terça-feira, setembro 29, 2009

45 anos de Mafalda


Parabéns à Mafalda e a toda a sua turma.

Muitos parabéns Quino por todo o teu trabalho és um marco no Cartoon um dos meus artistas preferidos do género.

segunda-feira, setembro 28, 2009

Sessões no MOTELx 2009: Trick 'r Treat e Eel Girl


Trick 'r Treat


Este foi o segundo e último filme a que assisti no festival. Numa curta pesquisa pelo IMDB este "Trick 'r Treat" surgiu-me como uma opção bastante favorável não só pelas críticas mas também pelo elenco bem conhecido. Infelizmente não foi o caso.
O filme conta quatro histórias que se desenrolam durante o Halloween e se cruzam entre elas. As histórias são antecedidas sobre uma curta aparição por parte de um casal que quebra as tradições do halloween tradições do feriado, tradições essas que foram criadas para proteger as pessoas dos mortos mas que nos dias de hoje caíram no esquecimento.
No primeiro conto surge-nos o reitor Steven (Dylan Baker), um homem que esconde gostos terrivelmente macabros e sanguinários que ensinará uma "lição de vida" a um jovem rapaz sobre os cuidados a ter nesta noite.
De seguida conhecemos quatro amigas que se preparam para viverem uma enorme festa. Todas se encontram vestidas a rigor para este "Halloween" e para isso escolheram fantasias de "contos de fada". Laurie (Anna Paquin) aparenta ser das quatro a mais introvertida, o que muito provavelmente é a causa da sua ainda "virgindade", que é considerada uma vergonha por parte da sua irmã e amigas. Quem sabe se esta não é a noite em que Laurie irá finalmente provar esse sabor. Gosto dos finais do género deste conto apesar de não ter trazido nada de novo e original, mesmo assim foi das histórias que mais gostei, não valesse a pena só por ver Anna Paquin vestida de Capuchinho Vermelho.
A terceira história é sobre um grupo de miúdos que se encontra a reunir abóboras de halloween, as chamadas jack-o'-lanterns. As abóboras irão ser usadas para prestar homenagem a um grupo de crianças que caíram de um autocarro por um penhasco abaixo. Reza a lenda que foram os próprios pais que pagaram ao condutor para as matar. Se a lenda é verdadeira ou não é algo que estas crianças não demorarão em descobrir.
Por fim temos o vizinho do reitor Steven, Mr. Kreeg (Brian Cox) um velho solitário que vive apenas com o cão e é visitado por um estranho ser que dá pelo nome de Sam. Sam tem o tamanho de uma criança e parece o boneco saído da capa "Issues" dos Korn (ver poster). É também o personagem que surge em todos os outros contos nem que seja por breves instantes. Uma coisa é certa, Sam leva muito a sério as tradições do "Halloween" é ele quem encarna vigorosamente o espírito deste dia tenebroso e assustador.
O filme evoca estilos passados e nesse sentido funciona como uma homenagem a determinados contos de terror. Enquanto via o filme de facto sentia algo familiar e só mais tarde ao ler sobre o filme me apercebi que este me recordava os "Tales From The Cript" que eu via quando era mais novo na Sic. Em tom jocoso até comparei os contos aos "Arrepios" mas não, estes evocam mesmo o estilo dos velhinhos "Tales From The Cript".
O filme foi realizado por Michael Dougherty e é baseado na curta "Season's Greetings".
Infelizmente como falei acima o resultado não foi satisfatório. Os contos são fraquinhos e de assustadores têm muito pouco, verdade seja dita tal como os "Tales From The Cript" mas estes eu via em casa na TV não num Cinema. Este é um filme de terror para toda a família e talvez por ter ido à procura de algo mais intenso tenha saído mais desiludido do que devia para mim "Trick 'r Treat" tinha de trazer muito mais e não trouxe.




