quarta-feira, agosto 01, 2012
The Dark Knight Rises: Está Quase
Escrevia eu a dada altura após "The Dark Knight" uma breve reflexão sobre possíveis vilões para o terceiro filme, pode ser lido aqui. A minha primeira aposta na Catwoman foi logo ganha e claro que o nome do Bane tinha de ser atirado no poço de sugestões. Hoje vou ver o filme, ganhei bilhetes graças ao Ante-Cinema (muito obrigado) e vou ver a derradeira conclusão a esta trilogia que marcou os filmes de super-heróis, goste-se ou não.
Não espero ver a cena da imagem escolhida, porque muito simplesmente não há tempo para o Morcego se levantar dela num filme, a confirmar daqui a umas horas. Sobre Bane também escrevi no blog, ainda há mais anos, isto:
É conhecido pelo vilão que colocou Batman numa cadeira de rodas, mas a verdade é que ele fez mais do que isso, ele descobriu a sua identidade e não só quebrou a sua coluna, como quebrou o seu espírito também, duas coisas que nunca tinham conseguido antes. Bane utiliza uma droga que dá pelo nome de “Venom”, que lhe aumenta as capacidades físicas, atingindo níveis de força sobre-humano. Foi capaz de elaborar um plano em que solta todos os maníacos de Gotham contra o homem morcego e no final do dia quando Batman chega a casa completamente destroçado, encontra Bane à sua espera pronto a destruí-lo.
Se quiserem saber o que acontece após a "Knightfall", continuem a ler:
Depois de Batman ter ficado paralisado por Bane, Gotham City precisava de um novo protector, Robin (Tim Drake) ainda não estava pronto para assumir o papel, então Bruce escolheu Azrael, uma escolha que à primeira vista teria ido para Nightwing (Dick Grayson) o primeiro Robin. Azrael assimilou então o papel de Batman, mas aqueles mais próximos do homem morcego começaram a notar as diferenças, nomeadamente Jim Gordon, este novo Batman era mais violento e cruel: Azrael até modificou o fato criando armas mais mortíferas e um aspecto mais assustador. Com o tempo começou a considerar-se o verdadeiro Batman e começou a criar o caos, primeiro expulsando o Robin afirmando que não percebe porque um Batman necessita de um Robin (tenho de afirmar que concordo a 100% com esta frase) e quase matando o rapaz numa luta. Azrael acabou por ser destronado por Bruce Wayne quando este voltou totalmente recuperado, e pronto a desempenhar o papel que toda a vida foi dele. Há que realçar um momento na estória de Azrael que foi logo após ter vestido o manto de Batman, em que este procura por Bane dando-lhe o maior excerto de porrada que alguma vez ele poderia imaginar, vingando assim a derrota de Bruce Wayne.
Os textos foram retirados do meu top 10 vilões do Batman que está a precisar ser refeito.
terça-feira, julho 31, 2012
Moonrise Kingdom
Finalmente o Norton volta a surgir num filme que eu tinha mesmo vontade de ver. Porque o senhor até é um grande actor e é uma pena não o ver mais.
O cunho pessoal do realizador continua bem vincado, desde a estética ao humor, desde as personagens aos actores do costume. Este é mais um dos seus grandes momentos, "Anderson you did it again".
terça-feira, julho 24, 2012
Man of Steel: Teaser Trailer
Com "The Dark Knight Returns" foram lançados dois teasers de "Man of Steel". Ambos exactamente iguais onde a única alteração se prende com a narração. Ambos narrados pelos pais de Superman, de um lado Jor-El interpretado por Russel Crowe e do outro Jonathan Kent interpretado por Kevin Kostner. O primeiro aborda o destino e o segundo o livre arbítrio. Ambas as narrações estão muito boas.
Gosto do tom do filme, gosto que as primeiras imagens nos façam lembrar tudo menos um filme de super-heróis. Há também uma carga dramática, Kal-El é afinal de contas o único da sua espécie, e nunca a expressão "sozinho na multidão" ganhou tanto significado.
No final temos o azulão a quebrar a barreira do som, muito bom.
Quanto à música, funciona no trailer, seja ou não do Senhor dos anéis. Mas, por favor, metam no filme o clássico do John Williams, porque todos os filmes do Superman a deviam ter.
Por fim, goste-se ou não há sempre uma aura de respeito em torno desta personagem. São muitos anos.
segunda-feira, julho 23, 2012
domingo, julho 22, 2012
X-Men: Filhos do Átomo
De regresso à colecção "Heróis Marvel", após o Homem-Aranha, seguimos para o segundo volume, dedicado aos mutantes mais famosos da BD, os X-Men.
Julián M. Clemente volta a assinar um bom prefácio. Mesmo não sendo estritamente necessário na apreciação das histórias eu gosto de as contextualizar e Clemente em poucas palavras consegue-nos dar uma boa imagem da evolução, não só na escrita dos X-Men, mas dos super-heróis em geral e que está na génese desta edição. Quando os X-Men surgiram na chamada Idade de Prata da BD (1956-1970), o que estava em voga era criar histórias curtas e fechadas, as próprias introduções às origens dos Super-heróis eram feitas no menor número de páginas possíveis. Como se pode comprovar na primeira aparição dos X-Men, a equipa já está formada, com Jean Grey a chegar ao instituto, fechando-a. Posteriormente isto foi mudando, hoje em dia, as origens são muito mais trabalhadas, todos aqueles que são fãs de uma personagem gostam de saber como estas "nasceram" (daí o delírio quando se anunciou a prequela de Star Wars). Também o formato das histórias mudou, hoje em dia os arcos não se pretendem fechar num comic apenas, mas estender por vários mais, tendo assim mais tempo para as desenvolver e explorar. Nesta compilação temos assim a série completa de "X-Men: Children of the Atom" editada em 99 com argumento de Joe Casey e desenhos de Steve Rude, Paul Smith e Essad Ribic, e que tinha por objectivo recontar a origem da primeira formação dos X-Men. Agora sim em 6 números teríamos uma descriação pormenorizada de como Cyclops e companhia se reuniram sob a tutela de Charles Xavier.
Estamos numa época complicada para os mutantes, cada vez mais surgem entre nós e consequentemente cada vez mais são revelados e conhecidos pelo resto do mundo. Com a maior revelação dos mutantes, grupos de ódio emergem das sombras sentido-se ameaçados enquanto espécie. Se o futuro da humanidade são estes novos Homo-Superior (apelidados assim por Magneto), o que será do futuro dos Homo-Sapiens? Extinção? Metzger é o homem que dá cara a um destes grupos que numa jornada em busca de poder, procura jovens confusos e influenciáveis para assim aumentar o número daqueles que apoiam a sua causa, uma causa baseada em medo e ódio, que infelizmente são fruto, como é costume, de uma enorme ignorância. O tema do preconceito é sempre interessante e relevante, na BD os X-Men foram um marco no que toca ao desenvolvimento deste assunto e o paralelismo com outras minorias natural, ainda que estejamos no campo da fantasia.
Com o crescendo ódio pelos mutantes a necessidade resposta é cada vez mais urgente, e aqui surgem duas facções completamente distintas. De um lado Magneto, que havendo perdido a fé na Humanidade se prepara para uma guerra, e do outro Xavier, que ainda acredita na co-existência das duas espécies e que começa aqui o seu trabalho em busca de jovens mutantes para os ajudar e treinar, preparando-os assim para esta causa. Este Xavier que aqui temos não nos surge tão inocente como na sua primeira aparição, mas estamos a falar de uma personagem cujos interesses foram amplamente explorada durante todos estes anos e esta sua versão parece-me encaixar bem dentro dessa linha.
Quanto aos alunos, certamente que todos os fãs vão gostar de ver as primeiras interacções entre eles. Scott Summers (Cyclops) é um órfão explorado pelo seu poderoso poder mutante, vítima de abusos e dotado de um poder perigoso, uma vez que não o controla, é um rapaz solitário que encontrará em Xavier mais que um amigo, um abrigo. Robert Drake (Iceman) apesar de vir de um ambiente familiar mais saudável, também é um dos solitários precisamente devido ao seu poder que se começou a manifestar. Bobby está sempre com frio escondido em corredores e tentando afastar-se dos outros, estando muito longe do Iceman brincalhão que conhecemos e adoramos, aqui é uma versão muito mais assustada e com tudo o que lhe está a acontecer, quem o pode julgar? Henry Mackoy é o total oposto destes dois, os seus poderes mutantes, os que se manifestaram até à data, dotaram-no de uma agilidade e força que o tornaram no melhor jogador de futebol do seu liceu. Hank é uma estrela, tem amigos, miúdas e até o cérebro (apesar de o esconder), ou seja, ainda estamos bem longe da sua versão mais peluda e azul.
A partir de Warren Worthington III (Angel) temos uma perspectiva de como o fenómeno mutante poderia afectar os famosos. Devido à sua fortuna Warren é conhecido em todo o mundo e capa de revistas. A dada altura começa a ser atacado pelos média quando é acusado de ser mutante, algo que pode mudar drasticamente a sua vida. Warren é de todos o primeiro a tornar-se um super-herói, bem antes de conhecer Xavier já voava pelas noites como Anjo ajudando os outros, é precisamente com ele que temos a primeira aparição do protótipo de um Sentinela, os robots que se tornariam icónicos enquanto imagem da perseguição aos mutantes. Por fim, há Jean Grey (Marvel Girl), a rapariga que guarda grande potencial dentro dela, recebe visitas frequentes do Professor Xavier que pretende recrutá-la para a sua nova escola para mutantes. Apenas no fim é que assume um papel mais preponderante, de resto está bastante ausente.
Um outro ponto de vista que faltava abordar era o de termos um dos humanos preconceituosos a descobrir que na verdade também é um mutante e, felizmente, este aspecto não foi esquecido pelo argumentista. Uma vez que os poderes mutantes normalmente se manifestam durante a adolescência, faz sentido termos um daqueles jovens seguidores de Metzer a descobrir durante esta história que afinal é um dos "inimigos" e a sofrer na pele o mal que o próprio pretendia aplicar aos outros, recebendo assim a sua maior lição de vida. Destaque também para a breve aparição de Reed Richards a comentar o fenómeno mutante, gostava de ter visto algo mais nesta linha.
