sexta-feira, maio 08, 2009

V Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja

O Festival de Beja está de regresso e irá decorrer entre 30 de Maio e 14 de Junho.
Como não podíamos deixar passar este evento, que é já um dos melhores em Portugal no que toca a Banda desenhada, a Rua de Baixo na minha pessoa teve o prazer de estar à conversa com o seu director, Paulo Monteiro.
A todos os interessados a entrevista já se encontra disponível na edição de Maio e pode ser vista aqui.

Vou aproveitar também para colocar no blog algumas informações que o Paulo me facultou sobre o festival, nomeadamente o programa (até agora) e imagens de alguns dos convidados:

EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS

Alex Gozblau

Alberto Vázquez (Espanha)

Carlos Rocha

Craig Thompson (Estados Unidos da América)

Denis Deprez (Bélgica)

Fernando Gonsales (Brasil)

Gary Erskine (Escócia)

Hugo Teixeira

João Maio Pinto

Lorenzo Mattotti (Itália)

Marco Mendes

Pedro Burgos

Richard Câmara

Rui Cardoso


EXPOSIÇÕES COLECTIVAS

All-Girlz
Com Ana Biscaia, Ana Freitas, Andreia Rechena, Carla Pott, Cláudia Dias, Inês Casais, Joana Pereira, Joana Sobrinho, Kati Zambito, Marta Monteiro, Rosa Baptista, Sara Franco, Sara Mena Gomes, Sofia Verdon e Sónia Oliveira

All-Girlz Banzai
Com Joana Lafuente e Selma Pimentel

Atelier de Serigrafia Mike goes West
Com Alberto Corradi, Aleksandar Zograf, André Lemos, Filipe Abranches, Gianluca Costantini, João Maio Pinto, José Feitor, Luís Henriques, Marco Mendes, Max, Miguel Carneiro e Mike Diana

Luminus Box
Com Catarina Guerreiro, Tânia Guita e Telma Guita

Venham + 5
Com Agonia Sampaio, Carlos Apolo Martins, Carlos Bruno, Diego Blanko, Inês Freitas, João Lam, Kike Benlloch, Lobato, Luís Guerreiro, Maria João Careto, Paulo Monteiro, Pedro Brito, Pedro Ganchinho, Pedro Rocha Nogueira, Susa Monteiro, Véte e Zé Pedro

Voyager
Com Diogo Campos, Diogo Carvalho, Luís Belerique, Luís Maiorgas, Nelson Nunes, Phermad, Ricardo Reis e Rui Ramos


Organização: Câmara Municipal de Beja – Bedeteca de Beja Parceria: Museu Regional de Beja / Associação para a Defesa do Património Cultural da Região de Beja.


























Alberto Vázquez



























Alex Gozblau




Craig Thompson



























Denis Deprez















Fernando Gonsales





Gary Erskine




























João Maio Pinto



























Lorenzo Mattotti




Marco Mendes



























Pedro Burgos




























Rui Cardoso



A todos os que puderem apareçam por lá, vale sempre a pena visitar Beja, principalmente quando está a decorrer um festival de tão grande qualidade e que se tem vindo a superar todos os anos.

segunda-feira, maio 04, 2009

Workshop ETICnology


A todos os interessados vai haver um workshop de Banda Desenhada nos dias 11 e 12 de Maio sob a tutela de João Mascarenhas, organizado pela ETIC (Escola Técnica de Imagem e Comunicação) e pela editora "Qual Albatroz".

Para mais informações consultar aqui ou no blog do João Mascarenhas.
O preço é de 10€ e dá direito ao livro "A Essência" do Menino Triste.

domingo, maio 03, 2009

Prémios do 6º Festival Black & White

Nestes últimos tempos o blog não tem estado nos seus melhores momentos e novamente volto a colocar algumas notícias com atraso.

No entanto não queria deixar de fazer uma breve referência aos prémios deste festival que podem ser visualizados na página oficial.

Apenas tive a oportunidade de ir ao último dia do festival onde pude observar 10 dos vídeos que entravam na competição. Nenhum deles foi premiado, porém deixo aqui um dos meus favoritos desses 10 o "Karuzele Skutery Rodeo" de Karolina Glusiec, um vídeo de animação bem engraçado que se trata de um videoclip para uma canção de Lenny Valentino.



Pude também visualizar a competição de fotografia. Nesta área o júri decidiu não dar nenhum prémio em especifico existindo apenas uma menção honrosa para a obra fotográfica "Sinto que estou a ser observado" de Alexandre Rola.
De todas as peças a única premiada foi também uma das minhas predilectas juntamente com "Retrato de Minha Mãe" de C. Mariana Baldaia.

De resto quero dar os meus parabéns à organização e para o ano espero que nos encontremos novamente.

domingo, abril 26, 2009

70 anos de The Dark Knight

Não tivesse passado pelo Notas Bedéfilas e tinha-me mesmo esquecido de salientar o 70º aniversário do Homem Morcego que viu pela primeira vez a luz do dia em 18 de Abril de 1939 no número 27 da BD "Detective Comics" (ver imagem).

Muitos Parabéns a Bob Kane e Bill Finger por terem criado este magnífico personagem que ainda hoje nos continua a deslumbrar. E volto a salientar o trabalho de Bill finger que não sei bem porquê foi completamente esquecido e raramente mencionado quando se fala de Batman.

quarta-feira, abril 22, 2009

Mundo Cão - Ordena que te ame


Eles estão de volta. Eu gostei bastante do primeiro álbum, tenho de ver se ouço este.

segunda-feira, abril 20, 2009

Passatempo Black & White - Vencedores


Os vencedores do passatempo "Black & White" são:


- Sara Ferraz de Lima Ferreira

- Ana Luísa de Matos Moreira

- Magda Sofia Lourenço Fernandes

- Maria Antónia Ferreira de Magalhães

- Patricia Alexandra Gonçalves

Os convites valem para a sessão que preferirem e deverão ser levantados na entrada do festival mediante a apresentação do bilhete de identidade.
A organização do festival deverá entrar em contacto, brevemente, com os vencedores.

Obrigado a todos os que participaram e espero que tenham um óptimo festival.

sábado, abril 18, 2009

Desafio: Óscares

Fui desafiado pela Anita em escolher um ano dos Óscares e dar a minha opinião em relação aos vencedores nas categorias de melhor filme, realizador e actores principais.
Como ligo a estes prémios há pouco tempo as escolhas recaíram obviamente num ano recente, mais especificamente a 78º edição que decorreu em 2006.