Eel Girl

Tal como já tinha mencionado todos os filmes no MOTELx eram precedidos por uma curta-metragem. Desta vez foi "Eel Girl" de de Paul Campion um filme da Nova Zelândia.
A história é sobre a obsessão de um cientista com uma criatura metade mulher metade enguia. Uma obsessão de cariz sexual que leva o cientista a não resistir à tentação e a entrar em contacto físico com a misteriosa criatura. Um filme sobre apetites para não dizer mais. Engraçado o suficiente que vale pela curiosa criatura.

domingo, setembro 27, 2009

Sessões no MOTELx 2009: Re-Animator e Papá Wrestling



Re-Animator


Apesar de ser um filme de 1985 esta foi a sua estreia em Portugal (em Cinema). Uma das grandes notícias é que o filme iria passar na sua versão integral e não censurada. A mítica cena sexual de uma cabeça cortada está lá e é um misto de repulsa e gargalhada bem ao género destes filmes.
Realizado por Stuart Gordon é uma adaptação do conto "Herbert West: Reanimator" de H. P. Lovecraft.
O filme conta a história de Herbert West (Jeffrey Combs) e Dan Cain (Bruce Abbott). O primeiro é um estudante de medicina tenebroso que é transferido de uma universidade em Zurique, na Suíça para a de Miskatonic na América. é lá onde conhece Dan Cain também ele um estudante de medicina conhecido por não lidar bem com a morte dos seus pacientes.
Dan é um excelente estudante, namora com a filha do director e nunca se mete em confusões, leva portanto uma vida bastante pacífica até ao dia em que começa a dividir casa com estranho Herbert.
Com o tempo Dan descobre que Herbert se encontra a pesquisar a reanimação de tecido morto tendo já criado um soro capaz de reanimar os mortos. Herbert acredita que quanto mais "fresco" estiver o exemplar melhor serão os resultados uma vez que o cérebro se encontra morto há pouco tempo. No entanto e em contradição com as ideias de Dr. Carl Hill (David Gale) acredita ser possível reanimar alguém cujo cérebro se encontra morto há vários dias, porém os resultados são muito piores.
"Re-Animator" é um clássico do género carregado de morte e humor que não deixará o espectador indiferente. O filme contou com a apresentação por parte do próprio Stuart Gordon que fez um discurso bastante divertido e até realista. Os aplausos foram imensos e mostraram bem a Gordon como é acarinhado pelos fãs do terror.


Papá Wrestling

Todos os filmes exibidos no "MOTELx" apresentavam inicialmente uma curta-metragem. Neste caso coube a honra a "Papá Wrestling" de Fernando Alle.
Como em muitos filmes a história é sobre um jovem rapaz cujo almoço é roubado pelos delinquentes da escola. Infelizmente para os delinquentes o pai do tal rapaz é um lutador de wrestling completamente maníaco e o que se segue é um festival de gore que resulta em puro divertimento.
Nunca a frase "enfiar-te as bolas pela boca adentro" foi usada de forma tão literal num filme.
"Papá Wrestling" não passou despercebido apesar de não ter vencido o concurso do festival recebeu uma menção e pela forma como o público o aplaudiu é caso para dizer que é um vencedor.

sexta-feira, setembro 18, 2009

13º Queer Lisboa


O Festival de Cinema Gay e Lésbico de Lisboa arranca hoje e dura até 26 do mesmo mês.
Parece que será nesta 13º edição que finalmente vou espreitar o que este festival tem para nos oferecer. 13 edições, 13 anos o tempo voa mesmo.
Para verem a página cliquem aqui e o blog aqui.