A seguir a esta história temos um dos pontos mais fortes deste livro que é a possibilidade de ler a primeira aparição dos X-Men que ocorreu em 1963 e com argumento de Stan Lee e desenhos de Jack Kirby, duas lendas portanto. Em quase 50 anos muita coisa se passou neste grupo de mutantes, esta é a oportunidade de assistir ao início, não só destas personagens mas do próprio tema dos mutantes, atente-se que aqui Xavier acha que é o primeiro mutante e provavelmente até seria na mente do seu criador, no entanto, é bem sabido que existiram vários antes dele, a título de curiosidade aquele que é considerado o primeiro é En Sabah Nur, nascido no antigo Egipto e que hoje é mais conhecido pelo nome de Apocalypse. Nesta primeira aventura é-nos também logo introduzido aquele que seria um dos melhores vilões da Marvel de sempre, falo obviamente de Erik Lensherr o fantástico Magneto. É também de salientar a primeira versão gráfica de Iceman que nos surge como um boneco de neve quando usa os seus poderes, bem distante da sua versão mais estilosa de (literalmente) homem de gelo. No final ainda temos duas curtas histórias dos anos 60 de Roy Thomas e Werner Roth onde estes iam revelando um pouco mais sobre as personagens dos X-Men, nada de muito revelante, mas que tem sempre interesse para os fãs, falo por mim. Uma pena serem apenas duas.
Joe Casey aquando da criação de "X-Men: Childrens of the Atom" pretendia criar uma prequela com ligação directa para a primeira história do grupo e daí a colocação dessa mesma história a seguir a estas. No entanto, quando lemos tudo de seguida há qualquer coisa que não flui bem na transição e não estou a falar da componente estética, Steve Rude está muito bem utilizando um traço moderno mas a evocar os clássicos antigos. Rude só participaria até ao 3º volume, sendo posteriormente substituído por Paul Smith que seria também substituído por Essad Ribic no final. Mas, voltando à questão anterior, as minhas questões prendem-se a nível de argumento, a sensação que tive foi similar à das prequelas de Star Wars, havia buracos na história, coisas que não ligavam e tão simples que não se percebe porquê. Por exemplo, já que os autores terminam a história com a chegada de Jean Grey à mansão, precisamente porque a primeira história começa assim, porque é que não mantiveram a mesma roupa da rapariga? A própria Jean Grey surge-nos estranhamente tão diferente em termos de personalidade nas duas histórias que é impossível não notar, talvez longe de casa seja muito mais expedita. Outro aspecto que se faz notar é que na primeira história os X-Men já estão com o professor há mais tempo, já fizeram vários treinos na sala de perigo, no entanto, na prequela apenas haviam feito um e incompleto. É normal em 50 anos de histórias haver problemas com a continuidade, quem lê BD regularmente sabe bem disto, porém, neste caso acho que havia muita coisa que podia ter sido tida em mais atenção e que facilmente se alterava para uma melhor ponte ser feita entre as histórias.
Já que mencionei as gralhas no volume anterior é de salientar que neste são, felizmente, muito menores, e nesse sentido considero-a uma edição melhor. Quanto à tradução como não li nenhuma no original não posso comentar, mas a leitura fluiu muito bem e gostei da linguagem usada.
sexta-feira, julho 20, 2012
Samurai: Aquele Que Serve
Esta curta BD é a minha mais recente participação no projecto "Zona" e que pode ser encontrada na "Zona Nippon", dedicada à cultura japonesa. O desenho é do Fil, onde nos voltámos a reunir para mais uma colaboração. Aproveito para sugerir uma visita à sua exposição para conhecerem mais dos seus trabalhos.
Quando comecei a trabalhar nesta história, tinha de respeitar duas coisas: o tema teria de ser nipónico e o tamanho máximo duas páginas (acabariam por ser 5 pelo tamanho mais reduzido do formato tankobon).
Na altura, estava um pouco farto de histórias curtas, criar algo realmente interessante em duas páginas é possível, mas complicado e às vezes frustrante por querermos desenvolver mais e não podermos. A fim de tentar algo diferente e explorar caminhos novos, tentei contar uma história visual, através de um poema. Quis focar-me mais em emoções do que propriamente em detalhes, como se fosse uma canção. E não sou um poeta, o que me levava a crer que pudesse estar a meter-me em caminhos perigosos, mas talvez enquanto poema visual resultasse.
O Fil acabaria por pegar na história (algo que não estava originalmente planeado) o que a valorizou bastante, pois gosto muito da sua estética e grande ajuda na planificação.
Depois de um par de comentários, chego à conclusão que isto poderá não ter resultado da forma que esperava. Do que vi não fizeram menção ao poema em si, mas apenas à história, que sozinha é extremamente simples e minimalista e completamente despreocupada com contextualizações (algo que no final do trabalho me fez ponderar se não teria sido um erro da minha parte). Tinha de começar por algo assim, argumentos muito complexos a rimar deixo para mais tarde, depois de aprender a andar neste território. No entanto, foi estranho e curioso ver pegarem na história de forma tão racional quando procurava mais sentimento do que até lições de moral (que não pretendi dar).
E pronto este foi, resumidamente, o processo de criação. Gostei do desafio mesmo que não o tenha ultrapassado, agora é tentar aprender e melhorar.
Quando comecei a trabalhar nesta história, tinha de respeitar duas coisas: o tema teria de ser nipónico e o tamanho máximo duas páginas (acabariam por ser 5 pelo tamanho mais reduzido do formato tankobon).
Na altura, estava um pouco farto de histórias curtas, criar algo realmente interessante em duas páginas é possível, mas complicado e às vezes frustrante por querermos desenvolver mais e não podermos. A fim de tentar algo diferente e explorar caminhos novos, tentei contar uma história visual, através de um poema. Quis focar-me mais em emoções do que propriamente em detalhes, como se fosse uma canção. E não sou um poeta, o que me levava a crer que pudesse estar a meter-me em caminhos perigosos, mas talvez enquanto poema visual resultasse.
O Fil acabaria por pegar na história (algo que não estava originalmente planeado) o que a valorizou bastante, pois gosto muito da sua estética e grande ajuda na planificação.
Depois de um par de comentários, chego à conclusão que isto poderá não ter resultado da forma que esperava. Do que vi não fizeram menção ao poema em si, mas apenas à história, que sozinha é extremamente simples e minimalista e completamente despreocupada com contextualizações (algo que no final do trabalho me fez ponderar se não teria sido um erro da minha parte). Tinha de começar por algo assim, argumentos muito complexos a rimar deixo para mais tarde, depois de aprender a andar neste território. No entanto, foi estranho e curioso ver pegarem na história de forma tão racional quando procurava mais sentimento do que até lições de moral (que não pretendi dar).
E pronto este foi, resumidamente, o processo de criação. Gostei do desafio mesmo que não o tenha ultrapassado, agora é tentar aprender e melhorar.
quinta-feira, julho 19, 2012
Alive 15-07-2012... ou o regresso dos RADIOHEAD
Os Radiohead são um dos primeiros nomes que me vêm à cabeça quando me perguntam quais as minhas bandas predilectas. São também uma das bandas que me acompanha há mais tempo, agora que penso melhor é mesmo A banda que me acompanha há mais tempo. Desde 97, ano em que saiu essa pérola que abanou os alicerces da música e que dá pelo nome de OK Computer.
Lembro-me perfeitamente do ano em que estiveram cá pela última vez e ainda me lembro melhor do facto de não ter ido ver. Nunca pensei que tantos anos se passassem até um regresso, mas a verdade é que foram 11. Quando soube que vinham não hesitei em comprar o bilhete. lMesmo sabendo que o cartaz do alive seria estupendo nos três dias, normalmente vale sempre a pena, acabei por comprar só para este dia, porque já tinha o "Primavera Sound" e "Bruce Springsteen".
Fiquei com a sensação que em termos de quantidade o dia de Radiohead foi o menos interessante, para mim, excepto por eles. Antes havia Refused, Stone Roses e depois The Cure e Tricky entre muitos outros.
Nunca antes senti tanto estar num festival por uma banda apenas. Atenção, claro que houve grandes concertos neste dia, mas o sentimento que pairava no ar com sabor a Radiohead era impossível de se conter.
Por falar em bons concertos, grande recepção ao público feita pelos Paus que abriram tão bem o palco principal. Já me tinham escapado no Super Bock, agora vi-os finalmente e gostei bastante. Depois foi a vez de Warpaint, no palco Heinken. Uma descoberta interessante, além de que há sempre qualquer coisa de sensual em ver uma mulher atrás da bateria.
Depois distribui-se o tempo entre reuniões de amigos, algumas canções da Márcia, no palco do meio (não sei o nome) e em tom de peregrinação começa-se a caminhar para o palco principal para ver Caribou e mais importante arranjar um bom lugar. Caribou pareceu-me uma escolha que resultaria melhor no final do concerto dos Radiohead do que no início, até porque não havia ninguém a seguir aos ingleses. Quanto ao canadiano provavelmente merecia mais atenção do que a que lhe dei, para mim foi um concerto morno no geral.
Por fim, é a vez de subir ao palco, aquela que é para muitos uma das bandas mais importantes dos últimos 20 anos. Os Radiohead são um marco, indiscutivelmente e é difícil superar as expectativas geradas por um mito como este. É que até os outros palcos pararam para se ouvir
Em relação à setlist, e porque essa ainda antes de ser revelada já tinha gerado muito conversa, era impossível conter todos os temas que queremos ouvir. Todos temos as nossas preferências e muitos de nós nunca tínhamos ouvido nenhuma canção, pessoalmente eu gostaria de ouvir algo de todos os álbuns, mas não contava com isso. "Pablo Honey" e "The Bends" estão muito distantes do caminho que a banda percorre e costumam ficar de fora, ia preparado para isso. Por isso quando Thom Yorke, após proferir que "10 anos é muito tempo", começa a tocar os acordes de "Street Spirit (Fade Out)" entrei em êxtase. Adoro a canção e foi uma maneira belíssima de fechar tudo o que tínhamos assistido.
De resto as escolhas foram bastante equilibradas entre "OK Computer" e "In Rainbows", tendo racaído maior atenção sobre "King of Limbs" afinal de contas é a sua digressão.
Grande concerto, com alguns momentos realmente mágicos, ainda me arrepia recordar a "Exit Music (For a Film) entre outras. Espero que não volte a passar mais uma década, porque isto vale mesmo muito a pena.
Em tom mais negativo, como o dia tinha esgotado é escusado dizer a enorme massa de pessoas que se encontrava no recinto. Ora durante o concerto os ecrãs não o passaram, o que terá feito com que muitos não tivessem visto nada. Ao invés as imagens projectadas foram as que passavam nos vários ecrãs atrás da banda que em em tons diferentes de cores iam mostrando partes individuais de todos os membros da banda (ver foto acima).