Começando pelo melhor filme o vencedor foi "Crash" de Paul Haggis que é na minha opinião um belo filme. Os restantes nomeados eram "Brokeback Mountain", "Capote", "Munich" e "Good Night, and Good Luck". A questão que eu coloco é: onde está o poético "The New World"? que apenas recebeu uma nomeação. Esta pérola de Terrence Malick devia não só ter sido nomeado como levado a estatueta para casa.

Em relação ao melhor realizador daria o Óscar a Terrence Mallick novamente pelo seu trabalho notável em "The New World". O vencedor foi Ang Lee por "Brokeback Mountain" um excelente trabalho também, sem qualquer dúvida pois é também um filme do qual gosto bastante.

Sobre o melhor actor masculino temos um daqueles casos "venha o diabo e escolha". A competição era dura e ainda nem sequer vi o trabalho de Joaquin Phoenix em "Walk the Line". O vencedor foi Phillip Seymor Hoffman por "Capote" um justíssimo vencedor e aqui nada tenho a apontar, apenas digo que o prémio não ia mal entregue ao Ennis del Mar de Heath Ledger mas jamais em tempo algum direi que a vitória de Hoffman foi injusta. Foi talvez como o caso Penn e Rourke este ano provavelmente (uso esta palavra porque ainda não vi "Milk") ambos o mereciam.

Por fim melhor actriz principal. A vencedora foi Reese Witherspoon em "Walk the Line". Aqui não posso comentar rigorosamente em nada pois não vi nenhum dos filmes nomeados. No entanto Felicity Huffman parecia estar muito bem em "Transamerica". Mas acredito que o prémio tenha sido bem entregue.

sexta-feira, abril 17, 2009

Jesus, The Misunderstood Ft/ Siddharta, The Underrated ao vivo.

Ok a segunda parte é mentira, mas para quem quiser ver os Jesus, The Misunderstood ao vivo, fica o aviso de que o concerto será amanha pelas 19 horas no espaço Evoé.
Os bilhetes se não estou em erro são 4 euros.
Como já tinha falado aqui, os Jesus dão valentes concertos por isso a todos os que estiverem perto da zona de Lisboa e possam, dêem lá um saltito que dificilmente se arrependerão.
A foto que eu roubei do Myspace é da autoria de Vera Marmelo.

Nine Inch Nails em Paredes de Coura

Depois da confirmação de Franz Ferdinand e Supergrass chega a vez da banda de Trent Reznor.
Pensava eu que ia demorar anos até estes senhores regressarem. Ainda bem que estava errado.
O festival vai decorrer entre 29 de Julho e 1 de Agosto e os bilhetes custam entre 40 e 70 euros.
Não sei se vou poder lá dar um salto mas se tem Nine Inch Nails vai valer de certeza a pena.

Black & White - TV Spot

Apesar de esta informação chegar um pouco atrasada não podia deixar de a salientar. estou a falar do TV Spot do festival Black & White que se encontra já disponível.
Vale a pena dar-lhe uma espreitadela.


B&W 09 - TV Promo from eartes on Vimeo.

Infelizmente a distância impossibilitou-me de comparecer à conferência de impressa que ocorreu na passada quarta-feira, mas para quem tiver curiosidade passem pelo blog do Fifeco que esteve presente.

sexta-feira, abril 10, 2009

Black & White - Passatempo


O 6º Festival Audiovisual "Black & White" tem a estreia marcada já para o próximo dia 22 de Abril decorrendo até 25 do mesmo mês. O Alternative-Prison em colaboração com o festival tem 5 convites duplos para vos oferecer para qualquer sessão do vosso agrado. É de salientar que o convite dará também acesso às noites Black & White onde decorrerão diversos concertos de música.

A todos os interessados em vencer um convite apenas têm de responder à questão que se encontra abaixo enviando o vosso nome completo e o número de bilhete de identidade para jgabrielam@hotmail.com.
O passatempo decorrerá até dia 19 de Abril.


1 - Em que Universidade se realiza o 6º Festival Audiovisual Black & White?"

sábado, abril 04, 2009

Festival Black & White - Trailer

Com a chegada do festival a estar cada vez mais próxima, encontra-se já disponível o trailer de apresentação.
Volto a relembrar que o festival decorre entre 22 e 25 de Abril.

quarta-feira, abril 01, 2009

MONSTRA Sexta-Feira 13

Sita Sings The Blues

“Sita Sings The Blues” era para mim um dos filmes que mais ansiava ver na programação da MONSTRA, e na passada Sexta-feira, 13 de Março a oportunidade finalmente chegou.
Esta obra de animação é da autoria da realizadora Americana Nina Paley e trata-se de um filme sem qualquer propósito comercial onde a própria realizadora pede para todos nós o vermos e distribuirmos. Por isso a todos os interessados o filme encontra-se disponível para download na página oficial que se encontra disponível na zona dos links externos deste artigo.
O filme conta-nos a história Hindu, “Ramayana”, que aborda a vida de Rama e Sita. Primogénito de Dasaratha, Rei de Kosala, Rama sería, por lei, o próximo da sua linhagem a subir ao trono, no entanto Kaikeyi, a terceira e mais nova mulher do Rei, decide cobrar uma antiga promessa que o marido lhe havia feito, pedindo assim o exílio de Rama. Obrigado a abandonar o castelo é acompanhado pela sua mulher Sita cujo amor por ele é maior do que a própria vida. O filme acaba assim por se centrar maioritariamente na personagem de Sita e na sua luta pela igualdade.
A narrativa ao longo do tempo vai mudando de tom, podendo ser dividida em três partes, cada uma característica por um estilo de animação distinto que permitem identificar facilmente em que qual dos ambientes nos encontramos. Por um lado temos os momentos em que a história é narrada por três divertidos shadow puppets indianos que proporcionam algumas das melhores gargalhadas no filme ao misturarem os relatos da lenda com as suas opiniões pessoais e é filmada utilizando animação fotográfica. Os segmentos que contam a história de uma forma mais tradicional utilizam pinturas que se assemelham ao estilo tradicional indiano Rajput. Por fim, e não fosse o título do filme “Sita Sings The Blues”, temos a parte musical onde Sita canta canções da artista jazz Annette Hanshaw. Este segmento baseia-se num estilo de animação gráfico que utiliza figuras geométricas para construir as imagens.
Paradoxalmente à história principal existe um segmento autobiográfico que conta a história de um casal que vive em São Francisco mas que se começa a distanciar quando o marido aceita uma proposta para ir trabalhar para a Índia. Esta parte é caracterizada também por ter um estilo distinto de animação, neste caso a técnica utilizada é a Squigglevision onde as formas são criadas de forma a tremerem e ondularem.
Como podem perceber “Sita Sing The Blues” é uma verdadeira amálgama de estilos e géneros que resulta num filme lindíssimo e bem-humorado. Infelizmente a realizadora Nina Paley teve de cancelar a sua visita ao festival mas no seu lugar esteve o muito simpático Nik Phelps um dos compositores da banda sonora que amavelmente se disponibilizou para conversar sobre o filme com todos os interessados.
No que toca à competição da MONSTRA acabou por levar para casa o prémio especial do júri.