Inglorious Basterds

O primeiro filme que vi de Quentin Tarantino foi o clássico "Pulp Fiction" que me fez apaixonar instantaneamente pelo seu cinema. A partir daqui o nome Tarantino seria um nome a seguir. Fui buscar “Reservoir Dogs” e não restava margem para dúvidas “Pulp Fiction” não tinha sido um golpe de sorte (como se isso fosse possível) Tarantino é de facto um realizador incrivelmente talentoso, com uma bagagem cinematográfica invejável e com um talento do caraças para escrever diálogos. Estes diálogos "Tarantinescos" são precisamente aquilo que eu mais adoro nos seus devaneios cinematográficos.
Depois veio "Jacky Brown" e uns bons anos mais tarde "Kill Bill" (dividido em dois capítulos). Não estando ao nível dos anteriores (para mim) são obras cujo valor cinematográfico não se questiona. Tarantino continuava em grande. Infelizmente ainda me falta ver “Death Proof” um filme que faz parte do projecto “Grindhouse” que consistia em dois filmes que voltassem a relembrar o género com o mesmo nome, um realizado por Tarantino e outro pelo seu amigo de longa data, Robert Rodriguez de nome “Planet Terror”.
Agora em 2009 Tarantino regressa com "Inglorious Basterds" (que soa muito melhor quando pronunciado com qualquer um dos sotaques do Reino Unido). Um projecto já antigo na mente do realizador mas que só agora se concretizou.
"Basterds" é um regresso em grande e dizer isto de alguém que nunca fez um mau filme é um belo elogio. Apesar de à primeira vista parecer um filme de guerra, apresenta mais traços que nos remetem para um "western spaghetti" que apenas troca o velho oeste pela 2º Guerra Mundial.
O filme encontra-se dividido por capítulos que contam a história do Col. Hans Landa o "Caçador de Judeus" (Christoph Waltz), de Shosanna Dreyfus (Mélanie Laurent) uma judia sobrevivente e do grupo secreto caçador de nazis cujo nome dá o título ao filme.
Se o ano passado uma das melhores aberturas pertenceu a "The Dark Knight" este ano pertencerá certamente a "Inglorious Basterds". Toda a sequência respira a "Western" e o diálogo à mesa entre o temível Col. Hans Landa e o senhor LaPadite (Denis Menochet) é de cortar a respiração. Felizmente que cenas com esta qualidade é coisa que abunda no filme.
A história em si desenrola-se maioritariamente em França, três anos após a fuga de Shosanna que se encontra agora em Paris a gerir um Cinema. O Pvt. Fredrick Zoller (Daniel Brühl) enfatua-se pela jovem e bela Shosanna e sem saber do seu passado trágico tudo faz ao seu alcance para que o filme alemão (inspirado em si) "Stolz der Nation" ("A Nation's Pride") tenha a sua noite de estreia no cinema dela.
A partir daqui todas as personagens irão convergir neste cinema. Os "Inglorious Basterds" não podem desperdiçar esta oportunidade que irá reunir tantos Nazis importantes dentro da mesma sala, principalmente quando sabem que Hitler também lá estará. O infalível Col. Hans Landa também marcará presença uma vez que é obviamente o chefe de segurança, não fosse ele o melhor naquilo que faz (e sempre que digo isto em voz alta lembro-me do Wolverine).
Como é bem sabido Tarantino é um grande apaixonado pela 7º arte e como não podia deixar de ser volta a fazer inúmeras referências cinematográficas em "Basterds" muitas que provavelmente me passaram ao lado, uma vez que a minha bagagem na área é bem menor.
Houve espaço também para algumas participações de amigos de longa data tal como a narração por Samuel L. Jackson e a voz do comandante da OSS que ouvimos no final do filme que pertence a Harvey Keitel. Julie Dreyfus que já tinha entrado em "Kill Bill" tem aqui um papel escrito especialmente para ela. O amigo e realizador Eli Roth ("Hostel") também entra nesta aventura personificando o Sgt. Donny Donowitz a.k.a. The Bear Jew e digamos que declama poesia com um bastão de Basebol como nunca antes tinha visto. Mike Meyers também faz uma perninha, enfim se continuar acho que nunca mais paro de escrever sobre isto.
De resto há os tão famosos diálogos "Tarantinescos", o fetiche por pés e claro uma sempre especial atenção à banda sonora. O início de uma vingança ao som da "Cat People" de David Bowie é qualquer coisa de especial. Canção esta que pertence a outro filme ("Cat People") mas cuja letra entra perfeitamente no espírito da cena em questão.
o Leque de actores é na sua maioria fantástico. O Lt. Aldo Raine de Brad Pitt é hilariante e a sua ascendência de Indío só contribui para lhe dar características ainda mais excêntricas como a sua fixação por escalpes. Dos "Basterds" é impossível não destacar também o Sgt. Hugo Stiglitz interpretado por Til Schweiger, sem dúvida uma das maiores dores de cabeça dos Nazis.
Outro personagem que sou obrigado a salientar é o Major Dieter Hellstrom. August Diehl conquistou-me com a sua interpretação de um oficial da Gestapo na cena do café em que este se senta ao lado dos aliados. Ver o tenente Archie Hicox (Michael Fassbender) e o Sgt. Hugo Stiglitz, entre outros a interagir com este oficial nazi resultou em uma das melhores cenas que este filme tem para nos oferecer.
Para o fim deixei Christoph Waltz, o Col. Hans Landa (que tem aqui a sua 1º participação num filme Americano, mas que certamente não será a última). Waltz venceu o prémio de melhor actor em Cannes e depois de ver o filme percebe-se claramente porquê. Além de ser um poliglota invejável todas as cenas em que Waltz aparece são ouro sobre azul. O seu personagem é arrepiante e incapaz de deixar alguém indiferente. Se até nós numa cadeira de cinema nos sentimos incomodados com as suas questões, nem quero imaginar como seria um contacto na vida real com o temível "caçador de Judeus".

