quinta-feira, fevereiro 18, 2016

Deadpool (2016)


É tempo de falar do mais recente filme da FOX sobre Super Anti-heróis, é tempo de falar do “Deadpool”.

Esta personagem foi criada em 91 por Rob Liefeld e Fabian Nicieza, como sendo um mercenário canadiano que ao ser diagnosticado com cancro terminal aceitou participar no programa Weapon X, onde lhe tentaram - com sucesso - replicar o poder curativo do Wolverine. O facto de Deadpool ter participado na experiência com células tumorais fez com que estas também se continuem a curar o que resultou numa deformação do seu corpo. Deadpool consegue curar-se de, praticamente tudo, menos do seu aspecto hediondo. A personagem foi apresentada à Marvel como sendo uma espécie de Homem-Aranha com armas (e mais psicótico e sangrento), mas a grande inspiração vem da DC, como já é tradição. Deadpool é uma versão alternativa (e mais humorística) do Deathstroke. Isto não é algo escondido, é comum entre as editoras e até os criadores de Deadpool lhe deram o nome Wade Wilson, como se este fosse um parente de Slade Wilson aka Deathstroke. É de sublinhar que as personagens mais populares tendem a ser mais antigas e a gozarem de algumas décadas de publicação. O Deadpool é do início dos anos 90 e já compete com os clássicos no lugar das personagens mais queridas e isso é algo que não deve ser esquecido.

Este é um projecto que Ryan Reynolds tem vindo a desenvolver há 11 anos, não porque precisasse deste tempo todo, mas porque convencer a FOX neste tipo de investimentos leva tempo. A produtora até não tem problemas em adaptar uma personagem como o Deadpool, até o chegou a fazer, o problema é que as pessoas envolvidas percebem tanto disto que depois temos pérolas chamadas: “X-Men Origins: Wolverine”. Tragédias cinematográficas que não são esquecidas nem por nós, nem pelos responsáveis por este novo filme.

Por isso, começando logo por aqui, ao vermos este “Deadpool” reconhecemos instantaneamente que existe muito amor pela personagem e é nessa atenção aos detalhes e respeito que o filme mais triunfa, porque se nota que as pessoas envolvidas na sua criação acreditam e gostam daquilo que estão a fazer. Uma sensação que passa também é a de que “Deadpool” é um filme de fãs para fãs. A história é relativamente plana, mas o tipo de humor e acção que o filme explora são triunfantes para qualquer apreciador desta personagem. Fica a questão no ar, se o resto do mundo irá receber tão bem este filme, porque nem todos vão gostar do tipo de humor ou apanhar as referências aos anos 90 e ao universo geek em geral. No entanto, tendo em conta os resultados das bilheteiras, não parece ser o caso e o filme não está condenado a um nicho de público, o que para o futuro da personagem é óptimo.

Voltando ao argumento é uma típica história de origem (necessárias nestes primeiros capítulos), aliada ao típico salvamento do interesse amoroso. Neste campo não há grandes malabarismos, nem surpresas, no entanto, o filme sabe contar a sua história bastante bem, o que é algo que nem todos os filmes de Super-Heróis podem dizer. Para começar, a opção por uma narrativa não linear ajuda-o e depois o próprio filme se auto-parodia, gozando com os comuns clichés do género - começando logo nos fantásticos créditos iniciais -, bem como com os próprios intervenientes, onde Ryan Reynolds dá o exemplo. Todo este lado satírico está dentro do espírito das histórias do Deadpool e funciona lindamente.



Em relação às personagens e às suas interacções, o filme é realmente especial. Reynolds parece partilhar algumas qualidades humorísticas com Wade Wilson, o que resulta num casamento perfeito entre actor e personagem. Reynolds abraça mesmo o Deadpool de corpo e alma e isso é algo que se sente até na forma como o actor abraçou o seu fato. Por norma os fãs deste género gostam de ver os seus heróis a enveredar os famosos fatos da BD (desde que não sejam fatos pirosos, o que nem sempre é fácil), contudo, é muito comum, a dada altura, as máscaras saltarem para mostrar a cara do actor. Até faz sentido se pensarmos que as expressões faciais são importantes na representação (se bem que em muitos casos se calhar é só mesmo para mostrar caras bonitas). Neste filme Reynolds ostenta a máscara com orgulho e só a tira quando é mesmo oportuno. Para isto resultar ajuda que o fato tenha sido tão bem desenvolvido, em particular a máscara na qual o actor consegue passar determinadas expressões muito bem, compensando o que não se vê com humor físico. Para quem não sabe esta personagem é conhecida por quebrar a quarta parede na BD, uma vez que tem noção de que é uma personagem fictícia. Isso não foi esquecido no filme e há uma série de grandes referências que vivem precisamente do quebrar desta regra. O Deadpool por qual ansiávamos, chegou mesmo ao Cinema.