Cabaret Voltaire: Lauro Palma

Em jeito de comemoração dos 90 anos do dadaísmo, que nasce precisamente em Zurich na Suíça (País convidado), a MONSTRA organizou para esta edição dois espectáculos dentro do espírito do Cabaret Voltaire que foi na altura um dos grandes impulsionadores deste movimento cultural.
A banda convidada para esta noite foram os Lauro Palma que a seguir à visualização de “Sita Sing The Blues” concluíram mais um dia do festival.
O concerto teve início com uma das canções mais viciantes do grupo “Cá se fazem cá se pagam” e apesar de terem “entrado a matar” confesso que preferia tê-la ouvido no final mesmo antes de ir para casa.
Sintetizadores e letras parodistas sobre os mais variados temas, desde uma “famel no Paris Dakar” ou “uma mosca sem valor que pousa com a mesma alegria na careca de um doutor como em qualquer porcaria” são a grande imagem de marca dos Lauro Palma que conseguiram acima de tudo entreter e divertir o público.
Uma das ideias originais do director Fernando Galrito para estes momentos musicais consistia em que estes incluíssem também uma estética de imagem ligada idealmente ao cinema de animação Suíço ou ao realizado pelos estudantes para a competição. Apesar de a intenção original não ter acontecido, de certeza que foram poucos aqueles que não saíram muito satisfeitos depois de terem assistido a este divertidíssimo momento musical que fará garantidamente furor em qualquer arraial académico.

Texto publicado nas reportagens da edição de Março da Rua de Baixo.

sábado, março 28, 2009

terça-feira, março 24, 2009

Porto7

O "Porto7" consiste em um festival de curtas-metragens a decorrer na cidade do Porto entre 10 e 14 de Junho.
Esta é a sua segunda edição e o prazo de submissão de curtas termina a 5 de Maio.
A entrada para todos os eventos é gratuita.
Para mais informações consultar o site oficial aqui.

sábado, março 21, 2009

Les chercheuses de poux

Para comemorar este dia mundial da poesia escolhi homenagear a verdadeira Ode aos "cata piolhos".
Para quem, como eu, não domina o francês clique aqui para dar uma vista de olhos a uma tradução em inglês.


Quand le front de l'enfant, plein de rouges tourmentes,
Implore l'essaim blanc des rêves indistincts,
Il vient près de son lit deux grandes sœurs charmantes
Avec de frêles doigts aux ongles argentins.

Elles assoient l'enfant devant une croisée
Grande ouverte où l'air bleu baigne un fouillis de fleurs,
Et dans ses lourds cheveux où tombe la rosée
Promènent leurs doigts fins, terribles et charmeurs.

Il écoute chanter leurs haleines craintives
Qui fleurent de longs miels végétaux et rosés
Et qu'interrompt parfois un sifflement, salives
Reprises sur la lèvre ou désirs de baisers.

Il entend leurs cils noirs battant sous les silences
Parfumés; et leurs doigts électriques et doux
Font crépiter parmi ses grises indolences
Sous leurs ongles royaux la mort des petits poux.

Voilà que monte en lui le vin de la Paresse,
Soupirs d'harmonica qui pourrait délirer;
L'enfant se sent, selon la lenteur des caresses,
Sourdre et mourir sans cesse un désir de pleurer.

Arthur Rimbaud

quinta-feira, março 19, 2009

Jesus, The Misunderstood no Maxime (14/03/2009)

A "ressurreição" este ano comemorou-se mais cedo. No passado sábado os "Jesus, The Misunderstood" apresentaram pela primeira vez em Portugal o seu mais recente EP "The Crooners are Dead".
Vieram acompanhados pelos espanhóis "Autumn Comets" com quem já tinham dado um concerto em Madrid e que estiveram encarregados de preparar a multidão para a aguardada "ressurreição".
No entanto apenas quando os "Jesus" entraram em palco de vez é que se notou um maior entusiasmo por parte do público. A banda de Luís "Walter Benjamim" Nunes, Manuel Dordio, Pedro Girão e Miguel Pereira apresentou-se trajada a rigor e acompanhados por Luís Pereira e Becky Chilton.
Entre quase todas as canções ocorriam mudanças no palco, seja pelo trocar de instrumentos ou porque todos os membros cantaram (com a excepção de Girão). Isto acabou por dar muito ritmo ao concerto e com todos os músicos a portarem-e sempre muito bem na qualquer posição que ocupavam.
Os Jesus têm muita qualidade e ao vivo dão um forte espectáculo musical que aconselho a todos. Eu vou estar atento às próximas datas que podem ser consultadas na página do myspace onde se encontram também disponíveis algumas das canções. Agora que venha o álbum!
Para quem quiser saber mais aconselho a dar uma vista de olhos ao texto da amiga Maria del Sol que vem recheado de muitas belas fotos tiradas da Vera Marmelo.
O poster é que podia ter sido mais bonito, mas que é que isso interessa depois de termos visto um grande festival de música?

terça-feira, março 17, 2009

Sessão de Abertura da 8º edição da MONSTRA

A sessão de abertura da 8º edição da MONSTRA 2009 teve início na passada segunda-feira no Cinema S.Jorge. As honras da estreia couberam ao último filme de José Xavier, “28”, uma curta-metragem que em 10 minutos nos leva a viajar pelo extraordinário mundo Pessoano.