Depois vieram os The Kills às 1h50, no palco Heinken. Não podia ter sido mais cedo? Bem, foi grande concerto, ainda estava num comprimento de onda dos Radiohead, mas há que realçar o grande concerto deste duo. Que até podiam ter estado no palco principal, tamanha adesão. Entre uma paragem, em que alguém se sentiu mal e um momento mais emocional por parte da vocalista, foram várias canções que percorreram a noite sempre com um forte sabor a Rock n' Roll.
Depois pelas 3 vieram os Metronomy. Estava a gostar, mas não querendo arriscar sair ao mesmo tempo que todos e porque isto de ir trabalhar no dia seguinte desmotiva cada vez mais, não fiquei até ao final. Pensava que por esta altura seria DJ Set e estaria já em casa, mas o Alive trocou-me as voltas. Tinha planeado sair depois de Kills, mas a curiosidade, essa que matou o gato, é tramada.
Lembro-me perfeitamente do ano em que estiveram cá pela última vez e ainda me lembro melhor do facto de não ter ido ver. Nunca pensei que tantos anos se passassem até um regresso, mas a verdade é que foram 11. Quando soube que vinham não hesitei em comprar o bilhete. lMesmo sabendo que o cartaz do alive seria estupendo nos três dias, normalmente vale sempre a pena, acabei por comprar só para este dia, porque já tinha o "Primavera Sound" e "Bruce Springsteen".
Fiquei com a sensação que em termos de quantidade o dia de Radiohead foi o menos interessante, para mim, excepto por eles. Antes havia Refused, Stone Roses e depois The Cure e Tricky entre muitos outros.
Nunca antes senti tanto estar num festival por uma banda apenas. Atenção, claro que houve grandes concertos neste dia, mas o sentimento que pairava no ar com sabor a Radiohead era impossível de se conter.
Por falar em bons concertos, grande recepção ao público feita pelos Paus que abriram tão bem o palco principal. Já me tinham escapado no Super Bock, agora vi-os finalmente e gostei bastante. Depois foi a vez de Warpaint, no palco Heinken. Uma descoberta interessante, além de que há sempre qualquer coisa de sensual em ver uma mulher atrás da bateria.
Depois distribui-se o tempo entre reuniões de amigos, algumas canções da Márcia, no palco do meio (não sei o nome) e em tom de peregrinação começa-se a caminhar para o palco principal para ver Caribou e mais importante arranjar um bom lugar. Caribou pareceu-me uma escolha que resultaria melhor no final do concerto dos Radiohead do que no início, até porque não havia ninguém a seguir aos ingleses. Quanto ao canadiano provavelmente merecia mais atenção do que a que lhe dei, para mim foi um concerto morno no geral.
Por fim, é a vez de subir ao palco, aquela que é para muitos uma das bandas mais importantes dos últimos 20 anos. Os Radiohead são um marco, indiscutivelmente e é difícil superar as expectativas geradas por um mito como este. É que até os outros palcos pararam para se ouvir
Em relação à setlist, e porque essa ainda antes de ser revelada já tinha gerado muito conversa, era impossível conter todos os temas que queremos ouvir. Todos temos as nossas preferências e muitos de nós nunca tínhamos ouvido nenhuma canção, pessoalmente eu gostaria de ouvir algo de todos os álbuns, mas não contava com isso. "Pablo Honey" e "The Bends" estão muito distantes do caminho que a banda percorre e costumam ficar de fora, ia preparado para isso. Por isso quando Thom Yorke, após proferir que "10 anos é muito tempo", começa a tocar os acordes de "Street Spirit (Fade Out)" entrei em êxtase. Adoro a canção e foi uma maneira belíssima de fechar tudo o que tínhamos assistido.
De resto as escolhas foram bastante equilibradas entre "OK Computer" e "In Rainbows", tendo racaído maior atenção sobre "King of Limbs" afinal de contas é a sua digressão.
Grande concerto, com alguns momentos realmente mágicos, ainda me arrepia recordar a "Exit Music (For a Film) entre outras. Espero que não volte a passar mais uma década, porque isto vale mesmo muito a pena.
Em tom mais negativo, como o dia tinha esgotado é escusado dizer a enorme massa de pessoas que se encontrava no recinto. Ora durante o concerto os ecrãs não o passaram, o que terá feito com que muitos não tivessem visto nada. Ao invés as imagens projectadas foram as que passavam nos vários ecrãs atrás da banda que em em tons diferentes de cores iam mostrando partes individuais de todos os membros da banda (ver foto acima).
Depois vieram os The Kills às 1h50, no palco Heinken. Não podia ter sido mais cedo? Bem, foi grande concerto, ainda estava num comprimento de onda dos Radiohead, mas há que realçar o grande concerto deste duo. Que até podiam ter estado no palco principal, tamanha adesão. Entre uma paragem, em que alguém se sentiu mal e um momento mais emocional por parte da vocalista, foram várias canções que percorreram a noite sempre com um forte sabor a Rock n' Roll.
Depois pelas 3 vieram os Metronomy. Estava a gostar, mas não querendo arriscar sair ao mesmo tempo que todos e porque isto de ir trabalhar no dia seguinte desmotiva cada vez mais, não fiquei até ao final. Pensava que por esta altura seria DJ Set e estaria já em casa, mas o Alive trocou-me as voltas. Tinha planeado sair depois de Kills, mas a curiosidade, essa que matou o gato, é tramada.
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segunda-feira, julho 16, 2012
sexta-feira, julho 13, 2012
Thorgal - O Filho das Estrelas
Thorgal é uma das séries de BD mais populares da dupla Rosinski e Van Hamme. Uma história carregada de fantasia (e um pouco de ficção científica) que decorre nos tempos dos Vikings, Recentemente a parceria ASA/Público está a lançar uma colecção desta BD e que terá a sua conclusão na próxima semana. Era uma daquelas colecções pelas quais eu fazia figas para acontecer, um muito obrigado aos envolvidos. A colecção em si corresponde aos volumes #14-29. Esta escolha foi feita tendo em conta que para trás já existem edições em português (umas mais fáceis de encontrar do que outras) e porque a ASA tem planos de editar as lacunas dessa primeira metade. Em relação ao número 29 marca a despedida de Van Hamme da série bem como do seu protagonista uma vez que as aventuras a partir daqui são com o filho.
Numa primeira colecção com o Público, bem antes desta, e que pretendia dar a conhecer algumas obras europeias, Thorgal já tinha sido alvo de atenção com a publicação de 2 volumes entre os quais este "O Filho das Estrelas". Este volume apesar de ser o #7 é uma escolha que faz todo o sentido para aliciar novos leitores uma vez que nos conta a origem do protagonista. No primeiro volume, "A Feiticeira Traída" somos introduzidos a este bravo guerreiro aquando de um confronto seu com Gandalf o Louco. Aparentemente este chefe dos Vikings, Gandalf, quer terminar com a vida de Thorgal por este estar apaixonado pela sua filha e não ser um Viking de verdade. É aqui que sabemos que Thorgal foi encontrado à deriva no mar quando bebé. Este órfão seria chamado de Thorgal Aegirnson, em homenagem aos deuses Thor e Aegir. No segundo volume "Na ilha dos mares gelados" o passado de Thorgal é-lhe finalmente revelado pela Feiticeira que dá nome ao primeiro volume e não é nada daquilo que eu estava à espera. Van Hamme situa-nos num ambiente altamente fantasioso para nos puxar o tapete com uma história de ficção científica de fundo.
E agora após esta breve contextualização, vamos ao volume em questão.
SPOILERS
A segunda história acaba por ser a primeira aventura vivida pelo herói, aqui ainda um jovem rapaz. Há mil anos atrás o chefe dos anões perdeu o seu nome num jogo de damas com a serpente Nidhogg. Para o reaver precisa de encontrar "o metal que não existe", ora como se encontra algo que não existe? Essa é a missão do anão mais valente, que tem mil anos para executar esta tarefa, caso contrário o seu povo está condenado. Próximo do fim acaba por encontrar Thorgal, uma criança possuidora de uma peça de metal (o que sobrou da cápsula em que foi encontrado) nunca visto no planeta Terra. É a partir deste anão que pela primeira vez Thorgal ouve a possibilidade de que ele não é deste planeta. Será Thorgal, um alienígena? Bem, tecnicamente sim e não. Graças à coragem de Thorgal o povo dos anões é salvo e é nesta história que o seu destino irá ficar para sempre ligado ao da sua amada, Aaricia (que nasce no final).
Por fim vem a terceira história e aquela que revela finalmente a origem do herói. Um jovem Thorgal numa missão em busca de um deus, acaba por encontrar... o seu avô... e com ele as tão esperadas respostas. Há muitos anos atrás, um grupo de homens viajou para o espaço, após um cataclismo que atacou a Terra. Adoptando um novo planeta continuaram a evoluir enquanto civilização. No entanto, a Terra voltou a prosperar e agora os seus filhos pródigos querem regressar a casa, até porque já estão a esgotar as fontes de energia do seu novo planeta (a surpresa).
Durante esta viagem gera-se um grande confronto entre aqueles que viriam a ser o avô e o pai de Thorgal. O primeiro quer respeitar os povos que vivem agora na Terra, enquanto o segundo quer que governem como deuses, algo que seria relativamente fácil, uma vez que estes "extra-terrestres" não só são muito mais avançados tecnologicamente, como também são possuidores de capacidades sobre-naturais (que não nos são reveladas ainda).
O avô de Thorgal perde contra o seu genro e é obrigado a exilar-se na Terra. A ironia é que a nave em que o seu povo viajava tem problemas na aterragem ficando permanentemente arruinada. Mais sobre o que lhes acontece é revelado no já mencionado, "Na ilha dos mares gelados". No que toca ao seu avô, são e salvo manteve-se por perto por causa deste dia. Com o objectivo de que o seu neto viva uma vida normal entre os Vikings, elimina todas estas memórias da sua mente bem como os seus poderes (fiquei com essa sensação). Porém, a sede de conhecimento e aventura de Thorgal não é saciada e a busca por respostas continuará dando origem a muitas aventuras. Quanto aos poderes, podem ter sido eliminados dele, mas não do seu código genético, uma vez que o seu filho irá possuí-los.
