terça-feira, dezembro 14, 2010

Torneio de Personagens de BD - Prelúdio


Ontem fecharam as nomeações dos personagens que vão entrar no torneio.

Antes de inicar as votações umas pequenas notas.

Houve alguns pormenores que me escaparam, um que tinha intenção de fazer referência e depois esqueci-me e outro que me passou completamente despercebido.

O primeiro é em relação ao V da BD "V for Vendetta". O V surgiu nas nomeações tanto de personagens de BD americana como de BD europeia. Isto prende-se com o facto de o livro ter sido originalmente editado em Inglaterra pela Quality Comics em preto e branco. O problema foi que a revista onde V era publicado foi cancelada antes de a história de Moore e Lloyd estar terminada. Posteriormente a série seria editada na América pela DC Comics (agora a cores) onde se concluiu.

O personagem é na sua origem Europeu em termos de edição porque em termos de criação grande parte dos personagens da indústria americana foram criados por europeus. No entanto hoje em dia está mais associado à editora americana. Se quisermos comprar o livro será a edição da Vertigo que encontraremos, até porque é a única que tem a história completa. O que até é uma pena pois há quem defenda que o livro está melhor a preto e branco (uma pena nos entido de só termos acesso a uma edição e não às duas).

Dito isto e até porque dei o V como exemplo nos comics americanos, vou deixá-lo competir nas duas categorias, afinal ninguém vai receber um Óscar. No entanto se alguém achar que é um erro abismal "manifeste-se agora ou cale-se para sempre".

O outro ponto tem a ver com alguns personagens que foram nomeados como sendo apenas um. Por ex: Dupond e Dupont ou os irmãos Dalton. Não sei se fará muito sentido separá-los principalmente no primeiro exemplo. Até porque é sempre nesse formato que surgem e é aí que está o seu poder enquanto personagens. Mas o Calvin também vai competir contra o Hobbes. Ainda estou a deliberar sobre isto, se quiserem podem dar a vossa opinião. Mas penso que se mantiver juntos será apenas o Dupond e Dupont.



Em relação aos nomeados como já suspeitava a categoria que recebeu mais participações foi a da BD americana. Faz sentido visto ser o tipo de BD que mais falo no blog. Apesar de actualmente ler na mesma quantidade os três tipos.

A categoria que teve menos participações foi a da BD asiática, mas curiosamente acabou por ter o mesmo número de nomeados que a europeia, pois nesta segunda muitos votaram nos mesmos e na mangá (todos os nomeados vieram da mangá) quase todos votaram em personagens diferentes. Aliás foi a única das categorias a não ter um só personagem que se destacasse em relação a todos os outros.
O que me lembra que no final do torneio vou comparar o vencedor com aquele que foi o mais nomeado nesta fase e ver se o resultado será o mesmo.

Esta semana darei inicio às primeias votações que irão incidir sobre o grupo de BD americana. Farei uma curta menção por post em relação a todos os personagens, nem que seja para os mostrar visualmente, pois uma das ideias deste torneio é dar a conhecer personagens e consequentemente as obras em que se inserem. Por isso aqueles que forem vencendo vão tendo direito a maiores comentários e textos da minha parte, isto porque me é impossível falar muito sobre todos.

Fica o aviso de que enquanto as votações não esitverem disponíveis ainda aceito mais nomeações, mas se tudo correr bem as primeiras votações terão inicio amanhã.

Obrigado a todos os que participaram.

sexta-feira, dezembro 10, 2010

Killling Bono - Trailer

Eeste é daqueles títulos que capta a atenção de qualquer um, mas para mim o que sobressaiu foi ver ali o Robert Sheehan, que tem o potencial para ser mais popular que o Ikea.
Já vi que ele entrou no Season of the Witch com o Nicolas Cage, mas sinceramente pareceu-me muito fraquinho (o trailer). Aliás começo a acreditar que o Nicolas Cage nunca mais vai mudar o rumo da sua carreira o que é uma pena.

Já este "Killing Bono" parece muito mais divertido, espero que venha aí um filmaço, pelo menos esta amostra promete.

quinta-feira, dezembro 09, 2010

Karate Kommandos

Quem destoa deste grupo: Super-Homem, Chuck Norris ou Jean Claude Van Damme?

A resposta é óbvia: Jean Claude Van Damme.

Porquê? Porque dos três é o único que não é um super-herói de BD.
Atenção, não estou a falar de BD's do "Walker o Ranger do Texas" ou daquele indíviduo que andou "Desaparecido em Combate". Não, nada disso, estou a falar desta pérola (atente-se no CN no peito):


"Chuck Norris Karate Kommandos"




Tudo começou com uma série animada criada por, precisamente, Chuck Norris. Como ia ser obviamente um sucesso a Marvel encarregou-se da BD (A Marvel a sério?).

Mas como podiam negar? Afinal ele é o melhor. De verdade está lá escrito e tudo:

Reparem nesta última vinheta, na imagem acima, onde Norris é reconhecido por uns ninjas assassinos que acabaram de invadir uma escola. Claramente este homem é reconhecido mundialmente e nem sequer precisa esconder-se atrás de uma máscara, tão grande é o terror que inspira no adversário. Bruce Wayne escolheste um morcego para incutir medo nos criminosos? Palhaço! devias era ter escolhido o Chuck Norris.

E o rapaz de vermelho que finalmente conhece o seu ídolo? "Posso colocar a mão no senhor?" pergunta ele emocionado como se estivesse a pedir para tocar no menino Jesus.


E agora quem é que tem coragem de lutar contra ele? Uma bala não pára este senhor como dizem os ninjas acima.
O que me lembra com tantas metralhadoras o melhor é mesmo investir fisicamente contra este mestre de Karaté. O resultado, é claro, um falhanço total, ora vejam:


Nisto tudo ainda há espaço para Norris usar a cultura para dar cabo dos maus:


Felizmente, para estes ninjas, Norris ainda só tinha o bigode, pois toda a gente sabe que a sua força é porporcional ao número de pêlos que tem na cara, tal como a de Sansão com o comprimento do cabelo.
No fim só não viveram felizes para sempre porque lançaram mais BD's.

Já agora deixo a intro da série animada, afinal isto nasceu primeiro nesse formato e é um clássico. Um clássico tão grande que eu nunca tinha ouvido falar (acho que nunca se repetiu tantas vezes o nome do herói durante o genérico de qualquer série que tenha existido).



"Chuck Norris stars in Chuck Norris..." Caramba isto não é para qualquer um. É melhor ainda do que Marylin Manson canta em Marylin Manson.

E por falar em heróis da vida real, do Norris não me lembro mas deste sim:



Mas este fica para uma outra oportunidade.

quarta-feira, dezembro 08, 2010



"Abashed the Devil stood and felt how awful goodness is"

The Crow

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Gantz - Trailer


Gantz em filme? Não fazia ideia.
Da BD li os dois primeiros volumes e gostei. Tenho de voltar a pegar nisso, não o fiz ainda porque são muitos volumes e deu-me a sensação que iam "encher chouriços" durante muito tempo.

Torneio de personagens de BD


Para começar a semana algo novo, mais um desafio aos leitores, mais uma sondagem. Desta vez a eleição da melhor personagem de BD.
Fiquei com vontade de fazer isto desde que vi a copa do TV dependente sobre as personagens de séries.


Neste caso vou separar as personagens em três categorias:


- Personagens de BD americana (comics, graphic novels). Ex: Batman, Spiderman, Constantine, V, Rorschach, Morpheus, Lucifer Morningstar, etc;


- Personagens de BD europeia (francófona, fumetti, etc). Ex: Astérix, Lucky Luke, Tintin, Requiem, Thorgal, Corto Maltese, Blacksad, etc).


- Personagens de BD asiática (manga, manhwa). Ex: L, Goku, Tetsuo, Kenshin, Atom, Vash, Manji, etc).










A ideia é escolher cinco personagens por cada categoria. Podem participar em todas ou só nas que estiverem interessados.

No final por curiosidade irei colocar os 3 vencedores a competir entre eles.

Então durante esta semana (até segunda dia 13) pedia para enviarem os escolhidos para jgabrielam@gmail.com. No cabeçalho do email pedia para escreverem “Torneio de personagens de BD”.

Consoante o número de personagens enviados irão ser colocados todos ou os mais escolhidos no blog para serem votados.


domingo, dezembro 05, 2010

Band of Horses em Portugal


Dia 7 de Fevereiro na Aula Magna vão estar, pela primeira vez em Portugal, uma banda excepcional que certamente dará um concerto memorável.

Os preços dos bilhetes são 25€ no anfiteatro e 32€ na doutoral.

Eu estou lá.

127 Hours - Trailer

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Festa de Lançamento da Zona Negra 2


Não cheguei a referir aqui no blog mas, infelizmente, na altura em que a "Zona Negra 2" foi apresentada no Amadora BD, problemas da parte da gráfica impossibilitaram a comparência do convidado mais importante, o próprio livro.

Agora que esse problema já é fruto do passado A Associação Tentáculo vai organizar uma festa de lançamento da revista (agora com a própria presente).

Para mais informações vejam o convite exposto acima.