Como o experimentalismo é algo que se encontra muito presente no cinema de animação, pois na sua base sempre foi uma forma de arte onde se experimentava tudo, não deixa de ser muito interessante a ideia de passarem este “28” não na sua versão cinematográfica mas numa versão feita especialmente para o festival. A ideia passou por mostrar inicialmente o filme em silêncio e depois novamente com uma banda sonora composta por António Sousa Dias, de forma a revermos as mesmas imagens mas quem sabe experienciando-as de uma forma diferente, como se fosse quase um outro filme. Infelizmente a exibição ficou marcada com alguns problemas sonoros e por isso ficou prometida uma segunda exibição a decorrer na sessão de encerramento. Tanto José Xavier como António Sousa Dias estiveram presentes e partilharam algumas palavras com o público após a visualização do filme.

A Suíça, como é já bem sabido, é este ano o país homenageado pela MONSTRA. Nesta sessão de abertura, a retrospectiva de filmes suíços esteve a cargo de George Schwizgebel, um dos nomes mais importantes da animação contemporânea em geral e da Suíça em particular. Schwizgebel estudou em Genebra na “Escola das belas artes e das artes decorativas” e fundou em 1971 a “GDS” um estúdio onde produz e realiza filmes de animação.

A sessão contou com a apresentação do próprio realizador que nos proporcionou a visualização das suas 14 curtas-metragens, entre as quais se encontravam as muito aclamadas “La jeune fille et les nuages”, que nasceu da ideia de contar a história da “Cinderela” e ao mesmo tempo desenhar as nuvens que o autor conseguia ver do seu estúdio, e “L’Hommes sans ombre” que consiste na adaptação do conto de Adelbert von Chamisso, “L’Histoire merveilleuse de Peter Schlemihl”, uma história sobre um homem que vende a sombra ao diabo em troca de riqueza mas que fica condenado a vaguear sozinho pelo mundo ao descobrir que a sociedade o rejeitará por não possuir uma sombra.

Gostaria também de salientar brevemente outras das suas obras que por diferentes motivos me tocaram particularmente. Falo por exemplo da abordagem de Schwizgebel ao conto clássico “Frankenstein” em “Le ravissement de Frank N. Stein” que curiosamente nasceu não da influência do conto de Mary Shelley mas da vontade que o autor tinha em trabalhar com o compositor Michael Horowitz, que compunha música através da junção de fragmentos de som, uma técnica vulgarmente usada na animação, mas obviamente com imagens. Fascinante também foi a viagem pelo mundo da pintura em “Le sujet du tableau” que nos transporta ao longo de várias obras clássicas, desde Verner a Velázquez, num filme cuja ideia inicial era a de contar a história de Fausto que partiria à procura da sua amada Margarida com a ajuda de um Mefistófeles tornado agora pintor, mas que acabou por se tornar em algo completamente diferente. Para terminar falo ainda de “L’année du daim”, uma adaptação de um conto chinês que nos traz uma lição de vida contada de uma forma muito humorística e descontraída através de um veado e de um cão.

Ao longo desta retrospectiva foi-nos dada a oportunidade de entrar neste fantástico mundo de George Schwizgebel e também de um ponto de vista mais técnico observar a evolução e alteração das técnicas usadas por si ao longo do tempo. No entanto algumas das suas obras pediam algum tempo de introspecção, por isso ver 14 dos seus filmes de seguida foi sem dúvida uma experiência bastante intensa.

À saída da sala, já ao som da festa de abertura por parte do DJ RIDE, ficou a sensação de que o festival começou com o pé direito e que promete claramente muitas surpresas ao longo desta semana.


Texto publicado nas reportagens da edição de Março da Rua de Baixo.



Georges Schwizgebel - L'homme sans ombre

segunda-feira, março 16, 2009

Watchmen


"Quis custodiet ipsos custodes?"
("Who watches the watchmen?")