Concluindo, esta é uma belíssima série que vale a pena espreitar. Os desenhos de Rosinski são maravilhosos, a imensidão das paisagens, o retrato dos Vikings em contraste com os do "povo das estrelas" é todo muito bem conseguido. Aliado a isto juntam-se as palavras de Van Hamme que tão bem sabe criar uma aventura aliciante como esta curiosa e distinta origem.
Em relação às primeiras edições é ir procurando em alfarrabistas e lojas e esperar que a ASA edite as que faltam. Eu aventurei-me com o primeiro volume em francês. Não correu assim tão mal, mas também não correu assim tão bem. Quando os encontrar em português não hesito, mas, caso contrário não me importo de investir nos que me faltam em francês, pode ser que assim me force a aprender melhor a língua o que é sempre bom de uma forma geral e na BD em particular.
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quinta-feira, julho 12, 2012
Homem-Aranha: Integral Frank Miller
No âmbito da colecção, "Heróis Marvel", a ser distribuída com o jornal Público, venho falar deste primeiro lançamento, "Homem-Aranha: Integral Frak Miller" que foi estrategicamente lançado na estreia do filme "The Amazing Spider-Man". Que a nível de timing é uma excelente decisão, mas monetário nem tanto porque não houve tempo para concluir a colecção "Thorgal" também a ser distribuída actualmente com o mesmo jornal.
Pormenores à parte, vamos à edição em si que é o que interessa. O Público em parceria com a editora ASA tem estado de parabéns no que toca às edições de BD europeias, desde Thorgal a Blueberry passando por muitos outros, os fãs de BD têm tido a oportunidade de fazer algumas belas colecções. Desta vez o jornal em parceria com a Levoir volta a apostar em BD Norte-Americana e com uma colecção muito apetecível que reúne material do clássico ao moderno que são na sua maioria histórias aconselhadas.
Neste primeiro volume reúnem-se os trabalhos desenvolvidos por Frank Miller no Homem-Aranha. Miller viria a tornar-se um dos grandes autores de comics e hoje é sobejamente conhecido por ter desempenhado um papel fundamental em Daredevil e Batman e por ter criado essa cidade sem escrúpulos e que respira noir por todos os poros que é "Sin City". Este livro promete-nos uma viagem no tempo, antes de Miller ter ido trabalhar em Daredevil, esteve antes no Aranha e quanto a mim, acho sempre interessante conhecer os trabalhos iniciais de um autor, até porque, já conhecendo o seu trabalho posterior, conseguimos reconhecer nestes determinados estilos na sua arte que posteriormente seriam desenvolvidos.
Em relação às histórias, são todas parcerias com outros heróis. O que eu adorava quando juntavam na mesma história vários dos meus heróis preferidos. Não é que fossem necessariamente as melhores, mas poder ver o Aranha e o Daredevil juntos é muito bom. Em relação a estes dois, que funciona quase como uma passagem de testemunho para Miller, é de salientar a forma distinta como são desenhados tal como mencionado por Julián M. Clemente, num bom texto introdutório ao volume. Ambos são personagens que primam pela agilidade e percorrem as ruas de Nova Iorque de prédio em prédio, no entanto, o Daredevil não passa de humano enquanto o Aranha tem uma agilidade sobre-humana e alcança posições muito mais desafiadoras. Já disse mais do que uma vez, o Aranha é o praticante por excelência de Yôga.
Esta foi uma leitura que me levou a viajar no tempo, para histórias mais antigas e até para os tempos em que lia Marvel em português. Já há tanto tempo que não via a palavra Demolidor (Daredevil) ou Justiceiro (Punisher) escritas. Além destes as aventuras são partilhadas com o Doutor Estranho (Doctor Strange), o Quarteto Fantástico, o Punho de Ferro (Iron Fist), o Luke Cage e um dos meus predilectos, o Cavaleiro da Lua (Moon Knight). É de salientar também o retrato da cidade pelas mãos do autor, Frank Miller captou-me primeiro a atenção como argumentista e só posteriormente é que prestei mais atenção aos seus desenhos, curiosamente o seu percurso é inverso.
Todas as histórias são desenhadas por Miller excepto em "Marvel Team-Up Anual #4" onde assumiu pela primeira vez o papel de argumentista e onde aproveita para reunir uma data de personagens.
No final há uma história incompleta que poderá incomodar muitos, pois a seguinte já não contava com a participação de Frank Miller e por isso ficou de fora, mas não sem uma explicação dos editores em relação aos acontecimentos. Pessoalmente não me incomodou porque o arco que vinha de trás é encerrado, apenas abrem outro no final para nos aguçar o apetite para a próxima história.
Em tom menos positivo, achei que o texto continha demasiadas gralhas, algo que uma revisão cuidada reduziria consideravelmente. Nada que torne as falas imperceptíveis, erros simples como a omissão da conjunção "e" ou o facto do Senhor Fantástico na página 68 afirmar que não está sozinho quando se devia referir ao Aranha e não ao próprio. Em média são cerca de uma gralha por história, talvez mais. Como disse não é nada que não se perceba mas devia ter havido mais brio na edição final, talvez problemas de prazo uma vez que este "tinha" de sair aquando a estreia do filme já mencionado. De resto e do que conheço das versões originais, houve alguns momentos em que, pessoalmente, traduziria o Aranha de forma diferente, mas talvez seja uma questão mais pessoal do que outra coisa.
Infelizmente a galeria final com as capas de Miller encontra-se estranhamente incompleta, ao contrário da edição original. Claro que esta é substancialmente mais cara, ainda assim não se entende a decisão.
As histórias incluídas neste volume são:
- Amazing Spider-Man Anual #14;
- Marvel Team-Up #100;
- Marvel Team-Up Anual #4;
- Amazing Spider-Man Anual #15;
- Spectacular Spider-Man #27
- Spectacular Spider-Man #28
segunda-feira, julho 09, 2012
Harvey Milk no Cinema
The Times of Harvey Milk (1984)
Este fim-de-semana foi dedicado a Harvey Milk, o primeiro político Norte-Americano, assumidamente gay a ser eleito para um cargo governamental.
Milk sempre se considerou, não como um político, mas como parte de um movimento. Neste sentido há até uma questão, pertinente, que ficou de fora do documentário (está no final alternativo), que é: Foi Harkey Milk quem fez História? ou foi a História que fez Harvey Milk?
Com os constantes ataques aos direitos humanos, mais especificamente aos direitos da comunidade gay, era necessário retaliar. Mais do que manifestações era importante ter alguém no governo a zelar pelos interesses desta minoria. Os negros tinham-no conseguido, os chineses também, era agora a vez de um gay ser eleito. Milk abraçou este objectivo em 1973 e com perseverança alcançou-o finalmente em 1977.
É evidente que o movimento gay é crucial na política de Milk e a sua vitória sobre a abominável "Proposition 6" (que visava a possibilidade de despedir professores gays, ou simpatizantes, dos seus cargos) possivelmente o seu maior feito em termos políticos. No entanto, não quero com este texto, de todo, reduzi-lo a um político que batalhava apenas pelos direitos da comunidade gay, pelo contrário. Milk lutava pelo que acreditava e a grande força da sua campanha, algo que ele não descurou, foi a luta por todas as minorias, sejam étnicas, com deficiências ou os idosos.
O documentário reúne uma série de entrevistas a pessoas que lhe eram próximas de diversas formas, seja profissional ou pessoalmente. Entrevistas, declarações, vídeos, etc. Graças às campanhas de Milk há muito material disponível sobre ele e que enriquecem substancialmente o filme. Após o seu assassinato o documentário, ao contrário do filme de Gus Van Sant, ainda continua a explorar o sucedido mostrando-nos como decorreu o julgamento de Dan White, o descontentamento gerado pelo resultado e uma busca por uma qualquer justificação do sucedido.
A ironia é que White termina a sua pena no ano em que este documento é lançado e que, já agora, venceria o Óscar nesta categoria. Dois anos depois White comete suicido.
Milk (2008)
Já era tempo de me actualizar com a filmografia de Van Sant, tenho perdido os seus útlimos filmes, e não é por falta de interesse.
Uma coisa que se torna clara neste filme é que o documentário acima serviu como base de pesquisa, afinal de contas, já contém imenso material reunido. Quase todas as aparições de Milk em vídeo, são reproduzidas no filme onde os seus discursos são transcritos na totalidade. Já agora Sean Penn faz um trabalho muito bom na pele de Harvey Milk.
Gostei, também do facto de aqui se dar atenção a muitas pessoas que não foram salientadas no documentário e que foram parte importante do movimento, como Cleve Jones ou Scott Smith. Em termos de informação o que o filme de Van Sant nos dá a mais é a parte da vida pessoal do político. As suas relações amorosas e de amizade, uma das quais acabou em tragédia e lhe foi emocionalmente devastadora.
O elenco é bastante bom com Josh Brolin no papel de Dan White, James Franco como Scott Smith e Emile Hirsh como Cleve Jones, entre outros.
Milk recebia variadas ameaças de morte, subindo a púlpitos para discursar com receio que pudesse ser a sua última vez e, no entanto, o perigo estava muito mais perto do que pensava não tendo sequer a ver com o movimento gay per se, ou pelo menos não directamente e de uma forma mais política do que preconceituosa, pelo menos foi assim que interpretei a situação. Tanto Milk como White, eleitos na mesma altura, surgiram como duas estrelas em ascensão. Milk prometia agitar o governo, prometia mudança e White era o típico rapaz de ouro Americano, conservador e familiar. No entanto, apenas um cumpriu com as expectativas. White não soube lidar bem nem com a carreira nem com a pressão sofrida pelo seu cargo e a pouco e pouco foi-se perdendo como político e posteriormente como pessoa. Brolin conseguiu captar bem essa espiral descendente que relatam em relação a White.
No filme ficou faltar referir que Dan White além de ex-polícia, era também ex-bombeiro, algo que invalidaria uma piada usada a dada altura.
O final, momento climax no documentário também, mostra a marcha efectuada em homenagem a Milk e Moscone. A resposta do povo a estes dois assassinatos foi de um respeito e carinho que não deixarão ninguém indiferente e que serve como lição de vida a gerações futuras.
Este fim-de-semana foi dedicado a Harvey Milk, o primeiro político Norte-Americano, assumidamente gay a ser eleito para um cargo governamental.
Milk sempre se considerou, não como um político, mas como parte de um movimento. Neste sentido há até uma questão, pertinente, que ficou de fora do documentário (está no final alternativo), que é: Foi Harkey Milk quem fez História? ou foi a História que fez Harvey Milk?
