domingo, abril 26, 2009

70 anos de The Dark Knight

Não tivesse passado pelo Notas Bedéfilas e tinha-me mesmo esquecido de salientar o 70º aniversário do Homem Morcego que viu pela primeira vez a luz do dia em 18 de Abril de 1939 no número 27 da BD "Detective Comics" (ver imagem).

Muitos Parabéns a Bob Kane e Bill Finger por terem criado este magnífico personagem que ainda hoje nos continua a deslumbrar. E volto a salientar o trabalho de Bill finger que não sei bem porquê foi completamente esquecido e raramente mencionado quando se fala de Batman.

quarta-feira, abril 22, 2009

Mundo Cão - Ordena que te ame


Eles estão de volta. Eu gostei bastante do primeiro álbum, tenho de ver se ouço este.

segunda-feira, abril 20, 2009

Passatempo Black & White - Vencedores


Os vencedores do passatempo "Black & White" são:


- Sara Ferraz de Lima Ferreira

- Ana Luísa de Matos Moreira

- Magda Sofia Lourenço Fernandes

- Maria Antónia Ferreira de Magalhães

- Patricia Alexandra Gonçalves

Os convites valem para a sessão que preferirem e deverão ser levantados na entrada do festival mediante a apresentação do bilhete de identidade.
A organização do festival deverá entrar em contacto, brevemente, com os vencedores.

Obrigado a todos os que participaram e espero que tenham um óptimo festival.

sábado, abril 18, 2009

Desafio: Óscares

Fui desafiado pela Anita em escolher um ano dos Óscares e dar a minha opinião em relação aos vencedores nas categorias de melhor filme, realizador e actores principais.
Como ligo a estes prémios há pouco tempo as escolhas recaíram obviamente num ano recente, mais especificamente a 78º edição que decorreu em 2006.

Começando pelo melhor filme o vencedor foi "Crash" de Paul Haggis que é na minha opinião um belo filme. Os restantes nomeados eram "Brokeback Mountain", "Capote", "Munich" e "Good Night, and Good Luck". A questão que eu coloco é: onde está o poético "The New World"? que apenas recebeu uma nomeação. Esta pérola de Terrence Malick devia não só ter sido nomeado como levado a estatueta para casa.

Em relação ao melhor realizador daria o Óscar a Terrence Mallick novamente pelo seu trabalho notável em "The New World". O vencedor foi Ang Lee por "Brokeback Mountain" um excelente trabalho também, sem qualquer dúvida pois é também um filme do qual gosto bastante.

Sobre o melhor actor masculino temos um daqueles casos "venha o diabo e escolha". A competição era dura e ainda nem sequer vi o trabalho de Joaquin Phoenix em "Walk the Line". O vencedor foi Phillip Seymor Hoffman por "Capote" um justíssimo vencedor e aqui nada tenho a apontar, apenas digo que o prémio não ia mal entregue ao Ennis del Mar de Heath Ledger mas jamais em tempo algum direi que a vitória de Hoffman foi injusta. Foi talvez como o caso Penn e Rourke este ano provavelmente (uso esta palavra porque ainda não vi "Milk") ambos o mereciam.

Por fim melhor actriz principal. A vencedora foi Reese Witherspoon em "Walk the Line". Aqui não posso comentar rigorosamente em nada pois não vi nenhum dos filmes nomeados. No entanto Felicity Huffman parecia estar muito bem em "Transamerica". Mas acredito que o prémio tenha sido bem entregue.

sexta-feira, abril 17, 2009

Jesus, The Misunderstood Ft/ Siddharta, The Underrated ao vivo.

Ok a segunda parte é mentira, mas para quem quiser ver os Jesus, The Misunderstood ao vivo, fica o aviso de que o concerto será amanha pelas 19 horas no espaço Evoé.
Os bilhetes se não estou em erro são 4 euros.
Como já tinha falado aqui, os Jesus dão valentes concertos por isso a todos os que estiverem perto da zona de Lisboa e possam, dêem lá um saltito que dificilmente se arrependerão.
A foto que eu roubei do Myspace é da autoria de Vera Marmelo.