terça-feira, setembro 15, 2009


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sexta-feira, setembro 11, 2009

quarta-feira, setembro 09, 2009

The Imaginarium of Doctor Parnassus -Trailer

Já está disponível o trailer de um dos filmes que mais anseio ver.
Adoro o estilo "louco" de Terry Gilliam. Este Monthy Python já nos presenteou com filmes fantásticos desde "King Fisherman", a "12 Monkeys" ou "Fear and Loathing in Las Vegas".
Desta vez surge com "The Imaginarium of Doctor Parnassus" um filme que passou por algumas dificuldades aquando da morte de Heath Ledger. Felizmente a fim de o terminar os talentosos Johnny Depp, Colin Pharrel e Jude Law vieram substituir o falecido actor.

Gostei bastante desta amostra e fico ansioso à espera que o filme chegue até nós.
E sim o Diabo é esse grande senhor cujo nome é Tom Waits.

A ver estas imagens volto a lembrar-me dos trabalhos de Ledger e que agora é que é definitivo. Nunca mais o iremos voltar a ver brilhar na tela.
Um dos seus próximos projectos por exemplo ia ser o novo de Terrence Malick, "The Tree of Life". Malick é daqueles realizadores que raramente faz um filme, mas quando faz pára tudo.
Adoraria ver uma colaboração entre estes dois e é uma pena que tal nunca aconteça. Por curiosidade foi Brad Pitt que substituiu Ledger no elenco.
Um grande actor, muito capaz, muito plástico nas suas transformações e que merece uma grande despedida do Cinema. Uma despedida que em tudo aparenta que irá ser mágica.

The Beatles 09/09/09



Porque hoje é dia de Beatles!

Hoje é o dia em que todos os álbuns dos Beatles voltam a ser lançados. Todos com o som remasterizado e todos com um documentário sobre o álbum em questão.

Para quem pode há uma edição de luxo com tudo disponível.
Passados 50 anos continuam a ser uma referência e daqui a mais 50 garantidamente que continuarão a ser.

segunda-feira, setembro 07, 2009

Amália Ontem

Aproveitando o grande conhecimento do projecto "Amália Hoje" decidi fazer este trocadilho para falar de um álbum que infelizmente passou um pouco despercebido na altura.
A ideia de re-interpretar músicas cantadas por Amália Rodrigues num estilo mais contemporâneo não é propriamente uma ideia nova.
"Amália Revisited" é um CD onde vários artistas da música portuguesa se juntam a fim de cumprir o objectivo e o resultado é muito interessante.
O álbum é composto por 15 temas interpretados por nomes como "Bullet e Liana", "Cool Hipnoise", "Lisbon City Rockers e Margarida Pinto", "Maria João Branco" entre muitos outros.
Todos os temas são novas formas de cantar canções da Amália, todos excepto dois que são precisamente o tema de "Sam The Kid" e "KaNdoo" que aqui usam a influência de Amália de uma forma nunca antes ouvida.
Para consultarem a lista de canções cliquem aqui.

Como aperitivo deixo precisamente a canção "Êthos" de Sam The Kid. Talvez uma das minhas preferidas deste artista.

quarta-feira, setembro 02, 2009

MOTELx - 3º Edição

Arraca hoje a 3º edição do "Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa" carinhosamente apelidado de MOTELx.
Infelizmente a sua duracção é muito curta, terminando já no próximo Domingo.
A todos aqueles que adoram o género fica aqui a sugestão.
Podem consultar o site oficial clicando na imagem.

segunda-feira, agosto 31, 2009

Dorian Gray - Teaser Trailer

Já tinha visto algumas imagens do filme há bastante tempo, agora saiu o teaser trailer.
A adaptação cinematográfica de "THe Picture of Dorian Gray" chega aos Cinemas este ano pela mão de Olive Parker e conta com Ben Barnes (O príncipe Caspian) no papel de Dorian Gray, Colin Firth como Lord Henry e Ben Chaplin como Basil Hallward.
O trailer tem melhor aspecto do que os posters que tinha visto anteriormente mas mesmo assim ainda não susciptou em mim grande interesse.
Espero que seja uma bela homenagem à obra de Oscar Wilde que é lindíssima.
Isto recordou-me também que a Marvel chegou a adaptar este livro e acabei por em esquecer de procurar isso.