Já agora, no norte a Zona Negra 2 já pode ser encontrada nas lojas: Lobo Mau, Mundo Fantasma e 7º Dimensão. Mas em breve estará disponível em mais locais. além de que pode ser sempre encomendada a partir do blog.

Esta revista marca a minha primeira aventura a escrever BD. Uma amostra deste trabalho, "Despertar", pode ser vista aqui.

segunda-feira, novembro 29, 2010

Game of Thrones - Winter is coming




Make no mistake people WINTER IS COMING

Irvin Kershner 1923-2010


Neste sábado passado sentiu-se, infelizmente, uma perturbação na força.

Para mim "O Império Contra Ataca" continua e continuará a ser o melhor "Star Wars" de sempre.

domingo, novembro 28, 2010

sexta-feira, novembro 26, 2010

D'artagnan e os Três Mosqueteiros



Lembro-me de cantarolar a canção quando andava na primária (a voz é que não a recordava nada assim).

Esta é a famosa série dos três mosqueteiros que contém um dos maiores Twists de sempre, maior que o Darth Vader ser o pai de Luke Skywalker. Estou a falar do episódio em que descobrimos que Aramis é uma mulher.

Nunca Dumas imaginou que tal fosse acontecer.

Já agora esta é uma série de animação japonesa cujo título original é: "Sanjushi".

quinta-feira, novembro 25, 2010

Misfits (Season 1)


Primeiro veio o filme, depois a banda e agora é a vez da série. O que é que estes três têm a ver uns com os outros? O nome e nada mais, mas é um nome poderoso: "Misfits", os desajustados, os outcast.
Esta série Inglesa é uma espécie de Skins meets Heroes. É sobre um grupo de 5 jovens que se conhecem a cumprir serviço comunitário. Durante o primeiro dia uma estranha tempestade ocorre e quando se tentam proteger são atingidos, juntamente com o supervisor, por um raio. Com o tempo começam a descobrir que desenvolveram poderes. O problema é que não foram os únicos a receber estes "dons" afinal a tempestade aconteceu por toda a cidade (quem sabe mais até) e nem todos, ao contrário deles, mantiveram a sua sanidade mental após a mesma.
Os poderes que os 5 receberam estão relacionados com as suas personalidades o que mostra que apesar de os raios terem causado poderes especiais, estes são desenvolvidos de forma diferente em cada um.
Kelly Bailey (Lauren Socha) está a cumprir serviço comunitário por ter andado à porrada. Percebe-se portanto que uma característica chave da sua personalidade é a agressividade, o que lhe valeu logo o estereótipo de chav para os outros. É também quem se preocupa mais com os amigos e apesar de não o demonstrar preocupa-se muito com o que os outros pensam dela, agora graças ao seu poder, telepatia, já vai saber, para o bem e para o mal.
Simon Bellamy (Iwan Rheon) é o rapaz estranho, o freak. Tentou pegar fogo a uma casa e é olhado pelos outros como sendo bizarro e, verdade seja dita, ele é. Simon não tem amigos, ninguém lhe liga e sempre foi invisível para o mundo. Já perceberam que o poder de Simon é o da invisibilidade. Este é um poder complicado, sejamos bons ou maus, quem for invisivel automaticamente vai cometer actos desonestos e este poder calhou logo àquele que parece ser o mais instável psicológicamente, lindo.
Curtis Donovan (Nathan Stewart-Jarrett) é a estrela caída. Atleta de competição, poderia ter tido uma carreira de futuro nas Olimpiadas se não fosse apanhado com cocaína. Curtis é o que mais sofre com a sua situação, pois de todos foi o que mais perdeu. Por momentos pensei que iria ter super-velocidade, afinal é um atleta de corrida e também por causa da forma como decorre a cena em que ele usa o poder e todos se começam a mexer muito devagar aos seus olhos. Mas estava errado, afinal o que é que Curtis mais deseja é voltar ao passado para apagar o seu erro. Pois bem, este é precisamente o seu dom. Curtis consegue voltar atrás no tempo. No entanto não é capaz de controlar o seu poder, recuando apenas em momentos de grande stress. Saliento o episódio dedicado a ele, em que volta atrás no tempo e tem a oportunidade de se livrar da cocaína antes de ser apanhado. Claro que tudo isto é um enorme paradoxo, se Curtis nunca chegasse a ser preso poderia nunca receber o seu poder então nunca poderia alterar as coisas desta forma, ou poderia? Ahh adoro histórias sobre viagens no tempo.
Em qualquer série há sempre um engraçadinho e uma gaja boa não é? Bem Alisha Dixon (Antonia Thomas) é a rapariga que irá causar arrepios nas virilhas dos rapazes. Está constantemente a usar a sua sensualidade nos outros e agora depois da tempestade está condenada a fazê-lo sempre que a toquem. Alisha deve libertar algum tipo de feromonas especiais quando a tocam, pois faz com que seja intensa e violentamente desejada. Os homens perdem o controle e nem se lembram do que aconteceu depois, mas enquanto lhe tocam só conseguem pensar numa coisa: em fazer amor com ela. Fez-me lembrar um pouco a Rogue dos X-Men, são ambas personagens que têm problemas com o toque. A 1º porque suga a energia deles e a Alisha porque, se não quiser, o mais certo é ser violada. Está a cumprir serviço comunitário por connduzir embriagada.
Por fim temos o engraçadinho, Nathan Young (Robert Sheehan) que é quanto a mim "O" personagem da série, aquele que faz com que "Misfits" seja um autêntico vício. Eu gosto dos outros também, principalmente do Simon que se vai revelando episódio a episódio, mas Robert Sheehan está para "Misfits" como Johnny Depp para os "Piratas das Caraíbas".
No final do primeiro episódio todos descobriram quais são os seus poderes, todos menos Nathan que das duas uma, ou não tem poderes, ou ainda não o descobriu. Felizmente tem outro dom o do humor. A interpretação de uma piada é importantíssima e Robert Sheehan faz um trabalho excepcional nesta série. Já espreitei a BD feita a partir da série e não é a mesma coisa sem ele.
Está constantemente a gozar com tudo e todos, e afirma que a razão de estar ali foi por ter sido apanhado a roubar doces, o que ninguém acredita.
Acho que "Misfits" está muito bem realizado, tem uma excelente banda sonora, que é crucial em determinados momentos, e tem um enredo divertido, interessante e por vezes completamente louco. Mas o seu grande trunfo quanto a mim é o humor: sujo, incorrecto, completamente errado, mas sempre, sempre muito engraçado. E aqui, novamente, tenho de salientar o nome de Robert Sheehan (este tipo vai ser grande). O seu discurso no último episódio sobre a sua geração é belíssimo e rivaliza com o de um William Wallace em Braveheart ou de um Maximus em "Gladiator".
Felizmente esta é uma série inglesa pois se fosse americana dúvido que tivessem os tomates de a filmar desta forma, uma forma carnal, arrojada e sem preconceitos.
Para verem o trailer cliquem aqui.

segunda-feira, novembro 22, 2010




sexta-feira, novembro 19, 2010

O Jogador


“O Jogador” foi escrito na mesma altura em que “Crime e Castigo”. Este segundo iria abordar originalmente os problemas causados pelo alcoolismo, porém a história cresceu noutra direcção e tornou-se algo diferente. Apesar de a temática do álcool ter sido mantida a partir de alguns personagens, deixaria de ser o cerne da história (ver Crime e Castigo). Isto apenas para referir que estes dois livros nasceram da ideia de vícios, “Crime e Castigo” do álcool e “O Jogador” do jogo, neste caso em particular focando-se na roleta.

A história tem início com a chegada de Alexei Ivanovich, o narrador, a Roletemburo, uma cidade Alemã conhecida pelos seus casinos. Nela encontra-se já hospedada a família daquele que é conhecido por General, uma família Russa na qual Alexei trabalha como tutor. Ao chegar começa logo a desconfiar de várias atitudes por parte do General, que se revelam algo desesperadas no que toca a dinheiro, e das suas mais recentes companhias, entre as quais o francês De Grieux, que Alexei detesta, e a Madamoiselle De Cominges uma mulher lindíssima que parece ter conquistado o coração do pobre General. A pouco e pouco Alexei começa a desvendar o que se passa, principalmente quando percebe que Polina, a enteada do General e sua amada, também está envolvida e poderá precisar de ajuda.

A relação que Alexei e Polina mantêm é verdadeiramente particular ou talvez particularmente verdadeira. Alexei é um homem astuto e até bastante orgulhoso, no entanto, não hesita em humilhar-se perante Polina. Ele ama-a tanto que se tornou seu escravo, fazendo tudo o que ela lhe pedir, mesmo que isso inclua atirar-se de um precipício abaixo. Esta foi a forma que Alexei encontrou de passar o máximo de tempo com ela, tornando-se numa espécie de seu confidente. Infelizmente para ele, Polina despreza-o, mas por vezes, em alguns preciosos momentos, Alexei jura que consegue vê-la como mais ninguém e isso para ele é inestimável.