Nine Inch Nails em Paredes de Coura

Depois da confirmação de Franz Ferdinand e Supergrass chega a vez da banda de Trent Reznor.
Pensava eu que ia demorar anos até estes senhores regressarem. Ainda bem que estava errado.
O festival vai decorrer entre 29 de Julho e 1 de Agosto e os bilhetes custam entre 40 e 70 euros.
Não sei se vou poder lá dar um salto mas se tem Nine Inch Nails vai valer de certeza a pena.

Black & White - TV Spot

Apesar de esta informação chegar um pouco atrasada não podia deixar de a salientar. estou a falar do TV Spot do festival Black & White que se encontra já disponível.
Vale a pena dar-lhe uma espreitadela.


B&W 09 - TV Promo from eartes on Vimeo.

Infelizmente a distância impossibilitou-me de comparecer à conferência de impressa que ocorreu na passada quarta-feira, mas para quem tiver curiosidade passem pelo blog do Fifeco que esteve presente.

sexta-feira, abril 10, 2009

Black & White - Passatempo


O 6º Festival Audiovisual "Black & White" tem a estreia marcada já para o próximo dia 22 de Abril decorrendo até 25 do mesmo mês. O Alternative-Prison em colaboração com o festival tem 5 convites duplos para vos oferecer para qualquer sessão do vosso agrado. É de salientar que o convite dará também acesso às noites Black & White onde decorrerão diversos concertos de música.

A todos os interessados em vencer um convite apenas têm de responder à questão que se encontra abaixo enviando o vosso nome completo e o número de bilhete de identidade para jgabrielam@hotmail.com.
O passatempo decorrerá até dia 19 de Abril.


1 - Em que Universidade se realiza o 6º Festival Audiovisual Black & White?"

sábado, abril 04, 2009

Festival Black & White - Trailer

Com a chegada do festival a estar cada vez mais próxima, encontra-se já disponível o trailer de apresentação.
Volto a relembrar que o festival decorre entre 22 e 25 de Abril.

quarta-feira, abril 01, 2009

MONSTRA Sexta-Feira 13

Sita Sings The Blues

“Sita Sings The Blues” era para mim um dos filmes que mais ansiava ver na programação da MONSTRA, e na passada Sexta-feira, 13 de Março a oportunidade finalmente chegou.
Esta obra de animação é da autoria da realizadora Americana Nina Paley e trata-se de um filme sem qualquer propósito comercial onde a própria realizadora pede para todos nós o vermos e distribuirmos. Por isso a todos os interessados o filme encontra-se disponível para download na página oficial que se encontra disponível na zona dos links externos deste artigo.
O filme conta-nos a história Hindu, “Ramayana”, que aborda a vida de Rama e Sita. Primogénito de Dasaratha, Rei de Kosala, Rama sería, por lei, o próximo da sua linhagem a subir ao trono, no entanto Kaikeyi, a terceira e mais nova mulher do Rei, decide cobrar uma antiga promessa que o marido lhe havia feito, pedindo assim o exílio de Rama. Obrigado a abandonar o castelo é acompanhado pela sua mulher Sita cujo amor por ele é maior do que a própria vida. O filme acaba assim por se centrar maioritariamente na personagem de Sita e na sua luta pela igualdade.
A narrativa ao longo do tempo vai mudando de tom, podendo ser dividida em três partes, cada uma característica por um estilo de animação distinto que permitem identificar facilmente em que qual dos ambientes nos encontramos. Por um lado temos os momentos em que a história é narrada por três divertidos shadow puppets indianos que proporcionam algumas das melhores gargalhadas no filme ao misturarem os relatos da lenda com as suas opiniões pessoais e é filmada utilizando animação fotográfica. Os segmentos que contam a história de uma forma mais tradicional utilizam pinturas que se assemelham ao estilo tradicional indiano Rajput. Por fim, e não fosse o título do filme “Sita Sings The Blues”, temos a parte musical onde Sita canta canções da artista jazz Annette Hanshaw. Este segmento baseia-se num estilo de animação gráfico que utiliza figuras geométricas para construir as imagens.
Paradoxalmente à história principal existe um segmento autobiográfico que conta a história de um casal que vive em São Francisco mas que se começa a distanciar quando o marido aceita uma proposta para ir trabalhar para a Índia. Esta parte é caracterizada também por ter um estilo distinto de animação, neste caso a técnica utilizada é a Squigglevision onde as formas são criadas de forma a tremerem e ondularem.
Como podem perceber “Sita Sing The Blues” é uma verdadeira amálgama de estilos e géneros que resulta num filme lindíssimo e bem-humorado. Infelizmente a realizadora Nina Paley teve de cancelar a sua visita ao festival mas no seu lugar esteve o muito simpático Nik Phelps um dos compositores da banda sonora que amavelmente se disponibilizou para conversar sobre o filme com todos os interessados.
No que toca à competição da MONSTRA acabou por levar para casa o prémio especial do júri.