Após a DC Comics ter adquirido os direitos da editora Charlton Comics em 1985, Alan Moore começou a desenvolver um projecto em que renovaria alguns dos Super-Heróis da extinta editora.
Apesar do editor Dick Giordano ter gostado das ideias de Moore, achou que a sua história iria afectar de uma forma drástica o destino de muitos desses Heróis inutilizando-os para futuros projectos. Desta forma tentou convencê-lo a criar novos personagens, algo que o autor não queria a início porque considerava que não iriam sensibilizar tanto os leitores. Felizmente para todos nós acabou por mudar de ideias, "Eventualmente apercebi-me que se escrevesse os personagens substitutos suficientemente bem, para que parecessem familiares em determinadas maneiras, se certos aspectos seus trouxessem uma certa ressonância ou familiaridade genérica de Super-Herói ao leitor, então poderia resultar" comentou Moore numa entrevista a Jon B. Cooke.
Para quem estiver interessado em saber mais sobre os personagens originais que Moore queria usar e nos quais acabou por se basear ao construir os "Watchmen" convido a dar uma vista de olhos às notas que tenho escrito na rubrica "Influências/Semelhanças" que se encontra ordenada no lado direito do blog.
Dave Gibbons que já tinha trabalhado com Moore no passado quis envolver-se neste projecto e após ler um pouco da história e de ter conversado com o editor entrou imediatamente a bordo trazendo consigo o colorista John Higgins. Com a junção do editor Len Wein o núcleo central de "Watchmen" estava formado.
No final dos anos 30 começaram a surgir vigilantes mascarados e apesar de utilizar o termo "Super Herói" a verdade é que de Super não tinham nada, sendo apenas pessoas comuns que por alguma razão optaram por se mascarar e patrulhar as ruas tentando livrá-las do crime. Os primeiros a surgirem acabariam por formar os "Minutemen" o primeiro grupo de Super-Heróis a existir no mundo. Apesar de a história não se centrar nestes Heróis mas sim nos da 2º geração, Moore ao longo do livro e principalmente através dos extras, providencia-nos muita informação sobre a vida destes personagens, dando-nos uma ampla visão de como estas pessoas poderiam afectar a sociedade e vice versa. Através destas temos também o conhecimento dos vários perfis psicológicos que levariam alguém a usar um uniforme, seja a procura por justiça no caso de uns ou a fama no caso de outros. Como as suas carreira já estão bem terminadas durante a acção principal de "Watchmen" podemos também verificar aonde este tipo de vida os levou e para alguns a resposta apesar de óbvia não deixa de ter um sabor bem realista, pois se existissem de facto pessoas como eu e tu que saíssem de noite para combater criminosos seria de estranhar que muitos de nós acabassem mortos ou dementes?
Depois dos "Minutemen" uma nova vaga de Heróis surgiria, os "Watchmen" que constituem os personagens principais desta trama, falo de Rorschach, Nite Owl II, Ozymandias, Silk Spectre II, Doctor Manhattan e The Comedian o membro que faz a ponte entre as duas gerações. Se os Heróis anteriores deixaram uma marca na História, nada se compararia ao que aconteceria após o nascimento do Dr. Manhattan. Este novo Herói é o primeiro a surgir que realmente possui poderes. Após um acidente de laboratório Jon Osterman "morreu" para dar lugar a Manhattan um ser extraordinário com a capacidade de manipular matéria ao nível atómico sendo virtualmente capaz de criar tudo.
A sua existência alterou profundamente o percurso da História, os USA venceriam a guerra do Vietname e Nixon manter-se-ia na presidência ao longo de vários mandatos. A América desenvolver-se-ia então num país diferente daquele que hoje conhecemos e é nesta versão alterada da América que "Watchmen" se desenrola.
A sociedade eventualmente cansar-se-ia destes tipo de justiça mascarada e em 1977 após a greve das forças policiais o governo decidiu que era altura mais do que suficiente de lançar o Keene Act, uma lei que proibia a actividade de vigilantes mascarados, excepto se estes tivessem uma ligação ao governo como é o caso de Manhattan e Comedian.
A trama principal propriamente dita tem inicio em 1985 com a investigação do assassinato de Edward Blake a.k.a. The Comedian. Rorschach é agora o único vigilante que continua independente no activo, após uma curta investigação pelo apartamento de Blake começa a elaborar uma teoria de conspiração sobre alguém que pretende eliminar os vigilantes mascarados. O que começa por aparentar ser apenas um simples assassinato desenvolve-se em algo de proporções épicas que acabará por "obrigar" todos os Watchmen a tomarem um partido.
Surgindo-nos como uma história sobre a desconstrução do Super-Herói, "Watchmen" vai evoluindo em algo muito maior, tornando-se principalmente em uma história sobre a Humanidade. Moore afirmou numa entrevista a Vincent Eno e El Csawza que pretendia criar uma espécie de "Moby Dick dos Super-Heróis” e tenho a forte sensação de que conseguiu.
Originalmente o autor apenas tinha material para criar 6 comics, mas uma vez que o contrato era de 12 foi obrigado a esticar a história o que poderia resultar em algo aborrecido, mas estamos a falar de Moore e tal não foi o caso. A sua solução passou por se focar também no passado dos personagens o que na minha opinião foi uma excelente ideia uma vez que nos fez ter um maior contacto com cada um compreendendo melhor o tipo de pessoas que eram e em que acabariam por se tornar. É preciso salientar que todos os personagens estão incrivelmente bem construídos psicologicamente e que os seus ideias e formas de pensar estão em perfeito acordo com as suas acções ao longo do livro onde as atitudes de cada um merecem bastante reflexão.
Pessoalmente acho a arte de Gibbons muito boa e extremamente rica a salientar pormenores e simbolismos. Em relação à estrutura os autores optaram por usar maioritariamente um formato de 9 quadrados por prancha.
Antes de terminar tenho de salientar a fantástica ideia de ter uma história de BD dentro de outra. Falo obviamente de "Tales of the Black Freighter" o conto que é lido por um rapaz ao longo desta obra e que retrata a vida do único sobrevivente de um naufrágio causado pelo temível grupo de piratas do "Black Freighter". Assustado com a ideia de que os piratas se dirigem à sua terra para matar todos os seus habitantes onde se incluem a sua mulher e filhos, decide usar todos os meios ao seu dispôr para regressar naquela que se tornará a viagem mais negra da sua vida. Além da história viver só por si funciona também como uma alegoria a algumas situações de "Watchmen" sendo talvez a principal o percurso pela escuridão de um homem com com um dos mais nobres dos objectivos.
"Watchmen" foi um dos livros que mais revolucionou a forma como se olha para a BD no mundo e não é à toa que é considerado pela "Time" como um dos 100 melhores romances do séc. XX. A única BD a ter tido tal reconhecimento.

terça-feira, março 10, 2009

Festival Black & White


A aproximar-se cada vez mais está o 6º Festival Audiovisual Black & White a decorrer entre 22 e 25 de Abril no Porto.

Como já é habitual sempre que algo de novo acontece em relação a este projecto podem contar com este espaço para avisar.

Sendo assim aproveito para mostrar no poster oficial do evento bem como avisar que este já se encontra também no Twitter, além dos locais habituais que podem ser relembrados aqui.

domingo, março 08, 2009

Star Trek - Novo Trailer

De facto J.J. Abrams não estava nada a brincar quando disse que ia por mais "Star Wars" nesta nova abordagem à saga "Star Trek".
O trailer que acabei de ver é qualquer coisa de estrondoso e prendeu-me sem dúvida a atenção. No entanto não deixo de pensar se alguma da mística de "Trek" se poderá perder. De qualquer das maneiras eu vou confiar em Abrams que é fã assumido desta saga.
A música fez-me por alguma razão lembrar o Batman.
Para terminar queria apenas dizer que gosto da ideia de prequelas, de poder ver como alguns dos personagens que tanto gostamos nasceram. Lembro-me por exemplo da primeira vez em vemos Kenobi a apresentar-se a Skywalker em "The Phantom Menace" foi um momento histórico apra qualquer admirador de "Star Wars". Pena que o filme não tenha sido melhor.
Cliquem na imagem para ver o trailer.

quinta-feira, março 05, 2009

Rua de Baixo V.2 - Edição de Março

Em grande destaque este mês vai estar a 8º edição da MONSTRA, o grande festival do cinema de animação e o mais antigo da zona de Lisboa.
A MONSTRA sempre se preocupou em levar a animação mais além, procurando além de exibir filmes, criar diálogos entre o cinema de animação e outras artes e diálogos entre as pessoas sejam elas espectadores ou autores.
Por isso preparem-se para muitas exposições, muitos filmes, muito experimentalismo e definitivamente muitas aventuras e surpresas.
Tive o prazer de estar à conversa com o director do festival, Fernando Galrito, em uma entrevista que pode ser consultada aqui.
Para todos os interessados está neste momento a decorrer um passatempo com o intuito de oferecer bilhetes para participarem é só clicar aqui.