Dostoevsky era também, um entusiasta da roleta, por isso a sua descrição do jogo e, mais importante, de um jogador, são rigorosíssimos. Aquela impaciência que se sente por nunca mais chegar a hora de podermos jogar, os minutos que se transformam em horas tão rápido que quando nos apercebemos já passámos um dia inteiro a jogar e curiosamente sem sentir necessidade de mais nada. A frustração da derrota que nos enfurece e não nos deixa parar e aquele perigoso sabor doce, Oh tão doce e passageiro, da vitória. Tudo isto são sentimentos que são comuns na vida de um jogador, seja o jogo da roleta, ou do poker ou de outro qualquer, quem já jogou de certeza que já os vislumbrou e quem é jogador vive-os todos os dias.

Para terminar a cereja no topo do bolo, a ironia das ironias, “O Jogador” foi escrito para pagar as dívidas de jogo do autor. Caso não terminasse o livro a tempo o seu cobrador ficaria com o direito de publicar as suas obras durante 9 anos sem qualquer tipo de remuneração.

PS: Depois de o ler acabei por ir ao “Estoril Film Festival”, onde fui ver o “Scott Pilgrim VS The World”. No final acabámos por ir espreitar a sala de jogo, fiquei a olhar para a roleta, ao vivo e a cores, pela primeira vez. Nunca foi um jogo que me tinha atraído…até agora. Não joguei claro, mas tenho de experimentar um dia. Não se preocupem está tudo controlado, não há problema, a sério que não há é só vencer uma vez e ir embora, depois nunca mais volto não me deixo enganar como os outros, até tenho um método e tudo é que as probabilidades vão por água abaixo com o desgaste do material, é só descobrir quais os números em que a bola cai mais e apostar nesses, é isso, descobri, está feito, até uma próxima.

quarta-feira, novembro 17, 2010

Green Lantern - Trailer


O vilão principal parece ser Hector Hammond. Dá apra ver o Sinestro no trailer, esperemos que construam bem a sua ligação a Hal Jordan, para a explorar depois.
Mas não me convenceu confesso, resta-me deixar isto:


"In brightest day, in blackest night,
No evil shall escape my sight
Let those who worship evil's might,
Beware my power... Green Lantern's light!"

Hal Jordan

XVII Caminhos do Cinema Português


Peço desculpa pelo atraso mas aqui fica o aviso de que o festival Caminhos já começou e irá decorrer até 23 de Novembro em Coimbra. Cliquem na imagem para mais informações e deixo aqui o press release:

"Coimbra, 12 de Novembro de 2010: Realiza-se de 14 a 23 de Novembro a XVII edição do Caminhos do Cinema Português, o único festival de cinema nacional exclusivamente dedicado ao cinema português.

Durante essa semana vão estar em competição 65 filmes portugueses, entre curtas e longasmetragens, que vão tornar Coimbra na capital do cinema lusitano. Para além da secção competitiva, os espectadores podem ainda assistir a uma série de secções paralelas de forma totalmente gratuita. Entre estas inclui-se a já habitual secção “Caminhos do Cinema Europeu”, este ano dedicado ao cinema turco. De 15 a 22 de Novembro, sempre às 22 horas, o cinema turco é mostrado na sala do Theatrix, espaço recém-inaugurado a partir do antigo Cine-Teatro Avenida.
Os alunos das escolas de cinema têm também oportunidade de mostrar os seus trabalhos no mesmo local na secção “Ensaios Visuais”, com exibições a partir das 17h30, de 15 a 19 de Novembro.

Para graúdos… e miúdos

As manhãs estão reservadas para quem não tem idade para ficar acordado até tarde. Sempre às 10h00 no TAGV, os mais novos tem a oportunidade de tomar o primeiro contacto com o cinema português através da secção “Caminhos Juniores”. Às 15 horas inicia-se a “Retrospectiva Cinema Novo”, com a exibição de películas como “Perdido por Cem”, de António Pedro Vasconcelos, e “Belarmino”, de Fernando Lopes.
Ainda no âmbito do festival, o Foyer do TAGV vai receber duas conferências que vão ajudar a tornar o “Caminhos” num espaço de reflexão cultural e cinematográfica. No dia 17 de Novembro, Paulo Granja vai moderar a conferência “Do Cinema Novo ao cinema.

domingo, novembro 14, 2010

The General

A primeira vez que ouvi falar de Buster Keaton foi no filme “Benny & Joon” de 1993, há muitos anos atrás. A personagem, Sam, interpretada por Johnny Depp era um grande entusiasta de Keaton e interagia com a vida como se fosse o próprio nos seus filmes. Foi assim que o nome daquele que é juntamente com Charles Chaplin uma das maiores lendas do cinema mudo de comédia me chegou aos ouvidos.
Em 1927 quando “The General”, realizado por Buster Keaton e Clyde Bruckman, chegou aos cinemas o resultado foi um falhanço, tanto a nível de crítica como de vendas, curiosamente este até era o filme predilecto de Keaton. Com o tempo isto mudou e hoje em dia é um dos filmes mais conhecidos e apreciados do realizador, tendo já sido considerado em 2002 numa sondagem de críticos, como um dos melhores filmes de sempre.
O filme é inspirado numa grande perseguição a uma locomotiva que decorreu em1862 durante a guerra civil americana, quando um grupo de membros do Union Army, o exército do Norte, tomaram em sua posse o comboio “The General”.
Keaton interpreta o maquinista deste comboio, um homem do Sul, que se aventura na sua perseguição imediatamente após lho roubarem. Para piorar as coisas a mulher que ama encontra-se dentro do comboio como refém.
Como não sou um grande conhecedor a frase que vou escrever vale o que vale, mas mesmo assim queria salientar que este foi o melhor filme que vi do género. Keaton tem uma grande presença cómica e é impossível não nos rendermos ao seu talento.
Ele é também o responsável por todas as suas acrobacias no filme, que são a sua imagem de marca e lhe valeram a alcunha,“The Great Stone Face”, pois durante as mesmas mantinha sempre uma expressão calma sem alterações emotivas. Algumas destas peripécias físicas eram bastante perigosas, sendo a mais famosa, neste filme, a cena inicial em que ele se encontra sentado numa das vigas que liga as rodas do comboio e este começa a andar. Se algo corresse mal ele poderia correr risco de vida. Mas Keaton era assim, se tinha graça, para ele, valia a pena.
Outra cena clássica é a da queda de um comboio de uma ponte abaixo. Não sendo fã de utilizar miniaturas Keaton quis que a cena fosse real o que tornaria, acho, este filme como a sua produção mais cara.
Palavras para quê? “The General” é um clássico e Keaton um mestre, o resto é conversa.

quinta-feira, novembro 11, 2010

Shaman Warrior Vol. 1

Já há algum tempo que queria conhecer o estilo de Banda Desenhada que dá pelo nome de Manhwa, por isso quando me deparei com este “Shaman Warrior”, de Park Joong-Ki, não hesitei e trouxe para casa o 1º volume. Manhwa está para a Coreia como Manga para o Japão. Pelo que percebi, tanto Manhwa como Manga são termos gerais para designar BD nos seus países de origem, fora deles é que ficaram associados especificamente a BD coreana e japonesa respectivamente.
Manhwa apresenta um traço muito similar ao do Manga. Algo que notei ser diferente é por exemplo a forma de desenhar as faces. O nariz e os olhos são bastante distintos dos típicos desenhados em Manga. A leitura também é diferente, pois é feita como no Ocidente, ou seja, da esquerda para a direita. Isto acontece porque o hangul é tipicamente escrito nesse sentido. Curiosamente aqui, tal como acontece frequentemente em Manga, também se mantém a tradição de desenhar alguns personagens que há primeira vista não sabemos se são homens ou mulheres.
Neste primeiro volume seguimos os personagens, Yarong, um Shaman Warrior (guerreiro com poderes especiais), e Batou o seu discípulo, que se deslocaram até uma taverna na fronteira de Kugai. Logo a inicio são atacados por um vasto grupo de combatentes e a partir daqui o que nos espera é um festival de pancada que dura praticamente até ao final do livro tendo apenas um capítulo que consiste num flashback e onde se conta um pouco sobre quem são Yarong e Batu e qual a razão de estarem ali. Ficamos também a conhecer Yaki a filha de Yarong, ainda bebé, mas que no final do livro se percebe que será uma personagem central nesta trama.
Grande parte deste volume 1, como disse consiste em porrada, a história desenvolve-se muito pouco e não posso neste momento tecer grandes comentários sobre ela, posso apenas dizer que no final torna-se mais intrigante e deu-me vontade de a continuar a descobrir. A arte é muito boa e quanto às cenas de luta o autor consegue dotá-las de uma grande velocidade e dinamismo, que irão certamente agradar aos fãs do género. Pecam no entanto, na minha opinião, por alguma censura. Não digo que todas estas histórias devam seguir o caminho de um “Blade of the Immortal” onde as cenas de luta não têm problemas em mostrar membros esquartejados e grandes quantidades de sangue a borrifar as páginas, mas logo no início de “Shaman Warrior” temos uma cena de decapitação que é tapada por um balão a expressar o som. Pessoalmente se não queriam mostrar uma cabeça a ser cortada eu optaria por mudar a cena, mas nunca tapá-la. Claro que isto é apenas um pequeno pormenor que tem a ver com o meu gosto pessoal, nada que arruíne a leitura.
Nesta edição, da Dark Horse, gostei da ideia de colocarem no final de cada capítulo uma página que nos mostra os esboços iniciais de vários personagens de “Shaman Warrior”. É muito engraçado ver como evoluíram desde essa altura.

terça-feira, novembro 09, 2010

Scott Pilgrim em Portugal





















“Scott Pilgrim” de Bryan Lee O'Malley começou por ser editado em 2010 e rapidamente se tornou um fenómeno. O sucesso foi tal que uma adaptação ao grande ecrã era inevitável e foi feita ainda antes da BD estar terminada.