Cabaret Voltaire: Lauro Palma

Em jeito de comemoração dos 90 anos do dadaísmo, que nasce precisamente em Zurich na Suíça (País convidado), a MONSTRA organizou para esta edição dois espectáculos dentro do espírito do Cabaret Voltaire que foi na altura um dos grandes impulsionadores deste movimento cultural.
A banda convidada para esta noite foram os Lauro Palma que a seguir à visualização de “Sita Sing The Blues” concluíram mais um dia do festival.
O concerto teve início com uma das canções mais viciantes do grupo “Cá se fazem cá se pagam” e apesar de terem “entrado a matar” confesso que preferia tê-la ouvido no final mesmo antes de ir para casa.
Sintetizadores e letras parodistas sobre os mais variados temas, desde uma “famel no Paris Dakar” ou “uma mosca sem valor que pousa com a mesma alegria na careca de um doutor como em qualquer porcaria” são a grande imagem de marca dos Lauro Palma que conseguiram acima de tudo entreter e divertir o público.
Uma das ideias originais do director Fernando Galrito para estes momentos musicais consistia em que estes incluíssem também uma estética de imagem ligada idealmente ao cinema de animação Suíço ou ao realizado pelos estudantes para a competição. Apesar de a intenção original não ter acontecido, de certeza que foram poucos aqueles que não saíram muito satisfeitos depois de terem assistido a este divertidíssimo momento musical que fará garantidamente furor em qualquer arraial académico.

Texto publicado nas reportagens da edição de Março da Rua de Baixo.

sábado, março 28, 2009

terça-feira, março 24, 2009

Porto7

O "Porto7" consiste em um festival de curtas-metragens a decorrer na cidade do Porto entre 10 e 14 de Junho.
Esta é a sua segunda edição e o prazo de submissão de curtas termina a 5 de Maio.
A entrada para todos os eventos é gratuita.
Para mais informações consultar o site oficial aqui.

sábado, março 21, 2009

Les chercheuses de poux

Para comemorar este dia mundial da poesia escolhi homenagear a verdadeira Ode aos "cata piolhos".
Para quem, como eu, não domina o francês clique aqui para dar uma vista de olhos a uma tradução em inglês.


Quand le front de l'enfant, plein de rouges tourmentes,
Implore l'essaim blanc des rêves indistincts,
Il vient près de son lit deux grandes sœurs charmantes
Avec de frêles doigts aux ongles argentins.

Elles assoient l'enfant devant une croisée
Grande ouverte où l'air bleu baigne un fouillis de fleurs,
Et dans ses lourds cheveux où tombe la rosée
Promènent leurs doigts fins, terribles et charmeurs.

Il écoute chanter leurs haleines craintives
Qui fleurent de longs miels végétaux et rosés
Et qu'interrompt parfois un sifflement, salives
Reprises sur la lèvre ou désirs de baisers.

Il entend leurs cils noirs battant sous les silences
Parfumés; et leurs doigts électriques et doux
Font crépiter parmi ses grises indolences
Sous leurs ongles royaux la mort des petits poux.