A lindíssima Morena Baccarin é o interesse amoroso que dá por Vanessa, mas desenganem-se aqueles que possam pensar que esta será apenas mais uma donzela em apuros. Vanessa é uma personagem interessante por si só e que não vive na sombra do namorado. A personalidade do casal foi muito bem retratada e conta já com algumas cenas que irão continuar a ser lembradas durante muitos anos, principalmente nas épocas festivas.

O vilão Ajax Francis é que merecia mais profundidade, não acontece provavelmente porque o filme não envereda por contar outras histórias além da do casal. Ao menos, com o material que tem, Ed Skrein faz uma boa parelha com o hilariante Wade Wilson. Todas as piadas em torno do nome verdadeiro de Ajax vão não só criando um laço forte entre estes dois, como criam toda uma série de sequências cómicas ao longo do filme, terminando com uma cena que é outra cereja de comédia no topo de um bolo já tão engraçado por si só. Chegados ao fim é mesmo difícil escolher as melhores piadas, são imensas.

Muito bom também foi a adição de Colossus e Negasonic Teenage Warhead. Foram secundários valorosos que contribuíram muito bem para a piada do filme. O Colossus é finalmente retratado como uma personagem e não apenas músculo (ver todos os X-Men anteriores) e a Negasonic Teenage Warhead encarnou muito bem o espírito da adolescência. Apesar de saber que o seu nome vem de uma canção dos Monster Magnet (ideias à Grant Morrison claro), nunca li nada da personagem. T.J. Miller também faz uma perninha por aqui no papel do comic relief de Weasel, que juntamente com Al (Leslie Uggams) são os grandes (e hilariantes) companheiros de Wade Wilson.

Como é costume existem os famosos easter eggs, tais como a menção aos criadores desta personagem ou ao facto de a cena final parecer decorrer no helicarrier que caiu no "Avengers" (apesar de ser um filme da Dinsey e não da FOX). A música também foi escolhida a dedo, Deadpool é uma personagem dos anos 90 e isso nota-se não só em muitas das referências como na escolha da canção Shoop dos Salt-N-Pepa, a qual data de 1993 o ano em que Deadpool recebe a sua série a solo. O rap dos Teamheadkick foi outra bonita surpresa.

É fácil concluir que aqueles que simpatizam com este maníaco irão sair satisfeitos da sala de Cinema, "Deapool" conquista-nos logo com o seu lado parodista e violento. O facto de ser R-Rated possibilita um maior conforto na linguagem e na brutalidade das cenas que assentam ainda melhor ao filme. Além de que com tantos filmes do género a estrear por ano, é importante experimentar novas abordagens para que não se caia num provável marasmo. Atenção que as novas abordagens não se limitam a aumentar a idade dos espectadores, não é por isso que "Deadpool" sobressai, até porque já existiam outros nessa categoria. Não sei é se os estúdios vão perceber isso ao invés de simplesmente tentarem replicar este sucesso com uma série de filmes R-Rated para mais malta que se veste de Spandex.


Antes de terminar convém referir algumas palavras de apreço à fabulosa campanha de Marketing deste filme. Foi divertidíssima, diferente e acabou por compensar. Assim sim, vale a pena.

4 comentários:

Andreia Mandim disse...

Indeed! Totalmente de acordo com cada linha da tua crítica. Agora é esperar que, passado os primórdios da personagem, a sequela seja ainda melhor ou que pelo menos mantenha o grau de awesomeness deste primeiro filme!

Bons filmes,
www.cinemaschallenge.com

Loot disse...

Quando o filme foi anunciado tive as minhas reservas, mas o trailer e a campanha de marketing foram-me conquistando pouco a pouco.

Já agora aproveitei a tua dica (via outra rede virtual) e acrescentei um parágrafo para explicar melhor quem é a personagem. Obrigado (estou enferrujado lol).

Meryem Ziyet Bexiga disse...

E eu adorei... Não quis lir a rua cronica até ir ver :D
E só digo que há tanto tempo que nao chorava a rir a ver um film :D
A scena do super hero landing foi TÃO boa, E MUITO MAIS.

Beijos

Loot disse...

Essa é uma cena que mostra como o filme goza com os clichés do género. Por isso é que acho que se safa tão bem com a história que tem. A personagem é distinta das outras da Marvel opera noutro registo e é isso que faz deste DEadpool um sucesso tão grande quando comparado com outros filmes do género.

Pessoalmente era o que mais tinha vontade de ver este ano (que está carregado de filmes destes) :)