Felizmente surgiu em Portugal uma nova editora, a Booksmile, que decidiu apostar em “Scott Pilgrim” lançando os dois primeiros volumes: “Na Boa Vida” e “Contra o Mundo” em português e que já se encontram disponíveis desde 4 de Novembro.

É sempre bom ver editoras a apostar em BD por cá e penso que esta edição chega em muito boa hora uma vez que graças ao filme muitas pessoas estão a conhecer este personagem e, espero eu, talvez se venham a interessar por conhecê-lo no universo da BD.

Quanto ao filme a sua estreia está cada vez mais próxima, pois será no dia 8 de Dezembro. Porém para aqueles que sentem não poder esperar mais, aproveitem neste Sábado para ir à antestreia do filme no Estoril Film Festival.



Deixo-vos uma sinopse da obra retirada da press release do lançamento:
"Scott Pilgrim tem 23 anos e está feliz com a vida pacífica que leva. Divide os dias entre o ócio do desemprego voluntário e os ensaios da banda de rock, os Sex Bob-Omb.
Namora com Knives Chau, uma chinesa de apenas 17 anos, facto que preocupa do seus amigos sobretudo quanto às intenções futuras de Scott para com uma rapariga tão nova.
No entanto, a rotina diária dividida entre consolas, a banda e o tempo dedicado à preguiça, vai sofrer um abalo sísmico provocado. A culpada é Ramona Flowers, uma norte-americana recém-chegada ao Canadá, a única estafeta da Amazon na região.

Dois encontros breves foram o suficiente para Pilgrim se apaixonar. Um dia decide fazer uma encomenda pela internet e fica à espera da amada. Ramona gosta de Scott e os dois começam a sair. A história poderia acabar aqui e ter um final feliz. Mas não.
O passado de Ramona vai assombrar a relação. Scott vai ter de lutar contra sete ex-namorados maléficos caso queira continuar a sair com ela. Cada um irá desafiar o herói para uma luta.
É este o universo de Scott Pilgrim. Uma mistura de elementos de videojogos, manga, filmes de kung fu, música e cinema, que se une às questões do amor jovem e do início da vida adulta."
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...


Alberto Caeiro em "O Guardador de Rebanhos"

sexta-feira, novembro 05, 2010

The Social Network

A semana passada em conversa com um amigo o nome deste filme surgiu, o “Filme do Facebook” como se tem tornado mais conhecido. Ele não demonstrava grande interesse nele, mas quando atirei o nome de David Fincher para a mesa os seus olhos brilharam num pequeno instante, o interesse, tão rápido como o premir de um gatilho, tinha nascido.
Com isto não pretendo menosprezar o tema que tem muito valor, quero apenas salientar que Fincher conquistou tal reputação e admiração, que se quisesse filmar sobre a plantação de nabos o filme iria suscitar interesse na mesma.
Como todos sabem, esta é a história do nascimento daquela que é hoje em dia a rede social mais popular a nível mundial, o Facebook, seguindo o seu criador Mark Zuckerberg muito bem interpretado por Jesse Eisenberg que lhe providencia uma aura de “génio anti-social” nas medidas certas.
Saí do filme a questionar-me em que pé estaria a Humanidade se não existissem as mulheres. Sem contar obviamente com a questão biológica pois sem elas não havia humanidade e centrando-me apenas nas grandes invenções ou mesmo obras de arte criadas pelos homens. Será que existiriam, sem uma mulher para as incentivar? Não que a capacidade não esteja lá na mesma, mas sem uma mulher para as ver, porquê darmo-nos ao trabalho? O Facebook tal como muitas ideias acaba por nascer em parte, também, por causa de uma mulher, neste caso, da necessidade que Mark Zuckerberg tinha em vencer e impressioná-la. Aliado a isto está claro outra necessidade, a de que Zuckerberg tinha em ser aceite por clubes sociais e não falo dos digitais. Em Portugal a vida académica funciona de forma bastante diferente, mas graças aos filmes Americanos temos algumas ideias de como alguns destes clubes universitários funcionam.
É um regresso em grande deste realizador que se está a tornar um cronista dos nossos tempos, primeiro com “Fight Club” e agora, de uma forma mais realista, com “The Social Network”. A construção do argumento de Aaron Sorkin (que faz um curto cameo) adaptado do livro "The Accidental Billionaires" de Ben Mezrich e a edição a cargo de Kirk Baxter e Angus Wall são impecáveis que dotaram o filme de uma grande dinâmica alternando entre as relações pessoais de Zuckerberg durante a criação do Facebook e os processos de tribunal que sofreu anos mais tarde devido a essas mesmas relações. A música de Trent Reznor e Atticus Ross também está longe de passar despercebida, o som industrial que pauta o filme é de realçar, muito bom.
Acho que o elenco também foi muito bem escolhido, já elogiei acima Eisenberg e de resto nunca me pareceu que alguém tenha destoado do seu papel. Andrew Garfield que descobri em “The Imaginarium of Dr. Parnassus” está muito bem no papel do melhor amigo de Zuckerber, Eduardo Saverin o co-criador do Facebook e que é peça fulcral na carga mais dramática do filme a sua relação com a de Zuckerber (e vai ser o novo Homem-Aranha, espectáculo). Armie Hammer também tem grande presença a interpretar os gémeos Cameron e Tyler Winklevoss. Já agora Tyler foi interpretado por Josh Pence do pescoço para baixo durante todo o filme, no entanto Armie Hammer por ser o mais parecido nas feições teve a sua cara a substituir a de Pence digitalmente. Por fim temos Justin Timberlake na pele de Sean Parker o criador do Napster. Vi-o recentemente em “Alpha Dog” e também gostei bastante da sua prestação além do mais há que adorar ver um músico como é Timberlake a gozar com a indústria musical neste filme.
É curioso, ou talvez não, que os filmes deste género têm sempre algo em comum. Quando alguém começa a tornar-se muito famoso e a receber quantidades exorbitantes de dinheiro, as relações de amizade vão, infelizmente, para as urtigas e estou a falar de filmes baseados em histórias verídicas.
Como é que o Facebook se tornou a rede social mais popular na Internet? Mais importante como é que ainda consegue manter esse estatuto? E como modificou a vida dos seus criadores e a de uma geração inteira? Não me alongando mais, fica a sugestão para irem conhecer a história do bilionário mais jovem do planeta e descobrirem as respostas ou o mais próximo que estaremos delas. Na minha opinião um dos grandes deste ano.

quinta-feira, novembro 04, 2010

O Estranho Caso do Dr. Jekyll e do Sr. Hyde


Existem livros que se tornam marcos na literatura mundial, aplaudidos ou pelo público ou pela crítica ou até pelos dois. Alguns destes tornam-se conhecidos em todo o mundo outros nem por isso, o que não quer dizer necessariamente que uns sejam melhores que outros, existem obras-primas nos dois campos. No entanto por alguma razão em particular há livros que são do conhecimento público, mesmo antes de serem lidos. Tal é o caso de obras como “Guerra e Paz” ou “Crime e Castigo”. Todos sabem da sua existência e muitos até quem são os autores, mas será do conhecimento geral as suas histórias? Os seus personagens? Conhecerá a maioria das pessoas que não os leu que o primeiro decorre nas guerras napoleónicas e qual é o crime e o castigo de Raskolnikov no segundo? No geral, penso que não.

Aqui há então uma clara divisão entre livros conhecidos e histórias ou personagens conhecidas. Mesmo quem não leu “Romeu e Julieta” sabe quem são estes dois e o triste fado que os espera, o mesmo para os “Três Mosqueteiros”. É verdade que muitos pensam que Frankenstein é o “monstro” sendo na verdade o cientista, mas ainda assim conhecem a história do homem que criou vida a partir de vários cadáveres. “Drácula” é outro caso e até não fazendo qualquer ideia de como se desenrola a história de “Dorian Gray” muitos saberão que um quadro envelhece no seu lugar, mas em menor escala que os acima referidos. É neste patamar que acredito que se encontra também o clássico de Robert Louis Stevenson, “O Estranho Caso de Dr. Jekyll e do Sr. Hyde” editado em 1886. Stevenson que é também o autor do não menos conhecido, “A Ilha do Tesouro”.
Considero que isto acontece porque os livros atrás mencionados sofreram inúmeras adaptações (nem sempre fiéis ao original). Desde adaptações ao teatro, ao cinema ou mesmo desenhos animados. Só deste livro em particular há 123 filmes. Com uma exposição em tantos meios diferentes é normal que o conhecimento delas seja vasto, são histórias que se tornaram parte do nosso meio cultural.