Com os constantes ataques aos direitos humanos, mais especificamente aos direitos da comunidade gay, era necessário retaliar. Mais do que manifestações era importante ter alguém no governo a zelar pelos interesses desta minoria. Os negros tinham-no conseguido, os chineses também, era agora a vez de um gay ser eleito. Milk abraçou este objectivo em 1973 e com perseverança alcançou-o finalmente em 1977.
É evidente que o movimento gay é crucial na política de Milk e a sua vitória sobre a abominável "Proposition 6" (que visava a possibilidade de despedir professores gays, ou simpatizantes, dos seus cargos) possivelmente o seu maior feito em termos políticos. No entanto, não quero com este texto, de todo, reduzi-lo a um político que batalhava apenas pelos direitos da comunidade gay, pelo contrário. Milk lutava pelo que acreditava e a grande força da sua campanha, algo que ele não descurou, foi a luta por todas as minorias, sejam étnicas, com deficiências ou os idosos.
O documentário reúne uma série de entrevistas a pessoas que lhe eram próximas de diversas formas, seja profissional ou pessoalmente. Entrevistas, declarações, vídeos, etc. Graças às campanhas de Milk há muito material disponível sobre ele e que enriquecem substancialmente o filme. Após o seu assassinato o documentário, ao contrário do filme de Gus Van Sant, ainda continua a explorar o sucedido mostrando-nos como decorreu o julgamento de Dan White, o descontentamento gerado pelo resultado e uma busca por uma qualquer justificação do sucedido.
A ironia é que White termina a sua pena no ano em que este documento é lançado e que, já agora, venceria o Óscar nesta categoria. Dois anos depois White comete suicido.
Milk (2008)
Já era tempo de me actualizar com a filmografia de Van Sant, tenho perdido os seus útlimos filmes, e não é por falta de interesse.
Uma coisa que se torna clara neste filme é que o documentário acima serviu como base de pesquisa, afinal de contas, já contém imenso material reunido. Quase todas as aparições de Milk em vídeo, são reproduzidas no filme onde os seus discursos são transcritos na totalidade. Já agora Sean Penn faz um trabalho muito bom na pele de Harvey Milk.
Gostei, também do facto de aqui se dar atenção a muitas pessoas que não foram salientadas no documentário e que foram parte importante do movimento, como Cleve Jones ou Scott Smith. Em termos de informação o que o filme de Van Sant nos dá a mais é a parte da vida pessoal do político. As suas relações amorosas e de amizade, uma das quais acabou em tragédia e lhe foi emocionalmente devastadora.
O elenco é bastante bom com Josh Brolin no papel de Dan White, James Franco como Scott Smith e Emile Hirsh como Cleve Jones, entre outros.
Milk recebia variadas ameaças de morte, subindo a púlpitos para discursar com receio que pudesse ser a sua última vez e, no entanto, o perigo estava muito mais perto do que pensava não tendo sequer a ver com o movimento gay per se, ou pelo menos não directamente e de uma forma mais política do que preconceituosa, pelo menos foi assim que interpretei a situação. Tanto Milk como White, eleitos na mesma altura, surgiram como duas estrelas em ascensão. Milk prometia agitar o governo, prometia mudança e White era o típico rapaz de ouro Americano, conservador e familiar. No entanto, apenas um cumpriu com as expectativas. White não soube lidar bem nem com a carreira nem com a pressão sofrida pelo seu cargo e a pouco e pouco foi-se perdendo como político e posteriormente como pessoa. Brolin conseguiu captar bem essa espiral descendente que relatam em relação a White.
No filme ficou faltar referir que Dan White além de ex-polícia, era também ex-bombeiro, algo que invalidaria uma piada usada a dada altura.
O final, momento climax no documentário também, mostra a marcha efectuada em homenagem a Milk e Moscone. A resposta do povo a estes dois assassinatos foi de um respeito e carinho que não deixarão ninguém indiferente e que serve como lição de vida a gerações futuras.
sexta-feira, junho 29, 2012
Rurouni Kenshin - Novo Trailer
Cabelo vermelho?
Cicatriz em cruz?
Yep é o Battousai.
Gostei do trailer mas aquela canção pop/rock a meio está ali enfiada a martelo. Que é aquilo? É que a série de animé tem uma das bandas sonoras mais poderosas do género.
terça-feira, junho 26, 2012
Pecadilhos das horas vagas
A partir de um convite da FilmPuff do blog Not a Film Critic, escrevi um curto texto sobre um dos meus guily pleasures cinematográficos e que pode ser visto aqui.
quarta-feira, junho 20, 2012
BD Sci-Fi: Sem Título
Eu e o Rui Alex, após a curta de BD "Despertar" voltámos a unir esforços para explorar mais uma vez os universos da BD, mais especificamente na área da ficção científica. Desta vez com o objectivo de participar no concurso de BD Avenida Marginal ficámos limitados ao espaço de apenas uma prancha.
A história ficou, acho eu, com muita coisa para ser contada em tão pouco tempo, podia ter respirado mais, mas mesmo assim acho que tudo se compreende bem e aqui um muito obrigado ao Rui que consegue encaixar inúmeras vinhetas como se não fosse nada. Gostei também particularmente do tom mais oldschool por ele explorado.
Quem lê pergunta-me quase sempre se conheço o filme "Looper". Na altura que escrevi não conhecia, mas, apesar de ter um ponto em comum continuo a sentir (pelo que vi dos trailers do filme) que os objectivos são totalmente diferentes. Eu procurava mais uma justiça poética, um olho por olho, dente por dente. Já agora, esqueci-me completamente de lhe dar um título.
Em relação ao concurso os resultados já saíram. Não vencemos nada, mas aproveito para colocar aqui os vencedores e as menções honrosas que a organização disponibilizou. De salientar este feito que nem sempre acontece e me parece o ideal.
Para terminar faço ainda menção à exposição do concurso que está actualmente a decorrer em Oeiras. Ainda não tive foi oportunidade de passar por lá.
A história ficou, acho eu, com muita coisa para ser contada em tão pouco tempo, podia ter respirado mais, mas mesmo assim acho que tudo se compreende bem e aqui um muito obrigado ao Rui que consegue encaixar inúmeras vinhetas como se não fosse nada. Gostei também particularmente do tom mais oldschool por ele explorado.
Quem lê pergunta-me quase sempre se conheço o filme "Looper". Na altura que escrevi não conhecia, mas, apesar de ter um ponto em comum continuo a sentir (pelo que vi dos trailers do filme) que os objectivos são totalmente diferentes. Eu procurava mais uma justiça poética, um olho por olho, dente por dente. Já agora, esqueci-me completamente de lhe dar um título.
Em relação ao concurso os resultados já saíram. Não vencemos nada, mas aproveito para colocar aqui os vencedores e as menções honrosas que a organização disponibilizou. De salientar este feito que nem sempre acontece e me parece o ideal.
Open publication - Free publishing
Para terminar faço ainda menção à exposição do concurso que está actualmente a decorrer em Oeiras. Ainda não tive foi oportunidade de passar por lá.
terça-feira, junho 19, 2012
Primavera Sound - Terceiro Round
Hoje caiu a chuva para complicar a vida dos festivaleiros. Notou-se uma adesão mais tardia por parte de muitos. Talvez não só a chuva tenha contribuído para isso, Portugal jogava com a Alemanha também. Quanto a mim, fiz questão em pelo menos estar no recinto as 19h para ver os Spiritualized e assim foi.
Um pequeno aparte, sempre achei que o Domingo (quarto dia do festival) não ia correr bem, uma vez que os concertos seriam na casa da música e no Hard Club, ou seja, espaços pequenos para tantas pessoas com pulseiras. Quando cheguei ao recinto, perto das nove, e a chover consideravelmente, observo um fila gigante. Assumimos logo e correctamente que era para reservar bilhetes para a casa da música. Aparentemente este tipo de notícias ia sendo colocada no facebook, mas avisar no recinto, está quieto. Todas estas mudanças, tal como a passagem do concerto dos Tennis para o dia anterior foram feitas via web, algo que eu nunca consultei durante o festival e portanto estive sempre a léguas do que se passava. Disto isto, não fiquei na fila porque preferia estar a molhar-me enquanto via Spiritualized.
Apesar daquela sensação estranha de ter um pé quente e outro molhado (porque rasguei um ténis no festival e só reparei nisso quando choveu), o concerto desta banda ganhou alguma magia precisamente com a chuva e teve momentos de especial beleza. Tinha-os perdido num Alive, agora corrigido isso avanço contente e ansioso pelo concerto dos Death Cab For Cutie.
Vinha agora o maior buraco do festival, devido a problemas técnicos relacionados com o tempo (aparentemente o meteorológico e o cronológico também) os Death Cab for Cutie cancelam. Estava ansioso por os ver, eles que regressaram com um último álbum fantástico. Infelizmente tal não aconteceu e nem se percebeu muito bem qual a razão. O palco estava realmente encharcado, mas será que um atraso de uma hora foi suficiente para a banda zarpar dali para fora por questões de horário? As pessoas não ficaram convencidas. Ao menos conheci o Winnie the pooh, porque de resto foram cerca de 40 minutos de vida perdidos.
Vamos então a correr para I Break Horses até porque faltava conhecer o Palco ATP. Como eu, foram muitos e rapidamente a adesão ao concerto aumentou exponencialmente, algo que a vocalista agradeceu. Boa descoberta, gostei do concerto e das canções, que navegam pela electrónica, desta banda. A descobrir mais certamente.
Seguimos novamente para o Palco Club para ver The Weeknd, aconselhado por uma amiga. O início energético conquistou-me rapidamente. Diz quem conhece que as suas divagações pelo R&B em álbum resultam melhor do que ao vivo. Não tendo termo de comparação posso apenas dizer que foi um concerto bem divertido.
O fim aproxima-se e é a vez dos Kings of Convenience tocarem. Surgem em palco apenas os dois membros com guitarras. Início bonito, mas arriscado em festival, algo que se faz notar bem quando os Dirty Three começam a tocar noutro palco e cujo som chega até este concerto. Erlend Øye faz referência a isso com algumas piadas, mas eventualmente chega a dizer que não se está a conseguir concentrar para a próxima canção. Depois do cancelamento dos Death Cab, começo a ver isto correr mal, felizmente Eirik Glambek Bøe deu a volta a isso e o concerto continuou. Mesmo não tendo as melhores condições o concerto prossegue muito bem, são dois grandes músicos e isso faz-se notar. A meio surgem mais músicos e como diz Erlend Øye, agora já são uma banda rock. No final até temos direito a uma visita do violinista dos The Afghan Whigs para adicionar violino a uma das últimas canções (I'd rather dance with you). Erlend Øye a dada altura ainda questiona a plateia do porquê de gostarmos tanto desta banda, respondendo que talvez como os noruegueses, nós também ficamos contentes quando estamos tristes.