Outro grande destaque vai para uma entrevista com Adolfo Luxúria Canibal sobre os 25 anos dos míticos Mão Morta (ahh que inveja). É de salientar que estamos a falar de uma banda com 25 anos que continua a reiventar-se e a ser tão ou mais fascinante do que antes. Nunca as suas canções têm um sabor de estarem cansadas ou gastas. Não é para todos.

Há também uma entrevista com Pedro Lourenço, ilustrador, que lançou há algum tempo o fanzine "Blues Control" cuja primeira edição se encontra esgotada. Aconselho uma viagem ao seu blog para conhecerem a sua arte.

Depois ainda há Fantasporto, Manel Cruz, o tão aclamado álbum "Dark Was The Night" e muito, muito mais. Cliquem na imagem para aceder.

quarta-feira, março 04, 2009

Public Enemies

Quem sabe uma espécie de "Untouchables" meet "Heat" ou não de verdade pouco importa o que interessa é que é o novo filme de Michael Mann e que tem muito bom aspecto.
Cliquem na imagem para ver o trailer.

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Watchmen e a MTV

Encontrei no blog Na Outra Banda este vídeo bem engraçado onde assistimos a um programa da MTV nos anos 80 caso os Watchmen realmente existissem.

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Oscars 2009

Penso que já quase tudo foi dito sobre o evento de ontem, por isso não me irei estender muito sobre o assunto.
Gostava de começar por salientar que ontem ocorreu algo Histórico no cinema, pela primeira vez a interpretação de um personagem de Banda Desenhada venceu um Óscar (se não estou em erro). Nesse sentido fez-me recordar o prémio do "Senhor do Anéis", o primeiro filme de fantasia a vencer o Óscar por melhor filme. O discurso da sua família foi dos mais emocionantes e os olhares de Adrian Brody, Brad Pitt entre outros espelham perfeitamente o sentimento de perda.
Gostei muito da cerimónia, não tinha intenções de seguir a emissão até ao final mas Hugh Jackman deslubrou e acabei por o fazer, foi um verdadeiro entarteiner. Muito boa a dança entre ele e Anne Hathaway a satirizar "Frost/Nixon".
A entrega dos prémios decorreu na sua maioria como se esperava, poucas foram as surpresas. Sean Penn a vencer como melhor actor dificilmente será uma surpresa. Ainda não vi nem "Milk" nem "The Wreslter" mas acredito que estamos perante um caso de "venha o Diabo e escolha". O seu discurso juntamente com o de Dustin Lance Black pelo Óscar de melhor argumento original foram dos melhores. Aqui estava a torcer por "In Bruges" mas novamente não vi "Milk".
Voltando às surpresas a maior da noite foi sem dúvida a vitória de "Departures" como melhor filme em lingua estrangeira. Todos esperavam que "Valsa com Bashir"
triunfasse e caso não ocorresse muito provávelmente seria "A Turma". Como não vi nenhum dos nomeados abstenho-me.
O prémio mais óbvio era o de "Wall.E" como melhor filme de animação completamente assegurado afinal não havia concorrência de peso maior.
Os grandes casais a apresentar os prémios foram sem dúvida a Tina Fey com o Steve Martin, a Natalie Portman com o Ben Stiller e Jennifer Aniston com Jack Black que porporcionaram alguns dos momentos mais humoristicos da gala.
Muito engraçado foi também a forma como os prémios da representação foram entregues, juntando diferentes gerações de vencedores do Óscar. Parecia que estavam a abraçar o novo membro de um clube secreto, mas eu pessoalmente gostei.
A maior injustiça para mim (pelos poucos filmes que vi) foi sem dúvida a ausência de "Revolutionary Road". Um dos melhores estreados por cá este ano que merecia destaque como filme, na realização e na banda sonora. A Leonardo Di Caprio também não ficava mal a nomeação mas todos os nomeados eram de peso e acredito que mais cedo ou mais tarde o Óscar não lhe escapa. Adorei Kate Winslet no filme e não a vi em "The Reader" no entanto venceu por isso não a coloco na lista pessoal de injustiças. Felizmente não se esqueceram do curto mas intenso papel de Micahel Shannon nomeando-o para melhor actor secundário.
Faltou também a nomeação à canção de Springsteen, e depois qualquer uma podia vencer para mim, são todas belas canções.
Acabei por só apanhar o final do momento que recordou as perdas da 7º arte em 2008. diz quem viu que foi um grande momento também.
Para terminar a homenagem deste ano calhou a Jerry Lewis que constituiu também um dos momentos mais emocionantes da noite.
E quase que me esquecia de salientar um dos momentos mais altos da noite, o assobio fantástico do pai de Kate Winlet quando ela pede para a família assobiar para assim saber onde estão sentados.
Os vencedores podem ser consultados aqui.

sábado, fevereiro 21, 2009

Álbuns de 2008

Como daqui a nada estamos em Março, já é tempo de deixar o meu balanço musical de 2008. Falta muita coisa, nem soube por exemplo que o Tricky tinha lançado um álbum, mas isso será sempre assim.
Sem qualquer ordem, porque isso era demasiado complicado para escolher, aqui ficam os álbuns lançados no ano passado que mais ouvi.

Mão Morta - "Maldoror"
The Last Shadow Puppets - "The Last Shadow Puppets"
Shearwater - "Rook"
TV On The Radio - "Dear Science"
Portishead - "Third"
Fleet Foxes - "Fleet Foxes"
Noiserv - "One Hundred Miles From Thoughtless"
The Raconteurs - "Consolers Of The Lonely"
Beck - "Modern Guilt"
Vampire Weekend - "Vampire Weekend"
Calexico - "Carried To Dust"

Fora do circuito de álbum tradicional tenho de salientar os excelentes EPs de B Fachada "Viola Braguesa" e de Samuel Úria "Em Bruto", bem como a compilação "UPA" que teve a ideia de juntar diversos artistas da música portuguesa para trabalharem em conjunto, nomeadamente Camané com Dead Combo, Rodrigo Leão com JP Simões, Mão Morta com José Mario Branco e muitos mais.

Edit: Esqueci-me dos Calexico e agora como é feio estar a tirar um ficam 11.

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

The Lamb Lies Down On Broadway

O "Álbum de Família" desta semana na Radar é nada mais nada menos do que o mítico "The Lamb Lies Down On Broadway" dos "Genesis".
Este é um grande álbum e que encerra o percurso de Peter Gabriel na banda, que apesar de ter continuado a lançar álbuns interessantes, nunca mais voltou a alcançar a genialidade e inovação dos tempos de Gabriel, pelo menos na minha opinião.
Para quem estiver interessado em conhecer um pouco do percurso inicial dos "Genesis", fica aqui a sugestão. O programa vai repetir ao 12:00 de Domingo.