quinta-feira, agosto 27, 2009

These Are My Twisted Words

Uma das novas dos Radiohead e não é preciso dizer mais!



estou com a sensação que vêm cá para o ano. O problema é que me engano muitas vezes.

segunda-feira, agosto 24, 2009

The Wolf Man - Trailer

O trailer deste remake do horror já está disponível.
O elenco é de classe e os efeitos parecem formidáveis.
Joe Johnston, já provou o seu talento a nível visual esperemos que com este "The Wolf Man" faça a devida homenagem ao género.
Segundo o IMDB parece ser este o senhor que vai realizar o filme do Capitão América com Jensen Ackles no papel de Rogers. Será?
Cliquem na imagem para ver o trailer.

quinta-feira, agosto 20, 2009

The Walking Dead - Adaptação Televisiva

Frank Darabont, realizador de filmes como "The Shawshank Redemption", "The Green Mile" e o mais recente "The Mist" (algo me diz que este senhor gosta muito de Stephen King), vai ser o responsável por realizar a série de TV "The Walking Dead" baseada na BD criada por Robert Kirkman e Tony Moore editada pela Image Comics.

Dentro do género do horror sempre me senti mais atraido pelos vampiros do que pelos zombies, por isso ando muito mais interessado em comprar livros como "Requiem The Vampire Knight" do que este "The Walking Dead". No entanto muita da coisa que tenho lido sobre a série me tem atraido e é uma questão de tempo e dinheiro até lhe dar uma oportunidade.

O livro conta a história de como um grupo de humandos vai sobrevivendo num mundo povoado maioritariamente por Zombies.

segunda-feira, agosto 17, 2009

A Voz do Fogo

Alan Moore é um nome que dispensa apresentações no mundo da banda desenhada, sendo considerado por muitos como um dos melhores contadores de histórias nesta arte, eu incluido. Livros como "Watchmen", "V For Vendetta" ou "From Hell" são já clássicos da 9º arte conhecidos mundialmente, nem que para isso tenham contribuído as adaptações cinematográficas.
"A Voz do Fogo" (Voice of the Fire) consiste no primeiro (e até à data único) romance deste autor, que foi editado originalmente em 1996.
O livro encontra-se dividido em 12 capítulos ao longo de 6000 anos, começando no ano 4000 a.c. e terminando em 1996 d.c.. Todas as histórias decorrem no mês de Novembro e na zona de Northampton, cidade Natal e actual do autor, em Inglaterra.
O primeiro capítulo, "O Porco de Hob" (Hob´s Hog), é aquele de maior dificuldade na sua leitura uma vez que é narrado por um rapaz que vive no ano 4000 a.c.. Moore escreve-o de uma forma muito elementar utilizando recorrentemente o presente do indicativo de forma a dotar o rapaz de uma aura mais primitiva que é precisamente o suposto. Este jovem do "tempo da pedra" é um rapaz bastante ingénuo que após a morte da sua mãe é expulso do seu grupo e obrigado a desbravar as aventuras deste mundo sozinho.
Tratando-se do primeiro capítulo poderá afastar os leitores devido às razões mencionadas, o que é uma pena pois trata-se de um dos melhores do livro cujo arrepiante final compensará a atribulada caminhada.
As histórias apesar de completamente diferentes encontram-se ligadas entre si pela "Voz do Fogo". São contos carregados de violência e luxúria, onde corpos queimados e cabeças decepadas farão grande parte da sua simbologia. No que toca à luxúria Moore entra na cabeça dos personagens e explora os seus desejos sexuais sem pudores ou eufemismos de uma forma directa e crua que para muitos terá um sabor ordinário.
Passando pela vida de um emissário Romano, de um antigo Cruzado ou até do "mendigo poeta de NorthamptonShire" John Clare ou do mulherengo Alf Rouse, esta aventura conta com um leque de personagens fascinantes, terminando no próprio autor. Sim! Alan Moore é o protagonista do 12º capítulo onde se encontra precisamente a concluir o livro em questão, como sendo "o último acto de um ritual de fé e magia", citando Neil Gaiman.
Em jeito de conclusão esta é uma viagem pela História de Northampton carregada de magia e luxúria, onde o autor mistura realidade e ficção com a classe que lhe é habitual.
A edição portuguesa da "Saída de Emergência" foi traduzida por David Soares que nos presenteia com uma secção de notas sobre cada capítulo fornecendo-nos informação base sobre a mitologia usada nas histórias e algumas ideias do autor, algumas das quais já haviam sido exploradas em outros dos seus trabalhos como por exemplo na série de BD "Promethea".
O prefácio é da autoria de Neil Gaiman que aconselha o início da leitura ou no primeiro ou no último capítulo uma vez que se trata de um livro que pode ser lido em qualquer ordem. Eu optei, tal como David Soares, por seguir o caminho de um peregrino, ou seja, começando no primeiro e terminando no décimo segundo.
Uma vez que se trata de um livro carregado de simbologia e cuja linguagem nem sempre é a mais acessível optei por ler primeiro esta edição portuguesa, até porque como referi contava com alguns apontamentos. Agora após este contacto inicial com "A Voz Do Fogo" já me sinto mais preparado para pegar na obra na sua língua original, algo que definitivamente farei daqui a uns anos. Até lá quero aproveitar também para aumentar a minha cultura esotérica a fim de conseguir mergulhar mais fundo ainda neste mundo mágico e negro.
Este foi um livro que infelizmente passou despercebido do público. Talvez por ser escrito por um autor de BD ou por simplesmente desistirem logo a início, visto o 1º capítulo ser como havia mencionado o mais desafiante. A fim de cativar novos leitores a editora "Saída de Emergência" planeia lançar uma nova edição com uma nova capa e algumas surpresas (quem sabe com as ilustrações de José Villarrubia presentes na edição de 2004 da Top Shelf)). Já agora aproveito para sugerir que corrigam nesta nova edição algumas gafes que se encontram na actual, já que estão com "a mão na massa".