Voilà que monte en lui le vin de la Paresse,
Soupirs d'harmonica qui pourrait délirer;
L'enfant se sent, selon la lenteur des caresses,
Sourdre et mourir sans cesse un désir de pleurer.

Arthur Rimbaud

quinta-feira, março 19, 2009

Jesus, The Misunderstood no Maxime (14/03/2009)

A "ressurreição" este ano comemorou-se mais cedo. No passado sábado os "Jesus, The Misunderstood" apresentaram pela primeira vez em Portugal o seu mais recente EP "The Crooners are Dead".
Vieram acompanhados pelos espanhóis "Autumn Comets" com quem já tinham dado um concerto em Madrid e que estiveram encarregados de preparar a multidão para a aguardada "ressurreição".
No entanto apenas quando os "Jesus" entraram em palco de vez é que se notou um maior entusiasmo por parte do público. A banda de Luís "Walter Benjamim" Nunes, Manuel Dordio, Pedro Girão e Miguel Pereira apresentou-se trajada a rigor e acompanhados por Luís Pereira e Becky Chilton.
Entre quase todas as canções ocorriam mudanças no palco, seja pelo trocar de instrumentos ou porque todos os membros cantaram (com a excepção de Girão). Isto acabou por dar muito ritmo ao concerto e com todos os músicos a portarem-e sempre muito bem na qualquer posição que ocupavam.
Os Jesus têm muita qualidade e ao vivo dão um forte espectáculo musical que aconselho a todos. Eu vou estar atento às próximas datas que podem ser consultadas na página do myspace onde se encontram também disponíveis algumas das canções. Agora que venha o álbum!
Para quem quiser saber mais aconselho a dar uma vista de olhos ao texto da amiga Maria del Sol que vem recheado de muitas belas fotos tiradas da Vera Marmelo.
O poster é que podia ter sido mais bonito, mas que é que isso interessa depois de termos visto um grande festival de música?

terça-feira, março 17, 2009

Sessão de Abertura da 8º edição da MONSTRA

A sessão de abertura da 8º edição da MONSTRA 2009 teve início na passada segunda-feira no Cinema S.Jorge. As honras da estreia couberam ao último filme de José Xavier, “28”, uma curta-metragem que em 10 minutos nos leva a viajar pelo extraordinário mundo Pessoano.

Como o experimentalismo é algo que se encontra muito presente no cinema de animação, pois na sua base sempre foi uma forma de arte onde se experimentava tudo, não deixa de ser muito interessante a ideia de passarem este “28” não na sua versão cinematográfica mas numa versão feita especialmente para o festival. A ideia passou por mostrar inicialmente o filme em silêncio e depois novamente com uma banda sonora composta por António Sousa Dias, de forma a revermos as mesmas imagens mas quem sabe experienciando-as de uma forma diferente, como se fosse quase um outro filme. Infelizmente a exibição ficou marcada com alguns problemas sonoros e por isso ficou prometida uma segunda exibição a decorrer na sessão de encerramento. Tanto José Xavier como António Sousa Dias estiveram presentes e partilharam algumas palavras com o público após a visualização do filme.

A Suíça, como é já bem sabido, é este ano o país homenageado pela MONSTRA. Nesta sessão de abertura, a retrospectiva de filmes suíços esteve a cargo de George Schwizgebel, um dos nomes mais importantes da animação contemporânea em geral e da Suíça em particular. Schwizgebel estudou em Genebra na “Escola das belas artes e das artes decorativas” e fundou em 1971 a “GDS” um estúdio onde produz e realiza filmes de animação.

A sessão contou com a apresentação do próprio realizador que nos proporcionou a visualização das suas 14 curtas-metragens, entre as quais se encontravam as muito aclamadas “La jeune fille et les nuages”, que nasceu da ideia de contar a história da “Cinderela” e ao mesmo tempo desenhar as nuvens que o autor conseguia ver do seu estúdio, e “L’Hommes sans ombre” que consiste na adaptação do conto de Adelbert von Chamisso, “L’Histoire merveilleuse de Peter Schlemihl”, uma história sobre um homem que vende a sombra ao diabo em troca de riqueza mas que fica condenado a vaguear sozinho pelo mundo ao descobrir que a sociedade o rejeitará por não possuir uma sombra.