Carpet Crawlers (Live) - Genesis

Aproveito já agora para mencionar que recentemente Peter Gabriel recusou actuar nos óscares, ele que possuiu uma nomeação para melhor canção por "Down To Earth" em "Wall.E".
Aparentemente Gabriel encontra-se entusiasmado em ir ao evento, mas tocar a sua música em apenas um minuto (eram as condições da academia) é que não.
A mim parece-me muito bem até porque a academia tem nestes últimos anos prestado pouca ou nenhuma atenção aos músicos.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Influências e Semelhanças #15 - Especial Watchmen

Thunderbolt (Peter Cannon)

Peter Cannon foi criado por Pete Morisi e editado originalmente pela Charlton Comics em 1966.
Cedo se tornou órfão quando os seus pais, membros de uma equipa de médicos missionários, perderam as suas vidas a combater um tipo de "Peste Negra" nos Himalaias. Em memória deles, acabou por ser criado e educado em um mosteiro Tibetano.
Após ter atingindo o nivel máximo de perfeição fisica e mental foi-lhe concedido a sabedoria de antigos pergaminhos que possuíam vários segredos escritos ao longo de muitas gerações por alguns dos homens mais sábios do mundo.
Através da sua leitura aprendeu a utilizar a percentagem total do seu cérebro o que lhe possibilitou adquirir ao longos dos anos várias capacidades extraordinárias. Além de uma elevada inteligência, Cannon tem algum nível de telequinesia, é capaz de sustentar enormes quantidades de dor, consegue visualizar através de flashes o que ocorreu num determinado local e apresenta alguma influência com os animais.
Após concluir o seu treino e a leitura dos pergaminhos foi enviado, juntamente com o seu amigo Tabu, para a América onde acabaria por se tornar num novo herói, "Thunderbolt".
Posteriormente (1983) o herói juntamente com outros personagens da Charlton Comics, foi adquirido pela DC Comics. Depois da sua morte em 2003 os direitos do personagem regressaram ao seu criador e desde essa altura nunca mais voltou a ser utilizado.
A sua origem apresenta várias semelhanças com a de "Amazing-Man" criado por Bill Everett em 1939.



Ozymandias


A maior inspiração para Adrian Veidt é Alexandre o Grande e é à sua imagem que ele constrói o seu alter-ego, "Ozymandias". Há semelhança do seu ídolo decidiu seguir a sua rota pelo mundo, partindo na Turquia e terminando em Alexandria. É durante esta viagem que Veidt decide tornar-se um herói mascarado. O nome, no entanto, é originário da cultura Egípcia da qual é grande entusiasta. Assim sendo "Ozymandias" não é mais do que a tradução grega de parte do nome do faraó "Ramases II".
O autor Alan Moore admirava a enorme capacidade cerebral e física do herói "Thunderbolt" e por isso criou "Ozymandias" à sua imagem.
Apesar deste último não usar a capacidade total do cérebro é considerado na novela gráfica como um dos homens mais inteligentes do planeta e de facto as suas capacidades mentais são extraordinárias. Como é visível ao longo da história Veidt tanto tem ideias brilhantes como é capaz de prestar atenção a múltiplas coisas ao mesmo tempo. Fisicamente encontra-se também no pico da condição humana.
Tendo perfeita noção que no seu percurso como herói apenas combatia os sintomas e não a doença que afecta o mundo acaba por eventualmente retirar-se do activo dois anos antes do Keen Act ter sido aprovado (o qual proibia a acção independente de heróis mascarados), passando assim a dedicar-se exclusivamente às suas empresas entre outros planos. Ao contrário de Nite Owl que nunca revelou a sua identidade mesmo após a reforma, Veidt assumiu publicamente que era Ozymandias, facto que usou para aumentar ainda mais a sua percentagem de negócios, começando a comercializar merchandising, tais como action figures do antigo herói que em tempos tinha sido. É de salientar que Veidt herdou a fortuna dos seus pais aos 17 anos mas doou-a por completo à caridade, voltando a construir o seu império exclusivamente a partir das suas próprias mãos.
Dr. Manhattan é o único herói em "Watchmen" que realmente possui poderes, todos os outros são simplesmente humanos com tudo de bom e de mau que isso tem. No entanto Ozymandias é dos humanos aquele que se aproxima de ser algo "mais". O facto de ele ter uma das maiores mentes do mundo aliado às suas extraordinárias condições físicas, fazem dele um dos mais poderosos personagens da história. O próprio acha que é capaz de feitos sobre-humanos tais como parar uma bala, uma vez que considera ter a capacidade mental para calcular tempos físicos de reacção, antecipar o disparo e por fim ter os reflexos necessários para apanhar a bala. Um processo extremamente complicado do qual apenas adianto que no final do livro ele se descobrirá capaz ou não de cumprir.
Na opinião do artista Dave Gibbons um dos maiores pecados do personagem é a sua arrogância, pois ele considera-se superior, menosprezando assim o resto da humanidade. De facto as capacidades dele encontram-se muito acima da média e por isso não é de estranhar que seja uma das poucas pessoas que o Dr. Manhattan considera interessantes.
Tentei não usar spoilers, mas a partir daqui quem quiser ler faça-o por sua conta e risco, apenas digo que não denuncio directamente nenhuma acção.
Veidt tem o desejo de usar as suas capacidades para salvar o mundo, no entanto a sua visão é muito distinta da dos outros heróis, para ele "os meios justificam os fins" e isso irá no futuro entrar em colisão com a filosofia de outros heróis, tais como Rorschach.
Nisto há que adorar a obra, pois todos os personagens estão muito bem construídos psicologicamente onde as suas acções correspondem perfeitamente às suas personalidades. E por isso é interessante que o escolhido para desempenhar determinadas acções tenha sido precisamente o "homem mais inteligente do planeta", o que faz sentido, até porque inteligência e moral não são sinónimos. Ozymandias é um visionário disso não há dúvidas, agora se de facto "os fins justificam os meios" é uma questão que deixo a cada um. Para mim penso que a resposta é não, mesmo tendo noção que em determinados contextos os frutos colhidos no futuro poderão ser melhores e obviamente que cada caso é um caso, mas seguir por vezes determinados caminhos é condenar a nossa própria humanidade. No entanto não posso negar o poder de determinadas decisões e a força necessária para as tomar.





