Xavier a fazer interferência. A única hipótese do Magneto contra ela é mesmo o capacete...
Abraços.

RJ disse...

Achei o filme excelente, provavelmente a melhor adaptação dos heróis da Marvel.
A interpretação do Michael Fassbender é gloriosa, e gostei que Vaughn não tivesse problemas em mostrar violência quando esta era necessária para retratar a fúria de vingança de Erik.
Depois a relação entre ele e o Charles está muito tem representada. McAvoy também dificilmente poderia ter feito um trabalho melhor, mas o Magneto acaba por ser mais apaixonante.

Gostei muito que a batalha final não fosse, como é habitual, um espectáculo de pirotécnia, que por muito bem feito que fosse, já está banalizado. A concretização da vingança de Erik sobre Shaw é brutal e dá uma intensidade emocional que nenhum CGI oferece, assim como a ruptura final com Charles.
E o setting nos anos 60 assenta perfeitamente aos X-Men.

Muito original e maduro, muito bem representado, desenvolvendo bem a história e as personagens, e feito com muito estilo. Brilhante!

Abraço!