No outro palco vão começar os Saint Etienne com a sua pop electrónica. Um concerto de espera para muitos, pelo menos para mim, mas que no espírito certo até foi divertido. A dada altura ainda se vai espreitar os Washed Out no Palco Club, as despedidas começam a ser feitas pois às 2:00 é hora de The XX e depois acabou.
Rapidamente depois do concerto dos XX começar alguém menciona o quanto eles cresceram em dois anos. É a primeira vez que os vejo (finalmente) e a banda não desilude. Boa coordenação, boa apresentação e acima de tudo boa música. Algumas das novas canções foram reveladas, ficou a sensação de quase todas serem no mesmo comprimento de onda que o álbum de estreia, algo a esperar para confirmar em Setembro. Algo que se fez logo notar, foram também os novos arranjos que a banda fez a algumas canções. No final fica a boa sensação de termos assistido a um grande concerto.
Nota: Fotos da autoria de Cube.
segunda-feira, junho 18, 2012
Primavera Sound - Segundo Round
Agora sim, começam as dificuldades no festival. Com os quatro palcos em funcionamento e concertos a funcionarem ao mesmo tempo é absolutamente impossível de assistir a tudo. Não vai custar assim tanto porque não conheço metade das bandas a tocar, porém, algo que também gosto muito e penso fazer parte do objectivo de festivais é a oportunidade de conhecer novos projectos.
Infelizmente não chego a tempo de ver Linda Martini, projecto pelo qual nutro grande gosto. Menos mal que são portugueses e a oportunidade de os ver é maior. Mas, já os vi pelo menos duas vezes e vale sempre a pena. Sigo então para o Palco Club, um dos que ainda não conhecia, para ver os Other Lies. Este é o palco mais pequeno, coberto em cima e com chão de cimento. Oriundos de Oklahoma, tocam um indie rock bastante agradável por vezes a fazer lembrar uns Fleet Foxes.
Em seguida, voltamos aos palcos conhecidos para assistir aos Yo La tengo. Li algures que a primeira canção teve a participação do vocalista dos Flaming Lips, mas não a apanhei, com muita pena minha. Mesmo que o meu conhecimento da banda seja fraco, os Yo La Tengo são um nome de referência no panorama indie e por isso era um concerto que não queria perder. Gostei particularmente dos momentos onde a distorção foi rainha e senhora com um Ira Kaplan em grande destaque.
Agora viria um dos concertos do dia para mim, o grande senhor Rufus Wainwright. O músico entra em palco a cantar à capela. Que magnífico início, Wainwright é possuidor de uma uma voz maravilhosa e que só por si é mais do que suficiente de nos emocionar a todos. Por entre várias canções, Rufus Wainwright esteve sempre muito empático com o público e gostei particularmente quando mencionou que gostaria de conhecer a língua portuguesa para assim poder ler os nossos autores. Qual bandeira em cima das costas qual quê, isto sim é de valor. Prestes a sair ainda volta atrás dizendo que "vocês merecem mais uma" e para despedida brinda-nos com a sua cover de Coen da hallelujah.
É altura de ir para o outro palco, os Flaming Lips vão começar a qualquer instante. Banda mítica do pop/rock, que marcou indubitavelmente o género. O concerto dos Flaming Lips é uma festa de cores e diversão. Explosões de confetis, balões, Wayne Coyne dentro de uma bola de plástico a mover-se por cima do público e muito mais, este foi sem dúvida o concertos mais "teatral" de todos. Tudo sempre com uma banda sonora a rigor, canções a esta banda não faltam. Diz quem já os viu que eles andam há alguns anos a reproduzir o mesmo concerto, mas, para quem como eu nunca os tinha visto, ficou certamente mais que satisfeito e deslumbrado. Over the top ou não, um dos vencedores da noite para mim. de destacar o público que esteve ao rubro e isso fez-se sentir muito bem na própria banda.
Depois de um concerto daqueles qualquer um que viesse a seguir teria um trabalho complicado. Seguiram-se os Wilco, num concerto mais contido mas muito profissional e onde a música (que é o mais importante) esteve sempre muito bem apresentada. Pelo meio o concerto perdeu algum do seu impacto tornando-se mais morno, pelo menos para mim que pouco conheço dos seus trabalho, pois pelo que percebi os fãs estavam mais que satisfeitos pelo final.
É tempo de regressar ao Palco Club para ver os Beach House. Aconteceu o que se previa a lembrar os Gossip no Alive, ou seja, a tenda onde os Beach House tocaram provou-se pequena para a grande adesão de fãs. Ainda assim o espaço era talvez o melhor para a banda tocar e o concerto foi maravilhoso e rapidamente escalou para o topo dos meus favoritos. O som, a voz bizarra de Victoria Legrand, tudo estava no seu lugar certo. Depois ao sair quase que dava para levantar os pés do chão e ser carregado na mesma, tamanha era a multidão a descolar-se para (penso eu) ir ver os M83.
O concerto dos M83 foi daqueles que mais passou a correr. No fim parece que estamos ali há meia-hora quando no fundo passou o dobro do tempo. Esta sensação agridoce acaba por ser o maior elogio que posso fazer ao projecto de Anthony Gonzalez. É que até conseguiram fazer desaparecer qualquer cansaço que se sentia. Soube a pouco, mas soube muito bem.
Nota: Fotos da autoria de Cube.
sábado, junho 16, 2012
Primavera Sound - Primeiro Round
O tão aguardado festival Primavera Sound tinha chegado finalmente. Houve percalços pelo caminho sendo os dois maiores, o cancelamento de Bjork e Explosions in the Sky. Nada que nos faça duvidar da compra, o cartaz deste festival era demasiado prolífico para isso. Porém, quando à entrada do recinto nos dão um papel a anunciar um concerto de Bjork em Santiago de Compostela no dia 20 de junho (ou próximo) há um certo sentimento de raiva reprimida que começa a subir à tona. Para piorar descobrimos logo a seguir que a entrada de comida é proibida. A malta paga bilhete, vem de fora do Porto, alguns ainda pagam estadia e agora querem obrigar a comprar comida lá dentro. Felizmente, no meu caso, tive 90% de sorte e 10% de perspicácia nesse aspecto, mas tenho de manifestar o meu desagrado, até porque houve comida a ir para o lixo. No terceiro dia, pelo menos, já se podia guardar no bengaleiro e recolher à saída, menos mal.
Começo pelos pontos negativos logo para despachar, pois não fiquem a pensar que não apreciei esta pequena aventura musical. Foram três dias fantásticos e que colocam o Primavera como um dos festivais mais interessantes da actualidade no nosso país. A começar pelo espaço, os jardins do parque da cidade. Que belíssima escolha, a relva, as inclinações que nos deixaram ver muitos concertos ou em pé ou sentados, ou até mesmo deitados. Neste aspecto a organização acertou em cheio.
Neste primeiro dia, o mais calmo, só dois dos quatro palcos estavam a funcionar. Dois palcos lado a lado que funcionavam alternadamente, hoje era pacífico pois dava para assistir a todos os concertos. E assim foi, salvo a excepção dos primeiros, os portugueses StopEstra! que se auto intitulam como a maior banda o mundo. Quando chegámos já estavam a concluir o seu concerto e realmente o palco parecia estar cheio de pessoas.
Segue-se o concerto de Bigott. Uma banda que me era desconhecida e já aqui do nosso país vizinho. Concerto vitorioso para os Bigott que nos receberam tão bem no festival. Um misto de várias sonoridades e um vocalista, Borja Laud, que nunca passou despercebido ou indiferente a quem chegava ao recinto. No final ficámos todos a entoar o hino "Cannibal Dinner", canto esse que se prolongou por todos os dias (e cá em casa ainda continua). Uma banda a conhecer melhor.
De seguida, dirigimos-nos para o outro palco para assistir a Atlas Sound outro projecto novo para mim, mas do qual ouvi falar muito bem. Para minha surpresa a banda consiste apenas numa pessoa, Bradford Cox. Sozinho com a sua viola leva-nos a pensar que Cox ganharia muito mais numa Aula Magna, ainda assim correu bastante bem, havia muitos interessados e a adesão foi boa. O recinto começava agora a ficar mais composto.
Yann Tiersen era para mim um dos nomes mais aguardados do dia e, felizmente, não desiludiu. Pelo menos não a mim, pois fiquei com a sensação que houve alguma pelo recinto, talvez porque esperassem ver um Tiersen mais "Amélie Poulain" coisa que já se sabia que não iria acontecer. O francês dedicou-se mais ao seu último trabalho, onde deambula pela electrónica, e arrepiou a plateia no seu solo de violino possivelmente o ponto alto do concerto.
Fiquei com a sensação que The Drums era das bandas mais aguardadas do dia. É uma banda nova e penso que isso se notou no palco. Não foi um mau concerto, mas muito longe de memorável. Faltam quilómetros aos rapazes de Brooklyn, certamente daqui a uns anos quando voltarem, estarão melhores.
Agora é a vez dos velhos dizem alguns. É verdade Suede já teve o seu tempo, mas caramba se são bons, por alguma razão ainda hoje são recordados. Eu adoro a banda que na sua altura surgiu com uma sonoridade bem distinta. Brett Andersen continua em forma e juntamente com a banda deram um espectáculo que para os fãs foi muito bom. Foi talvez o meu concerto preferido da noite, afinal de contas era das bandas que conhecia melhor e mais apreciava. Foi também o único concerto, salvo erro, que contou com encore. Nem estava à espera, não me pareceu que o público estivesse ao rubro, mas eu fiquei bem agradecido, não queria ir para casa sem ouvir a "Beautiful Ones".
Os substitutos de Explosions in the Sky foram os Mercury Rev. Lembro-me de ter ouvido qualquer coisa deles há uns valentes anos, mas nunca cheguei a explorar. Vi o concerto de longe e fiquei com boa impressão. Nalgumas que reconheci ainda fui lá para a frente ( se calhar só numa agora que penso melhor).