Nota: Algumas informações foram retirados do site da wikipédia e da toonopedia.

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Cartoon by: Dr. Donald J Davidson

sábado, fevereiro 14, 2009

Comemorou-se ontem os 200 anos sobre o nascimento de Charles Robert Darwin. Um revolucionário da "Teoria da Evolução", que ao introduzir a sua "Teoria da Selecção Natural" deu um valente salto à frente nos pensamentos da época que passavam pelas Teorias de Lamarck e companhia. E com isto não pretendo diminuir o trabalho dos mencionados, pois há que começar por algum lado.

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Tindersticks - Dying Slowly

Hoje tocam por Lisboa, amanha no Porto.
Acredito que o concerto seja memorável, mas infelizmente não vou estar lá.
Para recordar, "Dying Slowly".

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Dark Was The Night


No dia 16 de Fevereiro será colocado à venda "Dark Was The Night" uma compilação de 31 canções que conta com os mais ilustres nomes do movimento indie/rock actual. Para verem a lista de músicas cliquem aqui.
As receitas das vendas irão reverter a favor da "Red Hot Organization", uma associação internacional dedicada ao combate do vírus HIV.
Descobri esta "pérola" da música no Insónia Permanente e tal e qual como uma criança que quando vê um gelado nas mãos de outra também quer, quis logo fazer o meu poster com três canções. Na altura pensei que dava para criarmos o poster também, mas não, é só para escolher três canções das disponíveis.
Pelas que já ouvi acho que vem aí um álbum poderoso.

terça-feira, fevereiro 10, 2009

sábado, fevereiro 07, 2009

Optimus Alive - Os primeiros nomes

E o famoso D misterioso foi finalmente revelado. São os "Dave Matthews Band".
Bem me chamavam de inocente quando na altura proferi que podia muito bem ser "David Bowie". Afinal de contas tinha acabado de sair de um festival que juntava Bob Dylan e Neil Young. Tudo parecia possível na altura.
Uma das bandas em que mais se apostava eram os "Depeche Mode" que acabaram por ir para o "Super Bock Super Rock" (e eu lá estarei pois claro).
Mas focando-me no "Alive" à banda do talentoso Dave Matthews juntam-se os Metallica. Eles bem disseram quando os vi no 1º "Rock in Rio" que gostavam de voltar cá muitas mais vezes.
Outros nomes que em princípio também farão parte do cartaz são os "Slipknot" e "Erol Alkan".
Para mais informações ir à página do Blitz.

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

O Menino Triste – A Essência


De Coimbra a Veneza, do sonho à realidade, estes são os caminhos percorridos pelo “Menino Triste” ao longo desta fantástica viagem.
Dentro de um quarto recheado de imagens, livros e discos encontramo-lo a tentar desesperadamente criar uma banda desenhada. Mas como o próprio diz, não são todos os dias em que um artista consegue criar. O sentimento característico de ter apenas uma folha em branco à nossa frente assombra qualquer um e por isso decide passear um pouco pela cidade de Coimbra enquanto medita sobre o que é a arte, quais os seus processos de criação e qual a sua verdadeira essência. Pensamentos estes que se tornam ainda mais interessantes quando são desenvolvidos em uma discussão com os seus amigos.
Quantos de nós já se questionaram sobre o que é a arte? E qual a sua essência? O que faz uma obra ser arte? É o seu criador? As pessoas que a admiram como tal? Ou ambas? Esta é sem dúvida uma discussão que costuma resultar em muitas mais questões do que em respostas e por isso o “Menino Triste” decide aceitar o conselho dos seus amigos e partir numa viagem, em busca de inspiração e da tão desejada essência da arte. O destino escolhido é nada mais, nada menos do que a bela cidade de Veneza, precisamente na altura em que decorre o carnaval Veneziano.
A viajem pelas suas ruas é riquíssima, não só no traço incrivelmente detalhado da cidade, como também nas múltiplas referências artísticas que vamos absorvendo ao longo da narrativa. São vários os momentos em que se respira Shakespeare, Wagner, Mozart, Pratt ou Da Vinci, entre outros. O breve instante em que surge a silhueta de Corto Maltese, a inesperada aparição do maestro António Vitorino de Almeida, ou os excertos de “O Mercador de Veneza”, são alguns dos momentos que mais diversão me proporcionaram durante esta leitura que aliados a todos os outros demonstram como “A Essência” é uma obra que possui uma longa e detalhada pesquisa.
É de realçar igualmente o fascinante prefácio da autoria de José Luís Peixoto que é também, há sua maneira, um “Menino Triste”. “Triste” que aqui ao contrário do que se possa pensar não se refere necessariamente a tristeza ou infelicidade, mas antes a uma preocupação, como o próprio autor salienta.
Este livro constitui assim o primeiro lançamento da editora “Qual Albatroz” que começa com o pé direito ao nos trazer uma bela edição de capa dura e com grande qualidade gráfica. Esperemos que esta qualidade se mantenha no futuro.
O “Menino Triste – A Essência” da autoria de João Mascarenhas foi lançado no FIBDA 2008 e é na minha opinião um dos melhores livros de BD editados por cá no ano passado. Trata-se de uma viagem espiritual em busca da verdadeira essência da arte, quando a resposta esteve sempre dentro de nós. Ao terminar o livro não deixa de ser curioso olhar para trás e reparar que a frase escolhida pelo autor para iniciar esta história: “O que não se vê, apenas se revela, a quem saiba procurar dentro de si”, seja precisamente a resposta para a grande questão colocada.


Excertos deste comentário e uma entrevista ao autor, João Mascarenhas encontram-se publicados na edição de Fevereiro da Rua de Baixo.

Rua de Baixo V.2 - Edição de Fevereiro

A edição nº 41 da "Rua de Baixo" já se encontra disponível no sítio do costume.
O regresso de Jason Voorhees e Danny Boyle, o concerto de Nitin Sawhney que se aproxima, ou o novo projecto de Tiago Gomes e Tó Trips são alguns dos seus muitos ingredientes.
Em grande destaque a reportagem "Nós Lá Fora", sobre a imigração em Portugal.
Para os apreciadores de Banda Desenhada temos uma entrevista com João Mascarenhas o autor do "Menino Triste", a quem aproveito para agradecer novamente o tempo despendido.
E quase que me esquecia a secção de "Passatempos" está oficialmente inaugurada.