Este é um dos casos em que é uma pena sabermos tanto antes de ler o livro. Ao já conhecermos a ligação entre Jekyll e Hyde perdemos o mistério que lhe é inerente, ou seja, a tentativa de descobrir o que une o doutor respeitado Henry Jekyll a uma figura horripilante que dá pelo nome de Edward Hyde. Nisto tive pena, gostava de ter experienciado ler o livro sem este conhecimento, tentar descobrir por mim o que se passava, mas não foi nem será a última vez que tal acontece. Felizmente a história é sólida e muito boa, não vive apenas de uma descoberta, está muito bem desenvolvida e a sua temática é interessante, pois mais do que um mistério é um estudo sobre a dualidade do ser humano, em como uma pessoa é boa e má ao mesmo tempo.

Ao contrário da maior parte das adaptações a história não é contada do ponto de vista de Jekyll ou Hyde, nem assim deveria ser. A personagem que seguimos ao longo da história é Gabriel John Utterson (esquecido em várias adaptações), um advogado e velho amigo do Dr. Jekyll.
Tudo começa quando Utterson tem conhecimento, a partir do seu amigo Enfield, da descrição de um estranho homem que dá pelo nome de Edward Hyde. Baixo como um anão e de feições horrendas apesar de nunca ninguém as conseguir descrever muito bem, Hyde é tido em conta como uma pessoa sem escrúpulos e que liberta uma aura de incrível malevolência. O que desperta particular atenção ao advogado é a ligação que este Hyde tem ao seu grande amigo Dr. Jekyll, pois é o herdeiro de toda a fortuna do doutor e como é que duas criaturas tão díspares são agora tão próximas é um mistério que Utterson se sente compelido a desvendar, não vá o seu pobre amigo estar a ser vítima de chantagem.

Como referi acima o tema desta obra é o da dualidade entre o bem e o mal que existe dentro de todos nós. Este é o tema da pesquisa do Dr. Jekyll que se restringiu apenas a esta dualidade mas tendo consciência de como o ser humano tem várias camadas. O interesse do doutor neste assunto prende-se com o facto de mesmo sendo uma pessoa na sua maioria integra e respeitada, tem um lado negro que não consegue suprimir. O autor nunca nos revela quais são estas necessidades que tanto envergonham o personagem, quem sabe se trate da recorrência a prostitutas ou de relações homossexuais, afinal estamos em pelo séc XIX numa Londres Victoriana onde tais actos eram condenados (e nalguns locais, infelizmente, ainda são). Ou até algo realmente cruel, a verdade é que nunca saberemos.
O problema em negar e tentar esconder as nossas tentações debaixo de um tapete mental nem sempre resultam da melhor forma. Por vezes escondidos no inconsciente esses sentimentos ganham forças e um dia assaltam-nos de surpresa. Stevenson desenvolve esta ideia de uma forma mais drástica e irreal que é extremamente aliciante e assustadora.

terça-feira, novembro 02, 2010

Las Serpientes Ciegas

"Las Serpientes Ciegas" viria a nascer da vontade que Bartolomé Seguí (desenhador e ilustrador) tinha em desenhar uma história que se desenrolasse durante a guerra civil espanhola mas também numa Nova Iorque dos anos 30. Tendo dito isto a Felipe Hernández Cava (autor de BD, guionista para TV, crítico de arte e director editorial), este começou a orquestrar a trama que juntasse estes elementos. Inicialmente, Seguí, pediu a Gabi Beltrán para coloriar a BD, mas eventualmente acabaria por ser o próprio a fazê-lo.
A história começa em 1939 com a chegada de um adversário a Nova Iorque. Conta-nos que se encontra ali porque está em busca de um homem chamado Ben Koch. No entanto nunca nos revela o seu nome e qual a razão da sua perseguição. Encontra-se muito bem vestido, envergando um fato e um chapéu, vermelhos. Será este homem um detective da policia ou um investigador contratado por terceiros? Independentemente da resposta o que podemos concluir é que este misterioso homem não se preocupa em chamar a atenção, nem tem particular pressa em encontrar o seu alvo, instalando-se confortávelmente na pensão de um amigo de Koch e esperando que este venha até si enquanto conhece a cidade.
Em paralelo conhecemos a história do perseguido, Ben Koch, que curiosamente também se encontra em busca de alguém, Curtis Rusciano. A História de Ben vai alternando entre o presente e o passado, de modo a nos dar a conhecer qual a relação entre Ben e Curtis, como ambos se conheceram num grupo comunista em 1936 em Nova Iorque e como se voltaram a encontrar em Barcelona quando Ben foi combater na guerra civil espanhola.
Este foi o primeiro trabalho que conheci de ambos os autores e fiquei muito bem impressionado.
O argumento de Felipe Hernández Cava está muito bem construído, dividindo a história em 7 capitulos cada um com 8 páginas. A história surge-nos a início como um thriller policial e tal como um bom detective, há medida que a vamos descobrindo, cada vez mais mergulhamos numa outra temática, a das ideologias politicas de cada um e como podem ser perigosas quando levadas ao extremo.
A arte de Bartolomé Seguí também não fica nada atrás na qual reconheço influências de Miguelanxo Prado. Adorei o seu retrato de Nova Iorque para o qual usou como referência as fotografias de Berenice Abbott. Pelo que descobri sobre o autor costuma dedicar-se mais ao preto e branco aventurando-se aqui por um caminho menos comum ao ter decidido colori-la. Percebe-se perfeitamente o porquê da escolha pois é uma BD que ganha muito simbolismo na cor e ainda bem que o autor decidiu fazê-lo pois o resultado é espantoso.

Foi uma obra que não passou despercebida em Espanha tendo arrecadado vários prémios em 2009 e tendo sido também considerada em França como uma das melhores 15 BD´s em 2008.
Comprei-o o ano passado quando passei por Madrid. Gosto sempre de procurar pela BD de um país quando o estou a visitar. Claro que em certos locais a língua dificulta ou impossibilita a leitura, mas felizmente o castelhano não é um problema.

domingo, outubro 31, 2010

sexta-feira, outubro 29, 2010

Bande À Parte


“Bande À Parte” consiste na adaptação cinematográfica da obra “Fools' Gold”, da autora Dolores Hitchens, pela visão de Jean Luc Godard. O filme é também uma homenagem do realizador aos policiais dos anos 40.
Esta é a história do trio Odile (Anna Karina), Arthur (Claude Brasseur) e Franz (Sami Frey). No início Franz fala a Arthur sobre uma bela mulher, Odile, que conheceu e que esta lhe contou sobre um tal Sr. Stolz, hópede da sua tia Victoria, e da enorme quantidade de dinheiro que esconde num armário sem qualquer tipo de protecção. Movidos pela ganância de um golpe fácil (e pela atracção à mulher) vão conhecê-la numa aula de inglês que ela e Franz costumam frequentar.
Apesar de contar tudo a estes dois sobre o dinheiro Odile teima em dizer que não concorda com o assalto, no entanto, mantém contacto com eles e acabar por ir alinhando nas suas intenções, facto que poderá ter a influência de esta se ter apaixonado por Arhur, o que incomoda gravemente Franz que é um grande apaixonado seu. Se juntarmos dois homens a uma bela mulher teremos quase sempre o clássico triângulo amoroso e aqui não é excepção.
O filme data de 1964 e faz parte do movimento Nouvelle Vague no Cinema, movimento este que assumiu grande importância na formação de Godard como cineasta.
Em qualquer lado que se fale deste filme há três cenas em particular que serão garantidamente mencionadas pois tornaram-se clássicas para a história deste género. Três cenas que têm vida para além do filme e que influenciaram e influenciam cineastas ao longo dos anos.
A primeira, talvez a minha predilecta, ocorre quando o trio se encontra num café. Franz discute como um minuto de silêncio pode durar uma eternidade e diz para experimentarem. Quando começam todo o som do filme é retirado e mergulhamos numa eternidade de silêncio que curiosamente acaba por ter só 36 segundos, pois Franz interrompe a situação farto.
Logo a seguir Odile pede a Arthur para dançar e rapidamente se lhes junta Franz. Apenas os três no centro de um café a dançar ao som de música. Uma cena lindíssima que influenciou Quentin Tarantino na cena de dança entre entre John Travolta e Uma Thurman em “Pulp Fiction” entre outras.
Por fim temos a cena do museu Louvre. A fim de quebrarem o recorde da visita mais rápida a este museu, os três correm desalmadamente pelos corredores do museu.
A química entre os três actores principais resulta muito bem, mas os maiores louros vão para Anna Karina. A doçura e inocência de Odile conquistam qualquer um. Um papel maravilhoso desta actriz que na altura era a mulher e musa de Godard.

quarta-feira, outubro 27, 2010

Despertar


"Despertar" consiste na minha primeira aventura pelos contos da Banda Desenhada. A história é da minha autoria e o desenho pertence ao Rui Alex, a quem eu muito agradeço por ter dado vida às minhas palavras, foi uma experiência que gostei muito.
A BD tem quatro páginas e pode ser encontrada na revista "Zona Negra 2", dedicada ao terror.
A revista terá lançamento neste Sábado às 17:00 no Amadora BD. Eu estarei por lá.

segunda-feira, outubro 25, 2010

As Crónicas de Gelo e Fogo: A Fúria dos Reis + O Despertar da Magia


















“A Fúria dos Reis” e “O Despertar da Magia” são respectivamente o 3º e 4º volume, nas edições da saída de emergência, das “Crónicas de Gelo e Fogo” do autor George R.R. Martin. Na edição original trata-se do 2º volume “A Clash of Kings”.