Para terminar a noite, The Rapture. Dos melhores da noite, grandes canções rock, muito bem tocadas. Sem artifícios foi um concerto de puro rock e nisso a banda não desiludiu. No final ficou um sabor amargo porque contava que os últimos a tocar, o fariam por mais que uma hora. Mas estava enganado, de uma forma geral os concertos eram de uma hora apenas, inclusive as bandas que terminavam a noite. Se nesse dia estranhei não terem feito um encore, isso acabaria por mudar, afinal nenhuma das bandas que encerrou os fez também.
Nota: Fotos por Cube
segunda-feira, junho 11, 2012
O Bairro: O Senhor Juarroz
Pensamento VS realidade é uma forma de resumir os dias do Senhor Juaroz.
Para aguçar o apetite coloco aqui o capítulo "Duas cadeiras":
O Senhor Juarroz estava a pensar que entre uma coisa do mundo e outra há um intervalo.
Mas também é possível existir uma única coisa entre dois intervalo.
E se assim for os intervalos passam a ser o principal e a coisa concreta, com volume e espaço, passa a ser o intervalo (a interrupção).
Uma cidade inteira pode ser considerada o intervalo entre dois espaços vazios — disse o senhor Juarroz, num tom audível, no preciso momento em que caía ao chão porque, distraído, tentara sentar-se no espaço vazio existente entre duas cadeiras.
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Gonçalo M. Tavares,
Literatura,
O Bairro
quinta-feira, junho 07, 2012
quarta-feira, junho 06, 2012
Rock in Rio - 3 de Junho 2012
Bruce Springsteen vem cá tocar? E vem com E Street Band? Então nem se questiona há que ir ver isto. Quando se junta o nome de James ao cartaz a decisão ainda se fez sentir como mais acertada.
Há vários tipos de público festivaleiro, ou pelo menos dois ou três. Eu sou daqueles que vai aos festivais, única e exclusivamente, pelos concertos. Nunca me preocupei o local onde estes eram executados. Hoje em dia vejo-me cada vez mais a ponderar isso, porque a localização atrai determinado tipo de público e isso remete-me para Beirut no Super Bock do ano passado e para o Sudoeste pois claro. Mas, vamos ao que interessa, concertos e concertos.
Kaiser Chiefs
Nunca os tinha visto ao vivo mas a banda fez jus à sua reputação. Foram cerca de 45 minutos muito bem passados onde o vocalista foi um grande entertainer, se bem que por vezes mais preocupado com a câmara do que com o público que estava realmente lá.
A dada altura o vocalista desata a correr até ao slide para passar por cima da multidão enquanto entoava uma qualquer canção. O momento alto do concerto. a banda também mostra bom gosto, gostei do toque Dire Straits no ínicio do concerto, até pensei que fossem cantar a canção em questão, a Money for Nothing.
Foi um belo início para o dia que prometia ser memorável.
James
Adoro James e com o vasto leque de canções que têm, dificilmente não dariam um grande concerto. Faltou a Born of Frustration, mas de resto foi fantástico, para mim o segundo melhor concerto da noite. Soube a pouco claro, foi quase uma hora onde ainda houve tempo para falar do país e para Tim Booth recordar a primeira vez que viu Boss ao vivo, foi uma bela homenagem ao homem que nasceu nos USA.
Por falar em Booth, o homem estava em êxtase por vezes até pensei que estava a ter um ataque epiléptico, mas claramente era alguma forma de dança contemporânea.
Xutos e Pontapés
Comprei o bilhete para o festival o ano passado pela altura do Natal e depois desliguei-me de tudo em relação a isto. Ou seja, só na mesma semana soube que Kaiser Chiefs e Xutos iam tocar no mesmo dia. Esta é uma das bandas que tem marcado presença em todas as edições, se não estou em erro. Vê-los no alinhamento após James fez-me pensar que seria uma decisão tomada por estes serem uma banda portuguesa e este um festival em Portugal. Uma forma de valorizar e realçar o que temos, apesar de eu achar que devemos sempre colocar-nos na mesma balança que os outros, pois criar sub-grupos para realçar os portugueses por vezes transmite a sensação de que o que temos não consegue competir com o internacional, algo que não concordo, falo por exemplo de tops dos melhores álbuns nacionais. Por outro lado também entendo que os façam.
Depois de assistir ao concerto, vi que estava totalmente errado. Os Xutos estão, afinal de contas, no lugar que lhes faz sentido. Eu posso preferir de longe James, mas a adesão do público foi bastante mais forte neste concerto. E a banda, claramente muito emocionada, fez aquilo que sabe melhor e que os caracteriza. Um concerto à Xutos e para fãs de Xutos.
Bruce 'Boss' Springsteen & The E Street Band
Claramente o concerto da noite, quiçá do ano. Não só porque Springsteen é realmente um Boss mas porque toda a E Street Band é qualquer coisa de fenomenal. Vê-los todos juntos no palco durante duas horas e meia de concerto foi monstruoso, memorável.
Lentamente quando entram no palco começamos a reconhecer algumas caras nem que seja a de Max Weinberg, baterista do programa de Conan O' Brien e Steven Van Zandt, o Silvio de Sopranos. No lugar de Clarence Clemons, o falecido saxofonista, esteve o seu sobrinho, Jake Clemons, o que foi a melhor escolha possível para homenagear Clarence Clemons. No final quando passaram imagens do mesmo, ver Jake Clemons lado a lado com Springsteen foi uma das partes mais emotivas da noite.
Springsteen logo no início começou por preferir algumas frases em português, algo que continuou a fazer posteriormente. O alinhamento alternou entre vários clássicos, canções do novo álbum Wrecking Ball e ainda a cover de "Twist and Shout". Springsteen até foi buscar alguns papeis à audiência onde se pediam determinadas canções e, fugindo ao alinhamento (como é costume), tocaram-nas. Mesmo assim faltaram clássicos (Human Touch por exemplo), costuma ser desta forma quando estamos presentes de uma banda com esta longevidade
O cantor que até estava ligeiramente rouco, nunca baixou os braços estando constantemente a provar-nos porque ganhou a sua alcunha. Sempre muito simpático, interagiu com o público, levou uma criança ao palco para cantar e dançou com duas senhoras que eu nem vi como conseguiram chegar ao palco.
Mesmo quando a produção do festival lançou o fogo de artifício pensando que a noite havia terminado, Boss e companhia regressam para tocar mais umas ao mesmo tempo.
Ao abandonar o recinto vamos com aquele sorriso que Tim Booth havia descrito antes, porque uma coisa é saber e outra, totalmente diferente, é viver o momento.
A multidão era tanta (81 mil) que ir ver concertos ao palco secundário era mentira. Teve de ser afinal estava num lugar muito bom.
Há vários tipos de público festivaleiro, ou pelo menos dois ou três. Eu sou daqueles que vai aos festivais, única e exclusivamente, pelos concertos. Nunca me preocupei o local onde estes eram executados. Hoje em dia vejo-me cada vez mais a ponderar isso, porque a localização atrai determinado tipo de público e isso remete-me para Beirut no Super Bock do ano passado e para o Sudoeste pois claro. Mas, vamos ao que interessa, concertos e concertos.
Kaiser Chiefs
Nunca os tinha visto ao vivo mas a banda fez jus à sua reputação. Foram cerca de 45 minutos muito bem passados onde o vocalista foi um grande entertainer, se bem que por vezes mais preocupado com a câmara do que com o público que estava realmente lá.
A dada altura o vocalista desata a correr até ao slide para passar por cima da multidão enquanto entoava uma qualquer canção. O momento alto do concerto. a banda também mostra bom gosto, gostei do toque Dire Straits no ínicio do concerto, até pensei que fossem cantar a canção em questão, a Money for Nothing.
Foi um belo início para o dia que prometia ser memorável.
James
Adoro James e com o vasto leque de canções que têm, dificilmente não dariam um grande concerto. Faltou a Born of Frustration, mas de resto foi fantástico, para mim o segundo melhor concerto da noite. Soube a pouco claro, foi quase uma hora onde ainda houve tempo para falar do país e para Tim Booth recordar a primeira vez que viu Boss ao vivo, foi uma bela homenagem ao homem que nasceu nos USA.
Por falar em Booth, o homem estava em êxtase por vezes até pensei que estava a ter um ataque epiléptico, mas claramente era alguma forma de dança contemporânea.
Xutos e Pontapés
Comprei o bilhete para o festival o ano passado pela altura do Natal e depois desliguei-me de tudo em relação a isto. Ou seja, só na mesma semana soube que Kaiser Chiefs e Xutos iam tocar no mesmo dia. Esta é uma das bandas que tem marcado presença em todas as edições, se não estou em erro. Vê-los no alinhamento após James fez-me pensar que seria uma decisão tomada por estes serem uma banda portuguesa e este um festival em Portugal. Uma forma de valorizar e realçar o que temos, apesar de eu achar que devemos sempre colocar-nos na mesma balança que os outros, pois criar sub-grupos para realçar os portugueses por vezes transmite a sensação de que o que temos não consegue competir com o internacional, algo que não concordo, falo por exemplo de tops dos melhores álbuns nacionais. Por outro lado também entendo que os façam.
Depois de assistir ao concerto, vi que estava totalmente errado. Os Xutos estão, afinal de contas, no lugar que lhes faz sentido. Eu posso preferir de longe James, mas a adesão do público foi bastante mais forte neste concerto. E a banda, claramente muito emocionada, fez aquilo que sabe melhor e que os caracteriza. Um concerto à Xutos e para fãs de Xutos.
Bruce 'Boss' Springsteen & The E Street Band
Claramente o concerto da noite, quiçá do ano. Não só porque Springsteen é realmente um Boss mas porque toda a E Street Band é qualquer coisa de fenomenal. Vê-los todos juntos no palco durante duas horas e meia de concerto foi monstruoso, memorável.
Lentamente quando entram no palco começamos a reconhecer algumas caras nem que seja a de Max Weinberg, baterista do programa de Conan O' Brien e Steven Van Zandt, o Silvio de Sopranos. No lugar de Clarence Clemons, o falecido saxofonista, esteve o seu sobrinho, Jake Clemons, o que foi a melhor escolha possível para homenagear Clarence Clemons. No final quando passaram imagens do mesmo, ver Jake Clemons lado a lado com Springsteen foi uma das partes mais emotivas da noite.
