sábado, junho 10, 2006

Teenage Angst


Shine the headlight, straight into my eyes.
Like the roadkill, I'm paralysed.
You see through my disguise

At the drive-in, double feature,
pull the lever, break the fever
and say your last goodbyes.

Since I was born I started to decay.
Now nothing ever ever goes my way

One fluid gesture, like stepping back in time.
Trapped in amber, petrified.
I'm still not satisfied

Airs and social graces, elocution so divine.
I'll stick to my needle, and my favourite waste of time,
both spineless and sublime.

Since I was born I started to decay.
Now nothing ever - ever goes my way.

quarta-feira, maio 10, 2006

Televisão, o caminho para a fama!

Hoje em dia toda a gente quer aparecer na televisão! Nem que seja a fazer figuras tristes e ridículas.

"[Jerry] Springer is the talker
He's the talking man
He's got the whole studio
Eating out of his hand
You can be on too
With the nuts and the geeks
Call 1-800-IMA FREAK
1-800-IMA FREAK"
(by Mark Knopfler)

Para todos aqueles que são idolatrados pelas massas sem nunca terem feito algo para o merecerem, eu digo isto:

They say you're a star
That's what the boys all say you are
I don't see much TV
So you don't mean shit to me.
(by Mark Knopfler)

sexta-feira, março 24, 2006

Para nunca terem medo ao escurecer.

Sobre a música de Mafalda Veiga...
Há quem diga muito bem, há quem diga muito mal e há aqueles como eu, que gostam.

Desde sempre que estas melodias me acompanham e hoje, depois de um dia de trabalho esgotante, onde os "meninos problemáticos" da escola da Damaia me deram tantas alegrias, ouço "O menino do piano" e aqui fica a letra dedicada a todos eles!

E para quem nunca ouviu Mafalda Veiga, ou pensa que não gosta...ouça esta música e sonhe!

Vi um menino, com um piano,
No céu da minha cabeca,
Veio de tao longe, só para me pedir,
Que nunca o esqueca.

Vinha tocar o seu piano,
Como só nos sonhos pode ser,
Por entre as nuvens e as estrelas,
Apareceu, quando me viu, adormecer.

Ficou sentado, perto de mim,
Onde mora a fantasia,
Quis-lhe tocar, mas nao se pode ter,
A noite a iluminar o dia.

Soprou devagarinho, uma estrela,
Que se acendeu na sua mao,
Disse-me podes sempre ve-la,
Se souberes sopra-la no teu, coracao.

Vi um menino, com um piano,
A despedir-se de mim,
Como uma nuvem, fez o mar e partiu,
Nos sonhos pode ser assim.

Disse-me esta a nascer o dia,
Vou p'ra onde a noite se esconder,
Volto com a primeira estrela,
Para tu nunca teres medo, ao escurecer.

terça-feira, março 21, 2006

Dia Mundial da Poesia

Tabacaria


Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
Àparte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossìvelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos sêres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e êste lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz de propósito nenhum, talvez tudo fôsse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos,
Más lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?
Que seu eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fêz.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo.
Tenho feito filosofias em segrêdo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma
parede sem porta,
E cantou a cantiga de Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num pôço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sôbre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrêlas,
Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordámos e êle é opaco,
levantámo-nos e êle é alheio,
Saímos de casa e êle é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões tôdas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de fôlha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida dêstes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprêso sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, sem rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu, que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fôsse viva,
Ou patrícia romana, impossìvelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocotte célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -,
Tudo isso, seja o que fôr, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degrêdo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para àquem do lagarto remexidamente.
Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-te como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbedo tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com desconfôrto da cabeça mal voltada
E com o desconfôrto da alma mal-entendendo.
Êle morrerá e eu morrerei.
Êle deixará a tabuleta, eu deixarei versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta gigante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas
como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da
superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entra na Tabacaria (para comprar tabaco?),
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever êstes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como a uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de tôdas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal
disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fôsse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo trôco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o: é o Esteves sem metafísica. (O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria
sorriu.


Álvaro de Campos

domingo, março 12, 2006

Cântico Negro

"Vem por aqui" --- dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom se eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
--- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe.

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis machados, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!

Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
--- Sei que não vou por aí.


José Régio

domingo, fevereiro 19, 2006

Your dreams come true

When you wish upon a star
Makes no difference who you are
Anything your heart desires
Will come to you

If your heart is in your dreams
No request is to extreme
When you wish upon a star
As dreamers do

Fate is kind
She brings to those who love
As sweet fulfillment of their secret drowns
Like a boat out of the blue

Fate steps in and sees you through
Moma when you wished upon a star
Your dreams come true

Fate is kind
She brings to those who love
As sweet fulfillment of their secret drowns
Like a boat out of the blue

Fate steps in and sees you through
Baby when you wish upon a star
Your dreams come true