Gostaria também de salientar brevemente outras das suas obras que por diferentes motivos me tocaram particularmente. Falo por exemplo da abordagem de Schwizgebel ao conto clássico “Frankenstein” em “Le ravissement de Frank N. Stein” que curiosamente nasceu não da influência do conto de Mary Shelley mas da vontade que o autor tinha em trabalhar com o compositor Michael Horowitz, que compunha música através da junção de fragmentos de som, uma técnica vulgarmente usada na animação, mas obviamente com imagens. Fascinante também foi a viagem pelo mundo da pintura em “Le sujet du tableau” que nos transporta ao longo de várias obras clássicas, desde Verner a Velázquez, num filme cuja ideia inicial era a de contar a história de Fausto que partiria à procura da sua amada Margarida com a ajuda de um Mefistófeles tornado agora pintor, mas que acabou por se tornar em algo completamente diferente. Para terminar falo ainda de “L’année du daim”, uma adaptação de um conto chinês que nos traz uma lição de vida contada de uma forma muito humorística e descontraída através de um veado e de um cão.

Ao longo desta retrospectiva foi-nos dada a oportunidade de entrar neste fantástico mundo de George Schwizgebel e também de um ponto de vista mais técnico observar a evolução e alteração das técnicas usadas por si ao longo do tempo. No entanto algumas das suas obras pediam algum tempo de introspecção, por isso ver 14 dos seus filmes de seguida foi sem dúvida uma experiência bastante intensa.

À saída da sala, já ao som da festa de abertura por parte do DJ RIDE, ficou a sensação de que o festival começou com o pé direito e que promete claramente muitas surpresas ao longo desta semana.


Texto publicado nas reportagens da edição de Março da Rua de Baixo.



Georges Schwizgebel - L'homme sans ombre

segunda-feira, março 16, 2009

Watchmen


"Quis custodiet ipsos custodes?"
("Who watches the watchmen?")

