Criado por Stan Lee e Jack Kirby, o Hulk foi publicado pela primeira vez em 1962 e apesar de ser conhecido como um grande monstro verde, a verdade é que foi criado originalmente como sendo cinzento. No entanto Stan Goldberg teve alguns problemas com a sua coloração e para o número dois Stan Lee optou pelo uso da cor verde.Em 2008 este amigo verde regressa novamente ao grande ecrã mas desta vez pelas mãos de Louis Leterrier.
Como a maioria já deve saber "The Incredible Hulk" não é uma sequela do "Hulk" de Ang Lee. Aliás o corte é notório logo nos primeiros minutos onde mostram em jeito de flashback como o Hulk nasceu, nascimento esse completamente distinto do seu filme anterior e muito mais próximo da sua versão Ultimate como descobriremos mais à frente quando ouvimos a explicação do General Ross (para quem quiser saber como ele nasceu na BD dos Ultimates dê uma vista de olhos aqui).
Não o considerando dos melhores filmes sobre BD eu fui daqueles que gostou do filme de Ang Lee e da sua abordagem mais intimista a este grande monstro verde, não indo pelo caminho óbvio do "Hulk Esmaga", frase mítica na BD que nunca é proferida no filme de Ang Lee. Adorei também alguns pormenores na realização nomeadamente o que eu gosto de chamar os "planos bedéfilos".
Mas como "Hulk" não trinfou nas bilheteiras sendo considerado um fiasco, a Marvel decidiu voltar à carga com um novo filme, com um novo elenco e com uma história que prometia dedicar-se muito mais à acção.
Com esta premissa torci o nariz, imaginei um filme apenas dedicado à pancadaria e desprovido de sentimento. Felizmente "The Incredible Hulk" é bem melhor do que o imaginava. É verdade que lhe falta substância, um lado mais humano que podia ser melhor explorado com Bruce Banner, mas resulta bastante bem como filme de acção, monstrando-nos o lado mais agressivo do Hulk.A história em si tem início no Brasil, onde encontramos um Bruce Banner (Edward Norton) a viver escondido das atenções de um certo General Ross (William Hurt) e em constante procura por uma cura. Enquanto não a descobre, Banner tenta treinar-se de forma a controlar as suas transformações e para isso aprende técnicas de relaxamento trazendo sempre no pulso um medidor de batimentos cardíacos que aqui funciona como um "Alarme de Hulk". No seu tempo livre Banner também vai tentado aprender umas palavras dessa bela língua que é o Português.
Eventualmente acaba por ser descoberto sendo obrigado a fugir novamente, o que desta vez até calha bem uma vez que tem de regressar de qualquer maneira ao seu país para recuperar os dados do seu "acidente" de laboratório, a fim de que um misterioso Mr. Blue com quem tem comunicado via internet, o possa ajudar a curar-se.
Emil Blonsky (Tim Roth) é um agente que ao contrário dos restantes membros do exército fica mais motivado do que petreficado pela oportunidade de defrontar um ser como o Hulk e fará tudo para ter uma hipótese justa contra este monstro verde. Por isso não é de estranhar que tenha aceite participar num antigo projecto do General Ross que prometia aumentar-lhe as suas capacidades físicas. É aqui que ficamos a descobrir que Bruce Banner, sem o seu conhecimento, se encontrava a trabalhar na fórmula do super soldado que criou o Capitão América na II Guerra Mundial e ao testá-lo em si próprio criou acidentalmente o Hulk. O General procurava descobrir esta fórmula perdida a fim de criar a arma perfeita, acabando por criar algo muito mais poderoso mas também muito mais díficil de controlar.
Apesar de nunca terem coseguido copiar o antigo soro criaram uma variante similar e as primeiras injecções que Emil Blonsky recebeu tiveram de facto um excelente resultado aumentando-lhe as forças e dando-lhe a capacidade de se curar muito mais rápido que um ser humano normal. Vê-lo lutar contra o Hulk fazia lembrar um autêntico Capitão América (do ponto de vista físico). O problema é que o Capitão está uns quantos níveis abaixo do Hulk e Blonsky teve de continuar a insistir em receber mais injecções até que por fim com a ajuda de alguém administrou o sangue de Banner que juntamente com o que havia tomado o tranformaram no Abomination criando um adversário à altura do Hulk.
No que lhe falta em argumento "The Incredible Hulk" compensa com acção proporcionando-nos alguns momentos de entretendimento fabulosos e quando se trata de um herói como o Hulk esses momentos também são precisos. Pessoalmente gostava de ter visto um maior desenvolvimento emotivo de algumas personagens, mas fica a questão de como seria este filme se não lhe tivessem cortado 70 minutos que felizmente poderemos ver me DVD. Aparentemente a maioria das cenas cortadas devem ter sido escritas por Edward Norton que afirma ter participado na escrita do guião mas que não aparece nos créditos.Pelo que li foi uma pena pois existiam algumas cenas que podiam ser interessantes, nomeadamente uma onde mostram Banner a tentar suicidar-se, é quanto a mim uma cena importante para nos mostrar o verdadeiro desespero do personagem que nem sequer é capaz de se suicidar para terminar com a sua "maldição", uma vez que ao tentar tranforma-se imediatamente curando-se de quaisquer ferimentos, pois o Hulk tem uma capacidade de regeneração monstruosa (não sei se a cena decorreria assim apenas a imaginei baseado no meu conhecimento de BD).
Achei bastante curiosa a forma como usaram as transformações em Hulk para medir o tempo no filme, em vez de os comuns "passado 10 dias" ou "no dia seguinte" sabemos o tempo que passa através de um cronómetro que nos diz quantos dias passaram desde que Banner se transformou.
Em relação aos actores gostei do trabalho de todos, só tenho a apontar que achei a Liv Tyler um pouco apagada, mas talvez fosse suposto ser assim. De qualquer das maneiras entra numa das mais belas cenas do filme quando podemos vê-la a ela e ao Hulk sentados à chuva.
Gosto do rumo que estes novos filmes da Marvel estão a levar, nota-se que começam a estar cada vez mais interligados entre si caminhando para os Avengers, e se já começamos a ver alguns destes personagens em todo o seu esplendor e glória, imagino como será quando os virmos todos juntos.
Acho que podemos assumir que a partir de Iron Man, todos os filmes relacionados com os Avengers vão apresentar um cameo onde alguém irá falar deste projecto, em "Iron Man" foi Nick Fury e em "The Incredible Hulk" foi Tony Stark. Mais uma vez podemos comprovar que o papel de Stark assenta que nem uma luva no excelente Robert Downey Jr. que em menos de cinco minutos nos porporciona uma das melhores cenas do filme.
Concluindo, para mim o "Iron Man" ainda é o actual campeão do género este ano, mas apesar de estar uns furos abaixo este "The Incredible Hulk" também vale a pena.










