Quando falei dos outros dois volumes aqui, expliquei em que consiste a obra e por isso não me vou repetir sobre isso. Também vou falar de acontecimentos que ocorreram nos volumes anteriores, por isso não é aconselhado ler este post a quem os desconhece.

Este volume continua a desenvolver a guerra civil que está a ocorrer nos sete reinos de Westeros e que teve a sua origem nos volumes anteriores.
Quando antes havia apenas um Rei, agora são quatro os homens a proclamarem este título. Joffrey Barantheon o suposto primogénito do falecido Rei Robert Baratheon, que governa na fortaleza vermelha. Joffrey seria supostamente o herdeiro por direito, mas como Eddard descobriu antes da sua morte, é filho da união entre Cersei e o seu irmão gémeo, Jaime Lannister bem como todos os seus filhos. Assim sendo o herdeiro de direito é Stannis Barantheon o irmão mais velho a seguir a Robert. Stannis que sabe da verdade sobre a descendência de Robert auto-proclama-se Rei também e apesar de estar no seu direito praticamente toda a gente desconhece este segredo, o que dificulta o apoio de Stannis.
Para complicar o seu irmão mais novo, Renly Barantheon também se auto-proclama Rei. Uma grande diferença entre Renly e Stannis é que o primeiro é muito mais amado pelo povo e aliado ao poder da casa Tyrell consegue reunir um exército mais imponente que o do irmão.
Por fim temos Robb Stark. Começou por lutar pelo Pai, mas depois da sua morte foi convencido pelos seus senhores a assumir o papel de Rei do Norte e governar estas terras como os seus antepassados tinham feito antes da invasão de Aegon Targaryen.

Em poucas palavras os Sete Reinos encontram-se num enorme caos onde a guerra predomina por quase todo o continente.
No volume anterior estive à espera que Stannis surgisse a dada altura, seria o único a conhecer o temível segredo de Cersei além de Eddard e a sua ajuda bem falta fazia a Ned. Mas tal nunca chegou a ocorrer. Talvez seja por isso que para despachar as apresentações o prólogo de “A Fúria de Reis” seja sobre Stannis aquele que é descrito como justo mas severo, aquele que se fosse Rei acabaria com as casas de prostituição ao contrário do irmão que espalhou bastardos a torto e a direito por essas belas instituições. Neste prólogo ficamos a conhecer Melisandre uma sacerdotisa vermelha, crente no Deus da Luz. Diferentes povos têm diferentes deuses tais como os Stark que rezam a deuses mais antigos. No entanto a crença mais comum nos sete reinos é a dos 7 deuses, 7 expressões diferentes de um mesmo Deus. Esta era também a crença da casa de Stannis até este começar a aceitar os conselhos de Melisandre, convertendo-se assim ao Deus da Luz e destruindo os artefactos dos 7 deuses chocando assim o seu povo seguidor. Esta conversão tem mais de interesse do que de experiência religiosa. Os 7 nunca fizeram nada por Stannis, na sua opinião, pode ser que este Deus da Luz lhe dê finalmente o trono que merece.

A maior parte da história deste volume centra-se nos confrontos em Westeros. Várias batalhas e acima de tudo jogos de guerra atrás dos bastidores são aqui explorados.
Tyrion Lannister chega até à fortaleza vermelha para ser o novo Mão do Rei. Uma mudança muito bem vinda, pois Joffrey é uma desgraça e precisa de alguém com cabeça para parar com o seu reino de parvoíce. Aqui há que admirar Tyrion ele é um Lannister mas não vai pactuar com os erros crassos que a sua família cometeu. Vinga nas suas possibilidades a morte de Eddard Stark, castigando aqueles envolvidos e que o traíram (excepto a sua família claro), e retira a sua cabeça bem como as dos outros dos espigões do castelo. A partir daqui começa a esboçar um plano para se defender de eventuais ataques enquanto descobre em quem pode ou não confiar naquela terrífica fortaleza. O duende como é apelidado domina ao longo de quase todo o livro.
Sansa Stark continua captiva como noiva de Joffrey, sofrendo dos delírios do seu jovem noivo. A sua relação com o Cão da Caça continua a ser explorada aqui e cada vez capta mais o meu interesse.

Com Robb a batalhar no Sul cabe a Bran Star ser o Senhor de Winterfell, recebendo inúmeros convidados que se vêm juntar à causa do irmão. Dos vários convidados surgem Jojen and Meera Reed dois irmão bastante misteriosos. Jojem afirma que tem o dom dos sonhos verdes, sonhos que lhe contam o futuro e parece muito interessado em Bran e nos seus sonhos. Pode ser que a vida ainda reserve uma grande surpresa a Bran que depois de perder a mobilidade nas pernas e o pai não tem estado na melhor fase da sua vida.
Robb aparece muito pouco, sabemos ao longo da história que vai vencendo algumas batalhas e mais nada além disso.

Renly vai avançando lentamente até à fortaleza vermelha angariando mais lutadores pelo caminho e Stannis prepara-se para sair de Pedra do Dragão para atacar.
A união de Stannis com Melisandre vai dar frutos. Não é à toa que o titulo “Despertar da Magia” surge no 2º volume. Para um homem tão conhecido pela sua justiça Stannis acaba por “vender a alma ao diabo” para concretizar os seus fins.

Perdida para muitos anda Arya Stark. Quando assistia à sentença do pai foi apanhada por Yoren, da patrulha da noite que a reconheceu. A fim de a ajudar fá-la passar por rapaz para esta fingir que se aliou a eles e caminha para a muralha. Como a muralha fica a norte de Winterfell Yoren deixá-la-ia em casa ao passarem por lá.
Mas com a guerra os caminhos são duros e muitos perigos esperam-nos. Arya cresce muito neste livro e irá interagir com muitas e diferentes pessoas, tais como, Jaqen H'ghar, um misterioso indivíduo que se destaca por ter metade do cabelo vermelho e outra metade branco.

Por fim ainda é de salientar Theon Greyjoy. Theon era protegido de Eddard Stark há já 10 anos. Na verdade era um refém que Ned trouxe das ilhas de Ferro após a revolta dos Greyjoy a fim de manter a casa Greyjoy nos eixos. Ned sempre tratou muito bem Theon. Nunca lhe faltou conforto, educação, nada. Creceu com os filhos de Ned e desenvolveu uma forte amizade com Robb. Robb e Jon eram aqueles com idade mais próxima de Theon, mas ao contrário de Robb, Jon sempre considerou Theon uma besta ambulante.
Não é de estranhar por isso que Theon tenha combatido a lado de Robb no livro anterior. Neste volume Robb escolhe-o para uma missão mais importante, regressar às Ilhas de Ferro e pedir apoio, em troca permite-lhes usar a coroa como haviam feito antigamente. Theon sendo o primogénito adora a ideia imaginando-se já Rei das ilhas de Ferro. Para sua surpresa o pai não tem intenções de ajudar ninguém e aproveitou esta guerra para reunir todos os seus vassalos a fim de conquistar e reclamar todo o Norte como seu. Deixando Theon com uma difícil decisão para tomar, recusar o pai ou trair Robb.


Na muralha Jon e companhia preparam-se para investigar a floresta assombrada, em busca de todos os patrulheiros desaparecidos. Depois do ataque dos cadáveres no livro anterior o perigo parece ser maior do que imaginavam e o medo cresce entre eles. Há medida que avançam por entre a floresta todos os acampamentos que encontram estão vazios o que agrava as suas preocupações. Esta história avança pouco nestes volumes, no entanto há medida que se desenrola vai-se tornando cada vez melhor. No fim Jon terá de tomar a decisão mais difícil da sua vida até agora.
Acredito que a mudança na história do personagem foi uma excelente escolha e que poderá fazê-lo crescer ainda mais.


Outra história que avança pouco é a de Daenerys Targaryen que se encontra no Este, no continente das chamadas cidades livres. Após a morte de Drogo o seu povo preparava-a para a abandonar, isto até que os dragões nasceram. Dany, agora Rainha dos Dragões, continua assim o seu caminho em busca de ajuda para reconquistar os Sete Reinos.
Com dificuldades segue um estranho cometa vermelho que surgiu no céu, acreditando ser um sinal.
Esse caminho acabará por levá-la a Qarth onde os seus dragões chamam a atenção de várias pessoas. Pode ainda não ser desta que Dany reuniu o seu exército mas as cenas em que aparece valem sempre a pena, de destacar a da casa dos Imorredouros, uma casa de feiticeiros em que Dany terá várias visões.