Após a DC Comics ter adquirido os direitos da editora Charlton Comics em 1985, Alan Moore começou a desenvolver um projecto em que renovaria alguns dos Super-Heróis da extinta editora.
Apesar do editor Dick Giordano ter gostado das ideias de Moore, achou que a sua história iria afectar de uma forma drástica o destino de muitos desses Heróis inutilizando-os para futuros projectos. Desta forma tentou convencê-lo a criar novos personagens, algo que o autor não queria a início porque considerava que não iriam sensibilizar tanto os leitores. Felizmente para todos nós acabou por mudar de ideias, "Eventualmente apercebi-me que se escrevesse os personagens substitutos suficientemente bem, para que parecessem familiares em determinadas maneiras, se certos aspectos seus trouxessem uma certa ressonância ou familiaridade genérica de Super-Herói ao leitor, então poderia resultar" comentou Moore numa entrevista a Jon B. Cooke.
Para quem estiver interessado em saber mais sobre os personagens originais que Moore queria usar e nos quais acabou por se basear ao construir os "Watchmen" convido a dar uma vista de olhos às notas que tenho escrito na rubrica "Influências/Semelhanças" que se encontra ordenada no lado direito do blog.
Dave Gibbons que já tinha trabalhado com Moore no passado quis envolver-se neste projecto e após ler um pouco da história e de ter conversado com o editor entrou imediatamente a bordo trazendo consigo o colorista John Higgins. Com a junção do editor Len Wein o núcleo central de "Watchmen" estava formado.
No final dos anos 30 começaram a surgir vigilantes mascarados e apesar de utilizar o termo "Super Herói" a verdade é que de Super não tinham nada, sendo apenas pessoas comuns que por alguma razão optaram por se mascarar e patrulhar as ruas tentando livrá-las do crime. Os primeiros a surgirem acabariam por formar os "Minutemen" o primeiro grupo de Super-Heróis a existir no mundo. Apesar de a história não se centrar nestes Heróis mas sim nos da 2º geração, Moore ao longo do livro e principalmente através dos extras, providencia-nos muita informação sobre a vida destes personagens, dando-nos uma ampla visão de como estas pessoas poderiam afectar a sociedade e vice versa. Através destas temos também o conhecimento dos vários perfis psicológicos que levariam alguém a usar um uniforme, seja a procura por justiça no caso de uns ou a fama no caso de outros. Como as suas carreira já estão bem terminadas durante a acção principal de "Watchmen" podemos também verificar aonde este tipo de vida os levou e para alguns a resposta apesar de óbvia não deixa de ter um sabor bem realista, pois se existissem de facto pessoas como eu e tu que saíssem de noite para combater criminosos seria de estranhar que muitos de nós acabassem mortos ou dementes?
Depois dos "Minutemen" uma nova vaga de Heróis surgiria, os "Watchmen" que constituem os personagens principais desta trama, falo de Rorschach, Nite Owl II, Ozymandias, Silk Spectre II, Doctor Manhattan e The Comedian o membro que faz a ponte entre as duas gerações. Se os Heróis anteriores deixaram uma marca na História, nada se compararia ao que aconteceria após o nascimento do Dr. Manhattan. Este novo Herói é o primeiro a surgir que realmente possui poderes. Após um acidente de laboratório Jon Osterman "morreu" para dar lugar a Manhattan um ser extraordinário com a capacidade de manipular matéria ao nível atómico sendo virtualmente capaz de criar tudo.
A sua existência alterou profundamente o percurso da História, os USA venceriam a guerra do Vietname e Nixon manter-se-ia na presidência ao longo de vários mandatos. A América desenvolver-se-ia então num país diferente daquele que hoje conhecemos e é nesta versão alterada da América que "Watchmen" se desenrola.
A sociedade eventualmente cansar-se-ia destes tipo de justiça mascarada e em 1977 após a greve das forças policiais o governo decidiu que era altura mais do que suficiente de lançar o Keene Act, uma lei que proibia a actividade de vigilantes mascarados, excepto se estes tivessem uma ligação ao governo como é o caso de Manhattan e Comedian.
A trama principal propriamente dita tem inicio em 1985 com a investigação do assassinato de Edward Blake a.k.a. The Comedian. Rorschach é agora o único vigilante que continua independente no activo, após uma curta investigação pelo apartamento de Blake começa a elaborar uma teoria de conspiração sobre alguém que pretende eliminar os vigilantes mascarados. O que começa por aparentar ser apenas um simples assassinato desenvolve-se em algo de proporções épicas que acabará por "obrigar" todos os Watchmen a tomarem um partido.
Surgindo-nos como uma história sobre a desconstrução do Super-Herói, "Watchmen" vai evoluindo em algo muito maior, tornando-se principalmente em uma história sobre a Humanidade. Moore afirmou numa entrevista a Vincent Eno e El Csawza que pretendia criar uma espécie de "Moby Dick dos Super-Heróis” e tenho a forte sensação de que conseguiu.
Originalmente o autor apenas tinha material para criar 6 comics, mas uma vez que o contrato era de 12 foi obrigado a esticar a história o que poderia resultar em algo aborrecido, mas estamos a falar de Moore e tal não foi o caso. A sua solução passou por se focar também no passado dos personagens o que na minha opinião foi uma excelente ideia uma vez que nos fez ter um maior contacto com cada um compreendendo melhor o tipo de pessoas que eram e em que acabariam por se tornar. É preciso salientar que todos os personagens estão incrivelmente bem construídos psicologicamente e que os seus ideias e formas de pensar estão em perfeito acordo com as suas acções ao longo do livro onde as atitudes de cada um merecem bastante reflexão.
Pessoalmente acho a arte de Gibbons muito boa e extremamente rica a salientar pormenores e simbolismos. Em relação à estrutura os autores optaram por usar maioritariamente um formato de 9 quadrados por prancha.
Antes de terminar tenho de salientar a fantástica ideia de ter uma história de BD dentro de outra. Falo obviamente de "Tales of the Black Freighter" o conto que é lido por um rapaz ao longo desta obra e que retrata a vida do único sobrevivente de um naufrágio causado pelo temível grupo de piratas do "Black Freighter". Assustado com a ideia de que os piratas se dirigem à sua terra para matar todos os seus habitantes onde se incluem a sua mulher e filhos, decide usar todos os meios ao seu dispôr para regressar naquela que se tornará a viagem mais negra da sua vida. Além da história viver só por si funciona também como uma alegoria a algumas situações de "Watchmen" sendo talvez a principal o percurso pela escuridão de um homem com com um dos mais nobres dos objectivos.
"Watchmen" foi um dos livros que mais revolucionou a forma como se olha para a BD no mundo e não é à toa que é considerado pela "Time" como um dos 100 melhores romances do séc. XX. A única BD a ter tido tal reconhecimento.