terça-feira, agosto 11, 2009

Camões - De vós não conhecido nem sonhado?

A editora Plátano lançou no ano passado o livro “Camões – De vós não conhecido nem sonhado?” da autoria de Jorge Miguel que aqui volta novamente a viajar pela História de Portugal, debruçando-se agora sobre um dos seus maiores poetas.
O autor optou por iniciar esta história no mesmo ano em que a decidiu terminar, ou seja, 1580 naquele que viria a ser o ano da morte de Camões. No entanto rapidamente vai caminhando para trás no tempo até chegar a 1542 ano em que a narrativa propriamente dita tem início, mas não sem antes passar por 1552, aproveitando para fazer referência à rixa entre Camões e Gonçalo Borges a qual conduziria o primeiro ao encarceramento na tão famosa prisão do Tronco. Desta forma o autor consegue logo no início e em poucas páginas providenciar-nos uma ideia geral do tipo de homem que Camões foi, um boémio compulsivo que não pesava as consequências das suas acções.
Como havia referido a trama propriamente dita tem início em 1542, quando o poeta, com 18 anos, regressa a Lisboa vindo de Coimbra, cidade que abandona sem completar os estudos. Consigo traz uma carta de recomendação de seu tio, D. Bento de Camões, dirigida a D. Francisco de Noronha graças à qual se tornará o educador do seu filho, António de Noronha.
Não demora muito até os seus versos começarem a fazer furor entre a corte de D. João III, derretendo o coração de muitas mulheres e causando a inveja de muitos homens.
O seu espírito rebelde, tanto na escrita como nas acções levam-no a abandonar o país em mais do que uma ocasião. Desta forma é obrigado a aventurar-se no Norte de África, em Ceuta, local onde acabará por perder o seu olho direito. Posteriormente terá de embarcar para Goa repetindo o caminho descoberto por Vasco da Gama. Aqui escreveu grande parte dos “Lusíadas”, mas teve também tempo para irritar o seu Governador, na altura, Francisco Barreto com a “Comédia de Filodemo” e os “Disparates da Índia”, obras que o obrigarão a partir novamente. Desta vez consegue embarcar para Macau mas voltará a ser preso e despachado de volta para Goa. Foi neste regresso a Goa que ocorreu o tão famoso naufrágio no qual Camões conseguiu salvar não só a sua vida como o seu manuscrito de “Os Lusíadas”.
Devido a mais algumas peripécias acaba por ir parar a Moçambique. Sem dinheiro para regressar a Portugal vai sobrevivendo graças a expedientes. Em 1570 retorna novamente à pátria amada graças à ajuda de amigos. Após a aprovação do rei D. Sebastião e do Clero, publica em 1972 aquela que viria a ser a sua obra mais conhecida, “Os Lusíadas”.
Um dos aspectos mais bem conseguidos do livro é sem dúvida a utilização de versos do poeta ao longo da narrativa, sempre perfeitamente enquadrados na história e que contribuem para enaltecer a obra e tornar mais saborosa a sua leitura. Ao longo da narrativa somos também presenteados com alguns excertos de cartas de Camões a amigos onde aproveita para descrever pessoas e aventuras. A utilização da linguagem de Camões a partir destas cartas e dos versos ajudam a tornar o seu espírito mais presente na obra, algo com que o livro só tem a ganhar.
Em apenas 65 páginas Jorge Miguel consegue a proeza de contar de forma sucinta mas elaborada a vida de um dos maiores poetas de sempre, sem nunca cair no aborrecimento ou no sentimentalismo fácil.
Um livro aconselhado a todos os apaixonados pela obra de Camões ou por Banda Desenhada, o que devia abranger praticamente todos nós.