Concluindo, esta é mais uma grande aventura que sai da mente de George R.R. Martin. Sem dúvida uma das grande sagas da actualidade. Venham os próximos.

domingo, outubro 24, 2010

Parabéns Cebolinha



50 anos de bom humor e de muitas aventuras. Que nunca vá embora como promete acima. Muitos Parabéns Cebolinha.

quarta-feira, outubro 20, 2010

segunda-feira, outubro 18, 2010

Lançamento da Zona Negra 2 no Amadora BD - dia 30 de Outubro



A Zona Negra 2 será lançada dia 30 de Outubro pelas 17 horas, durante o Festival Amadora BD.

Este é o quinto número da Zona, contando com trabalhos de BD, ilustração, cartoon e prosa, incluindo ainda uma entrevista ao autor Manuel Alves, colaborador regular da Zona.

Tal como o nome sugere a temática deste livro está centrada na área do terror. É composto por 96 páginas a preto e branco, fortalecendo assim o ambiente negro do seu conteúdo. A capa é a cores da autoria de Ricardo Reis. Ao todo são 28 autores participantes.

Esta é uma edição mais especial para mim, pois sou um dos autores participantes, graças ao Rui Alex que aceitou desenhar a minha história. O nosso trabalho chama-se "Despertar" e é o meu primeiro conto de BD.

Esta edição marca também o primeiro projecto a ser editado pela "Associação Tentáculo". Para quem quiser saber mais sobre o que trata esta nova associação, consultem o blog aqui.

Blade of the Immortal – Vol. 1: Blood of a Thousand

“Blade of the Immortal” é uma série de manga da autoria de Hiroaki Samura que começou por ser editada em 1994, contando até agora com 26 volumes e continuando a ser editada. O 1º volume editado em inglês pela Dark Horse tem o título de “Blood of a Thousand” e é deste que falo aqui.
A história desenrola-se no Japão em 1782-3, ou seja, durante o Shogunato Tokugawa, e conta a história do samurai imortal Manji.
Num curto início e através de flashbacks conhecemos um pouco do passado de Manji e ficamos a saber que se tornou conhecido como sendo responsável pela morte de cerca de 100 samurais. Muitas dessas mortes foram ordenadas a mando do Lorde Horii, Manji acreditava estar do lado correcto mas quando descobriu na monstruosidade dos seus actos e como tantos inocentes pereceram na sua espada, assassinou o próprio Lord Horii. Quando um policia samurai o confronta Manji tenta explicar-lhe as razões mas é obrigado a lutar. Apesar de o nome deste seu oponente lhe soar familiar, é só quando a sua irmã entra em cena, no exacto momento em que Manji o esquarteja, que se recorda que está a matar o marido da sua irmã.
Uma misteriosa mulher de nome, Yaobikuni, que afirma ter 800 anos infecta o corpo de Manji com kessen-chu um tipo de vermes capazes de regenerar qualquer tipo de feridas tornando o hospedeiro virtualmente imortal, facto que, independentemente das suas qualidades, o tornou mais descuidado enquanto lutador. Farto de não conseguir morrer, Manji tenta a todo o custo convencer Yaobikuni a livrá-lo destes vermes. Quando ela lhe pede para ele abdicar da espada e ele recusa após a sua irmã ter sido raptada, chegam a um outro acordo. A fim de purgar os seus pecados, Manji promete-lhe a morte de 1000 vilões e em troca Yaobikuni remover-lhe-à os “malditos” vermes.
Asano Rin assistiu quando criança ao assassinado dos seus pais às mãos de Kuroi Sabato, um samurai que pertence ao grupo de espadachins liderados por Anotsu Kagehisa. O objectivo de Anotsu é destruir todos os dojos para que só exista o dele, o Ittō-ryū. Após a morte dos pais só uma coisa assola a mente de Asano, vingança. Treinando arduamente o estilo que o pai ensinava durante alguns anos, decide que é altura de começar a sua vendetta pessoal, felizmente a velha Yaobikuni atravessasse-lhe no caminho e sugere que peça ajuda a Manji. E é assim que Manji e Asano se juntam para dar início a mais uma batalha sangrenta.
Uma das particularidades do personagem principal é que adoptou para seu nome e símbolo, a conhecida Crux Gammata (a swastica, que derivou do sancrito svastica que significa bem-estar. Infelizmente a swastica está condenada nos dias de hoje a ser imediatamente associado ao nazismo, mas a origem bem mais antiga deste símbolo nada tem a ver com valores anti-semitas, muito pelo contrário é um símbolo de prosperidade. A versão usada neste livro é a sauvastica cujos braços estão voltados na direcção contra-relógio, foi um símbolo muito usado por budistas no Japão e simboliza a noite e a prática de magia. Em japonês chama-se The Manji. Só por curiosidade a versão usada pelos Nazis é a hakenkreuz (cujos braços apontam na direcção dos ponteiros do relógio) que ao contrário da anterior é um símbolo solar. O facto desta história se desenrolar em 1782 devia já por si afastar quaisquer ligações ao nazismo, mas em todos os livros a explicação do uso deste símbolo está presente a fim de não criar qualquer tipo de confusão.
Ao contrário da maior parte dos mangas que são actualmente editados, “Blade of the Immortal” foi alterado para ser lido da forma ocidental, da esquerda para a direita (ainda bem que já não fazem isto). Normalmente as páginas são revertidas como se estivessem a ser vistas num espelho. Mas neste caso para preservar a arte o autor pediu para não o fazerem, usando antes a técnica do copy/paste, re-ordendando os painéis em todas as páginas excepto quando não era de todo possível (se por acaso tivessem usado a técnica do espelho a swastica de Manji passaria a ser a idêntica à usada pelos nazis). Isto por vezes gera alguns erros de continuidade, na balonagem e posição dos personagens, por exemplo, mas nada que não se perceba eventualmente. Trata-se é de algo completamente desnecessário até em termos de trabalho, se tivessem simplesmente editado na ordem japonesa.
Uma das coisas pelas quais este livro é conhecido é a linguagem usada. Samura mistura a linguagem mais tradicional da época com linguagem de rua de uma Tóquio actual. Na tradução em inglês teve-se isso em atenção, mas claro que nunca é a mesma coisa.
A história, neste primeiro volume, é simples, trata-se de um típico conto de vingança. Mas não surpreendendo em termos narrativos desenrola-se bastante bem e torna-se muito apelativa graças à qualidade dos personagens, como o samurai Kuroi Sabato que tem tanto de assassino como de poeta. A sua dedicação ao seu amor por mulheres vai deixar qualquer um de queixo caído. Depois dessa história vamos conhecer um ninja/pintor, amigo de Asuna, que está em busca de uma particular tonalidade de vermelho para um quadro em particular. A descoberta dessa tonalidade não sendo surpreendente não deixa de ser bem divertida.
A maior qualidade de “Blade of the Immortal” é sem dúvida alguma a arte. Este é dos mangas que mais me fascinou em termos de desenho. As sequências de lutas e os esquartejamentos são magistrais e aqui Samura não poupa nos detalhes nem na imaginação. Os painéis que enchem uma a duas páginas com a morte de alguém são fabulosos. Os conhecimentos que o autor tem de anatomia são muito bem empregues nesta saga.
Outra coisa que é um regalo para a vista são as inúmeras armas que Manji usa (muitas inventadas pelo autor), quase parece que tem uma por cada pessoa que já matou.
Venceu o prémio de excelência no Japan Media Arts Festival em 1997 e do Will Eisner Comic Industry Award em 2000 para a melhor edição de material estrangeiro.

sexta-feira, outubro 08, 2010

Pulp - Like a Friend



"You are the last drink I never should have drunk
You are the body hidden in the trunk
You are the habit I can't seem to kick
You are my secrets on the front page every week
You are the car I never should have bought
You are the train I never should have caught
You are the cut that makes me hide my face
You are the party that makes me feel my age

You're like a car crash I can see but I just can't avoid
Like a plane I've been told I never should board
Like a film that's so bad, but I've just got to stay 'til the end

Let me tell you now - it's lucky for you that we're friends"

quarta-feira, outubro 06, 2010

O regresso às Crónicas de Gelo e Fogo


Um dos grandes prazeres em ler uma saga é sentimento de reencontrar velhos amigos. Ao pegar em "Fúrias dos Reis" o 2º volume de as "Crónicas de Gelo e Fogo" (3º pela Saída de Emergência) volto a constatar isso sem surpresas. Tem a parte triste em que relembramos as injustiças que aconteceram antes, damos as boas vindas a novos personagens e voltamos a beber um copo com os nossos predilectos que se mantêm, como é o caso de Tyrion Lannister. O "duende" tem duas particularidades que sempre gostei num personagem, é inteligente e gozão.


INÍCIO DE SPOILERS

A sua chegada a Porto Real é muito bem vinda por mim, mostrando o seu descontentamento com o que aconteceu, é bom ver um Lannister (ao menos um) ter repeito e consideração por Ned Stark. Esclarece logo que não teve nada a ver com o ataque a Bran e castiga aqueles envolvidos na traiçãod e Ned (os que pode castigar e os que sabe que o traíram), isto promete.