Springsteen logo no início começou por preferir algumas frases em português, algo que continuou a fazer posteriormente. O alinhamento alternou entre vários clássicos, canções do novo álbum Wrecking Ball e ainda a cover de "Twist and Shout". Springsteen até foi buscar alguns papeis à audiência onde se pediam determinadas canções e, fugindo ao alinhamento (como é costume), tocaram-nas. Mesmo assim faltaram clássicos (Human Touch por exemplo), costuma ser desta forma quando estamos presentes de uma banda com esta longevidade
O cantor que até estava ligeiramente rouco, nunca baixou os braços estando constantemente a provar-nos porque ganhou a sua alcunha. Sempre muito simpático, interagiu com o público, levou uma criança ao palco para cantar e dançou com duas senhoras que eu nem vi como conseguiram chegar ao palco.
Mesmo quando a produção do festival lançou o fogo de artifício pensando que a noite havia terminado, Boss e companhia regressam para tocar mais umas ao mesmo tempo.
Ao abandonar o recinto vamos com aquele sorriso que Tim Booth havia descrito antes, porque uma coisa é saber e outra, totalmente diferente, é viver o momento.
A multidão era tanta (81 mil) que ir ver concertos ao palco secundário era mentira. Teve de ser afinal estava num lugar muito bom.
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domingo, junho 03, 2012
sexta-feira, junho 01, 2012
DC Comics revela que Alan Scott será o novo super-herói gay da editora
Um amigo meu mostrou-me esta notícia onde revelam finalmente quem é o super-herói gay que a DC Comics tinha prometido anunciar. Esta notícia em particular que li aqui, tem uma série de erros e por isso queria dar algumas considerações pessoais, até para esclarecer os pontos em que estão equivocados, mas não só.
1º A sensação que passa, e creio ser verdadeira, é que é tudo uma grande manobra de marketing da DC Comics. Com a Marvel a ter publicado recentemente o primeiro casamento gay da editora a DC não quis ficar atrás. Porém, neste aspecto a Marvel parece mais sensata, ora quem está a casar é o Northstar um mutante assumidamente gay há bastantes anos, a Marvel não se limitou a alterar a orientação sexual de um dos seus heróis do dia para a noite... Claro que a DC também não, mas já explico isso melhor no fim.
É verdade também que o Northstar antes não era das personagens mais populares quando a Marvel optou por introduzir um super-herói homossexual, duvido que o fizesse na altura com um dos principais, pois temiam os riscos (hoje já não seria nem é assim), mas, novamente não faz sentido mudar radicalmente os gostos do Homem-Aranha, por exemplo. Actualmente o tema das diferentes sexualidades é muito mais explorado na Marvel e neste campo parece-me estar mais actual. A DC obviamente não quer ficar atrás.
2. Ora a DC Comics, comprou há uns bons anos a editora Wildstorm a qual teve o primeiro casamento gay entre dois super-heróis, são eles Apollo e Midnighter um dos casais mais badass de sempre, ou seja, a Marvel não foi pioneira como li ali escrito.
E assim é que se faz, na minha opinião, se querem ter diferentes tipos de personagens, criem-nos de origem. E estes dois são fenomenais não é à toa que a DC actualmente os introduziu no seu próprio universo na série "Stormwatch". Para mim não há necessidade de ir buscar uma personagem heterossexual e mudá-la só para aumentar as vendas. Sejam mais originais. Este é o único ponto onde não vejo necessidade nenhuma para esta nova decisão, porque de resto faz-me todo o sentido tornar estas histórias mais diversificadas e realistas. Já agora realista é grande palavra para usar dentro de um universo onde há super-poderes, mas vocês perceberam.
3. Contudo, Apollo e Midnighter são nomes desconhecidos do grande público e era preciso uma notícia que chamasse a atenção. Daí a escolha do Lanterna Verde, obviamente, um dos heróis mais conhecidos da editora.
Claro que se aprofundarmos isto vemos que há vários Lanternas Verdes e o escolhido não é, Hal Jordan, o mais conhecido e popular nos dias de hoje, mas antes Alan Scott, o primeiro de todos e que pertence a um universo paralelo, não tendo nada a ver com a força policial intergaláctica que dá pelo nome de Green Lantern Corps. Mas, como a maioria só se vai focar no nome Lanterna Verde a DC passa por muito cool e radical (mas não é).
4. Aprecie-se ou não a decisão desta mudança, a verdade é que os editores da DC de parvos não têm nada. A mudança da orientação sexual de Alan Scott dá-se precisamente numa altura de reboot. Pois é, a DC Comics começou tudo de novo (ou quase) e neste novo universo paralelo a que pertence Alan Scott, muita coisa pode e mudou. Algumas não vou dizer porque são SPOILERS severos.
Portanto a DC ao contrário do que li não tem de justificar 70 anos de heterossexualidade em Alan Scott, porque esse era outro. O actual é um novinho em folha que podia até ser chinês. A própria Marvel já tinha feito isso no Universo Ultimate ao colocar o Colossus como gay e curiosamente numa relação com o Northstar desse universo.
5. Concluindo. A DC consegue chamar atenções com a notícia e até se safa nas justificações. Diz quem leu que a série "JSA" (onde entra Alan Scott) está bem catita, é uma leitura a considerar portanto. A quem não conhece, espreitem as aventuras do Midnighter e do Apollo seja agora ou na extinta Authority, que não se vão arrepender.
Adenta: Quando escrevi isto estava a reflectir sobre a homossexualidade masculina nos comics de super-heróis. Porque no caso das mulheres é, infelizmente, uma questão mais facilmente aceite. Neste sentido a DC Comics actualmente já tem a Batwoman, cuja última série teve vários elogios da crítica. Claro que o peso que a Batwoman tem não é o mesmo que uma Wonder Woman e nem o mesmo que ter um homem. Daí tanta projecção dada a esta nova notícia. Havia até quem pensasse que o contemplado seria o Batman, mas quem achava isso claramente não leu o número 1 da Catwoman, que também foi muito badalado por ter uma cena de sexo entre os protagonistas mencionados. Aliás os "Novos 52" da DC têm sido muito falados por questões relacionadas com a sexualidade e quem ganha com esta conversa toda é a editora, afinal de contas, "não há má publicidade".
A partir da página de facebook do blog Bela Lugosi's Dead vi aquele que poderá ser o primeiro beijo homossexual neste tipo de BD e coloco-o a título de curiosidade, é de 1939 e claro entre mulheres (na altura ninguém deixaria passar entre homens) e é precisamente da DC Comics, vejam aqui.
terça-feira, maio 29, 2012
The Rains of Castamere
Muito se antecipava o nono episódio da segunda temporada de "Game of Thrones". Realizado por Neil Marshal prometia ser um portento televisivo, é afinal de contas o episódio sobre a mítica batalha de Blackwater.
O episódio é muito bom, mas a cereja no topo do bolo acabou por vir nos créditos finais com uma versão da "The Rains of Castamere" dos "The National".
Acho que já disse aqui que o vocalista podia cantar a lista telefónica que provavelmente ia ser digno de ouvir na mesma.
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segunda-feira, maio 28, 2012
O Bairro: O Senhor Henri
Já tenho a colecção inteiro de "O Bairro" de Gonçalo M. Tavares. Este fim-de-semana iniciei-me no "Senhor Henri" um homem que tem dois amores na vida e não sabe de qual gosta mais. Um é o absinto e o outro as enciclopédias. Minto, ele sabe de qual gosta mais, aliás o primeiro até faz com que goste ainda mais do segundo.
Passa os dias numa taberna a acarinhar essas duas paixões. Entre copos de absinto (que se devem beber de uma golada só) vai partilhando com quem o quiser ouvir uma inúmera série de factos (que encontra nas enciclopédias) e de pensamentos (que encontra graças ao absinto).
Aqui fica uma amostra do capítulo "O Contracto":
O sr Henri disse: os meus pais não me adormeciam com histórias infantis.
... os mais pais adormeciam-me a ler contratos de arrendamento e outros.
... o meu pai trabalhava num notário que tinha um notário e três homens que ninguém notava.
... o meu pai era um deles.
... o meu pai não tinha tempo para estar comigo e não tinha tempo para reler os contratos que era obrigado a redigir.
... o meu pai aproveitava os momentos antes de eu dormir para me ler alto os contratos e assim verificar erros, e eu cresci a pensar que as histórias infantis tinham sempre dois lados, o lado da direita e o lado da esquerda, dois outorgantes, e que um só dava uma coisa em troca de outra.
... só mais tarde percebi que isto acontecia mesmo na vida real - o dá e recebe - e só nos livros infantis é que se dava algo sem querer receber nada em troca.
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sexta-feira, maio 25, 2012
Grandes Duos da TV [12]
Doctor Gaius Baltar e (Head) Number Six (Battlestar Galactica)
Doctor Gaius Baltar: You'll forgive me, Madam President, if I don't wish to be executed based solely on your... gut feeling.
Number Six: [ominously] God has a plan, Gaius. He has a plan for everything, and everyone.
Doctor Gaius Baltar: So the fate... of the entire human race depends upon my wild guess.
Doctor Gaius Baltar: All right, that's it! No more Mr. Nice Gaius!
Doctor Gaius Baltar: [Baltar has a two-way argument with Roslin and Number Six at the same time] Well, quite frankly, I don't give a flying frak whether you believe me or not, all right? Because I've had it, I am... I'm tired of being pushed and prodded around like I'm some kind of toy. I'm not your plaything!
Number Six, President Laura Roslin: [simultaneously, in stereo] Plaything?
Doctor Gaius Baltar: I don't work for you and uh, quite frankly, I don't have to sit any more and take this kind of abuse from either of you!... Er, [points at Billy]
Doctor Gaius Baltar: *you* either... either in *here*, either in there, wherever it is
Doctor Gaius Baltar: [...] I think all of us have had teachers who have made a profound impact on our lives. History is full of examples of leaders who have come from the most humble beginnings, and have risen to meet the challenge posed by cataclysmic events. It's very easy to be sitting there in your armchairs ... criticize Laura Roslin for the tough decisions that she has to make every day - especially if you're someone like Tom Zarek, who's never shouldered any real responsibility in your life. To be fair to Tom, how could he? He's been in prison for the last twenty years. Now that he's had a drastic personality makeover, he's posing like he's the savior to all your ills! I think you all have a short memory, really. ... What I have to say is, we must survive, and we will survive. And we will do so through the values that have made our colonies great: courage, truth, justice, liberty, with a firm and deep resolve to make tomorrow better, not just for ourselves, but for our children
Number Six: Life has a melody, Gaius. A rhythm of notes which become your existence once played in harmony with God's plan
Para finalizar uma imagem tirada daqui, onde se basearam naquela ideia de tirar o Garfield das suas tiras cómicas com o Jon. Aqui fizeram o mesmo tirando a Head Six:
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