Este texto juntamente com uma entrevista ao autor Jorge Miguel encontram-se na edição de Agosto da "Rua de Baixo". Para verem cliquem aqui.

sábado, agosto 01, 2009

Mão Morta - Mutantes S.21

Lado 1
Lisboa (Por Entre as Sombras e o Lixo) - Já estive (mal seria também)
Amesterdão (Have Big Fun) - Já estive
Budapeste (Sempre a Rock & Rollar) - Já estive
Barcelona (Encontrei-a na Plaza Real) - Já estive
Marraquexe (Pç. das Moscas Mortas) - Parto hoje para lá

Lado 2
Berlim (Morreu a Nove) - Também já lá estive
Paris (Amour A Mort) - Idem idem aspas aspas
Istambul (Um Grito) - Quem sabe um dia
Shambalah (O Reino da Luz) - Também quero

E pronto depois desta cidade ficam só a faltar duas para conhecer este álbum totalmente.
Até daqui a uma semana.
Boas férias.

terça-feira, julho 28, 2009

Se Me Amas


Se Me Amas (Bizarra Locomotiva) - Bizarra Locomotiva

Ultimamente ando a recordar algumas canções do álbum de tributo aos 20 anos dos Xutos e Pontapés. É de salientar que existem verdadeiras pérolas neste CD.
É fantástico ver uma canção dos Xutos a ser trabalhada por determinadas bandas e assistir ao resultado final, como é o caso da versão "Mãe" pelos Mão Morta, "Esquadrão da Morte" pelos Da Weasel ou esta "Se Me Amas" pelos Bizarra Locomotiva.
Estas bandas pegaram em canções dos Xutos e tornaram-nas deles.
Voltando aos Bizarra tenho ideia que na altura em que fizeram esta música, Armando Teixeira ainda pertencia à banda. Ao vivo têm um espectáculo assombroso.

sexta-feira, julho 24, 2009

Rádios Humanos Ambulantes

Na semana passada quando entrei no metro em direcção a Santa Apolónia, deparei-me com o som altíssimo de uma música qualquer que pessoalmente não faz nada o meu género (mas mesmo que fizesse não é essa a questão).
Podia ter pensado que agora os metros tinham rádio mas pelo tipo de som e pela sua qualidade claramente não era o caso. Ora bem o som vinha de um telemóvel de um indivíduo qualquer.
Tantas e tantas pessoas ouvem música no metro com AUSCULTADORES. Achei aquilo uma palhaçada e não tivesse a viagem apenas duas paragens acho que tinha de ir lá falar com o tipo para desligar aquilo que era mesmo muito irritante.
Mais curioso é que saímos ambos em Santa Apolónia e lá andava ele pela estação de comboios sempre com um som altíssimo a emanar do telemóvel, acompanhado de duas mulheres que já agora bem podiam ir a dançar também para reforçar o ambiente videoclip.
Isto tinha morrido aqui e eu nunca me lembraria de contar esta história no blog. O problema é que quando contei isto no Porto me avisaram que lá se passa o mesmo e se está a tornar uma moda. Epá!!! Isso é que não. Agora fomentamos a poluição sonora? Não pode ser, daqui a nada nem conseguimos ler um livro descansados.
Confesso que se é pra isto achava mais engraçado os rádios ao ombro.