When you wished upon a star
Makes no difference who you are
Your dreams come true

domingo, janeiro 08, 2006

E porque o que é nacional é bom, deixo aqui 3 propostas recentes de música portuguesa.
Os "civic" tornaram-se conhecidos quando venceram o concurso de bandas de garagem do Rock In Rio Lisboa. Onde abriram o palco principal no mesmo dia que Moonspell, Sepultura, Slipknot, Incubus e Metallica. Destas bandas aquelas com que "civic" partilha maior sonoridade serão uns Incubus num inicio de carreira. Para quem é fã deste tipo de sonoridade aconselho a ouvirem este disco de estreia que dá pelo nome “Ghosts & Shadows”.
A segunda proposta é o primeiro álbum dos "a naifa - canções subterrâneas", uma mistura de estilos de música tradicional portuguesa, mas com uma sonoridade actual, uma espécie de fado + pop, mas desenganem-se aqueles que ao lerem a palavra fado, pensarem que as músicas desta banda são todas sobre tragédias.
Por fim, vou falar do disco de estreia dos "Gota", para quem costuma ir ao musicais, pode já os ter visto a tocar várias covers entre as quais Sting. O cd está disponível a partir de amanhã, e pela primeira vez na vida tive a possibilidade de ouvir um cd antes de sair à venda. Para quem gostar eles vão estar dia 25 às 22:00 no Club Lua (jardim do tabaco) para apresentar o álbum. Pessoalmente não me cativou.

terça-feira, janeiro 03, 2006

Banda sonora da nossa vida


Quem não gosta de música? Quem não ouve música todos os dias? Quem não começa a cantar, mesmo que inconscientemente, quando ouve na rádio os primeiros sons de uma música conhecida? A resposta a todas as perguntas é certamente: ninguém. A música faz parte de nós.

Se todos gostamos de música, não interessando o género (se é que se pode catalogar friamente a arte que é compor melodias e letras com que nos identificamos), quantos de nós já pararam para pensar qual é a banda sonora da nossa vida? A resposta será: muito poucos.

Ao contrário da banda sonora de um filme, que é imutável, a banda sonora da nossa vida vai-se construindo, alterando e crescendo. Talvez por isso seja tão difícil construir uma banda sonora biográfica.

Mas fica o desafio. Pensa naquelas músicas que foste ouvindo ao longo da tua vida. Pensa naquelas músicas que associas aos momentos chave da tua vida. Pensa naquelas músicas que te fazem lembrar aquela pessoa especial. Pensa naquelas músicas nas quais te refugias nos momentos mais complicados. Pensa naquelas músicas nas quais soltas a tua alegria nos momentos mais alegres.
Aí está. Acabaste de construir a banda sonora da tua vida até hoje.

Agora pensa, há quanto tempo não ouves a maioria dessas músicas? Há dias? Há meses? Há anos? Então vai ouvi-las porque como dizia a música, "recordar é viver". E recordando, percebes como és hoje e o caminho que fizeste para aqui chegar.

terça-feira, dezembro 20, 2005

The Fountain


E por falar em água...
Para quem gosta de Darren Aronofsky, realizador de filmes como "π" e "Requiem for a Dream", aconselho a investigarem este "The Fountain", o seu mais recente filme a estrear em 2006, uma história que segue Tom Verde na tentativa de vencer a morte e prolongar a vida da sua amada. A história atravessa 3 períodos diferentes, o passado em 1535 durante uma antiga guerra Maia, o presente em que um médico tenta descobrir a cura para o cancro e um futuro distante onde a acção se desenrola algures no espaço. Pelo nome até diria que se pode tratar da eterna procura pela fonte da juventude (metafóricamente falando).
Mas para que é que eu iria avisar agora sobre um filme que estreia lá para o meio de 2006 (vai na volta é antes), a resposta é simples, Darren Aronofsky considera a história tão grandiosa que acha que um meio de a comunicar não chega, então é aqui que nasce a novela gráfica de "The Fountain", desenhada por Kent Williams (Destiny: A Chronicle of Deaths Foretold), e já disponível para quem estiver interessado (eu estou). Para mais informações consultem a página da vertigo.
Sobre o filme deixo o link para quem quiser ver o trailer : http://www.apple.com/trailers/wb/thefountain/

domingo, dezembro 18, 2005

E do que seria tudo sem a água?

"Este líquido é água.
Quando pura
é inodora, insípida e incolor.
Reduzida a vapor,
sob tensão e alta temperatura,
move os êmbolos das máquínas que, por isso,
se denominam máquinas a vapor.
É um bom dissolvente.
Embora com excepções mas de um modo geral,
dissolve tudo bem, ácidos, bases e sais.
Congela a zero graus centesimais
e ferve a 100, quando à pressão normal.
Foi neste líquido que numa noite cálida de Verão,
sob um luar gomoso e branco de camélia,
apareceu a boiar o cadáver de Ofélia
com um nenúfar na mão."

"Lição sobre a água" de António Gedeão

Primitive Reason - Alternative Prison


... e depois veio a Terra...
Apesar de este blog não ter qualquer associação à banda e apenas pretende ser uma "saida" alternativa das prisões em que estamos, acho que por sinal de respeito e consideração vamos começar por falar deste álbum.
A primeira coisa que salta ao ouvido quando pomos este álbum a tocar é a mistura explosiva dos mais variados estilos musicais, desde Ska, Reggae, funk, hip-hop e passando por HardCore, os Primitive criaram um álbum não só muito rico em termos musicais como também muito original.
Apesar de todos os álbuns da banda valerem muito a pena, este continua a ser o meu preferido, não só porque Brian Jackson e Guillermo de Llera ainda cantam juntos mas também por ser o mais variado musicalmente e o saxofone ainda ser um dos instrumentos chave da banda.
Aclamado pela critica Portuguesa e vencedor de prémios Blitz, Alternative Prison é para mim um dos melhores álbuns da década de 90, 5 estrelas.

The Beggining

E no principio havia o céu...