terça-feira, março 10, 2009

Festival Black & White


A aproximar-se cada vez mais está o 6º Festival Audiovisual Black & White a decorrer entre 22 e 25 de Abril no Porto.

Como já é habitual sempre que algo de novo acontece em relação a este projecto podem contar com este espaço para avisar.

Sendo assim aproveito para mostrar no poster oficial do evento bem como avisar que este já se encontra também no Twitter, além dos locais habituais que podem ser relembrados aqui.

domingo, março 08, 2009

Star Trek - Novo Trailer

De facto J.J. Abrams não estava nada a brincar quando disse que ia por mais "Star Wars" nesta nova abordagem à saga "Star Trek".
O trailer que acabei de ver é qualquer coisa de estrondoso e prendeu-me sem dúvida a atenção. No entanto não deixo de pensar se alguma da mística de "Trek" se poderá perder. De qualquer das maneiras eu vou confiar em Abrams que é fã assumido desta saga.
A música fez-me por alguma razão lembrar o Batman.
Para terminar queria apenas dizer que gosto da ideia de prequelas, de poder ver como alguns dos personagens que tanto gostamos nasceram. Lembro-me por exemplo da primeira vez em vemos Kenobi a apresentar-se a Skywalker em "The Phantom Menace" foi um momento histórico apra qualquer admirador de "Star Wars". Pena que o filme não tenha sido melhor.
Cliquem na imagem para ver o trailer.

quinta-feira, março 05, 2009

Rua de Baixo V.2 - Edição de Março

Em grande destaque este mês vai estar a 8º edição da MONSTRA, o grande festival do cinema de animação e o mais antigo da zona de Lisboa.
A MONSTRA sempre se preocupou em levar a animação mais além, procurando além de exibir filmes, criar diálogos entre o cinema de animação e outras artes e diálogos entre as pessoas sejam elas espectadores ou autores.
Por isso preparem-se para muitas exposições, muitos filmes, muito experimentalismo e definitivamente muitas aventuras e surpresas.
Tive o prazer de estar à conversa com o director do festival, Fernando Galrito, em uma entrevista que pode ser consultada aqui.
Para todos os interessados está neste momento a decorrer um passatempo com o intuito de oferecer bilhetes para participarem é só clicar aqui.

Outro grande destaque vai para uma entrevista com Adolfo Luxúria Canibal sobre os 25 anos dos míticos Mão Morta (ahh que inveja). É de salientar que estamos a falar de uma banda com 25 anos que continua a reiventar-se e a ser tão ou mais fascinante do que antes. Nunca as suas canções têm um sabor de estarem cansadas ou gastas. Não é para todos.

Há também uma entrevista com Pedro Lourenço, ilustrador, que lançou há algum tempo o fanzine "Blues Control" cuja primeira edição se encontra esgotada. Aconselho uma viagem ao seu blog para conhecerem a sua arte.

Depois ainda há Fantasporto, Manel Cruz, o tão aclamado álbum "Dark Was The Night" e muito, muito mais. Cliquem na imagem para aceder.

quarta-feira, março 04, 2009

Public Enemies

Quem sabe uma espécie de "Untouchables" meet "Heat" ou não de verdade pouco importa o que interessa é que é o novo filme de Michael Mann e que tem muito bom aspecto.
Cliquem na imagem para ver o trailer.