FIM DE SPOILERS


Aproveito isto para falar aqui da série de TV que irá começar no próximo ano. Esta série tem tudo para ser "O" acontecimento televisivo do próximo ano. Ora vejam, a história é excelente, a escolha de actores parece-me bastante boa, vai ser produzida pela HBO que nos tem habituado a séries de grande qualidade e que provávelmente não se vai acobardar nas cenas mais intensas, e o autor está envolvido no projecto. Tem tudo para ser uma vencedora.
Tyrion Lannister será interpretado por Peter Dinklage, é possível que aquela cor de cabelo não lhe assente muito bem, mas Peter Dinklage é um grande actor acho que foi uma grande escolha e não dúvido que nos trará um Tyrion perfeito para a TV. Saliento também Sean Bean no papel de Ned Stark e deixo-vos os trailers que já saíram.









domingo, outubro 03, 2010

Crime e Castigo


o "Crime e Castigo" é considerado o primeiro grande romance que Fyodor Mikhaylovich Dostoyevsky escreveu ao atingir o seu período de maior maturidade literária.
Curiosamente a ideia inicial para este livro seria a de explorar o consumo abusivo de álcool e as suas consequências, cujo título seria "The Drunkards". No entanto um homem veio mudar isso tudo, seu nome, Pierre François Lacenaire. Inspirado pelos crimes de Lacenaire, Dostoyevsky criou o crime de Raskolonikov (personagem principal da trama) e a partir daqui a história central lidaria com outras questões morais, no entanto o tema do álcool não foi esquecido e continuou a ser abordado, agora através de personagens secundárias, o que acontece com a família Marmeládov.

Esta não seria a única mudança radical a ocorrer durante a escrita deste romance. A versão inicial do livro foi escrita na 1º pessoa através da perspectiva de Raskolonikov. Com o tempo a história crescia cada vez mais na mente de Dostoyevsky, que apesar de já ter escrito grande parte da obra, decidiu alterá-la completamente ao reescreve-la do início mas agora na 3º pessoa, tendo até anunciado que teria queimado a versão anterior, facto que foi desmentido posteriormente por Joseph Frank.
A forma como o autor acabaria por escrever o livro, ligando o narrador à consciência das diferentes personagens, foi altamente revolucionária e original na época tendo até gerado alguma controvérsia. Hoje em dia é indiscutível a sua qualidade e importância.

A história começou por ser editada no jornal "The Russian Messenger" em 1866. A relação entre o autor e os editores correu bem salvo uma excepção e essa excepção prendeu-se com uma personagem em particular, Sónia. Não se sabe especificamente em relação ao quê, mas aparentemente Dostoyevsky teve de alterar algumas partes sobre ela, algo que não foi, comrpeensivelmente, fácil para o autor.

O enredo centra-se na personagem de Rodion Romanovich Raskolnikov, um ex-estudante de direito a viver em São Petersburgo. A personagem é-nos apresentada como não estando nas melhores condições, as suas roupas são velhas e rotas, o seu quarto uma sala minúscula e não tem emprego. Desde o início do livro há uma ideia que apoquenta constantemente a sua mente, que a mantém em constante turbulência e agitação, uma ideia que a pouco e pouco tem vindo a ganhar mais relevância, a ideia de assassinar Alyona Ivanovna uma velha viúva a quem várias pessoas recorrem em tempos desesperados para penhorar os seus bens.
A início Raskolnikov nunca explica a razão por qual está a considerar efectuar este crime, revela-nos que a senhora é uma aproveitadora e que se ganharia muito mais com a sua morte uma vez que com o seu dinheiro ele poderia fazer mil acções que compensariam tal acto. Mas há muito mais por trás desta ideia que só nos será revelado mais à frente.

Enquanto considera se avança com este plano conhece Semyon Marmeladov um bêbado que lhe conta toda a sua vida e como a sua família sofre com o seu alcoolismo. Incapaz de segurar um trabalho a sua filha mais velha, Sónia, foi obrigada a prostituir-se para colocar comida na mesa do pai e da sua segunda mulher (que sofre de tísica) e mais três crianças. Ráskolnikov fica impressionado com este relato, em como o ser humano é um verdadeiro patife que se habitua a tudo, ou então, pelo contrário que não é um patife, que afinal "tudo o resto é superstição, falsos medos, e então não há barreiras, e tem de ser assim mesmo!...".
Raskolnikov é realmente uma pessoa de extremos ora sente uma enorme apatia e até repugnãncia pelas pessoas ora revela-se um grande altruísta capaz de dar o seu único dinheiro para ajudar os outros.
Rapidamente conhecemos também Razumikhin um antigo colega da faculdade e um dos seus poucos amigos que ao reencontrar Raskolnikov lhe oferece trabalho na tradução, mas este recusa.
A recusa de trabalho e as suas reflexões sobre a moral após o encontro com Marmeladov poderão ser indicadores de que a razão por qual Raskolnikov ocupa o pensamento com a ideia de um assassínio, não será baseada (ou pelo menos apenas) na sua actual pobreza. Para piorar as coisas recebe uma carta da sua mãe onde lhe revela que a sua irmã irá casar com Pyotr Petrovich Luzhin um advogado que se encontra numa boa situação financeira. Não me estendendo mais, Raskolnikov retira da carta que este casamento não é mais que um sacríficio que a sua irmã está a fazer pela família o que o incomoda profundamente.

(A partir daqui é possível que me tenha entusiasmado a falar desta obra, por isso para quem não quer saber mais sobre a história, não continue a ler).
Penso que não será surpresa, devido ao título da obra, que um crime ocorre e por consequência um castigo. O crime é revelado logo na primeira parte e é a partir daqui que começa o castigo quando Raskolnikov ao contrário do que pensava não aguenta o "peso" do mesmo que o afectam tanto psicológicamente como fisicamente. A mente quando está doente afecta o corpo e Raskolnikov começa a sofrer de febres e delírios preocupando-se obsessivamente com as repercursões do seu crime. As suas obsessões e paranoias não passam despercebidos às pessoas com quem virá a conviver e será apelidado em várias ocasiões como sendo um monomaníaco.
É em conversa com Porfiry Petrovich, o detective encarregue do assassinato de Alyona Ivanovna que descobrimos a teoria de Raskolnikov, uma teoria que consiste em dividir a sociedade em duas classes distintas: os ordinários e os extraordinários. A primeira classe é a mais comum naquela em que a maioria das pessoas se enquadra, são as "abelhas" trabalhadoras que vivem de acordo com as leis e morais, já a classe dos extraordinários que é muito mais reduzida, é constituida por pessoas excepcionais que não necessitam de seguir a lei, sendo-lhes permitido transgredi-la (o que inclui matar) se isso lhes for útil para o cumprimento dos seus objectivos (que no final serão benéficos para a humanidade), pois é esta classe de indíviduos que devem ser os líderes e ditar as regras da outra. Alguns exemplos de indíviduos extraordinários são dadas, mas é na figura de Napoleão que Raskolnikov mais se foca. Ele acreditava pertencer, há semelhança de Napoleão, na classe dos extraordinários e por isso o crime que cometeu, permitido. Efectivamente o facto de não ter conseguido lidar com as consequências do seu acto, levam-no a questionar as suas crenças e a desilusão de ter falhado espelha-se no seu corpo.

Um dos grandes temas que o autor aborda é o do niilismo Russo que naquela altura ganhava notoriedade, ideias ligadas ao utilitarianismo e racionalismo que aqui são fortemente criticados através da teoria de Raskolnikov. Dostoyevsky leva as ideologias destas filosofias, cuja ideia principal é serem altruistas, a uma espécie de "pior cenário possível", uma vez que a rejeição da autoridade (niilismo Russo) ou o facto de os fins justificarem os meios (utilitarianismo) podem criar uma série de situações altamente discutíveis ética e moralmente.
Outro aspecto literário muito interessante é a ligação que existe entre o estado do personagem e o estado da cidade, algo em que Dostoevsky também foi dos primeiros a explorar.

Quando esteve preso na Sibéria o autor tornou-se mais ligado ao cristianismo ortodoxo, experiência que se faz notar em "Crime e Castigo" pois contém vários simbolismos religiosos e onde Raskolnikov poderá através do amor e da fé renascer como um novo homem. Estamos também a falar de uma época em que a religião desempenhava um forte papel na sociedade Russa e independentemente das crenças do autor a forma como está retratada no livro faz-me todo o sentido.

"Crime e Castigo" foi um dos melhores livros que li, a forma como o autor escreve e explora a psique humana, tanto em acções conscientes como nas incoscientes, são excepcionais e tornam este livro numa peça absolutamente imperdível.
Li a edição da "Presença" uma vez que é traduzida directamente do russo, pois aparentemente existem várias edições traduzidas do inglês ou do francês. Claro que se perde sempre algo na tradução, como os nomes de algumas personagens conterem duplos sentidos. Este "jogo de palavras" existe também no título pois crime em russo, prestuplenie, significa uma transgressão, e neste caso o crime de Raskolnikov consiste na transgressão de uma barreira moral.


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